{"id":5704,"date":"2013-12-05T18:23:53","date_gmt":"2013-12-05T18:23:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5704"},"modified":"2017-08-25T00:59:16","modified_gmt":"2017-08-25T03:59:16","slug":"racismo-explica-80-das-causas-de-morte-de-negros-no-pais-entrevista-especial-com-rodrigo-leandro-de-moura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5704","title":{"rendered":"Racismo explica 80% das causas de morte de negros no pa\u00eds. Entrevista especial com Rodrigo Leandro de Moura"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cO racismo est\u00e1 influenciando esse diferencial de taxa de homic\u00eddios. N\u00e3o conseguimos uma metodologia que seja capaz de quantificar exatamente qual \u00e9 este percentual, mas cremos, com certeza, que boa parte desse diferencial seja devido ao racismo\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>O percentual de negros assassinados no Brasil \u00e9 132% maior do que o de brancos, revela pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada &#8211; Ipea, intitulada Vidas Perdidas e Racismo no Brasil. Embora as raz\u00f5es para explicar esses dados n\u00e3o estejam totalmente claras, \u201c20% da causa da morte de negros\u201d pode ser atribu\u00edda a \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/515331-negros-ja-somam-52-da-classe-media-brasileira-aponta-estudo\">quest\u00f5es socioecon\u00f4micas<\/a>\u201d, como diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a emprego, moradia, estudo e renda do trabalhador, diz Rodrigo Leandro de Moura, um dos autores do estudo realizado pelo Ipea, em entrevista \u00e0 IHU On-Line, concedida por e-mail.<\/p>\n<p>Os outros 80%, esclarece, podem ser explicados por uma \u201cvari\u00e1vel socioecon\u00f4mica que n\u00e3o observamos, mas, apesar de n\u00e3o conseguirmos imaginar qual seja, pensamos que um componente importante para explicar esse dado seja o racismo\u201d. E acrescenta: \u201cO que refor\u00e7a a tese de racismo \u00e9 que as caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas podem ser afetadas por ele. Ent\u00e3o, por exemplo, o negro sofre discrimina\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, pode ter mais dificuldade de ter acesso a postos de trabalho qualificados, pode sofrer bloqueio de oportunidades de seu crescimento profissional e tamb\u00e9m pode ter o que chamamos de desigualdade de oportunidades e, por causa disso, sofrer tratamento desigual no que se refere \u00e0s oportunidades no mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523490-reforma-trabalhista-divide-opinioes-organizacoes-empresariais-e-de-trabalhadores-divergem\">Rodrigo Leandro de Moura<\/a> \u00e9 graduado em Economia pela Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; FEA-RP\/USP, e mestre e doutor em Economia pela Escola de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas &#8211; EPGE\/FGV-RJ. Atualmente \u00e9 professor e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia &#8211; IBRE\/FGV-RJ.<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Como foi realizada a pesquisa que demonstra maior viol\u00eancia contra os negros no Brasil?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura &#8211; Essa pesquisa surgiu do nosso interesse de avaliar se havia uma discrimina\u00e7\u00e3o contra negros ocorrendo em rela\u00e7\u00e3o aos casos de homic\u00eddios registrados no pa\u00eds. Procuramos avaliar inicialmente a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525763-negros-sao-70-das-vitimas-de-assassinatos-no-brasil-reafirma-ipea\">taxa de mortes por homic\u00eddios de negros e n\u00e3o negros<\/a> e verificamos uma discrep\u00e2ncia grande entre os dados. No que se refere aos resultados por estados, tamb\u00e9m verificamos que h\u00e1, principalmente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, uma discrep\u00e2ncia grande entre a taxa de homic\u00eddios de negros e n\u00e3o negros.<\/p>\n<p>A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, calculamos, atrav\u00e9s de uma metodologia de outro artigo, a perda de expectativa de vida do negro ao nascer, em raz\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Por que o n\u00famero de negros assassinados no Brasil \u00e9 132% maior do que o de brancos? Quais as causas desses assassinatos e que atores est\u00e3o envolvidos nestas mortes?