{"id":5730,"date":"2013-12-13T19:35:56","date_gmt":"2013-12-13T19:35:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5730"},"modified":"2013-12-13T19:35:56","modified_gmt":"2013-12-13T19:35:56","slug":"entrevista-com-edmilson-costa-autor-de-a-crise-economica-a-globalizacao-e-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5730","title":{"rendered":"Entrevista com Edmilson Costa, autor de \u201cA crise econ\u00f4mica, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Publicado em Domingo, 08 Dezembro 2013<\/p>\n<p>Brasil &#8211; Di\u00e1rio Liberdade &#8211; [Sturt Silva, exclusivo para o Di\u00e1rio Liberdade] Em entrevista ao nosso portal economista brasileiro fala sobre novo livro e seus temas centrais.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 15 de novembro o economista brasileiro Edmilson Costa lan\u00e7ou em S\u00e3o Paulo seu novo livro: A crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil.<\/p>\n<p>O livro re\u00fane um conjunto de ensaios sobre a crise econ\u00f4mica mundial, processo de globaliza\u00e7\u00e3o e sua repercuss\u00e3o no Brasil. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 do cientista social Jos\u00e9 Paulo Netto, o pref\u00e1cio \u00e9 do cientista pol\u00edtico Milton Pinheiro e orelha fica por conta do economista Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Jr.<\/p>\n<p>Edmilson Costa \u00e9 doutor em economia pela Universidade de Campinas e membro do Comit\u00ea Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB). \u00c9 autor, entre outros, de &#8220;A globaliza\u00e7\u00e3o e o capitalismo contempor\u00e2neo&#8221; (Express\u00e3o Popular, 2009), &#8220;Um projeto para o Brasil&#8221; (Tecno-Cient\u00edfica, 2008) e a &#8220;A pol\u00edtica salarial no Brasil&#8221; (Boitempo, 2007). Em 2010 foi candidato \u00e0 vice-presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em 2008 a prefeito de S\u00e3o Paulo e em 2012 a vice-prefeito, na mesma cidade. Todas tr\u00eas vezes pelo PCB.<\/p>\n<p>Confira a entrevista dado ao Di\u00e1rio Liberdade, com exclusividade, pelo intelectual comunista:<\/p>\n<p>Di\u00e1rio Liberdade (DL): Quais s\u00e3o os temas centrais de \u201cA crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Edmilson Costa (EC) \u2013 O livro \u00e9 um conjunto de ensaios publicados em peri\u00f3dicos nacionais e internacionais, revistas acad\u00eamicas e alguns artigos in\u00e9ditos. Mas todos est\u00e3o intercalados ao tema central, formam um conjunto consistente. O livro est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes: a primeira aborda a crise sist\u00eamica global e procura contribuir teoricamente sobre o entendimento desta crise, que \u00e9 inteiramente diferente das crises c\u00edclicas comumente verificadas no sistema capitalista. A segunda parte aborda a quest\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m procura abrir um debate sobre a quest\u00e3o do imperialismo atual, que \u00e9 bastante diferente do per\u00edodo em que L\u00eanin escreveu sobre o tema. E a terceira parte se refere ao Brasil, onde analisamos a conjuntura no \u00faltimo meio s\u00e9culo, com \u00eanfase no per\u00edodo do governo do Partido dos Trabalhadores, al\u00e9m de tamb\u00e9m abordarmos um tema bastante pol\u00eamico, que \u00e9 o fato de acreditarmos que o Brasil re\u00fane hoje as condi\u00e7\u00f5es objetivas para a constru\u00e7\u00e3o de um socialismo desenvolvido, ao contr\u00e1rio do que ocorreu na R\u00fassia e na China. No entanto, ainda n\u00e3o est\u00e3o maduras as condi\u00e7\u00f5es subjetivas, que \u00e9 um elemento fundamental para o processo da revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Quando a crise ganhou destaque na m\u00eddia em 2008, muitos economistas afirmaram que esta crise era oriunda do sistema financeiro especulativo. Voc\u00ea concorda com esse tipo de an\u00e1lise?