{"id":5766,"date":"2013-12-28T04:18:05","date_gmt":"2013-12-28T04:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5766"},"modified":"2013-12-28T04:18:05","modified_gmt":"2013-12-28T04:18:05","slug":"o-declinio-dos-estados-unidos-e-de-todos-os-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5766","title":{"rendered":"O decl\u00ednio dos Estados Unidos (e de todos os outros\u2026)"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/outras-opinioes\" border=\"0\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p>Num complexo quadro global em muta\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao poderio econ\u00f3mico das grandes pot\u00eancias e das pot\u00eancias emergentes, a pot\u00eancia hegem\u00f3nica declina. Mas as estruturas do imp\u00e9rio norte-americano &#8211; corporativas, financeiras, militares e pol\u00edtico-culturais &#8211; todas permanecem no mesmo lugar, prontas a recuperar o dom\u00ednio se e quando surgirem as oportunidades pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A economia pol\u00edtica mundial \u00e9 um mosaico de correntes cruzadas. A decad\u00eancia dom\u00e9stica e o enriquecimento da elite, novas fontes para maiores lucros e um desencantamento pol\u00edtico cada vez maior, o decl\u00ednio de n\u00edveis de vida para luxos cada vez mais extravagantes, para uns poucos, perdas militares nalgumas regi\u00f5es, com recupera\u00e7\u00e3o imperial noutras. H\u00e1 clamores de uma configura\u00e7\u00e3o unipolar, multipolar e at\u00e9 n\u00e3o-polar de poder mundial. Onde, quando e a que ponto s\u00e3o estas afirma\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas?<\/p>\n<p>Bolhas e explos\u00f5es v\u00e3o e v\u00eaem. Falemos antes dos \u00abbenefici\u00e1rios\u00bb: aqueles que causam colapsos, e arrancam as melhores recompensas enquanto as suas v\u00edtimas n\u00e3o t\u00eam sequer direito a uma palavra. A economia da fraude e o estado criminoso prosperam promovendo a pervers\u00e3o da cultura e da iliteracia. O \u00abjornalismo de investiga\u00e7\u00e3o\u00bb, ou reportagem de buraco de fechadura, \u00e9 a moda. O mundo de poder gira descontrolado. Ao declinar os poderes no poder declaram \u00ab\u00e9 a nossa lei ou a ru\u00edna de todos\u00bb.<\/p>\n<p>Configura\u00e7\u00e3o global do poder<\/p>\n<p>O poder \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre classes, estados e institui\u00e7\u00f5es militares e ideol\u00f3gicas. Qualquer configura\u00e7\u00e3o de poder \u00e9 contingente em lutas passadas e presentes reflectindo uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em mudan\u00e7a. Estruturas e recursos f\u00edsicos, concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, armas e informa\u00e7\u00e3o t\u00eam grande import\u00e2ncia, constituem a moldura em que os manipuladores do poder se inserem. Mas estrat\u00e9gias para reter ou conseguir poder dependem de alian\u00e7as seguras, entrada em guerra e negocia\u00e7\u00f5es de paz. Acima de tudo, o poder mundial depende da for\u00e7a dos fundamentos dom\u00e9sticos. Isso requer uma economia produtiva din\u00e2mica, um estado independente livre de liga\u00e7\u00f5es estrangeiras inc\u00f3modas e de uma classe dirigente capaz de dominar recursos globais para \u00abcomprar\u00bb o consentimento local da maioria.<\/p>\n<p>Para examinar a posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na configura\u00e7\u00e3o global de poder \u00e9 necess\u00e1rio analisar as suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas em mudan\u00e7a a dois n\u00edveis: por regi\u00e3o e por esfera de poder. A Hist\u00f3ria n\u00e3o se move em padr\u00f5es lineares ou de acordo com c\u00edrculos recorrentes: derrotas militares e pol\u00edticas em algumas regi\u00f5es podem ser acompanhadas por vit\u00f3rias significativas noutras. O decl\u00ednio econ\u00f3mico nalgumas esferas e regi\u00f5es pode ser acompanhado por avan\u00e7os pronunciados noutros sectores econ\u00f3micos e regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise final, o problema n\u00e3o \u00e9 manter o cart\u00e3o de marca\u00e7\u00e3o ou adicionar lucros e subtrair perdas, mas traduzir os resultados regionais e sectoriais numa compreens\u00e3o da direc\u00e7\u00e3o e estruturas emergentes da configura\u00e7\u00e3o do poder global. Comecemos por examinar o legado de guerras recentes na economia global, poder pol\u00edtico e militar dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Manter o Imp\u00e9rio norte-americano: derrotas, retrocessos, avan\u00e7os e vit\u00f3rias<\/p>\n<p>A opini\u00e3o dominante dos analistas mais cr\u00edticos \u00e9 que na \u00faltima d\u00e9cada o imp\u00e9rio norte-americano sofreu uma s\u00e9rie de derrotas militares, entrou em decl\u00ednio econ\u00f3mico, e enfrenta agora uma competi\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e a previs\u00e3o de mais derrotas militares. A evid\u00eancia apresentada \u00e9 impressionante. Os Estados Unidos foram for\u00e7ados a retirar tropas do Iraque, ap\u00f3s uma longa d\u00e9cada de ocupa\u00e7\u00e3o militar muito dispendiosa, deixando um regime ainda mais aliado ao Ir\u00e3o, o advers\u00e1rio regional dos Estados Unidos. A guerra do Iraque enfraqueceu a economia, retirou riqueza em petr\u00f3leo \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es americanas, fez crescer muito o or\u00e7amento de Washington e os d\u00e9fices comerciais e reduziu o n\u00edvel de vida dos cidad\u00e3os americanos. A guerra do Afeganist\u00e3o teve um resultado semelhante, com grandes custos externos, retirada militar, clientes fr\u00e1geis, desinteresse dom\u00e9stico e poucas ou nenhumas transfer\u00eancias de riqueza (pilhagens imperiais) para o Tesouro dos Estados Unidos ou corpora\u00e7\u00f5es privadas. A guerra na L\u00edbia destinou-se \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o total de uma economia moderna rica de petr\u00f3leo no Norte de \u00c1frica, a dissolu\u00e7\u00e3o total da sociedade civil e de estado e a emerg\u00eancia de mil\u00edcias tribais armadas e fundamentalistas contra os Estados Unidos e estados clientes da Uni\u00e3o Europeia do Africa do Norte e subsaariana. Em vez de continuar a aproveitar de acordos lucrativos de g\u00e1s e petr\u00f3leo com o regime conciliat\u00f3rio de Kadhafi, Washington decidiu uma \u00abmudan\u00e7a de regime\u00bb entrando numa guerra que arruinou a L\u00edbia e destruiu qualquer estado central vi\u00e1vel. A \u00abproxy war\u00bb actual na S\u00edria fortaleceu os senhores da guerra islamitas radicais, destruiu a economia de Damasco e aumentou a press\u00e3o maci\u00e7a de refugiados, que se juntaram aos milhares das guerras do Iraque e da L\u00edbia. As guerras imperiais dos Estados Unidos resultaram em perdas econ\u00f3micas, instabilidade regional pol\u00edtica e militar e lucros militares para os advers\u00e1rios isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina rejeitou em bloco os esfor\u00e7os norte-americanos para derrubar o governo venezuelano. O mundo inteiro \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de Israel e de Washington rejeitou o bloqueio de Cuba. Regi\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o regional, que exclu\u00edram os Estados Unidos proliferam. As quotas norte-americanas declinaram j\u00e1 que a \u00c1sia est\u00e1 a substituir os Estados Unidos no mercado da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia, a China aumenta e aprofunda os seus la\u00e7os econ\u00f3micos com todos os pa\u00edses chave, enquanto o \u00abpivot\u00bb norte-americano \u00e9 essencialmente um esfor\u00e7o num c\u00edrculo de bases militares que envolvem o Jap\u00e3o, Austr\u00e1lia e as Filipinas. Por outras palavras, a China \u00e9 mais importante do que os Estados Unidos para a expans\u00e3o econ\u00f3mica asi\u00e1tica, enquanto o financiamento chin\u00eas do com\u00e9rcio americano aumenta na economia norte-americana.