{"id":531,"date":"2010-06-07T13:54:23","date_gmt":"2010-06-07T13:54:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=531"},"modified":"2010-06-07T13:54:23","modified_gmt":"2010-06-07T13:54:23","slug":"crise-na-grecia-ou-crise-nos-estados-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/531","title":{"rendered":"Crise na Gr\u00e9cia ou crise nos estados da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia?"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 6 de dezembro de 2008 as ag\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o anunciavam que uma violenta rebeli\u00e3o popular havia sacudido as principais cidades da Gr\u00e9cia para protestar contra o assassinato do estudante de 15 anos Al\u00e9xis Andr\u00e9as Grigoropulos, abatido a tiros pela pol\u00edcia anti-motim. Durante tr\u00eas dias as televis\u00f5es do mundo inteiro visualizaram as cenas de viol\u00eancia da guerrilha urbana que havia paralisado a capital Atenas, Salonicco, Patrasso, Kavale e tamb\u00e9m as ilhas de Creta, Rodi e Corfu, quando foi evidente que o assassinato do jovem Al\u00e9xis no bairro de Exarquia \u2013 fortaleza do movimento estudantil e dos grupos anarquistas &#8211; foi provocado &#8220;ad hoc&#8221; pela pol\u00edcia para criar um clima de terror e esvaziar a greve geral que as centrais sindicais Adedye (funcionalismo p\u00fablico) e GSEE (setor privado) e os partidos de esquerda, KKE (Comunista), Pasok (social democrata), Synaspismos (Movimentos Sociais) e Verdes, haviam proclamado para dia 10, a fim de protestar contra a crise econ\u00f4mica, as privatiza\u00e7\u00f5es e o aumento do desemprego.<\/p>\n<p>Este motim fez cair a m\u00e1scara do governo conservador de Kostas Karamalis (Nova Democracia), mostrando os elementos de grave crise econ\u00f4mica e financeira existente que, na realidade, era a ponta de um iceberg submerso pronto a emergir na &#8220;\u00e1rea do Euro&#8221;.<\/p>\n<p>Entrevistado por telefone, Yannis Bournous, respons\u00e1vel pelas pol\u00edticas europ\u00e9ias do Synaspismos (o partido dos movimentos sociais com 13 deputados no Parlamento), declarava: &#8220;O assassinato do jovem Al\u00e9xis, em 2008, foi apenas o estopim da revolta dos gregos contra a crise econ\u00f4mica. Por sua parte, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia sabia perfeitamente que o governo Karamalis estava levando a Gr\u00e9cia para a fal\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois, em 2009, quando o Pasok de Georgios Papandreu ganhou as elei\u00e7\u00f5es e n\u00f3s do Synaspismos e os comunistas do KKE aumentamos a presen\u00e7a no Parlamento, a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia ignorou todos os alertas vindos da Gr\u00e9cia e, sobretudo, os estudos apresentados no Parlamento Europeu pelos representantes da esquerda europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Estudos e an\u00e1lises advertindo que a crise econ\u00f4mica e financeira na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia n\u00e3o ficaria limitada somente a um pa\u00eds e tampouco seria provocada por um acidente nas bolsas de valores. Outra advert\u00eancia indicava que a crise era, tamb\u00e9m, o resultado de dois fatores: a) as pol\u00edticas especulativas praticadas em certos pa\u00edses da Uni\u00e3o por parte de bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras dos pa\u00edses ricos da mesma Uni\u00e3o, com a condescend\u00eancia dos respectivos governos e do pr\u00f3prio Banco Central Europeu; b) o mau funcionamento da estrutura financeira da Uni\u00e3o e seu processo centralizador gerenciado pela Alemanha&#8221;.