<\/p>\n<p>EC \u2013 H\u00e1 um modismo entre os economistas, influenciado pelos p\u00f3s-modernistas, no sentido de fragmentar a totalidade e a ess\u00eancia dos problemas sociais e econ\u00f4micos. Confundem forma e conte\u00fado. No sistema capitalista, todas as crises t\u00eam origem na contradi\u00e7\u00e3o entre o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o social e a apropria\u00e7\u00e3o privada de seus resultados. Portanto, as crises t\u00eam sua origem nessa contradi\u00e7\u00e3o. A forma como se apresentam \u00e9 apenas a manifesta\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o geral. Muitas vezes o estopim da crise pode ser uma guerra, uma crise financeira, uma crise imobili\u00e1ria, mas tudo isso \u00e9 apenas a forma como o fen\u00f4meno que se gestou na esfera da produ\u00e7\u00e3o (onde est\u00e1 a contradi\u00e7\u00e3o principal do sistema) se manifesta em outras \u00e1reas. O processo mundial de especula\u00e7\u00e3o que se verificou antes da crise na verdade foi a maneira com que o capital buscou realizar uma fuga pr\u00e1 frente para driblar da lei do valor. Pensavam que o capital poderia se valorizar nessa esfera infinitamente e, por algum tempo, se encantaram com essa possibilidade, mas a realidade foi mais forte e hoje todos est\u00e3o contabilizando perdas e v\u00e3o contabilizar ainda mais com o agravamento da crise.<\/p>\n<p>Quando estourou a crise em 2008, voc\u00ea lan\u00e7ava \u201cA globaliza\u00e7\u00e3o e o capitalismo contempor\u00e2neo\u201d. Nele voc\u00ea afirmava que era apenas o primeiro de uma trilogia sobre as crises capitalistas. A crise econ\u00f4mica mundial, a globaliza\u00e7\u00e3o e o Brasil \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o? Se for, o que traz de novo?<\/p>\n<p>EC \u2013 Esse livro \u00e9 uma continuidade dos trabalhos que venho desenvolvendo em rela\u00e7\u00e3o a este tema. Ele traz duas contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas ao marxismo: a primeira, como j\u00e1 disse, \u00e9 a diferencia\u00e7\u00e3o entre crise sist\u00eamica global e crises c\u00edclicas. Como se sabe, as crises c\u00edclicas s\u00e3o companheiras hist\u00f3ricas do capitalismo, desde seus prim\u00f3rdios. Como ocorrem com certa periodicidade, os capitalistas j\u00e1 adquiriram grande experi\u00eancia em administr\u00e1-las. Prova disso s\u00e3o as pol\u00edticas keynesianas que foram implementadas desde o p\u00f3s-guerra e proporcionaram ao sistema capitalista um longo per\u00edodo de estabilidade, com crescimento econ\u00f4mico e baixas taxas de desemprego. Mas as crises sist\u00eamicas s\u00e3o inteiramente diferentes e a\u00ed reside nossa contribui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais longas, profundas e devastadoras, porque representam o esgotamento de um longo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o. As pol\u00edticas de Estado que reduziam os efeitos das crises c\u00edclicas no passado n\u00e3o funcionam nas crises sist\u00eamicas. Por isso, todas as medidas tomadas at\u00e9 agora pelos gestores do capital n\u00e3o surtiram efeito. Pelo contr\u00e1rio, tendem a acirrar a crise econ\u00f4mica e social, apesar da grande manipula\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que tentam de todas as formas criar fact\u00f3ides otimistas para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o perceba a gravidade da crise. A segunda contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre a quest\u00e3o do imperialismo. Quando Lenin escreveu seu cl\u00e1ssico livro e disse que o imperialismo era a ante-sala do socialismo, estava com uma vis\u00e3o muito otimista do processo. Naquele per\u00edodo, o imperialismo estava dando apenas seus primeiros passos. Somente agora, com a internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das finan\u00e7as, o capitalismo se tornou um sistema mundial completo. Portanto, com caracter\u00edsticas muito diferentes dos tempos de Lenin. Poderemos dizer que \u00e9 exatamente agora que estamos mais pr\u00f3ximo do socialismo do que naquele per\u00edodo.