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, as opera\u00e7\u00f5es militares norte-americanas promovem essencialmente conflitos armados e levam a uma instabilidade maior. Enquanto os capitalistas asi\u00e1ticos investem essencialmente em pa\u00edses africanos estrat\u00e9gicos, recolhem os lucros do seu \u00abboom\u00bb de mercadoria, alargando os mercados e os lucros.<\/p>\n<p>A den\u00fancia da rede global de espionagem Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos feriu seriamente as opera\u00e7\u00f5es globais clandestinas de vigil\u00e2ncia. Embora tenha podido ajudar corpora\u00e7\u00f5es privilegiadas privadas, o investimento maci\u00e7o norte-americano no ciber-imperialismo parece ter gerado um retorno diplom\u00e1tico e operacional negativo para o estado imperial.<\/p>\n<p>Em resumo, a vis\u00e3o global apresenta um quadro de revezes militares e diplom\u00e1ticos nas pol\u00edticas imperiais, perdas substanciais no Tesouro norte-americano e na eros\u00e3o de apoio p\u00fablico. Mas esta perspectiva tem falhas s\u00e9rias, especialmente no que diz respeito a outras regi\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es e esferas de actividade econ\u00f3mica. As estruturas fundamentais do imp\u00e9rio permanecem intactas.<\/p>\n<p>A NATO (OTAN), a principal alian\u00e7a militar chefiada pelo Pent\u00e1gono norte-americano, expande os seus membros e aumenta o seu campo de opera\u00e7\u00f5es. Os Estados B\u00e1lticos, principalmente a Est\u00f3nia, s\u00e3o o local de enormes exerc\u00edcios militares quase ao lado das principais cidades da R\u00fassia. At\u00e9 h\u00e1 muito pouco tempo, a Ucr\u00e2nia aproximava-se da Uni\u00e3o Europeia e a um passo da NATO.<\/p>\n<p>A Sociedade Trans-Pac\u00edfica liderada pelos Estados Unidos aumentou a sua presen\u00e7a nos pa\u00edses andinos, Chile, Peru e Col\u00f4mbia. Serve como mola para enfraquecer os blocos comerciais regionais como o MERCOSUL e a ALBA, que excluem Washington. Entretanto a CIA, o Departamento de Estado e os seus canais ONG est\u00e3o empenhados numa sabotagem econ\u00f3mica externa e numa campanha para enfraquecer o governo nacionalista da Venezuela. Os banqueiros norte-americanos e os capitalistas trabalham para sabotar a economia, provocando a infla\u00e7\u00e3o (50%), falta de bens essenciais de consumo e cortes de energia. O seu controle sobre a maior parte da informa\u00e7\u00e3o na Venezuela permite-lhes explorar o descontentamento popular culpando a desloca\u00e7\u00e3o popular devido \u00e0 inefici\u00eancia do governo.<\/p>\n<p>Acima de tudo, a ofensiva norte-americana na Am\u00e9rica Latina centrou-se num golpe militar nas Honduras, sabotagem econ\u00f3mica permanente na Venezuela, campanhas eleitorais e de informa\u00e7\u00e3o na Argentina, e ciber-espionagem no Brasil, enquanto criam la\u00e7os mais fundos com os regimes neo-liberais recentemente eleitos complacentes no M\u00e9xico, na Col\u00f4mbia, no Chile, no Panam\u00e1, Guatemala e na Rep\u00fablica Dominicana. Enquanto Washington perdeu influ\u00eancia na Am\u00e9rica Latina durante a primeira d\u00e9cada no s\u00e9culo XXI s\u00f3 parcialmente recuperou os seus clientes e s\u00f3cios. A recupera\u00e7\u00e3o relativa da influ\u00eancia norte-americana ilustra o facto de que \u00abmudan\u00e7as de regime\u00bb e um decl\u00ednio em quotas de mercado, n\u00e3o enfraqueceram os la\u00e7os financeiros e corporativos ligando at\u00e9 os pa\u00edses progressistas aos poderosos interesses norte-americanos. A presen\u00e7a cont\u00ednua de aliados poderosos pol\u00edticos \u2014 mesmo os de \u00abfora do governo\u00bb \u2014 permitem um trampolim para o aumento da influ\u00eancia norte-americana.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas nacionalistas e projectos de integra\u00e7\u00e3o regional permanecem vulner\u00e1veis aos contra-ataques norte-americanos.