{"id":557,"date":"2010-06-14T14:42:03","date_gmt":"2010-06-14T14:42:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=557"},"modified":"2010-06-14T14:42:03","modified_gmt":"2010-06-14T14:42:03","slug":"o-mundo-ideologico-e-politico-de-jose-carlos-mariategui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/557","title":{"rendered":"O mundo ideol\u00f3gico e pol\u00edtico de Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a organiza\u00e7\u00e3o dos professores Milton Pinheiro e Sofia Manzano, realizou-se na Universidad Nacional Mayor de San Marcos o <em>Semin\u00e1rio Caio Prado J\u00fanior e Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui: duas vis\u00f5es do socialismo latino-americano<\/em>, nos dias 3 e 4 de junho do corrente ano.<\/p>\n<p>O evento foi inaugurado e encerrado pelo Presidente do Instituto Cultural Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui, Ren\u00e1n Raffo.<\/p>\n<p>O objetivo do Semin\u00e1rio foi vincular os pensamentos destes dois grandes pensadores do socialismo latino-americano e fazer uma releitura de suas respectivas obras, pautada na realidade atual.<\/p>\n<p>Milton Pinheiro apresentou a influ\u00eancia do trabalho de Mari\u00e1tegui no Brasil; H\u00e9ctor B\u00e9jar recordou o debate ideol\u00f3gico do marxismo contempor\u00e2neo de Mari\u00e1tegui; Sofia Manzano fez uma exposi\u00e7\u00e3o da obra de Caio Prado J\u00fanior; Roberto de la Cruz exp\u00f4s as grandes linhas do pensamento de Amauta; Sara Beatriz Guardia analisou a obra de Mari\u00e1tegui numa perspectiva de g\u00eanero; Rafael Ojeda comparou o pensamento de Mari\u00e1tegui com o debate filos\u00f3fico de hoje; Jos\u00e9 Ign\u00e1cio L\u00f3pez Soria debateu os atuais desafios da diversidade, multiculturalidade e interculturalidade.<\/p>\n<p>Comentaram alguns trabalhos Osmar Gonz\u00e1lez, Jorge Aliaga, Alfonso L\u00f3pez Chau e Pilar Roca.<\/p>\n<p>O evento foi assistido por Sandro Mari\u00e1tegui, filho de Amauta, e contou com a participa\u00e7\u00e3o, no ato de abertura do semin\u00e1rio, do Coro da Federa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio teve in\u00edcio com um debate te\u00f3rico atualizado, que p\u00f4s o pensamento de Mari\u00e1tegui no centro dos esfor\u00e7os pela unifica\u00e7\u00e3o da esquerda peruana. A vers\u00e3o brasileira do evento ser\u00e1 realizada entre os dias 15 e 17 de junho, nas Universidades do Rio e Campinas (S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por: Jorge Aliaga Cacho <\/strong><\/p>\n<p>Valorizar a substancial obra de Caio Prado J\u00fanior \u00e9 vital para delinear o desenvolvimento da hist\u00f3ria das ideias na Am\u00e9rica Latina. Caio Prado J\u00fanior, no Brasil e Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui, no Peru, ponderaram a teoria marxista para logo aplic\u00e1-la na interpreta\u00e7\u00e3o da realidade s\u00f3cio-econ\u00f4mica, cultural e pol\u00edtica de seus respectivos pa\u00edses. O pensador paulista analisou a problem\u00e1tica social brasileira e as estrat\u00e9gias para a mudan\u00e7a social no Brasil. Estudou a rela\u00e7\u00e3o existente entre pobres, agricultores rurais e a atividade pol\u00edtica geral no contexto de uma ordem p\u00f3s-colonial, que foi tipificada em \u201cAgr\u00e1ria n\u00e3o camponesa\u201d, como uma ordem \u201csem feudalismo, sem capitalismo cl\u00e1ssico e sem uma burguesia nacional\u201d. (Raimundo Santos: Rio de Janeiro: Mauad: 2001).<\/p>\n<p>Caio Prado J\u00fanior atribuiu \u00e0 ex\u00f3gena economia brasileira qualidades pr\u00f3prias de um c\u00edrculo vicioso, que atuou em detrimento do interesse dom\u00e9stico do pa\u00eds e que levou o Brasil a um desigual crescimento, cujo desenvolvimento dependente p\u00f4s em perigo a pr\u00f3pria sustentabilidade da na\u00e7\u00e3o. Este c\u00edrculo vicioso, argumentou Prado J\u00fanior, tornou dif\u00edcil a transi\u00e7\u00e3o do Brasil, de uma economia colonial a uma economia nacional, e excluiu a classe trabalhadora tanto da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza como tamb\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o nos processos pol\u00edticos emergentes. Este \u00faltimo, estabeleceu Prado J\u00fanior, trouxe como resultado paup\u00e9rrimas condi\u00e7\u00f5es de vida e violenta repress\u00e3o para as classes populares. Estes fatos demonstram que o colonialismo n\u00e3o foi derrotado no processo de independ\u00eancia brasileira, mas sim reafirmado durante o processo da rep\u00fablica. \u00c0 algo an\u00e1logo chegaria o pensamento de Mari\u00e1tegui, quando escrevera em seus <em>\u201c7 ensayos de interpretaci\u00f3n de la realidad peruana\u201d<\/em>:<\/p>\n<p>\u201cA aristocracia terratenente, defendendo seus privil\u00e9gios de princ\u00edpio, conservava suas posi\u00e7\u00f5es e, de fato, seguia sendo, no Peru, a classe dominante. A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia realmente elevado ao pode uma nova classe. A burguesia profissional e comerciante era muito d\u00e9bil para governar. A aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o n\u00e3o passava, por isso, de ser uma declara\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Porque a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia tocado o latif\u00fandio\u201d. (<em>\u201c7 ensayos\u201d<\/em>, p. 69. <em>La revoluci\u00f3n de la independencia e la propiedad agraria\u201d<\/em>).<\/p>\n<p>Mari\u00e1tegui tamb\u00e9m escreveu:<\/p>\n<p>\u201cA economia do Peru \u00e9 uma economia colonial. Seu movimento, seu desenvolvimento, est\u00e3o subordinados aos interesses e \u00e0s necessidades dos mercados de Londres e de Nova York. Estes mercados enxergam no Peru um dep\u00f3sito de mat\u00e9rias-primas e uma pra\u00e7a para suas manufaturas\u201d. (<em>\u201c7 ensayos\u201d,<\/em> p. 98, <em>\u201cColonialismo\u201d de nuestra agricultura coste\u00f1a<\/em>).<\/p>\n<p>A partir do ponto de vista historiogr\u00e1fico, Caio Prado J\u00fanior apontava que a dificuldade central do Brasil era o problema da escassez de m\u00e3o de obra e o problema da sujei\u00e7\u00e3o \u00e0 propriedade. Prado J\u00fanior sugeriu como solu\u00e7\u00e3o para este problema a elimina\u00e7\u00e3o das velhas rela\u00e7\u00f5es patrimoniais, sobreviventes do regime escravista e a regula\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores do campo. Em resumo, Prado J\u00fanior, defendia a moderniza\u00e7\u00e3o dos sistemas laborais.<\/p>\n<p>Na historiografia brasileira se encontra evid\u00eancia de que os colonizadores portugueses encontraram no Brasil organiza\u00e7\u00f5es sociais, supostamente, de menor desenvolvimento. Tamb\u00e9m encontraram car\u00eancia de m\u00e3o de obra, em contraste com a abundante disponibilidade de terras. Por estas raz\u00f5es, os lusitanos viram a necessidade da escraviza\u00e7\u00e3o, a mesma que chegou, posteriormente, nas regi\u00f5es indo-hisp\u00e2nicas.<\/p>\n<p>No Peru, diferentemente do Brasil, os colonizadores espanh\u00f3is encontraram sociedades ind\u00edgenas que possu\u00edam sistemas de trabalho coletivo, disciplina. Eram hier\u00e1rquicas em sua organiza\u00e7\u00e3o, sedent\u00e1rias e possu\u00edam grupos sociais legalmente diferenciados.<\/p>\n<p>Os problemas de car\u00e1ter racial e econ\u00f4mico do Brasil, sustentava Caio Prado, eram consequ\u00eancia do colonialismo dirigido pelo com\u00e9rcio europeu global. Esta explica\u00e7\u00e3o desafiou as teorias de seus contempor\u00e2neos, como Gilberto Freyre, que celebrava o car\u00e1ter h\u00edbrido da cultura brasileira, gra\u00e7as aos combinados efeitos da mesti\u00e7agem, um clima tropical e a relativa &#8216;ben\u00edgna&#8217; forma de escraviza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Raimundo Santos, estudioso da obra de Prado J\u00fanior, sugere que o pensamento marxista do s\u00e9culo XX no Brasil, se manteve em constante debate com teorias de hist\u00f3ria, sociologia e antropologia, tomando como refer\u00eancia o car\u00e1ter e a hist\u00f3ria nacional, assim como tamb\u00e9m, a luta organizada no Brasil. A obra de Caio Prado, podemos afirmar categoricamente, vem servindo de grande influ\u00eancia no devir hist\u00f3rico brasileiro.<\/p>\n<p>Santos tamb\u00e9m prop\u00f5e que a adapta\u00e7\u00e3o de Caio Prado \u00e0 teoria cl\u00e1ssica marxista serviu como um constante referencial no complexo desenvolvimento do Partido Comunista no Brasil e defende que \u00e9 imposs\u00edvel compreender o pensamento s\u00f3cio-pol\u00edtico e a pr\u00e1tica do s\u00e9culo XX, no Brasil, sem examinar a cultura pol\u00edtica do comunismo brasileiro. (Raimundo Santos: Rio de Janeiro: Mauad: 2001).