{"id":5493,"date":"2013-09-26T23:46:43","date_gmt":"2013-09-26T23:46:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5493"},"modified":"2013-09-26T23:46:43","modified_gmt":"2013-09-26T23:46:43","slug":"ser-rebelde-e-ser-revolucionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5493","title":{"rendered":"Ser rebelde \u00e9 ser revolucion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>A Juventude est\u00e1 inquieta. Muitos est\u00e3o nas ruas. O debate pol\u00edtico voltou a ser algo mais comum no cotidiano da atual gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros. Este \u00e9 o principal legado dos protestos que ocorrem pelas cidades brasileiras. A juventude, at\u00e9 ent\u00e3o educada no apogeu da contra revolu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do projeto pol\u00edtico e cultural do neoliberalismo \u2013 de culto ao individualismo, ao consumismo e \u00e0 cren\u00e7a de que o capitalismo e o \u201cdeus\u201d mercado eram a \u00fanica alternativa para as sociedades, n\u00e3o vislumbrava perspectivas ou alternativas de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Contudo, o que acompanhamos hoje no mundo e no Brasil \u00e9 a persist\u00eancia de hist\u00f3ricos problemas sociais, econ\u00f4micos e culturais que assolam toda a popula\u00e7\u00e3o, em especial o povo trabalhador e a juventude popular. Antes mesmo do in\u00edcio dos protestos de rua, a Uni\u00e3o da Juventude Comunista coerentemente j\u00e1 havia apontado esta contradi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>Hoje, no Brasil (a 6\u00aa maior economia capitalista do mundo), o capitalismo se materializa pelos contrastes, pelos problemas estruturais que se aprofundam. A concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no campo, o alto custo de vida nas cidades em fun\u00e7\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, a seguran\u00e7a p\u00fablica que criminaliza a pobreza e os movimentos populares, a falta de prioriza\u00e7\u00e3o de investimentos na educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o marcas, dentre outras, do completo est\u00e1gio de desenvolvimento do capitalismo em nosso pais. Esta forma de produ\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da vida, pautada pela acumula\u00e7\u00e3o de capital, n\u00e3o soluciona problemas b\u00e1sicos e humanit\u00e1rios da maioria da popula\u00e7\u00e3o.\u201d(Lugar de jovem revolucion\u00e1rio no Brasil \u00e9 construindo a UJC. Mar\u00e7o de 2013.)<\/em><\/p>\n<p>Mencion\u00e1vamos que, apesar destas contradi\u00e7\u00f5es, os problemas sociais, econ\u00f4micos e culturais do povo trabalhador eram apaziguados por uma aparente sensa\u00e7\u00e3o de bem estar, garantida pelo crescimento do consumo e, no plano pol\u00edtico, pelo pacto formado entre os representantes da burguesia monopolista e antigas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares, cujo principal representante \u00e9 o PT.<\/p>\n<p>Mas como sepode viver sem se rebelar com a pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica voltada para exterminar jovens, negros e moradores das periferias? Como sepode viver sem se rebelar com a falta de prioridade dos governos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia para a popula\u00e7\u00e3o em contraste os investimentos exorbitantes nos est\u00e1dios para a Copa do Mundo? Como se pode viver sem se rebelar com o sistema pol\u00edtico pouco participativo e com os partidos pol\u00edticos desta ordem? Como se pode viver sem se rebelar com o encarecimento do custo de vida nas cidades e o discurso oficial do governo sobre o surgimento de uma \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d? Como se pode viver sem se rebelar com o socorro dos governos ao empresariado atrav\u00e9s das privatiza\u00e7\u00f5es, pagamento de d\u00edvidas p\u00fablicas, parcerias p\u00fablico- privadas? E as remo\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias de trabalhadores de suas casas e aumento da explora\u00e7\u00e3o do nosso povo?! Como se pode viver sem se rebelar com a pol\u00edtica agr\u00e1ria de um governo \u201cdemocr\u00e1tico popular\u201d, dito sens\u00edvel aos movimentos sociais, mas que prioriza a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio e do latif\u00fandio?