<\/p>\n<p>Enquanto os Estados Unidos perderam influ\u00eancia nalguns pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo, diminuiu a sua depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s como resultado de um grande aumento na produ\u00e7\u00e3o de energia dom\u00e9stica via \u00abfracking\u00bb e outras tecnologias extractivas intensas. Uma auto-sufici\u00eancia local maior significa menores custos de energia para os produtores dom\u00e9sticos e aumenta a sua competitividade em mercados mundiais, acrescendo a possibilidade de que os Estados Unidos possam recuperar quotas no mercado das suas exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O aparente decl\u00ednio da influ\u00eancia imperial dos Estados Unidos no mundo \u00e1rabe, devido \u00e0 popular \u00abprimavera \u00e1rabe\u00bb parou e at\u00e9 reverteu. O golpe militar no Egipto e a instala\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da ditadura militar no Cairo suprimiu as mobiliza\u00e7\u00f5es populares de massas. O Egipto voltou \u00e0 \u00f3rbita dos Estados Unidos. Na Arg\u00e9lia, Marrocos e Tun\u00edsia os governos antigos e novos evitam novos protestos anti-imperialistas. Na L\u00edbia, a for\u00e7a a\u00e9rea da NATO norte-americana destruiu o regime nacionalista-popular de Kadhafi, eliminando um modelo alternativo de com\u00e9rcio \u00e0 pilhagem neocolonial \u2014 mas n\u00e3o conseguiu at\u00e9 agora consolidar um regime cliente neoliberal em Tr\u00edpoli. Em vez das gangues rivais armadas isl\u00e2micas, os assassinos \u00e9tnicos mon\u00e1rquicos pilham e devastam o pa\u00eds. A destrui\u00e7\u00e3o de um regime anti-imperialista n\u00e3o engendrou um cliente pr\u00f3-imperialista.<\/p>\n<p>No M\u00e9dio Oriente, Israel continua a desapossar os Palestinianos da terra e da \u00e1gua. Os Estados Unidos continuam a aumentar as manobras militares e a impor mais san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas contra o Ir\u00e3o \u2014 enfraquecendo Teer\u00e3o mas tamb\u00e9m diminuindo a riqueza e influ\u00eancia dos Estados Unidos devido \u00e0 falta do mercado Iraniano lucrativo. Como na S\u00edria, e os seus aliados da NATO destru\u00edram a economia da S\u00edria e a sua sociedade complexa, mas n\u00e3o ser\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios. Mercen\u00e1rios isl\u00e2micos conseguiram bases de opera\u00e7\u00e3o enquanto o Hezbollah consolidou a sua posi\u00e7\u00e3o como um interveniente regional significativo. Negocia\u00e7\u00f5es actuais com o Ir\u00e3o abrem possibilidades aos Estados Unidos de minorar as suas perdas e reduzir a amea\u00e7a regional de uma nova guerra dispendiosa mas essas conversa\u00e7\u00f5es est\u00e3o a ser bloqueadas por uma \u00abalian\u00e7a\u00bb de um Israel militarista e sionista, a Ar\u00e1bia Saudita mon\u00e1rquica e a Fran\u00e7a \u00absocialista\u00bb.<\/p>\n<p>Washington tem perdido influ\u00eancia econ\u00f3mica na \u00c1sia para a China mas est\u00e1 a montar uma contra-ofensiva regional, baseada na sua rede de bases militares no Jap\u00e3o, nas Filipinas e na Austr\u00e1lia. Est\u00e1 a promover um novo acordo econ\u00f3mico pan-pac\u00edfico que exclui a China. Isso demonstra a capacidade dos Estados Unidos de interferir e aumentar lucros imperiais. Mas anunciar novas pol\u00edticas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 o mesmo que implement\u00e1-las e dar-lhes conte\u00fado din\u00e2mico. Mas o cerco militar \u00e0 China \u00e9 anulado pela d\u00edvida de trili\u00f5es de d\u00f3lares a Pequim. Um cerco militar agressivo \u00e0 China podia resultar numa venda maci\u00e7a de d\u00f3lares do Tesouro Americano e quinhentos investidores principais americanos a verem voar os seus investimentos.