{"id":5710,"date":"2013-12-06T23:51:02","date_gmt":"2013-12-06T23:51:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5710"},"modified":"2013-12-06T23:51:02","modified_gmt":"2013-12-06T23:51:02","slug":"copa-do-mundo-2014-ilegitima-elitista-privatista-e-antipopular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5710","title":{"rendered":"Copa do Mundo 2014, Ileg\u00edtima: elitista, privatista e antipopular"},"content":{"rendered":"\n<p>Segunda, 02 de dezembro de 2013<\/p>\n<p><em>A an\u00e1lise da Conjuntura da Semana \u00e9 uma (re)leitura das Not\u00edcias do Dia publicadas diariamente no s\u00edtio do IHU. A an\u00e1lise \u00e9 elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos \u2013 IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores \u2013 CEPAT com sede em Curitiba-PR e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte &#8211; UFRN.<\/em><\/p>\n<p><em>Sum\u00e1rio:<\/em><\/p>\n<p><em>Uma copa anti-popular<\/em><\/p>\n<p><em>Comit\u00eas Populares da Copa: Resist\u00eancia e pot\u00eancia<\/em><\/p>\n<p><em>Lei Geral da Copa \u2013 Cavalo de Tr\u00f3ia<\/em><\/p>\n<p><em>FIFA. Uma grande multinacional desp\u00f3tica<\/em><\/p>\n<p><em>Remo\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias e o legado oculto<\/em><\/p>\n<p><em>Cidades privatizadas. Sociedade submetida \u00e0 l\u00f3gica do capital<\/em><\/p>\n<p><em>Elitiza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do futebol<\/em><\/p>\n<p>Eis a an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>Uma copa anti-popular<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que a realiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Copa do Mundo<\/strong> no Brasil encontra-se amea\u00e7ada. Uma pergunta persegue e preocupa o governo, a\u00a0<strong>FIFA <\/strong>e os organizadores do evento: Como ser\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es durante Copa do Mundo? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que haver\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es durante o Mundial. A d\u00favida \u00e9 o tamanho das mesmas, o receio da necessidade de colocar o ex\u00e9rcito nas ruas, o uso desmedido da \u2018m\u00e3o pesada\u2019 do Estado que pode arruinar a imagem do pa\u00eds l\u00e1 fora, j\u00e1 agravada p\u00f3s-Copa das Confedera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seis anos atr\u00e1s quando o Brasil foi escolhido para sediar a\u00a0<strong>Copa do Mundo de 2014<\/strong>, certo ufanismo tomou conta do pa\u00eds. J\u00e1 faz tempo, por\u00e9m, que a Copa deixou de ser uma unanimidade e se torna cada vez menos na medida em que se toma conhecimento dos desmandos que a envolvem.<\/p>\n<p>Nesses dias, o\u00a0<strong>acidente<\/strong> com um guindaste na Arena Corinthians e a morte de dois oper\u00e1rios maculou ainda mais a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Brasil. \u00c0s mortes de trabalhadores somam-se uma s\u00e9rie de outros problemas: greves, atrasos, remo\u00e7\u00f5es, abandono de projetos de mobilidade, gastos exorbitantes, falta de transpar\u00eancia, imposi\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>FIFA <\/strong>etc.<\/p>\n<p>O sinal de que as coisas n\u00e3o iam bem com a Copa foi dado em junho de 2013 com as\u00a0<strong>grandes manifesta\u00e7\u00f5es<\/strong>. As multid\u00f5es sitiaram as arenas de futebol e manifestaram indigna\u00e7\u00e3o com a exorbit\u00e2ncia de gastos, com a falta de transpar\u00eancia, com as imposi\u00e7\u00f5es da FIFA. As ruas disseram que entre investimentos em est\u00e1dios e em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, ficam com a segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos poucos foi crescendo a percep\u00e7\u00e3o na sociedade de que a Copa n\u00e3o passa de um grande neg\u00f3cio. Um neg\u00f3cio que subordina o Estado brasileiro \u2013 a inger\u00eancia da\u00a0<strong>FIFA; <\/strong>um neg\u00f3cio que privatiza espa\u00e7os