{"id":5313,"date":"2013-08-30T15:02:10","date_gmt":"2013-08-30T15:02:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5313"},"modified":"2013-08-30T15:02:10","modified_gmt":"2013-08-30T15:02:10","slug":"licoes-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5313","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es esquecidas"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o \u00e9 por faltarem exemplos de falsas acusa\u00e7\u00f5es ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas que os EUA deixam de recorrer \u00e0 tecla das \u00abarmas de destrui\u00e7\u00e3o massiva\u00bb e das \u00abarmas qu\u00edmicas\u00bb quando pretendem justificar mais uma agress\u00e3o militar directa. Desde a d\u00e9cada de 1980 as acusa\u00e7\u00f5es reca\u00edram sobre a URSS e o Vietname, sobre o Sud\u00e3o e o Iraque, entre outro. Recaem agora sobre a S\u00edria e, tal como as anteriores, n\u00e3o t\u00eam fundamento cient\u00edfico s\u00e9rio.<\/p>\n<p>No que toca a estados hostis suspeitos de possu\u00edrem armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, exemplos de alega\u00e7\u00f5es injustificadas e erradas, por parte dos EUA, n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. Em 1981, por exemplo, os EUA acusaram erradamente a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o Vietname de usarem o chamado \u201cYellow Rain\u201d, uma micotoxina mortal usada em armamento, derivada de fungos, contra os seus opositores no Laos, Camboja e Afeganist\u00e3o. Estudos cient\u00edficos independentes levados a cabo posteriormente demonstraram que o agente em quest\u00e3o eram fezes das abelhas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quinze anos atr\u00e1s, uma an\u00e1lise qu\u00edmica inadequada levou os EUA a lan\u00e7ar um ataque de m\u00edsseis de cruzeiro que destruiu a f\u00e1brica farmac\u00eautica al-Shifa em Cartum, no Sud\u00e3o. Devido a um erro de interpreta\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise de amostras do solo, que indicariam a presen\u00e7a de \u00e1cido O-etil metilfosfonoti\u00f3ico (frequentemente conhecido pelo seu acr\u00f3nimo EMPTA), considerou-se, erradamente, que a f\u00e1brica estaria a produzir o agente qu\u00edmico VX, que actua sobre o sistema nervoso, para a al Qaeda. Um relat\u00f3rio de 1998 de um investigador do Monterrey Institute of International Studies concluiu, com alguma reserva, que, possivelmente \u00abuma pequena quantidade do percursor qu\u00edmico VX foi produzida ou armazenada em Shifa ou transportada por ali ou perto dali. No entanto, as provas existentes indicam que, provavelmente, aquela estrutura n\u00e3o teve qualquer papel no desenvolvimento [de armas qu\u00edmicas].\u00bb<\/p>\n<p>Mais recentemente, como foi conhecido, os governantes dos EUA falharam em seguir padr\u00f5es estabelecidos para as an\u00e1lises cient\u00edficas (e divulgaram falsidades evidentes), enquanto levavam as tropas norte-americanas para o Iraque numa miss\u00e3o desastrosa para desarmar Saddam Hussein e o quim\u00e9rico programa de armas qu\u00edmicas do seu pa\u00eds, as fict\u00edcias plataformas m\u00f3veis de armas biol\u00f3gicas e o seu ilus\u00f3rio potencial de armas nucleares.<\/p>\n<p>A S\u00edria \u00e9 o primeiro pa\u00eds (mas n\u00e3o ser\u00e1 seguramente o \u00faltimo) dotado de armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva a cair em guerra civil. O modo como os EUA (e o mundo) lidarem com este pa\u00eds ir\u00e1 certamente afetar negocia\u00e7\u00f5es futuras em situa\u00e7\u00f5es semelhantes. Mas, para devidamente avaliar que armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva tem a S\u00edria, os EUA e os l\u00edderes mundiais ter\u00e3o de abandonar a anterior tradi\u00e7\u00e3o de obscurantismo, t\u00e9cnicas cient\u00edficas forenses inadequadas e a oculta\u00e7\u00e3o de dados contradit\u00f3rios. Infelizmente, neste momento, os EUA parecem retomar a sua tradi\u00e7\u00e3o de tomadas de decis\u00e3o pouco transparentes e question\u00e1veis relativamente \u00e0s armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, acusando a utiliza\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas, com base em provas insuficientes.