{"id":5550,"date":"2013-10-11T13:41:14","date_gmt":"2013-10-11T13:41:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5550"},"modified":"2013-10-11T13:41:14","modified_gmt":"2013-10-11T13:41:14","slug":"qos-eua-sao-o-pior-inimigo-da-democracia-nas-relacoes-internacionaisq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5550","title":{"rendered":"&#8220;Os EUA s\u00e3o o pior inimigo da democracia nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>entrevistado por Jo\u00e3o Novaes e Rodolfo Machado<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O fil\u00f3sofo, historiador e cientista pol\u00edtico italiano Domenico Losurdo est\u00e1 agora no Brasil para uma s\u00e9rie de atividades e palestras. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Nesta entrevista, concedida em S. Paulo \u00e0 ag\u00eancia Opera Mundi, o professor da Universidade de Urbino desmonta fal\u00e1cias propaladas pela ideologia do liberalismo. A pot\u00eancia imperial e os sociais-democratas europeus que a apregoam s\u00e3o aqui escalpelizados.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Opera Mundi: Como podemos classificar o atual momento do liberalismo no s\u00e9culo XXI? Ao mesmo tempo em que o mundo se encontra em uma crise econ\u00f4mica que j\u00e1 dura cinco anos, os liberais t\u00eam obtido sucesso no processo de desmantelamento do estado de bem-estar social. <\/strong><\/p>\n<p>Domenico Losurdo: O liberalismo est\u00e1 em crise. Voc\u00ea tem raz\u00e3o quando fala do desmantelamento do estado de bem-estar social na Europa. Mas isso ocorre porque estamos em um momento de fraqueza. No fim da II Guerra Mundial, foram o movimento oper\u00e1rio e os movimentos populares que conquistaram o estado de bem-estar social, em um momento onde o comunismo contava com muita estima e exercia grande influ\u00eancia.<\/p>\n<p>No decorrer da crise atual, esse ataque ao estado social est\u00e1 fazendo com que muitos comecem a colocar em quest\u00e3o o sistema capitalista liberal. Foram criadas uma s\u00e9rie de ilus\u00f5es ap\u00f3s o fim da Guerra Fria, quando se falou at\u00e9 mesmo em &#8220;Fim da Hist\u00f3ria&#8221; [pelo cientista pol\u00edtico Francis Fukuyama] j\u00e1 que o liberalismo teria triunfado em n\u00edvel planet\u00e1rio. Hoje isso \u00e9 ridicularizado.<\/p>\n<p>No contexto internacional vemos outros aspectos dessa crise: a decad\u00eancia econ\u00f4mica do capitalismo ocidental corresponde \u00e0 ascens\u00e3o de pa\u00edses como a China. E a China n\u00e3o segue os ditames do &#8220;consenso de Washington&#8221;, onde o mercado domina tudo e o estado n\u00e3o tem papel na economia. O que presenciamos agora \u00e9 o &#8220;consenso de Pequim&#8221;, que defende a interven\u00e7\u00e3o do estado na economia.<\/p>\n<p><strong>OM: Sob o ponto de vista eleitoral, na Europa, Angela Merkel venceu mais uma vez. J\u00e1 a social-democracia, a centro-esquerda, n\u00e3o soube aproveitar as vit\u00f3rias nos \u00faltimos anos para realizar transforma\u00e7\u00f5es em seus mandatos, enquanto os partidos de esquerda, salvo o grego Syriza, n\u00e3o apresentaram programas que chamaram aten\u00e7\u00e3o de parte consider\u00e1vel do eleitorado. <\/strong><\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/losurdo\/imagens\/democracia_ou_bonapartismo.jpg?w=747\" border=\"0\" align=\"right\" \/>DL: De acordo. Na Europa ainda vemos uma desorganiza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que podem ser alternativas ao sistema dominante. No momento, esse sistema pol\u00edtico europeu \u00e9 constitu\u00eddo pelo que chamo de monopartidarismo competitivo, uma categoria que elaborei em meu livro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.livrariaunesp.com.br\/livrariaunesp\/Produto\/10587\/DEMOCRACIA+OU+BONAPARTISMO\" target=\"_blank\"><em>Democracia ou Bonapartismo<\/em><\/a> . Ou seja, os partidos que certamente t\u00eam alguma competitividade s\u00e3o express\u00f5es da mesma classe social, da grande burguesia, exprimem mais ou menos a mesma ideologia e perseguem projetos pol\u00edticos quase semelhantes.