{"id":5692,"date":"2013-11-29T12:36:36","date_gmt":"2013-11-29T12:36:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5692"},"modified":"2013-11-29T12:36:36","modified_gmt":"2013-11-29T12:36:36","slug":"declaracao-politica-nacional-do-coletivo-ana-montenegro-ativo-nacional-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5692","title":{"rendered":"DECLARA\u00c7\u00c3O POL\u00cdTICA NACIONAL DO COLETIVO ANA MONTENEGRO ATIVO NACIONAL \u20132013"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00f3s e os Movimentos Sociais<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>Para n\u00f3s, do COLETIVOANA MONTENEGRO, a quest\u00e3o central, aquela que guia nossas an\u00e1lises e nossa a\u00e7\u00e3o, \u00e9 a luta contra a explora\u00e7\u00e3o do capital, do trabalho assalariado, contra o trabalho mal remunerado, a demiss\u00e3o imotivada, em s\u00edntese, a contradi\u00e7\u00e3o capital-trabalho, concebendo o Feminismo como sujeito pol\u00edtico, com protagonismo das mulheres nessas lutas. Temos como ponto de partida ser um coletivo feminista comunista na luta por igualdade entre homens e mulheres, do qual compactua com a formula\u00e7\u00e3o que os avan\u00e7os de nossas lutas perpassam pela luta pelo socialismo e a emancipa\u00e7\u00e3o conjunta de homens e mulheres que lutam juntos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Debatemos o papel feminino na pol\u00edtica, articulando a luta das mulheres com a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, aprofundando o debate e a luta contra o car\u00e1ter social e hist\u00f3rico da opress\u00e3o das mulheres inserido na explora\u00e7\u00e3o de classe, uma vez que ambos comp\u00f5em elementos da mesma totalidade: o modo de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o social capitalista. Nesse sentido, o socialismo \u00e9 a resposta mais poss\u00edvel para a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher! Separar a quest\u00e3o da opress\u00e3o \u00e0 mulher, da explora\u00e7\u00e3o a que \u00e9 submetida, ou seja, da luta mais ampla contra o sistema, enfraquece nossa possibilidade de vencer.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Trabalhamos dialogando, no \u00e2mbito do movimento feminista, em parceria com os demais movimentos sociais que acumulam e ampliam a\u00e7\u00f5es de ruptura com as inst\u00e2ncias que perpetuam as desigualdades sociais e econ\u00f4micas e estruturam os pilares da domina\u00e7\u00e3o patriarcal capitalista na contemporaneidade. Atuamos em conjunto com aqueles e aquelas que reivindicam a unifica\u00e7\u00e3o da luta das mulheres num processo de transforma\u00e7\u00e3o radical das rela\u00e7\u00f5es sociais em sua totalidade, a partir da luta anticapitalista e anti-imperialista.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O car\u00e1ter patriarcal de nossa sociedade estabelece rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas entre homens e mulheres, que reflete nas propor\u00e7\u00f5es desiguais que ocupamos dentro dos espa\u00e7os de poder. Podemos constatar isto atrav\u00e9s de alguns n\u00fameros- apenas 10% das prefeituras, 12% dos componentes nas c\u00e2maras de vereadoras e 13% do Senado Federal s\u00e3o mulheres (dados do Ibope e Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o). Mas estes dados s\u00e3o s\u00f3 uma constata\u00e7\u00e3o do fato, n\u00e3o acreditamos que simplesmente ocupar cargos dentro desta democracia indireta burguesa trar\u00e1 mudan\u00e7as para a vida das mulheres. Nossa luta \u00e9 pela constru\u00e7\u00e3o do poder popular, para que as mulheres se reconhe\u00e7am como sujeitos de mudan\u00e7a de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, para que reconhe\u00e7am seu papel fundamental na luta de classes, e entendam que a emancipa\u00e7\u00e3o feminina s\u00f3 se dar\u00e1 junto com a emancipa\u00e7\u00e3o de todo ser humano. \u00a0Por isto colocamos a necessidade da ocupa\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o dos mecanismos de luta \u2013 coletivos, partidos, movimentos sociais, entidades de trabalhadores- pelas mulheres e que estes mecanismos encabecem as lutas que tangem \u00e0s especificidades da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>No Brasil, na Am\u00e9rica Latina em geral, as lutas populares est\u00e3o em ascens\u00e3o. O Movimento Feminista brasileiro desenvolveu lutas hist\u00f3ricas, anticapitalistas, contra a ditadura militar, pelos direitos das mulheres, com grandes avan\u00e7os para a vida das brasileiras. Entretanto, parte do movimento feminista tem abandonado o projeto de forjar um programa classista, de ideologia prolet\u00e1ria, que ultrapasse o terreno reformista &#8212; que tem sua linha pol\u00edtica ideol\u00f3gica restrita \u00e0s conquistas dos espa\u00e7os institucionais no Estado &#8212; e avance na constru\u00e7\u00e3o do socialismo. O COLETIVO ANA MONTENEGRO ter\u00e1 que lutar contra uma deseduca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\/despolitiza\u00e7\u00e3o, com est\u00edmulos de apassivamento, orientada pelas organiza\u00e7\u00f5es do PT (apesar dos esfor\u00e7os da MMM \u2013 Marcha Mundial de Mulheres de seguir a linha anti imperialista e anti- capitalista). Apesar de parte das organiza\u00e7\u00f5es brasileiras que comp\u00f5e a Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional de Mulheres (FDIM) compreenderem a luta socialista, muitas vezes tamb\u00e9m se