<\/p>\n<p><strong>Retra\u00e7ar a linha vermelha<\/strong><\/p>\n<p>Em 13 de junho, a administra\u00e7\u00e3o Obama determinou que a S\u00edria tinha usado armas qu\u00edmicas contra seu pr\u00f3prio povo e cruzou a designada linha vermelha das armas qu\u00edmicas, o que permitiria o apoio militar dos EUA \u00e0s for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o. Mas essa determina\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de verificar atrav\u00e9s de fontes abertas e mostra que os EUA, lamentavelmente, arriscam repetir os erros do passado relativamente a armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva.<\/p>\n<p>Ironicamente, desde o in\u00edcio da insurrei\u00e7\u00e3o s\u00edria, em Mar\u00e7o de 2011, at\u00e9 muito recentemente, as preocupa\u00e7\u00f5es informadas sobre o arsenal qu\u00edmico da S\u00edria estiveram, com raz\u00e3o, mais focadas na rela\u00e7\u00e3o das armas qu\u00edmicas com terroristas e outros actores n\u00e3o-governamentais do que na tend\u00eancia, por parte do regime de Assad, para a utiliza\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas. Como afirmei desde o in\u00edcio de 2012, h\u00e1 grupos terroristas, especialmente islamitas radicais, que t\u00eam mais incentivo para realizar grandes ataques com armas qu\u00edmicas do que o regime de Assad. A lideran\u00e7a s\u00edria neutraliza eficiente e impiedosamente aqueles que considera inimigos, sem armas qu\u00edmicas, com facilidade. Numa guerra que j\u00e1 matou mais de 90.000 pessoas desde 2011, menos de 100 mortes podem ser potencialmente atribu\u00eddas a venenos; incluindo v\u00e1rias mortes de soldados leais ao regime de Assad no ataque a Khan al-Asal, a 19 de Mar\u00e7o de 2013. N\u00e3o obstante tais realidades, desde 20 de Agosto de 2012, o governo dos EUA emitiu oito alertas de linha vermelha para o governo s\u00edrio, afirmando que o uso de armas qu\u00edmicas resultaria numa interven\u00e7\u00e3o dos EUA. Embora o texto exacto das advert\u00eancias variasse, a linha vermelha foi definida por quatro mecanismos globais capazes de desencadear a interven\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2022\tO uso ou a circula\u00e7\u00e3o de quantidades consider\u00e1veis de produtos qu\u00edmicos e, conforme especificado na ocasi\u00e3o, armas biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u2022\tO uso de armas qu\u00edmicas \u00abcontra o povo s\u00edrio\u00bb.<\/p>\n<p>\u2022\tA transfer\u00eancia de armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u2022\tA transfer\u00eancia de armas qu\u00edmicas para terroristas.<\/p>\n<p>A mais recente dos oito alertas foi expressa numa carta da Casa Branca enviada para o senador do Michigan, Carl Levin, em 25 de Abril de 2013 [1].<\/p>\n<p>Por esta altura, os governos da Fran\u00e7a, do Reino Unido e de Israel tinham emitido tr\u00eas acusa\u00e7\u00f5es separadas pelo uso de armas qu\u00edmicas contra o regime de Assad. O comunicado de Abril centrava-se nas acusa\u00e7\u00f5es e estabeleceu por que raz\u00e3o, no entender da Casa Branca, a linha vermelha n\u00e3o fora ultrapassada.