<\/p>\n<p>J\u00e1 os partidos populares s\u00e3o muito fracos, n\u00e3o podemos ignorar. Por outro lado, na opini\u00e3o p\u00fablica, o prest\u00edgio do capitalismo liberal se encontra muito enfraquecido. O problema \u00e9 como transformar esse descontentamento que se desenvolve em projeto pol\u00edtico concreto. E devo reconhecer que, infelizmente, a esquerda e os comunistas est\u00e3o em grande atraso.<\/p>\n<p><strong>OM: Em suas palestras o sr. cita frequentemente John Locke, ao mesmo tempo pai do liberalismo e associado \u00e0 African Company, que explorava a escravid\u00e3o a seu tempo. Isso lembra, aqui no Brasil, o discurso da corrente liberal dominante que defende a tese do estado m\u00ednimo alegando que o poder p\u00fablico \u00e9 obeso, incapaz de gerir uma sociedade cada dia mais complexa e din\u00e2mica. Em resposta, s\u00e3o lembrados os pedidos de ajuda dos bancos aos governos e que grandes sucessos privados como Google e Apple hoje s\u00e3o o que s\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 ajuda governamental e \u00e0 interven\u00e7\u00e3o estatal. O senhor est\u00e1 de acordo que exista essa dicotomia constante no discurso liberal? <\/strong><\/p>\n<p>DL: A tese do estado m\u00ednimo \u00e9 ideol\u00f3gica e uma auto apologia. Pegando o exemplo de um pa\u00eds como os Estados Unidos, o estado \u00e9 m\u00ednimo na rela\u00e7\u00e3o de direitos econ\u00f4micos e sociais, na garantia dos direitos da sa\u00fade, por exemplo. Mas n\u00e3o se considerarmos o aparato policial e militar. Os dois aspectos devem ser considerados.<\/p>\n<p>O presidente dos EUA, Barack Obama, tem o poder de decidir sozinho qual suspeito de terrorismo pode ser eliminado. Isso n\u00e3o tem a ver com garantias liberais. O presidente dos EUA tem at\u00e9 mesmo o poder de iniciar uma guerra, n\u00e3o precisa nem mesmo da aprova\u00e7\u00e3o do Congresso \u2013 ele o fez agora no caso da S\u00edria, mas n\u00e3o tinha necessidade jur\u00eddica para isso.<\/p>\n<p>Cito Immanuel Kant que apresentou a seguinte quest\u00e3o: &#8220;Como podemos saber se um l\u00edder \u00e9 d\u00e9spota ou n\u00e3o?&#8221; Quando um l\u00edder pol\u00edtico diz que a guerra deve ser feita e esta acontece. \u00c9 aquele que pode decidir sozinho ou quase sozinho o in\u00edcio de uma guerra. Se considerarmos essa afirma\u00e7\u00e3o correta, ent\u00e3o devemos considerar Obama um d\u00e9spota, segundo Kant. Portanto, o Estado n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o m\u00ednimo quanto a propaganda apresenta.<\/p>\n<p>Sobre os direitos econ\u00f4micos e sociais no estado m\u00ednimo, Marx j\u00e1 escreveu como este funcionava: a extrema polariza\u00e7\u00e3o social e a presen\u00e7a de uma pequena minoria de luxo de um lado, com extrema pobreza de outro, devem ser tratadas como temas privados. Mas quando h\u00e1 crise econ\u00f4mica de grande envergadura, mesmo o estado liberal m\u00ednimo deixa de s\u00ea-lo porque procura socializar os preju\u00edzos enquanto o lucro \u00e9 privatizado. \u00c9 assim que funciona o estado liberal.<\/p>\n<p><strong>OM: O liberalismo tamb\u00e9m se arroga como um leg\u00edtimo defensor da liberdade, em contraposi\u00e7\u00e3o ao socialismo. Em sua opini\u00e3o, como esse conceito e o da democracia devem ser desenvolvidos a partir de uma \u00f3tica de esquerda? <\/strong><\/p>\n<p>DL: Acredito que a esquerda, incluindo a comunista, deve evitar um erro que cometeu no passado: o Estado de Direito e demais garantias jur\u00eddicas para os direitos individuais n\u00e3o s\u00e3o apenas institui\u00e7\u00f5es formais, mas liberdades muito importantes, parte integrante da democracia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, vejamos todos os demais aspectos: Marx descreve, no\u00a0<em>Manifesto Comunista, <\/em>que dentro da f\u00e1brica, no local de trabalho ou produ\u00e7\u00e3o, existe sempre uma forma de despotismo. N\u00e3o somente pelos baixos sal\u00e1rios dos trabalhadores, mas esse \u00e9 s\u00f3 um dos pontos.