<\/p>\n<p>Guillermo Palacios y Olivares, num artigo publicado na Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, compara a tem\u00e1tica da obra de Caio Prado J\u00fanior com a tem\u00e1tica da experi\u00eancia agr\u00e1ria mexicana, particularmente, nas d\u00e9cadas de 1930-1940. Neste trabalho, Palacios distingue claramente algumas ideias caio-pradianas sobre a integra\u00e7\u00e3o nacional e o tratamento diferenciado dos problemas da cultura no \u00e2mbito rural e, em especial, o da quest\u00e3o campesina.<\/p>\n<p>\u201cPara Caio Prado, e todos sabemos disso, a situa\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria brasileira durante os anos 1930 do s\u00e9culo passado est\u00e1 caracterizada pela persist\u00eancia do latif\u00fandio e pelo cont\u00ednuo predom\u00ednio das rela\u00e7\u00f5es patrimoniais no campo, apesar de algumas evid\u00eancias de um incipiente (e n\u00e3o sustent\u00e1vel) processo de fragmenta\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, resultado da crise do setor exportador durante a primeira metade da d\u00e9cada. \u00c9 um panorama que se mant\u00e9m na perspectiva de nosso autor at\u00e9 os anos em que escreve os seus artigos sobre a quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil, com equil\u00edbrios e mudan\u00e7as sim, por\u00e9m nenhuma suficientemente importante para modificar as bases do modelo. Contra esse pano de fundo aparece o problema da \u201cintegra\u00e7\u00e3o nacional\u201d, por\u00e9m, repito, referente ao n\u00facleo que Caio Prado havia definido como o constitutivo da din\u00e2mica hist\u00f3rica do Brasil: as rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Em sua perspectiva, o problema da \u201cintegra\u00e7\u00e3o nacional\u201d tem a ver, basicamente, com a exist\u00eancia de numerosas variantes contratuais que persistem no interior das rela\u00e7\u00f5es patrimoniais de trabalho no campo e que impedem, entre outras coisas, a forma\u00e7\u00e3o de um contingente uniforme de for\u00e7a de trabalho, capaz de postular reivindica\u00e7\u00f5es comuns, e de incorporar as caracter\u00edsticas de um ex\u00e9rcito de trabalho moderno \u00e0 cidadania plena. \u00c9 uma percep\u00e7\u00e3o da \u201cintegra\u00e7\u00e3o nacional\u201d como algo que tem a ver, basicamente, com a moderniza\u00e7\u00e3o do mercado de m\u00e3o de obra, de maneira a que todos os trabalhadores se integrem nacionalmente, sob um mesmo padr\u00e3o e constituam, de novo, uma for\u00e7a de trabalho homog\u00eanea, sujeita aos mesmos direitos e habilitada para formular demandas uniformes, de classe\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma perspectiva que suprime qualquer outro problema no caminho da integra\u00e7\u00e3o nacional, e v\u00ea a integra\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia da introdu\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o dos direitos do trabalhador moderno, tais como, direito de greve, direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, descansos remunerados, remunera\u00e7\u00f5es dignas, etc. Caio Prado J\u00fanior n\u00e3o chegou a prop\u00f4r uma reforma agr\u00e1ria geral, pelo menos antes de 1960, por\u00e9m as Ligas Camponesas, associadas ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), defenderam essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Guillermo Palacios y Olivares nos prop\u00f5e a seguinte pergunta: Por qu\u00ea o \u201cproblema da cultura\u201d n\u00e3o \u00e9 um problema para Caio Prado (ou n\u00e3o est\u00e1 relacionado com a quest\u00e3o da \u201cintegra\u00e7\u00e3o nacional\u201d)?<\/p>\n<p>Palacios y Olivares, acad\u00eamico mexicano, opina que a \u201ccultura\u201d n\u00e3o existe no campo da reflex\u00e3o de Caio Prado J\u00fanior como podem ver os historiadores \u201cculturalistas\u201d de nossos dias. O asteca defende que a \u201ccultura\u201d n\u00e3o existe em dois sentidos: o primeiro, de car\u00e1ter historiogr\u00e1fico, que se prende na percep\u00e7\u00e3o que se teria na \u00e9poca das obras historiogr\u00e1ficas de Caio Prado J\u00fanior: \u201ca escravid\u00e3o como um sistema que n\u00e3o permitia outras perguntas que n\u00e3o fossem as ligadas \u00e0 esfera da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, a circula\u00e7\u00e3o comercial e \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o do capital. Estudar quest\u00f5es \u201cculturais\u201d no \u00e2mbito da escravid\u00e3o era dedicar-se a ilus\u00f5es vazias, que diminu\u00edam at\u00e9 desaparecer completamente ante a magnitude da verdadeira dimens\u00e3o que a dava sentido\u201d.<\/p>\n<p>O segundo era a concep\u00e7\u00e3o que o marxismo pr\u00e9-gramsciano teria dessa dimens\u00e3o da vida, onde a cultura se percebia como um resultado da ideologia. Eliminado o tema da \u201ccultura\u201d, na opini\u00e3o de Palacios y Olivares, como algo que valeria a pena ser estudado pela hist\u00f3ria, \u201chavia preparado uniformemente o mercado de trabalho durante a Col\u00f4nia e na primeira metade do s\u00e9culo XIX. Depois, no processo de sua desintegra\u00e7\u00e3o, havia se desintegrado tamb\u00e9m essa unidade em uma gama de variantes rela\u00e7\u00f5es laborais que \u201cdesintegraram\u201d por sua vez a na\u00e7\u00e3o\u201d. Esta foi a raz\u00e3o pela qual a reunifica\u00e7\u00e3o dos modelos contratuais no campo fosse condi\u00e7\u00e3o fundamental para a \u201cre-integra\u00e7\u00e3o\u201d do Brasil.<\/p>\n<p>Para finalizar, \u00e9 necess\u00e1rio precisar que qualquer an\u00e1lise que trate sobre a obra de Caio Prado J\u00fanior deve captar as diversas posi\u00e7\u00f5es do autor e suas rela\u00e7\u00f5es com o Marxismo. Prado J\u00fanior foi o primeiro autor brasileiro a aplicar a ci\u00eancia Marxista de maneira correta e diferenciada para analisar a hist\u00f3ria de seu pa\u00eds. Desta maneira, nos deixa o entendimento dos mais substanciais fen\u00f4menos da forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil, que s\u00e3o de vital import\u00e2ncia para compreender a realidade nacional e prescrever a estrat\u00e9gia de mudan\u00e7a que seu povo demanda.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por: H\u00e9ctor B\u00e9jar<\/strong><\/p>\n<p>Todas as pessoas, tanto as comuns como as singulares, a que chamamos de personalidades, tem v\u00e1rias imagens, v\u00e1rias representa\u00e7\u00f5es e sua obra d\u00e1 lugar \u00e0 m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, equ\u00edvocas com o passar do tempo. A imagem de Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui que cultivamos \u00e9 tamb\u00e9m multifacetada. Podemos evocar o Mari\u00e1tegui jornalista que ganha a vida com seus artigos, o ativista pol\u00edtico organizador do Partido Socialista e depois Comunista, o pai de fam\u00edlia com filhos numerosos, o amante e o devoto esposo, o empres\u00e1rio de Minerva e editor de Amauta, o revolucion\u00e1rio, o te\u00f3rico do Peru, o novelista e cr\u00edtico liter\u00e1rio. Uma personalidade integral como a sua n\u00e3o \u00e9 somente pol\u00edtica: \u00e9 cultural e pode ser vista de diversos \u00e2ngulos. \u00c9 o observador que elege, de acordo com suas opini\u00f5es e sua \u00e9poca, alguma ou algumas dessas facetas ou investiga sobre outras ainda desconhecidas.