<\/p>\n<p>DL: Seja na m\u00eddia, seja na academia, divulga-se que a crise econ\u00f4mica que vivemos \u00e9 mais uma crise do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Por\u00e9m, autores como Mez\u00e1ros vem falando de uma crise estrutural do capital. Como voc\u00ea entende o processo. \u00c9 mais uma crise c\u00edclica do capitalismo ou \u00e9 realmente mais um elemento de uma crise estrutural do capital?<\/p>\n<p>EC \u2013 Trata-se na verdade de uma crise sist\u00eamica global. As crises sist\u00eamicas emergem porque a velha estrutura de rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde mais ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Portanto, essas crises s\u00f3 terminam quando ocorrem mudan\u00e7as em termos quantitativos e qualitativos na estrutura do sistema. Essas crises v\u00eaem contestar a velha ordem e criar uma nova ordem. Na hist\u00f3ria do capitalismo s\u00f3 ocorreram apenas tr\u00eas grandes crises sist\u00eamicas: a primeira, vai de 1873 a 1896. Portanto, durou 26 anos e teve como consequ\u00eancia a passagem do capitalismo concorrencial para o capitalismo monopolista. A segunda crise sist\u00eamica ocorreu no per\u00edodo que vai de 1929 a 1945 e o resultado desse processo foi a segunda guerra mundial, a forma\u00e7\u00e3o do sistema socialista e, no Ocidente, a cria\u00e7\u00e3o do Estado do Bem Estar Social, fruto da vit\u00f3ria dos trabalhadores contra o nazismo. A terceira crise sist\u00eamica come\u00e7ou em 2007-2008 e vem castigando o sistema capitalista h\u00e1 mais de seis anos e ainda vai continuar por muito tempo. Da mesma forma que as crises sist\u00eamicas anteriores, esta tamb\u00e9m s\u00f3 terminar\u00e1 quando mudar em termos quantitativos e qualitativos o sistema capitalista.<\/p>\n<p>DL: No seu livro anterior voc\u00ea afirmava que a globaliza\u00e7\u00e3o seria um processo que teria se iniciado na segunda metade do s\u00e9culo XX, a partir da internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e das finan\u00e7as. Nesse novo livro essa tese \u00e9 mantida. Voc\u00ea pode explicar com mais detalhes como se deu o processo no mundo e no Brasil?<\/p>\n<p>EC \u2013 Eu discordo das teorias que afirmam que a globaliza\u00e7\u00e3o sempre existiu. Isso \u00e9 apenas um relativismo absoluto. Em nosso entendimento, a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno do capitalismo contempor\u00e2neo, quando as transnacionais produtivas e financeiras deslocaram-se de seus pa\u00edses de origem para a grande aventura produtiva e financeira na periferia capitalista. Isso transformou o capitalismo num sistema completo. Antes s\u00f3 era completo no que se refere a duas vari\u00e1veis da \u00f3rbita da circula\u00e7\u00e3o: a exporta\u00e7\u00e3o de capitais e o com\u00e9rcio mundial. A globaliza\u00e7\u00e3o traz tamb\u00e9m alguns fen\u00f4menos novos: pela primeira vez na hist\u00f3ria, os capitalistas passaram a extrair o valor, de maneira generalizada, fora das fronteiras nacionais. Antes, o mais-valor era capturado atrav\u00e9s do com\u00e9rcio mundial. Com isso, a burguesia, especialmente a dos pa\u00edses centrais, se tornou uma classe exploradora em car\u00e1ter mundial. Explora diretamente os trabalhadores no centro e periferia. O proletariado tamb\u00e9m se tornou objetivamente uma classe mundial, processo atualiza efetivamente a palavra de ordem dos fundadores do marxismo: trabalhadores do mundo, un\u00ed-vos!<\/p>\n<p>DL: Se o capitalismo est\u00e1 globalizado, a crise econ\u00f4mica afetaria todos os pa\u00edses. Mas at\u00e9 agora o Brasil n\u00e3o foi afetado como os pa\u00edses europeus e os EUA. Como voc\u00ea explica essa contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>EC \u2013 A crise \u00e9 do sistema como um todo e afeta todos os pa\u00edses ligados \u00e0 economia l\u00edder, os EUA. Mas, como se sabe, o capitalismo se desenvolve de forma desigual e as liga\u00e7\u00f5es de cada Pa\u00eds com a economia norte-americana \u00e9 diferente. Quando mais o Pa\u00eds estiver ligado a esta economia e quanto mais tenha incorporado as pol\u00edticas neoliberais, como a desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, por