{"id":5450,"date":"2013-09-19T22:35:30","date_gmt":"2013-09-19T22:35:30","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5450"},"modified":"2013-09-19T22:35:30","modified_gmt":"2013-09-19T22:35:30","slug":"sobre-o-massacre-e-os-acontecimentos-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5450","title":{"rendered":"Sobre o massacre e os acontecimentos no Egito"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por Elisseos Vagenas\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/grecia\/egito_25ago13.html#asterisco\" target=\"_blank\">[*]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Os ecr\u00e3s da televis\u00e3o t\u00eam estado, mais uma vez, a transbordar de sangue. Com o sangue das centenas de mortos e de milhares de feridos no Egito, nos violentos confrontos entre os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos que apoiam o Presidente Morsi, na pris\u00e3o, e o Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Anteriormente, tinha havido uma enorme mobiliza\u00e7\u00e3o de massas de milh\u00f5es de pessoas e a recolha de 22 milh\u00f5es de assinaturas (acompanhadas pelo n\u00famero dos bilhetes de identidade e outros detalhes) contra M. Morsi. Esta mobiliza\u00e7\u00e3o popular, organizada pelas for\u00e7as pol\u00edticas da burguesia e da pequena burguesia, sob o &#8220;manto&#8221; da manuten\u00e7\u00e3o do &#8220;secularismo&#8221;, trouxe para o palco dos acontecimentos o ex\u00e9rcito, que prendeu o Presidente eg\u00edpcio e, finalmente, suprimiu a rea\u00e7\u00e3o esperada da Irmandade Mu\u00e7ulmana, abolindo quaisquer pequenos elementos da democracia burguesa.<\/p>\n<p>E este acontecimento foi designado como uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; pela &#8220;esquerda&#8221; eg\u00edpcia (que participa no arco do poder pol\u00edtico secular), tal como o foram os acontecimentos de 2011, que tinham levado \u00e0 queda de H. Mubarak (o seu partido estava junto com o PASOK na &#8220;Internacional Socialista&#8221;) e tinham feito subir ao poder governamental o representante do &#8220;Isl\u00e3o pol\u00edtico&#8221;, M. Morsi (teve 5,7 milh\u00f5es de votos na primeira volta e 13,2 milh\u00f5es na segunda).<\/p>\n<p><strong>O turbilh\u00e3o do confronto <\/strong><\/p>\n<p>Pode-se chamar-lhe turbilh\u00e3o. E tornou-se ainda mais confuso \u00e0 medida que se desenrolava.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo, vimos que os EUA, que, durante d\u00e9cadas, apoiaram H. Mubarak, a apoiar Morsi alegremente. Mais tarde, depois do golpe (&#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;), mesmo n\u00e3o se tendo atrevido a cortar o dinheiro para o ex\u00e9rcito eg\u00edpcio que na altura eram 1,3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, primeiro enviaram o conhecido senador J. McCain para exigir a liberta\u00e7\u00e3o de Morsi e, quando isto n\u00e3o foi aceite, pediram aos militares que fizessem um compromisso com os islamitas. E como se tudo isto n\u00e3o bastasse, enviando uma mensagem ainda mais clara, os EUA indicaram Robert Ford, o \u00faltimo embaixador na S\u00edria, como seu novo embaixador no Egito, que a\u00ed tinha adquirido a reputa\u00e7\u00e3o de ser um &#8220;amigo&#8221; chegado do movimento islamita, assim como nos pa\u00edses em que anteriormente tinha servido (Iraque, Arg\u00e9lia, Qatar, Turquia).<\/p>\n<p>Entretanto, a UE declara-se &#8220;preocupada com a democracia&#8221; e amea\u00e7a o governo militar com san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por outro lado, algumas pessoas de\u00a0<strong>&#8220;esquerda&#8221; <\/strong>e\u00a0<strong>&#8220;anti-imperialistas&#8221; <\/strong>no nosso pa\u00eds e um pouco por todo o mundo (em contraste com a &#8220;esquerda&#8221; eg\u00edpcia) apressaram-se a denunciar o golpe e o ex\u00e9rcito e, em nome da &#8220;restaura\u00e7\u00e3o da democracia&#8221;, puseram-se ao lado da Irmandade Mu\u00e7ulmana. N\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o este curto per\u00edodo de tempo em que andavam a resolver a quest\u00e3o do governo, a situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria e das camadas populares no Egito n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o melhorou como se deteriorou claramente: o desemprego ultrapassou os 23% e a extrema pobreza afetou 50% da popula\u00e7\u00e3o, provocando uma nova vaga de &#8220;greves&#8221;, mobiliza\u00e7\u00f5es populares, que s\u00f3 num ano atingiram o n\u00famero de 7 400. Al\u00e9m disso, estes &#8220;anti-imperialistas&#8221; fingem que n\u00e3o percebem nada acerca do uso da arma religiosa (o Isl\u00e3o &#8220;pol\u00edtico&#8221; e armado) pela burguesia (por exemplo na Turquia) e pelos poderes imperialistas (por exemplo na S\u00edria), com o objetivo de promover os seus planos, que t\u00eam em vista uma ainda maior explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 estes os &#8220;paradoxos&#8221;. As posi\u00e7\u00f5es dos outros pa\u00edses vizinhos tamb\u00e9m s\u00e3o caracter\u00edsticas. \u00c9 claro que a Turquia de T. Erdogan, cujo partido est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana, est\u00e1 tamb\u00e9m a desempenhar um papel de lideran\u00e7a na condena\u00e7\u00e3o internacional do golpe e na &#8220;restaura\u00e7\u00e3o da democracia&#8221;. No entanto, a posi\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3o \u00e9 interessante. Isto porque, como \u00e9 sobejamente conhecido desde h\u00e1 dois anos, o Ir\u00e3o, compreendendo que o la\u00e7o dos EUA-Israel se pode apertar \u00e0 sua volta, apoia firmemente o regime de Assad na S\u00edria que, por sua vez, luta contra as for\u00e7as que eram apoiadas pela Turquia e o Egito (especialmente o presidente Morsi). Na verdade, Morsi, um pouco antes de ter sido derrubado, p\u00f4de declarar uma guerra santa contra o regime s\u00edrio. Seria de esperar que esta queda agradasse ao regime iraniano, mas acontece o contr\u00e1rio. O Ir\u00e3o apelou a um compromisso entre os dois lados, pressentindo o perigo de o Ocidente retirar benef\u00edcios dos desenvolvimentos do chamado &#8220;caos controlado&#8221; e assentar o seu poderio militar no Egito e, mais generalizadamente, na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, a\u00a0<strong>Ar\u00e1bia Saudita <\/strong>, que participa ativamente na interven\u00e7\u00e3o imperialista na S\u00edria, parece apoiar militarmente o golpe de Estado no Egito e virar as costas \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>No meio deste c\u00edrculo vicioso surge a seguinte quest\u00e3o:\u00a0<strong>com que crit\u00e9rio <\/strong>dever\u00e3o os trabalhadores avaliar estes factos? Que lado dever\u00e3o esperar que ganhe e que lado dever\u00e3o esperar que perca?<\/p>\n<p><strong>As for\u00e7as que est\u00e3o em conflito <\/strong><\/p>\n<p>Para respondermos a esta quest\u00e3o, primeiramente, temos de clarificar o que s\u00e3o estas for\u00e7as pol\u00edticas. E aqui tamb\u00e9m n\u00e3o nos basta invocar a democracia burguesa que a burguesia, quando precisa, desrespeita completamente. A &#8220;embalagem&#8221; com que se apresenta cada for\u00e7a no sistema bipolar burgu\u00eas n\u00e3o chega: &#8220;Teocracia&#8221; ou &#8220;secularismo&#8221; do Estado. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o chega para nos orientarmos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o e \u00e0s manobras que os EUA e outras pot\u00eancias possam vir a realizar, pot\u00eancias que est\u00e3o envolvidas na crise, cada uma \u00e0 sua maneira. Podemos ter isso em conta, mas \u00e9 apenas atrav\u00e9s do prisma dos interesses da classe que representa cada um dos lados do conflito que poderemos orientar-nos.<\/p>\n<p>Assim, temos, por um lado, o\u00a0<strong>Ex\u00e9rcito <\/strong>, que no Egito n\u00e3o \u00e9 simplesmente ou principalmente o suporte do Estado burgu\u00eas, como acontece no resto do mundo capitalista, mas \u00e9 tamb\u00e9m alguma coisa mais. A sua lideran\u00e7a \u00e9 uma parte da burguesia do Egito em carne e osso. O ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, treinado nos EUA, possui uma parte significativa dos meios de produ\u00e7\u00e3o: f\u00e1bricas, infraestruturas tur\u00edsticas, neg\u00f3cios nos mais variados e lucrativos setores da economia. De acordo com v\u00e1rias estat\u00edsticas, controla qualquer coisa como 10% a 40% do PIB do Egito.