p\u00fablicos, que elitiza os est\u00e1dios, que expulsa milhares de seus locais de moradia, que utiliza dinheiro que falta em \u00e1reas mais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es voltar\u00e3o \u00e0s ruas por ocasi\u00e3o da Copa do Mundo, ainda mais com os holofotes do mundo todo voltados ao Brasil. H\u00e1 quem inclusive considere poss\u00edvel at\u00e9 inviabilizar a realiza\u00e7\u00e3o da Copa como o ativista\u00a0<strong>Rodrigo Brizola<\/strong> para quem &#8220;n\u00e3o vai ter copa\u201d. Diz ele: &#8220;Depende de n\u00f3s. Vamos resistir, vamos desobedecer. Pra essa Copa j\u00e1 come\u00e7ou a resist\u00eancia, a palavra de ordem \u00e9 essa: n\u00e3o vai ter Copa. Se a massa levantar de novo\u2026 temos que saber se os movimentos organizados est\u00e3o com condi\u00e7\u00f5es de dialogar com essa massa. Se conseguirmos dialogar com a massa, n\u00e3o vai ter Copa\u201d.<\/p>\n<p>Independente do que venha acontecer,\u00a0<strong>quebrou-se o mito<\/strong> do &#8220;pa\u00eds do futebol\u201d, o mito de que a Copa do Mundo \u00e9 sagrada. As ruas mandaram o recado &#8220;da Copa eu abro m\u00e3o, quero mais dinheiro para sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Quem primeiro levantou a s\u00e9rie de equ\u00edvocos envolvendo a organiza\u00e7\u00e3o do evento foram os\u00a0<strong>Comit\u00eas Populares da Copa<\/strong>. Na raiz dos cartazes de rua criticando o \u2018modelo da Copa\u2019 est\u00e3o os Comit\u00eas Populares que denunciaram a\u00a0<strong>Lei Geral da Copa<\/strong>, as remo\u00e7\u00f5es, os gastos absurdos, as imposi\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>FIFA.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comit\u00eas Populares da Copa: Resist\u00eancia e pot\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>Comit\u00eas Populares da Copa<\/strong>foram o embri\u00e3o daquilo que depois se viu nas ruas. Foram eles que alertaram para os desmandos na organiza\u00e7\u00e3o do evento. Chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a inger\u00eancia de fora para dentro com a\u00a0<strong>Lei Geral da Copa<\/strong>, as viola\u00e7\u00f5es de direitos, as remo\u00e7\u00f5es indevidas, o uso exorbitante e sem consulta popular do dinheiro p\u00fablico, entre outros.<\/p>\n<p>Em todas as cidades que sediar\u00e3o os jogos da Copa do Mundo &#8211; Belo Horizonte, Bras\u00edlia, Cuiab\u00e1, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e S\u00e3o Paulo \u2013 foram formados Comit\u00eas Populares da Copa.<\/p>\n<p>Em junho desse ano, alguns dias antes de explodirem as manifesta\u00e7\u00f5es de rua, a\u00a0<strong>revista IHU On-Line<\/strong> produziu um n\u00famero exclusivo sobre a Copa do Mundo. A revista intitulada\u00a0<strong>Copa do Mundo. \u00a0Para quem e para qu\u00ea?<\/strong> entrevistou v\u00e1rios estudiosos e integrantes dos Comit\u00eas Populares da Copa.<\/p>\n<p>Uma leitura atenta da revista permite a compreens\u00e3o do que se viu dias depois nas ruas de todo o Brasil. A tarefa dos Comit\u00eas, na opini\u00e3o da arquiteta e urbanista\u00a0<strong>Claudia Favaro<\/strong>, integrante do Comit\u00ea Popular de Porto Alegre e entrevistada pela\u00a0<strong>IHU On-Line <\/strong>tem sido a de &#8220;monitorar os gastos e ser um agente mobilizador da sociedade para garantir que os direitos humanos n\u00e3o sejam violados\u201d, uma vez que todos os megaeventos trazem &#8220;impactos muito caracter\u00edsticos que ocorrem em fun\u00e7\u00e3o dessas viola\u00e7\u00f5es pela necessidade de reestrutura\u00e7\u00e3o urbana\u201d. Assim, &#8220;a proposta do comit\u00ea \u00e9 articular os atingidos, monitorar as viola\u00e7\u00f5es e dar voz aos mais variados setores, principalmente os mais vulner\u00e1veis\u201d. Os Comit\u00eas gestaram o in\u00edcio da resist\u00eancia aos equ\u00edvocos na organiza\u00e7\u00e3o do Mundial.