{"id":5602,"date":"2013-10-28T19:54:10","date_gmt":"2013-10-28T19:54:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5602"},"modified":"2013-10-28T19:54:10","modified_gmt":"2013-10-28T19:54:10","slug":"a-paz-nao-pode-depender-de-promessas-e-de-palavras-sonoras-farc-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5602","title":{"rendered":"A PAZ N\u00c3O PODE DEPENDER DE PROMESSAS E DE PALAVRAS SONORAS [FARC-EP]"},"content":{"rendered":"\n<p>Alcan\u00e7amos outro porto intermedi\u00e1rio na linha do tempo que conduz ao destino da paz que a hist\u00f3ria reservou para a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Nossa f\u00e9\u00a0e nossa certeza brotam da determina\u00e7\u00e3o de colocar fim a um conflito de meio s\u00e9culo de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>As guerras n\u00e3o s\u00e3o eternas; elas devem ter um final. Se ambas as partes t\u00eam vontade sincera, ningu\u00e9m poder\u00e1\u00a0ir contra a paz. Por\u00e9m, o governo tem a responsabilidade de n\u00e3o permitir que essa esperan\u00e7a escape, porque possui em suas m\u00e3os a decis\u00e3o das mudan\u00e7as, de abrir as portas para a democracia e de atender o clamor de um povo que exige paz com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Todos sabemos que a paz n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0o sil\u00eancio dos fuzis. Declaramos ao governo que, para dar curso \u00e0\u00a0constru\u00e7\u00e3o da paz, ter\u00e1 que deter a confronta\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o imp\u00f5e que, antes de rubricar o acordo final, \u00e9 necess\u00e1rio acordar o conte\u00fado das reformas institucionais que \u2013 o mesmo governo reconhece \u2013 devem ser implementadas logo ap\u00f3s a sua assinatura.<\/p>\n<p>A paz n\u00e3o\u00a0pode depender de promessas e de palavras sonoras, enf\u00e1ticas, mas de vida ef\u00eamera. As palavras, vistas desde o contexto hist\u00f3rico da solu\u00e7\u00e3o de conflitos na Col\u00f4mbia, sempre se converteram em engano e trai\u00e7\u00e3o. Confiados nelas, ca\u00edram abatidos pelas balas os comandantes guerrilheiros da dimens\u00e3o de Guadalupe Salcedo, Jacobo Pr\u00edas Alape e Carlos Pizarro Leong\u00f3mez, entre outros.<\/p>\n<p>\u00c9 indispens\u00e1vel, para a constru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a, acordar o que se desenvolver\u00e1 mais tarde, blindar juridicamente o eventual Acordo, convert\u00ea-lo em norma p\u00e9trea para que nenhum governo caia na tenta\u00e7\u00e3o de desconhec\u00ea-lo; e, sobretudo, ampar\u00e1-lo nas interven\u00e7\u00f5es da juridicidade internacional com o desfraldar da bandeira da soberania jur\u00eddica e com o fato consumado \u2013 que todos os colombianos devemos reivindicar \u2013 de que nenhum tr\u00e2mite jur\u00eddico internacional pode estar acima da decis\u00e3o do soberano, do constituinte prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Seria um sofisma pensar que o governo na mesa representa toda a sociedade. \u00c9\u00a0\u00f3bvio que do outro lado se encontram os desejos das maiorias pobres, delineados nos f\u00f3runs tem\u00e1ticos convocados pela iniciativa da mesa de di\u00e1logo, e que as FARC assumiram como base para o debate e para a formula\u00e7\u00e3o de propostas ao governo, porque entendem que uma verdadeira agenda de paz s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtima se responde a esses interesses das maiorias nacionais.<\/p>\n<p>O povo n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0um convidado inerte no processo; segundo o esp\u00edrito do acordo, ele deve ser um criador e, no final, o protagonista principal do acordo. Disso se trata quando se afirma que &#8220;a paz \u00e9 assunto da sociedade em seu conjunto que requer a participa\u00e7\u00e3o de todos, sem distin\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m poderia conceber, por exemplo, em um pa\u00eds onde a maioria de sua popula\u00e7\u00e3o vive nas cidades, para se definir os fundamentos da paz, que n\u00e3o conste na agenda debater a problem\u00e1tica urbana.<\/p>\n<p>Assim s\u00e3o as coisas: reiteramos que um dos compromissos acordados entre governo e FARC \u00e9 que &#8220;as discuss\u00f5es da mesa n\u00e3o ser\u00e3o p\u00fablicas&#8221;. Em nenhum ponto do acordo se utiliza a palavra confidencialidade, e muito menos com refer\u00eancia ao que j\u00e1 foi acertado. E isso \u00e9 importante porque, afora o fato de se desejar transpar\u00eancia, o secretismo nunca ser\u00e1 pertinente e, para que o povo possa opinar e decidir, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha conhecimento dos avan\u00e7os concretizados.