{"id":5746,"date":"2013-12-19T15:23:03","date_gmt":"2013-12-19T15:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5746"},"modified":"2013-12-19T15:23:03","modified_gmt":"2013-12-19T15:23:03","slug":"anticapitalismo-na-pauta-do-movimento-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5746","title":{"rendered":"Anticapitalismo na pauta do movimento negro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Na semana da morte de Nelson Mandela, a professora Francilene Cardoso (Biblioteconomia\/UFRJ) defendeu a amplia\u00e7\u00e3o da pauta do movimento negro no Brasil para uma perspectiva de luta anticapitalista<\/strong>. Francilene \u2013 em exposi\u00e7\u00e3o no semin\u00e1rio Cor e Classe na sociedade brasileira \u2013 invocou Malcolm X (l\u00edder do movimento negro nos EUA de inspira\u00e7\u00e3o socialista) e Cl\u00f3vis Moura (jornalista militante e autor de O Negro na historiografia brasileira) como nomes que devem ser lembrados como refer\u00eancia da luta antirracista na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio foi organizado pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises Econ\u00f4micas, Hist\u00f3ricas, Sociais e Estat\u00edsticas das Rela\u00e7\u00f5es Raciais (Laeser), coordenado pelo professor do Instituto de Economia\/UFRJ, Marcelo Paix\u00e3o. Na mesa, al\u00e9m de Francilene, que ali representava a Adufrj-SSind, e o pr\u00f3prio Paix\u00e3o, estavam Francisco Carlos, coordenador do Sintufrj, e L\u00edlian Barbosa, pelo DCE M\u00e1rio Prata. O dirigente sindical chamou aten\u00e7\u00e3o para o \u201cracismo institucional\u201d que se manifesta em situa\u00e7\u00f5es na universidade. L\u00edlian Barbosa tra\u00e7ou o quadro pouco favor\u00e1vel enfrentado pelos estudantes \u201cpretos e pobres\u201d na UFRJ.<\/p>\n<p>O professor Luciano Coutinho, diretor da Adufrj-SSind, uma das entidades que apoiaram o evento realizado no audit\u00f3rio da Escola de Servi\u00e7o Social,\u00a0 em r\u00e1pida interven\u00e7\u00e3o, disse que a Se\u00e7\u00e3o Sindical est\u00e1 cada vez mais empenhada em trazer para o debate \u201cquest\u00f5es tem\u00e1ticas essenciais\u201d da vida da universidade, relacionadas a g\u00eanero, ra\u00e7a e diversidade sexual. O Laeser, organizador do semin\u00e1rio, \u00e9 uma das refer\u00eancias acad\u00eamicas de investiga\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o do negro na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O coordenador do laborat\u00f3rio, Marcelo Paix\u00e3o, teve atua\u00e7\u00e3o de destaque no Conselho Universit\u00e1rio na defesa da implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas afirmativas na UFRJ. Em debate recente, Paix\u00e3o afirmara que a universidade aderiu com atraso \u00e0s pol\u00edticas afirmativas \u2013 o que aconteceu em agosto de 2010. Apesar da ressalva, no semin\u00e1rio da Praia Vermelha Paix\u00e3o disse que nos \u00faltimos tr\u00eas anos j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel registrar algumas mudan\u00e7as na universidade.<\/p>\n<p>O professor afirmou que o pa\u00eds j\u00e1 vive um per\u00edodo significativo de \u201cdemocracia com distribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d, mas que \u00e9 preciso construir uma outra universidade e uma sociedade que incorpore na agenda acad\u00eamica de pesquisa, por exemplo, as quest\u00f5es relacionadas ao papel do negro na sociedade brasileira. E uma sociedade sem exclus\u00e3o, autoritarismo e desigualdade.<\/p>\n<p><strong>Espelho da sociedade<\/strong><\/p>\n<p>No semin\u00e1rio, a professora Francilene Cardoso destacou que a UFRJ reflete a realidade da sociedade. Observou que a universidade possui mais de tr\u00eas mil professores, mas que entre estes, s\u00e3o pouqu\u00edssimos os que s\u00e3o negros. Os negros s\u00e3o encontrados na UFRJ em fun\u00e7\u00f5es subalternas, registrou. Francilene, que tamb\u00e9m \u00e9 militante do movimento \u201cFavela n\u00e3o se cala\u201d,\u00a0 criticou as UPPs que, na sua opini\u00e3o, n\u00e3o constituem \u201cuma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica\u201d, mas uma a\u00e7\u00e3o voltada para organizar a cidade de acordo com \u201cos interesses do mercado\u201d.\u00a0 Francilene atacou o governo do PT em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade enfrentada pela popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cO PT faz a gest\u00e3o da barb\u00e1rie\u201d, acusou.<\/p>\n<p>A professora disse que \u00e9 preciso ampliar a agenda da luta do movimento negro, dentro de uma perspectiva de classe. Depois de citar Malcom X, para enfatizar a linha anticapitalista na luta dos negros, ela lembrou do significado da luta no Quilombo dos Palmares, o maior movimento de contesta\u00e7\u00e3o da ordem escravista da \u00e9poca colonial. O Quilombo dos Palmares n\u00e3o era um aglomerado onde se encontravam negros fugidos. Era muito mais do que isso, ela informa.\u00a0 Tratava-se de um\u00a0 projeto pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social, onde n\u00e3o existia propriedade privada e que tinha o objetivo de contestar e de frear a economia colonial.<\/p>\n<p><strong>Abdias substitui ditador<\/strong><\/p>\n<p>O nome do Col\u00e9gio Estadual Presidente Costa e Silva (general que comandou o segundo governo da ditadura instaurada em 1964), em Nova Igua\u00e7u (RJ), ser\u00e1 substitu\u00eddo\u00a0 pelo fundador do Teatro Experimental do Negro, Abdias Nascimento (1914-2011). A escolha foi feita por meio de vota\u00e7\u00e3o de alunos e professores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/csunidadeclassista.blogspot.com.br\/2013\/12\/anticapitalismo-na-pauta-do-movimento.html#.UrMPX99xk38\">http:\/\/csunidadeclassista.blogspot.com.br\/2013\/12\/anticapitalismo-na-pauta-do-movimento.html#.UrMPX99xk38<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nadufrj.org.br\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5746\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-5746","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1uG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5746\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}