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos a\u00a0<strong>Irmandade Mu\u00e7ulmana <\/strong>, uma organiza\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em 1920, n\u00e3o sem a ajuda de servi\u00e7os secretos estrangeiros, com o objetivo de atacar o movimento comunista e oper\u00e1rio. Estes contactos nunca desapareceram e alguns dos seus funcion\u00e1rios pol\u00edticos, apesar da sua roupagem &#8220;antiamericanista&#8221;, estudaram nas metr\u00f3poles do Ocidente (o presidente Morsi, por exemplo, estudou e trabalhou na Calif\u00f3rnia, nos EUA). A organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada a uma parte da burguesia e a capital estrangeiro. Por exemplo, \u00e9 sabido que o atual n\u00famero 2 na hierarquia da Irmandade Mu\u00e7ulmana, Khairat El-Shater, \u00e9 um dos maiores homens de neg\u00f3cios do pa\u00eds, com capital em outros pa\u00edses da regi\u00e3o tamb\u00e9m. Hassan Malek, tamb\u00e9m ele \u00e9 um homem de neg\u00f3cios, que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 80 com o j\u00e1 mencionado El-Shater, e fundou e \u00e9 presidente da\u00a0<strong>&#8220;Associa\u00e7\u00e3o Empresarial Eg\u00edpcia de Desenvolvimento&#8221; <\/strong>, de que s\u00e3o s\u00f3cias 400 empresas, e est\u00e1 ligada \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana. Hoje, uma parte da burguesia eg\u00edpcia, que pretende a redistribui\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o das reestrutura\u00e7\u00f5es capitalistas que tinham come\u00e7ado com Mubarak, mas a um ritmo mais r\u00e1pido e, claro, \u00e0 custa do ex\u00e9rcito, uniu-se em torno da Irmandade Mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Vejamos um telegrama enviado em 2008 pela ent\u00e3o embaixadora dos EUA no Cairo, Margaret Scoby, para o Departamento de Estado do seu pa\u00eds e que foi publicado no Wikileaks, em 14 de dezembro de 2011: &#8220;Vemos o papel dos militares na economia como uma for\u00e7a que, em geral, sufoca a reforma do mercado livre aumentando o envolvimento direto do governo nos mercados&#8221;.<\/p>\n<p>Portanto, os EUA viam na Irmandade Mu\u00e7ulmana, por um lado, uma for\u00e7a que expressa a necessidade de reformas capitalistas r\u00e1pidas na economia para facilitar a atividade dos monop\u00f3lios na economia eg\u00edpcia. Por outro lado, uma for\u00e7a pol\u00edtica burguesa, usando a arma da religi\u00e3o que salvaguardar\u00e1 os seus interesses atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de um arco sunita em confronto com o Ir\u00e3o shiita, que \u00e9 um aliado das pot\u00eancias emergentes do mundo capitalista, a China e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Claro que as for\u00e7as que competem com os EUA na regi\u00e3o t\u00eam tamb\u00e9m os seus pr\u00f3prios objetivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa dos interesses dos seus pr\u00f3prios monop\u00f3lios na luta pelo controlo dos mercados, dos recursos naturais e das vias de transporte.<\/p>\n<p><strong>Um conflito estranho aos interesses do povo <\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca \u00e9\u00a0<strong>por que raz\u00e3o <\/strong>os trabalhadores devem apoiar um ou outro lado deste conflito interburgu\u00eas e intercapitalista?<\/p>\n<p>De facto, os trabalhadores\u00a0<strong>n\u00e3o t\u00eam interesse <\/strong>na preval\u00eancia de um ou outro lado. As esperan\u00e7as de que o ex\u00e9rcito pudesse representar uma parte mais &#8220;progressista&#8221;, mais &#8220;patri\u00f3tica&#8221; da burguesia no Egito, como considera a &#8220;esquerda&#8221; eg\u00edpcia que apoia o golpe de Estado, classificado como &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, tamb\u00e9m s\u00e3o infundadas.<\/p>\n<p>Esta distin\u00e7\u00e3o da burguesia baseada em antigas an\u00e1lises do movimento comunista internacional tornou-se obsoleta pela pr\u00f3pria realidade, que demonstra que o capital n\u00e3o tem &#8220;p\u00e1tria&#8221;. Uma ou outra parte da burguesia pode tripudiar sobre os sentimentos patri\u00f3ticos do povo para enganar os trabalhadores, construindo as alian\u00e7as pol\u00edticas apropriadas para assegurar o seu poder, mas o \u00fanico princ\u00edpio que os capitalistas reconhecem \u00e9 a rentabilidade do seu capital.<\/p>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es das for\u00e7as que sustentam que a outra parte da burguesia, que apoia a Irmandade Mu\u00e7ulmana, vai restaurar e aprofundar a &#8220;democracia&#8221; contra o &#8220;militarismo&#8221; e que apresentam Erdogan e a Turquia como um modelo tamb\u00e9m\u00a0<strong>carecem de fundamento <\/strong>. N\u00e3o existe nada na &#8220;democracia&#8221; da Turquia de que os trabalhadores possam ter inveja, como j\u00e1 foi claramente demonstrado pelo esfor\u00e7o para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es populares antigovernamentais naquele pa\u00eds e tamb\u00e9m pelas medidas antipopulares que foram impostas para aumentar a rentabilidade do capital e a participa\u00e7\u00e3o nos planos imperialistas.