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura &#8211; Visto que observamos esse diferencial muito grande entre homic\u00eddios de brancos e negros, calculamos a diferen\u00e7a da taxa de homic\u00eddios entre negros e n\u00e3o negros e procuramos avaliar, atrav\u00e9s de um modelo estat\u00edstico, qual percentual desse resultado poderia ser explicado por caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas &#8211; quando falo de caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas, refiro-me a diferen\u00e7as de educa\u00e7\u00e3o, diferen\u00e7as demogr\u00e1ficas, diferen\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho, como taxa de desemprego, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525654-media-salarial-de-negros-e-36-menor-aponta-dieese\">renda do trabalhador<\/a>, diferen\u00e7as de tipo de moradia, densidade domiciliar, etc. A partir desses dados, verificamos que as caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas explicavam somente 20% da diferen\u00e7a da taxa de homic\u00eddios. Ou seja, 20% da causa da morte de negros pode ser atribu\u00edda a essas principais caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas. Os outros 80% correspondem a qu\u00ea? Pensamos que esse resultado se explica atrav\u00e9s de caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas que n\u00e3o observamos.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Voc\u00ea tem ideia de quais s\u00e3o essas caracter\u00edsticas ou \u00e9 imposs\u00edvel identific\u00e1-las por enquanto? Qual o significado desses 80%?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura \u2013 N\u00e3o. Logicamente estamos restritos \u00e0 base de dados: utilizamos os dados do Censo. \u00c9 dif\u00edcil imaginar outras vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas demogr\u00e1ficas que n\u00e3o tenham alguma rela\u00e7\u00e3o no modelo, e tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos identificar novas caracter\u00edsticas, porque esse exerc\u00edcio foi feito a partir das taxas de homic\u00eddio por munic\u00edpio. N\u00e3o conseguimos identificar, por exemplo, que tipo de caracter\u00edstica espec\u00edfica, em cada munic\u00edpio, pode estar associada ao racismo e que pode, de alguma maneira, afetar o resultado.<\/p>\n<p>O que quero dizer com isso? Dentro desses 80% pode ter uma vari\u00e1vel socioecon\u00f4mica que n\u00e3o observamos, mas apesar de n\u00e3o conseguirmos imaginar qual seja, pensamos que um componente importante para explicar esse dado seja o racismo. O que refor\u00e7a a tese de racismo \u00e9 que as caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas podem ser afetadas por ele. Ent\u00e3o, por exemplo, o negro sofre discrimina\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, pode ter mais dificuldade de ter acesso a postos de trabalho qualificados, pode sofrer bloqueio de oportunidades de seu crescimento profissional e tamb\u00e9m pode ter o que chamamos de <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/46659-%60%60igualdade-de-oportunidades%60%60-ou-%60%60igualdade-de-posicoes%60%60-qual-e-o-melhor-modelo-para-reduzir-as-desigualdades-sociais\">desigualdade de oportunidades<\/a> e, por causa disso, sofrer tratamento desigual no que se refere \u00e0s oportunidades no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2192&amp;secao=275\">racismo<\/a> cria determinados estere\u00f3tipos negativos que acabam afetando a autoestima de crian\u00e7as e jovens negros e, a\u00ed, logicamente, influenciam negativamente sobre eles. De modo geral, acreditamos que o racismo influencia esse diferencial de taxa de homic\u00eddios. N\u00e3o conseguimos uma metodologia que consiga quantificar exatamente qual \u00e9 este percentual, mas cremos, com certeza, que boa parte desse diferencial seja devido ao racismo.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Como a viol\u00eancia se manifesta entre negros e n\u00e3o negros no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura \u2013 A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525849-sobre-negros-violencia-e-salarios\">viol\u00eancia<\/a> gera uma perda de expectativa de vida. Avaliamos a viol\u00eancia em alguns aspectos: homic\u00eddios, acidentes de tr\u00e2nsito, suic\u00eddios, etc. A partir disso, observamos que a maior perda da expectativa de vida \u00e9 para homens. Verificamos tamb\u00e9m que os homens n\u00e3o negros morrem mais por conta de acidentes de tr\u00e2nsito do que por homic\u00eddios, enquanto os negros sofrem mais homic\u00eddios.