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de\u00a0<strong>Julia \u00c1vila Franzoni<\/strong>, integrante do Comit\u00ea de Curitiba, assessora da Organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Terra de Direitos <\/strong>e tamb\u00e9m entrevistada pela revista\u00a0<strong>IHU On Line<\/strong>, a principal contribui\u00e7\u00e3o dos Comit\u00eas foi o da &#8220;produ\u00e7\u00e3o de um contradiscurso que discute os megaeventos nos marcos do seu modelo de desenvolvimento violador dos direitos humanos\u201d.<\/p>\n<p>Na origem dos\u00a0<strong>Comit\u00eas Populares da Copa <\/strong>e durante sua articula\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ado, em 2011 um\u00a0<strong>Dossi\u00ea<\/strong> intitulado \u2018Megaeventos e Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos no Brasil\u2019. O dossi\u00ea foi entregue aos governos e prefeituras das doze cidades-sede da Copa, e para outros \u00f3rg\u00e3os municipais, estaduais, federais e internacionais. Nele est\u00e3o presentes as den\u00fancias que ir\u00e3o aflorar posteriormente nas manifesta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Moradia: <\/strong>despejos arbitr\u00e1rios e remo\u00e7\u00f5es inteiras em processos ilegais de desapropria\u00e7\u00e3o para as obras da Copa;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Trabalho: <\/strong>as greves e paralisa\u00e7\u00f5es s\u00e3o resultados de baixos sal\u00e1rios, m\u00e1s-condi\u00e7\u00f5es de trabalho e superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra em fun\u00e7\u00e3o de atrasos e cronogramas apertados;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, Participa\u00e7\u00e3o e Representa\u00e7\u00e3o Popular<\/strong>: cria\u00e7\u00e3o de inst\u00e2ncias paralelas de poder, que est\u00e3o isentas de qualquer controle social;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Meio ambiente<\/strong>: facilita\u00e7\u00e3o de licita\u00e7\u00f5es ambientes para obras;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Mobilidade: <\/strong>expuls\u00e3o das fam\u00edlias mais pobres das \u00e1reas centrais e valorizadas e investimentos em transporte e mobilidade urbana sem considerar prioritariamente as demandas da popula\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Acesso a Servi\u00e7os e Bens P\u00fablicos<\/strong>: diante da resist\u00eancia dos moradores, prefeituras cortam servi\u00e7os p\u00fablicos de comunidades em processo de remo\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>: perspectiva de militariza\u00e7\u00e3o das cidades durante os megaeventos;<\/p>\n<p>&#8211;<strong>Elitiza\u00e7\u00e3o, \u2018Europeiza\u00e7\u00e3o\u2019 e Privatiza\u00e7\u00e3o do Futebol<\/strong>: fim dos setores populares nos est\u00e1dios e aumento dos pre\u00e7os dos ingressos;<\/p>\n<p><strong>Lei Geral da Copa \u2013 Cavalo de Tr\u00f3ia<\/strong><\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias den\u00fancias na prepara\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo, os Comit\u00eas destacaram o car\u00e1ter autorit\u00e1rio, abusivo e de inger\u00eancia inscritos na\u00a0<strong>Lei Geral da Copa<\/strong>. Uma legisla\u00e7\u00e3o imposta de fora para dentro a partir dos interesses da\u00a0<strong>FIFA <\/strong>&#8211; um verdadeiro ataque \u00e0 soberania do pa\u00eds, segundo os\u00a0<strong>Comit\u00eas Populares da Copa<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Lei Geral da Copa <\/strong>altera &#8220;sumariamente a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, normas amplamente debatidas e, em muitos casos, fruto hist\u00f3rico de press\u00e3o e reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais para atender a exig\u00eancias de organismos internacionais como a\u00a0<strong>FIFA <\/strong>e o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional \u2013<strong>COI\u201d <\/strong>destacavam ainda em mar\u00e7o do ano passado,<strong>Guilherme Varella<\/strong>, do Instituto de Defesa do Consumidor