atrelam ao governo por colocarem como estrat\u00e9gia o socialismo etapista. O que est\u00e1 claro para n\u00f3s \u00e9 que o Governo Lula\/Dilma s\u00f3 aprofunda, cada vez mais, o neoliberalismo no pa\u00eds e avan\u00e7a contra os direitos e ganhos das mulheres e de toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Por outro lado, embora sem visibilidade, temos que destacar a importante participa\u00e7\u00e3o das mulheres na maior parte dos movimentos populares do pa\u00eds, por exemplo, os movimentos por moradia\/sem teto, os quilombolas e os campesinos. Nestes, as mulheres cumprem um importante papel, sendo verdadeiras lideran\u00e7as e organizadoras das lutas e da vida coletiva nas comunidades que se formam a partir destes movimentos. Para, al\u00e9m disto, estamos presentes nas lutas pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica, pela democratiza\u00e7\u00e3o\/socializa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, nas campanhas nacionais pela Petrobr\u00e1s 100% estatal e entre tantas outras.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Lutamos tamb\u00e9m pela \u201cabertura de todos os arquivos da ditadura brasileira (1964-1985)\u201d e pela \u201clocaliza\u00e7\u00e3o dos \u2018restos mortais\u2019 dos desaparecidos pol\u00edticos\u201d por se tratar de um direito inalien\u00e1vel, bem como pela \u201cpuni\u00e7\u00e3o de todos os agentes torturadores (civis e militares)\u201d sem nenhuma exce\u00e7\u00e3o. Assim, as novas gera\u00e7\u00f5es poder\u00e3o compreender o quanto \u00e9 importante \u00e0s lutas pelas liberdades democr\u00e1ticas, as quais incluem direitos individuais, coletivos, e especificamente de g\u00eanero, afirmando desta forma o direito \u00e0 dignidade da mulher. Destacamos ainda a import\u00e2ncia das mulheres na luta pela Anistia de 1979, contra a ditadura militar.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Damos todo o apoio \u00e0 luta dos povos tradicionaisind\u00edgenas, quilombolas e ciganos &#8212; que vem sofrendo um genoc\u00eddio h\u00e1 s\u00e9culos, viol\u00eancias de todos os tipos, principalmente aquelas que visam a destrui\u00e7\u00e3o da sua cultura e identidade, bem como a expuls\u00e3o de suas terras em prol do grande capital e do Estado burgu\u00eas. As invas\u00f5es promovem viol\u00eancias espec\u00edficas \u00e0s mulheres, sendo a primeira delas a viol\u00eancia de cunho sexual. Desde a invas\u00e3o as \u00edndias foram obrigadas a cobrirem \u201csuas vergonhas\u201d a fim de se civilizarem, e a miscigena\u00e7\u00e3o, que tanto se proclama, foi resultado de muitas agress\u00f5es, estupros e horrores de todas as ordens. O \u201chomem branco\u201d ao impor sua cultura, ao roubar suas terras e ao submeter o \u00edndio \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do capital causou-lhes diversas mazelas sociais. A quest\u00e3o dos v\u00edcios, por exemplo, t\u00eam nas mulheres suas maiores v\u00edtimas, pois parte das viol\u00eancias sofridas pelas \u00edndias tem como agressores seus pr\u00f3prios companheiros. Segundo pesquisa do setor de g\u00eanero da FUNAI, os ind\u00edos bebem, usam drogas e despejam mais de 500 anos de abandono em suas mulheres. As mulheres ind\u00edgenas sofrem o peso de carregarem n\u00e3o apenas o drama vivido por seu povo desde que o Brasil \u00e9 Brasil, como ainda, sofrem os duros pesares de serem mulheres num mundo capitalista.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A hist\u00f3ria ignora o genoc\u00eddio dos povos. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher cigana assistimos as mesmas cenas de viola\u00e7\u00e3o e completo desrespeito a sua cultura. Cultura essa que \u00e9 muitas vezes ridicularizada pela m\u00eddia, em seriados e novelas. Independente das coordenadas de tempo e lugar, os ciganos sempre carregaram o peso da discrimina\u00e7\u00e3o. Durante o nazismo, foram apontados como criminosos inveterados e \u201cextremamente perigosos para a pureza da ra\u00e7a alem\u00e3\u201d. Milhares de mulheres ciganas foram v\u00edtimas de experi\u00eancia praticadas por m\u00e9dicos da SS em campos de concentra\u00e7\u00e3o. Estima-se em 500 mil o n\u00famero de exterminados. Ainda hoje, na Europa, os ciganos encabe\u00e7am a lista dos povos socialmente rejeitados e v\u00edtimas de agress\u00f5es racistas.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00d3S NO MUNDO DO TRABALHO<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>A crise econ\u00f4mica mundial, sist\u00eamica do capitalismo, tamb\u00e9m afeta o Brasil \u2013 j\u00e1 que este \u00e9 parte do sistema capitalista. A recess\u00e3o mundial atinge as exporta\u00e7\u00f5es, as finan\u00e7as, as bolsas de valores, a produ\u00e7\u00e3o interna, os empregos, os direitos dos trabalhadores, tendo assim in\u00fameros reflexos na vida das mulheres. O governo Dilma n\u00e3o rompeu com o sistema de alian\u00e7as nacional que lhe d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m no campo internacional, tem optado pelo grande capital, pelo agroneg\u00f3cio, pelas privatiza\u00e7\u00f5es, pela venda escancarada de nossas riquezas (petr\u00f3leo, mineradoras, etc). N\u00e3o rompendo, temos esse estado, violento, perdul\u00e1rio, corrupto, com apoio dos grandes empres\u00e1rios, destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e perda de direitos pelos trabalhadores.