{"id":5497,"date":"2013-09-30T12:01:49","date_gmt":"2013-09-30T12:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5497"},"modified":"2013-09-30T12:01:49","modified_gmt":"2013-09-30T12:01:49","slug":"o-silencioso-golpe-militar-que-se-apoderou-de-washington","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5497","title":{"rendered":"O silencioso golpe militar que se apoderou de Washington"},"content":{"rendered":"\n<p>Um ataque contra a S\u00edria ou Ir\u00e3 ou contra qualquer outro dem\u00f4nio estadunidense se basear\u00e1 \u00a0em uma variante de moda, a &#8220;Responsabilidade de Proteger&#8221;, ou R2P, cujo fan\u00e1tico pregoeiro \u00e9 o ex-ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores australiano Gareth Evans, co-presidente de um &#8220;centro mundial&#8221; com base em Nova Iorque. Por John Pilger, do The Guardian<\/p>\n<p>Por John Pilger (*)<\/p>\n<p>Na parede tenho exposta a primeira p\u00e1gina do Daily Express de 5 de setembro de 1945 com as seguintes palavras: &#8220;Escrevo isto como uma advert\u00eancia ao mundo&#8221;. Assim come\u00e7ava o relat\u00f3rio de Wilfred Burchett sobre Hiroshima. Foi a not\u00edcia bomba do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Com motivo da solit\u00e1ria e perigosa viagem com a qual desafiou as autoridades de ocupa\u00e7\u00e3o estadunidenses, Burchett foi colocado na picota, sobretudo por parte de seus colegas. Avisou que um ato premeditado de assassinato em massa a uma escala \u00e9pica acabava de dar o disparo de partida para uma nova era de terror.<\/p>\n<p>Na atualidade, [a advert\u00eancia de] Wilfred Buirchett est\u00e1 sendo reivindicada pelos fatos quase todos os dias. A criminalidade intr\u00ednseca da bomba at\u00f4mica foi corroborada pelos Arquivos Nacionais dos EUA e pelas ulteriores d\u00e9cadas de militarismo camuflado como democracia. O psicodrama s\u00edrio \u00e9 um exemplo disso. Uma vez mais somos ref\u00e9ns da perspectiva de um terrorismo cuja natureza e hist\u00f3ria continuam sendo negadas inclusive pelos cr\u00edticos mais liberais. A grande verdade inomin\u00e1vel \u00e9 que o inimigo mais perigoso da humanidade est\u00e1 do outro lado do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>A farsa de John Kerry e as piruetas de Barack Obama s\u00e3o temporais. O acordo de paz russo sobre armas qu\u00edmicas ser\u00e1 \u00a0tratado ao cabo do tempo com o desprezo que todos os militaristas reservam para a diplomacia. Com a al-Qaeda figurando agora entre seus aliados e com os golpistas armados pelos EUA solidamente instalados no Cairo, os EUA pretendem esmagar os \u00faltimos Estados independentes do Oriente Pr\u00f3ximo: primeiro a S\u00edria, depois o Ir\u00e3. &#8220;Esta opera\u00e7\u00e3o [na S\u00edria]&#8221;, disse o ex-ministro de exterior franc\u00eas Roland Dumas em junho, &#8220;vem de muito antes. Foi preparada, pr\u00e9-concebida e planejada&#8221;.<\/p>\n<p>Quando o p\u00fablico est\u00e1 &#8220;psicologicamente marcado&#8221;, como descreveu o rep\u00f3rter do Canal 4, Jonathan Rugman, a esmagadora oposi\u00e7\u00e3o do povo brit\u00e2nico a um ataque contra a S\u00edria, a supress\u00e3o da verdade se converte em tarefa urgente. Seja ou n\u00e3o verdade que Bashar al-Assad ou os &#8220;rebeldes&#8221; utilizaram g\u00e1s nos sub\u00farbios de Damasco, s\u00e3o os EUA, n\u00e3o a S\u00edria, o pa\u00eds do mundo que utiliza essas terr\u00edveis armas de forma mais prol\u00edfica.<\/p>\n<p>Em 1970 o Senado informou: &#8220;Os EUA derramaram no Vietn\u00e3 uma quantidade de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas t\u00f3xicas (dioxinas) equivalente a 2,7 quilos por cabe\u00e7a&#8221;. Aquela foi a denominada Opera\u00e7\u00e3o Hades, mais tarde rebatizada mais amavelmente como Opera\u00e7\u00e3o Ranch Hand, origem do que os m\u00e9dicos vietnamitas denominam &#8220;ciclo de cat\u00e1strofe fetal&#8221;. Vi gera\u00e7\u00f5es inteiras de crian\u00e7as afetadas por deforma\u00e7\u00f5es familiares e monstruosas. John Kerry, cujo expediente militar escorre sangue, seguramente que os lembra. Tamb\u00e9m os vi no Iraque, onde os EUA utilizaram ur\u00e2nio empobrecido e f\u00f3sforo branco, como o que fizeram os israelenses em Gaza. Para eles n\u00e3o houve as &#8220;linhas vermelhas&#8221; de Obama, nem o psicodrama de enfrentamento.<\/p>\n<p>O repetitivo e est\u00e9ril debate sobre se &#8220;n\u00f3s&#8221; devemos &#8220;tomar medidas&#8221; contra ditadores selecionados (ou seja, se devemos aplaudir os EUA e seus ac\u00f3litos em outra nova matan\u00e7a a\u00e9rea) forma parte de nosso lavado de c\u00e9rebro. Richard Falk, professor em\u00e9rito de Direito Internacional e relator especial da ONU sobre a Palestina, o descreve como &#8220;uma m\u00e1scara legal\/moral unidirecional com anseios de superioridade moral e cheia de imagens positivas sobre os valores ocidentais e imagens de inoc\u00eancia amea\u00e7ada cujo fim \u00e9 legitimar uma campanha de viol\u00eancia pol\u00edtica sem restri\u00e7\u00f5es&#8221;. Isso &#8220;est\u00e1 t\u00e3o amplamente aceito que \u00e9 praticamente imposs\u00edvel de questionar&#8221;.