<\/p>\n<p>Ainda se fosse somente o aspecto pol\u00edtico, sua perman\u00eancia espiritual tem sido vista de diversas maneiras, segundo a \u00e9poca, os personagens e os interesses em jogo. \u00c9 conhecido que apenas h\u00e1 quatro meses de sua morte, em abril de 1930, regressou ao Peru Eudocio Rav\u00ednes, importante colaborador do Amauta a quem Mari\u00e1tegui chamava em sua correspond\u00eancia pessoal \u201cnosso querido Eudocio\u201d, como enviado do Secretariado Latino-Americano da Internacional Comunista; e em 1933, esse mesmo \u201cquerido Eudocio\u201d promoveu \u201ca desmaterializa\u00e7\u00e3o do partido\u201d [1]. Ou seja, o total abandono das originais teses de Mari\u00e1tegui sobre o campesinato, a comunidade ind\u00edgena e a atua\u00e7\u00e3o do Partido como c\u00e9lula organizadora das massas \u00e0 maneira gramsciana. Em 1941, o mesmo ano em que a Alemanha invade a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, V.M. Miroshevski o classificava como um autor populista e rom\u00e2ntico. Em 1942, ap\u00f3s ter expulsado Rav\u00ednes do Partido Comunista, Jorge del Prado afirmava, em resposta \u00e0 Miroshevski que, na realidade, Mari\u00e1tegui havia sido um revolucion\u00e1rio \u201cmarxista-leninista-stalinista\u201d, um ortodoxo do marxismo \u00e0 maneira sovi\u00e9tica da \u00e9poca [2]. Em 1945, durante a fracassada primavera democr\u00e1tica do governo de Jos\u00e9 Lu\u00eds Bustamante y Rivero, j\u00e1 era introduzido na opini\u00e3o p\u00fablica como o fundador do socialismo peruano, atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o dos <em>Siete Ensayos<\/em> por sua fam\u00edlia, o cl\u00e1ssico livro de Ricardo Mart\u00ednez de la Torre, <em>Apuntes por una historia marxista del Per\u00fa <\/em>e as biografias de Mar\u00eda Wiese e Armando Baz\u00e1n. Um firme trabalho da fam\u00edlia Mari\u00e1tegui se ocupou de republicar, de maneira cont\u00ednua, os <em>Siete Ensayos <\/em>e difundir sua obra em edi\u00e7\u00f5es populares. Em 1980, ao terminar a revolu\u00e7\u00e3o militar de 1968-1975, era redescoberto nos trabalhos de Jos\u00e9 Aric\u00f3 e Carlos Franco como um marxista \u201coriginal e criativo\u201d, integrante do movimento internacional entre 1919 e 1929 (antes de sua ruptura com Haya), soreliano e gramsciano [3].<\/p>\n<p>Na realidade, a vig\u00eancia de Mari\u00e1tegui tem seu fundamento em como os atores de cada \u00e9poca o reinventam. Em seu pr\u00f3logo \u00e0 edi\u00e7\u00e3o realizada pela Universidad Cat\u00f3lica, em homenagem ao centen\u00e1rio ao nascimento de Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui, Gonzalo Portocarrero disse \u201cque cada \u00e9poca rel\u00ea os cl\u00e1ssicos a partir de suas inquietudes e esperan\u00e7as\u201d. E, segundo Portocarrero, \u201ca obra de Mari\u00e1tegui conserva uma atualidade que a converte em cl\u00e1ssica&#8230; \u00e9 um cl\u00e1ssico&#8230; Nos anos 70, tivemos o Mari\u00e1tegui classista&#8230; nos anos 80, o Mari\u00e1tegui da agonia&#8230; o intelectual&#8230; que quis articular o socialismo com a tradi\u00e7\u00e3o nacional&#8230; \u00c9 certo que nos pr\u00f3ximos anos surgir\u00e1&#8230; uma interpreta\u00e7\u00e3o de sua obra onde se acentuem outros tra\u00e7os, outras facetas de sua rica e m\u00faltipla cria\u00e7\u00e3o [4].<\/p>\n<p>Estamos nesses pr\u00f3ximos anos que anunciava Portocarrero e vale que nos perguntemos que Mari\u00e1tegui \u00e9 o que necessitamos nesta hora de globaliza\u00e7\u00e3o, anomia generalizada, crise capitalista mundial, crise da civiliza\u00e7\u00e3o, insurg\u00eancia de novos atores sociais, extin\u00e7\u00e3o do proletariado industrial, emerg\u00eancia de pot\u00eancias jovens no cen\u00e1rio mundial, novos caminhos abertos na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o nos perguntamos se Mari\u00e1tegui est\u00e1 vigente ou n\u00e3o, mas sim porque est\u00e1 vigente Mari\u00e1tegui.<\/p>\n<p>Minha opini\u00e3o \u00e9 que a resposta ser\u00e1 encontrada somente em Mari\u00e1tegui, n\u00e3o em seu tempo, mas nos autores que puseram aten\u00e7\u00e3o nos problemas do socialismo que nasciam naquela \u00e9poca e se agigantariam depois. E para ele, nos moveremos entre a ortodoxia e a heresia. Para isso necessitamos abandonar toda a posi\u00e7\u00e3o reverencial. Neste trabalho, trataremos de situar Mari\u00e1tegui dentro da esquerda de seu tempo, recordando o que dizia e o que fazia enquanto estava na It\u00e1lia, publicava a Amauta e escrevia os <em>Siete Ensayos<\/em>. Faremos uma resenha de Friedrich Nietzsche, Eduard Bernstein, Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs, Ernst Bloch, Georges Sorel e Rosa Luxemburgo para sugerir que algumas ideias principais destes autores que, provavelmente, foram \u00fateis \u00e0 Mari\u00e1tegui, inspiraram seus escritos e, por isso, conv\u00e9m record\u00e1-las hoje, pois foram premonit\u00f3rias do que depois aconteceu com os experimentos socialistas.<\/p>\n<p><em><strong>Friedrich Nietzsche<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Disse Mari\u00e1tegui em seu Pref\u00e1cio aos <em>Siete Ensayos<\/em> sua famosas palavras:<\/p>\n<p>Meu trabalho se desenvolve segundo o querer de Nietzsche, que n\u00e3o amava o autor contra\u00eddo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o intencional, deliberada, de um livro, mas sim \u00e0quele cujos pensamento formavam um livro espont\u00e2nea e inadvertidamente. Muitos projetos de livro visitam minha ins\u00f4nia, por\u00e9m sei por antecipa\u00e7\u00e3o que somente realizarei os que um imperioso mandato vital me ordene. Meu pensamento e minha vida constituem uma \u00fanica coisa, um \u00fanico processo. E se algum m\u00e9rito espero e reclamo que me seja reconhecido \u00e9 o de \u2013 tamb\u00e9m conforme um princ\u00edpio de Nietzsche \u2013 meter todo meu sangue em minhas ideias.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios de Nietzsche. Quem era Nietzsche?<\/p>\n<p lang=\"en-US\" align=\"JUSTIFY\">Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900).<\/p>\n<p>Nietzsche denunciou o nihilismo, a aus\u00eancia de valores e de rigor vital na sociedade moderna. Estava em crise a vis\u00e3o religiosa do mundo, se estava firmando uma individualidade ego\u00edsta, carente de transcend\u00eancia, se abria espa\u00e7o para a mediocridade, a igualdade, a mediania. Proclamou que o deus crist\u00e3o, procedente da tradi\u00e7\u00e3o judia, estava morto. Era necess\u00e1rio construir novos valores que substitu\u00edssem os da submiss\u00e3o crist\u00e3, caracter\u00edsticos dos escravos. Ser\u00e1 um homem novo, que ele chama de super-homem, que ocupar\u00e1 o lugar de Deus. \u00c9 sabido que o pensamento de Nietzsche teve enorme influ\u00eancia na esquerda europeia, em pensadores latino-americanos como Jos\u00e9 Ingenieros e, depois, foi utilizado de forma err\u00f4nea pelos nazistas.<\/p>\n<p><em><strong>Eduard Bernstein<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Eduard Bernstein, social-democrata alem\u00e3o. Seu nome era impronunci\u00e1vel nos meios da esquerda radical da \u00e9poca. Repudiado como revisionista, companheiro daquele que Lenin chamou \u201co renegado Kautsky\u201d. Perseguido, imigrou para a Su\u00ed\u00e7a, onde editou a revista Sozial Demokrat. Expulso de l\u00e1 em 1989, teve que refugiar-se em Londres at\u00e9 1900. Deputado no Reichstag em 1902-1906, 1912-1918, 1920-1928, o t\u00edpico parlamentar socialista da Rep\u00fablica de Weimar [5].<\/p>\n<p>Bernstein foi atacado por sua insist\u00eancia em assegurar que a revolu\u00e7\u00e3o poderia se realizar de maneira gradual e pac\u00edfica. O que acontecia era que observava seu meio. Em <em>Las premisas del socialismo y las tareas de la socialdemocracia (1899),<\/em> deu conta de alguns sintomas que se converteriam em fen\u00f4menos sociais depois, repercutindo negativamente sobre as possibilidades revolucion\u00e1rias. Os trabalhadores j\u00e1 viviam melhor, o capitalismo estava mais forte, n\u00e3o estava em extin\u00e7\u00e3o como afirmavam os marxistas radicais, havia legisla\u00e7\u00e3o social que amenizava a luta de classes e convertia em desfavor\u00e1veis as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas da revolu\u00e7\u00e3o socialista. A burguesia de sua \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o era aquele setor homog\u00eaneo, criticados por Marx e Engels em seu tempo. Estava mais fragmentada na grande burguesia, pequena burguesia e novas classes m\u00e9dias, uma gama de meios tons na contradi\u00e7\u00e3o de classes. Alguns setores da classe trabalhadora come\u00e7avam a viver como a classe m\u00e9dia. Bernstein defendia que se devia esperar, porque o socialismo n\u00e3o pode ser constru\u00eddo em meio \u00e0s priva\u00e7\u00f5es e \u00e0 pobreza, e nem no subdesenvolvimento das for\u00e7as produtivas, sen\u00e3o como resultado do \u00eaxito econ\u00f4mico e o desenvolvimento do capitalismo. Acreditava tamb\u00e9m, como Rosa Luxemburgo, que os partidos socialistas deviam ser o partido do proletariado, por\u00e9m n\u00e3o a ditadura do proletariado, mas colocando o tema da democracia no centro do debate. Seu grande conceito \u00e9 o da democracia, a elimina\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios de classe e a igualdade para os indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Junto com Lasalle, Bernstein \u00e9 precursor no apontamento do papel que pode desempenhar o Estado. Segundo ele, era poss\u00edvel avan\u00e7ar mediante a nacionaliza\u00e7\u00e3o ou municipaliza\u00e7\u00e3o seletiva dos meios de produ\u00e7\u00e3o, tolerando algumas empresas privadas. O Estado devia intervir cada vez mais, por\u00e9m defendia que, a respeito de muitas empresas privadas, <em>\u201cuma boa lei industrial pode ser melhor que 100 nacionaliza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Rosa Luxemburgo<\/strong><\/em> <strong>[6]<\/strong><\/p>\n<p>Mulher, polaca, judia e imigrante. Tudo o que podia ser desfavor\u00e1vel na Alemanha do p\u00f3s-guerra. Isso era Rosa Luxemburgo. Al\u00e9m disso, era apaixonada e n\u00e3o escondia suas opini\u00f5es. Na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, criticou os bolcheviques e avisou, \u00e0 tempo, sem ser escutada, do perigo de que se desenvolvesse uma ditadura, caso fosse seguida a linha bolchevique que confundia a ditadura do proletariado com a ditadura do partido. Reivindicou sempre o car\u00e1ter profundamente democr\u00e1tico do socialismo. \u00c9 famosa sua frase: <em>\u201c<\/em><em>Freiheit ist immer die Freiheit des Andersdenkenden\u201d<\/em> (A liberdade sempre foi e \u00e9 a liberdade para aqueles que pensam diferente).