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e9 tanto no plano econ\u00f4mico quanto no pol\u00edtico. Outro exemplo com os Estados Unidos: os empres\u00e1rios fazem o que querem com os trabalhadores, mandam-nos para o olho da rua sem garantias trabalhistas, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. E tamb\u00e9m \u00e9 muito dif\u00edcil e perigoso para os trabalhadores formarem um sindicato, porque sempre ocorre chantagem de todos os lados.<\/p>\n<p>Terceiro aspecto: se pegamos, por exemplo, um estado como Israel, as garantias que s\u00e3o acordadas aos cidad\u00e3os israelenses correspondem \u00e0 total falta de garantias aos palestinos. \u00c9 rid\u00edculo para um regime que se diz democrata julgar sem a abstra\u00e7\u00e3o daqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos de garantias. Em Israel est\u00e1 muito claro: garantias para os privilegiados; e pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, expropria\u00e7\u00e3o de terras, tortura e mesmos os assassinatos dos desprovidos.<\/p>\n<p>Outro aspecto no contexto internacional em que ainda vemos a persist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es de despotismo: se os pa\u00edses ocidentais pedem \u00e0 ONU que esta autorize uma guerra e ela os legitima, respeitam a decis\u00e3o. Mas se ela se recusa a legitim\u00e1-la, o ocidente faz a guerra do mesmo jeito. Isso \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o total da democracia. O ocidente reivindica para ele mesmo, e s\u00f3 para ele, o direito de dar in\u00edcio a uma guerra mesmo sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 qualquer democracia nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p>E se ainda acrescentarmos a quest\u00e3o da espionagem universal, denunciada pela presidente brasileira Dilma Rousseff, podemos concluir que s\u00e3o os Estados Unidos o pior inimigo da democracia nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p>Cito o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt [tamb\u00e9m conhecido pelas iniciais FDR] quando, durante a II Guerra Mundial, pronunciou o c\u00e9lebre discurso das &#8220;Quatro Liberdades&#8221; (o 4 Freedoms), em 1941. Nesse contexto, FDR diz n\u00e3o somente sobre as liberdades liberais cl\u00e1ssicas, de express\u00e3o e cren\u00e7a, mas de viver sem pen\u00faria e medo.<\/p>\n<p>Considerando isso, qual pa\u00eds que pretende apagar liberdades, mesmo em n\u00edvel internacional, atrav\u00e9s do consenso de Washington e pelas organiza\u00e7\u00f5es controladas ou hegemonizadas pelos EUA, como o Banco Mundial e o FMI? Esfacelando o [estado] de bem-estar social, ou seja, a liberdade de viver sem pen\u00faria?<\/p>\n<p>Sobre a liberdade de viver sem medo, FDR se dirigia \u00e0 Alemanha nazista \u2013 e com toda raz\u00e3o, porque ela representava a todo o mundo e principalmente aos vizinhos uma amea\u00e7a constante de agress\u00e3o, dificultando a vida com liberdades democr\u00e1ticas dentro de um contexto de militariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E qual estado hoje faz baixar a amea\u00e7a de agress\u00e3o? Quem tem bases militares em todo o mundo? Quem reivindica o direito de intervir nos outros? Mesmo com as liberdades teorizadas pelo presidente dos EUA, podemos dizer que hoje o pior inimigo delas s\u00e3o exatamente os Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>OM: A Am\u00e9rica Latina conseguiu desenvolver, com os governos de esquerda dos \u00faltimos anos, uma resposta satisfat\u00f3ria e sustent\u00e1vel \u00e0 corrente neoliberal nascida atrav\u00e9s do consenso de Washington? E os governos de esquerda que optaram pelo caminho da reforma sem ruptura, eles podem ser comparados \u00e0 social-democracia europeia? <\/strong><\/p>\n<p>DL: \u00c9 um erro, sob o plano pol\u00edtico e filos\u00f3fico, comparar os movimentos de esquerda na Am\u00e9rica Latina com a social-democracia europeia. Na pol\u00edtica externa, por exemplo, eles se colocaram em posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0s pol\u00edticas de guerra dos EUA, como na L\u00edbia e na S\u00edria.