<\/p>\n<p>Se trata da maior mentira, parida por &#8220;realistas liberais&#8221; da pol\u00edtica anglo-estadunidense e por acad\u00eamicos e meios de comunica\u00e7\u00e3o auto proclamados gestores da crise mundial mais que como causantes dela. Eliminando o fator humanidade do estudo dos pa\u00edses e congelando seu discurso com uma linguagem a servi\u00e7o dos des\u00edgnios das pot\u00eancias ocidentais, endossam a etiqueta de &#8220;falido&#8221;, &#8220;delinquente&#8221; ou malvado aos Estados aos que depois infligir\u00e3o sua &#8220;interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Um ataque contra a S\u00edria ou Ir\u00e3 ou contra qualquer outro dem\u00f4nio estadunidense se basear\u00e1 em uma variante de moda, a &#8220;Responsabilidade de Proteger&#8221;, ou R2P, cujo fan\u00e1tico pregoeiro \u00e9 o ex-ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores australiano Gareth Evans, co-presidente de um &#8220;centro mundial&#8221; com base em Nova Iorque. Evans e seus grupos de press\u00e3o generosamente financiados jogam um papel propagand\u00edstico vital instando a &#8220;comunidade internacional&#8221; a atacar os pa\u00edses sobre os quais &#8220;o Conselho de Seguran\u00e7a resiste aprovar alguma proposta ou que recusa abord\u00e1-la em um prazo razo\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>O de Evans vem de longe. O personagem j\u00e1 apareceu em meu filme de 1994, Death of a Nation, que revelou a magnitude do genoc\u00eddio no Timor Leste. O risonho homem de Canberra al\u00e7a sua ta\u00e7a de champanhe para brindar por seu hom\u00f3logo indon\u00e9sio enquanto sobrevoam o Timor Leste em um avi\u00e3o australiano depois de haver firmado um tratado para piratear o petr\u00f3leo e g\u00e1s do devastado pa\u00eds em que o tirano Suharto assassinou ou matou de fome um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o mandato do &#8220;d\u00e9bil&#8221; Obama o militarismo cresceu talvez como nunca antes. Ainda que n\u00e3o haja nenhum tanque no gramado da Casa Branca, em Washington se produziu um golpe de Estado militar. Em 2008, enquanto seus devotos liberais enxugavam as l\u00e1grimas, Obama aceitou em sua totalidade o Pent\u00e1gono que lhe legava seu predecessor George Bush, completo com todas suas guerras e crimes de guerra. Enquanto a Constitui\u00e7\u00e3o vai sendo substitu\u00edda por um incipiente Estado policial, os mesmos que destru\u00edram o Iraque a base de como\u00e7\u00e3o e pavor, que converteram o Afeganist\u00e3o em uma pilha de escombros e que reduziram a L\u00edbia a um pesadelo hobbesiano, esses mesmos s\u00e3o os que est\u00e3o ascendendo na administra\u00e7\u00e3o estadunidense. Por tr\u00e1s de sua amedalhada fachada, s\u00e3o mais os antigos soldados estadunidenses que est\u00e3o se suicidando que os que morrem nos campos de batalha. No ano passado 6.500 veteranos tiraram suas vidas. A colocar mais bandeiras.<\/p>\n<p>O historiador Norman Pollack chama isso de &#8220;liberal-fascismo&#8221;: &#8220;Em lugar de soldados marchando temos a aparentemente mais inofensiva militariza\u00e7\u00e3o total da cultura. E em lugar do l\u00edder grandiloquente temos um reformista falido que trabalha alegremente no planejamento e execu\u00e7\u00e3o de assassinatos sem deixar de sorrir um instante&#8221;. Todas as ter\u00e7as-feiras, o &#8220;humanit\u00e1rio&#8221; Obama supervisiona pessoalmente uma rede terrorista mundial de avi\u00f5es n\u00e3o tripulados que reduz a mingau as pessoas, seus resgatadores e seus doentes. Nas zonas de conforto do Ocidente, o primeiro l\u00edder negro no pa\u00eds da escravid\u00e3o ainda se sente bem, como se sua mera exist\u00eancia supusesse um avan\u00e7o social, independentemente do rasto de sangue que vai deixando. Essa obedi\u00eancia a um s\u00edmbolo destruiu praticamente o movimento estadunidense contra a guerra. Essa \u00e9 a particular fa\u00e7anha de Obama.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3 Bretanha as distra\u00e7\u00f5es derivadas da falsifica\u00e7\u00e3o da imagem e da identidade pol\u00edticas n\u00e3o triunfaram completamente. A agita\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou, mas as pessoas de consci\u00eancia deveriam apressar-se. Os ju\u00edzes de Nuremberg foram sucintos: &#8220;Os cidad\u00e3os particulares t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de violar as leis nacionais para impedir que se perpetrem crimes contra a paz e a humanidade&#8221;. As pessoas normais da S\u00edria, e muito mais gente, como nossa pr\u00f3pria autoestima, n\u00e3o se merecem menos nestes momentos.<\/p>\n<p>(*) Jornalista do The Guardian. Gr\u00e3 Bretanha. Em \u201cBit\u00e1cora\u201d do Uruguai.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Liborio J\u00fanior<\/p>\n<p>Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5497\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1qF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5497\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}