exemplo, maiores ser\u00e3o os impactos da crise em suas economias. Como economia subordinada e parte do sistema capitalista mundial, o Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 blindado diante da crise. Basta dizer que em meio \u00e0 crise mundial, as a\u00e7\u00f5es Bolsa de Valores brasileira perderam cerca de 50%, muitas empresas tiveram enormes preju\u00edzos porque estavam alavancadas na especula\u00e7\u00e3o, como a Sadia, o Banco Votorantim, ocorreram demiss\u00f5es em massa, etc. E o PIB brasileiro foi igual a zero em 2009. Mas consequ\u00eancias da crise n\u00e3o foram maiores porque a regula\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria no Brasil \u00e9 muito maior que nos EUA, onde a liberaliza\u00e7\u00e3o foi total. Por isso, a crise n\u00e3o afetou tanto os bancos brasileiros. Mas com o agravamento da crise mundial, o Brasil com certeza ser\u00e1 afetado. \u00c9 s\u00f3 ver a trajet\u00f3ria do PIB nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>DL: Lenin disse a 100 anos que o imperialismo era a fase superior do capitalismo. Globaliza\u00e7\u00e3o seria outro nome para o conceito de imperialismo ou se trata realmente de superar dialeticamente o l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Russa?<\/p>\n<p>EC \u2013 Como afirmei anteriormente, quando os cl\u00e1ssicos como Hobson, Bukharin, Hilferding, Rosa de Luxemburgo e Lenin escreveram sobre o imperialismo esse sistema estava apenas dando os seus primeiros passos. Estava ainda na sua inf\u00e2ncia. Hoje, o sistema capitalista, apesar de manter a sua ess\u00eancia, tem uma forma inteiramente diferente. A exporta\u00e7\u00e3o de capitais \u00e9 diferente: se d\u00e1 muito mais entre os pa\u00edses centrais do que entre centro e periferia. Tamb\u00e9m hoje n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio ocupar militarmente os pa\u00edses para controlar suas economias e fontes de mat\u00e9rias-primas. O parasitismo financeiro se ampliou de maneira tal que antes da crise circulavam cerca de 12 vezes mais capitais na \u00f3rbita financeira do que o PIB mundial. Al\u00e9m disso, a internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o proporcionou \u00e0 burguesia extrair diretamente o valor foram de suas fronteiras nacionais e a internacionaliza\u00e7\u00e3o financeira proporcionou ao capital se autoacrescentar ao longo de 24 horas por dia. S\u00e3o fen\u00f4menos que n\u00e3o existiam na \u00e9poca de Lenin. Portanto, para cada fen\u00f4meno novo \u00e9 necess\u00e1rio uma teoria nova, capaz de atualizar dialeticamente os cl\u00e1ssicos do marxismo, como Lenin fez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do imperialismo.<\/p>\n<p>DL: Em artigo publicado recentemente no Resistir.info voc\u00ea defende que o capitalismo brasileiro \u00e9 desenvolvido, ou seja, j\u00e1 se teria condi\u00e7\u00f5es objetivas para fazer a revolu\u00e7\u00e3o socialista. No entanto, alguns economistas t\u00eam resgatado teorias da depend\u00eancia e do subdesenvolvimento, afirmando que o Brasil n\u00e3o conseguiu, em pleno s\u00e9culo XXI, passar da etapa do desenvolvimento do subdesenvolvimento. Como voc\u00ea se coloca diante desta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>EC &#8211; Na verdade, aquele artigo \u00e9 o \u00faltimo cap\u00edtulo de meu novo livro, no qual desenvolvo a tese que o Brasil est\u00e1 maduro para o socialismo. Isso significa dizer que o capitalismo brasileiro re\u00fane atualmente todas as condi\u00e7\u00f5es objetivas &#8211; em termos de produto, industrializa\u00e7\u00e3o, verticaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, desenvolvimento do setor financeiro e de servi\u00e7os, al\u00e9m de elevado desenvolvimento capitalista no campo \u2013 para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista desenvolvida. Para se ter uma id\u00e9ia do grau de monopoliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira basta dizer que os 100 maiores grupos econ\u00f4micos radicados no Pa\u00eds tiveram, em 2011, um