{"id":5642,"date":"2013-11-09T16:16:55","date_gmt":"2013-11-09T16:16:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5642"},"modified":"2013-11-09T16:16:55","modified_gmt":"2013-11-09T16:16:55","slug":"o-brasil-na-contramao-da-soberania-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5642","title":{"rendered":"O Brasil na Contram\u00e3o da Soberania Alimentar"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cEstamos assistindo, no pa\u00eds, \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas que incentivam a monocultura, a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, e isso afeta diretamente a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o do povo brasileiro\u201d, diz o coordenador nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores \u2013 MPA.<\/p>\n<p><em>Da Unisinos<\/em><\/p>\n<p>Apesar de os agricultores familiares e os pequenos camponeses serem respons\u00e1veis por 70% da produ\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia brasileira, \u201co processo de comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 controlado por grandes redes varejistas: Carrefour, Wal-Mart e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar controlam 80% da circula\u00e7\u00e3o de alimentos; s\u00e3o elas que definem os pre\u00e7os dos produtos\u201d, informa Raul Krauser \u00e0 IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone na manh\u00e3 do Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, durante a Jornada Nacional de Lutas por Soberania Alimentar, organizada pelo MPA.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no pa\u00eds, Krauser assinala que \u201cas mesmas empresas que controlam a oferta e comercializa\u00e7\u00e3o da soja, do milho, produzem os agrot\u00f3xicos, os transg\u00eanicos, o modelo tecnol\u00f3gico, gerando um controle em torno dos alimentos\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, ele comenta as pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas \u00e0 agricultura familiar e enfatiza que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar &#8211; PRONAF, a maior pol\u00edtica p\u00fablica destinada ao setor, \u201cn\u00e3o corresponde \u00e0 necessidade\u201d dos agricultores. E dispara: \u201cConsiderando o universo de oito milh\u00f5es de fam\u00edlias camponesas, somente cerca de um milh\u00e3o tem acesso ao programa. H\u00e1 uma massa exclu\u00edda, porque a l\u00f3gica do cr\u00e9dito rural n\u00e3o segue a l\u00f3gica da agricultura camponesa\u201d.<\/p>\n<p>Raul Krauser pontua ainda que o Movimento dos Pequenos Agricultores v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o o aumento do pre\u00e7o dos alimentos, que \u00e9 recorrente nos \u00faltimos anos. \u201cH\u00e1 infla\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos alimentos, e, se n\u00e3o mudarmos a estrutura de produ\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o ir\u00e1 aumentar ainda mais, refletindo diretamente na capacidade da popula\u00e7\u00e3o de se alimentar. Isso pode refletir em uma piora no sentido de n\u00e3o atender aos Objetivos do Mil\u00eanio\u201d [1], adverte.<\/p>\n<p>Sobre o tema, o IHU ir\u00e1 promover, no pr\u00f3ximo ano, o XV Simp\u00f3sio Internacional IHU &#8211; Alimento e Nutri\u00e7\u00e3o no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Raul Krauser \u00e9 coordenador nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores \u2013 MPA.<\/p>\n<p>Confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consiste a iniciativa da Jornada Nacional de Lutas por Soberania Alimentar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> Ontem, dia 16 de novembro, foi o Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o e diversas organiza\u00e7\u00f5es fizeram manifesta\u00e7\u00f5es para discutir por que o Estado brasileiro tem privilegiado as pol\u00edticas p\u00fablicas que favorecem a produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio em detrimento da agricultura camponesa. Em consequ\u00eancia dessa pol\u00edtica, houve infla\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos alimentos, as \u00e1reas de cultivo de feij\u00e3o e mandioca est\u00e3o sendo reduzidas, ao passo que aumentam as \u00e1reas cultivadas de cana-de-a\u00e7\u00facar e eucalipto. Estamos assistindo, no pa\u00eds, \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas que incentivam a monocultura, a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, e isso afeta diretamente a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. Junto a isso, h\u00e1 as implica\u00e7\u00f5es do modelo tecnol\u00f3gico, baseado na