<\/p>\n<p>O poder dividido entre um poder estabelecido e um emergente, tal como a China e os Estados Unidos, n\u00e3o pode ser \u00abnegociado\u00bb via superioridade militar norte-americana. Amea\u00e7as e chicanas diplom\u00e1ticas s\u00e3o meras vit\u00f3rias diplom\u00e1ticas mas s\u00f3 avan\u00e7os econ\u00f3micos a longo prazo podem criar os cavalos de Tr\u00f3ia dom\u00e9sticos necess\u00e1rios para erodir o crescimento din\u00e2mico da China. Mesmo hoje, a elite chinesa despende enormes somas para educar os seus filhos em \u00abprestigiadas\u00bb universidades inglesas e norte-americanas onde s\u00e3o ensinadas doutrinas de economias de mercado livre e narrativas imperialistas. Na passada d\u00e9cada, pol\u00edticos chineses influentes e investidores ricos enviaram trili\u00f5es de d\u00f3lares em opera\u00e7\u00f5es l\u00edcitas e il\u00edcitas para bancos no exterior, investindo em grandes propriedades na Am\u00e9rica do Norte e na Europa e despachando milh\u00f5es para para\u00edsos fiscais. Hoje, h\u00e1 uma fac\u00e7\u00e3o poderosa de economistas e conselheiros de elite financeira na China a for\u00e7ar \u00aba liberaliza\u00e7\u00e3o financeira\u00bb, ou seja, a entrada da especula\u00e7\u00e3o especializada de Wall Street e da City de Londres. Enquanto as ind\u00fastrias chinesas podem estar a ganhar a competi\u00e7\u00e3o nos mercados estrangeiros, os Estados Unidos conseguiram e est\u00e3o a conseguir superar os patamares da estrutura financeira da China.<\/p>\n<p>A quota norte-americana na Am\u00e9rica Latina pode estar a declinar, mas o valor absoluto do d\u00f3lar comercial aumentou muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos podem ter perdido clientes da ala direita na Am\u00e9rica Latina, mas os novos regimes centro-esquerda est\u00e3o a colaborar activamente com a maioria das grandes companhias de minera\u00e7\u00e3o americanas e canadianas e com as casas de c\u00e2mbio. O Pent\u00e1gono n\u00e3o tem conseguido montar golpes militares, com a pat\u00e9tica excep\u00e7\u00e3o das Honduras, mas ainda mant\u00eam as suas rela\u00e7\u00f5es estreitas com os militares da Am\u00e9rica Latina sob a forma de (1) pol\u00edtica regional de \u00abterrorismo\u00bb, \u00abnarcotr\u00e1fico\u00bb e \u00abimigra\u00e7\u00e3o\u00bb, (2) dando treino t\u00e9cnico e doutrina\u00e7\u00e3o politica atrav\u00e9s dos programas \u00abeducacionais\u00bb militares e (3) e treinamento militar conjunto.<\/p>\n<p>Em resumo, as estruturas do imp\u00e9rio norte-americano, corporativas, financeiras, militares e pol\u00edtico-culturais, todas permanecem no mesmo lugar, prontas a recuperar o dom\u00ednio se e quando surgirem as oportunidades pol\u00edticas. Por exemplo, um decl\u00ednio agudo no pre\u00e7o de mercadorias provocaria igualmente uma crise funda e intensificaria os conflitos de classe entre os regimes centro-esquerda, que s\u00e3o dependentes de exporta\u00e7\u00f5es agro-mineiras para ter fundos para os programas sociais. Em qualquer confronta\u00e7\u00e3o os Estados Unidos trabalhariam com e atrav\u00e9s dos seus agentes nas elites econ\u00f3mica e militar para os regimes incumbentes e re-impor clientes neo-liberais.<\/p>\n<p>A fase actual de pol\u00edticas p\u00f3s neo-liberais e configura\u00e7\u00f5es de poder est\u00e1 vulner\u00e1vel. O \u00abdecl\u00ednio relativo da influ\u00eancia e poder\u00bb dos Estados Unidos podem ser revertidos mesmo que n\u00e3o regressem \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o anterior. O ponto te\u00f3rico \u00e9 que enquanto as estruturas imperialistas permanecem no lugar e enquanto as suas contrapartidas no exterior mant\u00eam posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, os Estados Unidos podem restabelecer a sua primazia na configura\u00e7\u00e3o global de poder.