{"id":553,"date":"2010-06-12T22:51:02","date_gmt":"2010-06-12T22:51:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=553"},"modified":"2010-06-12T22:51:02","modified_gmt":"2010-06-12T22:51:02","slug":"ha-decadas-israel-comete-crimes-como-o-do-ataque-a-flotilha-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/553","title":{"rendered":"H\u00e1 d\u00e9cadas Israel comete crimes como o do ataque \u00e0 Flotilha da Paz"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"justify\">O ataque violento de Israel \u00e0 Flotilha da Liberdade que levava ajuda humanit\u00e1ria \u00e0 Faixa de Gaza chocou o mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sequestrar barcos em \u00e1guas internacionais e matar passageiros \u00e9, com certeza, um crime grave. Mas o crime n\u00e3o \u00e9 nada novo.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 d\u00e9cadas, Israel vem sequestrando barcos entre o Chipre e o L\u00edbano e matando ou sequestrando passageiros, algumas vezes mantendo-os como ref\u00e9ns em pris\u00f5es israelenses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Israel sup\u00f5e que pode cometer tais crimes com impunidade porque os Estados Unidos os toleram e a Europa geralmente segue a dire\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como os editores do The Guardian muito bem observaram em 1\u00ba de junho, &#8220;se ontem um grupo armado de piratas somalis tivesse entrado em seis barcos em alto mar, matando pelo menos 10 passageiros e ferindo muitos outros, uma for\u00e7a-tarefa da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) estaria se dirigindo hoje para a costa somali&#8221;. Nesse caso, o tratado da Otan determina que seus membros prestem ajuda a um pa\u00eds companheiro na Otan &#8211; a Turquia &#8211; atacado em alto mar.<\/p>\n<p align=\"justify\">O pretexto de Israel para o ataque foi que a Flotilha da Liberdade estava transportando materiais que o Hamas poderia usar para construir bunkers e lan\u00e7ar foguetes contra Israel.<\/p>\n<p align=\"justify\">O pretexto n\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel, Israel pode facilmente colocar um fim na amea\u00e7a dos foguetes por meios pac\u00edficos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O contexto hist\u00f3rico \u00e9 importante. O Hamas foi considerado uma maior amea\u00e7a terrorista quando venceu uma elei\u00e7\u00e3o livre em janeiro de 2006. Os Estados Unidos e Israel refor\u00e7aram suas puni\u00e7\u00f5es aos palestinos, agora pelo crime de votarem da forma errada.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cerco a Gaza, incluindo um bloqueio naval, foi uma consequ\u00eancia. O cerco se intensificou acentuadamente em junho de 2007, depois que uma guerra civil colocou o Hamas no controle do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que \u00e9 comumente descrito com um golpe militar do Hamas foi, na verdade, incitado pelos Estados Unidos e por Israel, em uma rude tentativa de reverter as elei\u00e7\u00f5es que tinham levado o Hamas ao poder.<\/p>\n<p align=\"justify\">Isso \u00e9 de conhecimento p\u00fablico desde pelo menos abril de 2008, quando David Rose relatou na Vanity Fair que George W. Bush, a conselheira de Seguran\u00e7a Nacional Condoleezza Rice e seu vice, Elliott Abrams, &#8220;apoiaram uma for\u00e7a armada sob o comando do homem forte do Fatah Muhammad Dahlan, desencadeando uma sangrenta guerra civil em Gaza e deixando o Hamas mais forte do que nunca&#8221;. O terror do Hamas inclu\u00eda lan\u00e7ar foguetes nas cidades israelenses pr\u00f3ximas &#8211; ato criminoso, sem d\u00favida, embora seja apenas uma min\u00fascula fra\u00e7\u00e3o dos crimes rotineiros dos Estados Unidos e de Israel em Gaza.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em junho de 2008, Israel e o Hamas firmaram um acordo de cessar-fogo. O governo israelense o reconheceu formalmente at\u00e9 que Israel quebrou o acordo em 4 de novembro daquele ano, invadindo Gaza matando meia d\u00fazia de ativistas do Hamas. O Hamas n\u00e3o disparou um \u00fanico foguete.