{"id":5287,"date":"2013-08-27T14:36:15","date_gmt":"2013-08-27T14:36:15","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5287"},"modified":"2013-08-27T14:36:15","modified_gmt":"2013-08-27T14:36:15","slug":"aaquimicosaa-infiltram-se-pelas-fraturas-do-eixo-ocidental-contra-a-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5287","title":{"rendered":"\u00b4\u00b4Qu\u00edmicos\u00b4\u00b4 infiltram-se pelas fraturas do \u2018eixo\u2019 ocidental contra a S\u00edria"},"content":{"rendered":"\n<p>Padr\u00e3o recorrente ao longo da crise s\u00edria \u00e9 a coincid\u00eancia entre massacres de origem suspeita e momentos em que h\u00e1 mudan\u00e7a no contexto pol\u00edtico. \u00c9 importante ter isso em mente ao avaliar relatos publicados essa semana de um massacre, com uso de armas qu\u00edmicas, que teria acontecido pr\u00f3ximo de Damasco, e teria feito, segundo alguns relatos, mais de 1.100 mortos. O governo s\u00edrio j\u00e1 negou veementemente qualquer responsabilidade sobre o incidente e chegou a questionar se houve, de fato, emprego de armas qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>Antes, quando o Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas estava reunido para votar san\u00e7\u00f5es mais duras contra o governo do presidente Bashar al-Assad, teria ocorrido outro massacre ou explos\u00e3o de bomba, como no caso not\u00f3rio da vila de Houla em maio de 2012, quando mais de 100 civis foram massacrados&#8230;<\/p>\n<p>Em todos os casos, o governo de Assad sempre foi unanimemente condenado pela imprensa-empresa ocidental, e seus aliados externos, R\u00fassia, China e Ir\u00e3, igualmente execrados por apoiarem um \u201cregime desp\u00f3tico\u201d. Nas semanas subsequentes, contudo, descobriu que o massacre de Houla havia sido, como v\u00e1rios outros dessas matan\u00e7as em massa, a\u00e7\u00e3o de mercen\u00e1rios financiados e armados pelo ocidente. O resultado de investiga\u00e7\u00f5es independentes e o que se descobre nelas sobre massacres na S\u00edria, jamais chegam \u00e0s primeiras p\u00e1ginas dos ve\u00edculos da imprensa-empresa ocidental. A n\u00e9voa inicial criada pelas manchetes pejorativas e vast\u00edssima desinforma\u00e7\u00e3o \u2018midi\u00e1tica\u2019 deixa, como planejado, uma impress\u00e3o residual de culpa contra o governo de Assad.<\/p>\n<p>O suposto ataque, essa semana, com armas qu\u00edmicas, em tr\u00eas sub\u00farbios de Damasco segue o mesmo padr\u00e3o. Washington capitaneou o ocidente na condena\u00e7\u00e3o do governo s\u00edrio, sem contudo oferecer qualquer prova. Mas a pergunta realmente interessante, agora, \u00e9: qual o contexto pol\u00edtico significativo, dessa vez?<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 quase dois anos e meio, a S\u00edria \u00e9 alvo de guerra clandestina de agress\u00e3o que visa a desestabilizar o pa\u00eds e instigar a \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019.<\/p>\n<p>O eixo ocidental que est\u00e1 patrocinando a guerra clandestina contra a S\u00edria visa, ao mesmo tempo, a obter e manter o controle sobre a possibilidade de uma mudan\u00e7a de regime, como conseguiu na L\u00edbia, depois da derrubada e do assassinato de Muammar Gaddafi no final de 2011.<\/p>\n<p>Mas na S\u00edria, por v\u00e1rias raz\u00f5es, o equil\u00edbrio estrat\u00e9gico da guerra pendeu a favor do governo de Assad, cuja perman\u00eancia no poder parece hoje ainda mais assegurada, com as for\u00e7as militares oficiais conseguindo avan\u00e7ar significativamente, desalojando os mercen\u00e1rios pagos pelo ocidente.