{"id":5637,"date":"2013-11-08T21:25:41","date_gmt":"2013-11-08T21:25:41","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5637"},"modified":"2013-11-08T21:25:41","modified_gmt":"2013-11-08T21:25:41","slug":"confirmado-yasser-arafat-foi-envenenado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5637","title":{"rendered":"Confirmado: Yasser Arafat foi envenenado"},"content":{"rendered":"\n<p>A cinco dias do nono anivers\u00e1rio da morte do l\u00edder palestino Yasser Arafat, os cientistas que analisaram tecidos retirados de seu corpo, exumado um ano atr\u00e1s, confirmam que houve envenenamento por pol\u00f4nio 210, elemento radioativo mortal.<\/p>\n<p>Por Baby Siqueira Abr\u00e3o*<\/p>\n<p>Cientistas do Centro de Medicina Legal da Universidade de Lausane, na Su\u00ed\u00e7a, descobriram que os restos mortais do l\u00edder palestino Yasser Arafat (1929-2004) continham um n\u00edvel 18-36 vezes maior do que o normal do elemento radioativo pol\u00f4nio. O an\u00fancio foi feito hoje pelos jornalistas David Poort e Ken Silverstein, da rede Al-Jazira, que obtiveram com exclusividade o relat\u00f3rio de 108 p\u00e1ginas elaborado pelos especialistas da universidade (1) .<\/p>\n<p>Com a cautela caracter\u00edstica, os cientistas que realizaram os exames garantem que h\u00e1 mais de 83% de certeza de que Arafat foi envenenado. Mas Dave Barclay, cientista forense renomado e detetive aposentado do Reino Unido, ouvido pela Al-Jazira, n\u00e3o tem d\u00favidas do envenenamento: afirmou estar convencido de que houve assassinato. &#8220;Arafat morreu em consequ\u00eancia do envenenamento por pol\u00f4nio. Encontramos a arma que o matou&#8221;, afirmou Barclay. &#8220;O n\u00edvel da subst\u00e2ncia nas costelas do l\u00edder palestino \u00e9 de 18 a 36 vezes a m\u00e9dia normal, dependendo da literatura consultada&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Em 27 de novembro de 2012, cientistas su\u00ed\u00e7os, franceses e russos retiraram tecidos do corpo de Arafat, exumado, a pedido da vi\u00fava Sura Arafat, do mausol\u00e9u onde foi enterrado, em Ramala, na Cisjord\u00e2nia. Tamb\u00e9m foi ela que encaminhou ao jornalista Clayton Swisher, da Al-Jazira, a mala com as pe\u00e7as de roupa que Arafat carregava quando foi levado, j\u00e1 muito doente, da Palestina para o Hospital Militar de Percy, na Fran\u00e7a. Swisher entregou esse material, bem como radiografias e relat\u00f3rios m\u00e9dicos, ao Centro de Medicina Legal da Universidade de Lausane em 3 de fevereiro de 2012. Alguns meses depois o resultado dos exames confirmava um n\u00edvel &#8220;inexplic\u00e1vel e insuport\u00e1vel de pol\u00f4nio 210&#8221; &#8211; elemento radioativo potente e mortal &#8211; &#8220;nos objetos pessoais do sr. Arafat&#8221;, como explicaria \u00e0 \u00e9poca Fran\u00e7ois Bochud, diretor do Centro.<\/p>\n<p>Yasser Arafat come\u00e7ou a sentir-se mal na noite de 12 de outubro de 2004, depois do jantar. Ele estava detido desde 2002 na Muqata, o conjunto de pr\u00e9dios que abriga a presid\u00eancia da ANP. Cercados pelo ex\u00e9rcito israelense, sob bombardeio di\u00e1rio, os edif\u00edcios da Muqata foram praticamente destru\u00eddos, al\u00e9m de terem cortadas a \u00e1gua e a energia el\u00e9trica. Arafat s\u00f3 conseguiu sair dali porque seu estado de sa\u00fade se agravou, levando-o \u00e0 Fran\u00e7a para tratamento. Ele morreria em solo franc\u00eas, aos 75 anos, em 11 de novembro de 2004, sem que os m\u00e9dicos que o atenderam &#8211; tunisianos e eg\u00edpcios em Ramala, franceses no hospital de Percy &#8211; conseguissem fechar um diagn\u00f3stico sobre a causa da morte.<\/p>\n<p>Na Palestina, por\u00e9m, sempre se falou em envenenamento. E os palestinos sempre acusaram Israel como respons\u00e1vel pelo assassinato. Apontam uma entrevista de 2001, dada ao jornal israelense\u00a0<em>Maariv<\/em> pelo ent\u00e3o primeiro-ministro Ariel Sharon, em que ele diz textualmente que &#8220;se arrepende&#8221; por n\u00e3o ter &#8220;liquidado&#8221; Arafat quando Israel invadiu o L\u00edbano, em 1982 &#8211; ano em que Sharon era ministro da Defesa e Arafat vivia em Beirute, capital libanesa. Em 2003, Ehud Olmert, o segundo da coaliz\u00e3o governamental comandada por Sharon, afirmou \u00e0 r\u00e1dio do ex\u00e9rcito israelense que o assassinato de Arafat era &#8220;definitivamente uma op\u00e7\u00e3o&#8221;, segundo noticiou Eric Silver, do jornal\u00a0<em>The Independent<\/em> (2).