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Hamas prop\u00f4s renovar o cessar-fogo. O gabinete israelense avaliou a oferta e a rejeitou, preferindo lan\u00e7ar sua invas\u00e3o assassina de Gaza em 27 de dezembro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim como outros estados, Israel tem o direito \u00e0 autodefesa. Mas Israel tinha o direito de usar a for\u00e7a em Gaza em nome da autodefesa? A lei internacional, incluindo a Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, n\u00e3o apresenta ambiguidades: uma na\u00e7\u00e3o tem esse direito apenas se esgotarem os meios pac\u00edficos. Neste caso, tais meios n\u00e3o foram sequer tentados, embora &#8211; ou talvez porque &#8211; houvesse todas as raz\u00f5es para se supor que teriam funcionado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dessa forma, a invas\u00e3o foi uma agress\u00e3o claramente criminosa, e o mesmo pode ser dito sobre Israel ter recorrido \u00e0 for\u00e7a contra a flotilha. O cerco \u00e9 brutal. \u00c9 o \u00faltimo est\u00e1gio dos antigos planos israelenses, respaldados pelos Estados Unidos, para separar Gaza da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A jornalista israelense Amira Hass, uma importante especialista em Gaza, descreve a hist\u00f3ria do processo de separa\u00e7\u00e3o: &#8220;as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o de palestinos que Israel introduziu em janeiro de 1991 reverteram um processo iniciado em junho de 1967. Naquela \u00e9poca &#8211; e pela primeira vez desde 1948 -, grande parte da popula\u00e7\u00e3o palestina vivia novamente no territ\u00f3rio aberto de um \u00fanico pa\u00eds &#8211; sem d\u00favida, um pa\u00eds que estava ocupado, mas, no entanto, estava inteiro&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hass conclui: &#8220;A separa\u00e7\u00e3o total da Faixa de Gaza da Cisjord\u00e2nia \u00e9 uma das maiores realiza\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica israelense, cujo objetivo preponderante \u00e9 evitar uma solu\u00e7\u00e3o baseada em decis\u00f5es e entendimentos internacionais e, em vez disso, ditar um acordo baseado na superioridade militar de Israel&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Flotilha da Liberdade desafiou essa pol\u00edtica e, por isso, deve ser esmagada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um esquema para encerrar o conflito \u00e1rabe-israelense existe desde 1976, quando os pa\u00edses \u00e1rabes introduziram uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a exigindo o estabelecimento de dois estados na fronteira internacional, incluindo todas as garantias de seguran\u00e7a da Resolu\u00e7\u00e3o 242 das Na\u00e7\u00f5es Unidas, adotada depois da guerra de junho de 1967.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os princ\u00edpios essenciais s\u00e3o virtualmente apoiados pelo mundo todo, incluindo a Liga \u00c1rabe, a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Isl\u00e2micos (incluindo o Ir\u00e3) e protagonistas importantes que n\u00e3o s\u00e3o estados, incluindo o Hamas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas os Estados Unidos e Israel lideraram a rejei\u00e7\u00e3o a esse arranjo por tr\u00eas d\u00e9cadas, com uma exce\u00e7\u00e3o crucial e altamente instrutiva. Em seu \u00faltimo m\u00eas no cargo, em janeiro de 2001, o presidente Bill Clinton iniciou em Taba, no Egito, as negocia\u00e7\u00f5es entre israelenses e palestinos, que quase chegaram a um acordo, anunciaram os participantes, at\u00e9 que Israel encerrou as negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje, o legado cruel de uma paz fracassada continua a existir.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cumprimento da lei internacional n\u00e3o pode ser exigido contra os estados poderosos, a menos que por seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os. Isso \u00e9 sempre uma tarefa dif\u00edcil, particularmente quando a opini\u00e3o articulada declara que o crime seja legitimado, seja explicitamente ou por meio da ado\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de um sistema criminal &#8211; o que \u00e9 mais insidioso, porque torna os crimes invis\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.wftucentral.org\n\n\n\n\n\n\n\n\nEscrito por Noam Chomsky\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/553\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-553","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8V","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}