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea de fato \u00e9 que a agenda ocidental para for\u00e7ar mudan\u00e7a de regime na S\u00edria j\u00e1 se pode considerar derrotada \u2013 pelo menos no campo militar. O ponto de virada foi a vit\u00f3ria do ex\u00e9rcito s\u00edrio contra os mercen\u00e1rios ocidentais na regi\u00e3o chave de Qusayr, na primeira semana de junho. A partir da\u00ed, as mil\u00edcias apoiadas por interesses estrangeiros entraram em debandada ou gravitaram de volta \u00e0s \u00e1reas que ainda controlam, em Aleppo, no norte, e na prov\u00edncia de Deir al-Zour, a leste.<\/p>\n<p>Essa nova din\u00e2mica gerou tens\u00f5es internas entre as for\u00e7as do eixo ocidental. Esse eixo \u00e9 constitu\u00eddo das principais pot\u00eancias ocidentais, EUA, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a, unidos aos aliados regionais de Israel, Turquia e as monarquias \u00e1rabes do Golfo Persa, basicamente Ar\u00e1bia Saudita, Qatar e os Emirados \u00c1rabes Unidos.<\/p>\n<p>Novas tens\u00f5es sem precedentes surgiram tamb\u00e9m entre EUA e Ar\u00e1bia Saudita. Os dois pa\u00edses mantiveram uma s\u00f3lida alian\u00e7a estrat\u00e9gica desde 1945, quando o ent\u00e3o rei Abdulaziz Ibn Saud jurou dar prioridade para os EUA sobre a vasta riqueza de petr\u00f3leo do pa\u00eds que acabava de ser descoberta. Essas tens\u00f5es entre os EUA e a Ar\u00e1bia Saudita s\u00e3o desenvolvimento novo e muito raro. E n\u00e3o podem ser analisadas exclusivamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria: tamb\u00e9m incidem sobre eventos recentes no Egito.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 S\u00edria, por sua vez, parece ter-se criado um campo de discuss\u00e3o mais realista, liderado por Washington, que j\u00e1 aceitaria descartar a op\u00e7\u00e3o militar e segundo a qual, para que haja mudan\u00e7a de regime em Damasco, deve-se buscar uma t\u00e1tica pol\u00edtica mais sofisticada, a come\u00e7ar talvez pelas chamadas negocia\u00e7\u00f5es de Genebra-2.<\/p>\n<p>Mas persiste a press\u00e3o, pelo campo militarista, que insiste em buscar a mudan\u00e7a de regime na S\u00edria pela via da viol\u00eancia. Nesse campo atua a Ar\u00e1bia Saudita; e praticamente s\u00f3 ela, al\u00e9m dos mercen\u00e1rios que permanecem na S\u00edria sustentados pelo reino saudita. Considere-se que o Qatar foi recentemente deslocado do papel que desempenhava na S\u00edria, resultado tamb\u00e9m da rivalidade com os sauditas. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que os dissimulados qataris tenham optado por retirar-se da li\u00e7a, para apreciar de camarote o envolvimento dos sauditas no imbr\u00f3glio s\u00edrio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o que o governo turco de Recep Tayyip Erdogan, o qual, com sauditas e qataris, teve papel importante, embora clandestino, na coordena\u00e7\u00e3o do fornecimento de armas para mil\u00edcias \u2018rebeldes\u2019 na S\u00edria, tamb\u00e9m se tenha afastado da agenda militar para mudan\u00e7a de regime na S\u00edria. J\u00e1 se noticiou tamb\u00e9m que Ancara tentava distanciar-se tamb\u00e9m dos extremistas da Frente al Nusra, a principal brigada mercen\u00e1ria, respons\u00e1vel por atentados letais com carros-bomba e outros problemas que estariam respingando no territ\u00f3rio turco, como consequ\u00eancia da campanha desses terroristas na S\u00edria.