{"id":5301,"date":"2013-08-28T17:40:55","date_gmt":"2013-08-28T17:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5301"},"modified":"2017-08-25T00:59:17","modified_gmt":"2017-08-25T03:59:17","slug":"entenda-por-que-os-medicos-cubanos-nao-sao-escravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5301","title":{"rendered":"Entenda por que os m\u00e9dicos cubanos n\u00e3o s\u00e3o escravos"},"content":{"rendered":"\n<p>Brasil 247 &#8211; Autor de uma s\u00e9rie de artigos sobre a vinda dos m\u00e9dicos<\/p>\n<p>cubanos, reunidos no 247 sob o t\u00edtulo &#8220;O que voc\u00ea precisa saber sobre m\u00e9dicos cubanos&#8221; (leia mais aqui), o jornalista H\u00e9lio Doyle publicou neste domingo uma resposta clara aos jornalistas e cr\u00edticos do programa Mais M\u00e9dicos que apontam escravid\u00e3o na vinda de profissionais de sa\u00fade daquele pa\u00eds. Leia abaixo:<\/p>\n<p>UM POUCO MAIS SOBRE OS M\u00c9DICOS CUBANOS<\/p>\n<p>Parece que o \u00faltimo argumento contra a contrata\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos cubanos \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o que v\u00e3o receber. Pois \u00e9 rid\u00edculo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e n\u00fameros, falar mal do sistema de sa\u00fade e da qualidade dos m\u00e9dicos de Cuba. A revalida\u00e7\u00e3o de diploma tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 argumento, pois os m\u00e9dicos estrangeiros trabalhar\u00e3o em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. N\u00e3o tem o menor sentido, tamb\u00e9m, dizer que os cubanos n\u00e3o se entender\u00e3o com os brasileiros por causa da l\u00edngua \u2013 primeiro, porque v\u00e1rios deles falam o portugu\u00eas e o portunhol, segundo porque os m\u00e9dicos cubanos est\u00e3o acostumados a trabalhar em pa\u00edses em que a lingua falada \u00e9 o ingl\u00eas, o franc\u00eas, o portugu\u00eas e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.<\/p>\n<p>Resta, assim, a forma de contrata\u00e7\u00e3o e, mais uma vez sem medo do rid\u00edculo, falam at\u00e9 de trabalho escravo. Essa restri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o tem proced\u00eancia, nem por argumentos morais ou \u00e9ticos (e em boa parte hip\u00f3critas), nem com base na legisla\u00e7\u00e3o brasileira e internacional. Vamos a duas situa\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas, embora ocorram rotineiramente.<\/p>\n<p>1 \u2013 Uma empreiteira brasileira \u00e9 contratada por um governo de pa\u00eds europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar \u00e0quele pa\u00eds, por tempo determinado, alguns engenheiros, ge\u00f3logos, oper\u00e1rios especializados e funcion\u00e1rios administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no pa\u00eds europeu, todos voltar\u00e3o ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remunera\u00e7\u00e3o desses empregados da empreiteira e pag\u00e1-los, ela ou o governo do pa\u00eds europeu? \u00c9 \u00f3bvio que \u00e9 a empreiteira.<\/p>\n<p>2 \u2013 Os governos do Brasil e de um pa\u00eds africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro \u00e0quele pa\u00eds para dar assist\u00eancia t\u00e9cnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro ser\u00e1 remunerado em d\u00f3lares pelo governo africano. A estatal brasileira designar\u00e1 alguns de seus funcion\u00e1rios para residir e trabalhar temporariamente no pa\u00eds africano. Quem vai definir a remunera\u00e7\u00e3o dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes far\u00e1 o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do pa\u00eds africano? \u00c9 \u00f3bvio que \u00e9 a empresa estatal brasileira.<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, tem de ser diferente com os m\u00e9dicos cubanos? Eles n\u00e3o est\u00e3o vindo para o Brasil como pessoas f\u00edsicas, nem est\u00e3o desempregados. S\u00e3o servidores p\u00fablicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele s\u00e3o remunerados. Quando termina a miss\u00e3o no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 pa\u00edses em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>N\u00e3o teria o menor sentido, assim, que esses m\u00e9dicos, formados em Cuba e servidores p\u00fablicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas f\u00edsicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como n\u00e3o faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na \u00c1frica assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses pa\u00edses. Trata-se de uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por parte de Cuba, feita, como \u00e9 natural, por profissionais dos quadros de sa\u00fade daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>A outra cr\u00edtica \u00e9 quanto \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos cubanos. Embora menor do que a que receber\u00e3o os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas f\u00edsicas, est\u00e1 dentro dos padr\u00f5es de Cuba e n\u00e3o discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquip\u00e9lago. \u00c9 mais, mas n\u00e3o muito mais. N\u00e3o tem o menor sentido, na realidade cubana, que um m\u00e9dico de seus servi\u00e7os de sa\u00fade, trabalhando em outro pa\u00eds, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os cr\u00edticos n\u00e3o aceitem, h\u00e1 em Cuba uma clara aceita\u00e7\u00e3o, pela popula\u00e7\u00e3o, de que os recursos obtidos pela exporta\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os (entre os quais o turismo e os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade) sejam revertidos a todos, e n\u00e3o a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, n\u00e3o vai para pessoas f\u00edsicas, vai para o Estado.<\/p>\n<p>A possibilidade de ganhar bem mais \u00e9 que faz com que alguns m\u00e9dicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros pa\u00edses como pessoas f\u00edsicas. \u00c9 normal que isso aconte\u00e7a, em Cuba ou em qualquer pa\u00eds (n\u00e3o estamos recebendo portugueses e espanh\u00f3is?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para pa\u00edses mais desenvolvidos?). Como \u00e9 normal que muitos dos m\u00e9dicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as \u201cmiss\u00f5es internacionalistas\u201d em qualquer parte do mundo, independentemente de qual \u00e9 o sal\u00e1rio. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e n\u00e3o pelo lucro.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatiza\u00e7\u00e3o e da mercantiliza\u00e7\u00e3o da medicina e da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>Trabalho escravo em empresa do agronegocio sediada no Brasil nos tempos atuais:<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cantareira.org\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/trabalho_escravo.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.not1.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/trabalho-escravo-tema-social.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p>Trabalho escravo no Brasil &#8211; S\u00e9culo XIX:<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.achetudoeregiao.com.br\/atr\/ATR.GIF\/escravos_brasil.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5301\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-5301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1nv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}