<\/p>\n<p>O tema central de seu pensamento foi o jogo dial\u00e9tico entre espontaneidade e organiza\u00e7\u00e3o, no qual deve considerar-se a espontaneidade como uma aproxima\u00e7\u00e3o radical, e a organiza\u00e7\u00e3o como uma aproxima\u00e7\u00e3o mais burocr\u00e1tica ou institucional \u00e0 luta de classes. A espontaneidade e a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o diferentes momentos do mesmo processo. Um n\u00e3o pode existir sem o outro. Gra\u00e7as a esta perspectiva, demonstra como a luta de classe se desenvolve at\u00e9 um n\u00edvel superior. A espontaneidade est\u00e1 sempre mediatizada pela organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o jogo entre o revolucion\u00e1rio e o conservador, entre o impulso infantil ou juvenil e a maturidade que d\u00e1 a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Ela desenvolveu a <em>Dial\u00e9ctica de la Espontaneidad y la Organizaci\u00f3n<\/em> sob a influ\u00eancia de uma onda de greves massivas na Europa, especialmente durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905. N\u00e3o esteve de acordo com a insurrei\u00e7\u00e3o espartaquista de 1919 e, n\u00e3o obstante, apareceu assassinada junto com Karl Liebknecht como consequ\u00eancia dela.<\/p>\n<p>O dever do partido, dizia Rosa Luxemburgo, consiste em educar as massas n\u00e3o desenvolvidas para lev\u00e1-las a sua independ\u00eancia, faz\u00ea-las capazes de tomar o poder por elas mesmas. O que o partido deve assumir \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o no elemento subjetivo da Revolu\u00e7\u00e3o, que consiste em inculcar a consci\u00eancia de sua miss\u00e3o hist\u00f3rica na classe trabalhadora. A revolu\u00e7\u00e3o mesma s\u00f3 pode ser levada a cabo pela classe trabalhadora enquanto tal. Um partido que fale pelos trabalhadores, que os represente \u2013 por exemplo, no Parlamento \u2013 e que pretenda atuar em seu nome, se enlamear\u00e1 e se converter\u00e1 ele mesmo num instrumento contra-revolucion\u00e1rio [3].<\/p>\n<p><em><strong>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs (1885-1971)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Bernstein pertence a uma gera\u00e7\u00e3o anterior a Mari\u00e1tegui, a do fim do s\u00e9culo XIX. Ao assumir posi\u00e7\u00f5es socialistas, Jos\u00e9 Carlos j\u00e1 encontrou o debate entre radicais e social-democratas. Em sua pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o encontramos Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs. Quando Mari\u00e1tegui morre em 1930, aos 35 anos, Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs tinha 45 anos (nasceu em Budapeste, em 1885) e teria uma uma longa vida, cheia de vicissitudes at\u00e9 1971. Viveu sua juventude na Alemanha, onde conheceu Georges Simmel, o soci\u00f3logo da cultura e vida cotidiana que traduzia para a reflex\u00e3o sociol\u00f3gica desde os grandes esquemas abstratos at\u00e9 os pequenos problemas concretos da vida cotidiana, criando a micro-sociologia; a Ernest Bloch, o fil\u00f3sofo das utopias; Ferdinand T\u00f6nnies, estudioso das caracter\u00edsticas e diferen\u00e7as entre comunidade e sociedade, que defendia que existe rela\u00e7\u00e3o entre a complexidade da sociedade e o individualismo, quanto mais complexas as sociedade, maior o individualismo; os neo-kantianos Wilhelm Windelband e Max Weber, com quem Luk\u00e1cs fez uma estreita amizade.<\/p>\n<p>Em suas reflex\u00f5es anticapitalistas, Luk\u00e1cs n\u00e3o entre no vi\u00e9s das estruturas econ\u00f4micas, que assinala como de car\u00e1ter vulgar, med\u00edocre e rotineiro do mundo burgu\u00eas cujo nascimento j\u00e1 havia apontado Bernstein. \u00c9 um precursor da cr\u00edtica \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o do consumo que depois fizeram Herbert Marcuse em <em>El hombre unidimensional<\/em> e Pierre Bordieu em <em>La distinci\u00f3n<\/em>. Frente ao determinismo econ\u00f4mico que era alentado pelo socialismo oficial da social-democracia alem\u00e3, enfatiza o papel da consci\u00eancia, n\u00e3o somente o das condi\u00e7\u00f5es sociais de vida. A mensagem antecede a de Che: se pode fazer revolu\u00e7\u00e3o sempre que a consci\u00eancia das classes oprimidas seja favor\u00e1vel a isso. Por\u00e9m, frente aos extremistas que querem fazer revolu\u00e7\u00e3o em qualquer situa\u00e7\u00e3o, assinala que essa consci\u00eancia dos oprimidos \u00e9 importante, inelud\u00edvel. Destaca o \u201cdever ser\u201d kantiano, que ressalta a \u00e9tica e n\u00e3o aceita as transa\u00e7\u00f5es oportunistas com a realidade da pol\u00edtica cotidiana. A sua \u00e9 uma revolta anticapitalista, baseada na \u00e9tica que \u00e9 anteposta \u00e0 fria estrat\u00e9gia do realismo que aceita tudo o que justifica o uso de qualquer meio para obter um fim oportunista ou revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em 1919, Luk\u00e1cs participa na insurrei\u00e7\u00e3o dos conselhos de trabalhadores que proclama a Rep\u00fablica Sovi\u00e9tica da Hungria, onde \u00e9 nomeado ministro da Cultura e Educa\u00e7\u00e3o Popular. Pr tr\u00e1s da derrota da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 condenado \u00e0 morte pelo ditador contra-almirante Mikl\u00f3s Horthy; foge para Viena, onde viver\u00e1 de1919 at\u00e9 1929. entre 1919 e 1923, enquanto Mari\u00e1tegui permaneceu na It\u00e1lia, Luk\u00e1cs escreveu <em>Historia y conciencia de clase<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo <em>Historia y conciencia de clase<\/em>, toda a concep\u00e7\u00e3o marxista da hist\u00f3ria est\u00e1 resumida e sintetizada na teoria do fetichismo da mercadoria que Marx exp\u00f5e em O Capital. N\u00e3o h\u00e1 que ver no capitalismo somente um regime de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a partir da mais-valia. Mais que isso, o capitalismo \u00e9 a ordem econ\u00f4mica que converte um todo \u2013 seres humanos inclusive \u2013 em coisas. Ser revolucion\u00e1rio \u00e9, frente a essa coisifica\u00e7\u00e3o generalizada, reivindicar o valor do humano. E o humano vale n\u00e3o s\u00f3 pelo material e racional, mas tamb\u00e9m pelo espiritual e espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de Luk\u00e1cs, enquanto o ent\u00e3o marxismo ortodoxo de Karl Kautsky entendia o marxismo como uma teoria de \u201cleis objetivas\u201d da sociedade, o revisionismo de Edward Bernstein se limitava a defender o socialismo como uma \u00e9tica.<\/p>\n<p>Luk\u00e1cs defendia que o pensamento racionalista herdado da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (desde Kant e o positivismo, at\u00e9 Kelsen e Weber) divide mecanicamente a objetividade onde se encontrariam as leis da economia e o mercado, separando-a da subjetividade onde est\u00e3o a consci\u00eancia revolucion\u00e1ria e a \u00e9tica comunista e estabelece uma fronteira entre ambos campos. Ao faz\u00ea-lo divorciam, separam e cindem o objeto e o sujeito, objetividade e subjetividade.<\/p>\n<p>Quando Luk\u00e1cs escreve, em 1922, <em>La cosificaci\u00f3n y la conciencia del proletariado<\/em>, Mari\u00e1tegui estava retornando ao Peru. O Ex\u00e9rcito Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses havia sido derrotado em Pyotr, Pol\u00f4nia, e Mussolini marchava sobre Roma. A Segunda Internacional se reconstitu\u00eda em meio \u00e0 cat\u00e1strofe financeira da Rep\u00fablica de Weimar. A hiperinfla\u00e7\u00e3o e a pobreza castigavam a Alemanha. Se aplicava a Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica na R\u00fassia.