<\/p>\n<p>Em retrospectiva, os pontos mais marcantes da carta descrevem insufici\u00eancias cient\u00edficas e metodol\u00f3gicas que impediram o governo dos EUA de concordar com as reivindica\u00e7\u00f5es dos seus aliados de que o regime de Assad tinha utilizado armas qu\u00edmicas contra o povo s\u00edrio. O comunicado da Casa Branca afirmou que os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o dos EUA \u00abavaliaram, com diferentes graus de confian\u00e7a, que o regime de Assad usou armas qu\u00edmicas em pequena escala na S\u00edria, especificamente o agente qu\u00edmico sarin\u00bb. Embora seja reconhecido que a avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o foi em parte com base em amostras fisiol\u00f3gicas, a Casa Branca tamb\u00e9m afirmou que \u00abavalia\u00e7\u00f5es com base na recolha de informa\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o suficientes; apenas factos cred\u00edveis e corroborados, que nos forne\u00e7am algum grau de certeza poder\u00e3o guiar a nossa tomada de decis\u00e3o\u2026\u00bb. Consequentemente, a administra\u00e7\u00e3o Obama pediu uma \u00abinvestiga\u00e7\u00e3o abrangente das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que possa avaliar a credivelmente as evid\u00eancias e perceber o que aconteceu\u00bb.<\/p>\n<p>A carta reconhece que factos cred\u00edveis eram dif\u00edceis de encontrar, em parte, por causa de insufici\u00eancias nas provas: \u00aba cadeia de responsabilidades n\u00e3o \u00e9 clara, por isso n\u00e3o podemos confirmar como a exposi\u00e7\u00e3o ocorreu e em que condi\u00e7\u00f5es\u00bb. Como Matthew Meselson, co-director do Programa de Sussex Harvard sobre armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas explica: \u00abtermos confian\u00e7a elevada requer que a cadeia de responsabilidades e tratamento de amostras, antes de estas chegarem aos laborat\u00f3rios participantes seja conhecida com precis\u00e3o e sem possibilidade de adultera\u00e7\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o, ou influ\u00eancias que possam interferir com a an\u00e1lise qu\u00edmica subsequente\u00bb.<\/p>\n<p>Contudo, menos de dois meses depois, a 13 de Junho, a Administra\u00e7\u00e3o Obama anunciou \u00abter confian\u00e7a elevada\u00bb de que o regime Assad usou armas qu\u00edmicas. Novas provas teriam surgido desde o alerta de 25 de Abril; amostras fisiol\u00f3gicas recentes e interce\u00e7\u00f5es n\u00e3o especificadas de informa\u00e7\u00e3o, supostamente de comunica\u00e7\u00f5es sobre armas qu\u00edmicas, entre as autoridades s\u00edrias. Mas o tratamento inicial e cadeia de responsabilidade sobre as novas amostras eram desprovidos de protocolo cient\u00edfico cred\u00edvel. Da mesma forma, as interce\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o muitas vezes mal interpretadas, por vezes com consequ\u00eancias tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Repetindo o alerta de 25 de Abril de \u00abque foram usadas armas qu\u00edmicas em pequena escala pelo regime de Assad na S\u00edria\u00bb, a Casa Branca rompeu com seus crit\u00e9rios anteriores para uma interven\u00e7\u00e3o dos EUA na S\u00edria. O governo simplesmente afirmou que depois de \u00abuma revis\u00e3o deliberativa\u00bb, os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o dos EUA j\u00e1 tinham \u00abmuita confian\u00e7a\u00bb de que o governo s\u00edrio havia usado armas qu\u00edmicas em pequena escala, v\u00e1rias vezes, e que esta avalia\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o significava que o regime de Assad havia cruzado linha vermelha. Este pronunciamento levou \u00e0 pronta expans\u00e3o da ajuda para incluir suporte directo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria, sob a bandeira do Comando Militar Supremo. Assim, os EUA prepararam-se para o seu s\u00e9timo envolvimento militar num pa\u00eds mu\u00e7ulmano desde 2001.