<\/p>\n<p>A juventude e os trabalhadores t\u00eam muitas raz\u00f5es para se rebelarem. E estas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o o in\u00edcio de um novo ciclo das lutas sociais no Brasil. Um momento em que m\u00faltiplos projetos de grupos e diferentes classes sociais disputam os rumos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A rebeldia da juventude e do povo trabalhador est\u00e1 em disputa. A descren\u00e7a com as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, o poder dos monop\u00f3lios midi\u00e1ticos, o alto grau de institucionaliza\u00e7\u00e3o e coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos populares s\u00e3o legados negativos da \u00faltima \u00e9poca do apaziguamento e concilia\u00e7\u00e3o da luta de classes. No entanto, est\u00e1 cada vez mais n\u00edtido que os problemas estruturais do cotidiano da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira se chocam com os interesses da expans\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Por isso, a UJC n\u00e3o refor\u00e7a qualquer ilus\u00e3o conciliat\u00f3ria e institucionalizada para responder aos gritos populares das ruas. A sa\u00edda n\u00e3o est\u00e1 em um pacto, mas sim, na constru\u00e7\u00e3o do poder popular: o poder pol\u00edtico exercido em seu cotidiano pela juventude popular e os trabalhadores. Neste sentido, refor\u00e7amos o compromisso da nossa organiza\u00e7\u00e3o com esta estrat\u00e9gia: \u00e9 hora de darmos vida e massificarmos a estrat\u00e9gia socialista para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira!<\/p>\n<p>Aos jovens trabalhadores, lembramos que a maior taxa de desemprego \u00e9 na juventude, al\u00e9m de ser aqui onde est\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de trabalho mais precarizadas. Boa parte da juventude, hoje, cresce sem a perspectiva de adquirir direitos b\u00e1sicos, como carteira assinada, al\u00e9m de se encontrar, cada vez mais, submetida a degradantes condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A luta por melhores trabalhos e mais direitos deve casar-se com formas organizativas, como campanha de sindicaliza\u00e7\u00e3o na juventude e cria\u00e7\u00e3o de assembleias de trabalhadores em seus locais de trabalho. Neste sentido, estaremos, no m\u00eas de dezembro em S\u00e3o Paulo, organizando o Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores da UJC.<\/p>\n<p>A luta no campo da cultura sempre foi um terreno ocupado pelos comunistas. Al\u00e9m de ser hoje uma importante ferramenta de di\u00e1logo com a juventude popular, a luta por acesso cultural se choca frontalmente com os interesses do capital. Basta uma r\u00e1pida olhada no mapa das cidades para vermos onde est\u00e3o concentrados cinemas, teatros, museus, casas de show (grande parte delas a um custo proibitivo). N\u00e3o s\u00f3 o acesso, mas tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o cultural deve ser socializada, estimulando que a juventude da periferia possa desenvolver livremente suas express\u00f5es culturais. E \u00e9 com esta bandeira que a UJC estar\u00e1 organizando os Festivais Regionais de Cultura no m\u00eas de Outubro.