e\u00a0<strong>Thiago Hoshino<\/strong>, da Organiza\u00e7\u00e3o Terra de Direitos em entrevista ao\u00a0<strong>IHU<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo eles, a\u00a0<strong>FIFA <\/strong>e o\u00a0<strong>COI <\/strong>&#8220;s\u00e3o verdadeiras empresas transnacionais, mais preocupadas com o jogo do mercado do que com os jogos esportivos\u201d. De acordo com\u00a0<strong>Guilherme Varella <\/strong>e\u00a0<strong>Thiago Hoshino<\/strong>, a\u00a0<strong>Lei Geral da Copa <\/strong>pode ser considerada &#8220;um cavalo de troia que abre perigosos precedentes no ordenamento jur\u00eddico brasileiro. Ela n\u00e3o \u00e9 a primeira medida e tudo indica que n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima a regulamentar \u2018o regime de exce\u00e7\u00e3o\u2019 para os jogos\u201d.<\/p>\n<p>O advogado\u00a0<strong>Paulo Lemos<\/strong>, presidente do Col\u00e9gio de Ouvidorias das Defensorias P\u00fablicas do Brasil e entrevistado pela revista\u00a0<strong>IHU On-Line <\/strong>considera estranho ver o Brasil fiel aos ditames da\u00a0<strong>FIFA, <\/strong>uma vez que ela &#8220;s\u00f3 tem dado ordens, enquanto o pagamento da fatura tem sido feito, cem por cento, com o dinheiro do contribuinte brasileiro, que n\u00e3o poder\u00e1 assistir aos jogos da copa, presencialmente\u201d.<\/p>\n<p>Diante da abusiva inger\u00eancia da\u00a0<strong>FIFA, <\/strong>exigindo, determinando, cobrando, alterando a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, n\u00e3o \u00e9 surpresa que a mesma tenha se tornado um dos alvos preferidos dos manifestantes. Dentre os absurdos, um dos que mais gerou indigna\u00e7\u00e3o est\u00e1 a proibi\u00e7\u00e3o de vendedores ambulantes comercializar produtos num raio de dois quil\u00f4metros dos est\u00e1dios, ou seja, a FIFA criou um territ\u00f3rio que \u00e9 governada por ela e n\u00e3o pelo governo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>FIFA. Uma grande multinacional desp\u00f3tica<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da\u00a0<strong>FIFA, Joseph Blatter <\/strong>durante a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es se deu conta da ira dos manifestantes e chegou a fugir do pa\u00eds com medo dos protestos. O jornalista\u00a0<strong>Juca Kfouri<\/strong> conta que &#8220;eles [FIFA] ficaram muito assustados, tiveram medo de gente deles morrer, pensaram em suspender a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es\u201d. Segundo ele, &#8220;em Salvador, eles tiveram funcion\u00e1rios agredidos, carros depredados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Kfouri <\/strong>comenta, &#8220;o Blatter foi embora, ele tinha um almo\u00e7o marcado aquele dia com o Eduardo Campos [governador de Pernambuco] e com o prefeito do Recife e se mandou para a Turquia, p\u00f4, que estava pegando fogo, mas ele preferiu a Turquia do que ficar aqui. A\u00ed quando o governo deu a resposta que eles esperavam, com For\u00e7a Nacional nas ruas e tudo mais, ele veio. Veio e n\u00e3o foi anunciado nem no Mineir\u00e3o e nem no Maracan\u00e3. Passou quase inc\u00f3gnito\u201d. Segundo\u00a0<strong>Juca Kfouri<\/strong>, &#8220;a FIFA \u00e9 uma grande multinacional, que ganha aos tubos, pouco transparente\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>FIFA <\/strong>arranhou tanto a sua imagem com o seu despotismo no Brasil que \u00e9 uma das concorrentes ao pr\u00eamio de &#8220;<strong>pior corpora\u00e7\u00e3o do mundo<\/strong>\u201d. A\u00a0<strong>FIFA <\/strong>&#8220;contribui para a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, assim como ao direito \u00e0 moradia, direito de protestar e de trabalhar\u201d, destaca o site promotor do pr\u00eamio\u00a0<em>Public Eye Awards <\/em>que desde 2000 elege a &#8220;pior corpora\u00e7\u00e3o do mundo\u201d e o par\u00e2metro para que se alcance tal &#8220;honraria\u201d \u00e9 a &#8220;pr\u00e1tica de neg\u00f3cios irrespons\u00e1veis\u201d. Em 2014, a Fifa, \u00e9 a favorita para ganhar o &#8220;pr\u00eamio. A indica\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Fifa <\/strong>foi feita pela Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Comit\u00eas Populares da Copa.