<\/p>\n<p>Todos podem ver que o &#8220;socialista&#8221; Fran\u00e7ois Hollande [presidente da Fran\u00e7a] \u00e9 um dos maiores campe\u00f5es da guerra. Seria falso comparar essas duas realidades. Na Europa, os autoproclamados partidos socialistas fazem parte de uma esquerda que defino pessoalmente como &#8220;esquerda imperial&#8221;, uma esquerda bem entre aspas. N\u00e3o temos esse fen\u00f4meno da esquerda imperial na Am\u00e9rica Latina. Enquanto pa\u00edses como a Fran\u00e7a s\u00e3o governados por esses dirigentes que se dizem &#8220;socialistas&#8221;, estes desenvolvem um programa explicitamente colonial.<\/p>\n<p>De outro lado, vemos a Am\u00e9rica Latina sob a dire\u00e7\u00e3o de novos partidos, alguns mais, outros menos \u00e0 esquerda, que continuam a luta contra a Doutrina Monroe. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana foi a primeira a question\u00e1-la. Hoje vemos que muitos a contestam, ela n\u00e3o tem mais o prest\u00edgio de outrora.<\/p>\n<p>Muito dessa luta contra a Doutrina Monroe, contra o imperialismo e o perigo de interven\u00e7\u00e3o colonial fez com que os latino-americanos compreendessem a necessidade de transformar a economia. Na luta para salvaguardar a independ\u00eancia econ\u00f4mica, muitos passaram a contestar o consenso de Washington.<\/p>\n<p>\u00c0 luz da pol\u00edtica estrangeira e econ\u00f4mica, a tend\u00eancia principal da regi\u00e3o \u00e9 de esquerda e progressista. H\u00e1 pa\u00edses mais avan\u00e7ados do que outros, enquanto um terceiro grupo come\u00e7a a tra\u00e7ar esse caminho. Penso que, num futuro pr\u00f3ximo, a Am\u00e9rica Latina vai exercer um papel importante e progressista sobre o plano nacional e internacional.<\/p>\n<p><strong>A PRODU\u00c7\u00c3O DE EMO\u00c7\u00d5ES, NOVO INSTRUMENTO DE CONTROLE DA CLASSE DOMINANTE<\/strong><\/p>\n<p><strong>OM: No final de\u00a0<em>Democracia ou Bonapartismo, <\/em>o senhor afirma que vivemos uma fase de &#8220;desemancipa\u00e7\u00e3o. A tal ponto em que a chamada &#8216;Revolta de Los Angeles&#8217;, de 1992, foi um caso de racismo institucional que mostra que os negros s\u00f3 podem protestar recorrendo a uma esp\u00e9cie de &#8216;jacquerie&#8217; urbana, de revolta enraivecida e destrutiva, que, no entanto, em nada modifica o status quo existente&#8221;. Num contexto de crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica na Europa, de ocaso da chamada Primavera \u00c1rabe, de guerra civil na S\u00edria: qual o sentido que deveriam tomar as mobiliza\u00e7\u00f5es populares para, de fato, modificar o estado de coisas existente no capitalismo do s\u00e9culo XXI? <\/strong><\/p>\n<p>DL: Em\u00a0<em>Democracia ou Bonapartismo, <\/em>quando falo de desemancipa\u00e7\u00e3o fa\u00e7o refer\u00eancia ao Ocidente. Vejamos como exemplo o j\u00e1 falado desmantelamento do Estado de bem-estar social. Nessa situa\u00e7\u00e3o, e no seio do contexto do &#8220;monopartidarismo competitivo&#8221;, as classes populares n\u00e3o tem mais representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Parlamento, est\u00e3o exclu\u00eddas. N\u00e3o sou eu que digo isso: h\u00e1 pesquisadores dos EUA que se referem ao seu pa\u00eds como uma plutocracia, ou seja, o poder emanado da riqueza. Nesse contexto, as classes populares n\u00e3o t\u00eam possibilidade de serem representadas no Parlamento.<\/p>\n<p>Portanto, o que ocorreu em Londres em 2011 e em outras cidades recentemente, esses grandes protestos populares, j\u00e1 foi cantado o que aconteceria depois. Na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, houve primeiro a explos\u00e3o de c\u00f3lera, com queimas de propriedades de aristocratas, mas em seguida a situa\u00e7\u00e3o sempre se voltava para o restabelecimento do poder da aristocracia. E hoje vemos exatamente a mesma coisa. Como foram os casos de Los Angeles em 1992 e mais recentemente em Londres e at\u00e9 Paris. Estou totalmente de acordo.