{"id":5726,"date":"2013-12-13T19:16:43","date_gmt":"2013-12-13T19:16:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5726"},"modified":"2013-12-13T19:16:43","modified_gmt":"2013-12-13T19:16:43","slug":"comunista-nascido-em-panelas-revive-em-biografia-relancada-em-caruaru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5726","title":{"rendered":"Comunista nascido em Panelas revive em biografia relan\u00e7ada em Caruaru"},"content":{"rendered":"\n<p>Livro tem declara\u00e7\u00f5es de Anita Prestes, Ziraldo, Niemeyer e Ferreira Gullar.<\/p>\n<p><strong>Jael Soares<\/strong><\/p>\n<p>Do G1 Caruaru<\/p>\n<p>\u201cMem\u00f3rias\u201d, a autobiografia do comunista Greg\u00f3rio Bezerra \u2013 \u00edcone da luta revolucion\u00e1ria \u2013, \u00e9 relan\u00e7ada nesta quinta-feira (12) em\u00a0Caruaru, no Agreste pernambucano. O livro foi publicado em 1979 e possui contribui\u00e7\u00f5es da historiadora Anita Prestes, do poeta Ferreira Gullar e do jornalista Roberto Arrais, integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na reedi\u00e7\u00e3o, recebeu fotografias e textos in\u00e9ditos, al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es do arquiteto\u00a0Oscar Niemeyer, do cartunista\u00a0Ziraldo, da advogada M\u00e9rcia Albuquerque e do governador Eduardo Campos. Tem ainda participa\u00e7\u00e3o de Jurandir, filho de Bezerra. (Leia abaixo trechos da obra)<\/p>\n<p>O evento ocorrer\u00e1 na Academia Caruaruense de Cultura, Ci\u00eancias e Letras (Acaccil), a partir das 19h, contando com debate aberto. Est\u00e1 confirmada a presen\u00e7a de Roberto Arrais e do maestro Mozart Vieira, da Orquestra Sinf\u00f4nica dos Meninos de\u00a0S\u00e3o Caetano. Este regente conheceu o comunista nos movimentos estudantis no Recife. \u201cNasci em 5 de outubro de 1962 e minha gera\u00e7\u00e3o toda foi, no fato de forma\u00e7\u00e3o, em todo o per\u00edodo de ditadura, depois de 1964. E fui naturalmente estudante na d\u00e9cada de 1970 e, logo cedo, fui simpatizante de Greg\u00f3rio Bezerra. Acompanhei toda a trajet\u00f3ria pol\u00edtica dele. Ele era um sujeito cosmopolita, \u00e0 frente dos tempos, com ideais de liberdade, de ir e vir do cidad\u00e3o\u201d, conta o Mozart, que promete uma apresenta\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas autorais e da \u00e9poca para o lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>Bezerra, de igual modo, estava \u00e0 frente do pr\u00f3prio\u00a0PCB, segundo relembra Roberto Arrais. \u201cEle recebia cr\u00edticas, porque alguns intelectuais do partido achavam que tinham de seguir os manuais. Mas, ele conseguia traduzir, pela simplicidade, para o campon\u00eas e para as pessoas religiosas, a quest\u00e3o do que era a luta espiritual e da luta material. Alguns n\u00e3o permitiam que os religiosos participassem. Ele admitia e dizia que, para ser comunista, tinha que se lutar pela igualdade, n\u00e3 o pelas condi\u00e7\u00f5es materiais\u201d.<\/p>\n<p>Arrais conta que o revolucion\u00e1rio era um l\u00edder leg\u00edtimo, tranquilo e otimista. \u201cGreg\u00f3rio venceu uma s\u00e9rie de desafios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreviv\u00eancia, por ter nascido no Agreste, numa \u00e1rea de seca, ser filho de camponeses. Depois, foi para a cidade com dez anos, foi menino de rua, come\u00e7ou a trabalhar aos quatro anos de idade, morou debaixo das pontes, vendeu jornal e conseguiu ser ajudante de pedreiro\u201d, quando participou de uma greve e foi preso pela primeira vez. \u201cGreg\u00f3rio \u00e9 um s\u00edmbolo da luta, da resist\u00eancia. \u00c9 um s\u00edmbolo do her\u00f3i nacional, do cotidiano\u201d.<\/p>\n<p><strong>De agricultor a deputado federal<\/strong><\/p>\n<p>Greg\u00f3rio Bezerra nasceu no munic\u00edpio de\u00a0Panelas, tamb\u00e9m no Agreste, em 1900. Logo nos primeiros cinco anos de vida, perdeu os pais e passou a trabalhar na lavoura de cana-de-a\u00e7\u00facar, permanecendo analfabe to at\u00e9 os 25. Isto, por\u00e9m, n\u00e3o o impediu de enveredar pela luta revolucion\u00e1ria desde os 17 anos, sob influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. A milit\u00e2ncia lhe rendeu 23 anos de c\u00e1rcere no pa\u00eds e o ex\u00edlio \u2013 primeiro em Cuba e depois na Europa, at\u00e9 1979, onde escreveu \u201cMem\u00f3rias\u201d. Em passagem da \u00e9poca, o comunista ressaltava a compreens\u00e3o do humano: \u201cN\u00e3o luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo\u201d.