{"id":5762,"date":"2013-12-27T00:39:19","date_gmt":"2013-12-27T03:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5762"},"modified":"2017-11-09T17:24:19","modified_gmt":"2017-11-09T20:24:19","slug":"sobre-o-15o-encontro-internacional-de-partidos-comunistas-e-operarios-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5762","title":{"rendered":"Sobre o 15\u00ba Encontro internacional de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/journalworker.files.wordpress.com\/2017\/01\/49f56-a1.jpg?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><strong>Giorgos Marinos*<\/strong><\/p>\n<p>Depois do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios realizado em Lisboa nos dias 8,9,10 de Novembro, organizado pelo Partido Comunista Portugu\u00eas, verificou-se alguma actividade, e representantes de v\u00e1rios partidos comunistas est\u00e3o a tentar analisar o que se passou na perspectiva da sua pr\u00f3pria an\u00e1lise ideol\u00f3gico-pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O KKE participa nesse debate com o objectivo de salientar os assuntos que o movimento comunista enfrenta e informar os comunistas a n\u00edvel internacional sobre os acontecimentos reais e as posi\u00e7\u00f5es dos partidos.<\/p>\n<p><strong>1. <\/strong>O KKE imediatamente depois da contra-revolu\u00e7\u00e3o deu uma aten\u00e7\u00e3o especial ao reagrupamento do movimento comunista.<\/p>\n<p>Contribuiu para a concentra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e a realiza\u00e7\u00e3o dos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios, combatendo pela supera\u00e7\u00e3o de grandes dificuldades, particularmente de posi\u00e7\u00f5es que rejeitavam a presen\u00e7a identit\u00e1ria dos partidos comunistas e aspiravam misturar-se com for\u00e7as oportunistas, tradicionais ou &#8220;novas&#8221; &#8211; mutadas, em nome da actividade conjunta da &#8220;esquerda&#8221;.<\/p>\n<p>O nosso partido deu particular import\u00e2ncia e destaque a objectivos comuns e ao desenvolvimento de actividade conjunta apesar das diferen\u00e7as ideol\u00f3gico-pol\u00edticas e tratou, com a contribui\u00e7\u00e3o de outros partidos comunistas, de estabelecer os Encontros Internacionais que tiveram lugar em Atenas desde 1998 at\u00e9 2004 e posteriormente se realizaram noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>O nosso partido insiste particularmente na unidade do movimento comunista. Trata-se de um problema dif\u00edcil e complexo, que s\u00f3 pode resolver-se atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de bases s\u00f3lidas apoiadas na cosmovis\u00e3o marxista-leninista, nos princ\u00edpios da luta de classes, na estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria. Sobre esta base pode fortalecer-se o verdadeiro car\u00e1cter comunista dos partidos comunistas, pode conquistar-se a unidade de classe da classe oper\u00e1ria e a alian\u00e7a com os sectores populares pelo derrube da barb\u00e1rie capitalista, pelo socialismo-comunismo. <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a unidade revolucion\u00e1ria do movimento comunista tem condi\u00e7\u00f5es de maior exig\u00eancia; n\u00e3o se pode atingir sem um eixo estrat\u00e9gico, sem a combina\u00e7\u00e3o da teoria e da pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria que coloca como tarefa di\u00e1ria a prepara\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios partidos comunistas e da classe oper\u00e1ria para a resposta \u00e0s necessidades do conflito contra o sistema de explora\u00e7\u00e3o capitalista, o capital e os seus representantes pol\u00edticos, o oportunismo, que \u00e9 um cancro nas fileiras do movimento comunista.