<\/p>\n<p>Gr\u00e9cia: d\u00e9ficit de 14% do PIB<\/p>\n<p>De fato, o jornal holand\u00eas NRC Handelsblad \u2013 no in\u00edcio da crise grega \u2013 publicou o memorando que o ent\u00e3o comiss\u00e1rio europeu, Joaquim Almunia, no dia 2 de julho de 2009, levou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da Ecofin, formada pelos ministros das finan\u00e7as dos pa\u00edses da &#8220;\u00e1rea do Euro&#8221;, no qual eram confirmados os riscos e os alertas apresentados antes da reuni\u00e3o do Ecofin em Praga, em junho de 2009, quando o ministro das finan\u00e7as grego, Papathanassiou (governo conservador Karamallis), admitia que &#8220;o or\u00e7amento grego poderia ter um buraco vermelho de at\u00e9 6% do PIB&#8221;. Diante disso o ent\u00e3o comiss\u00e1rio europeu, Joaquim Almunia, conclu\u00eda seu memorando com a seguinte den\u00fancia: &#8220;&#8230; caso as tend\u00eancias em curso continuem, na realidade o d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio do governo grego poder\u00e1 chegar a at\u00e9 10% do PIB&#8221;.<\/p>\n<p>Por absurdo, os ministros da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e o pr\u00f3prio comiss\u00e1rio Almunia arquivaram a crise grega. E quando o novo primeiro-ministro grego, o social-democrata Georgios Papandreu, logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de outubro, informou que o d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio seria de 12,7% para depois especificar que o mesmo j\u00e1 havia atingido 14% do PIB, em Bruxelas, ningu\u00e9m sabia o que fazer.<\/p>\n<p>Oficialmente, a crise grega explodia nos mercados financeiros no dia 8 de dezembro de 2009, quando a ag\u00eancia de riscos &#8220;Fitch\u00b4s&#8221; rejeitava o grau de confiabilidade do governo e de cinco bancos da Gr\u00e9cia em pagar suas d\u00edvidas. Mesmo assim os ministros da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia n\u00e3o se manifestavam, enquanto a imprensa alem\u00e3 enaltecia a op\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do presidente do Bundesbank (Banco Central Alem\u00e3o), Alex Weber, segundo o qual &#8220;uma interven\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia coordenada em favor da Gr\u00e9cia era inconstitucional e a ajuda do FMI n\u00e3o daria resultados sem a aplica\u00e7\u00e3o de regras r\u00edgidas e duradouras na economia da Gr\u00e9cia&#8221;.<\/p>\n<p>Faltou somente dizer que a Gr\u00e9cia devia sair da &#8220;\u00e1rea do Euro&#8221; para promover a &#8220;opera\u00e7\u00e3o default&#8221;, a partir da qual optaria por uma maxi-desvaloriza\u00e7\u00e3o da dracma e transformaria o pa\u00eds em um estande de produtos para a exporta\u00e7\u00e3o, tal como fizeram a Pol\u00f4nia, a It\u00e1lia e a Espanha em 1992, antes da entrada em vigor do Euro.<\/p>\n<p>Porque a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia n\u00e3o interveio?<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que para a Gr\u00e9cia poder ingressar, em 2001, no sistema de moeda europ\u00e9ia teve que falsear seu d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio, que de 4,1% do PIB foi, milagrosamente, corrigido para 2%, tal como o primeiro-ministro social-democrata, Georgios Papandreu, acertou com as autoridades da Uni\u00e3o. Uma mentira que se perpetuava em 2004 com a vit\u00f3ria eleitoral do conservador Karamallis, tanto que a porta-voz da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, Am\u00e9lia Torres, em Bruxelas, em 20 de mar\u00e7o de 2005, oficializava a mentira ao dizer: &#8220;as autoridades gregas cobriram amplamente os buracos or\u00e7ament\u00e1rios e solucionaram as falhas do seu sistema estat\u00edstico. Por isso, hoje, a situa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e9 notavelmente melhor&#8221;.<\/p>\n<p>Quando isso aconteceu, os t\u00e9cnicos de Eurostat (o organismo de an\u00e1lise e estat\u00edsticas econ\u00f4mico-financeiras da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia) rejeitaram as falsas informa\u00e7\u00f5es do governo grego, mas tiveram de aceit\u00e1-las em fun\u00e7\u00e3o da &#8220;solidariedade neoliberal&#8221; que havia tomado conta dos 16 governos da &#8220;\u00e1rea do Euro&#8221;.