produ\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, com uso de agrot\u00f3xicos \u2014 o Brasil, nos \u00faltimos quatro anos, j\u00e1 \u00e9 considerado o maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um ano e tr\u00eas meses n\u00e3o \u00e9 decretada nenhuma \u00e1rea para a reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds. Ent\u00e3o, nesse sentido, a Jornada Nacional de Lutas pela Soberania Alimentar quer demonstrar que o caminho que o Brasil est\u00e1 seguindo n\u00e3o \u00e9 o de produzir alimentos, mas de produzir fome. O pa\u00eds pode at\u00e9 produzir d\u00f3lares, mas n\u00e3o produz alimento para a popula\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 completamente na contram\u00e3o da soberania alimentar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como avalia o processo de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil? Qual tem sido a participa\u00e7\u00e3o dos camponeses e pequenos agricultores nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> Os dados do \u00faltimo censo agropecu\u00e1rio realizado pelo IBGE demonstram que 70% da produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 realizada pelos camponeses. Ent\u00e3o, eles efetivamente produzem os alimentos. Entretanto, o processo de comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 controlado por grandes redes varejistas: Carrefour, Wal-Mart e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar controlam 80% da circula\u00e7\u00e3o de alimentos; s\u00e3o elas que definem os pre\u00e7os dos produtos. Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complicada, porque, no caso dos gr\u00e3os, as mesmas empresas que controlam a oferta e comercializa\u00e7\u00e3o da soja, do milho, produzem os agrot\u00f3xicos, os transg\u00eanicos, o modelo tecnol\u00f3gico, gerando um controle em torno dos alimentos. Ent\u00e3o, os camponeses de fato produzem, mas n\u00e3o controlam a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Os pequenos agricultores reivindicam mais espa\u00e7o no mercado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser<\/strong> \u2013 Veja bem, o Brasil tem uma das estruturas fundi\u00e1rias mais desiguais do mundo, ent\u00e3o, pensar em uma pol\u00edtica s\u00e9ria e efetiva para distribuir alimentos sem pensar a reforma agr\u00e1ria \u00e9 imposs\u00edvel. Temos de discutir a reforma agr\u00e1ria e esse \u00e9 um ponto de que nenhum movimento social abre m\u00e3o. Hoje existem cerca de quatro milh\u00f5es de estabelecimentos de agricultura familiar, os quais precisam ter incentivo econ\u00f4mico para a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso pol\u00edticas que tratem da quest\u00e3o sanit\u00e1ria, da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, da quest\u00e3o do cr\u00e9dito, da tecnologia, da mecaniza\u00e7\u00e3o da agroecologia, que s\u00e3o instrumentos para ampliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos nas \u00e1reas que os camponeses j\u00e1 plantam.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o hoje as principais pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo aos pequenos produtores e como implicam na produ\u00e7\u00e3o de alimentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> A principal pol\u00edtica do Estado brasileiro \u00e9 o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar &#8211; PRONAF, mas, considerando o universo de oito milh\u00f5es de fam\u00edlias camponesas, somente cerca de um milh\u00e3o tem acesso ao programa. H\u00e1 uma massa exclu\u00edda, porque a l\u00f3gica do cr\u00e9dito rural n\u00e3o segue a l\u00f3gica da agricultura camponesa. Portanto, o sistema de cr\u00e9dito oferecido n\u00e3o corresponde \u00e0 necessidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o pol\u00edticas importantes o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos \u2013 PAA e o Programa Nacional da Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar \u2013 PNAE. Em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo, a dificuldade que n\u00f3s, camponeses, enfrentamos \u00e9 com os produtos processados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, a qual \u00e9 altamente restritiva, n\u00e3o tem foco na equidade e na qualidade dos alimentos, mas funciona como uma barreira de mercado para impedir a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos das pequenas agroind\u00fastrias e viabilizar somente as grandes. Ent\u00e3o, para que o PNAE se torne mais efetivo, \u00e9 preciso mexer na legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 E a Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica \u2013 PNAPO?