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s apresentar cerca de 100 propostas para a Participa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, quando, ao mesmo tempo, respond\u00edamos a todas as quest\u00f5es apresentadas pelo governo fora da ordem da agenda, e ap\u00f3s mostrarmos um empenho de 24 horas por dia para resolver desentendimentos e mostrar solu\u00e7\u00f5es repletas de bom senso e absoluta vontade de reconcilia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 sensato que se pretenda mostrar a insurg\u00eancia como a parte do di\u00e1logo que procura impedir o avan\u00e7o do processo.<\/p>\n<p>Apesar de, na pr\u00e1tica, o tratamento repressivo dado aos protestos dos cidad\u00e3os n\u00e3o mostra uma real vontade de solu\u00e7\u00e3o aos problemas sociais; se observarmos bem, se analisarmos com aten\u00e7\u00e3o o que em mat\u00e9ria de acordos se acertou em Havana, a opini\u00e3o nacional poder\u00e1 considerar que, da nossa parte, as pontes que constru\u00edmos est\u00e3o apoiadas sobre os cimentos e as colunas de preceitos e normas que n\u00e3o ultrapassam o ordenamento constitucional.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0realista pretender que admitamos que impere a unilateralidade nas determina\u00e7\u00f5es sobre temas cruciais, como o marco jur\u00eddico para a paz e o assunto do referendo, em respeito aos quais existia o compromisso de discuti-los na mesa de conversa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quem coloca os obst\u00e1culos se do que se trata \u00e9 que o di\u00e1logo seja diligente, ou seja, sem dificuldades?<\/p>\n<p>Se quando falamos de rapidez nos referimos ao tempo necess\u00e1rio, este tempo n\u00e3o pode ter uma dimens\u00e3o t\u00e3o breve que torne imposs\u00edvel refletir da melhor maneira sobre os problemas que causaram uma guerra de mais de meio s\u00e9culo. Menos ainda os ciclos devem ser desperdi\u00e7ados nos caminhos e descaminhos dos labirintos gramaticais, nem se distrair com ninharias em detrimento da solu\u00e7\u00e3o dos problemas fundamentais, concretos, que as pessoas nas ruas est\u00e3o reivindicando claramente.<\/p>\n<p>Se se mant\u00e9m o absurdo de n\u00e3o divulgar com mais frequ\u00eancia a totalidade da prioridade em cada ciclo, de onde se tira a infeliz ideia de que o lento progresso retira apoio \u00e0s conversa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Como o pa\u00eds pode saber qual \u00e9 a dimens\u00e3o desse avan\u00e7o se lhe privam de uma informa\u00e7\u00e3o a que tem direito? Quanta raz\u00e3o tem o comandante Timole\u00f3n! N\u00e3o \u00e9 justo responsabilizar o processo pela desaprova\u00e7\u00e3o que a chamada opini\u00e3o p\u00fablica tem a respeito de quem conduz a pol\u00edtica oficial, como tampouco n\u00e3o se valorize o dano produzido pela sua vincula\u00e7\u00e3o ao processo eleitoral.<\/p>\n<p>Desde Oslo e muito antes, o governo sabe que, quando tomamos a decis\u00e3o de iniciar o processo de paz, nosso prop\u00f3sito fundamental era discutir e buscar solu\u00e7\u00e3o para os problemas estruturais que causaram o conflito pol\u00edtico, social e armado que sangra o nosso pa\u00eds. Com essa convic\u00e7\u00e3o, firmou-se o acordo de Havana, tal como, de maneira muito breve, mas precisa, est\u00e1 registrado em seu pre\u00e2mbulo. Assim, n\u00e3o s\u00e3o pertinentes nem corretas as interpreta\u00e7\u00f5es restritivas que se pretende impor como constante, aqui sim como obst\u00e1culo, ao desenvolvimento das discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente quem sempre acreditou que o nosso povo \u00e9 ignorante pode considerar que a Col\u00f4mbia esteja desorientada, ou n\u00e3o tenha claro o prop\u00f3sito das conversa\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos confian\u00e7a na sabedoria das pessoas comuns e, por isso, consideramos suas contribui\u00e7\u00f5es, suas reivindica\u00e7\u00f5es, seus sonhos de na\u00e7\u00e3o, para fazer poss\u00edvel o que sempre se lhe tem sido negado: expressar-se e ter vida digna.<\/p>\n<p>Neste encerramento de ciclo, o pa\u00eds deve ter clara uma grande verdade: temos trabalhado a fundo cada dia; n\u00e3o h\u00e1 jornada em que n\u00e3o apresentamos propostas e solu\u00e7\u00f5es; n\u00e3o houve um dia em que n\u00e3o propiciamos um avan\u00e7o; por isso, ainda que nos sentimos envolvidos pelo manto do dever cumprido, estamos redobrando nossos esfor\u00e7os para que possamos dar rapidamente a boa nova de um informe satisfat\u00f3rio sobre o ponto de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que encha de otimismo e maior convic\u00e7\u00e3o os cora\u00e7\u00f5es dessa imensa massa de despossu\u00eddos que verdadeiramente deseja a conquista da paz.<\/p>\n<p>*DELEGA\u00c7\u00c3O DE PAZ DAS FARC-EP*<\/p>\n<p>Havana, Cuba, sede dos di\u00e1logos de paz, outubro de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5602\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-5602","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1sm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5602\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}