<\/p>\n<p>Podemos acrescentar um exemplo parecido: quando os EUA come\u00e7aram a segunda Guerra do Golfo contra o Iraque, em 2003, houve grande base de oposi\u00e7\u00e3o e protestos contra a guerra. J\u00e1 em 2011, na guerra contra a L\u00edbia, n\u00e3o houve nada digno de nota. A\u00ed reside a fraqueza dos movimentos espont\u00e2neos, que se mostra cada vez mais forte porque a grande plutocracia controla a m\u00eddia, os jornais, a TV.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Oriente M\u00e9dio \u00e9 diferente. De um lado h\u00e1 grandes movimentos populares; de outro temos tentativas de recoloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. E porque isso? De um lado, para favorecer Israel, que precisa da destrui\u00e7\u00e3o de todos os outros pa\u00edses. Do outro h\u00e1 o programa-chave dos EUA, e de Obama em particular, de concentrar o aparato militar contra a China na \u00c1sia. E com colabora\u00e7\u00e3o dos poderes coloniais europeus tradicionais, Fran\u00e7a e Reino Unido, que foram encorajados a restabelecer algum tipo de domina\u00e7\u00e3o neocolonial por l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>OM: Em suas pesquisas, o senhor destaca o racismo e a ind\u00fastria do anticomunismo, como componentes articulados da hist\u00f3ria norte-americana. &#8220;A segrega\u00e7\u00e3o e o linchamento dos negros era um m\u00e9todo peculiar de combater os comunistas&#8221;. O &#8220;bonapartismo soft&#8221; dos EUA refor\u00e7a a recorr\u00eancia de um estado racial e de uma democracia para o povo dos senhores [termo de Losurdo para se referir ao povo opressor]? O senhor poderia desenvolver esse ponto? <\/strong><\/p>\n<p>DL: Devemos fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre o plano hist\u00f3rico e o atual. Est\u00e1 claro que, para o povo dos senhores, o norte-americano, os EUA eram uma democracia. \u00c9 rid\u00edculo quando [os ex-presidentes dos EUA] Bill Clinton e mesmo Barack Obama disseram que os EUA s\u00e3o a mais antiga democracia do mundo. \u00c9 uma teoria insustent\u00e1vel mesmo sob o ponto de vista hist\u00f3rico, o equivalente a considerar os negros escravos e os \u00edndios exterminados durante a hist\u00f3ria como descart\u00e1veis. \u00c9 a continua\u00e7\u00e3o do racismo sob o plano ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos pensar a hist\u00f3ria como o &#8220;eterno retorno&#8221; de Nietzschze, simplesmente dizendo que nada muda. Pois seria o mesmo que dizer que os grandes movimentos de protestos populares, mesmo as grande revolu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o serviram para nada. O que \u00e9 falso, eles mudaram muita coisa.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, tivemos um n\u00famero gigantesco de revolu\u00e7\u00f5es anticolonialistas em n\u00edvel planet\u00e1rio. A emancipa\u00e7\u00e3o parcial dos afro-americanos nos EUA \u00e9 um desses aspectos. Podemos especificar esse movimento de luta por emancipa\u00e7\u00f5es, por exemplo, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Pois \u00e9 nela que se come\u00e7a a desenvolver mais fortemente as organiza\u00e7\u00f5es de movimentos negros. Cito em meus livros a famosa frase de um de seus militantes: &#8220;me acusam de ser bolchevique? Bem se ser bolchevique significa ser contra o linchamento e a supremacia branca, ent\u00e3o sou bolchevique&#8221;.<\/p>\n<p>Podemos citar ainda nesse contexto o que se passa no primeiro ano da Guerra Fria. Em 1951, a Suprema Corte dos EUA estava debatendo se a segrega\u00e7\u00e3o racial era ou n\u00e3o constitucional. O Departamento de Estado enviou um relat\u00f3rio aos ju\u00edzes defendendo a inconstitucionalidade, caso contr\u00e1rio, a decis\u00e3o poderia &#8220;favorecer o crescimento de movimentos comunistas e revolucion\u00e1rios&#8221; dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Mesmo essa emancipa\u00e7\u00e3o modesta n\u00e3o foi decidida de forma espont\u00e2nea pelas classes dominantes, mas por medo do movimento comunista, em resposta a uma grande revolu\u00e7\u00e3o que se desenvolvia no mundo.