<\/p>\n<p>No ano seguinte da publica\u00e7\u00e3o de <em>Historia y conciencia de clase<\/em>, morre L\u00eanin. Imediatamente, Luk\u00e1cs escreve <em>Lenin, la coherencia de su pensamiento<\/em> e o publica em Viena. Mari\u00e1tegui j\u00e1 estava no Peru, sofre uma reca\u00edda em sua enfermidade e precisa amputar sua perna direita. Prepara a edi\u00e7\u00e3o de <em>La Escena Contempor\u00e1nea<\/em>. J\u00e1 era uma \u00e9poca de retrocesso, de refluxo mundial.<\/p>\n<p>Nestas circunst\u00e2ncias, a tese central de Luk\u00e1cs defende a atualidade da revolu\u00e7\u00e3o frente a quem pretende posterg\u00e1-la para um inalcan\u00e7\u00e1vel, long\u00ednquo e difuso dia da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Para Karl Kautsky, m\u00e1ximo te\u00f3rico da social-democracia, o marxismo se comporia de leis objetivas. E essas leis mostravam que a revolu\u00e7\u00e3o era imposs\u00edvel enquanto a economia capitalista n\u00e3o se desenvolvesse. Era preciso esperar.<\/p>\n<p>Para Lukacs isso era positivismo, porque levava em conta somente o objetivo e n\u00e3o o devir da hist\u00f3ria e a consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>Em fins desse ano de 1922, se realiza o IV Congresso da Internacional Comunista. O KOMINTERN chama frente \u00fanica, por\u00e9m \u00e9 preciso entender o que era a \u201cfrente \u00fanica\u201d. Trata-se de um bloco de trabalhadores que evite toda a fus\u00e3o ou concess\u00e3o doutrin\u00e1ria. A R\u00fassia Sovi\u00e9tica j\u00e1 havia sido invadida pela ortodoxia de um marxismo pretensamente cient\u00edfico. A presid\u00eancia da Terceira Internacional estava a cargo de Gregory Zinoviev. Ele e Nicol\u00e1s Bukarin condenaram Hist\u00f3ria e consci\u00eancia de classe, em 1924. O Pravda publicou a condena\u00e7\u00e3o em 25 de julho de 1924. L\u00eanin j\u00e1 estava morto e os debates dentro da URSS come\u00e7aram a resolverem-se administrativa e burocraticamente. Moscou come\u00e7ava a se transformar no Vaticano dos comunistas que podia autorizar ou condenar posi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 Bukarin e Zinoviev, Luk\u00e1cs escreveu Chvostismus und Dialektic. O manuscrito permaneceu escondido durante muitos anos. Foi descoberto nos antigos arquivos do Instituto L\u00eanin, de Moscou, e foi publicado pela primeira vez em Budapeste, em 1996. Na Fran\u00e7a, foi traduzido em 2001, como t\u00edtulo: <em>Dialectique et spontan\u00e9it\u00e9. Em d\u00e9fense de Histoire et conscience de classe<\/em> (Dial\u00e9ctica y espontaneidad. Em defensa de la \u201cHistoria y conciencia de clase\u201d). Paris, Les \u00c9ditions de la Pasi\u00f3n, 2001. Pref\u00e1cio de Nicol\u00e1s Tertulian. Ainda n\u00e3o possui tradu\u00e7\u00e3o para o castelhano.<\/p>\n<p>Ainda em 1925, Luk\u00e1cs escreveu uma cr\u00edtica \u00e0 <em>\u201cTeoria del materialismo historico. Ensayo popular de sociolog\u00eda marxista\u201d<\/em>, de 1921, escrito por Nicolas Bukarin. Bukarin, presidindo em 1928 o VI Congresso da Internacional Comunista, declarou ao materialismo dial\u00e9tico (DIAMAT) \u201cfilosofia oficial\u201d da Internacional. A Terceira Internacional se esquerdiza e declara mundialmente a etapa da luta de classe contra classe. Se luta pelo poder na dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista da URSS. Luk\u00e1cs escreve Tecnologia e rela\u00e7\u00f5es sociais. Acusa Bukarin de cair em \u201cum materialismo burgu\u00eas\u201d e em \u201cum burdo naturalismo\u201d. Antonio Gramsci chegar\u00e1 \u00e0s mesmas conclus\u00f5es que Luk\u00e1cs (sem ter lido sua critica) quando opina contra Bukarin em seus <em>Cuadernos de la c\u00e1rcel<\/em>.<\/p>\n<p>Em resumo, Luk\u00e1cs postula a reunifica\u00e7\u00e3o da t\u00e1tica e estrat\u00e9gia, mostrando a necess\u00e1ria continuidade dial\u00e9tica entre as reivindica\u00e7\u00f5es pontuais das classes oprimidas e a luta pela transforma\u00e7\u00e3o global da sociedade, ci\u00eancia e \u00e9tica, objeto e sujeito, estrutura e consci\u00eancia.<\/p>\n<p><em><strong>Antonio Gramsci (1891 \u2013 1937)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No dia 21 de janeiro de 1921, no Teatro S\u00e3o Marco de Livorno, nasce o Partido Comunista da It\u00e1lia (PCI), se\u00e7\u00e3o italiana da Internacional. No comit\u00ea central entram dois \u201cordinovistas\u201d (redatores do peri\u00f3dico de Gramsci L\u00b4Ordine Nuovo): Gramsci e Terracini. Mari\u00e1tegui estava nesse momento na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quando em 12 de fevereiro de 1924, sai de Mil\u00e3o o primeiro n\u00famero do novo di\u00e1rio comunista <em>L\u2019 Unit\u00e1<\/em> e em primeiro de mar\u00e7o a nova s\u00e9rie quinzenal L\u2019Ordine Nuovo, Mari\u00e1tegui j\u00e1 est\u00e1 em Lima.<\/p>\n<p>Gramsci escreve uma carta ao comit\u00ea central do partido bolchevique que iniciou uma luta entre as diversas correntes: <em>hoje voc\u00eas est\u00e3o destruindo vossa pr\u00f3pria obra e correm o risco de anular a fun\u00e7\u00e3o dirigente que o partido comunista da URSS conquistou [\u2026] vossos deveres russos podem e devem ser levados a cabo somente no quadro dos interesses do proletariado internacional <\/em>Por\u00e9m, Togliatti, delegado do PCI em Moscou, prefere n\u00e3o entregar a carta.<\/p>\n<p>O 8 de novembro de 1926, em viola\u00e7\u00e3o da imunidade parlamentar, Gramsci \u00e9 arrastado de sua pr\u00f3pria casa e preso no c\u00e1rcere de Regina Coeli. O minist\u00e9rio p\u00fablico, em conclus\u00e3o de sua requisi\u00e7\u00e3o declara que <em>por vinte anos devemos impedir este c\u00e9rebro de funcionar <\/em>e, de fato, Gramsci, em 4 de junho, \u00e9 condenado \u00e0 vinte anos, quatro meses e cinco dias de reclus\u00e3o; em 19 de julho \u00e9 internado na pris\u00e3o de Turi, na prov\u00edncia de Bari.<\/p>\n<p>Em 8 de fevereiro de 1929, enquanto Mari\u00e1tegui rompe com Haya de la Torre, Gramsci obt\u00e9m, finalmente, o necess\u00e1rio para escrever e inicia a escrita de seus <em>Quaderni del carcere <\/em>[7].<\/p>\n<p>Nesses escritos, defende que o poder n\u00e3o se concentra num Pal\u00e1cio de Inverno que tenha que ser tomado, mas que se estabelece num Estado-governo que difunde e impregna a sociedade. \u00c9 a busca do auto-governo dos trabalhadores, como uma nova forma do exerc\u00edcio do poder. Esta nova forma constitui o embri\u00e3o e o projeto da sociedade futura que se desenvolve na sociedade presente. A organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria n\u00e3o se apresenta como instrumento de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o ou como tarefa de especialistas que dirigem as massas, mas sim como uma organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da qual os trabalhadores colocam em p\u00e9 sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o. Reavalia o papel do Partido e dos sindicatos neste sentido e constr\u00f3i o conceito de \u201cbloco nacional-popular\u201d, de alian\u00e7as dirigidas para estabelecer, necessariamente, as novas formas de hegemonia.<\/p>\n<p>\u00c0 que princ\u00edpio aponta o intelectual org\u00e2nico, segundo Gramsci? <em>A buscar a rela\u00e7\u00e3o entre a organiza\u00e7\u00e3o e as massas como uma rela\u00e7\u00e3o entre educadores e educados que se inverte din\u00e2mica e constantemente.<\/em> O partido \u00e9 educador das massas e n\u00e3o seguidor das reivindica\u00e7\u00f5es imediatas das massas (reformismo) nem deve distanciar-se das massas por seu radicalismo (maximalismo). Deve ser um partido do proletariado, n\u00e3o para o proletariado.<\/p>\n<p>Para Gramsci, o Estado n\u00e3o se reduz somente aos seus aspectos coercitivos (como na concep\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin), mas que compreende o conjunto de processos que se desenvolvem na sociedade civil, as for\u00e7as espont\u00e2neas e criadoras que nascem na pr\u00e1tica social do povo, dos trabalhadores. Nas sociedades ocidentais, a mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria s\u00f3 pode dar-se quando se luta pela hegemonia social e cultural. Essa hegemonia se desenvolve quando as classes oprimidas elaboram sua pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de mundo e obt\u00e9m para ela o \u201cconsenso ativo\u201d de outras classes e estamentos sociais. Em s\u00edntese, a revolu\u00e7\u00e3o se prepara e sobrevive como mudan\u00e7a estrutural quando os trabalhadores organizados transcendem o gueto sindical e se transformam em classe nacional, assumindo a na\u00e7\u00e3o em seu conjunto, sob sua hegemonia e dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O elemento popular sente, por\u00e9m nem sempre compreende ou sabe; o elemento intelectual sabe, por\u00e9m nem sempre compreende e, especialmente, nem sempre sente.