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O car\u00e1ter de classe do estado brasileiro, os la\u00e7os entre o governo brasileiro e o capital, a forma de atua\u00e7\u00e3o hoje nem mesmo dissimulada, na perspectiva de manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, com seu ciclo burgu\u00eas plenamente consolidado, se escancara: no trabalho das mulheres, no aprofundamento do descompasso entre a produtividade e os sal\u00e1rios (aumento da produtividade do trabalho sem que os sal\u00e1rios sigam a mesma propor\u00e7\u00e3o), nos ataques aos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, nas tentativas de controle sobre a gravidez das mulheres, na n\u00e3o legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, na privatiza\u00e7\u00e3o das creches e servi\u00e7os de sa\u00fade, na concentra\u00e7\u00e3o de terras pelo agroneg\u00f3cio, nas privatiza\u00e7\u00f5es no endividamento das fam\u00edlias, na concess\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o sem marco regulat\u00f3rio, permitindo a forma\u00e7\u00e3o de verdadeiros imp\u00e9rios fortalecedores da domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica no pa\u00eds, que insistem em desrespeitar a imensa diversidade humana dos trabalhadores e das mulheres brasileiras.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O governo ataca direitos duramente conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras como no Acordo Coletivo Especial &#8211; ACE (acordo coletivo especial pelo qual o negociado prevalece sobre o legislado), com o PL da terceiriza\u00e7\u00e3o, quebra de direitos civis, engavetamento de projetos, como o de sal\u00e1rio igual para trabalho igual, t\u00e3o caro \u00e0s trabalhadoras, e n\u00e3o atendimento pela reforma da previd\u00eancia.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>As mulheres estamos sujeitas a uma clara divis\u00e3o sexual do trabalho, ocupamos os empregos mais precarizados\/ terceirizados\/ quarteirizados, e ainda estamos sujeitas ao ass\u00e9dio moral no ambiente de trabalho, em fun\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de poder postas pelo capitalismo. Os empregos mais valorizados, que hoje s\u00e3o aqueles onde \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de tecnologia (como as engenharias) s\u00e3o ocupados prioritariamente por homens, enquanto os mais precarizados (como os setores da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria) s\u00e3o ocupados principalmente por mulheres.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Para as mulheres, al\u00e9m da viol\u00eancia de classe, ainda tem a de g\u00eanero\/etnia (os sal\u00e1rios mais baixos do pa\u00eds s\u00e3o os da mulher negra), juntamente com a sobrecarga de responsabilidades n\u00e3o socializadas com a casa e fam\u00edlia. O trabalho dom\u00e9stico, sabemos, \u00e9 trabalho improdutivo, por n\u00e3o gerar valor, mas, por outro lado, os marxistas sabemos que s\u00e3o trabalhos necess\u00e1rios para que se realize o processo produtivo: \u00e9 trabalho que subordina de maneira funcional os trabalhadores \u00e0 produ\u00e7\u00e3o capitalista, sobretudo porque tais atividades dizem respeito \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O trabalho dom\u00e9stico est\u00e1 inserido na din\u00e2mica de acumula\u00e7\u00e3o de capital (e aqui n\u00e3o importa se produtivo ou improdutivo) e, por essa raz\u00e3o, n\u00f3s comunistas n\u00e3o podemos ignorar essa realidade, como, ali\u00e1s, n\u00e3o foi ignorada por Marx essa constante rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida, da\u00ed o grito das feministas contra a desvaloriza\u00e7\u00e3o de tal trabalho ou da inexist\u00eancia de medidas que paulatinamente as livrem (a elas e aos homens) desse cotidiano da vida apenas dos mais pobres. N\u00e3o h\u00e1 perspectivas para as mulheres nos marcos do capitalismo, porque o modo de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 atividade econ\u00f4mica imediata, atingindo a vida social, o modo de exist\u00eancia, o cotidiano das mulheres.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>As trabalhadoras da educa\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico e privado enfrentam t\u00e9cnicas de gest\u00e3o arbitrarias \u00e0s quais sofrem com: perda de autonomia pedag\u00f3gica, amea\u00e7as de demiss\u00e3o ou transfer\u00eancia para outra escola distante de suas resid\u00eancias, sal\u00e1rios rebaixados, falta de plano concreto de carreira e sal\u00e1rio. As professoras do ensino privado tem de dar aulas dentro de empresas (saindo das salas de aulas), sofrem com a super explora\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos riscos do capital; tudo em um clima de terror de demiss\u00e3o. As docentes do Estado, com a maioria esmagadora de mulheres, n\u00e3o t\u00eam melhor sorte, com sal\u00e1rios rebaixados, sem planos concretos de carreira, com cerca de 1\/3 da categoria indo para a aposentadoria irreversivelmente j\u00e1 doentes.