<\/p>\n<p>Mesmo Martin Luther King, em sua fase mais radical, falava positivamente das revolu\u00e7\u00f5es anticoloniais.<\/p>\n<p>Qual a situa\u00e7\u00e3o atual dos afro-americanos? Na popula\u00e7\u00e3o presidi\u00e1ria, a porcentagem \u00e9 terr\u00edvel, a popula\u00e7\u00e3o negra tem porcentagem muito superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 total. O mesmo pode se notar para os condenados \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o livro de uma escritora negra dos EUA, Michelle Alexander, fala do encarceramento dos negros nos EUA, no livro\u00a0<em>O novo Jim Crow <\/em>[\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bookdepository.com\/New-Jim-Crow-Michelle-Alexander\/9781595581037\" target=\"_blank\"><em>The New Jim Crow: Mass Incarceration in the Age of Colorblindness<\/em><\/a> (2010)]. Segundo ela, ainda existe uma discrimina\u00e7\u00e3o muito negativa contra os negros que n\u00e3o \u00e9 determinada pela lei, mas pelas rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas vigentes.<\/p>\n<p>Mas se queremos compreender a persist\u00eancia da democracia sobre os povos dos senhores, devemos nos focar em outro aspecto: nas rela\u00e7\u00f5es que os EUA desenvolvem com seus &#8220;estrangeiros&#8221;. Obama l\u00ea uma lista toda ter\u00e7a-feira preparada pela CIA para escolher o destino dos alvos dos drones. E os mais tem\u00edveis terroristas s\u00e3o eliminados sem senten\u00e7a ou devido processo legal. Se, por um lado, ele atinge at\u00e9 cidad\u00e3os dos EUA, por outro tamb\u00e9m acerta estrangeiros no I\u00eamen e no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o golpe de Estado contra Hugo Ch\u00e1vez em 2002 os EUA rapidamente reconheceram o novo presidente. A democracia n\u00e3o se aplicava \u00e0 Venezuela. Mas dessa forma podemos compreender a democracia deles. Como quando atacaram Cuba dois anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o na Ba\u00eda dos Porcos.<\/p>\n<p>Hoje a democracia para o povo dos EUA \u00e9 a do povo &#8220;eleito pela provid\u00eancia&#8221;, porque essa ideologia dura ainda, George W Bush falava muito dela, dos EUA &#8220;como a na\u00e7\u00e3o eleita por Deus para dirigir o mundo&#8221;. Mesmo Clinton dizia que os EUA tinham a tarefa &#8220;eterna&#8221; de governar o mundo.<\/p>\n<p>Podemos notar que essa ideologia n\u00e3o desapareceu e dever\u00e1 persistir.<\/p>\n<p><strong>OM: Quais s\u00e3o as principais modalidades de lutas de classes que encontramos nos dias de hoje? <\/strong><\/p>\n<p>DL: Sobre a luta de classes, no &#8221;\u00a0<em>Manifesto Comunista&#8221; <\/em>e em outros textos de Marx e Engels, ela \u00e9 sempre escrita no plural, pois pode se dar de v\u00e1rias formas. Por exemplo, Engels lembra da opress\u00e3o de classes contra a mulher como a primeira forma de opress\u00e3o de classes. Para os negros que foram escravos nos EUA, a luta contra a escravid\u00e3o \u00e9 certamente uma delas. Portanto, devemos considerar a opress\u00e3o de classes toda vez que um povo \u00e9 submetido e reduzido a alguma forma de escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o nazismo foi uma tentativa de retomada e radicaliza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o colonial, pois queria estabelecer na Europa Oriental um verdadeiro sistema de escravid\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre isso. E a luta da URSS contra essa tentativa de escravid\u00e3o de um povo inteiro foi uma verdadeira luta de classes.<\/p>\n<p>Seria rid\u00edculo considerar luta de classes apenas como uma reivindica\u00e7\u00e3o pelo aumento de uma fra\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio de oper\u00e1rios e n\u00e3o uma luta de classes para erradicar a escravid\u00e3o de um povo inteiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas tipos de luta de classes atualmente. Quais s\u00e3o elas?