<\/p>\n<p>O surgimento de tens\u00f5es no \u2018eixo\u2019 liderado pelo ocidente, entre EUA e sauditas explica tamb\u00e9m o uso de armas qu\u00edmicas perto de Damasco essa semana, em atentado no qual pode ter havido algo entre 500 e 1.500 v\u00edtimas, de pessoas que teriam sido expostas ao g\u00e1s Sarin. A grande imprensa-empresa ocidental, \u00e9 claro, n\u00e3o se cansa de repetir que o ataque qu\u00edmico seria da responsabilidade de for\u00e7as leais ao presidente Assad.<\/p>\n<p>O mais prov\u00e1vel contudo \u00e9 que o ataque \u2013 se se comprovar o uso de arma qu\u00edmica \u2013 tenha sido obra de militantes apoiados pelo ocidente, que ainda tentam derrubar o governo de Assad. Outros eventos que envolveram emprego de armas qu\u00edmicas, como o ataque a Khan al Assal, pr\u00f3ximo de Aleppo, dia 19 de mar\u00e7o desse ano, quando morreram mais de 25 pessoas, como adiante se comprovou, foi obra de mercen\u00e1rios anti-Assad. Relat\u00f3rio oficial do governo russo, divulgado m\u00eas passado, comprova a acusa\u00e7\u00e3o aos mercen\u00e1rios, no ataque a vila de Khan al Assal.<\/p>\n<p>No mais recente caso de uso alegado de armas qu\u00edmicas, \u00e9 significativo que os primeiros relatos tenham surgido em ve\u00edculos da imprensa-empresa de propriedade dos sauditas, na 4\u00aa-feira. Dali, a vers\u00e3o de que o governo s\u00edrio seria respons\u00e1vel pelo ataque espalhou-se rapidamente para toda a imprensa-empresa ocidental. No mesmo dia, o ministro do Exterior da Ar\u00e1bia Saudita, pr\u00edncipe Saud al-Faisal exigiu que o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU se reunisse, em movimento que teve todos os ind\u00edcios de ser campanha para condena\u00e7\u00e3o \u2018preventiva\u2019 do governo de Damasco, mesmo sem qualquer prova. No mesmo momento surgiram tamb\u00e9m den\u00fancias de que teriam sido empregadas armas qu\u00edmicas, vindas da Coaliz\u00e3o Nacional S\u00edria, mais um grupo apoiado pelos sauditas.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, na mesma medida em que governos ocidentais afastam-se do apoio material que sempre deram \u00e0s mil\u00edcias da oposi\u00e7\u00e3o armada na S\u00edria, v\u00ea-se acentuada escalada no n\u00famero e na viol\u00eancia dos massacres e outros crimes de \u00f3dio. Carros-bomba em ou nos arredores de Damasco mataram d\u00fazias de civis no m\u00eas passado; sequestros e execu\u00e7\u00e3o a sangre frio de ref\u00e9ns aconteceram na prov\u00edncia de Latakia, no noroeste do pa\u00eds; massacres de vilas inteiras, como em Al Ain, em Deir al Zour, tamb\u00e9m no nordeste; novamente em Khan al Assal, perto de Aleppo; e, muito eloquentemente, tem havido massacres tamb\u00e9m entre grupos de mercen\u00e1rios rivais.<\/p>\n<p>Essa avan\u00e7ada nas a\u00e7\u00f5es de terror \u00e9 obra sobretudo de mil\u00edcias ligadas \u00e0 Al Qaeda, como a Frente al Nusra e o Estado Isl\u00e2mico do Iraque e Levante. Esses grupos, de extremistas wahhabistas, s\u00e3o pesadamente financiados pela Ar\u00e1bia Saudita (cerca de 60% das armas sauditas s\u00e3o entregues a eles), e eles mant\u00eam antigos la\u00e7os de relacionamento com a intelig\u00eancia militar do reino saudita.<\/p>\n<p>\u00c9 plaus\u00edvel que o aumento na a\u00e7\u00e3o dos terroristas e os recentes massacres \u2013 inclusive o uso de armas qu\u00edmicas \u2013 seja ind\u00edcio de desespero, com os grupos wahhabistas e seu patrocinador saudita come\u00e7ando a suspeitar de que estejam sendo abandonados no campo de opera\u00e7\u00f5es na S\u00edria, desertados pelas pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea, nesse quadro, \u00e9 o isolamento da Ar\u00e1bia Saudita dentro do \u2018eixo\u2019 ocidental. Dada a inerente inseguran\u00e7a psicol\u00f3gica de que padecem os governantes sauditas, que sabem que mant\u00eam controle prec\u00e1rio sobre o pr\u00f3prio poder, qualquer impress\u00e3o de isolamento na S\u00edria alimenta a paranoia saudita e sua desconfian\u00e7a quanto \u00e0s inten\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas do ocidente na S\u00edria.