<\/p>\n<p>O ponto de vista que liga a unidade do movimento comunista com a posi\u00e7\u00e3o simplista de &#8220;unidade \u00e0 volta do que estamos de acordo&#8221;, impede o debate, omite a necessidade de elaborar uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria e de adaptar os partidos comunistas \u00e0s grandes exig\u00eancias da luta de classes, pela aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>Deixa-os indefesos perante o labor corrosivo das for\u00e7as burguesas e oportunistas que trabalham para assimilar os partidos comunistas ao parlamentarismo, castr\u00e1-los e convert\u00ea-los em parte do sistema pol\u00edtico burgu\u00eas, com colabora\u00e7\u00f5es sem princ\u00edpios, participa\u00e7\u00e3o em governos de gest\u00e3o burguesa com o r\u00f3tulo de &#8220;esquerda&#8221;-&#8220;progressista&#8221;, comprometidos com a l\u00f3gica da colabora\u00e7\u00e3o de classes, apoio \u00e0s uni\u00f5es imperialistas, como sucede com os partidos comunistas do chamado Partido da Esquerda Europeia, tal como com outros partidos que seguem pelo mesmo caminho.<\/p>\n<p><strong>2. <\/strong>O KKE, apesar das dificuldades contribuiu para a emiss\u00e3o de comunicados comuns nos Encontros Internacionais e para outros textos dos partidos comunistas. No entanto, o nosso partido deixou claro que o compromisso em temas de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica e na procura de formula\u00e7\u00f5es que mitiguem os desacordos em nome do acordo sobre um comunicado comum n\u00e3o contribui para a informa\u00e7\u00e3o correcta e objectiva dos comunistas, da classe oper\u00e1ria, dos povos.<\/p>\n<p>Isso cria a confus\u00e3o, n\u00e3o permite a compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o real e impede o desenvolvimento da reflex\u00e3o sobre as causas dos problemas, a necessidade de uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria \u00fanica que fortale\u00e7a a luta distintiva do movimento comunista pelos interesses da classe oper\u00e1ria e dos sectores populares em todo o mundo.<\/p>\n<p>No 15\u00ba Encontro Internacional em Lisboa n\u00e3o foi poss\u00edvel emitir um comunicado comum devido \u00e0s diferentes abordagens sobre quest\u00f5es muito importantes. Dado que se t\u00eam expressado opini\u00f5es que &#8220;turvam as \u00e1guas&#8221; e distorcem os acontecimentos, queremos referir alguns temas.<\/p>\n<p>O KKE, inclusive antes do Encontro Internacional, tomou uma posi\u00e7\u00e3o concreta face ao primeiro projecto de comunicado comum e defendeu que n\u00e3o podia ser a base de discuss\u00e3o se n\u00e3o se fizessem altera\u00e7\u00f5es significativas. Colocou uma s\u00e9rie de observa\u00e7\u00f5es e propostas, tal como outros partidos comunistas. Infelizmente, as propostas b\u00e1sicas do nosso partido n\u00e3o foram tidas em conta.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do KKE inclu\u00edam, entre outros assuntos, os seguintes temas:<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de imperialismo: <\/strong>O KKE trata este tema tal como foi estabelecido por Lenine, como a \u00faltima e superior fase do capitalismo. Lamentavelmente, no projecto de Comunicado Comum, este tema crucial n\u00e3o \u00e9 correctamente colocado, e v\u00e1rios pontos d\u00e3o azo a uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o deste conceito, que se limita e se trata como uma mera pol\u00edtica externa agressiva.<\/p>\n<p><strong>A causa e a natureza da crise capitalista: <\/strong>Hoje enfrentamos uma profunda crise econ\u00f3mica capitalista de sobreprodu\u00e7\u00e3o e sobre-acumula\u00e7\u00e3o de capital, cuja causa radica na contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre capital e trabalho, rejeitando caracteriza\u00e7\u00f5es como crise &#8220;financeira&#8221;, &#8220;estrutural&#8221; que obscurecem o car\u00e1cter da crise capitalista e das suas causas.