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o infantil &#8211; modalidade ofertada nas creches &#8211; historicamente possuiu um car\u00e1ter assistencialista, principalmente nos estados do Nordeste. Embora os ambientes escolares exer\u00e7am um papel social, a creche n\u00e3o deve ser vista como abrigo (lugar) para &#8220;acolher crian\u00e7as em vulnerabilidade social\u201d. A vis\u00e3o assistencialista revela um conceito de que a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia devem ser olhadas como &#8220;necessitados do auxilio&#8221; e n\u00e3o sujeitos de direitos. O poder p\u00fablico deve garantir que a popula\u00e7\u00e3o seja acolhida em outros espa\u00e7os coletivos adequados e de direito para lazer, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o. A crian\u00e7a vai \u00e0 creche para desenvolver o cognitivo, o l\u00fadico, sendo, portanto, imperativo que tenhamos profissionais habilitados, mediando conhecimentos importantes para o desenvolvimento da crian\u00e7a de 0 a 3 anos, refor\u00e7ando precocemente a sua forma\u00e7\u00e3o quanto sujeitos sociais. No entanto, o que se assiste, \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o deste direito como um instrumento para angariar votos nas comunidades, em que h\u00e1 uma necessidade sistem\u00e1tica destes espa\u00e7os, numa tentativa de conforma\u00e7\u00e3o de currais eleitorais, t\u00e3o amplamente difundidos nas comunidades marginalizadas pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>As mulheres, ao longo da Hist\u00f3ria, sempre foram cuidadoras das atividades dom\u00e9sticas e da fam\u00edlia,sendo tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelos cuidados\u00a0dos enfermos. Com as modifica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais ao longo do s\u00e9culo XX as mulheres foram incorporadas aos setores formais do trabalho em sa\u00fade, passando a ocupar diferentes servi\u00e7os em hospitais e cl\u00ednicas, sendo majorit\u00e1ria em diversos setores(ocupamosmais de 80% dos cargos em alguns servi\u00e7os).Hoje as mulheres m\u00e9dicas jovens j\u00e1 perfazem cerca de 53,31% desta ocupa\u00e7\u00e3o ( dados do Conselho Federal de Medicina- CFM). Apesar desta incorpora\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e opress\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o diferentes de outras profiss\u00f5es. Somos submetidas a altas jornadas de trabalho, em turnos estafantes, com condi\u00e7\u00f5es insalubres, baixos sal\u00e1riose ainda sujeitas a uma suposta hierarquia e machismo que existem entre m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade (enfermeiras, t\u00e9cnicas de enfermagem, nutricionistas, fisioterapeutas \u2013 onde somos a imensa maioria). A precariza\u00e7\u00e3o\/privatiza\u00e7\u00e3o do SUS e as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o refletem imensamente nestas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, acarretando graves danos \u00e0 pr\u00f3pria sa\u00fade f\u00edsica e mental do trabalhador.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Negros e mulheres s\u00e3o os grupos que ficam mais tempo desempregados no Brasil, segundo pesquisa feita pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio Econ\u00f4micos, publicado no O Globo, do dia 18\/08\/13) e, quando empregados, est\u00e3o nos servi\u00e7os mais precarizados, os terceirizados e quarteirizados. Os estudos de 2011 divulgados pelo DIEESE e pelo SEADE ainda apontam que a taxa de desempregoe renda dos negros \u00e9 maior entre os trabalhadores do pa\u00eds.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Nas operadoras de telemarketing\/call centers &#8211; nas quais quase 80% s\u00e3o mulheres jovens sem experi\u00eancia no curr\u00edculo, negras e homossexuais &#8211; o trabalho \u00e9 de cunho polivalente e multifuncional, estressante, muito mal remunerado, com alta taxa de rotatividade (42%), dito feminino entre as mulheres de 18 a 26 anos de idade, onde somos uma reserva m\u00f3vel de for\u00e7a de trabalho, o que significa dizer, com um n\u00edvel alt\u00edssimo de intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dessas trabalhadoras.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O trabalho fragmentando de forma sexista em desfavor da mulher, em especial o das mulheres negras e dos homossexuais, \u00e9 desenvolvido em cabines isoladas, sob um rigoroso controle e cobran\u00e7a intensa por metas e resultados entre as trabalhadoras, com a consequente perda do sentido de solidariedade na intersubjetividade com as outras trabalhadoras, e, portanto, numa rela\u00e7\u00e3o social brutalizante, ou seja, a cara do capital na sua luta contra a inevitabilidade de suas crises.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A rotatividade, a impress\u00e3o e o sentimento de grande oportunidade que t\u00eam as trabalhadoras sobre tais empregos, com as dificuldades de organiza\u00e7\u00e3o da classe \u00e9 um desafio para o ANA MONTENEGRO trabalhar politicamente com essas mulheres, o mesmo ocorrendo com segunda fonte de trabalho das mulheres, que \u00e9 o emprego dom\u00e9stico.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Melhor situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem as trabalhadoras nas linhas de montagens da ind\u00fastria. Na Zona Franca de Manaus, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho apurou p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, haja vista, o enorme faturamento de aproximadamente 60 bilh\u00f5es de d\u00f3lares onde 50% desse montante \u00e9 remetido \u00e0s matrizes normalmente no exterior, sem pagar qualquer imposto e sem qualquer contribui\u00e7\u00e3o social que vise beneficiar as que verdadeiramente produzem.