<\/p>\n<p>A partir dessa encena\u00e7\u00e3o iniciou-se um complexo processo especulativo cujos principais benefici\u00e1rios foram os bancos alem\u00e3es, seguidos pelos franceses e as seguradoras italianas. Por sua parte, todos os governos gregos que se sucederam na Pra\u00e7a Syntagma (sede do Parlamento) direcionaram a maior parte dos empr\u00e9stimos europeus para sustentar o clientelismo eleitoreiro e refinanciar a d\u00edvida p\u00fablica com uma desordenada emiss\u00e3o de t\u00edtulos do Estado, de forma que nos \u00faltimos quatro anos o valor da d\u00edvida p\u00fablica passou de 180 bilh\u00f5es de euros para 320 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais anacr\u00f4nico era o tecido social dos &#8220;poupadores que compravam os t\u00edtulos da d\u00edvida grega&#8221;. Na sua maioria, eram representados por indiv\u00edduos ou entidades ligadas \u00e0 economia paralela, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o ou que, atrav\u00e9s do clientelismo pol\u00edtico, conseguiam fraudar a receita grega, cujo rombo hoje \u00e9 calculado em 30%. Por sua parte, os governos gregos \u2013 tanto o conservador da Nova Democracia quanto o social-democrata do PASOK &#8211; fecharam os olhos. Isso no momento em que, em uma sociedade empobrecida com os programas neoliberais, os \u00fanicos poupadores que podiam comprar os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica eram quem lucrava com a corrup\u00e7\u00e3o, a fraude fiscal e a economia paralela, onde os &#8220;corretores&#8221; das m\u00e1fias internacionais (italiana, russa, israelense) investiam nos &#8220;bonds gregos&#8221; paras reciclar seus lucros ilegais.<\/p>\n<p>De fato, o Secret\u00e1rio Geral do Partido Comunista (KKE), Alex Papariga, ao questionar o aleat\u00f3rio programa de saneamento fiscal do governo Papandreu, dizia: &#8220;Como \u00e9 poss\u00edvel que em um pa\u00eds como a Gr\u00e9cia haja somente 5.000 fam\u00edlias que declaram uma renda anual de 100.000 euros, quando \u00e9 suficiente ir ao porto do Pireo para encontrar milhares de barcos luxuosos que s\u00e3o a prova de que a evas\u00e3o fiscal dos ricos \u00e9 generalizada, enquanto os \u00fanicos a pagar os impostos s\u00e3o os trabalhadores do funcionalismo p\u00fablico e os do setor privado?&#8221;.<\/p>\n<p>Este perverso esquema de &#8220;poupan\u00e7a&#8221; entrou em crise quando, com a derrota do conservador Karamallis, os &#8220;poupadores&#8221; ficaram amedrontados com o crescimento do partido comunista &#8220;KKE&#8221;, a afirma\u00e7\u00e3o da coaliz\u00e3o da esquerda social &#8220;Synaspismos&#8221; e, sobretudo, com a press\u00e3o popular sobre o governo social-democrata de Georgios Papandreu por parte da central sindical comunista &#8220;PAME&#8221;. O medo por uma iminente ruptura do status quo fez com que os &#8220;poupadores&#8221; retirassem dos bancos gregos seus t\u00edtulos para negoci\u00e1-los em d\u00f3lares nas filiais dos bancos alem\u00e3es e franceses, agenciando com eles a transfer\u00eancia &#8220;em off&#8221; para os bancos de Jersey, Ilhas Channels, Luxemburgo e Malta, isto \u00e9, os para\u00edsos fiscais europeus.<\/p>\n<p>Quando o Banco Central grego se deu conta de que ningu\u00e9m estava comprando seus &#8220;bonds&#8221; era demasiado tarde, inclusive porque os bancos alem\u00e3es e franceses que haviam especulado sobre a compra em d\u00f3lares da quase totalidade dos t\u00edtulos agora exigiam o pagamento de uma d\u00edvida equivalente a 100 milh\u00f5es de euros, e cuja perspectiva era a insolv\u00eancia absoluta.