<\/p>\n<p><strong>O tema das alian\u00e7as sociais: <\/strong>O KKE apoia uma linha pol\u00edtica de alian\u00e7as da classe oper\u00e1ria com os outros sectores populares pobres, como s\u00e3o o campesinato pobre, as camadas pequeno-burguesas pobres urbanas e rurais. Em nenhum caso pode estar de acordo com alian\u00e7as com sectores da burguesia denominados de &#8220;camadas antimonopolistas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A posi\u00e7\u00e3o sobre os chamados pa\u00edses &#8220;emergentes&#8221;: <\/strong>Os problemas que hoje em dia estes pa\u00edses onde predominam as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas enfrentam n\u00e3o s\u00e3o importados do estrangeiro, como assinalava o projecto de Comunicado Comum, mas s\u00e3o o resultado do pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista destes pa\u00edses.<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer acerca dos acontecimentos da Am\u00e9rica Latina. O KKE segue atentamente os desenvolvimentos e os processos, expressa a sua solidariedade com a luta dos partidos comunistas e com os povos, mas critica a pol\u00edtica que se aplica em pa\u00edses capitalistas com uma forte base monopolista que jogam um papel especial no antagonismo interimperialista, e onde se p\u00f5e em pr\u00e1tica uma estrat\u00e9gia que serve os interesses e a rentabilidade do capital \u00e0 custa da classe oper\u00e1ria e dos sectores populares que vivem em condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As reformas no \u00e2mbito do capitalismo: <\/strong>O KKE luta no nosso pa\u00eds para que se alcancem as conquistas a favor dos trabalhadores, como por exemplo sobre a quest\u00e3o da luta por um sistema de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade e de bem-estar exclusivamente p\u00fablicos e gratuitos, pelo aumento dos sal\u00e1rios e das pens\u00f5es, etc.. Liga esta luta com altera\u00e7\u00e3o radical da sociedade, com o poder oper\u00e1rio e a socializa\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios. \u00c9 prejudicial semear ilus\u00f5es de que em capitalismo o sistema de explora\u00e7\u00e3o pode ser &#8220;corrigido&#8221; atrav\u00e9s de reformas.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o das uni\u00f5es capitalistas interestatais: <\/strong>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma uni\u00e3o interestatal capitalista, reaccion\u00e1ria devido ao seu car\u00e1cter de representante dos monop\u00f3lios europeus, e cuja agressividade contra os povos n\u00e3o se deve somente ao aprofundamento da unifica\u00e7\u00e3o capitalista (integra\u00e7\u00e3o). O mesmo sucede com as restantes uni\u00f5es interestatais, que aparecem no terreno do capitalismo na \u00c1sia, Eur\u00e1sia, Am\u00e9rica Latina, etc.. Est\u00e3o ao servi\u00e7o de grandes grupos empresariais e os trabalhadores n\u00e3o devem escolher entre imperialistas e &#8220;centros&#8221; imperialistas.<\/p>\n<p><strong>As contradi\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses capitalistas: <\/strong>A concorr\u00eancia entre pot\u00eancias capitalistas &#8220;velhas&#8221; e novas, emergentes, tem que ver com as quotas de mercado, o controlo dos recursos naturais, as rotas de transporte de produtos, oleodutos, etc. Cada classe burguesa, na base do seu poder (econ\u00f3mico, pol\u00edtico, militar) \u00e9 um &#8220;predador&#8221;, maior ou mais pequeno, que explora a for\u00e7a de trabalho e, al\u00e9m disso, pretende fortalecer o seu papel nos assuntos internacionais.<\/p>\n<p>Portanto, consideramos que a classe oper\u00e1ria n\u00e3o pode p\u00f4r-se ao lado de nenhuma classe burguesa, ao contr\u00e1rio de diversas formula\u00e7\u00f5es que estavam no projecto de Comunicado Comum.<\/p>\n<p>Particularmente no tema da Am\u00e9rica Latina, o projecto de Comunicado Comum chegava ao ponto de considerar que alguns governos burgueses de pot\u00eancias capitalistas fortes, alguns pa\u00edses imperialistas que pertencem ao G20 d\u00e3o impulso\u2026\u00e0 luta anti-imperialista. Passa-se facilmente por alto o facto de estes governos administrarem o poder estatal burgu\u00eas a fim de fortalecer os monop\u00f3lios que predominam nas suas economias.