{"id":572,"date":"2010-06-18T18:19:04","date_gmt":"2010-06-18T18:19:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=572"},"modified":"2010-06-18T18:19:04","modified_gmt":"2010-06-18T18:19:04","slug":"longe-da-tv-sul-africanos-criticam-copa-do-mundo-e-azedam-clima-com-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/572","title":{"rendered":"Longe da TV, sul-africanos criticam Copa do Mundo e azedam clima com estrangeiros"},"content":{"rendered":"\n<p>Para os bilh\u00f5es de espectadores do Mundial de futebol na \u00c1frica do Sul, o continente negro est\u00e1\u00a0em festa por abrigar um dos maiores eventos do planeta at\u00e9\u00a011 de julho. A abertura da festa, no est\u00e1dio Soccer City em Joanesburgo mostrou uma na\u00e7\u00e3o em busca de uni\u00e3o ap\u00f3s d\u00e9cadas de segrega\u00e7\u00e3o racial. No entanto, longe das arenas luxuosas os locais, h\u00e1 protestos, desd\u00e9m com os problemas de estrangeiros e den\u00fancias sobre o desleixo das autoridades no enfrentamento a gargalos criados pelo mero recebimento da Copa do Mundo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No primeiro fim de semana do torneio, at\u00e9 o batalh\u00e3o de choque da pol\u00edcia sul-africana foi usado: em Durban, ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Alemanha por 4 x 0 sobre a Austr\u00e1lia, houve confronto com funcion\u00e1rios de seguran\u00e7a da Copa do Mundo que protestavam contra seus baixos sal\u00e1rios. Bombas de efeito moral e de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo foram usadas para afastar os manifestantes, que espalharam lixo pelas ruas da regi\u00e3o enquanto se afastavam. Jornalistas na \u00c1frica do Sul dizem que o incidente n\u00e3o foi exibido por nenhuma TV do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dias antes da abertura, v\u00e1rias entidades sul-africanas amea\u00e7aram organizar manifesta\u00e7\u00f5es perto dos est\u00e1dios, mas acabaram limitadas por uma medida do governo, que criou an\u00e9is de ferro em torno das constru\u00e7\u00f5es para isolar quem estivesse sem ingressos para os jogos. Ainda assim, espalharam campanhas na Internet para criticar a organiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo e acusar estrangeiros de preconceito contra a \u00c1frica do Sul. Na TV, nada.<\/p>\n<p>Estrangeiros que acompanham o Mundial sem entrar nas arenas relataram que a decis\u00e3o do governo de isolar os est\u00e1dios os exp\u00f4s a mais roubos e confrontos com sul-africanos. Embora haja policiamento de sobra para os que t\u00eam ingressos, do lado de fora a inseguran\u00e7a \u00e9 maior e, dependendo da cidade-sede, um turista desprevenido pode acabar desembocando em \u00e1reas perigosas a poucos quil\u00f4metros do local onde os jogos acontecem.<\/p>\n<p>\u201cQuerem fazer um Mundial para a televis\u00e3o e para quem tem dinheiro para pagar pelas entradas. N\u00e3o querem nos ouvir e querem que o mundo seja bem recebido enquanto passamos fome?\u201d, questionou Sisoko Meehebo, l\u00edder de uma comunidade pobre \u00e0 m\u00eddia europeia. \u201cA verdade \u00e9 que a \u00c1frica do Sul sofre com uma s\u00e9rie de outros problemas e que nos negligenciaram por anos. Acharam que ficar\u00edamos quietos pela na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos antipatriotas, mas temos necessidades que v\u00e3o al\u00e9m da Copa do Mundo.\u201d<\/p>\n<p>Sem raz\u00e3o para otimismo<\/p>\n<p>O clima menos otimista com o Mundial j\u00e1 se espraiava pelo exterior antes da abertura, mas os incidentes da primeira semana de competi\u00e7\u00e3o afetavam ainda mais as perspectivas at\u00e9 a grande final. Inicialmente, os sul-africanos esperavam receber 450 mil visitantes. H\u00e1 algumas semanas, o n\u00famero foi revisado para 250 mil pessoas. Agora o total pode ficar perto de 220 mil, segundo previs\u00f5es extraoficiais da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos casos apontados como bomba-rel\u00f3gio do Mundial est\u00e1 na cidade de Nelspruit, 330 km a leste de Joanesburgo. Para a constru\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio Mbombela, favelas e escolas foram postas abaixo. Quando as obras terminaram, no ano passado, nem as fam\u00edlias tinham sido realocadas nem unidade escolar, reposta. Um efeito devastador, indicado por ONGs sul-africanas, em troca de apenas quatro partidas no local \u2013\u00a0 apenas a It\u00e1lia, entre as principais sele\u00e7\u00f5es, jogar\u00e1 l\u00e1. Ali, a Fifa teme protestos mais violentos.<\/p>\n<p>\u201cO gasto para erguer o est\u00e1dio foi de US$ 145 milh\u00f5es, para 46 mil assentos. Esse dinheiro, por sua vez, n\u00e3o foi injetado na economia local. Al\u00e9m disso, muitos trabalhadores das obras vieram da Suazil\u00e2ndia, do Zimb\u00e1bue e de Mo\u00e7ambique\u201d, disse ao OperaMundi o jornalista Angus MacSwan, da ag\u00eancia Reuters, sediado em Bloemfontain. \u201cNa \u00c1frica do Sul h\u00e1 uma crescente xenofobia. Some isso tudo \u00e0 quest\u00e3o das favelas e da escola. \u00c9 nitroglicerina.\u201d<\/p>\n<p>Uma das chaves para n\u00e3o agravar as tens\u00f5es parece ser a perman\u00eancia da sele\u00e7\u00e3o local no torneio, segundo MacSwan. \u201cSe a \u00c1frica do Sul for desclassificada na primeira fase, algo perfeitamente poss\u00edvel por causa do time ruim deles, o cen\u00e1rio de descontentamento com os visitantes pode aumentar. Um torcedor estrangeiro deveria torcer tamb\u00e9m pelos Bafana Bafana para que, pelo menos, n\u00e3o corram risco de aparecer na TV pelo motivo errado.\u201d<\/p>\n<p>Siga o\u00a0<strong>Opera Mundi <\/strong>no <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/operamundi\" target=\"_blank\"> Twitter<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Opera Mundi\n\n\n\n\n\n\n\n\nCopa do Mundo de Futebol\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/572\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-572","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c84-solidariedade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9e","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/572\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}