<\/p>\n<p><strong>Aus\u00eancia de provas<\/strong><\/p>\n<p>Embora o assunto praticamente n\u00e3o tenha sido explorado pelos m\u00e9dia nos EUA, v\u00e1rias quest\u00f5es intrigantes surgem a partir da invers\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o do governo dos EUA na linha vermelha das armas qu\u00edmicas da S\u00edria. A quest\u00e3o \u00f3bvia envolve o tratamento inicial e da cadeia de responsabilidades das amostras fisiol\u00f3gicas utilizadas por cientistas franceses para confirmar a presen\u00e7a de \u00e1cido isoprop\u00edlico metilfosf\u00f3nico (IMPA), um marcador qu\u00edmico do sarin. Cadeias de responsabilidade anteriores foram destacadas na carta de 25 de Abril da Casa Branca como \u00abn\u00e3o sendo claras, por isso n\u00e3o podemos confirmar ocorreu a exposi\u00e7\u00e3o e em que condi\u00e7\u00f5es\u00bb. Mesmo com as amostras francesas subsequentes, que alegadamente ter\u00e3o validado a exist\u00eancia do IMPA, o tratamento original das amostras e a sua cadeia de responsabilidades continuam por resolver no dom\u00ednio p\u00fablico. Por outro lado, a carta de Abril observou que \u00abas avalia\u00e7\u00f5es baseadas na interce\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o suficientes; apenas factos cred\u00edveis e corroborados que nos forne\u00e7am algum grau de certeza guiar\u00e3o a nossa tomada de decis\u00e3o\u00bb. No entanto, a declara\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o Obama de 13 de Junho de que o governo s\u00edrio tinha usado armas qu\u00edmicas baseava-se quase inteiramente numa avalia\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o para a qual poucas novas provas foram apresentadas em p\u00fablico. O mais impressionante foi a alega\u00e7\u00e3o de se podia confirmar que \u00abum indiv\u00edduo foi exposto ao sarin\u00bb, embora n\u00e3o haja provas de \u00abcomo ou onde os indiv\u00edduos foram expostos ou quem foi o respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Independentemente da sua necessidade, o crescente envolvimento militar dos EUA na S\u00edria, baseado no an\u00fancio de que o governo s\u00edrio teria ultrapassado a linha vermelha das armas qu\u00edmicas, n\u00e3o foi bem justificado perante o p\u00fablico. O uso de quantidades significativas de agentes qu\u00edmicos de guerra nunca foi afirmado pela Casa Branca, embora o seu primeiro aviso e a mensagem impl\u00edcita no seu \u00faltimo aviso afirmem claramente que o uso significativo \u00e9 um crit\u00e9rio de ultrapassagem da linha vermelha. Nenhuma prova incontest\u00e1vel foi revelada publicamente, apesar da \u00eanfase dos EUA sobre a necessidade de \u00abconfirmar factos cred\u00edveis e comprovados\u00bb.<\/p>\n<p>No final de abril de 2013, o regime s\u00edrio e, possivelmente, as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o tinham-se, sem d\u00favida, envolvido num n\u00famero limitado de ataques qu\u00edmicos em pequena escala desde o primeiro aviso linha vermelha, em Fevereiro de 2012. O total de mortes relacionadas com armas qu\u00edmicas durante esse per\u00edodo de tempo de 14 meses poder\u00e1 ter chegado a 100, com a poss\u00edvel inclus\u00e3o de 16 soldados s\u00edrios leais ao regime. No entanto, as evid\u00eancias dispon\u00edveis publicamente, incluindo a carta de 25 de Abril da Casa Branca e os sete alertas norte-americanas anteriores, sugerem que o regime de Assad n\u00e3o se compromete a um uso generalizado. De acordo com um desertor, \u00abA inten\u00e7\u00e3o era neutralizar rebeldes e for\u00e7\u00e1-los a sair de \u00e1reas estrat\u00e9gicas, mantendo entre as suas fileiras um limitado n\u00famero de baixas\u00bb.