<\/p>\n<p><strong>Sobre a quest\u00e3o: revolu\u00e7\u00e3o ou reforma? <\/strong>O KKE considera que neste tema os Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios s\u00f3 podem dar uma resposta: Revolu\u00e7\u00e3o! Infelizmente, o projecto de Comunicado Comum em v\u00e1rios pontos se referia a &#8220;processos de constru\u00e7\u00e3o da soberania e solu\u00e7\u00f5es alternativas na base do progresso social&#8221;, ou de &#8220;conquistas de posi\u00e7\u00f5es nas institui\u00e7\u00f5es&#8221; atrav\u00e9s das quais ter\u00e3o lugar &#8220;altera\u00e7\u00f5es no conte\u00fado de classe do poder&#8221;.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos Partidos Comunistas em rela\u00e7\u00e3o a op\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o do capitalismo \u00e9 dolorosa e o exemplo do &#8220;Eurocomunismo&#8221; \u00e9 bem conhecido por todos. Tais posi\u00e7\u00f5es criam confus\u00f5es e ilus\u00f5es, embelezam o poder burgu\u00eas, desarmam o movimento oper\u00e1rio e popular. A experi\u00eancia do golpe de Estado no Chile, que este ano passa o seu 40\u00ba anivers\u00e1rio, \u00e9 ilustrativa e n\u00e3o permite apoiar estas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A frente contra o oportunismo: <\/strong>\u00c9 necess\u00e1rio destacar as responsabilidades das for\u00e7as oportunistas que causaram grandes danos ao movimento comunista, \u00e0 luta da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>As alian\u00e7as pol\u00edticas com outras for\u00e7as: <\/strong>A alian\u00e7a da classe oper\u00e1ria com os restantes sectores populares \u00e9 um tema crucial. A pol\u00edtica de alian\u00e7as, a concentra\u00e7\u00e3o e a prepara\u00e7\u00e3o de for\u00e7as s\u00e3o determinadas pelo objectivo estrat\u00e9gico de derrubar a barb\u00e1rie capitalista e n\u00e3o se podem, a partir de cima, integrar em jogos de gest\u00e3o com a social-democracia e o oportunismo.<\/p>\n<p><strong>Sobre os &#8220;modelos&#8221; do socialismo: <\/strong>Destacou-se que por tr\u00e1s da discuss\u00e3o sobre o &#8220;recha\u00e7o dos modelos&#8221; manifesta-se claramente uma rejei\u00e7\u00e3o das leis cient\u00edficas da revolu\u00e7\u00e3o e da constru\u00e7\u00e3o socialista, como \u00e9 a necessidade do poder oper\u00e1rio (a ditadura do proletariado), a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a planifica\u00e7\u00e3o central. Historicamente, no Movimento Comunista Internacional, por tr\u00e1s do &#8220;modelos nacionais&#8221; e da &#8220;diversidade dos caminhos para o socialismo&#8221; escondiam-se a revis\u00e3o da nossa teoria e a justifica\u00e7\u00e3o do afastamento dos princ\u00edpios comunistas. Neste ponto de vista o nosso partido n\u00e3o pode estar de acordo com formula\u00e7\u00f5es que criam confus\u00f5es e reproduzem teorias oportunistas e social-democratas como o chamado &#8220;socialismo do s\u00e9culo XXI&#8221;.<\/p>\n<p><strong>3. <\/strong>No &#8220;Grupo de Trabalho&#8221; (tem a responsabilidade de preparar os Encontros Internacionais), que se reuniu em Lisboa com a participa\u00e7\u00e3o de um n\u00famero significativo de partidos comunistas, comprovou-se que o projecto de comunicado comum n\u00e3o constitu\u00eda uma base de discuss\u00e3o, o que tamb\u00e9m se repetiu na sess\u00e3o plen\u00e1ria dos partidos comunistas. No \u00e2mbito das actividades comuns para os pr\u00f3ximos tempos houve um acordo sobre o desenvolvimento da actividade em rela\u00e7\u00e3o aos graves problemas populares para express\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o comum dos partidos comunistas em rela\u00e7\u00e3o a uma s\u00e9rie de assuntos.