<\/p>\n<p><strong>Por isso, quando nos perguntam quem \u00e9 melhor, o ex\u00e9rcito ou os islamitas, n\u00f3s respondemos: &#8220;ambos s\u00e3o piores! N\u00e3o escolhemos entre Cila e Car\u00edbdis&#8221;\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/grecia\/egito_25ago13.html#notas\" target=\"_blank\">[1]<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a necessidade que se coloca? <\/strong><\/p>\n<p>Como conclus\u00e3o, a crise do sistema pol\u00edtico do Egito revela a\u00a0<strong>agudiza\u00e7\u00e3o <\/strong>das contradi\u00e7\u00f5es entre os setores da burguesia pelo dom\u00ednio da gest\u00e3o da raiva e do descontentamento do povo. Est\u00e1 relacionada com a competi\u00e7\u00e3o entre os centros imperialistas pelo dom\u00ednio das reservas naturais de toda a regi\u00e3o e as rotas de transporte de energia.<\/p>\n<p><strong>Provou-se <\/strong>que as lutas das for\u00e7as populares contra o desemprego, a pobreza, a mis\u00e9ria, a repress\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o, contra a pilhagem das riquezas dos seus pa\u00edses pelos monop\u00f3lios estrangeiros e nacionais, quando limitadas apenas \u00e0 mudan\u00e7a de governos antipopulares e aos direitos democr\u00e1ticos burgueses, n\u00e3o podem esperar ter resultados favor\u00e1veis ao povo. As expectativas do povo foram rapidamente dissipadas pelas for\u00e7as pol\u00edticas que se tornaram dominantes com a chamada &#8220;primavera \u00e1rabe&#8221;. Por isso, estas for\u00e7as, como o SYRIZA na Gr\u00e9cia, saudaram a &#8220;primavera \u00e1rabe&#8221; e fomentaram expectativas a seu respeito (&#8220;a primavera \u00e1rabe abre as portas da democracia nos pa\u00edses nossos vizinhos&#8221; &#8211; declara\u00e7\u00e3o do SYRIZA-USF). Provou-se que os interesses do povo n\u00e3o podem ser satisfeitos nem pelo governo da &#8220;Irmandade mu\u00e7ulmana&#8221;, que imp\u00f4s uma pol\u00edtica antitrabalhadores de apoio aos monop\u00f3lios, nem pela sec\u00e7\u00e3o da burguesia que agora apoia o golpe militar. Os acontecimentos demonstram que as lutas das massas populares n\u00e3o s\u00e3o suficientes para o povo impor o seu poder e os seus interesses, demonstram que elas devem apontar para o derrubamento do poder dos monop\u00f3lios, para iniciar desenvolvimentos a favor do povo.<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria e as camadas populares pobres n\u00e3o devem derramar o seu sangue em v\u00e3o nos conflitos intercapitalistas. N\u00e3o se devem limitar a derrubar um ou outro governo, n\u00e3o se devem enredar em solu\u00e7\u00f5es alegadamente transit\u00f3rias que preparam o pr\u00f3ximo governo antipopular. Devem apresentar a sua pr\u00f3pria proposta de poder, a sua pr\u00f3pria &#8220;bandeira&#8221; a favor da socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a planifica\u00e7\u00e3o central da economia, o poder da classe oper\u00e1ria!\u00a0<strong>Porque o socialismo \u00e9 necess\u00e1rio e est\u00e1 na ordem do dia <\/strong>tamb\u00e9m para o Egito e resulta, quer do amadurecimento das pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es materiais, quer dos\u00a0<strong>impasses <\/strong>do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, apesar da atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas ser desfavor\u00e1vel! A mudan\u00e7a desta correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as exige que o povo afronte e entre em conflito com o poder da burguesia e todas as suas variantes. S\u00f3 deste modo a roda da hist\u00f3ria pode avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>[1] Monstros marinhos da mitologia grega<\/p>\n<p><strong>[*] Membro do Comit\u00e9 Central e respons\u00e1vel pela Sec\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do KKE <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se no\u00a0<em>Rizospastis <\/em>de 25\/Ago\/2013, a vers\u00e3o em ingl\u00eas em\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/en\/articles\/Neither-Scylla-nor-Charybdis\/\" target=\"_blank\">inter.kke.gr\/en\/articles\/Neither-Scylla-nor-Charybdis\/<\/a> e a tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas, de TAM, em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pelosocialismo.net\/\" target=\"_blank\">www.pelosocialismo.net\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nNem Cila nem Car\u00edbdis\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5450\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-5450","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1pU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5450\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}