<\/p>\n<p>Ainda assim, as provas n\u00e3o s\u00e3o claras. A cadeia de responsabilidades das amostras de solo, sangue, urina e cabelo, que supostamente confirmaria a utiliza\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas permanece vaga. E, sem saber ao certo de onde vieram as amostras e quem as controlava, as amostras n\u00e3o s\u00e3o, do ponto de vista cient\u00edfico ou legal, provas de nada. Como o antigo inspetor de armas da ONU David Kay adverte, \u00abseria idiota n\u00e3o abordar isto com um pouco de cautela\u00bb. Julian Perry Robinson, reconhecida autoridade em armas biol\u00f3gicas e qu\u00edmicas, explica: \u00abPor enquanto, os espectadores podem razoavelmente acreditar no relat\u00f3rio apenas se estiverem dispostos a confiar em afirma\u00e7\u00f5es sem fundamento ou em provas incompletas, ou a ignorar a hist\u00f3ria da guerra qu\u00edmica. Esta hist\u00f3ria est\u00e1 cheia de falsas alega\u00e7\u00f5es [de posse de armas qu\u00edmicas] e de casos em que pessoas que deveriam ter conhecimento foram iludidas por essas hist\u00f3rias, fosse por ignor\u00e2ncia, por engano ou por se iludirem a si mesmas\u00bb.<\/p>\n<p>Aparentemente, a Casa Branca acredita que o p\u00fablico confiar\u00e1 em provas insuficientes e desrespeito por falhas de informa\u00e7\u00e3o anteriores que precipitaram resultados desastrosos. A oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria tem um claro incentivo para manipular provas, sugerindo que o regime Assad cruzou a linha vermelha. Como observa Robinson, tal manipula\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria particularmente invulgar, como mostra, para dar apenas um exemplo, o facto de, nos meses anteriores \u00e0 invas\u00e3o do Iraque pelos EUA em 2003, quando membros da oposi\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional Iraquiano forneceram aos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o dos EUA informa\u00e7\u00f5es falsas, sugerindo que o governo de Hussein tinha programas de armas biol\u00f3gicas e nucleares.<\/p>\n<p>Certamente existem fortes argumentos para o envolvimento militar dos EUA na S\u00edria; a menor das quais n\u00e3o ser\u00e1 garantir que qualquer governo s\u00edrio subsequente n\u00e3o \u00e9 composto por islamitas radicais, actualmente as for\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o mais eficazes na S\u00edria. O modo como a administra\u00e7\u00e3o Obama justifica uma componente militar para a sua manipula\u00e7\u00e3o do dilema s\u00edrio \u00e9, no entanto, altamente problem\u00e1tica. Inconsist\u00eancias e formula\u00e7\u00e3o vaga t\u00eam enformado os alertas de linha vermelha norte-americanos. A quest\u00e3o central (o que constituiria uma viola\u00e7\u00e3o do tabu de armas qu\u00edmicas?) permanece sem resposta. Al\u00e9m disso, o governo n\u00e3o tem atendido \u00e0s li\u00e7\u00f5es dos desastres passados com supostas armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva. N\u00e3o insistiu nos m\u00e9todos cient\u00edficos e normas legais necess\u00e1rias para confirmar o uso de armas qu\u00edmicas e, no processo, abre um precedente perigoso. Com o tempo, outros estados armados com armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, incluindo, por exemplo, a Coreia do Norte e v\u00e1rios pa\u00edses do M\u00e9dio Oriente, podem muito bem envolver-se em guerras civis. Se a linha vermelha n\u00e3o for claramente tra\u00e7ada na S\u00edria, como podem os EUA esperar que outros governos e outras insurg\u00eancias se abstenham de atravess\u00e1-la?<\/p>\n<p>[1] Nota do Editor: Este texto foi escrito antes de a Reuters divulgar as fotos com que pretende provar o uso de g\u00e1s sarin pelo regime s\u00edrio, o que s\u00f3 refor\u00e7a a import\u00e2ncia deste artigo.<\/p>\n<p>* Charles P. Blair, Professor da Universidade Johns Kopkins, \u00e9 colunista do Boletim de Cientistas At\u00f3micos.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Rodrigues P. Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCharles P. Blair*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5313\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5313","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1nH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5313\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}