<\/p>\n<p>Primeira: a luta popular contra a burguesia. Segunda: a das mulheres pela emancipa\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o devemos pensar somente no Ocidente, onde as primeiras a serem afetadas e demitidas em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dif\u00edcil s\u00e3o as mulheres. E terceiro: a de todos os povos oprimidos.<\/p>\n<p>Coloco a quest\u00e3o: a gigantesca revolu\u00e7\u00e3o anticolonial que se desenvolveu no s\u00e9culo XX, que significou o desmoronamento do colonialismo cl\u00e1ssico e da supremacia branca dos EUA. Podemos dizer que essa vers\u00e3o do colonialismo acabou ou continua? Minha resposta \u00e9: continua no caso cl\u00e1ssico, como por exemplo quando os palestinos s\u00e3o expropriados de suas terras sistematicamente, marginalizados etc. A luta nacional do povo palestino \u00e9 uma grande luta de classes. Nesse caso o colonialismo se manifesta de forma cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Mas, para a maior parte do mundo a revolu\u00e7\u00e3o anticolonial se manifesta de forma diferente. L\u00eanin fez uma distin\u00e7\u00e3o entre &#8220;anexa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, essa cl\u00e1ssica do colonialismo, que se refere a um pa\u00eds que engloba a terra conquistada ao seu territ\u00f3rio; e a &#8220;anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, refor\u00e7ada \u00e0s vezes por interven\u00e7\u00f5es militares ou simples amea\u00e7as de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que dizia Mao Ts\u00e9-tung na v\u00e9spera da conquista da tomada definitiva do poder na China pelo PCCh e na funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica popular da China?: Sim, conseguimos a independ\u00eancia pol\u00edtica, mas dependemos dos EUA no plano econ\u00f4mico. Se essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabar logo, seremos sempre dependentes. Nesse contexto, cito um importante autor anticolonialista dos anos 1960, Frantz Fanon, em sua obra,\u00a0<em>Les Damn\u00e9s de la Terre, <\/em>sobre a luta da independ\u00eancia argelina. Ele diz que j\u00e1 que as grandes pot\u00eancias coloniais s\u00e3o obrigadas a reconhecer a independ\u00eancia de alguns pa\u00edses no s\u00e9culo XX, passam a se comportar de outra maneira: &#8220;voc\u00eas queriam a independ\u00eancia? Voc\u00eas as t\u00eam. Agora morram de fome&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, L\u00eanin, Mao e Fanon compreenderam que h\u00e1 centenas de etapas numa revolu\u00e7\u00e3o anticolonialista, sobretudo uma revolu\u00e7\u00e3o integrada ao plano econ\u00f4mico. O desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para tornar definitiva a independ\u00eancia conquistada no plano pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A luta da China pelo desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 uma luta de classes, e mesmo a dos pa\u00edses emergentes para evitar a anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, tamb\u00e9m. Infelizmente, n\u00e3o foram todos os pa\u00edses que conseguiram.<\/p>\n<p>Podemos pensar no Haiti, local de uma das maiores lutas anticoloniais da hist\u00f3ria: torna-se o primeiro pa\u00eds do continente americano a abolir a escravid\u00e3o. Ainda ajudou Sim\u00f3n Bolivar a combater a Espanha sob a condi\u00e7\u00e3o de que este abolisse escravid\u00e3o e ele o fez, por um certo per\u00edodo. O Haiti jogava um importante papel internacional na luta contra a escravid\u00e3o. Mas o que aconteceu depois? Sim, houve erros na administra\u00e7\u00e3o interna, mas tamb\u00e9m a Fran\u00e7a o amea\u00e7ou de interven\u00e7\u00e3o militar. Para se salvar dessa amea\u00e7a, o governo de Haiti aceita um acordo com o qual concorda em pagar pesada indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a pela perda da propriedade p\u00f3s-independ\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o foi uma d\u00edvida gigantesca para o Haiti que, de uma semi-col\u00f4nia da Fran\u00e7a no passado, hoje \u00e9 semi-col\u00f4nia dos EUA.