<\/p>\n<p>Tanto no &#8220;Grupo de Trabalho&#8221; como na sess\u00e3o plen\u00e1ria dos partidos comunistas, a delega\u00e7\u00e3o do KKE colocou, de forma concreta e comprovada, as posi\u00e7\u00f5es do partido temas b\u00e1sicos sobre os quais tinha desacordos.<\/p>\n<p>Na sua interven\u00e7\u00e3o na sess\u00e3o plen\u00e1ria dos partidos comunistas, a delega\u00e7\u00e3o do KKE sublinhou entre outras coisas que:<\/p>\n<p>&#8220;O comunicado comum foi desde princ\u00edpio carregado com temas de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica significativa, sobre os quais as diferentes aproxima\u00e7\u00f5es do KKE e de outros partidos foram conhecidas. O texto estava impregnado da percep\u00e7\u00e3o de que entre o capitalismo e o socialismo existe um sistema socio-econ\u00f3mico interm\u00e9dio, portanto um poder interm\u00e9dio, o que n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com a realidade.<\/p>\n<p>O texto fala de mudan\u00e7as antimonopolistas revolucion\u00e1rias dentro do capitalismo. Trata-se de uma utopia, uma desorienta\u00e7\u00e3o e embelezamento do sistema de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que significa &#8220;financeiriza\u00e7\u00e3o&#8221; da economia? Esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da an\u00e1lise burguesa e oportunista. Esconde a ess\u00eancia da crise capitalista. Remete para o chamado &#8220;capitalismo de casino&#8221; e leva \u00e0 busca de um capitalismo &#8220;saud\u00e1vel&#8221;, &#8220;produtivo&#8221;.<\/p>\n<p>Apoiamos a revolu\u00e7\u00e3o cubana, seguimos os acontecimentos, expressamos a nossa solidariedade.<\/p>\n<p>Discutimos com o Partido Comunista do Vietname mas temos uma opini\u00e3o diferente sobre o chamado &#8220;socialismo de mercado capitalista&#8221;. O socialismo tem regras cient\u00edficas e h\u00e1 um pre\u00e7o elevado a pagar pelo seu incumprimento.<\/p>\n<p>Temos discutido sobre o tema China e dizemos, com dados, que ali t\u00eam predominado as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o. Em 2013, 400 capitalistas chineses aumentaram a sua fortuna em 150 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o podemos apoiar os governos burgueses na Am\u00e9rica Latina, inclusive os que s\u00e3o participados ou t\u00eam o apoio de partidos comunistas. Por exemplo, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds imperialista poderoso com monop\u00f3lios fortes, com enormes lucros por um lado e por outro com 55 milh\u00f5es de indigentes.<\/p>\n<p><strong>Na interven\u00e7\u00e3o do KKE, em conclus\u00e3o, destacou que o projecto do comunicado comum d\u00e1 uma direc\u00e7\u00e3o errada \u00e0 luta, leva \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o no sistema, impede o processo de ajuste da estrat\u00e9gia do movimento comunista \u00e0s necessidades da luta de classes, pelo socialismo. <\/strong><\/p>\n<p>O debate que se levou a cabo no Encontro Internacional foi rico e a experi\u00eancia pode ser utilizada para reflectir, tirar conclus\u00f5es e o KKE dar\u00e1 para tal o seu contributo. Lamentavelmente, algumas contribui\u00e7\u00f5es, entrevistas, etc. de representantes de partidos comunistas proporcionam, depois do encontro, interpreta\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias que d\u00e3o lugar a perguntas.<\/p>\n<p><strong>Que significa, por exemplo, a posi\u00e7\u00e3o que diz que os partidos comunistas que n\u00e3o estavam de acordo com o comunicado n\u00e3o t\u00eam responsabilidade na direc\u00e7\u00e3o do Estado ou s\u00e3o pequenos? <\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de uma posi\u00e7\u00e3o perigosa de diferencia\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas por crit\u00e9rios burgueses. Desde quando \u00e9 negativo que um partido comunista n\u00e3o participe no jogo da gest\u00e3o burguesa?