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> N\u00f3s participamos do processo de constru\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica, mas at\u00e9 agora ela ainda n\u00e3o foi efetivada. \u00c9 uma pol\u00edtica bem estruturada, mas a nossa d\u00favida \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escala que essa pol\u00edtica ter\u00e1. Ela ir\u00e1 atender 10, 15 mil agricultores, ou oito milh\u00f5es de fam\u00edlias e estabelecimentos agropecu\u00e1rios? Tem de ser uma pol\u00edtica massiva, e n\u00e3o uma pol\u00edtica de experi\u00eancia para algumas localidades.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que aspectos podem p\u00f4r em risco a soberania alimentar no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> A diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de alimento e o aumento das \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e soja s\u00e3o um problema grave. Um aspecto \u00e9 a expans\u00e3o dos transg\u00eanicos de forma indiscriminada \u2014 este ano mais de 67 milh\u00f5es de hectares foram cultivados com transg\u00eanicos. Tamb\u00e9m est\u00e1 em curso a resist\u00eancia de transg\u00eanicos ao herbicida 2,4-D, que \u00e9 o agente laranja usado na guerra do Vietn\u00e3. O controle do mercado pelas multinacionais \u00e9 outro aspecto complicado, porque elas passam a determinar o pre\u00e7o dos alimentos e, portanto, isso representa um risco grav\u00edssimo para os agricultores. Esses s\u00e3o os principais elementos que p\u00f5em em risco a soberania alimentar no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de empresas estrangeiras no processo de vendas de terras destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser<\/strong> \u2013 N\u00e3o tenho esses dados no momento, mas a quest\u00e3o fundamental \u00e9 que a forma como o Estado brasileiro tem conduzido a quest\u00e3o da agricultura no pa\u00eds est\u00e1 entregando o territ\u00f3rio para as multinacionais de forma direta e indireta. Direta no que se refere \u00e0 compra de terras brasileiras pelas empresas e indireta pela aquisi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es em empresas nacionais. Esse processo n\u00e3o seria permitido em nenhum pa\u00eds desenvolvido. Nossa reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 de que seja vedada a aquisi\u00e7\u00e3o de terras por estrangeiros e que o governo federal tenha mecanismos efetivos de controlar isso.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os problemas econ\u00f4micos que afligem o Nordeste e implicam diretamente na produ\u00e7\u00e3o de alimentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> As pol\u00edticas p\u00fablicas aplicadas no Nordeste sempre tiveram como objetivo combater a seca. Considerando a quest\u00e3o clim\u00e1tica da regi\u00e3o, seria o mesmo que, na Europa, ter pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 neve. Pol\u00edticas de combate \u00e0 seca n\u00e3o resolvem a quest\u00e3o aliment\u00edcia do Nordeste; tem de ter pol\u00edtica de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. Ent\u00e3o, essa compreens\u00e3o equivocada acerca do Nordeste foi o primeiro fator que limitou o desenvolvimento de novas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro equ\u00edvoco na regi\u00e3o \u00e9 a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco. Trata-se de uma obra gigantesca, milion\u00e1ria, mas que n\u00e3o ter\u00e1 o objetivo de produzir alimentos para o povo. Pelo contr\u00e1rio, a obra ir\u00e1 favorecer a produ\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o, a fruticultura de exporta\u00e7\u00e3o, cana-de-a\u00e7\u00facar irrigada, etc. Prova disso \u00e9 a \u00e1rea de 20 mil hectares da Monsanto, localizada em um per\u00edmetro irrigado, para fazer experimentos com transg\u00eanicos, enquanto o povo n\u00e3o tem arroz, n\u00e3o tem feij\u00e3o para comer.<\/p>\n<p>Outro problema hist\u00f3rico \u00e9 o acesso \u00e0 \u00e1gua da cisterna. Esta \u00e9 uma pol\u00edtica que necessita ser universalizada em todo o Nordeste. O governo preferiu investir nas cisternas de polietileno, mas elas n\u00e3o se adaptam \u00e0 realidade, porque n\u00e3o resistem ao calor do sol. Elas esquentam e liberam toxinas na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Em per\u00edodos de safra boa, sempre h\u00e1 o problema do pre\u00e7o a cobrar pelos alimentos. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica de comercializa\u00e7\u00e3o para garantir a renda dos agricultores nos momentos bons. A quest\u00e3o do acesso \u00e0 terra, a regulariza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios Ribeirinhos, dos Quilombos, \u00e9 outra demanda. Muitas comunidades tradicionais est\u00e3o sendo amea\u00e7adas por grandes empreendimentos, principalmente as que vivem nas margens do Rio S\u00e3o Francisco. Regularizar esses territ\u00f3rios \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 o cen\u00e1rio brasileiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o, considerando os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio de erradicar a fome?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raul Krauser \u2013<\/strong> Houve avan\u00e7os consider\u00e1veis no Brasil, mas n\u00e3o s\u00e3o mudan\u00e7as estruturantes, porque as pol\u00edticas de transfer\u00eancias de renda, o Programa Bolsa Fam\u00edlia, etc., s\u00e3o pol\u00edticas compensat\u00f3rias, as quais n\u00e3o mudam efetivamente a estrutura de produ\u00e7\u00e3o e a estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds. Para mudar a estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds, \u00e9 preciso distribuir terra para quem n\u00e3o tem terra, \u00e9 preciso acabar com essa possibilidade de os estrangeiros comprarem terras no Brasil, \u00e9 preciso limitar os monocultivos, limitar a grande produ\u00e7\u00e3o de agrocombust\u00edveis. Esses seriam caminhos estruturais.<\/p>\n<p>Vemos com muita preocupa\u00e7\u00e3o o aumento do pre\u00e7o dos alimentos, como ocorreu no in\u00edcio deste ano. H\u00e1 infla\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos alimentos, e, se n\u00e3o mudarmos a estrutura de produ\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o ir\u00e1 aumentar ainda mais, refletindo diretamente na capacidade da popula\u00e7\u00e3o de se alimentar. Isso pode refletir em uma piora no sentido de n\u00e3o atender aos Objetivos do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o grav\u00edssima \u00e9 a qualidade dos alimentos, uma vez que eles est\u00e3o sendo envenenados. A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria &#8211; Anvisa tem publicado os relat\u00f3rios do programa de an\u00e1lise de agrot\u00f3xicos nos alimentos, e a quantidade de alimentos fora dos padr\u00f5es m\u00ednimos \u00e9 muito grande. Ent\u00e3o, isso reverte em problemas de sa\u00fade p\u00fablica: j\u00e1 foram registrados um milh\u00e3o de novos casos de c\u00e2ncer por ano, segundo o Instituto Nacional do C\u00e2ncer, al\u00e9m de v\u00e1rias doen\u00e7as ligadas \u00e0 quest\u00e3o gastrointestinal, que \u00e9 resultado direto de uma alimenta\u00e7\u00e3o contaminada com produtos qu\u00edmicos. A quest\u00e3o do alimento n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o do campo, tem de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o de toda a sociedade, que deve decidir qual tipo de alimento quer comer.<\/p>\n<p>NOTA:<\/p>\n<p>[1] Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio &#8211; ODM surgem da Declara\u00e7\u00e3o do Mil\u00eanio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, adotada pelos 191 estados membros no dia 8 de setembro de 2000. Criada em um esfor\u00e7o para sintetizar acordos internacionais alcan\u00e7ados em v\u00e1rias c\u00fapulas mundiais ao longo dos anos 90 (sobre meio-ambiente e desenvolvimento, direitos das mulheres, desenvolvimento social, racismo, etc.), a Declara\u00e7\u00e3o traz uma s\u00e9rie de compromissos concretos que, se cumpridos nos prazos fixados, segundo os indicadores quantitativos que os acompanham, dever\u00e3o melhorar o destino da humanidade neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Acabar com a extrema pobreza e a fome, promover a igualdade entre os sexos, erradicar doen\u00e7as que matam milh\u00f5es e fomentar novas bases para o desenvolvimento sustent\u00e1vel dos povos s\u00e3o alguns dos oito objetivos da ONU apresentados na Declara\u00e7\u00e3o do Mil\u00eanio, e que se pretendem alcan\u00e7ar at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>Enviado por\u00a0mpa em qui, 07\/11\/2013<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mpabrasil.org.br\/noticias\/o-brasil-na-contramao-da-soberania-alimentar-entrevista-especial-com-raul-krauser\" target=\"_blank\">http:\/\/www.mpabrasil.org.br\/noticias\/o-brasil-na-contramao-da-soberania-alimentar-entrevista-especial-com-raul-krauser<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5642\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-5642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1t0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5642"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5642\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}