<\/p>\n<p>Dentre os epis\u00f3dios mais chocantes vividos por Bezerra, ainda no Brasil, est\u00e3o o dia em que foi arrastado por ruas de\u00a0Recife na rec\u00e9m-instalada Ditadura Militar, em 1964, e a troca da liberdade dele pela liberdade de um embaixador sequestrado, em 1969. De acordo com a Boitempo Editorial (que relan\u00e7a a obra), as reflex\u00f5es, a vida no Agreste e os momentos de gl\u00f3ria tamb\u00e9m s\u00e3o relembrados. Um destes \u00e9 a vota\u00e7\u00e3o em que Greg\u00f3rio Bezerra foi eleito deputado fed eral em 1946.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m participou em Pernambuco da Luta Antifascista em 1935, da Anistia em 1945, da Constituinte deste mesmo ano e foi amigo de Luiz Carlos Prestes, bem como de Miguel Arraes. Morreu em novembro de 1983, depois da segunda Anistia. A reedi\u00e7\u00e3o do livro dele, que tem 648 p\u00e1ginas, j\u00e1 foi lan\u00e7ada em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Recife. No\u00a0site da editora, a obra \u00e9 adquirida por R$ 78.<\/p>\n<p><strong>Trechos do livro<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Inf\u00e2ncia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cFoi o Natal mais farto e rico de alegria a que assisti durante os nove anos e dez meses de minha vida. Al\u00e9m disso, ganhei dois metros de algod\u00e3ozinho para fazer duas camisas, porque s\u00f3 tinha uma e velha, que j\u00e1 estava virando farrapo. Aproveitei a cumplicidade de vov\u00f3 e pedi-lhe que me fizesse uma camisa e uma cal\u00e7a, em vez de duas camisas. A velha topou as minh as antigas pretens\u00f5es. Entretanto a costureira, que foi a minha tia Guilhermina, em vez de me fazer uma cal\u00e7a, fez uma ceroula grande, de amarrar acima do tornozelo. Deram-me para vestir. Achei bonita e at\u00e9 mais bonita do que uma cal\u00e7a, porque me fez lembrar do meu falecido av\u00f4, que, quando vivo, somente vestia ceroulas compridas amarradas no tornozelo. Cal\u00e7a s\u00f3 vestia quando ia \u00e0 feira ou em visita aos domingos. Afinal, todos aprovaram a ceroula, menos minha irm\u00e3 Isabel. Ganhei a \u201cbatalha\u201d de anos atr\u00e1s, quando pleiteei uma cal\u00e7a no s\u00edtio Goiabeira. Era feliz, agora, e me sentia homem. O Natal e Ano-Novo serviram para minhas exibi\u00e7\u00f5es de ceroulas compridas e camisa fora da cal\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Milit\u00e2ncia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cVoltei \u00e0 rua, tentando ver se alguns oper\u00e1rios haviam chegado. N\u00e3o havia ningu\u00e9m. Fiz um ligeiro com\u00edcio para os pequenos grupos que se aglomeravam nas sacadas dos pr\u00e9dios vizinhos, concitando-os a pegar em armas, sob o comando do camarada Luiz Carlos Prestes. Fui aplaudido das varandas por alguns estudantes que ali moravam. Mas o apoio, infelizmente, n\u00e3o pas sou dos aplausos. Um oficial tentou prender-me, pedindo-me que, pelo amor de Deus, eu me rendesse. Ao chegar a dez metros de mim, apontei-lhe o fuzil e o fiz recuar. Vinha chegando um sargento radiotelegrafista que, de longe, perguntou-me o que havia. Respondi-lhe que, se quisesse lutar pela Alian\u00e7a Nacional Libertadora, tinha um lugar a sua disposi\u00e7\u00e3o; se n\u00e3o, ca\u00edsse fora enquanto era tempo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p><em>Lan\u00e7amento do livro &#8220;Mem\u00f3rias&#8221;, de Greg\u00f3rio Bezerra<\/em><\/p>\n<p>Local: Academia Caruaruense de Cultura, Ci\u00eancias e Letras (Acaccil)<\/p>\n<p>Endere\u00e7o: Rua Quinze de Novembro, C entro<\/p>\n<p>Dia: quinta-feira (12)<\/p>\n<p>Hora: a partir das 19h<\/p>\n<p>Entrada: gratuita.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pe\/caruaru-regiao\/noticia\/2013\/12\/comunista-nascido-em-panelas-revive-em-biografia-relancada-em-caruaru.html\" target=\"_blank\">http:\/\/g1.globo.com\/pe\/caruaru-regiao\/noticia\/2013\/12\/comunista-nascido-em-panelas-revive-em-biografia-relancada-em-caruaru.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nGreg\u00f3rio Bezerra era analfabeto at\u00e9 25 anos e se elegeu deputado aos 46.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5726\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-5726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1um","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}