<\/p>\n<p>A luta dos estudantes, definitivamente, precisa ecoar as demandas das classes populares no campo da educa\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Infelizmente, o movimento estudantil brasileiro, al\u00e9m contar com entidades altamente verticalizadas e institucionalizadas como a UNE, UEES e UBES, est\u00e1 em um momento bastante reativo no que tange \u00e0 disputa e formula\u00e7\u00e3o de projetos que se contraponham a l\u00f3gica empresarial que impera na educa\u00e7\u00e3o brasileira, promovida por todas as esferas de governos. A reconstru\u00e7\u00e3o do Movimento Estudantil pela base, fortalecendo as entidades e as iniciativas pr\u00f3prias dos estudantes, mais do que uma bandeira, deve se traduzir em um esfor\u00e7o pr\u00e1tico dos comunistas em seu cotidiano. Com independ\u00eancia aos governos, autonomia \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e amplitude social, a luta por uma educa\u00e7\u00e3o e universidade popular necessita ser massificada. Apenas um projeto de educa\u00e7\u00e3o vinculado aos interesses dos trabalhadores poder\u00e1 fazer frente ao avan\u00e7o da mercantiliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Neste sentido, junto a estudantes independentes, t\u00e9cnicos, professores, movimentos populares, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, entidades da classe trabalhadora, propomos a organiza\u00e7\u00e3o do II Semin\u00e1rio de Universidade (e educa\u00e7\u00e3o) Popular, para o pr\u00f3ximo ano. A luta por umaUniversidade Popular necessita ser uma express\u00e3o da luta cotidiana de dentro e fora dos espa\u00e7os acad\u00eamicos para ser um projeto de poder popular e anticapitalista para a educa\u00e7\u00e3o. Por isso, o semin\u00e1rio precisa ser mais encaminhativo, ganhar din\u00e2mica de movimento nacional, plural e democr\u00e1tico e que esteja mais antenado com as lutas di\u00e1rias do povo trabalhador.<\/p>\n<p>O crescimento da UJC tem demonstrado um car\u00e1ter cada vez mais plural, o que nos imp\u00f5e n\u00e3o apenas o debate, mas tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de opress\u00e3o, na luta contra o racismo, a homofobia e o machismo. Devemos nos inserir nos movimentos e lutas sobre estas tem\u00e1ticas, n\u00e3o esquecendo do papel dos comunistas de dar o recorte de classe nesse debate, fortalecendo o coletivo de mulheres Ana Montenegro e Minervino de Oliveira, para o movimento negro.<\/p>\n<p>A luta de classes n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno nacional. Por isso, a luta internacionalista \u00e9 de suma import\u00e2ncia. Assim, organizaremos em nossos locais de atua\u00e7\u00e3o atividades, semin\u00e1rios e espa\u00e7os preparat\u00f3rios para o XVIII Festival da Juventude e dos Estudantes, que ocorrer\u00e1 em dezembro no Equador.\u00c9 fundamental divulgarmos e ampliarmos a principal bandeira do Festival: \u201cJuventude contra o imperialismo, por um mundo de paz, solidariedade e transforma\u00e7\u00f5es sociais\u201d. Hoje, o imperialismo ataca a vida de milh\u00f5es de pessoas no oriente m\u00e9dio, tendo como cen\u00e1rio agora a amea\u00e7a de ataque norte-americano \u00e0 S\u00edria e, no Brasil, o respaldo da burguesia brasileira e do governo para o controle as nossas reservas de petr\u00f3leo por empresas. Este imperialismo \u00e9 a express\u00e3o pol\u00edtica e social, beligerante ou n\u00e3o, de como a Burguesia \u00e9 capaz de explorar e exterminar milhares de vidas em nome dos seus lucros.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 dessa maneira, cada vez mais inserida nas lutas da juventude trabalhadora, dos movimentos populares, internacionalistas, dos estudantes, na perspectiva de constru\u00e7\u00e3o do poder popular, que a Juventude Comunista se potencializa enquanto uma alternativa revolucion\u00e1ria para a juventude brasileira. Precisamos converter a inquietude e rebeldia da juventude em uma forma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para mudarmos radicalmente a sociedade. S\u00f3 assim libertaremos o nosso povo dos entraves desumanos do capitalismo. Esta \u00e9 a nossa tarefa hist\u00f3rica, ousaremos lutar e ousaremos vencer!<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Uni\u00e3o da Juventude Comunista \u2013 UJC<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/ujc\/?p=941\">http:\/\/ujc.org.br\/ujc\/?p=941<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5493\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-5493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1qB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}