{"id":5705,"date":"2013-12-05T18:27:17","date_gmt":"2013-12-05T18:27:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5705"},"modified":"2013-12-05T18:27:17","modified_gmt":"2013-12-05T18:27:17","slug":"alvaro-cunhal-e-as-lutas-em-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5705","title":{"rendered":"\u00c1lvaro Cunhal e as lutas em \u00c1frica*"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA via de desenvolvimento n\u00e3o capitalista para os pa\u00edses de \u00c1frica e a edifica\u00e7\u00e3o de sociedades socialistas nesse continente n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como \u00e9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e a longo prazo para que os povos africanos possam assegurar o desenvolvimento econ\u00f3mico e social correspondente aos seus interesses e aspira\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>No final dos anos 80 do s\u00e9culo XX, h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas e meia, \u00c1lvaro Cunhal expressou a opini\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel uma via de desenvolvimento n\u00e3o capitalista para os pa\u00edses de \u00c1frica e a edifica\u00e7\u00e3o de sociedades socialistas nesse continente.<\/p>\n<p>\u00abPenso que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como \u00e9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e a longo prazo para que os povos africanos possam assegurar o desenvolvimento econ\u00f3mico e social correspondente aos seus interesses e aspira\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, num mundo em que se acentua a divis\u00e3o internacional do trabalho com peso dominante da alta finan\u00e7a e das grandes empresas capitalistas multinacionais, o desenvolvimento capitalista em pa\u00edses cujo est\u00e1dio de desenvolvimento econ\u00f3mico \u00e9 extraordinariamente mais atrasado significa a cria\u00e7\u00e3o ou refor\u00e7o de la\u00e7os neocolonialistas e fortes limita\u00e7\u00f5es \u00e0 independ\u00eancia e soberania nacionais\u00bb, afirmou em Agosto de 1989 o ent\u00e3o Secret\u00e1rio-geral do PCP.<\/p>\n<p>Numa entrevista ao quinzen\u00e1rio cabo-verdiano \u00abTribuna\u00bb, \u00c1lvaro Cunhal considerou que, tamb\u00e9m em \u00c1frica, \u00abo caminho para o socialismo \u00e9 sem d\u00favida extremamente complexo, tanto por factores objectivos como subjectivos, tanto por factores internos como externos, de natureza econ\u00f3mica, social e pol\u00edtica\u00bb. Avisou que \u00abn\u00e3o ser\u00e1 certamente adequado pretender copiar qualquer \u201cmodelo\u201d de constru\u00e7\u00e3o de socialismo em condi\u00e7\u00f5es completamente diferentes\u00bb. E concluiu que \u00aba grande tarefa que se coloca a for\u00e7as que ponham como objectivo a constru\u00e7\u00e3o do socialismo nos seus pa\u00edses \u00e9 descobrir com criatividade revolucion\u00e1ria os caminhos e solu\u00e7\u00f5es para, ainda que num processo irregular, construir uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, uma sociedade donde sejam progressivamente eliminadas a opress\u00e3o e as injusti\u00e7as sociais\u00bb.<\/p>\n<p>O dirigente comunista abordou tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas entre o PCP e as organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas africanas: \u00abA amizade, fraternidade, solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o combativa com os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional das antigas col\u00f3nias portuguesas inscrevem-se como princ\u00edpios de ouro do Partido Comunista Portugu\u00eas e do pr\u00f3prio povo portugu\u00eas. A \u00edntima associa\u00e7\u00e3o da luta contra o colonialismo e contra o fascismo tornou poss\u00edvel a conflu\u00eancia de hist\u00f3ricas vit\u00f3rias comuns coroando a her\u00f3ica luta dos nossos povos: a liberta\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas da ditadura fascista com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril de 1974 e a conquista da independ\u00eancia pelos povos ent\u00e3o submetidos ao jugo colonial portugu\u00eas. As rela\u00e7\u00f5es de amizade e coopera\u00e7\u00e3o do PCP com o PAIGC, o MPLA e a Frelimo foram constantes e fraternais desde a cria\u00e7\u00e3o destes movimentos de liberta\u00e7\u00e3o. Nessas rela\u00e7\u00f5es se inscreveram os numerosos encontros, a ajuda rec\u00edproca e o estabelecimento de uma profunda confian\u00e7a dos dirigentes do PCP com Am\u00edlcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel e outros dirigentes dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o. Pela minha parte conservo recorda\u00e7\u00f5es inolvid\u00e1veis de muitos anos de coopera\u00e7\u00e3o, de combate, de camaradagem e de amizade fraternal\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Confian\u00e7a no futuro<\/strong><\/p>\n<p>Nessa longa e interessante entrevista ao jornal de Cabo Verde, \u00c1lvaro Cunhal elogiou Cabral, contou com pormenores o processo da sa\u00edda de Neto de Portugal, em 1962, enalteceu as lutas dos povos da \u00c1frica Austral contra o \u00abapartheid\u00bb apoiado pelo imperialismo norte-americano e \u2013 em v\u00e9speras da desintegra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u2013 manifestou a sua \u00abinabal\u00e1vel convic\u00e7\u00e3o\u00bb no futuro do socialismo e na validade do marxismo-leninismo.<\/p>\n<p>Sobre o relacionamento do PCP com os partidos no poder nos pa\u00edses africanos de express\u00e3o lus\u00f3fona, e entre estados, deixou palavras que surpreendem pela sua actualidade: \u00abContinuam a ser rela\u00e7\u00f5es de amizade e solidariedade. H\u00e1 s\u00f3lidas raz\u00f5es para que assim seja. \u00c9 uma verdade incontest\u00e1vel que os comunistas portugueses s\u00e3o em Portugal os melhores, mais sinceros e coerentes amigos dos povos dos novos pa\u00edses africanos. Estamos ao vosso lado, na constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade, na defesa das vossas op\u00e7\u00f5es e da vossa independ\u00eancia. A conjuga\u00e7\u00e3o da luta dos nossos povos que culminou com a revolu\u00e7\u00e3o de Abril em Portugal e a conquista da independ\u00eancia dos povos das antigas col\u00f3nias portuguesas, criou um momento hist\u00f3rico \u00fanico que abriu extraordin\u00e1rias possibilidades a uma era de coopera\u00e7\u00e3o entre os nossos pa\u00edses. Se isso n\u00e3o aconteceu deveu-se sobretudo ao facto de que os interesses do grande capital e o saudosismo colonialista t\u00eam determinado em larga medida a pol\u00edtica africana dos governos em Portugal\u00bb.<\/p>\n<p>Para \u00c1lvaro Cunhal, \u00abn\u00f3s, comunistas, lutamos para que as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas, sociais e culturais entre Portugal e os novos pa\u00edses se desenvolvam na base da igualdade, da reciprocidade, da n\u00e3o inger\u00eancia, do inteiro respeito pela soberania\u00bb.<\/p>\n<p>*Este artigo foi publicado no \u201cAvante!\u201d n\u00ba 2086, 21.11.13<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nCarlos Lopes Pereira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5705\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-5705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1u1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5705\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}