{"id":5732,"date":"2013-12-15T14:26:13","date_gmt":"2013-12-15T14:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5732"},"modified":"2017-08-25T00:48:45","modified_gmt":"2017-08-25T03:48:45","slug":"mandela-e-fidel-o-que-nao-se-diz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5732","title":{"rendered":"Mandela e Fidel: o que n\u00e3o se diz"},"content":{"rendered":"\n<p>A morte de Nelson Mandela precipitou uma catarata de interpreta\u00e7\u00f5es sobre sua vida e obra, todas o apresentando como um ap\u00f3stolo do pacifismo e uma esp\u00e9cie de Madre Teresa da \u00c1frica do Sul. Trata-se de uma imagem essencial e premeditadamente equivocada, que ignora que ap\u00f3s a matan\u00e7a de Sharperville, em 1960, o Congresso Nacional Africano (CNA) e seu l\u00edder, exatamente Mandela, adotaram a via armada e a sabotagem de empresas e projetos de import\u00e2ncia econ\u00f4mica, mas sem atentar contra vidas humanas.<\/p>\n<p>Mandela percorreu diversos pa\u00edses da \u00c1frica em busca de ajuda econ\u00f4mica e militar a fim de sustentar essa nova t\u00e1tica de luta. Foi preso em 1962 e, pouco depois, condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, que o manteria relegado em uma pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima, em cela de 2&#215;2 metros, durante 25 anos, exceto os \u00faltimos dois anos, nos quais a formid\u00e1vel press\u00e3o internacional para conseguir sua liberta\u00e7\u00e3o melhorou as condi\u00e7\u00f5es de sua deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mandela, portanto, n\u00e3o foi um \u201cadorador da legalidade burguesa\u201d, mas um extraordin\u00e1rio l\u00edder pol\u00edtico, cuja estrat\u00e9gia e t\u00e1ticas de luta foram variando conforme mudavam as condi\u00e7\u00f5es sob as quais se davam suas batalhas.<\/p>\n<p>Diz-se que foi o homem que acabou com o odioso apartheid sul-africano, o que \u00e9 uma meia-verdade.<\/p>\n<p>Outra parte do m\u00e9rito cabe a Fidel e \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o cubana, que com sua interven\u00e7\u00e3o na guerra civil de Angola selou a sorte dos racistas, ao derrotar as tropas do Zaire (hoje, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo), do ex\u00e9rcito sul-africano e dos dois ex\u00e9rcitos mercen\u00e1rios angolanos, organizados, armados e financiados pelos EUA atrav\u00e9s da CIA. Gra\u00e7as a sua heroica colabora\u00e7\u00e3o, na qual uma vez mais se demonstrou o nobre internacionalismo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, conseguiu-se manter a independ\u00eancia de Angola, sentar bases para a posterior emancipa\u00e7\u00e3o da Nam\u00edbia e disparar o tiro de miseric\u00f3rdia contra o apartheid sul-africano.<\/p>\n<p>Por isso, informado do resultado da crucial batalha de Cuito Cuanavale, em 23 de mar\u00e7o de 1988, Mandela escreveu da pris\u00e3o que o desfecho do que se chamou de \u201cStalingrado africana\u201d foi \u201co ponto de inflex\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o de nosso continente, e do meu povo, do flagelo do apartheid\u201d. A derrota dos racistas e seus mentores estadunidenses deu um golpe mortal na ocupa\u00e7\u00e3o sul-africana da Nam\u00edbia e precipitou o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es com o CNA, que, devagar, terminariam demolindo o regime racista sul-africano, obra mancomunada por aqueles dois estadistas gigantescos e revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, na Confer\u00eancia de Solidariedade Cubano-Sul-Africana de 1995, Mandela diria que \u201cos cubanos vieram a nossa regi\u00e3o como doutores, professores, soldados, especialistas agr\u00edcolas, mas nunca como colonizadores. Compartilharam as mesmas trincheiras de luta contra o colonialismo, o subdesenvolvimento e o apartheid&#8230; Jamais esqueceremos esse incompar\u00e1vel exemplo de desinteressado internacionalismo\u201d. \u00c9 uma boa recorda\u00e7\u00e3o para quem ontem e ainda hoje fala da \u201cinvas\u00e3o\u201d cubana a Angola.<\/p>\n<p>Cuba pagou um pre\u00e7o enorme por este nobre ato de solidariedade internacional que, como recorda Mandela, foi o ponto de inflex\u00e3o da luta contra o racismo na \u00c1frica. Entre 1975 e 1991, cerca de 450.000 homens e mulheres da ilha passaram por Angola, apostando nisso sua vida. Pouco mais de 2.600 perderam-na, lutando para derrotar o regime racista de Pret\u00f3ria e aliados. A morte deste extraordin\u00e1rio l\u00edder que foi Nelson Mandela \u00e9 uma excelente<\/p>\n<p>ocasi\u00e3o para homenagear sua luta e, tamb\u00e9m, o hero\u00edsmo internacionalista de Fidel e da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>*Atilio Bor\u00f3n \u00e9 soci\u00f3logo e professor da Universidade de Buenos Aires.<\/p>\n<p>Traduzido por Gabriel Brito, Correio da Cidadania.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/\">http:\/\/www.correiocidadania.com.br<\/a><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/RmubZPY2IU3YI58-KPaTUST2qm1j6-bogOMdHmgMraossO2DUIDVTesrSSnhfysB418IjDDeuQnFTFwsz1WE1LPU2HrlswJdCgZzy_SYLXx7sRPQY5VWtO0QCZOIjQlbxE4\" border=\"0\" \/><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAtilio Boron*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5732\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1us","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5732\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}