<\/p>\n<p><strong>Remo\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias e o legado oculto<\/strong><\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo tem sido perversa para muitas pessoas. Em nome da necessidade de constru\u00e7\u00e3o das arenas, da reestrutura\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria nos seus entorno e at\u00e9 mesmo por higieniza\u00e7\u00e3o e esteticiza\u00e7\u00e3o, milhares est\u00e3o sendo expulsos do lugar em que vivem h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0<strong>dados<\/strong> de um mapeamento divulgado pela\u00a0<strong>Articula\u00e7\u00e3o Nacional dos Comit\u00eas Populares da Copa (Ancop), <\/strong>em parceria com a ONG\u00a0<strong>Conectas, <\/strong>calcula-se que 250 mil fam\u00edlias correm o risco de serem despejadas por causa das obras em preparativo para a Copa do Mundo.<\/p>\n<p>Falta de transpar\u00eancia, indeniza\u00e7\u00f5es insuficientes e reassentamentos inadequados para as fam\u00edlias removidas s\u00e3o marcas de um modelo de gest\u00e3o empreendedora neoliberal no interior das cidades-sede da Copa.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de\u00a0<strong>Orlando Alves dos Santos Junior<\/strong>, pesquisador da\u00a0<strong>Rede Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles do Rio de Janeiro <\/strong>em entrevista \u00e0\u00a0<strong>IHU On Line <\/strong>h\u00e1 um legado oculto nesse processo das remo\u00e7\u00f5es. Segundo ele, &#8220;todas estas grandes obras se d\u00e3o no marco do neoliberalismo, pois existe a subordina\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico aos valores do mercado, que promove a privatiza\u00e7\u00e3o e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da cidade na perspectiva de atra\u00e7\u00e3o de investimentos\u201d.<\/p>\n<p>Nisso tudo, diz o pesquisador, &#8220;h\u00e1 um legado oculto que n\u00e3o oferece informa\u00e7\u00f5es ao cidad\u00e3o sobre o que, de fato, est\u00e1 ocorrendo na sua cidade, ou seja, trata-se de um processo que n\u00e3o conta com mecanismos de participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es, sendo que tais decis\u00f5es est\u00e3o legitimadas pelos eventos da Copa do Mundo e Olimp\u00edadas, como se sediar tais coisas justificasse as op\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo definidas\u201d. Tudo isto produz uma elitiza\u00e7\u00e3o e mercantiliza\u00e7\u00e3o de certas \u00e1reas da cidade, destaca.<\/p>\n<p>Nesse mesmo contexto da mercantiliza\u00e7\u00e3o da cidade, a arquiteta e urbanista\u00a0<strong>Claudia Favaro<\/strong> tamb\u00e9m entrevista pela<strong>IHU On Line<\/strong>, aponta para o fato das popula\u00e7\u00f5es mais pobres estarem sendo removidas de forma violenta, sem nenhuma alternativa, ocorrendo verdadeiras tentativas de higieniza\u00e7\u00e3o e elitiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, com a expuls\u00e3o dos mais pobres de determinadas \u00e1reas.<\/p>\n<p><strong>Cidades privatizadas. Sociedade submetida \u00e0 l\u00f3gica do capital<\/strong><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do urbanista\u00a0<strong>Carlos Vainer<\/strong>, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional\u00a0<strong>(Ippur)<\/strong>da\u00a0<strong>UFRJ, <\/strong>&#8220;os megaeventos aparecem como pretexto para a realiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de anseios econ\u00f4micos, pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos de uma direita conservadora que pretende submeter a sociedade \u00e0 l\u00f3gica do grande capital\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, &#8220;para isso \u00e9 necess\u00e1rio limpar a cidade, retirando os pobres das \u00e1reas destinadas a receber investimentos p\u00fablicos mais expressivos para que os ganhos fundi\u00e1rios resultantes desses investimentos com a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria sejam destinados a quem interessa\u201d.