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Na multinacional sul coreana Samsung (lucro l\u00edquido no ano de 2012 de US$ 22,3 bilh\u00f5es abastecedora de toda a Am\u00e9rica Latina), na qual trabalhadores ficam at\u00e9 dez horas em p\u00e9 e preparam caixas de telefone celular com carregador de bateria, fone de ouvido e dois manuais de instru\u00e7\u00e3o, em apenas \u00a0seis segundos e ap\u00f3s tal etapa, na linha seguinte de montagem, h\u00e1 que escanear o pacote em dois pontos diferentes e em seguida colocar uma etiqueta.Em um \u00fanico dia, a tarefa chega a ser repetida at\u00e9 6.800 vezes pela mesma trabalhadora. A montagem de um smartphone, feita por dezenas de trabalhadores dispostos ao longo da linha de produ\u00e7\u00e3o, leva 85 segundos. J\u00e1 um ar-condicionado split fica pronto em menos de dois minutos. Os sal\u00e1rios de modo geral s\u00e3o verdadeiras migalhas e as trabalhadoras permanecem algemadas ante o contingente de m\u00e3o de obra esperando uma vaga para ganhar aquelas migalhas. \u00c9 tanto que as trabalhadoras ap\u00f3s os 40 anos de idade s\u00e3o considerados desnecess\u00e1rias para tal trabalho.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Intoler\u00e1vel a reviv\u00eancia do trabalho escravo da juventude do norte do pa\u00eds, das mulheres africanas e bolivianas na cidade de S\u00e3o Paulo, na ind\u00fastria e com\u00e9rcio de roupas, nos canteiros de obras, nas hidroel\u00e9tricas, nas cidades, nos ribeirinhos, e, no campo em propriedade do latif\u00fandio assassino.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>A vida das mulheres nas grandes cidades.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>O capital aglomera popula\u00e7\u00f5es, concentra os meios de produ\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a de trabalho, re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para o seu desenvolvimento, portanto, a cidade \u00e9 desenvolvida com essa l\u00f3gica, da\u00ed a contamina\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos, as dificuldades da mobilidade urbana, sua situa\u00e7\u00e3o militarizada, m\u00ednimo atendimento \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, enfim, tudo \u00e9 constru\u00eddo e desenvolvido na l\u00f3gica do desenvolvimento\/expans\u00e3o do capital e n\u00e3o da pessoa, com sua dignidade humana. O Estado burgu\u00eas brasileiro atende as exig\u00eancias colocadas pelo capital. Nesse sentido, as linhas de transporte (\u00f4nibus, trens e metr\u00f4) levam e trazem \u201cgado\u201d para a ida e volta do trabalho. O transporte coletivo \u00e9 extremamente prec\u00e1rio e caro, priorizando o lucro das empresas de transporte e o benef\u00edcio da ind\u00fastria automobil\u00edstica. O tr\u00e2nsito, com tantos transportes privados circulando, ficou insuport\u00e1vel.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>As pra\u00e7as s\u00e3o poucas e pequenas para o aglomerado urbano, com seus espa\u00e7os disputados por crian\u00e7as, jovens- com seus skates, adultos e idosos. A acessibilidade aos espa\u00e7os e transportes p\u00fablicos aos portadores de necessidades especiais e idosos s\u00e3o coisas raras, vistos em lugares pontuais, devido ao estrangulamento dos investimentos p\u00fablicos, em favor do pagamento da d\u00edvida externa. Os banqueiros fazem das filas dos idosos, uma mentira. As manifesta\u00e7\u00f5es culturais, mercantilizada pela ind\u00fastria cultural, s\u00e3o reduzidas aos espa\u00e7os pagos. Enquanto a cultura popular \u00e9 marginalizada em guetos. Manifesta-se nas ruas a discrimina\u00e7\u00e3o de classe, ra\u00e7a\/etnia, sexual, uma viol\u00eancia militarizada, com os pobres, maioria nas grandes cidades, vivendo estigmatizados e segregados. Essa \u00e9 a vida nas cidades.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Os programas sociais para as mulheres refor\u00e7am preconceituosamente, o papel social de cuidadora da mulher. O programa de moradia Minha Casa, Minha vida, prop\u00f5e, em tese, o atendimento priorit\u00e1rio \u00e0s mulheres,por\u00e9m,na realidade, n\u00e3o beneficia as mulheres exatamente por serem mulheres, mas sim por serem m\u00e3es e chefes de fam\u00edlias,respons\u00e1veis pelos cuidados com os filhos, com os idosos,portanto, aprofundando e legitimandodesse papel maternal, olvidando o necess\u00e1rio recorte de classe, \u00a0a situa\u00e7\u00e3o real da mulher trabalhadora, com trabalho e renda precarizados, sem as creches, sem postos de sa\u00fade, \u00a0em sua maioria, distantes em renda dos financiamentos p\u00fablicos. Quanto \u00e0 efetiva\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha n\u00e3o h\u00e1 respaldo seguro nas pol\u00edticas p\u00fablicas j\u00e1 que os munic\u00edpios n\u00e3o t\u00eam Casa Abrigo, Centros de refer\u00eancia da mulher, (os CCMs), investimentos nos servidores p\u00fablicos da \u00e1rea, normas de atendimento nos hospitais e demais \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Os programas de sa\u00fade da mulher s\u00e3o focados na vida reprodutiva destas, legitimando o papel que a mulher cumpre de reprodutora no sistema capitalista &#8211; tanto ao gerar novos filhos da classe trabalhadora para serem explorados pelo capital, quanto ao cumprir o papel de cuidadora da fam\u00edlia e do lar. Frutos desta focaliza\u00e7\u00e3o, da nega\u00e7\u00e3o ao direito ao aborto, da viol\u00eancia obst\u00e9trica, da privatiza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) s\u00e3o negadas \u00e0 mulher o direito ao atendimento universal e integral \u00e0 sa\u00fade. O aborto \u00e9 a terceira causa de morte materna no pa\u00eds, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e inseguras em que eles s\u00e3o realizados. Sendo que os que cursam com morte, s\u00e3omaioria feitos por mulheres negras e pobres.