<\/p>\n<p><em><strong>Ernst Bloch (1885 \u2013 1977): o conceito de utopia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ernst Bloch era dez anos mais jovem que Mari\u00e1tegui. \u00c9 o fil\u00f3sofo das utopias concretas, das esperan\u00e7as. Se centra no processo pelo qual o ser humanos se concebe em si mesmo. A consci\u00eancia do ser humano est\u00e1 dotada de um \u201cexcedente\u201d que acha sua express\u00e3o nas utopias sociais, econ\u00f4micas e religiosas, na arte gr\u00e1fica, na m\u00fasica. Como marxista, Bloch v\u00ea no socialismo e no comunismo os instrumentos para trasladar este \u201cexcedente\u201d intang\u00edvel \u00e0 realidade [8].<\/p>\n<p>Para Bloch, a utopia \u00e9 algo aberto porque existem muitas coisas coisas n\u00e3o conclu\u00eddas no mundo, que ainda n\u00e3o se realizaram e que se pode realizar. Cri\u00e1-las \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o do ser humano. Esta fun\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica \u00e9 transcendente. Nesse processo de constru\u00e7\u00e3o, o ser humano se encontra na <em>na esperan\u00e7a e no pressentimento objetivo do que, todavia, n\u00e3o-chegou-a-ser, no sentido do que, todavia, n\u00e3o-chegou-a-ser-o-que-deveria. <\/em>A fun\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica \u00e9 a atividade inteligida do pressentimento da esperan\u00e7a O conte\u00fado do ato da esperan\u00e7a \u00e9, quando clareado conscientemente, a fun\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica positiva; O humanismo se acrescente na utopia e a partir de Marx quando, para Bloch, adquire o verdadeiro sentido: homo homini, uma naturaliza\u00e7\u00e3o do homem, uma humaniza\u00e7\u00e3o da natureza. O caminho da utopia \u00e0 ci\u00eancia que teria lugar com a obra de Marx n\u00e3o significa em absoluto que o marxismo deva perder seu impulso ut\u00f3pico, a \u201cvontade de utopia\u201d que lhe abre a possibilidade de p\u00f4r ao descoberto as insufici\u00eancias do presente.<\/p>\n<p><em><strong>Georges Eug\u00e8ne Sorel (1847 &#8211; 1922)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Como Proudhon, via o socialismo como uma quest\u00e3o principalmente moral. Tamb\u00e9m estava fortemente influenciado por Henri Bergson, o fil\u00f3sofo da espontaneidade e do movimento. Defendia que o ser humano s\u00f3 vive plenamente em e atrav\u00e9s de suas obras. Quando busca outras coisas, como o poder, \u00e9 porque se degenerou de sua verdadeira humanidade. A democracia parlamentar \u00e9 hip\u00f3crita e fraudulenta, vive nas costas dos trabalhadores explorados.<\/p>\n<p>S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel resgatar os seres humanos mediante uma for\u00e7a moral, mediante o desenvolvimento de homens novos que n\u00e3o se deixem obcecar pelo temor e nem pela cobi\u00e7a. Esta ideia do homem novo em Sorel \u00e9 tamb\u00e9m a que encontramos em <em>Las fuerzas morales<\/em>, de Jos\u00e9 Inginieros e em <em>Educaci\u00f3n e lucha de clases<\/em>, de An\u00edbal Ponce. Foi a ideia que impregnou a revolu\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria de C\u00f3rdova, em 1919.<\/p>\n<p>Sorel assinala que n\u00e3o \u00e9 a possess\u00e3o de ideias engendradas pelo racioc\u00ednio que cria v\u00ednculos verdadeiramente humanos, mas sim a vida em comum, o esfor\u00e7o comunit\u00e1rio. A verdadeira base de toda associa\u00e7\u00e3o \u00e9 a fam\u00edlia, a tribo, a polis em que a coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 instintiva e espont\u00e2nea, e n\u00e3o depende de normas e contratos inventados. As associa\u00e7\u00f5es que tem por objeto o lucro ou a utilidade, que se fundamentam em um acordo artificial, como \u00e9 o caso evidente das associa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas do sistema capitalista, acabam com o sentido de uma humanidade comum e destroem a dignidade humana ao gerar um esp\u00edrito de oportunismo competitivo.<\/p>\n<p>S\u00f3 o conflito purifica e fortalece, porque cria unidade e solidariedade duradouras, enquanto os partidos pol\u00edticos s\u00e3o estruturas inst\u00e1veis, expostas \u00e0 coaliz\u00f5es e alian\u00e7as oportunistas. Esse \u00e9 o v\u00edcio da democracia.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de mitos \u00e9 como o socialismo pode converter-se em uma esp\u00e9cie de poesia social, algo oposto ais seus representantes corrompidos ou covardes.<\/p>\n<p>Em resumo, defendemos que Mari\u00e1tegui viveu um ambiente intelectual revolucion\u00e1rio, oposto ao cientificismo, \u00e0 apologia e ao dogma. Assombrosamente bem informado para seu tempo, aberto a todas as ideias; Recordamos que em sua \u00e9poca e antes de sua \u00e9poca, se fizeram muitas formula\u00e7\u00f5es que foram depois esquecidas em nome do mesmo cientificismo marxista que pretendia, em palavras de Luk\u00e1cs, \u201ccoisificar\u201d o marxismo. Muitas advert\u00eancias sobre as consequ\u00eancias de uma aplica\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica do marxismo, feitas por autores anteriores e da \u00e9poca de Mari\u00e1tegui, que destacamos neste texto, foram desprezadas e esquecidas. Por isso revisitamos essas opini\u00f5es. Porque acreditamos que s\u00e3o valiosas e devemos t\u00ea-las em conta para nossas tarefas do presente.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, podemos responder a pergunta apresentada no come\u00e7o deste trabalho: que Mari\u00e1tegui necessitamos hoje em dia? Quem \u00e9 nosso Mari\u00e1tegui? Me permito opinar que a resposta \u00e9: o Mari\u00e1tegui total, o que se movia com comodidade nas ideias de Sorel e Nietzsche, ao inv\u00e9s de doutrin\u00e1rio na Defesa do Marxismo. Porque Mari\u00e1tegui demonstrou que a ortodocia n\u00e3o \u00e9 necessariamente oposta \u00e0 cultura e nem \u00e0s ideias novas que v\u00e3o nutrindo a exist\u00eancia humana. Mari\u00e1tegui foi um revolucion\u00e1rio marxista, n\u00e3o foi nem social-democrata \u00e0 moda de Kautsky, nem \u201caprista\u201d \u00e0 moda de Haya, nem extremista \u00e0 maneira do infantilismo revolucion\u00e1rio alem\u00e3o de 19, nem leninista \u00e0 maneira da Terceira Internacional de Bukarin. Nem europe\u00edsta. Foi uma \u00e1rvore com ra\u00edzes na realidade peruana e indo-americana, com ramos e folhas hoje expandidas pelo mundo. Essa e a sombra que todavia cobi\u00e7amos. N\u00e3o esquecemos a li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p>[1] \u201cO mariateguismo \u00e9 uma confus\u00e3o de ideias procedente das mais diversas fontes. N\u00e3o h\u00e1 quase tend\u00eancia que n\u00e3o esteja representada nele. Antes de ter bebido na fonte do marxismo, e particularmente no leninismo, Mari\u00e1tegui conheceu o movimento revolucion\u00e1rio atrav\u00e9s das mais diversas tend\u00eancias prolet\u00e1rias. Teve grandes equ\u00edvocos n\u00e3o s\u00f3 te\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m pr\u00e1ticos. S\u00e3o na realidade muito poucos os pontos de contato entre o leninismo e o mariateguismo e estes contatos s\u00e3o mais bem incidentais&#8230; nossa posi\u00e7\u00e3o frente ao mariateguismo \u00e9: tem que ser de combate implac\u00e1vel e irreconcili\u00e1vel, posto que \u00e9 entrada para bolcheviza\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e ideol\u00f3gica de nossas fileiras, impede que o proletariado se arme dos arsenais do leninismo e do marxismo, obstaculiza o crescimento r\u00e1pido do PC e a forma\u00e7\u00e3o de seus quadros; \u00e9 uma das dificuldades muito s\u00e9rias para colocarmos no topo dos grandes acontecimentos e cumprir assim nosso papel de vanguarda dos explorados em suas lutas e a\u00e7\u00f5es. (Fragmento de um documento do Partido Comunista da \u00e9poca de \u201cclasse contra classe\u201d citado por H\u00e9ctor B\u00e9jar em: APRA \u2013 PC 1930 \u2013 1940, itinerario de un conflicto. En: \u201cSocialismo y Participaci\u00f3n\u201d. N\u00ba 9, fevereiro 1980, p.13).