<\/p>\n<p>Isso vale para o mundo \u00e1rabe tamb\u00e9m, e o exemplo \u00e9 o Egito. O pa\u00eds tinha um passado anticolonial not\u00e1vel. Qual a situa\u00e7\u00e3o atual? Infelizmente depende, de um lado do dinheiro norte-americano e de outro do dinheiro de pa\u00edses do Golfo como Catar e Ar\u00e1bia Saudita. O Egito poderia conduzir uma pol\u00edtica muito mais audaciosa e radical, mas n\u00e3o tem os meios econ\u00f4micos para isso.<\/p>\n<p><strong>OM: Marx dizia que as ideias da classe dominante s\u00e3o em cada \u00e9poca as pr\u00f3prias ideias dominantes, j\u00e1 que &#8220;a classe que disp\u00f5e dos meios de produ\u00e7\u00e3o material disp\u00f5e com isso, ao mesmo tempo, dos meios de produ\u00e7\u00e3o intelectual&#8221;. Preocupa esse absoluto controle da m\u00eddia de massa pelo poder burgu\u00eas, ainda mais forte hoje do que na \u00e9poca de Marx? Como lidar com tal monop\u00f3lio no avan\u00e7o das lutas populares? <\/strong><\/p>\n<p>DL: Tem raz\u00e3o em acrescentar que hoje a situa\u00e7\u00e3o se tornou ainda mais dif\u00edcil, podemos exprimi-la da seguinte maneira: Marx fala da classe dominante burguesa que, com o controle dos modos de produ\u00e7\u00e3o intelectual tem o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o e da difus\u00e3o das ideias.<\/p>\n<p>Mas hoje as coisas mudaram porque com a televis\u00e3o e as novas m\u00eddias, a classe dominante n\u00e3o tem somente esse monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o de ideias, mas tamb\u00e9m, o que \u00e9 muito importante, o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es. Transmitem-se imagens horr\u00edveis que podem ter sido escolhidas em uma s\u00e9rie de outras imagens propositalmente ou que pode at\u00e9 ser falsa. [Atrav\u00e9s desse artif\u00edcio] se consegue provocar uma indigna\u00e7\u00e3o geral [na opini\u00e3o p\u00fablica] e esse monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que \u00e9 muito importante para o in\u00edcio das guerras.<\/p>\n<p>Quer dizer, no Iraque, por ocasi\u00e3o da segunda Guerra do Golfo, dizia-se que Saddam [Hussein, ex-presidente do Iraque] tinha armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, que ele poderia empreg\u00e1-las a qualquer minuto. Ou pior, na ocasi\u00e3o da primeira guerra do Golfo, todos foram convencidos de que as for\u00e7as de Saddam mataram um sem n\u00famero de beb\u00eas, uma hist\u00f3ria totalmente inventada. Mas, com o monop\u00f3lio de produ\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es essa hist\u00f3ria enganou e provocou uma indigna\u00e7\u00e3o generalizada de parte da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Devemos tomar consci\u00eancia dessa nova situa\u00e7\u00e3o: das ideias e emo\u00e7\u00f5es, com uma tecnologia e psicologia muito refinadas e sofisticadas. Nesse sentido, o aparelho militar do imperialismo ficou mais forte n\u00e3o s\u00f3 no dom\u00ednio militar cl\u00e1ssico, mas no plano multimidi\u00e1tico. Armas midi\u00e1ticas induzem a opini\u00e3o p\u00fablica a ser favor\u00e1vel ao in\u00edcio de uma guerra.<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/entrevistas\/31593\/eua+sao+o+pior+inimigo+da+democracia+nas+relacoes+internacionais+diz+filosofo+italiano.shtml\" target=\"_blank\">1\u00aa parte<\/a> e\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/entrevistas\/31615\/losurdo+producao+das+emocoes+e+novo+estagio+do+controle+da+classe+dominante.shtml%22EUA%20s%C3%A3o%20o%20pior%20inimigo%20da%20democracia%20nas%20Rela%C3%A7%C3%B5es%20Internacionais%22\" target=\"_blank\">2\u00aa parte<\/a> (NR: efectuadas ligeiras altera\u00e7\u00f5es ao texto). <\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta entrevista encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Domenico Losurdo \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5550\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5550","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1rw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5550\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}