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Apesar da sua criminaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 estimado que dois abortos sejam realizados por minuto no Brasil (Ipas Brasil), sendo uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. Mas o que vemos, \u00e9 um Estado que deveria ser laico, sendo extremamente influenciado pelos religiosos, que s\u00f3 retrocede em rela\u00e7\u00e3o aos direitos das mulheres e do ser humano. Agora, assistimos o avan\u00e7o de leis ultra- conservadoras sobre a vida da mulher, como a Lei do Nascituro, que avan\u00e7a sobre os direitos anteriormente conquistados, impondo compulsoriamente a maternidade em risco de vida \u00e0 mulher e em casos de estupro. A lei ainda prev\u00ea uma bolsa em casos de estupro, legitimando assim a viol\u00eancia contra a mulher,propondo que a mesma seja paga pelo Estado, para ter um filho gerado por um estupro ou que o estuprador pague esta \u201cpens\u00e3o\u201d, impondo assim um v\u00ednculo da mulher com seu agressor. De acordo a lei o conceito n\u00e3o-nascido tem mais direitos que a pr\u00f3pria mulher viva, indo contra a liberdade, autonomia e direito \u00e0 vida da mulher.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A onda reacion\u00e1ria de car\u00e1ter fascista em curso no mundo, se expressa aqui no Brasil atrav\u00e9s da criminaliza\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais; na homofobia, lesbofobia e transfobia, que cotidianamente faz v\u00edtimas em todos os cantos do pa\u00eds; na viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o contra os imigrantes que foram expulsos de seus pa\u00edses em fun\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter excludente do capitalismo \u2013 e ainda se deparam no Brasil com uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e desumana, com condi\u00e7\u00f5es de trabalho an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Nestas situa\u00e7\u00f5es quem mais sofre s\u00e3o as mulheres. As mulheres l\u00e9sbicas al\u00e9m de sofrer a explora\u00e7\u00e3o do trabalho, ainda est\u00e3o expostas a uma dupla, tripla ou qu\u00e1drupla opress\u00e3o- por serem mulheres, l\u00e9sbicas e parte delas pobres e negras. \u00a0As mulheres imigrantes, al\u00e9m de estarem expostas aos trabalhos mais exploradores e espoliadores, ainda sofrem com a xenofobia.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Ao mesmo tempo, vemos um exterm\u00ednio e encarceramento em massa da juventude negra das favelas e ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, v\u00edtimas da viol\u00eancia do Estado, que cumpre cotidianamente seu papel de manter a ordem estabelecida. M\u00e3es perdem seus filhos e maridos cotidianamente, v\u00edtimas das pr\u00e1ticas truculentas e de exterm\u00ednio da pol\u00edcia militar, que legitimam suas a\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um suposto combate \u00e0s drogas, como o caso recente do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, torturado e morto pela Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro. Al\u00e9m de exterm\u00ednios di\u00e1rios de jovens, ainda vemos verdadeiras chacinas, como a que aconteceu entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, em S\u00e3o Paulo, onde policiais e grupos paramilitares de exterm\u00ednio, assassinaram no m\u00ednimo 493 pessoas, em uma suposta a\u00e7\u00e3o contra \u201cataques do PCC\u201d. \u00a0A criminaliza\u00e7\u00e3o de jovens negros \u00e9 mais uma forma de legitimar a criminaliza\u00e7\u00e3o e controle dos movimentos sociais urbanos e de controlar a juventude que est\u00e1 \u00e0 margem desta sociedade, e que se coloca, de alguma forma, fora dos ditames do capital. O COLETIVO ANA MONTENEGRO se solidariza ao Movimento M\u00e3es de Maio, que luta pela Verdade, pela Mem\u00f3ria e por Justi\u00e7a para todas as v\u00edtimas da viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o pobre, negra, ind\u00edgena e contra os movimentos sociais brasileiros, de ontem e de hoje.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O Brasil tem hoje a quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo, e diferente do argumento conservador que diz que estas pessoas vivem bem, elas est\u00e3o, na realidade, sujeitas a p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. Neste cen\u00e1rio a invisibilidadeda situa\u00e7\u00e3o de milhares de mulheres que se deslocam semanalmente para os pres\u00eddios para visitar seus maridos, filhos, pais e irm\u00e3os, e sofrem cotidianamente com o transporte at\u00e9 os pres\u00eddios, com as imensas filas para as visitas e com a violenta e humilhante revista \u00edntima.