{"id":5665,"date":"2013-11-17T17:32:12","date_gmt":"2013-11-17T17:32:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5665"},"modified":"2013-11-17T17:32:12","modified_gmt":"2013-11-17T17:32:12","slug":"a-crise-do-capitalismo-recoloca-socialismo-na-agenda-de-debates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5665","title":{"rendered":"A crise do capitalismo recoloca socialismo na agenda de debates"},"content":{"rendered":"\n<p>O posto de observa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Paulo Netto para analisar o mundo \u00e9 o marxismo. \u00c9 noite de sexta-feira e um audit\u00f3rio lotado de jovens da ESS na Praia Vermelha acompanha o professor em\u00e9rito da UFRJ desconstruir os mecanismos que a sociedade burguesa lan\u00e7a m\u00e3o para mascarar os antagonismos entre classes sociais. Os argumentos do professor parecem convincentes pela aten\u00e7\u00e3o que desperta na plateia, e ele est\u00e1 \u00e0 vontade no tema \u201cLuta de classes: um conceito superado?\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Netto tem ao seu lado Gaud\u00eancio Frigotto, professor, fil\u00f3sofo, vigoroso cr\u00edtico do capitalismo. \u201cSe o capitalismo n\u00e3o tem classe, o capitalismo acabou\u201d, ironiza Frigotto. O evento fecha o instigante semin\u00e1rio \u201cCriminaliza\u00e7\u00e3o da Pobreza\u201d, organizado pelo CFCH. Falou-se de capitalismo, do drama dos trabalhadores do campo, do oligop\u00f3lio da m\u00eddia, das manifesta\u00e7\u00f5es que sacudiram o Brasil em junho.<\/p>\n<p>Um olhar marxista sobre a realidade \u2013 presente durante o semin\u00e1rio \u2013 em debates no interior da universidade tem a sua relev\u00e2ncia. Para esta semana est\u00e1 programado, tamb\u00e9m no campus da Praia Vermelha, um evento internacional que traz como tema \u201ca Renova\u00e7\u00e3o do Marxismo\u201d. Vai tratar do pensamento do intelectual comunista Carlos Nelson Coutinho. Durante alguns anos o debate em boa parte das \u00e1reas das Ci\u00eancias Sociais sofreu influ\u00eancia do discurso \u00fanico, coincidindo com a for\u00e7a da ideologia neoliberal. O questionamento do neoliberalismo e o ingresso do capitalismo em nova crise internacional mudaram o cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>O 18 Brum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Na sexta-feira em quest\u00e3o, por\u00e9m, como indica o t\u00edtulo do debate, a conversa \u00e9 sobre a sociedade constitu\u00edda de classes e como elas se formam nas suas rela\u00e7\u00f5es com os meios de produ\u00e7\u00e3o. Em tom quase did\u00e1tico, Jos\u00e9 Paulo Netto provoca. \u201cA quest\u00e3o agr\u00e1ria, a viol\u00eancia contra sem-terra, o massacre de \u00edndios, os jagun\u00e7os dos fazendeiros n\u00e3o se explicam pela psicologia social\u201d, ele diz. \u201cN\u00e3o \u00e9 a antropologia social que me explica a obscena estrutura tribut\u00e1ria dos EUA, a crise europeia, a sociedade de consumo\u201d. \u00c9 a luta de classes, ou melhor, \u201cas lutas de classes\u201d (segundo ele, a express\u00e3o usada por Karl Marx) \u00e9 que explicam e p\u00f5em a nu a din\u00e2mica dos conflitos sociais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Karl Marx (1818- 1883), o professor cita dois outros autores \u2013\u2013 \u201cdonos do pensamento fundante das Ci\u00eancias Sociais\u201d \u2013 que formularam teorias sobre as classes ainda no s\u00e9culo XIX: \u00c9mile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920). \u201cTodos eles apresentam uma an\u00e1lise da sociedade em que eles viviam. Reconheceram que a sociedade dispunha de um sistema de estratifica\u00e7\u00e3o social\u201d, diz. Netto observa que os primeiros a perceberem a estrutura de classes na sociedade burguesa nascente foram os rom\u00e2nticos franceses. Ele mostra que Durkheim e Weber apresentam entendimentos diferentes de Marx sobre o tema. Durkheim usava a express\u00e3o \u201csociedade moderna\u201d (e n\u00e3o \u201cburguesa\u201d) e sustentava que o sistema de estratifica\u00e7\u00e3o social, \u201ccom origem em rela\u00e7\u00f5es desiguais\u201d, era insuprim\u00edvel. J\u00e1 Weber n\u00e3o tinha a vis\u00e3o \u201cpositivista, naturalista\u201d de Durkheim, admitia o \u201cconflito\u201d entre classes, mas falava em uma \u201cracionalidade para disciplinar esses conflitos\u201d.<\/p>\n<p>Para formular suas teorias, Jos\u00e9 Paulo Netto diz que Karl Marx bebeu na fonte dos franceses do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX e de economistas ingleses, \u201cespecialmente (David) Ricardo (1772-1823)\u201d. O conceito de luta de classes, segundo Netto, n\u00e3o est\u00e1 expresso na principal obra de Marx, o Capital, dividido em tr\u00eas volumes \u2013 o \u00faltimo foi editado depois da morte do autor. Mas em in\u00fameros textos elaborados por ele a partir de 1848. O professor cita, especificamente, \u201cO 18 Brum\u00e1rio de Napole\u00e3o Bonaparte\u201d, sobre a revolu\u00e7\u00e3o de 1848 na Fran\u00e7a. \u201cVoc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o encontrar muita coisa\u201d nos livros did\u00e1ticos \u201csobre esta revolu\u00e7\u00e3o, porque ela trazia como protagonista um novo ator com projeto aut\u00f4nomo, que era o proletariado\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Netto \u00e9 enf\u00e1tico: \u201cToda a experi\u00eancia hist\u00f3rica at\u00e9 hoje \u00e9 a comprova\u00e7\u00e3o cabal da exist\u00eancia da luta de classes\u201d, diz.<\/p>\n<p><em>www.adufrj.org.br<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/csunidadeclassista.blogspot.com.br\/2013\/11\/a-crise-do-capitalismo-recoloca.html\">http:\/\/csunidadeclassista.blogspot.com.br\/2013\/11\/a-crise-do-capitalismo-recoloca.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5665\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-5665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1tn","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}