<\/p>\n<p>Para\u00a0<strong>Vainer, <\/strong>as obras de mobilidade urbana inclu\u00eddas na Matriz de Responsabilidades da Copa refletem isso: &#8220;Na maioria das cidades, os investimentos de mobilidade n\u00e3o t\u00eam atendido as demandas das camadas populares com transporte p\u00fablico de massa\u201d, opina, exemplificando em seguida: &#8220;No Rio de Janeiro, onde 80% da demanda de transporte p\u00fablico de massa est\u00e1 nos sub\u00farbios, na Baixada Fluminense e na grande Niter\u00f3i, os investimentos est\u00e3o sendo feitos para \u00e1reas em grande parte vazias da Barra da Tijuca e Recreio, onde temos menos de 5% da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o metropolitana do RJ. Esses investimentos, na verdade, est\u00e3o \u00e9 valorizando os grandes latif\u00fandios vazios da Barra da Tijuca e Recreio\u201d, avalia o pesquisador.<\/p>\n<p>An\u00e1lise semelhante \u00e9 feita por\u00a0<strong>Paulo Roberto Rodrigues Soares<\/strong>, professor do Departamento de Geografia \u2013<strong>UFRGS <\/strong>e membro do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles \u2013 N\u00facleo Porto Alegre. Segundo ele, &#8220;entendemos que os pontos cr\u00edticos do novo modelo urbano s\u00e3o as pol\u00edticas de mobilidade baseadas no transporte individual, a pol\u00edtica habitacional regulada exclusivamente pelo capital privado e a atra\u00e7\u00e3o de megaeventos como alavanca para projetos desenvolvimentistas. Os tr\u00eas entrela\u00e7ados est\u00e3o produzindo cidades mais privadas, mais fragmentadas, menos solid\u00e1rias e de pior qualidade de vida. Bem ao contr\u00e1rio do que poder\u00edamos esperar de um efetivo programa de reforma social\u201d.<\/p>\n<p><strong>Gastos exorbitantes que n\u00e3o tem fim<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 outro esc\u00e2ndalo que cerca a organiza\u00e7\u00e3o do Mundial. Gastos exorbitantes que n\u00e3o tem fim. N\u00e3o falta dinheiro para as obras da Copa frente \u00e0s imensas car\u00eancias de servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento, entre outros. Esse \u00e9 um dos fatores que constrange a realiza\u00e7\u00e3o da Copa.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1\u00a0<strong>bateu a soma<\/strong> do que a \u00c1frica do Sul e a Alemanha desembolsaram para os dois \u00faltimos Mundiais. O valor gasto para reforma ou constru\u00e7\u00e3o dos 12 est\u00e1dios chega pr\u00f3ximo a 8 bilh\u00f5es de reais segundo dados do Sindicato Nacional de Arquitetura e da Engenharia \u2013\u00a0<strong>Sinaenco, <\/strong>que conta com correspondentes nas 12 cidades-sedes e realiza acompanhamento mensal de projetos ligados \u00e0 competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O valor total, entretanto, chegar\u00e1 a R$ 28 bilh\u00f5es. Al\u00e9m de est\u00e1dios (R$ 7,5 bilh\u00f5es), obras de mobilidade urbana (R$ 8,9 bilh\u00f5es), amplia\u00e7\u00e3o de aeroportos (R$ 8,4 bilh\u00f5es) e portos (R$ 675 milh\u00f5es), gastos com seguran\u00e7a (R$ 1,9 bilh\u00e3o), telecomunica\u00e7\u00f5es (R$ 371 milh\u00f5es) e infraestrutura de turismo (R$ 212 milh\u00f5es). Segundo a\u00a0<strong>Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida<\/strong>, os R$ 28 bilh\u00f5es que ser\u00e3o gastos com a Copa &#8211; evento que vai durar um m\u00eas &#8211; representam em torno de metade do valor destinado para a Educa\u00e7\u00e3o no Or\u00e7amento Geral da Uni\u00e3o para todo o ano de 2012, que foi de R$ 57 bilh\u00f5es, e cerca de 40% do destinado para a Sa\u00fade, de R$ 71 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os gastos suntuosos revelam ainda outro car\u00e1ter perverso, o de que tem muita gente ganhando