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o podemos deixar de ressaltar o aumento do n\u00famero de mulheres presidi\u00e1rias, conforme os dados do DEPEN (Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, dezembro de 2010) entre os anos de 2000 e 2010 este aumento foi de 261% &#8211; mais do que o dobro dos homens, sendo que a maioria destas mulheres est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e exclus\u00e3o social. A maioria tem idade entre 20 e 35 anos, \u00e9 chefe de fam\u00edlia, possui em m\u00e9dia mais de dois filhos menores de 18 anos, apresenta escolaridade baixa e conduta delituosa que se caracteriza pela menor gravidade (Relat\u00f3rio da CPI do Sistema Carcer\u00e1rio), sendo que 95% delas j\u00e1 sofreram alguma viol\u00eancia ao longo da vida.Muitas cometeram crimes como \u201cmulas\u201d no transporte de drogas. A situa\u00e7\u00e3o nos pres\u00eddios femininos n\u00e3o \u00e9 diferente dos masculinos, enfrentam a falta de assist\u00eancia m\u00e9dica e acesso \u00e0 assist\u00eancia de sa\u00fade mental; problemas relacionados aos seus filhos \u2013 quem est\u00e1 cuidando das crian\u00e7as, como ser m\u00e3e \u00e0 dist\u00e2ncia, risco de perder a guarda; eproblemas na gravidez, parto e amamenta\u00e7\u00e3o; superlota\u00e7\u00e3o das unidades prisionais; falta de acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O pa\u00eds ainda exporta mulheres para o trabalho na condi\u00e7\u00e3o de coisas\/objetos de negocia\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das redes de com\u00e9rcio ilegal, inclusive na juventude. Todas as grandes obras desenvolvidas pelos programas governamentais, particularmente os ligados \u00e0s grandes construtoras e \u00e0s poderosas mineradoras, t\u00eam trazido graves problemas para as mulheres nas regi\u00f5es de fronteira ou de atividades extrativistas, \u00e1reas nas quais o grande capital se instala, empregando milhares de trabalhadores do sexo masculino. H\u00e1 atrasos ainda na pr\u00f3pria esquerda, como o PL 4211\/2012 do deputado Jean Wyllys do PSOL legitimando e legalizando a prostitui\u00e7\u00e3o, um fen\u00f4meno, estruturante no capitalismo, n\u00e3o socialmente desej\u00e1vel (sem, evidentemente, condena\u00e7\u00f5es de cunho moralista) constituindo-se na realidade num obst\u00e1culo para se atingir igualdade a entre mulheres e homens. Definitivamente: o capitalismo n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00e3o aos problemas da humanidade.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>SOMOS INTERNACIONALISTAS!<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>O Capitalismo e o Imperialismo atingem toda a humanidade, com guerras,invas\u00f5es, espionagens e principalmente saqueando todas as formas das riquezas naturais, especialmente nos pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A expans\u00e3o de receitas pol\u00edticas ditadas pelos oligop\u00f3lios e monop\u00f3lios, para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo tem desenvolvido, nos povos de todo o mundo, a viol\u00eancia, as doen\u00e7as, o ceticismo e a mis\u00e9ria, que colocam homens e mulheres, como s\u00f3cios minorit\u00e1rios nas decis\u00f5es pol\u00edticas-social.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O fortalecimento da ind\u00fastria b\u00e9lica, com a expans\u00e3o militar, desfavorece de forma brutal as lutas populares. A seguran\u00e7a alimentar esta amea\u00e7ada, bem como a sobreviv\u00eancia ambiental. As garras do imperialismo se fazem presentes atrav\u00e9s de suas bases militares, espalhadas em v\u00e1rias regi\u00f5es, especialmente na Am\u00e9rica Latina, sendo as fontes energ\u00e9ticas seus principais alvos.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Portanto, a necessidade do internacionalismo prolet\u00e1rio, de promover e fortalecer os la\u00e7os de amizade e solidariedade, aos povos que lutam pela sua autodetermina\u00e7\u00e3o, especialmente as mulheres do mundo que enfrentam a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. No mundo \u00e1rabe, reservamos particular aten\u00e7\u00e3o ao povo palestino, massacrado pelo Estado terrorista de Israel e \u00e0 S\u00edria, que bravamente luta contra os rebeldes e as mil\u00edcias, armados pelo imperialismo, bem como contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o totalmente dominados, por interesses corporativos do grande capital. Nossa solidariedade e apoio \u00e0s mulheres da Som\u00e1lia e do Sahara Ocidental.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina e Caribe, apoiamos o povo do haitiano, contra a ocupa\u00e7\u00e3o militar, inclusive do Brasil, que desempenha um papel de capacho do EUA, com a Miss\u00e3o de Estabiliza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Minustah).Denunciamos que al\u00e9m de n\u00e3o beneficiar os haitianos, ainda desempenham um papel de agudizar os confrontos, causando mortes, estupros e mis\u00e9ria. Alerta permanente sobre a Col\u00f4mbia, que hoje \u00e9 um dos pa\u00edses com mais desigualdades do planeta, o pa\u00eds tem como pano de fundo pol\u00edtico a subservi\u00eancia aos EUA e seu empresariado, representado por uma oligarquia que emprega todo tipo de viol\u00eancia para impor seu poder e do outro lado \u00e0s lutas populares e guerrilheiras, representado principalmente pelas FARCs, que se insurgem contra esta viol\u00eancia estatal, contra os avan\u00e7os imperialistas\/neoliberais e lutam por igualdade, justi\u00e7a,paz e soberania nacional. Devemos fortalecer a luta da Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, como tamb\u00e9m o Estado Plurinacional da Bol\u00edvia. N\u00e3o ao embargo a Cuba Socialista e devolu\u00e7\u00e3o dos Cinco Her\u00f3is Cubanos retidos pelo imp\u00e9rio Norte Americano. Liberdade para todas(os) presas(os) pol\u00edticas(os), que ousam desafiar o Capitalismo e o Imperialismo.