{"id":5273,"date":"2013-08-22T23:35:04","date_gmt":"2013-08-22T23:35:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5273"},"modified":"2013-08-22T23:35:04","modified_gmt":"2013-08-22T23:35:04","slug":"vaticano-ocupa-8o-lugar-global-em-lavagem-de-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5273","title":{"rendered":"Vaticano ocupa 8\u00ba lugar global em lavagem de dinheiro"},"content":{"rendered":"\n<p>A pesquisa foi realizada pela rede de organiza\u00e7\u00f5es sociais francesas Voltaire, com base em dados fornecidos por autoridades alem\u00e3s e su\u00ed\u00e7as. No ano passado, o Instituto de Obras da Religi\u00e3o (IOR), nome oficial do Banco do Vaticano, epicentro do problema, teria lavado cerca de 33 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Por Dermi Azevedo<\/p>\n<p>(Dermi Azevedo)<\/p>\n<p>O Vaticano ocupa o 8\u00ba\u00a0lugar do mundo entre os pa\u00edses que lavam dinheiro sujo, oriundo da sonega\u00e7\u00e3o de impostos, da obten\u00e7\u00e3o de lucros il\u00edcitos, do tr\u00e1fico de armas e de drogas, entre outras fontes criminosas. O Vaticano conseguiu deixar para tr\u00e1s, em mat\u00e9ria de lavagem de dinheiro, pa\u00edses como a Su\u00ed\u00e7a, Bahamas, Liechtenstein, Nauru e as Ilhas Maur\u00edcio. A pesquisa foi realizada pela rede de organiza\u00e7\u00f5es sociais francesas Voltaire, com base em dados fornecidos por autoridades alem\u00e3s e su\u00ed\u00e7as. No ano passado, o Instituto de Obras da Religi\u00e3o (IOR), nome oficial do Banco do Vaticano, epicentro do problema, teria lavado cerca de 33 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Esta informa\u00e7\u00e3o tem um car\u00e1ter aproximativo, porque ningu\u00e9m (nem mesmo o papa) tem acesso ao balan\u00e7o real da institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria mais secreta do planeta.<\/p>\n<p>Neste momento, est\u00e1 em atividade uma comiss\u00e3o formada por cardeais e outros assessores do papa Francisco cuja miss\u00e3o \u00e9 precisamente a de investigar os bastidores do IOR e de apresentar ao pont\u00edfice propostas de mudan\u00e7as radicais no banco. N\u00e3o est\u00e1 exclu\u00edda a possibilidade de fechamento do instituto e a sua transforma\u00e7\u00e3o numa entidade que possa administrar os recursos financeiros da c\u00fapula da Igreja Cat\u00f3lica Romana.<\/p>\n<p>O mais recente esc\u00e2ndalo no banco foi a pris\u00e3o do monsenhor Nunzio Scarano, ex-chefe de contabilidade do IOR que integrava a APSA, um organismo do IOR que gerencia o patrim\u00f4nio da Santa S\u00e9. \u00c9 acusado de corrup\u00e7\u00e3o, cal\u00fania e fraude pela pol\u00edcia financeira italiana. O papa foi comunicado sobre a pris\u00e3o de Scarano e ordenou \u00e0 sala de imprensa do Vaticano que divulgasse uma nota, informando que o assessor j\u00e1 havia sido suspenso do seu cargo em maio deste ano. \u00c9 acusado de transferir para o IOR um total de 20 milh\u00f5es de euros, da Su\u00ed\u00e7a para uma conta de armadores napolitanos. A Justi\u00e7a italiana rejeitou, no s\u00e1bado passado, o recurso do monsenhor Scarano. Ele continua preso domiciliarmente no Vaticano.<\/p>\n<p>Antiga fama<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do IOR foi o tema de um dos debates mais acalorados pouco antes do conclave, na Capela Sistina, quando alguns cardeais de todos os continentes questionaram uns aos outros sobre a responsabilidade dos principais assessores do papa renunciante Bento XVI no andamento da corrup\u00e7\u00e3o no Banco do Vaticano. Alguns cardeais dos pa\u00edses menos desenvolvidos, mas tamb\u00e9m da Am\u00e9rica do Norte e da Europa, deixaram vazar essa informa\u00e7\u00e3o. Considera-se que esse debate foi importante para que, em seguida, os cardeais tenham votado secretamente no argentino Jorge Bergoglio como novo papa.<\/p>\n<p>A primeira atitude do novo pont\u00edfice foi a de nomear a comiss\u00e3o especial para a reforma do banco. Assessores de sua confian\u00e7a mantiveram tamb\u00e9m contato com a Uni\u00e3o Europeia em busca de assessoria t\u00e9cnica, por meio do Moneyval, que \u00e9 um organismo da UE que avalia e executa medidas contra lavagem de dinheiro e contra o terrorismo.<\/p>\n<p>Em 1997, o Conselho da Europa criou a Comiss\u00e3o Especial de Peritos sobre a Avalia\u00e7\u00e3o de Medidas Antilavagem de Dinheiro, com a sigla PC-R-EV, como um subcomit\u00ea do Comit\u00ea Europeu para os Problemas Criminais (CDPC). Em 2002, o nome da comiss\u00e3o foi mudado para Comit\u00ea de Peritos sobre a Avalia\u00e7\u00e3o das Medidas de Combate \u00e0 Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, com a abreviatura Moneyval, por entender que a sigla anterior n\u00e3o expressava com clareza os seus objetivos.<\/p>\n<p>O IOR foi fundado em 27 de junho de 1942 pelo papa Pio XII. Seus estatutos foram redigidos de tal forma que nem o papa tem acesso direto \u00e0 sua administra\u00e7\u00e3o. J\u00e1 nas primeiras d\u00e9cadas dos anos 40, foram levantadas suspeitas de que o banco poderia guardar verbas produzidas pelo regime nazista e tamb\u00e9m por banqueiros judeus perseguidos. O caso Marcinkus tornou-se o esc\u00e2ndalo mais conhecido envolvendo o IOR. O ent\u00e3o arcebispo norte-americano foi responsabilizado, pelas autoridades italianas, de envolvimento com a M\u00e1fia, na fal\u00eancia do Banco Ambrosiano, que tamb\u00e9m envolveu a loja ma\u00e7\u00f4nica P-2 e v\u00e1rios banqueiros. O caso inspirou at\u00e9 mesmo a produ\u00e7\u00e3o de filmes e de v\u00e1rios livros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22534&amp;utm_source\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=22534&amp;utm_source<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarta Maior &#8211; 20\/08\/2013\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5273\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1n3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}