muito dinheiro com a Copa \u2013 particularmente as empreiteiras e os cons\u00f3rcios que ir\u00e3o administrar as arenas. Majoritariamente est\u00e3o sendo constru\u00eddas com recursos p\u00fablicos, mas ser\u00e3o privatizadas em suas administra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um seleto grupo de empreiteiras est\u00e1 \u00e0 frente das obras da Copa, entre elas,\u00a0<strong>Odebrecht<\/strong> \u2013 respons\u00e1vel pela obra do Itaquer\u00e3o onde morreram os oper\u00e1rios \u2013,\u00a0<strong>Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galv\u00e3o, OAS <\/strong>e\u00a0<strong>JBS. <\/strong>Essas mesmas empresas tamb\u00e9m s\u00e3o generosas doadoras de recursos para campanhas eleitorais destaca\u00a0<strong>Jo\u00e3o Roberto Lopes Pinto<\/strong>, coordenador do\u00a0<strong>Instituto Mais Democracia<\/strong>.<\/p>\n<p>O dinheiro para a constru\u00e7\u00e3o das arenas vem do\u00a0<strong>BNDES. <\/strong>Comenta\u00a0<strong>Jo\u00e3o Roberto Lopes Pinto<\/strong>: &#8220;\u00c9 um financiamento subsidiado, porque o BNDES trabalha com uma taxa de juros de longo prazo e tem um percentual de juros abaixo do mercado e um per\u00edodo longo de car\u00eancia para come\u00e7ar a pagar. Al\u00e9m disso, \u00e9 dinheiro p\u00fablico oferecido com condicionalidades muito fr\u00e1geis. Do ponto de vista social e ambiental, n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o mais efetiva em termos de contrapartidas que os empreendimentos devem observar. N\u00e3o \u00e9 a toa que o\u00a0<strong>Eike Batista <\/strong>falou que o<strong>BNDES <\/strong>era uma m\u00e3e\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, um caso emblem\u00e1tico da farra do dinheiro p\u00fablico com a Copa do Mundo envolve\u00a0<strong>Eike Batista<\/strong>. \u00a0Segundo coordenador do\u00a0<strong>Instituto Mais Democracia<\/strong>, &#8220;o caso do Maracan\u00e3 \u00e9 emblem\u00e1tico\u201d. Destaca que &#8220;o or\u00e7amento final da reforma do est\u00e1dio superou em quase 70% a previs\u00e3o inicial, passando de R$ 705 milh\u00f5es em setembro de 2010 para R$ 1,2 bilh\u00e3o em julho deste ano. As obras foram tocadas por um cons\u00f3rcio entre a Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta, que abandonou as obras em meio a um esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o. Somados os gastos com a reforma do est\u00e1dio e do gin\u00e1sio do Maracan\u00e3zinho para os Jogos Panamericanos de 2007, foram gastos R$ 1,5 bilh\u00e3o em recursos p\u00fablicos no Maracan\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, diz ele, &#8220;o governo estadual optou por entregar a administra\u00e7\u00e3o do Complexo do Maracan\u00e3 (que al\u00e9m do est\u00e1dio e do Maracan\u00e3zinho, conta ainda com o Parque Aqu\u00e1tico Julio Delamare e do Est\u00e1dio de Atletismo C\u00e9lio de Barros) para a iniciativa privada, gerando questionamentos do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro, que tentou, sem sucesso, impedir a licita\u00e7\u00e3o para a concess\u00e3o do est\u00e1dio, vencida pelo Cons\u00f3rcio Maracan\u00e3 S.A, integrado pela Odebrecht, IMX, de Eike Batista, e AEG, que vai administrar o complexo pelos pr\u00f3ximos 35 anos\u201d.<\/p>\n<p>Como diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Torcedores e Torcedoras\u00a0<strong>Marcos Alvito<\/strong> em entrevista para o<strong>IHU,<\/strong>&#8221; o Estado paga a conta e a iniciativa privada fica com o lucro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Elitiza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do futebol<\/strong><\/p>\n<p>Junto com os exorbitantes gastos nas arenas para cumprira o padr\u00e3o\u00a0<strong>FIFA <\/strong>vem outra consequ\u00eancia: a\u00a0<strong>elitiza\u00e7\u00e3o do futebol brasileiro<\/strong>. Cerca de 203 mil pessoas assistiram \u00e0 final da Copa do Mundo de 1950 no Maracan\u00e3, o que representava por volta de 8,5 por cento da popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. As entradas para sec\u00e7\u00f5es de assentos &#8220;geral\u201d e &#8220;popular,\u201d de onde pessoas das classes m\u00e9dia e trabalhadora assistiram ao jogo, representavam 80 por cento do total de assentos. Boa parte dos espectadores assistiu \u00e0 partida de p\u00e9, num est\u00e1dio com capacidade para 199 mil pessoas.