{"id":5512,"date":"2013-09-30T23:03:40","date_gmt":"2013-09-30T23:03:40","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5512"},"modified":"2013-09-30T23:03:40","modified_gmt":"2013-09-30T23:03:40","slug":"entreguismo-de-fazer-inveja-a-fhc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5512","title":{"rendered":"Entreguismo de fazer inveja a FHC"},"content":{"rendered":"\n<p>Leil\u00e3o das reservas do pr\u00e9-sal, maior crime de lesa-p\u00e1tria desde 1500<\/p>\n<p>O governo decidiu antecipar, para outro pr\u00f3ximo, o leil\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo da camada pr\u00e9-sal do campo de Libra, na Bacia de Santos, que representa a maior descoberta de petr\u00f3leo j\u00e1 feita no pa\u00eds. Se realizado, o leil\u00e3o vai entregar aos interesses das empresas multinacionais um volume de reservas estimadas, oficialmente, entre 8 e 12 bilh\u00f5es de barris.<\/p>\n<p>As empresas estrangeiras, pelo contrato em regime de partilha, poder\u00e3o ficar com at\u00e9 70% desse volume. A empresa Pr\u00e9-Sal Petr\u00f3leo S.A. (PPSA), empresa estatal prevista pelo novo marco regulat\u00f3rio do setor, ter\u00e1 a atribui\u00e7\u00e3o de vender a parcela do petr\u00f3leo que cabe ao governo nos contratos de partilha, e a lei permite que a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo \u2013 ANP fa\u00e7a um contrato diretamente com a PPSA, sem licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo ter\u00e1\u00a0ganhos com a realiza\u00e7\u00e3o e a antecipa\u00e7\u00e3o do leil\u00e3o, pois certamente usar\u00e1\u00a0como pe\u00e7a de propaganda o montante de investimentos previstos para a prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o das reservas, de cerca de cerca de R$ 60 bilh\u00f5es. Com os R$ 15 bilh\u00f5es que receber\u00e1 pelos \u201cb\u00f4nus de assinatura\u201d (quantia paga diretamente pelas empresas participantes), poder\u00e1 fazer frente \u00e0 sua necessidade, de curto prazo, de fazer caixa para \u201cfechar as contas\u201d.<\/p>\n<p>Extra\u00e7\u00e3o descontrolada no curto prazo<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo seguir\u00e1, nos pr\u00f3ximos anos, como um excelente neg\u00f3cio, dado que os pre\u00e7os internacionais que se situam acima dos 100 d\u00f3lares por barril, h\u00e1\u00a0muitos anos,\u00a0 mesmo com a continua\u00e7\u00e3o da grave crise econ\u00f4mica mundial. A explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, a se manterem os n\u00edveis atuais de produ\u00e7\u00e3o e consumo, tem um horizonte de vida comercial estimado entre 40 e 70 anos, de acordo com as principais fontes do setor. Para o Brasil, a ANP estima em 40 anos o horizonte de explora\u00e7\u00e3o comercial.\u00a0 Dadas as altas taxas de lucro que podem ser obtidas no curto prazo, as empresas, seguindo a sua racionalidade capitalista,\u00a0 tendem a retirar a maior quantidade poss\u00edvel no prazo mais curto.<\/p>\n<p>As elevadas margens de lucro com que as empresas do setor operam, hoje, s\u00e3o explicadas pelos altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, que certamente n\u00e3o cair\u00e3o, uma vez que as tend\u00eancias de consumo s\u00e3o crescentes e o volume de reservas conhecidas mundiais tende a cair, ainda que haja novas descobertas, o n\u00famero de novas descobertas \u00e9 cada vez menor. Os custos do setor, os valores v\u00e3o de 17 d\u00f3lares por barril, no oriente m\u00e9dio, a cerca de 40 d\u00f3lares para as opera\u00e7\u00f5es em \u00e1guas superprofundas, como as da bacia de campos. No \u00c1rtico, em condi\u00e7\u00f5es extremamente severas, os custos, mesmo chegando a 60 d\u00f3lares, ainda s\u00e3o mais do que compensados pelo elevado pre\u00e7o do produto.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0por acaso que a maior empresas do mundo, em 2012, tenha sido a Exxon Mobil, uma petroleira norteamericana com 433 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em vendas, e que houvesse outras 3 petrol\u00edferas entre as 10 maiores daquele ano. Tampouco \u00e9 por acaso que, dada a perspectiva de escassez para os pr\u00f3ximos anos, os Estados Unidos e outros pa\u00edses capitalistas desenvolvidos importadores de petr\u00f3leo recrudescem suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares para garantir o dom\u00ednio de reservas fora de seu territ\u00f3rio, como comprovam as recentes interven\u00e7\u00f5es militares no Iraque e na L\u00edbia, a manuten\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as pol\u00edticas e militares entre os EUA e as monarquias absolutistas petroleiras do Oriente M\u00e9dio, como Dubai, Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes.<\/p>\n<p>As reservas de petr\u00f3leo da camada pr\u00e9-sal s\u00e3o estrat\u00e9gicas para o Brasil, uma oportunidade superar a pobreza e a exclus\u00e3o dos direitos sociais b\u00e1sicos que marcam a maior parte dos trabalhadores brasileiros, para investir na Educa\u00e7\u00e3o e na Sa\u00fade, para torn\u00e1-las p\u00fablicas, universais e de alta qualidade, para prover emprego e bons sal\u00e1rios para todos, para prover a infraestrutura urbana e produtiva, para a pesquisa de energias alternativas e v\u00e1rias outras demandas sociais.<\/p>\n<p>Por baixo, US$ 500 bilh\u00f5es de presente aos empres\u00e1rios<\/p>\n<p>O governo brasileiro segue praticando uma pol\u00edtica de entregar as riquezas nacionais ao grande capital privado, sem qualquer contrapartida significativa para a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira, a classe trabalhadora, na l\u00f3gica de promover mais privatiza\u00e7\u00f5es e oferecer mais facilidades para a reprodu\u00e7\u00e3o do capital. A conta \u00e9 simples: 10 bilh\u00f5es de barris a um pre\u00e7o de 100 d\u00f3lares por barril (calculado por baixo) s\u00e3o 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Descontados os custos (de 50%, calculados por cima), s\u00e3o 500 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, dos quais 150 bilh\u00f5es ficar\u00e3o com a nova estatal do petr\u00f3leo e 350 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ficar\u00e3o com as empresas estrangeiras. Mesmo com a parcela retida pelo governo na forma de royalties (cuja finalidade essencial \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o ao meio-ambiente), e somado o montante a ser recebido com os b\u00f4nus de assinatura, o que fica com o governo \u00e9 muito pouco, comparado com os ganhos das empresas privadas.<\/p>\n<p>Essa riqueza n\u00e3o pode se perder na sanha da explora\u00e7\u00e3o privada. \u00c9\u00a0preciso lutar contra o leil\u00e3o do campo de Libra e de outras \u00e1reas, pela Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores, para que possamos usar os recursos petrol\u00edferos com uma racionalidade diametralmente oposta \u00e0 do lucro privado, a racionalidade da classe trabalhadoras, da igualdade e da justi\u00e7a social. Esse leil\u00e3o \u00e9 o maior crime de lesa-p\u00e1tria desde 1500.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5512\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-5512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c35-o-petroleo-tem-que-ser-nosso"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1qU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}