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Israel tem um longo hist\u00f3rico de assassinatos e de tentativas de assassinatos contra os palestinos, tanto autoridades como cidad\u00e3os comuns (lembremos os ataques a Gaza e suas milhares de v\u00edtimas), e comprovadamente tem e usa o pol\u00f4nio 210. Richard Silverstein, do site Tikun Olan, lembra um evento ocorrido em 1957 no laborat\u00f3rio do Instituto Weizmann, operado pelo Comit\u00ea de Energia At\u00f4mica de Israel. A libera\u00e7\u00e3o acidental de pol\u00f4nio 210 matou v\u00e1rios cientistas israelenses (3)<\/p>\n<p>Em 9 de janeiro de 2013, Shimon Peres, atual presidente de Israel, deixou escapar, numa entrevista ao jornal\u00a0<em>The New York Times<\/em>, que Arafat fora realmente assassinado. Dei a not\u00edcia do jornal\u00a0<em>Brasil de Fato<\/em>, e ela foi republicada pelo site de um jornalista famoso. Pressionado por sionistas brasileiros &#8211; os quais alegavam que a informa\u00e7\u00e3o era inver\u00eddica -, ele acabou retirando a postagem. Mas os sionistas estavam enganados, como prova o trecho da entrevista em que Peres afirma o assassinato do l\u00edder palestino:<\/p>\n<p><em>Ronen Bergman, entrevistador<\/em>: O senhor n\u00e3o acha que Arafat devia ser assassinado.<\/p>\n<p><em>Peres<\/em>: N\u00e3o. Eu achava que era poss\u00edvel negociar com ele. Sem ele, foi muito mais complicado. Com quem mais ter\u00edamos fechado os acordos de Oslo? Com quem mais conseguir\u00edamos concluir o acordo de Hebron? [&#8230;] (4)<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, Peres caiu na armadilha contida na pergunta do rep\u00f3rter. O\u00a0<em>New York Times<\/em> s\u00f3 n\u00e3o publicou que ele p\u00f4s a culpa do assassinato em agentes de Israel, mas o editor do site Hispantv, Abu Talebi, em correspond\u00eancia eletr\u00f4nica enviada a mim em 22 de janeiro deste ano, confirmou que Sharon dera essa informa\u00e7\u00e3o em entrevista a uma r\u00e1dio israelense, ouvida por rep\u00f3rteres do jornal \u00e1rabe\u00a0<em>Al-Quds Al-Arabi<\/em>, publicado em Londres.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar. Os sionistas, apesar de invariavelmente controlarem todos os governos de Israel, de 1948 at\u00e9 hoje, comp\u00f5em diferentes correntes de opini\u00e3o. Obter algum consenso \u00e9 sempre uma experi\u00eancia dif\u00edcil, como demonstra a demora na composi\u00e7\u00e3o do atual gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyhau. Essas diferen\u00e7as, j\u00e1 existentes logo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do movimento sionista judeu, no s\u00e9culo 19, est\u00e3o na base dos distintos pontos de vista defendidos pelos pol\u00edticos israelenses. Isso explica por que Peres era contra o assassinato de Arafat, enquanto Sharon e Olmert consideravam essa possibilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa o que tenha acontecido, a hist\u00f3ria mostra que mais cedo ou mais tarde os mist\u00e9rios mais complicados acabam sendo resolvidos.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(1) (veja aqui, em ingl\u00eas:\u00a0<a href=\"https:\/\/s3.amazonaws.com\/s3.documentcloud.org\/documents\/815515\/expert-forensics-report-concerning-the-late.pdf\" target=\"_blank\">https:\/\/s3.amazonaws.com\/s3.documentcloud.org\/documents\/815515\/expert-forensics-report-concerning-the-late.pdf<\/a>).<\/p>\n<p>(2) (artigo reproduzido aqui:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.arabnews.com\/node\/237347\" target=\"_blank\">http:\/\/www.arabnews.com\/node\/237347<\/a>).<\/p>\n<p>(3) (<a href=\"http:\/\/www.richardsilverstein.com\/2012\/07\/07\/israels-lethal-history-with-polonium\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.richardsilverstein.com\/2012\/07\/07\/israels-lethal-history-with-polonium\/<\/a>).<\/p>\n<p>(4) \u00a0(<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2013\/01\/13\/magazine\/shimon-peres-on-obama-iran-and-the-path-to-peace.html?_r=0&amp;pagewanted=all\" target=\"_blank\">http:\/\/www.nytimes.com\/2013\/01\/13\/magazine\/shimon-peres-on-obama-iran-and-the-path-to-peace.html?_r=0&amp;pagewanted=all<\/a>.)<\/p>\n<p>Baby Siqueira Abr\u00e3o* \u00e9 jornalista, foi correspondente no Oriente M\u00e9dio para Brasil de Fato\u00a0e Carta Maior<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/port.pravda.ru\/mundo\/07-11-2013\/35579-arafat_envenenado-0\/\" target=\"_blank\">http:\/\/port.pravda.ru\/mundo\/07-11-2013\/35579-arafat_envenenado-0\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5637\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5637","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1sV","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5637\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}