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a na posi\u00e7\u00e3o do ocidente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00edria foi tacitamente admitida m\u00eas passado pelo secret\u00e1rio de Estado John Kerry, em reuni\u00e3o com membros da chamada Coaliz\u00e3o Nacional S\u00edria em New York. A delega\u00e7\u00e3o do CNS, apesar do apoio dos sauditas, sequer foi recebida em Washington; e Kerry disse declaradamente aos seus convidados que \u201cn\u00e3o houve solu\u00e7\u00e3o militar\u201d na S\u00edria. Como se n\u00e3o bastasse, Kerry insistiu que o CNS se engajasse em negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com o governo do presidente Bashar al-Assad.<\/p>\n<p>Por menos que a imprensa-empresa ocidental tenha cuidado de explicar, houve ali uma mudan\u00e7a seminal na t\u00e1tica dos EUA. J\u00e1 nada se via de Washington a repetir que \u2018Assad tem de sair\u201d sem condi\u00e7\u00f5es, como tanto clamaram seus aliados ocidentais at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, ad nauseam. A pol\u00edtica de Washington j\u00e1 era de dar uma chance \u00e0 pol\u00edtica. N\u00e3o que tenha desistido para sempre de tentar derrubar Assad. Mas, agora, usando m\u00e9todo alternativo \u2013 dado que a op\u00e7\u00e3o militar fracassou.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o relativo sil\u00eancio de Londres e Paris sobre a S\u00edria nas \u00faltimas semanas. Em meses anteriores, as duas ex-pot\u00eancias coloniais vociferavam suas exig\u00eancias de que Assad \u2018sa\u00edsse\u2019 da S\u00edria. Essas exig\u00eancias calaram agora, como que alinhadas \u00e0 abordagem menos vociferante de Washington ante o \u201cproblema s\u00edrio\u201d.<\/p>\n<p>Essa aparente \u2018retirada\u2019, da op\u00e7\u00e3o militarista para a \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019 na S\u00edria reflete-se tamb\u00e9m no j\u00e1 longo adiamento da entrega de mais armas ocidentais para as mil\u00edcias \u2018rebeldes\u2019. Embora EUA, Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a tenham dado luz verde para o envio de armas para mil\u00edcias na S\u00edria no in\u00edcio de junho, at\u00e9 hoje essas armas n\u00e3o viajaram.<\/p>\n<p>A retic\u00eancia na entrega de mais armamento pelos estados ocidentais reflete o reconhecimento impl\u00edcito de que a op\u00e7\u00e3o militar para mudan\u00e7a de regime foi derrotada. Com o Ex\u00e9rcito Nacional S\u00edrio ganhando impulso, as pot\u00eancias ocidentais afinal se d\u00e3o contas de que nada ganham com chicotear cavalo manco. Depois de mais de 100 mil mortes, milh\u00f5es de refugiados e com o governo de Damasco ainda mantendo amplo apoio popular, os patrocinadores ocidentais da \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019 conclu\u00edram, at\u00e9 bem cinicamente, que suas ambi\u00e7\u00f5es militares entraram num beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a t\u00e1tica na agenda ocidental para a S\u00edria \u2013 do militarismo para a discuss\u00e3o pol\u00edtica \u2013 levou, segundo v\u00e1rios especialistas, a aumentar o ressentimento contra os EUA entre os militantes na S\u00edria, e tamb\u00e9m entre os sauditas que apoiam as mil\u00edcias.