{"id":5365,"date":"2013-09-05T14:47:12","date_gmt":"2013-09-05T14:47:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5365"},"modified":"2013-09-05T14:47:12","modified_gmt":"2013-09-05T14:47:12","slug":"em-defesa-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5365","title":{"rendered":"Em defesa da paz"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">Os tambores da guerra rufam mais uma vez no M\u00e9dio Oriente, desta vez com a possibilidade de um ataque iminente \u00e0 S\u00edria, ap\u00f3s a alegada utiliza\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas pelo seu governo. \u00c9 precisamente em tempos de crise como este que a defesa da paz pode ser feita da maneira mais clara e mais \u00f3bvia.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o temos qualquer prova s\u00f3lida de que o governo s\u00edrio tenha utilizado armas qu\u00edmicas. Mesmo se tal prova fosse apresentada por governos ocidentais ter\u00edamos de permanecer c\u00e9pticos, recordando os muitos incidentes d\u00fabios ou falsificados utilizados para justificar corridas \u00e0 guerra: o incidente do Golfo de Tonquim, o massacre de beb\u00e9s na incubadora do Kuwait, o massacre Racak no Kosovo, as armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a no Iraque e a amea\u00e7a de um massacre em Bengazi. Vale a pena notar que a evid\u00eancia que aponta a utiliza\u00e7\u00e3o de armas qu\u00edmicas pelo governo s\u00edrio foi proporcionada aos Estados Unidos pela intelig\u00eancia israelense, a qual n\u00e3o \u00e9 exactamente um actor neutro.<\/p>\n<p>Mesmo que desta vez as provas fossem aut\u00eanticas, isso n\u00e3o legitimaria a\u00e7\u00e3o unilateral por parte de ningu\u00e9m. A a\u00e7\u00e3o militar ainda precisa de uma autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a. Aqueles que se queixam da sua &#8220;ina\u00e7\u00e3o&#8221; deveriam ter em mente que a oposi\u00e7\u00e3o russa e chinesa \u00e0 interven\u00e7\u00e3o na S\u00edria \u00e9 motivada em parte pelo abuso das pot\u00eancias ocidentais da resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a a fim de executar &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221; naquele pa\u00eds. Aquilo que no Ocidente \u00e9 chamado de uma &#8220;comunidade internacional&#8221; desejosa de atacar a S\u00edria est\u00e1 reduzido essencialmente a\u00a0<em>dois <\/em>pa\u00edses importantes (Estados Unidos, e Fran\u00e7a), dentre as quase duas centenas de pa\u00edses do mundo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer respeito pelo direito internacional sem o respeito pela opini\u00e3o decente do resto da humanidade.<\/p>\n<p>Mesmo se uma a\u00e7\u00e3o militar fosse permitida e executada, o que podia ela conseguir? Ningu\u00e9m pode controlar armas qu\u00edmicas seriamente sem por &#8220;botas sobre o terreno&#8221;, o que n\u00e3o \u00e9 considerado uma op\u00e7\u00e3o realista ap\u00f3s os desastres do Iraque e do Afeganist\u00e3o. O Ocidente n\u00e3o tem aliado verdadeiro e confi\u00e1vel na S\u00edria. Os jihadistas a combaterem o governo n\u00e3o tem mais amor ao Ocidente do que aqueles que assassinaram o embaixador dos EUA na L\u00edbia. Uma coisa \u00e9 receber dinheiro e armas de um pa\u00eds, mas outra muito diferente \u00e9 ser um aliado genu\u00edno.<\/p>\n<p>Tem havido ofertas de negocia\u00e7\u00e3o provenientes dos governos s\u00edrio, iraniano e russo, as quais t\u00eam sido tratadas com arrog\u00e2ncia pelo Ocidente. Aqueles que dizem &#8220;n\u00e3o podemos conversar ou negociar com Assad&#8221; esquecem que isto foi dito acerca da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional na Arg\u00e9lia, de Ho Chi Minh, Mao, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a OLP, o IRA, a ETA, Mandela e o ANC e muitas guerrilhas na Am\u00e9rica Latina. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se algu\u00e9m fala com o outro lado, mas ap\u00f3s quantas mortes desnecess\u00e1rias se aceita faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O temor de que os EUA e seus poucos aliados remanescentes atuassem como pol\u00edcia global est\u00e1 realmente ultrapassado. O mundo est\u00e1 a tornar-se mais multipolar e os povos do mundo querem mais soberania, n\u00e3o menos. A maior transforma\u00e7\u00e3o social do s\u00e9culo XX foi a descoloniza\u00e7\u00e3o e o Ocidente deveria adaptar-se ao fato de que n\u00e3o tem nem o direito, nem a compet\u00eancia, nem os meios para dominar o mundo.