<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma tarefa e uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a luta independente dos partidos comunistas pelo reagrupamento do movimento comunista e oper\u00e1rio, popular.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com a social-democracia, o apoio e a participa\u00e7\u00e3o em governos burgueses que administram o poder dos monop\u00f3lios e exploram os povos \u00e9 um desenvolvimento verdadeiramente negativo.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 objectivo da discuss\u00e3o acerca dos partidos comunistas &#8220;grandes&#8221; e &#8220;pequenos&#8221; com crit\u00e9rios parlamentares? <\/strong><\/p>\n<p>Por que \u00e9 que \u00e9 pequeno um partido que luta consequentemente pelo derrube do capitalismo, que luta por estabelecer uma base no movimento oper\u00e1rio com grandes sacrif\u00edcios e com dirigentes assassinados pelos mecanismos patronais e do Estado burgu\u00eas? Por que \u00e9 que \u00e9 &#8220;grande&#8221; um partido que absolutiza a actividade parlamentar e fomenta ilus\u00f5es de que atrav\u00e9s do parlamento burgu\u00eas se podem resolver os problemas populares e se podem satisfazer as necessidades populares?<\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica ensina de forma evidente que os partidos comunistas que absolutizaram o parlamentarismo separaram-se da linha revolucion\u00e1ria, foram depreciados, romperam as suas rela\u00e7\u00f5es com a classe oper\u00e1ria, dirigiram-se ao oportunismo, numa espiral descende corrosiva, como aconteceu com os partidos comunistas em Fran\u00e7a , Espanha e It\u00e1lia.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 partidos comunistas sem representa\u00e7\u00e3o parlamentar que lutam em condi\u00e7\u00f5es de intenso anticomunismo, d\u00e3o prioridade ao trabalho nos locais de trabalho, deparando-se com muitas dificuldades e cuidam de elaborar uma estrat\u00e9gia e t\u00e1cticas revolucion\u00e1rias. H\u00e1 partidos comunistas com representa\u00e7\u00e3o parlamentar que apoiam a UE e a sua estrat\u00e9gia, que h\u00e1 muito tempo renunciaram \u00e0 via revolucion\u00e1ria, como \u00e9 o caso dos partidos da direc\u00e7\u00e3o do Partido da Esquerda Europeia (PEE) <\/strong><\/p>\n<p>Cada partido assume a responsabilidade pela posi\u00e7\u00e3o que adopta.<\/p>\n<p>O KKE considera que os problemas do movimento comunista n\u00e3o podem ser tratados com aforismos, mas pela discuss\u00e3o essencial em temas cruciais de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica e tendo como objectivo o reagrupamento revolucion\u00e1rio. Os e as comunistas em todo o mundo t\u00eam uma causa e o dever de participar neste processo.<\/p>\n<p>*Membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do KKK.<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se no di\u00e1rio\u00a0<em>Rizospastis <\/em>de 15\/Dezembro\/2013 e a vers\u00e3o em ingl\u00eas em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Finter.kke.gr%2Fen%2Farticles%2FOn-the-15th-International-Meeting-of-Communist-and-Workers-Parties-in-Lisbon%2F&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNHMqDaQ3szuOQ_upKidhfVYtSUgEQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inter.kke.gr\/&#8230;<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.google.com\/url?q=http%3A%2F%2Fresistir.info%2F&amp;sa=D&amp;sntz=1&amp;usg=AFQjCNEJWNcGxukTWPrAsSuZUXDjhvZa8A\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nGiorgos Marinos*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5762\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[242],"tags":[],"class_list":["post-5762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eipco"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1uW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5762\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}