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da elitiza\u00e7\u00e3o, assiste-se ainda a uma privatiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos. Antes da atual remodelagem muitos est\u00e1dios eram p\u00fablicos e agora se tornar\u00e3o privados. Entre eles, por exemplo, o Maracan\u00e3 uma &#8220;arena multiuso\u201d que albergava, al\u00e9m de eventos desportivos, recitais musicais e espet\u00e1culos dos tipos mais diversos. Agora, sobre as arquibancadas foram constru\u00eddos camarotes com ampla vis\u00e3o do campo, com vidros que separam os espectadores\u00a0<strong>VIP <\/strong>do resto dos espectadores. Contam com bares, televis\u00e3o e ar condicionado, costumam ser alugados por empresas que convidam s\u00f3cios e funcion\u00e1rios que t\u00eam o privil\u00e9gio de chegar diretamente de carro por uma rampa sem o m\u00ednimo contato com as \u2018massas\u2019.<\/p>\n<p>Nas su\u00edtes privativas dos est\u00e1dios reformados com dinheiro p\u00fablico, milion\u00e1rios e empresas pagam 2,3 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ingresso vendido por associada da\u00a0<strong>FIFA, <\/strong>comenta\u00a0<strong>Andrew Jennings<\/strong>.<\/p>\n<p>Outro exemplo, entre outros, \u00e9 a\u00a0<strong>arena das Dunas<\/strong> constru\u00edda em Natal-RN. A arena foi constru\u00edda sobre os escombros do antigo\u00a0<em>Machad\u00e3o <\/em>\u2013 est\u00e1dio p\u00fablico. Com a destrui\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Machad\u00e3o <\/em>se destruiu tamb\u00e9m o\u00a0<em>Machadinho<\/em>\u2013 gin\u00e1sio de esportes que abrigava jogos esportivos da rede p\u00fablica de ensino. Agora o espa\u00e7o, anteriormente p\u00fablico, se tornou privado e o Estado n\u00e3o tem mais nenhuma inger\u00eancia sobre ele. Tampouco os pobres. Os pre\u00e7os dos ingressos se tornaram proibitivos. Somente entram nas arenas privadas quem ganha muito bem.<\/p>\n<p>O claro car\u00e1ter anti-popular da\u00a0<strong>Copa do Mundo 2014 <\/strong>ficou evidente na interpela\u00e7\u00e3o dos cartazes nas ruas:<\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00e3o queremos est\u00e1dios &#8211; Queremos escolas e hospitais\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Queremos escolas e hospitais no padr\u00e3o Fifa\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Quando seu filho ficar doente leve-o ao est\u00e1dio\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Quantos hospitais cabem em um est\u00e1dio de futebol?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Quantas escolas valem um maracan\u00e3?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Enquanto a bola rola, falta sa\u00fade e escola<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Era uma vez o dinheiro do Brasil, veio a FIFA, ele sumiu&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Copa \u00e9 prioridade no Brasil?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Eu n\u00e3o votei na FIFA\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Go home Blatter\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Fora FIFA\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAdital\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5710\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[123],"tags":[],"class_list":["post-5710","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c136-copa-para-quem"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1u6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5710\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}