<\/p>\n<p>Somente quando a insolv\u00eancia dos t\u00edtulos gregos come\u00e7ou a atingir a confiabilidade dos bancos alem\u00e3es que a primeira-ministra alem\u00e3, \u00c2ngela Merkel, interveio, pedindo ao parlamento alem\u00e3o que votasse com urg\u00eancia um pacote de ajuda financeira de 8,5 bilh\u00f5es de euros para a Gr\u00e9cia n\u00e3o declarar default e abandonar o sistema monet\u00e1rio europeu. Em segundo lugar, Merkel, para garantir o pagamento aos bancos alem\u00e3es, informava os presidentes do Banco Central Europeu, Jean-Cleaude Trichet, e do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que o governo alem\u00e3o aceitava a proposta de um maxi-refinanciamento da d\u00edvida grega no valor de 110 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Uma ajuda financeira que, na realidade, servia apenas para evitar a bancarrota dos bancos alem\u00e3es, franceses e seguradoras italianas que haviam especulado com os &#8220;bonds&#8221; gregos e para enquadrar o Estado grego, podendo finalmente intervir em sua economia aplicando as receitas recessivas do FMI, cujo custo seria pago unicamente pelos trabalhadores gregos at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Crise do modelo de Estado europeu<\/p>\n<p>O Tratado de Maastricht, mais que criar um novo modelo pol\u00edtico para os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, enquadrou toda a pol\u00edtica europ\u00e9ia em um complexo xadrez regulamentado por normas jur\u00eddicas definidas por cada \u00e1rea espec\u00edfica de jurisdi\u00e7\u00e3o. De fato, a crise do chamado &#8220;Estado Moderno Europeu&#8221; &#8211; para al\u00e9m da conting\u00eancia grega \u2013 se tornou evidente no momento em que esse Estado, embutido de neoliberalismo, foi incapaz de prevenir as desastrosas situa\u00e7\u00f5es financeiras que seu mercado produziu e, conseq\u00fcentemente, n\u00e3o teve capacidade de solucionar tais crises, a n\u00e3o ser com a confirma\u00e7\u00e3o dos limites de sua pr\u00f3pria natureza pol\u00edtica. Isto \u00e9 a pr\u00e1tica neoliberal de repassar para o cidad\u00e3o o \u00f4nus da crise econ\u00f4mica provocada pelos bancos com a especula\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>No caso da Gr\u00e9cia a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica, chegando a impor a redu\u00e7\u00e3o em 30 % dos sal\u00e1rios do funcionalismo p\u00fablico e 20%, no setor privado. H\u00e1 ainda o corte do 13\u00ba e do 14\u00ba sal\u00e1rios, o aumento da idade para ter direito a aposentadoria, sem contar os cortes or\u00e7ament\u00e1rios nos servi\u00e7os p\u00fablicos mais populares, tais como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, onde o que n\u00e3o ser\u00e1 privatizado ser\u00e1 desativado.<\/p>\n<p>Por outro lado, ficou evidente que, quando se trata de pagar os custos de uma crise financeira na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia dos 27 ou, sobretudo, nos 16 pa\u00edses da &#8220;\u00e1rea do euro&#8221;, prevalecem as antigas divis\u00f5es entre os pa\u00edses que financiam as d\u00edvidas e aqueles que n\u00e3o conseguem zerar seu d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Assim, ap\u00f3s a crise grega, na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, configura-se a presen\u00e7a de uma &#8220;\u00e1rea de risco permanente&#8221; representada por Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha, It\u00e1lia e Irlanda, cujos d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios devem ser pagos apenas pelos seus cidad\u00e3os, com uma maior taxa\u00e7\u00e3o dos bens de consumo e o corte dos investimentos nos servi\u00e7os p\u00fablicos. Enquanto isso, nada acontece com a burocracia e a classe pol\u00edtica, que, com sua complac\u00eancia e incompet\u00eancia, contribu\u00edram para a amplia\u00e7\u00e3o dos v\u00edcios institucionais, isto \u00e9, a especula\u00e7\u00e3o financeira, a corrup\u00e7\u00e3o, o clientelismo pol\u00edtico e a fraude fiscal.