{"id":5498,"date":"2013-09-30T12:03:40","date_gmt":"2013-09-30T12:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5498"},"modified":"2013-09-30T12:03:40","modified_gmt":"2013-09-30T12:03:40","slug":"comissao-recolhe-depoimentos-de-catarinenses-presas-durante-a-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5498","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o recolhe depoimentos de catarinenses presas durante a ditadura militar"},"content":{"rendered":"\n<p>Florian\u00f3polis, 05\/09\/2013 &#8211; A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade (CEV), com o apoio do grupo Coletivo Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, levantou na tarde desta quarta-feira (5) novos depoimentos de mulheres catarinenses presas durante os per\u00edodos em que vigorou o Estado de exce\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Realizado no Pal\u00e1cio Barriga Verde, em Florian\u00f3polis, o evento integra a semana que marca os 40 anos de desaparecimento do ex-deputado catarinense Paulo Stuart Wright.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a 11a edi\u00e7\u00e3o do evento, que procura reconstituir os fatos ligados \u00e0s viola\u00e7\u00f5es dos direitos pol\u00edticos e civis entre 1946 e 1988. &#8220;S\u00e3o muito conhecidas as pris\u00f5es efetuadas ap\u00f3s 1964 e a edi\u00e7\u00e3o do AI5, mas as viola\u00e7\u00f5es remontam a 18 de setembro de 1946, com a cassa\u00e7\u00e3o do Partido Comunista e chegam at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988&#8221;, destacou o coordenador da Comiss\u00e3o, Naldi Ot\u00e1vio Teixeira.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, disse, j\u00e1 foram levantados 20 mil inqu\u00e9ritos policiais emitidos pelo Doi-Codi, dos quais foram constatadas as pris\u00f5es de 15 mulheres catarinenses pela ditadura militar. As alega\u00e7\u00f5es para as deten\u00e7\u00f5es iam desde subvers\u00e3o at\u00e9 perturba\u00e7\u00e3o da ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>O objetivo do CEV \u00e9 reunir as informa\u00e7\u00f5es em um relat\u00f3rio, que posteriormente ser\u00e1 encaminhado ao governador do Estado e \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. \u201cN\u00e3o estamos julgando ningu\u00e9m e nem levantando bandeiras, mas apenas apurando os fatos, que precisam ser levados ao conhecimento da sociedade catarinense&#8221;, informou o coordenador.<\/p>\n<p>Depoimentos marcados pela emo\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao todo, foram registrados os depoimentos de sete catarinenses, hist\u00f3rias marcadas pela emo\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a de que fatos semelhantes n\u00e3o voltem a acontecer. Um dos relatos mais contundentes foi apresentado pela dentista e historiadora lagunense Marlene Soccas. Ex-integrante da Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares (VAR-Palmares), Marlene foi presa em S\u00e3o Paulo em maio de 1970, onde permaneceu por dois anos e meio. &#8220;Fui levada para a sede da Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante (Oban), centro clandestino do Ex\u00e9rcito e financiado por empres\u00e1rios para cassar, torturar e matar os opositores do regime e que mais tarde se transformou no Doi-Codi&#8221;.<\/p>\n<p>Ela relembrou os doze dias em que foi submetida pelos militares a torturas, f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, para que entregasse os demais companheiros. &#8220;J\u00e1 no come\u00e7o mandavam tirar toda a roupa, para nos deixar em uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, \u00e0 qual se seguiam choques el\u00e9tricos, palmat\u00f3rias, pancadas e agress\u00f5es f\u00edsicas em aparelhos como pau-de-arara e cadeira drag\u00e3o&#8221;, contou.<\/p>\n<p>Marlene recorda que na Oban conheceu a atual presidente Dilma Rousseff, que havia sido encarcerada no local quatro meses antes. &#8220;N\u00e3o \u00e9ramos coitadinhos, sab\u00edamos perfeitamente dos riscos que corr\u00edamos, mas est\u00e1vamos dispostos a pagar para que houvesse uma transforma\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds&#8221;, frisou.<\/p>\n<p>Um caso curioso levantado durante a audi\u00eancia e que demonstra o rigor pol\u00edtico e social vigente na \u00e9poca, foi relatado por Rosangela de Souza, detida em 30 de novembro de 1979, aos 23 anos, por ter &#8220;faltado com o respeito com o general Figueiredo&#8221;, presidente do pa\u00eds na ocasi\u00e3o. &#8220;Eu era estudante de Direito na UFSC e com meus colegas, organizei uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica contra o governo. Foi o suficiente para ser presa por dez dias e responder processo no Tribunal Militar em Curitiba&#8221;. A deten\u00e7\u00e3o aconteceu no Hospital Militar, em Florian\u00f3polis, onde permaneceu incomunic\u00e1vel por oito dias, sendo interrogada e amea\u00e7ada continuamente.<\/p>\n<p>Hoje advogada, Ros\u00e2ngela destacou que diversas informa\u00e7\u00f5es referentes ao per\u00edodo militar ainda n\u00e3o s\u00e3o do conhecimento da sociedade. &#8220;Tivemos acesso a uma pequena parte dos arquivos, principalmente do Ex\u00e9rcito, mas ainda falta liberar os documentos da Marinha, respons\u00e1vel pelos piores casos de tortura e desaparecimentos. Estamos pressionando a presidente Dilma para que isso aconte\u00e7a, mas ainda h\u00e1 uma grande press\u00e3o dos militares para que certos acontecimentos n\u00e3o venham a p\u00fablico&#8221;, observou. Durante a audi\u00eancia foram ouvidos ainda os relatos de Derlei Catarina de Luca, Rosimeri Cardoso, Maria Isabel Camargo Regis, Raquel Felou e Marize Lippel.<\/p>\n<p>Fonte: Alexandre Back \u2013 Ag\u00eancia Alesc<\/p>\n<p>Nota do Secretariado Nacional: Marlene Soccas \u00e9 militante do PCB, em Crici\u00fama (SC)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5498\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-5498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1qG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5498\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}