<\/p>\n<p>Em parte alguma a estrat\u00e9gia de guerras sem fim fracassou mais miseravelmente do que no M\u00e9dio Oriente. No longo prazo, o derrube de Mossadeg no Ir\u00e3o, a aventura do Canal de Suez, as muitas guerras israelenses, as duas guerras do Golfo, as amea\u00e7as constantes e san\u00e7\u00f5es assassinas primeiro contra o Iraque e agora contra o Ir\u00e3, a interven\u00e7\u00e3o l\u00edbia, n\u00e3o conseguiram nada mais do que novos banhos de sangue, \u00f3dio e caos. A S\u00edria s\u00f3 pode ser mais um fracasso para o Ocidente sem uma mudan\u00e7a radical na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A verdadeira coragem n\u00e3o consiste em lan\u00e7ar m\u00edsseis de cruzeiro meramente para exibir um poder militar que se est\u00e1 a tornar mais ineficaz. A verdadeira coragem \u00e9 romper radicalmente com essa l\u00f3gica mortal. Em obrigar, ao inv\u00e9s, Israel a negociar de boa f\u00e9 com os palestinos, convocar a confer\u00eancia Genebra II sobre a S\u00edria e discutir com os iranianos o seu programa nuclear, levando em conta honestamente os leg\u00edtimos interesses econ\u00f4micos e de seguran\u00e7a do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>A recente vota\u00e7\u00e3o contra a guerra no Parlamento Brit\u00e2nico, bem como rea\u00e7\u00f5es nas redes sociais, refletem uma altera\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de opini\u00e3o p\u00fablica. N\u00f3s no Ocidente estamos cansados de guerras e estamos prontos para juntarmo-nos \u00e0 comunidade internacional real exigindo um mundo baseado na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, desmilitariza\u00e7\u00e3o, respeito pela soberania nacional e igualdade de todas as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O povo do Ocidente tamb\u00e9m pede para exercer seu direito \u00e0 auto-determina\u00e7\u00e3o: se tiverem de ser travadas guerras, elas devem ter como base debates abertos e a preocupa\u00e7\u00e3o pela nossa seguran\u00e7a nacional e n\u00e3o sobre alguma mal definida no\u00e7\u00e3o de um &#8220;direito a intervir&#8221;, o qual pode ser facilmente manipulado e abusado.<\/p>\n<p>Cabe a n\u00f3s obrigar os pol\u00edticos a respeitar esse direito.<\/p>\n<p><strong>PELA PAZ E CONTRA A INTERVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os signat\u00e1rios s\u00e3o antigos altos funcion\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas: <\/strong><\/p>\n<li>Hans Christof Graf von Sponeck, Secret\u00e1rio-Geral Assistente da ONU, Coordenador Humanit\u00e1rio para o Iraque (1998 -2000).<\/li>\n<li>Denis J. Halliday, Secret\u00e1rio-Geral Assistente da ONU, (1994-98)<\/li>\n<li>Dr. Sa\u00efd Zulficar, funcion\u00e1rio da UNESCO (1967-1996), Director, Divis\u00e3o do Patrim\u00f3nio Cultural (1992 -1996).<\/li>\n<li>Dr. Samir Radwan, Funcion\u00e1rio da OIT (1979 \u2013 2003). Conselheiro do Director Geral da OIT sobre politicas de desenvolvimento (2001 &#8211; 2004). Antigo ministro das Finan\u00e7as do Egipto.<\/li>\n<li>Dr. Samir Basta, director do gabinete regional para a Europa da UNICEF (1990-1995). Director do Gabinete de Avalia\u00e7\u00e3o da UNICEF (2985-1990)<\/li>\n<li><strong>Miguel d\u00b4Escoto Brockmann, presidente da Assembleia-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (2008-2009) e ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Nicar\u00e1gua (1979-1990). <\/strong>\n<p>02\/Setembro\/2013 <strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lemonde.fr\/idees\/article\/2013\/09\/02\/plaidoyer-pour-la-paix-en-syrie_3469916_3232.html\" target=\"_blank\">www.lemonde.fr\/&#8230;<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este documento encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n<\/li>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Comit\u00e9 de cidad\u00e3os para a paz e contra a inger\u00eancia\u00a0[*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5365\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-5365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1ox","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5365\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}