<\/p>\n<p>V\u00edcios que, por absurdo, ao transitarem pelos mercados sob forma de lucro, perpetuam a manuten\u00e7\u00e3o de um equivocado Estado moderno e uma confusa pol\u00edtica europ\u00e9ia comunit\u00e1ria. Nela, os interesses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia gravitam e dependem das cumplicidades pol\u00edtico-financeiras de uma classe pol\u00edtica aparelhada pelos mercados nas institui\u00e7\u00f5es dos Estados e acostumada a privilegiar, antes de tudo, os interesses do mercado, mesmo que desta forma a pr\u00f3pria democracia burguesa e o Estado de Direito se transformem em mera ret\u00f3rica eleitoreira.<\/p>\n<p><strong>Uni\u00e3o Europ\u00e9ia: 23 milh\u00f5es de desempregados<\/strong><\/p>\n<p>Nos 27 pa\u00edses que hoje formam a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, o desemprego atingiu formas alarmantes, tendo alcan\u00e7ado o n\u00famero de 23 milh\u00f5es de desempregados, equivalentes a 9,67% da popula\u00e7\u00e3o ativa. Segundo o instituto de pesquisa e estat\u00edstica da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, Eurostat, nos 16 pa\u00edses da &#8220;\u00e1rea do euro&#8221;, o desemprego j\u00e1 \u00e9 da ordem de 10,7%, o que significa que nestes pa\u00edses h\u00e1 15.808.000 desempregados. Um ex\u00e9rcito de reserva que a cada m\u00eas agrega 101.000 novos desempregados, na sua maioria homens com 50 anos e jovens at\u00e9 25 anos \u00e0 procura do primeiro emprego.<\/p>\n<p>Todos os economistas admitem que, nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, o desemprego vai subir porque as empresas, na sua totalidade, visam o aumento da produtividade intensificando a explora\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho com o aumento dos ritmos de produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de reduzir os custos de seguran\u00e7a. Desta forma, entre mar\u00e7o de 2009 e de 20010, nos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, foram suprimidos 2.500.000 empregos, sendo 1.389.000 correspondentes \u00e0 situa\u00e7\u00e3o fabril nos 16 pa\u00edses da &#8220;\u00e1rea do euro&#8221;. De fato, tamb\u00e9m nos pa\u00edses &#8220;ricos&#8221; da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia come\u00e7a a agitar-se o fantasma do desemprego. Por exemplo, na opulenta Holanda, em 2009, o desemprego j\u00e1 atingia 4,1% da popula\u00e7\u00e3o ativa e, na \u00c1ustria, 4,9%.<\/p>\n<p>Isto explica por que, em mar\u00e7o, o Eurostat alertava que na Espanha os desempregados atingiam 19,1% da popula\u00e7\u00e3o ativa, enquanto na Gr\u00e9cia chegavam a 16% e na It\u00e1lia alcan\u00e7avam o limite hist\u00f3rico de 12%, sendo que o desemprego juvenil italiano atingia o recorde europeu, com 27%.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio que desmonta a inefici\u00eancia do modelo de &#8220;governan\u00e7a europ\u00e9ia&#8221;, representado pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e implementado sobretudo nos 16 pa\u00edses da &#8220;\u00e1rea do euro&#8221;, onde as pol\u00edticas dos governo conservadores, juntamente aos programas do neoliberalismo \u2013 sejam eles alem\u00e3es ou brit\u00e2nicos \u2013, n\u00e3o funcionam mais, a partir do momento em que este Estado moderno, para salvar sua ess\u00eancia representada pela sociedade de mercado, n\u00e3o pensa duas vezes em sacrificar a \u00fanica riqueza do cidad\u00e3o: sua for\u00e7a de trabalho e o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, diretor da ADIA TV e autor do v\u00eddeo &#8220;Palestina, Nossa Terra, Nossa Luta&#8221;.<\/p>\n<p>Contato: adiasistema@gmail.com Este endere\u00e7o de e-mail est\u00e1 protegido contra spam bots, pelo que o Javascript ter\u00e1 de estar activado para poder visualizar o endere\u00e7o de email<\/p>\n<p>Endere\u00e7os: http:\/\/www.quadranteweb.blogspot.com\/<\/p>\n<p>http:\/\/www.portalpopular.org.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: portalpopular.org.br\n\n\n\n\n\n\n\n\nEscrito por Achille Lollo 29-Mai-2010\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/531\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8z","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}