{"id":5293,"date":"2013-08-27T20:39:20","date_gmt":"2013-08-27T20:39:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5293"},"modified":"2013-08-27T20:39:20","modified_gmt":"2013-08-27T20:39:20","slug":"quando-morremos-descansamos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5293","title":{"rendered":"Quando morremos descansamos, Santos"},"content":{"rendered":"\n<p>Quarta-feira, 14 de agosto de 2013<\/p>\n<p>14\/08\/2013<\/p>\n<p>L\u00e1\u00a0vamos n\u00f3s, l\u00e1\u00a0vamos n\u00f3s\u2026 respondeu maliciosamente o general Sergio Mantilla quando a imprensa perguntou qu\u00e3o perto de Timole\u00f3n Jim\u00e9nez esteve o Ex\u00e9rcito. Como quem repete uma li\u00e7\u00e3o aprendida, da mesma forma que o Presidente, disse que a guerra est\u00e1 pronta para terminar por bem ou por mal. Al\u00e9m disso, aproveitou a ocasi\u00e3o para advertir nossos delegados em Havana que continuam sendo um objetivo de alto valor estrat\u00e9gico, o que n\u00e3o ocorrer\u00e1 caso saiam do processo, ou de Cuba, porque perderiam as conhecidas garantias.<\/p>\n<p>Ao menos o general Mantilla fez men\u00e7\u00e3o aos mandatos de pris\u00e3o. J\u00e1\u00a0o Presidente foi muito mais expl\u00edcito: a ordem que as for\u00e7as militares possuem \u00e9\u00a0de executar qualquer membro das FARC que estejam na Col\u00f4mbia. Promover a morte, ou por baixa, ou matar, especialmente Timochenko, com quem, ao mesmo tempo, n\u00e3o descarta reunir-se, sempre que sirva para colocar fim ao conflito. N\u00e3o se pode baixar um instante a guarda, porque\u00a0seria um incentivo perverso para que a guerrilha prolongue as conversa\u00e7\u00f5es indefinidamente, explicou.<\/p>\n<p>\u00c0 oligarquia colombiana, como a seus assassinos de turno, n\u00e3o interessa dissimular seu car\u00e1ter violento, nem sua l\u00f3gica de imposi\u00e7\u00f5es e domina\u00e7\u00e3o. Ante as tropas, pela boca do Presidente, repete o estribilho segundo o qual a Mesa de Havana n\u00e3o teria existido se n\u00e3o fosse pela campanha exitosa cumprida pelas for\u00e7as armadas. Em outras situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 o Alto Comissionado da Paz, Sergio Jaramillo, quem adverte que para chegar ao ponto atual foi determinante o Plano Col\u00f4mbia de Pastrana e o cerco militar realizado durante o governo de \u00c1lvaro Uribe.<\/p>\n<p>O ponto atual s\u00e3o as conversa\u00e7\u00f5es de paz de Havana. E o ponto de partida, o processo de paz do Cagu\u00e1n. \u00c9 uma insensatez monumental afirmar que foram necess\u00e1rios dez anos de guerra, aterradoras cifras de mortos e feridos, bilh\u00f5es de d\u00f3lares e milh\u00f5es de deslocados e de v\u00edtimas para obrigar as FARC a sentarem-se numa mesa de di\u00e1logos, quando ali est\u00e1vamos ao iniciarem-se semelhantes demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a tanto criminosa e como in\u00fatil. Esqueceram que foi o regime que se separou da Mesa.<\/p>\n<p>Em todas suas guerras contra o povo da Col\u00f4mbia, a oligarquia bipartid\u00e1ria apelou aos confrontos e amea\u00e7as. O Presidente Valencia acreditou que i\u00e7ando o pend\u00e3o nacional na comunidade destru\u00edda de Marquetalia, tinha liquidado o assunto. E o Presidente Gaviria, que com sua guerra integral colocaria fim ao problema em dezoito meses. A estimativa de Uribe foi de dois anos, e n\u00e3o conseguiu em dois governos. Rec\u00e9m empossado, Santos advertiu que se n\u00e3o nos entreg\u00e1ssemos, viriam at\u00e9 n\u00f3s. Longe de conseguir, voltaram a nos mostrar as presas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o com as FARC, que certamente celebrar\u00e1\u00a0seus cinquenta anos de luta armada enquanto Juan Manuel faz as maletas ou briga por sua reelei\u00e7\u00e3o, \u00e9\u00a0mais simples do que parece. Muito mais f\u00e1cil que matarmos ou mobilizarmos todos. Mais simples que prender 13.700 compatriotas inconformados. \u00c9 abrir realmente as portas \u00e0 democracia em nosso pa\u00eds, desterrar para sempre a mania de impor as decis\u00f5es \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Recentemente, o jornal El Espectador publicou que todos os dias um defensor dos direitos humanos era atacado na Col\u00f4mbia e que nos sete primeiros meses de 2013, a cada quatro dias, um era assassinado. Num pa\u00eds em que o Presidente e os ministros do Interior e da Defesa acusam de guerrilheiros das FARC os camponeses e os mineiros que protestam ou entram em greve, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil que a Pol\u00edcia e o Ex\u00e9rcito, em cumprimento do p\u00fablico mandato presidencial, os repilam com granadas e balas de fuzil. Ou que os grupos paramilitares insistam em amea\u00e7ar de morte os l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o ou matem dirigentes reclamantes de terra ou defensores dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Por acaso os camponeses massacrados nas recentes marchas no Catatumbo valiam algo? N\u00e3o sa\u00edram todos os comerciantes e a imprensa a rodearem o condutor que, em C\u00e1ceres, decidiu atropelar com sua caminhonete os mineiros que bloqueavam a via? Neste \u00faltimo caso, todos falavam do terr\u00edvel drama do pobre homem que, acidentalmente, por obra da infiltra\u00e7\u00e3o guerrilheira no protesto, tinha matado cinco mineiros e ferido oito, estabelecendo uma cruel separa\u00e7\u00e3o entre quem deliberadamente assassina e as repudi\u00e1veis v\u00edtimas que o provocaram. Vai saber-se realmente qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o col\u00e9rica de semelhante pessoa.<\/p>\n<p>Quando o Presidente se ufana nos montes de Mar\u00eda de ter estado ali seis anos atr\u00e1s, comprovando a baixa de Mart\u00edn Caballero, esquece que consta judicialmente que Caballero e os guerrilheiros que o acompanhavam, foram dominados pela tropa de forma selvagem, depois que o bombardeio da for\u00e7a a\u00e9rea deixou todos feridos, desarmados e pedindo clem\u00eancia ao mesmo tempo em que ofereciam a rendi\u00e7\u00e3o. E quando celebra a morte de Seplin no Cauca, oculta que o fato n\u00e3o ocorreu como baixa em combate, mas como assassinato por trai\u00e7\u00e3o e quando, em companhia de um campon\u00eas, transitava vestido de civil por uma estrada. Da mesma forma, mataram Gabriel Zavala em Zaragoza, ou o Negro Eli\u00e9cer no Norte de Santander.<\/p>\n<p>A dificuldade para chegar a r\u00e1pidos acordos radica precisamente nas confiss\u00f5es p\u00fablicas de Santos: \u201cn\u00e3o estamos negociando nada que possa preocupar os colombianos em mat\u00e9ria econ\u00f4mica ou acerca dos aspectos fundamentais de nosso sistema de governo\u201d. N\u00f3s guerrilheiros colombianos n\u00e3o estamos defendendo nenhum sistema criminoso de governo, nem estamos empenhados em implantar adiante uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que beneficie as transnacionais \u00e0 custa do povo de nosso pa\u00eds. Santos sim, e essa \u00e9 nossa pequena grande diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00f3s combatentes e comandantes das FARC somos revolucion\u00e1rios. N\u00e3o nos move nenhum interesse pessoal, nem recebemos nenhum sal\u00e1rio pelo que fazemos. Entregamos nossas vidas \u00e0 mais bela causa do g\u00eanero humano, p\u00f4r fim \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o entre os homens, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de uns pelos outros, \u00e0s injusti\u00e7as institucionalizadas. Defendemos a independ\u00eancia e a soberania real de nossa p\u00e1tria, bandeiras herdadas do Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar. N\u00e3o pretendemos a revolu\u00e7\u00e3o numa Mesa, mas sim promover um grande acordo que tire o pa\u00eds para sempre da opress\u00e3o violenta, que assente bases m\u00ednimas para a constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social. Nossos advers\u00e1rios s\u00f3 insistem em rendi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As amea\u00e7as de morte e as ordens de execu\u00e7\u00e3o sem qualquer tipo de julgamento n\u00e3o servem para nos intimidar, nem conseguem produzir um ambiente de reconcilia\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para acordar uma sa\u00edda. Vale recordar, citando abusivamente a prosa de Jorge Manrique, que \u201cEsses reis poderosos que vemos por escrituras j\u00e1 passadas, por tristes casos, chorosos, tiveram suas boas venturas transtornadas; assim como n\u00e3o existe coisa forte, como a papas, imperadores e prelados, assim os trata a morte, como aos pobres pastores de gado\u201d.<\/p>\n<p>Quando morremos descansamos, Santos.<\/p>\n<p>Timole\u00f3n Jim\u00e9nez<\/p>\n<p>Comandante do Estado Maior Central das FARC-EP<\/p>\n<p>14 de agosto de 2013<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/index.php\/noticias-comunicados-documentos-farc-ep\/estado-mayor-central-emc\/1410-cuando-morimos-descansamos-santos.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/index.php\/noticias-comunicados-documentos-farc-ep\/estado-mayor-central-emc\/1410-cuando-morimos-descansamos-santos.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.pazfarc-ep.org\/media\/k2\/items\/cache\/12b4a0ebdb2ebd7c2749eeab3df12810_XL.jpg\" target=\"_blank\"><\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nComandante Timole\u00f3n Jim\u00e9nez\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5293\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-5293","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1nn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5293"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5293\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}