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>NOSSAS LUTAS<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>N\u00f3s feministas do COLETIVO ANA MONTENEGRO queremos a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre da explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, em um estado laico. Na luta de classes, levando em conta as demandas espec\u00edficas para as mulheres: direito a uma vida sem viol\u00eancia, com pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas de n\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher, portanto, n\u00e3o bastando a Lei Maria da Penha; a moradia digna e reforma agr\u00e1ria; o fim da mercantiliza\u00e7\u00e3o do corpo da mulher; um SUS p\u00fablico, estatal, universal, de qualidade, e com poder popular para garantir uma aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 sa\u00fade das mulheres,com a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, um assunto de classe, e n\u00e3o apenas das mulheres. Colocamo-nos assim totalmente contra ao Estatuto do Nascituro, que retrocede nos avan\u00e7os sobre os direitos reprodutivos e se coloca como uma viol\u00eancia contra os direitos da mulher como um ser humano. Queremos a garantia de trabalho, com redu\u00e7\u00e3o de jornada sem redu\u00e7\u00e3o salarial, sal\u00e1rio igual para trabalho igual entre homens e mulheres: n\u00e3o demiss\u00e3o imotivada, n\u00e3o ao ACE (acordo coletivo especial pelo qual o negociado prevalece sobre o legislado), contra o projeto de lei da Terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Queremos ainda a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico com a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os como restaurantes, lavanderias p\u00fablicas, creches diurnas e noturnas e de qualidade (sob a perspectiva da n\u00e3o institucionaliza\u00e7\u00e3o total das crian\u00e7as pelo Estado capitalista), escolas em tempo integral, medidas que promovam a conscientiza\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres, ensino p\u00fablico, laico, de qualidade, n\u00e3o sexista, n\u00e3o racista e n\u00e3o lesbof\u00f3bico, desmascaramento dos processos de higieniza\u00e7\u00e3o social que ocorrem nas cidades de todo o pa\u00eds, ditados pelos interesses capitalistas (escondidos sob falsas campanhas gigantescas, como shows pirot\u00e9cnicos, copas esportivas, lutas contra as drogas ou simplesmente especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria), nos quais o Estado afasta de forma brutal e violenta as mulheres de suas casas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Fazemos a intercess\u00e3o entre as categorias como classe, g\u00eanero e ra\u00e7a\/etnia, no campo das media\u00e7\u00f5es, numa perspectiva pluralista da luta concreta, \u00a0porque elas nos permitem observar as diferencia\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis de conflito e desigualdade nas rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres no interior das duas classes sociais, entendendo, que nesse momento, na nossa sociedade, a \u00a0solidariedade de classe ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para quebrar a subordina\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 certo que estamos sempre conectando tais recortes, \u00e0s lutas gerais dos trabalhadores.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Queremos e formaremos com as feministas revolucion\u00e1rias um bloco hist\u00f3rico, a partir da unidade de a\u00e7\u00e3o, respeitando os ritmos e cultura de cada organiza\u00e7\u00e3o, buscando avan\u00e7ar na realiza\u00e7\u00e3o do poder popular, na constru\u00e7\u00e3o de uma hegemonia econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural, filos\u00f3fica e moral socialista, enfim, uma verdadeira contra-hegemonia ao modo de produ\u00e7\u00e3o e de vida capitalista, criando condi\u00e7\u00f5es de luta pelo fim da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sobre as mulheres e sobre a humanidade, apontando para a revolu\u00e7\u00e3o socialista, o \u00fanico caminho genu\u00edno para alcan\u00e7ar a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres, todos juntos, avan\u00e7ando para uma sociedade livre.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ousar lutar, ousar vencer!<\/p>\n<p>COLETIVOANA MONTENEGRO &#8211; http:\/\/coletivomulheranamontenegro.blogspot.com.br<\/p>\n<p>&#8220;Tive a honra e a alegria de conviver com a indom\u00e1vel e meiga Ana Montenegro, no Comit\u00ea Central do PCB, de 1982 at\u00e9 o desaparecimento f\u00edsico dessa revolucion\u00e1ria. Na luta interna contra os que queriam liquidar o Partido, sua voz contundente e altiva os calava e os envergonhava. O Coletivo em que as comunistas lutam pelas demandas espec\u00edficas da mulher, nos marcos da luta de classes, escolheu o nome Ana Montenegro porque se inspirar\u00e1 no exemplo dessa camarada que, como sempre dizia, sentia as dores dos oprimidos&#8221;.<\/p>\n<p>Ivan Pinheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\nPARA AL\u00c9M DA LUTA POR DIREITOS: ORGANIZAR PARA A RUPTURA COM O CAPITALISMO\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5692\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-5692","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1tO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5692"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5692\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}