<\/p>\n<p>Diante desses dados, entramos na quest\u00e3o que est\u00e1 relacionada ao racismo institucional, ou seja, a uma forma particular de racismo nas institui\u00e7\u00f5es, que envolve o funcionamento da pol\u00edcia. Essas organiza\u00e7\u00f5es constituem s\u00f3 um segmento, uma ponta do Sistema de Justi\u00e7a Criminal, que est\u00e1 mais perto do cidad\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 o policial que, em geral, aborda primeiro o criminoso e deveria garantir os direitos civis, os direitos humanos, enfim, a quest\u00e3o da isonomia no tratamento ao cidad\u00e3o. Entretanto, a partir dos dados do Censo e da Pnad de 2009, observamos que, quanto ao percentual da popula\u00e7\u00e3o que sofreu agress\u00e3o f\u00edsica em 2009, 1,8% era de negros e 1,3% era de n\u00e3o negros. Entre as v\u00edtimas que n\u00e3o procuraram a pol\u00edcia, 61,8% eram negros e 38,2% eram n\u00e3o negros. Ent\u00e3o, o que isso mostra? Que entre aqueles que n\u00e3o procuraram a pol\u00edcia, ou seja, n\u00e3o procuraram porque n\u00e3o acreditavam, ou porque tinham medo dela, n\u00e3o o fizeram por conta do racismo com que o cidad\u00e3o \u00e9 tratado pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>N\u00e3o descarto tamb\u00e9m outra possibilidade, que n\u00e3o estaria ligada ao <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/524784-jovem-negro-tem-37-vezes-mais-chances-de-ser-morto-no-brasil\">racismo institucional<\/a>, mas \u00e0 quest\u00e3o do criminoso, que na maior parte das vezes \u00e9 negro. Ent\u00e3o, haveria um caso de racismo de negro contra negro ou, ent\u00e3o, seria mais um problema social, ou seja, como o negro est\u00e1 mais envolvido com o crime, ent\u00e3o ele tende a matar mais negros. Acredito mais na hip\u00f3tese de racismo institucional.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 H\u00e1 alguma caracter\u00edstica espec\u00edfica para o \u00edndice de homic\u00eddios ser maior no Norte, Nordeste e Centro-Oeste?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura \u2013 A\u00ed volta a quest\u00e3o das caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas. Esper\u00e1vamos que as diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas explicassem esse dado, s\u00f3 que n\u00e3o explicaram.<\/p>\n<p>Esse dado de 80% relacionado ao racismo se manifesta, portanto, no Nordeste, em Alagoas, Pernambuco, Sergipe, tamb\u00e9m no Par\u00e1, no Esp\u00edrito Santo, em alguns estados do Centro-Oeste, onde parece que o racismo \u00e9 mais alto.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Como avalia as pol\u00edticas p\u00fablicas dos \u00faltimos anos em rela\u00e7\u00e3o aos negros, como a inclus\u00e3o nas universidades por cotas? A\u00e7\u00f5es como essa mudam a mentalidade acerca do racismo?<\/p>\n<p>Rodrigo Leandro de Moura \u2013 As pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa, isoladamente, n\u00e3o resolvem o problema. Existem evid\u00eancias favor\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa, por exemplo, pol\u00edtica de cota por ra\u00e7a nas Universidades. Alguns estudos t\u00eam mostrado que o desempenho do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/509124-cotistasnegros-ocupammetadedevagasnaufrgs\">cotista na Universidade<\/a> n\u00e3o tem sido estatisticamente pior do que o n\u00e3o cotista. Portanto, a proposta \u00e9 boa para diminuir a desigualdade e garantir oportunidades.<\/p>\n<p>Entretanto, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/520089-125-anos-de-abolicao-maioria-dos-negros-ja-e-de-classe-media\">melhorar a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/a> na base, porque sen\u00e3o se incorre em outro tipo de discrimina\u00e7\u00e3o: contra os brancos pobres. As pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa deveriam complementar a pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, de qualidade. Voc\u00ea tem que dar uma educa\u00e7\u00e3o boa desde a primeira inf\u00e2ncia. Depois de niveladas as caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas, a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/513833-acao-afirmativa-estimula-aumento-dos-autodeclarados-pretos\">pol\u00edtica de a\u00e7\u00e3o afirmativa<\/a> seria menos necess\u00e1ria. O que o nosso estudo mostra \u00e9 que se voc\u00ea eliminar toda a diferen\u00e7a das caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas, a taxa de mortalidade por homic\u00eddios reduziria somente 20%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5704\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-5704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1u0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5704"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5704\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}