{"id":569,"date":"2010-06-17T14:52:00","date_gmt":"2010-06-17T14:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=569"},"modified":"2010-06-17T14:52:00","modified_gmt":"2010-06-17T14:52:00","slug":"o-estado-do-mal-estar-e-a-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/569","title":{"rendered":"O Estado do mal-estar e a luta de classes"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e1 decidido. Acabou a paz social. Terminou para sempre a \u00e9poca dourada da social-democracia reformista e o sindicalismo pactuante. Seu namoro colaboracionista com o Estado burgu\u00eas chegou ao inevit\u00e1vel div\u00f3rcio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A oligarquia financeira europeia, os banqueiros, os monopolistas e os \u201cmercados\u201d est\u00e3o de acordo para liquidar os tempos de utiliza\u00e7\u00e3o dos falsos socialistas e dos sindicalistas \u201crespons\u00e1veis\u201d, como mercen\u00e1rios para conter a rebeldia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>E v\u00e3o planejando, nas conspira\u00e7\u00f5es obscuras do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e nos concili\u00e1bulos secretos dos reis, pol\u00edticos lacaios e multi-milion\u00e1rios, o desmantelamento do que, alegremente, se veio chamar de \u201cEstado de bem-estar\u201d. Definitivamente, n\u00e3o era outra coisa sen\u00e3o a t\u00e1tica de comprar os altos comandos da classe trabalhadora nos Estados imperialistas, com as migalhas dos super-benef\u00edcios obtidos atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o dos povos da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A domina\u00e7\u00e3o imperialista \u00e9 exercida por meio da presen\u00e7a militar colonialista, a imposi\u00e7\u00e3o de ditaduras criminosas e corruptas, o saque das riquezas naturais dos pa\u00edses oprimidos, o controle e a manipula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os mundiais das mat\u00e9rias-primas e o interc\u00e2mbio comercial desigual.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, est\u00e1 esgotado o potencial de desenvolvimento e aperfei\u00e7oamento do capitalismo e, alcan\u00e7ada sua fase final como capitalismo monopolista de Estado, que Lenin definiu como sua fase superior e \u00faltima, e com o capitalismo em decomposi\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a inevit\u00e1vel e sucessiva crise da cadeia imobili\u00e1ria, financeira, do d\u00e9ficit p\u00fablico e monet\u00e1ria, a nova \u00e9poca da crise social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Porque a crise mudou tudo. Entramos agora, frente \u00e0 pol\u00edtica das concess\u00f5es e do consenso nos altares da paz social, na nova etapa hist\u00f3rica dos recortes, ajustes e reformas.<\/p>\n<p>Sempre se diz que o capitalismo \u00e9 capaz de superar qualquer crise. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 menos certo de que saiu de todas as crises, menos da \u00faltima. Porque, de crise em crise, o sistema capitalista avan\u00e7a inexoravelmente para a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade num n\u00famero cada vez menor de indiv\u00edduos e, no outro extremo, faz a proletariza\u00e7\u00e3o massiva dos pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>E este processo que leva s\u00e9culos desenvolvendo-se, passo a passo, e agudizando-se e acelerando-se, sobretudo nos per\u00edodos de crise econ\u00f4mica, est\u00e1 praticamente chegando ao seu limite. No Estado espanhol, por exemplo, mais de 80% da riqueza est\u00e1 concentrada num grupo de menos de duas mil pessoas. Enquanto isso, o n\u00famero de trabalhadores assalariados alcan\u00e7a 80% da popula\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n<p>E a concentra\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 cada vez maior, junto com a proletariza\u00e7\u00e3o da imensa maioria, e segue avan\u00e7ando sem tr\u00e9gua. A oligarquia monopolista, em condi\u00e7\u00f5es de crise econ\u00f4mica, aproveita para seguir acumulando capitais, arruinando milhares de pequenas e m\u00e9dias empresas, preparando a privatiza\u00e7\u00e3o das Cajas de Ahorros, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o e as rendas.<\/p>\n<p>Todas as crises capitalistas s\u00e3o, em ess\u00eancia, crises de superprodu\u00e7\u00e3o. Ou seja, se produz mais mercadorias do que se pode vender ou, o que \u00e9 o mesmo, visto do lado contr\u00e1rio, a insufici\u00eancia da demanda para absorver as mercadorias que o sistema \u00e9 capaz de produzir.<\/p>\n<p>Por isso, tendo em conta que a necess\u00e1ria demanda massiva de mercadorias, diferente de \u00e9pocas passadas quando se contava com amplas quantidade de pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios para sustent\u00e1-la, depende hoje, fundamentalmente, da capacidade de compra dos assalariados. Assim, demitir milh\u00f5es deles, diminuir o emprego, diminuir os sal\u00e1rios e as rendas \u00e9 uma pol\u00edtica suicida e anti-econ\u00f4mica que empurra o capitalismo ao desastre, por meio da destrui\u00e7\u00e3o de sua principal fonte de demanda, com sua b\u00e1rbara e cega inten\u00e7\u00e3o de reduzir drasticamente a capacidade de compra da imensa maioria de seus pr\u00f3prios clientes.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o capitalista monopolista de Estado se encontra numa fase avan\u00e7ada de sua agonia, de desintegra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, de decomposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de degrada\u00e7\u00e3o moral. Isso n\u00e3o significa, nem muito menos, que o capitalismo v\u00e1 desaparecer sem a press\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas populares, nem que v\u00e1 abandonar volunt\u00e1ria e pacificamente o Poder do qual desfruta, para abrir caminho para a nova, justa e avan\u00e7ada sociedade socialista.<\/p>\n<p>Os banqueiros n\u00e3o v\u00e3o estatizar a si mesmos. O capitalismo est\u00e1 disposto a morrer matando. Os oligarcas provocar\u00e3o a cat\u00e1strofe econ\u00f4mica e a ru\u00edna social antes de renunciar aos seus privil\u00e9gios. Preferir\u00e3o, como sempre foi feito, a destrui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas, a liquida\u00e7\u00e3o da democracia parlamentar, a repress\u00e3o violenta das mobiliza\u00e7\u00f5es populares, a declara\u00e7\u00e3o do estado de exce\u00e7\u00e3o, a ditadura e a guerra, antes de perder sua condi\u00e7\u00e3o de classe social dominante e entregar o Poder e a dire\u00e7\u00e3o da economia \u00e0 classe trabalhadora assalariada, que representa a imensa maioria da sociedade.<\/p>\n<p>A crise geral do capitalismo monopolista faz com que a luta de classes se destaque em primeiro plano. A miss\u00e3o da classe trabalhadora, como sepultadora do capitalismo, j\u00e1 aparece no horizonte. Temos que derrubar esse edif\u00edcio podre, sem utilidade e perigoso, e mandar seus restos \u00e0 lixeira da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E para orientar este trabalho, necessitamos de Unidade, sob a hegemonia ideol\u00f3gica e a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos partidos comunistas, de todas as for\u00e7as populares e anti-capitalistas, para organizar, primeiro, a resist\u00eancia e, depois, a contra-ofensiva, frente \u00e0s tentativas da oligarquia financeira de fazer a n\u00f3s, trabalhadores, pagarmos com mis\u00e9ria e sofrimento os \u00faltimos estertores de sua lenta e f\u00e9tida agonia.<\/p>\n<p>(*) Pedro Brenes \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do Partido Revolucion\u00e1rio dos Comunistas de \u00a0Can\u00e1rias (PRCC)<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 3.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\n\n\n\n* Pedro Brenes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/569\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9b","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/569\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}