faturamento bruto de vendas correspondente a 56% do PIB e os 20 maiores grupos tiveram um volume de vendas no mesmo ano correspondente a 35% do PIB e apenas os dez maiores grupos realizaram vendas no mesmo per\u00edodo de cerca de 25% do PIB. Ao contr\u00e1rio da R\u00fassia czarista e da China, que fizeram suas revolu\u00e7\u00f5es em economias muito atrasadas, o Brasil est\u00e1 maduro para as transforma\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 em termos econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m sociais, pois aqui existe uma classe oper\u00e1ria numerosa, concentrada nas grandes empresas e nos grandes centros urbanos. No entanto, se temos as condi\u00e7\u00f5es objetivas, n\u00e3o conseguimos ainda reunir as condi\u00e7\u00f5es subjetivas, que s\u00e3o fundamentais para o processo revolucion\u00e1rio. Essa ser\u00e1 uma tarefa gigantesca para as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, que n\u00e3o tem prazo nem data para ser conclu\u00edda. Tor\u00e7o para que se re\u00fanam essas condi\u00e7\u00f5es no mais breve espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>DL: Qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para enfrentarmos a crise a curto, m\u00e9dio e longo prazos?<\/p>\n<p>EC &#8211; Essa \u00e9 uma pergunta que vale um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 evidente que nem eu nem ningu\u00e9m tem condi\u00e7\u00f5es de formular uma solu\u00e7\u00e3o para esta crise sist\u00eamica global, nem mesmo para o Brasil. O que podemos adiantar \u00e9 que esta \u00e9 uma crise profunda e devastadora que ainda vai durar muito tempo e s\u00f3 terminar\u00e1 quando ocorrer mudan\u00e7as de fundo no sistema capitalista. Como em todas as crises, este \u00e9 um momento de intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes. Cada classe quer sair da crise vitoriosa. Neste momento, a burguesia est\u00e1 na ofensiva, com suas pol\u00edticas predat\u00f3rias para extinguir direitos e garantias dos trabalhadores. Mas os trabalhadores tamb\u00e9m est\u00e3o lutando em todas as partes do mundo. Al\u00e9m disso, a crise abre fissuras no sistema de domina\u00e7\u00e3o e janelas de oportunidades para os trabalhadores. A queda das velhas ditaduras no Egito, na Tun\u00edsia, no Yemem, as greves gerais na Europa, as manifesta\u00e7\u00f5es populares e mobiliza\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina, bem como as manifesta\u00e7\u00f5es de junho no Brasil s\u00e3o parte de um processo que se intensificar\u00e1 \u00e0 medida em que a crise se agrava. A luta de classes se encontra hoje num novo patamar. Outra coisa importante \u00e9 o fato de que n\u00e3o existem crises sem sa\u00edda. Essa crise ainda \u00e9 uma obra aberta. A sa\u00edda em favor da burguesia ou do proletariado vai depender do desenvolvimento da luta de classes. Se os trabalhadores conseguirem realizar uma interven\u00e7\u00e3o organizada, como foi a greve geral dos 25 pa\u00edses na Europa em novembro do ano passado, e se no bojo da luta se constituir uma vanguarda revolucion\u00e1ria com um programa anticapitalista capaz de colocar o proletariado em movimento contra o capital, os trabalhadores podem vencer. Do contr\u00e1rio, a burguesia sair\u00e1 da crise preservando seus interesses e disciplinando o mundo do trabalho. Tor\u00e7o e trabalho para que a primeira op\u00e7\u00e3o seja vitoriosa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/414-batalha-de-ideias\/44114-entrevista-com-edmilson-costa,-autor-de-%E2%80%9Ca-crise-econ%C3%B4mica,-a-globaliza%C3%A7%C3%A3o-e-o-brasil%E2%80%9D.html\">http:\/\/www.diarioliberdade.org\/artigos-em-destaque\/414<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nDi\u00e1rio Liberdade \u2013 13-12-2013\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5730\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-5730","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1uq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5730\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}