<\/p>\n<p>[2] Em um artigo escrito em 1941, V.M. Miroshevsi, conselheiro do Bureau Latino-americano do Komintern, assinalou o \u201cpopulismo\u201d e \u201cromantismo\u201d de Mari\u00e1tegui baseando-se nas esperan\u00e7as deste no passo da comunidade ind\u00edgena ao socialismo, \u00e0 maneira dos populistas russos. (V.M. Miroshevsi. El populismo en el Per\u00fa. Papel de Mari\u00e1tegui en la historia del pensamiento social latinoamericano. Publicado originalmente em Moscou e reproduzido em Dial\u00e9ctica, revista do Partido Comunista Cubano, n\u00ba1, Havana, Cuba \u2013 maio-junho de 1942).<\/p>\n<p>[3] Tratarei de mostrar, disse Aric\u00f3, que Mari\u00e1tegui se diferenciava de Haya la Torre, por um lado, e do Comintern, por outro, em tr\u00eas aspectos substanciais, aspectos que ficaram obscurecidos, velados ou menosprezados pela tend\u00eancia de enfatizar em forma desmedida outras diferen\u00e7as reais de car\u00e1ter fundamentalmente te\u00f3rico&#8230; 1) uma concep\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, n\u00e3o jacobina, do processo revolucion\u00e1rio, visto desde uma perspectiva \u201cde baixo\u201d como irrup\u00e7\u00e3o na vida nacional de um movimento social aut\u00f4nomo, homogeneizado por um mito de regenera\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o peruana, capaz de constituir-se em uma vontade coletiva e do devir do estado; 2) uma forma n\u00e3o aristocr\u00e1tica de conceber a rela\u00e7\u00e3o entre intelectuais e massas, n\u00e3o j\u00e1 como t\u00e9rmino de uma abstrata alian\u00e7a de classes, mas sim como elemento de decisiva import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o do movimento de massas e na forma\u00e7\u00e3o de um bloco ideol\u00f3gico revolucion\u00e1rio (aqui Aric\u00f3 usa a no\u00e7\u00e3o de bloco hegem\u00f4nico extra\u00edda de Gramsci, outro autor revalorizado nos anos 80); 3) uma percep\u00e7\u00e3o distinta do \u201ctempo\u201d pr\u00f3prio do processo pol\u00edtico e social peruano, em que o elemento determinante resulta ser o n\u00edvel de organicidade alcan\u00e7ado pelo movimento social. A dilucida\u00e7\u00e3o deste pontos ou n\u00facleos tem\u00e1ticos de diferencia\u00e7\u00e3o pode projetar luz suficiente para aclararmos por qu\u00ea, na constru\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, Mari\u00e1tegui insistiu em defender sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de Partido Socialista (e n\u00e3o \u201ccomunista\u201d; seu modelo organizativo pr\u00f3prio e sua composi\u00e7\u00e3o ampla e definitiva de um partido \u201cpopular\u201d antes que \u201cde classe\u201d. Jos\u00e9 Aric\u00f3. Mari\u00e1tegui y la formaci\u00f3n del Partido Socialista del Per\u00fa. In: \u201cSocialismo y Participaci\u00f3n\u201d. N\u00ba 11, setembro de 1980, pp. 143.<\/p>\n<p>[4] Gonzalo Portocarrero et al. La aventura de Mari\u00e1tegui, nuevas perspectivas. Lima: Pontificia Universidad Cat\u00f3lica del Per\u00fa, Fondo Editorial, 1995.<\/p>\n<p lang=\"en-US\" align=\"JUSTIFY\">[5] Obras de Bernstein: Cromwell and Communism: Socialism and democracy in the Great English Revolution, 1895; Evolutionary Socialism: A criticism and affirmation, 1899; Wie ist Wissenschaftlicher Socialismus M\u00f6glich?, 1901.<\/p>\n<p>[6] Rosa Luxemburgo nasceu em Zamosc, Pol\u00f4nia, dentro do imp\u00e9rio russo, em 1871, e morreu na Alemanha, em 15 de janeiro de 1919. Como Mari\u00e1tegui, tinha uma coxeadura permanente. Era judia, polaca e imigrante. Militou ativamente no Partido Social-democrata da Alemanha (SPD), at\u00e9 que, em 1914, se op\u00f4s \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos social-democratas na I Guerra Mundial. Constatou que o sentimento nacionalista dos partidos trabalhadores era mais forte que sua consci\u00eancia de classe. Integrou a Liga Espartaquista, origem d Partido Comunista da Alemanha (KPD). Ao terminar a guerra, fundou o jornal A Bandeira Vermelha junto com Karl Liebknecht. Se solidarizou com a revolu\u00e7\u00e3o russa, por\u00e9m a criticou. Tomou parte na frustrada revolu\u00e7\u00e3o de 1919, em Berlim, ainda quando este levante ocorreu contra os seus conselhos. A revolta foi sufocada pelo ex\u00e9rcito e os Corpos Livres (paramilitares de direita), centenas de pessoas, entre elas Rosa Luxemburgo, foram presas, torturadas e assassinadas. Foi golpeada com a culatra de uma arma at\u00e9 a morte e seu corpo foi jogado num rio pr\u00f3ximo. Liebknecht recebeu um tiro na nuca e seu corpo foi enterrado em fossa comum. Obras de Rosa Luxemburgo: (1978) Obras Escogidas. Madrid: Editorial Ayuso. (1977) Escritos Pol\u00edticos. Barcelona: Editorial Grijalbo. Cr\u00edtica al bolchevismo. Problemas de Organizaci\u00f3n de la Socialdemocracia rusa y Critica de La Revoluci\u00f3n rusa.<\/p>\n<p>7] Os Cadernos foram enumerados, sem levar em conta sua cronologia, por sua cunhada Tatiana Schucht que, junto com Piero Sraffa, conseguiu escond\u00ea-los das inspe\u00e7\u00f5es policiais e entreg\u00e1-los ao banqueiro Raffaele Mattioli, secreto financiador das reda\u00e7\u00f5es de Gramsci, o qual as confiou em Moscou \u00e0 Palmiro Togliatti e a outros dois dirigentes comunistas italianos.<\/p>\n<p>Depois do final da guerra, os Cadernos, revisados por Felice Platone, foram publicados pela casa editorial Einaudi \u2013 unidas a suas Cartas do c\u00e1rcere remetidas aos familiares \u2013 em seis volumes, ordenados por argumentos homog\u00eaneos, com os t\u00edtulos: O materialismo hist\u00f3rico e a filosofia de Benedetto Croce (1948); Os intelectuais e a organiza\u00e7\u00e3o da cultura (1949); O Risorgimento (1949); Notas sobre Maquiavel, sobre a pol\u00edtica e sobre o Estado moderno (1949), Literatura e vida nacional (1950); Passado e presente (1951).<\/p>\n<p>[8] Obras de Ernst Bloch: Tesis Disquisiciones cr\u00edticas sobre Rickert y el problema de la epistemolog\u00eda (1909); Esp\u00edritu de la utop\u00eda, Munich (1918); Thomas M\u00fcnzer como te\u00f3logo de la revoluci\u00f3n, Munich (1921); Vestigios, Berlin (1930); Herencia de esta \u00e9poca, Z\u00fcrich (1935); Sujeto-objeto, Christian Thomasius, El principio Esperanza, Avicena y la izquierda aristot\u00e9lica, Leipzig (1949); Vestigios y El principio de la esperanza (1959).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>B\u00c9JAR H\u00e9ctor. APRA \u2013 PC 1930 \u2013 1940, itinerario de un conflicto. En: \u201cSocialismo y Participaci\u00f3n\u201d No.9, febrero 1980, p\u00e1g.13). Lima: CEDEP ediciones.<\/p>\n<p>MIROSHEVSKI V.M.. El populismo en el Per\u00fa. Papel de Mari\u00e1tegui en la historia del pensamiento social latinoamericano. La Habana Cuba: Dial\u00e9ctica, revista del Partido Comunista Cubano No.1 mayo \u2013 junio 1942.<\/p>\n<p>ARIC\u00d3 Jos\u00e9. Mari\u00e1tegui y la formaci\u00f3n del Partido Socialista del Per\u00fa. En: \u201cSocialismo y Participaci\u00f3n No.11, setiembre 1980, p\u00e1g.143. Lima: CEDEP ediciones.<\/p>\n<p>PORTOCARRERO Gonzalo et al. La aventura de Mari\u00e1tegui, nuevas perspectivas. Lima: Pontificia Universidad Cat\u00f3lica del Per\u00fa, Fondo Editorial, 1995.<\/p>\n<p>LUXEMBURGO Rosa: (1978) Obras Escogidas. Madrid: Editorial Ayuso. (1977)<\/p>\n<p>Escritos Pol\u00edticos. Barcelona: Editorial Grijalbo, 1970.<\/p>\n<p>SOREL Georges. Reflexiones sobre la violencia. Madrid: Alianza Editorial, 1976<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>1912 \u2013 Trabalho de Mari\u00e1tegui em La Prensa Pierolista que apoiava a candidatura de Billinghurst. Primeiro decreto estabelecendo as oito horas em Callao.<\/p>\n<p>1914 &#8211; Golpe de Benavides<\/p>\n<p>1915 \u2013 O Congresso elege Jos\u00e9 Pardo. Mari\u00e1tegui j\u00e1 \u00e9 cronista parlamentar de La Prensa. Publica\u00e7\u00e3o de La novela y la vida (Profesor Canella)<\/p>\n<p>1916 &#8211; Col\u00f3nida, amizade com Valdelomar. El Turf. Se afasta de La Prensa que apoiava Pardo. Abril, aparece El Tiempo com C\u00e9sar Falc\u00f3n. Coluna Voces como Juan Croniqueur. Denuncia a a\u00e7\u00e3o do imperialismo ianque contra o M\u00e9xico.<\/p>\n<p>1917 &#8211; Incidente de Norka Rouskaya.<\/p>\n<p>1918 &#8211; Nuestra \u00c9poca. S\u00f3 apareceram dois n\u00fameros. Jos\u00e9 V\u00e1squez Benavides agride Mari\u00e1tegui. El deber del ej\u00e9rcito y el deber del Estado. Morre Gonz\u00e1lez Prada. Haya e Mari\u00e1tegui se conhecem em El Tiempo.<\/p>\n<p>1919 &#8211; Golpe de Legu\u00eda Jornada de oito horas. Fechamento de El Tiempo. Publica\u00e7\u00e3o e frechamento de La Raz\u00f3n com C\u00e9sar Falc\u00f3n.