<\/p>\n<p>Quando Kerry disse \u00e0 delega\u00e7\u00e3o da CNS em New York, m\u00eas passado, que n\u00e3o haveria solu\u00e7\u00e3o militar e que eles que tratassem de se entender politicamente com o governo em Damasco, a rea\u00e7\u00e3o contra Washington foi de indigna\u00e7\u00e3o praticamente \u00e0s claras. A delega\u00e7\u00e3o viajara aos EUA esperando voltar com um novo carregamento de armas. Depois da reuni\u00e3o com Kerry, o rec\u00e9m indicado presidente da CNS, Ahmad al Jarba, muito ligado \u00e0 intelig\u00eancia saudita, disse: \u201cNegar-nos o direito de autodefesa \u00e9 correr o risco de deixar sobreviver o regime. Haver\u00e1 milhares de execu\u00e7\u00f5es, a repress\u00e3o continuar\u00e1 sem fim.\u201d<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 os exilados da CNS ficaram aborrecidos com a nova posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Washington. Funcion\u00e1rios sauditas tamb\u00e9m estavam pressionando os EUA sobre por que as armas prometidas estavam demorando tanto. O que se sabe \u00e9 que os sauditas j\u00e1 haviam sentido que os EUA n\u00e3o lhes davam resposta convincente para o adiamento na entrega das armas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da l\u00e1stima dos sauditas, h\u00e1 o fato de que recentemente assumiram a posi\u00e7\u00e3o, que sempre foi do Qatar, de principal ator regional a comandar os mercen\u00e1rios na S\u00edria. O que agora se v\u00ea \u00e9 que Washington tamb\u00e9m minou o comando dos sauditas, ao n\u00e3o enviar as armas prometidas. Claro que a Ar\u00e1bia Saudita pode, ela mesma, fornecer armas, sem apoio dos EUA ou de qualquer outra for\u00e7a ocidental. O reino recebe armas de EUA e Gr\u00e3-Bretanha h\u00e1 anos e sabe-se que, no in\u00edcio do m\u00eas, comprou $50 milh\u00f5es em armamentos de Israel, para enviar aos mercen\u00e1rios anti-Assad na S\u00edria.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a nova atitude de Washington perturbou gravemente Riad. \u00c9 como se os EUA tivessem deixado os sauditas sem ch\u00e3o, por sua conta e risco, mergulhados at\u00e9 o pesco\u00e7o no movedi\u00e7o cen\u00e1rio s\u00edrio. (&#8230;) Do ponto de vista dos sauditas, os EUA s\u00e3o respons\u00e1veis tamb\u00e9m pela ascens\u00e3o pol\u00edtica da Fraternidade Mu\u00e7ulmana e pela desestabiliza\u00e7\u00e3o do Egito \u2013 mesmo que os EUA tenham apoiado a derrubada de Mursi. O discurso do rei saudita, contra os patr\u00f5es norte-americanos indica que as tens\u00f5es s\u00f3 aumentaram entre os dois tradicionais aliados.<\/p>\n<p>Essas tens\u00f5es podem tamb\u00e9m explicar as atrocidades dessa semana e o \u2018caso\u2019 do uso de armas qu\u00edmicas na S\u00edria. Os sauditas podem estar flexionando seus m\u00fasculos locais, subindo as apostas na S\u00edria, para for\u00e7ar Washington e as demais pot\u00eancias ocidentais a reverterem ao modo militarista. Afinal, o presidente Obama \u2018demarcou\u2019 o emprego de armas qu\u00edmicas com a tal \u201clinha vermelha\u201d que, se ultrapassada, dispararia a interven\u00e7\u00e3o militar ocidental na S\u00edria. Hoje, de fato, parece que algu\u00e9m matreiramente, e temerariamente, tra\u00e7ou nova escandalosa linha vermelha, para pressionar Obama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n24\/8\/2013, Finian CUNNINGHAM, Strategic Culture \u2013 http:\/\/goo.gl\/mQReJ6 \u00a0Tradu\u00e7\u00e3o: Vila Vudu\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5287\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1nh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}