<\/p>\n<p>1919 &#8211; Mar\u00e7o. Funda\u00e7\u00e3o da III Internacional. 21 condi\u00e7\u00f5es de Lenin.<\/p>\n<p>1919 &#8211; Golpe de Legu\u00eda. Jornada de ocho horas. Clausura de La Raz\u00f3n.<\/p>\n<p>1920 &#8211; II Congresso da Internacional Comunista<\/p>\n<p>1921 &#8211; III Congresso da IC. Replanejamento estrat\u00e9gico: \u201cir \u00e0s massas\u201d. Frente \u00danica Prolet\u00e1ria, j\u00e1 o partido de quadros.<\/p>\n<p>1921 &#8211; III Congresso da IC. Congresso do Partido Socialista Italiano. Divis\u00e3o dol PS e funda\u00e7\u00e3o do PC Italiano.<\/p>\n<p>1923 &#8211; Retorno ao Per\u00fa. Assume a dire\u00e7\u00e3o de Claridad. (Henri Barbusse).Universidades Populares.<\/p>\n<p>1924 &#8211; Agravamento de sua enfermidade. Amputa\u00e7\u00e3o da perna direita.<\/p>\n<p>1925 &#8211; Funda a Editorial Minerva. Sai La Escena Contempor\u00e1nea<\/p>\n<p>1926 &#8211; Sai Amauta.<\/p>\n<p>1927 &#8211; Pris\u00e3o de Mari\u00e1tegui e fechamento de Amauta. Viagem de Julio Portocarrero a Moscou, ao V Congresso da Internacional Sindical.<\/p>\n<p>1927 &#8211; Funda\u00e7\u00e3o da Editorial Minerva com seu irm\u00e3o Julio<\/p>\n<p>1928 &#8211; Julho a setembro: VI Congresso da Internacional Comunista. Linha de \u201cclasse contra classe\u201d.<\/p>\n<p>1928 &#8211; 22 de janeiro: lan\u00e7amento do Partido Nacionalista Libertador por Haya de la Torre. Ruptura entre Mari\u00e1tegui y Haya. Reda\u00e7\u00e3o, por Haya, de El anti-imperialismo e o APRA. Aparecem os Siete Ensayos de interpretaci\u00f3n de la realidad peruana.<\/p>\n<p>1928 &#8211; Confer\u00eancia Sindical Latino-americana de Montevid\u00e9u. 7 de outubro: Funda\u00e7\u00e3o do Partido Socialista.<\/p>\n<p>1929 &#8211; Funda\u00e7\u00e3o da CGTP. I Confer\u00eancia Comunista Latino-americana, congresso de partidos comunistas latino-americanos em Buenos Aires (1 a 12 de junho). Julio Portocarrero l\u00ea o programa do Partido Socialista.<\/p>\n<p>1929 &#8211; Novembro. A pol\u00edcia invade sua casa.<\/p>\n<p>1930 &#8211; Mar\u00e7o. Mari\u00e1tegui decide viajar para Buenos Aires. O Partido Socialista acorda sua ades\u00e3o \u00e0 Internacional.<\/p>\n<p>1930 &#8211; Fevereiro. Carta a Mart\u00edn Glusberg. Projeto de viagem a Buenos Aires<\/p>\n<p>1930 &#8211; Abril. Morre Mari\u00e1tegui<\/p>\n<p>1930 &#8211; Maio. O Partido Socialista muda seu nome para Partido Comunista.<\/p>\n<p>1930 &#8211; 22 de agosto. Levante de S\u00e1nchez Cerro e ca\u00edda de Legu\u00eda<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>1919 \u2013 Moscou: 2 a 6 mar\u00e7o I Congresso.. 36 delegados plenos e 15 consultivos. 8 russos e o resto emigrados na R\u00fassia. Representantes de \u00c1ustria, Su\u00e9cia, Noruega, Holanda, Su\u00ed\u00e7a, Hungr\u00eda e Estados Unidos.<\/p>\n<p>1920 &#8211; 10 julho-7 agosto 1920 II Congresso. 200 delegados. O Ex\u00e9rcito Vermelho avan\u00e7ava sobre Vars\u00f3via. Se aprovam as 21 condi\u00e7\u00f5es de admiss\u00e3o. Condi\u00e7\u00f5es: mante organiza\u00e7\u00f5es clandestinas.<\/p>\n<p>1921 &#8211; 22 junho-12 julho. III Congresso. O Ex\u00e9rcito Vermelho \u00e9 derrotado na Pol\u00f4nia. Insurrei\u00e7\u00e3o de Cronstandt. Derrota da revolu\u00e7\u00e3o na Alemanha e It\u00e1lia. NEP. O esquerdismo, doen\u00e7a infantil do comunismo: \u201cH\u00e1 que terminar com os assaltos e passar \u00e0 tomada\u201d. Lenin. Teses sobre a Frente \u00danica do Proletariado com a segunda Internacional.<\/p>\n<p>1922 &#8211; Triunfo do fascismo na It\u00e1lia. Reconstitui\u00e7\u00e3o da II Internacional.<\/p>\n<p>1922 &#8211; 5 novembro-5 dezembro, IV Congresso. O Komintern reafirma o que \u00e9 a \u201cfrente \u00fanica\u201d, bloco trabalhador, evitando toda a fus\u00e3o ou concess\u00e3o doutrin\u00e1ria.<\/p>\n<p>1923 \u2013 Janeiro, Congresso em Hamburgo (maio 1923), nasce a Internacional Socialista.<\/p>\n<p>1923 \u2013 Cis\u00e3o do movimento trabalhador entre socialistas e comunistas. A acusa\u00e7\u00e3o socialista contra os comunistas: a exist\u00eancia de uma ditadura terrorista na IRSS; persegui\u00e7\u00e3o dos socialistas dentro deste pa\u00eds e trabalho de desmobiliza\u00e7\u00e3o contra eles no exterior e a tese leninista da \u201cinevitabilidade da guerra\u201d. A t\u00e1tica dos comunistas: reivindicar sistematicamente mais do que solicitam os socialistas, quaisquer que sejam as condi\u00e7\u00f5es objetivas.<\/p>\n<p>1924 \u2013 Janeiro, morte de Lenin.<\/p>\n<p>1924 &#8211; 17 junho-8 julho V Congresso. Se no III Congresso o Komintern havia abrandado a t\u00e1tica pol\u00edtica com a palavra de ordem \u201cir \u00e0s massas\u201d no V Congresso se levaram mais \u00e0 esquerda as conclus\u00f5es do IV, cuidando mais estritamente da qualidade do recrutamento. Luta ela sucess\u00e3o de Lenin.<\/p>\n<p>1927 &#8211; Ruptura entre Trotski e o Komintern. Ex\u00edlio de Trotski em Alma Ata. Massacre dos comunistas na China.<\/p>\n<p>1929 &#8211; Trotski \u00e9 expulso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Bukarin (na realidade Manuilsky) sucede Zinoviev na dire\u00e7\u00e3o do Komintern.<\/p>\n<p>1928 &#8211; 17 julho- 1 setembro. VI Congresso do KOMINTERN. Bukarin perde seu posto. St\u00e1lin abre a tese do \u201cterceiro per\u00edodo\u201d (crise geral do capitalismo) e sua pol\u00edtica toma um rumo \u201cultra-esquerdista\u201d. Trotski, Zinoviev e Kamenev exclu\u00eddos do partido. XV Congresso do PCUS declara terminada a \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o\u201d do capitalismo e finda a \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d. Se decreta que \u201ca URSS \u00e9 a \u00fanica p\u00e1tria do proletariado mundial\u201d. A social-democracia \u00e9 denominada de social-chauvinismo a social-imperialismo. Os social-democratas s\u00e3o acusados de \u201csocial-fascistas\u201d. O Congresso d\u00e1 por inaugurada a fase da \u201cclasse contra classe\u201d, estando a vista uma \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o da massas\u201d.<\/p>\n<p lang=\"en-US\" align=\"JUSTIFY\">1929 &#8211; Crise de Wall Street.<\/p>\n<p>1931 &#8211; Abril. XI Pleno Ampliado do KOMINTERN. Se declara que os \u201csocial-democratas s\u00e3o o partido mais ativo preparando uma agress\u00e3o contra a URSS\u201d.<\/p>\n<p>1933 \u2013 Ascens\u00e3o de Hitler. Persegui\u00e7\u00e3o aos comunistas e social-democratas na Alemanha.<\/p>\n<p>1934 &#8211; Julio Piatnizki ante o comit\u00ea executivo do Komintern: Os fascistas n\u00e3o se conservar\u00e3o no poder. A resolu\u00e7\u00e3o do bureau vem sendo corroborada; a crise no campo fascista est\u00e1 come\u00e7ando. Fritz Hecker, membro do CC do PC alem\u00e3o, \u201cdemonstrou\u201d que a ditadura hitlerista era muito mais fraca que a de Mussolini.<\/p>\n<p>1934 &#8211; 30 junho. O III Reich se retira da Sociedade das Na\u00e7\u00f5es, a URSS ingressa. Noite dos longos cochilos: Hitler assassina seus opositores na Alemanha. Rapprochement \u00e0s democracias ocidentais (se omitia \u201cburguesas\u201d). O presidente do Comit\u00ea Ejxcutivo do Komintern declara que \u201cos grupos social-democratas que est\u00e3o lutando na Alemanha n\u00e3o s\u00e3o social-fascistas e n\u00e3o constituem o sustento social da burguesia. Se encontram no caminho que leva ao comunismo e devem ser ganhos ao partido comunista\u201d.<\/p>\n<p>1935 &#8211; 25 julho-21 agosto. VIl e \u00faltimo Congresso. Dimitrov \u2013 Manuilsky. Convocado para explicar uma mudan\u00e7a de pol\u00edtica que j\u00e1 havia sido decidida em Moscou. O Congresso anterior foi o \u00faltimo em que se permitiu uma variedade de opini\u00f5es, pois St\u00e1lin n\u00e3o estava consegrado. Grande parte da gera\u00e7\u00e3o dos \u201cvelhos revolucion\u00e1rios\u201d s\u00e3o convocados \u00e0 Moscou e liquidados. Se instaura a linha de Dimitrov, Frentes Populares. Espanha, Fran\u00e7a e Chile (1937) concordam.<\/p>\n<p>1939 &#8211; Pacto germano-sovi\u00e9tico Molotov-Ribbentrop.<\/p>\n<p>1941- Invas\u00e3o hitleriana \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>1943 &#8211; 15 de mar\u00e7o. \u00c9 dissolvida a Internacional Comunista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCP\n\n\n\n\n\n\n\n\nSemin\u00e1rio Caio Prado J\u00fanior e Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/557\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-marxismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Z","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}