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os imperial n\u00e3o requer os \u00abmesmos rostos de sempre\u00bb. Novas figuras pol\u00edticas, especialmente com credenciais progressistas e tons leves de uma ideologia \u00absocial\u00bb j\u00e1 jogam um papel nas novas redes centradas no imp\u00e9rio. No Chile, a nova presidente \u00absocialista\u00bb Michele Bachelet, e no Peru o ex-nacionalista peruano, o presidente Ollanta Humala, s\u00e3o os maiores impulsionadores da Sociedade Trans-Pac\u00edfico, um bloco comercial que compete com o Mercosul nacionalista e a Alba, e exclui a China. No M\u00e9xico, o cliente dos Estados Unidos, presidente Enrique Pe\u00f1a Nieto, est\u00e1 a \u00a0privatizar a \u00abj\u00f3ia\u00bb da economia mexicana, PEMEX, a gigantesca companhia p\u00fablica de petr\u00f3leo \u2014 aumentando o poder de Washington sobre os recursos de energia regionais e aumentando a independ\u00eancia americana do petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio. O presidente colombiano Santos, o \u00abpresidente da paz\u00bb, est\u00e1 a negociar com entusiasmo o fim da guerrilha para expandir a explora\u00e7\u00e3o multinacional dos min\u00e9rios e dos recursos energ\u00e9ticos localizados nas regi\u00f5es da guerrilha, um projecto que vai beneficiar essencialmente as companhias petrol\u00edferas dos Estados Unidos. Na Argentina, a companhia petrol\u00edfera estatal, Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscales (YPF) assinou um acordo de \u00abjoint venture\u00bb com o gigante petrol\u00edfero Chevron, para explorar uma jazida enorme de g\u00e1s e petr\u00f3leo, conhecida como Vaca Muerte. Isso incrementar\u00e1 a presen\u00e7a norte-americana na Argentina na produ\u00e7\u00e3o de energia juntamente com as maiores incurs\u00f5es feitas pela Monsanto no poderoso sector agro-comercial.<\/p>\n<p>Indubitavelmente a Am\u00e9rica Latina diversificou o seu com\u00e9rcio e os Estados Unidos decresceram. Os dirigentes da Am\u00e9rica Latina j\u00e1 n\u00e3o precisam tanto da \u00abaprova\u00e7\u00e3o\u00bb do embaixador americano antes de anunciar os seus candidatos pol\u00edticos. Os Estados Unidos est\u00e3o completamente sozinhos no seu boicote a Cuba. A Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um para\u00edso dos Estados Unidos. Mas h\u00e1 contra-tend\u00eancias, reflectidas no novo pacto como TPP. Novos locais de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, que n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente controladas pelos Estados Unidos, servem agora como molas para um maior poder imperial.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>A economia norte-americana est\u00e1 estagnada e ainda n\u00e3o conseguiu voltar a levantar-se devido \u00e0 sua busca de guerras imperiais em s\u00e9rie. Mas, no M\u00e9dio Oriente, o decl\u00ednio dos Estados Unidos em compara\u00e7\u00e3o com o passado n\u00e3o tem sido acompanhado pela subida dos velhos rivais. A Europa est\u00e1 em grandes apuros, com um grande ex\u00e9rcito de desempregados, aumento cr\u00f3nico negativo e poucos sinais de recupera\u00e7\u00e3o num futuro pr\u00f3ximo. Mesmo a China, o novo poder emergente global, est\u00e1 a decrescer de 11% para 7% na d\u00e9cada actual. Pequim enfrenta um descontentamento popular crescente, a \u00cdndia como a China, est\u00e3o a liberalizar os seus sistemas financeiros, abrindo-os \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia do capital financeiro dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As principais for\u00e7as anti-imperialistas na \u00c1sia e na \u00c1frica n\u00e3o se comp\u00f5em de movimentos progressistas, seculares, democr\u00e1ticos e socialistas. Em vez disso, o imp\u00e9rio \u00e9 confrontado com movimentos religiosos, \u00e9tnicos, misoginistas e autorit\u00e1rios com tend\u00eancias irredentistas. As antigas vozes seculares socialistas perderam o seu poder e apresentam \u00abjustifica\u00e7\u00f5es perversas\u00bb para as guerras imperialistas de agress\u00e3o na L\u00edbia, Mali e S\u00edria. Os socialistas franceses, que em 2003 se opuseram \u00e0 guerra do Iraque, ouvem o seu presidente Fran\u00e7ois Hollande a papaguear sobre o militarismo brutal do senhor da guerra de Israel, Netanyahu.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a tese do \u00abdecl\u00ednio do imp\u00e9rio norte-americano\u00bb e o seu corol\u00e1rio, a \u00abcrise dos Estados Unidos est\u00e3o sublinhadas, limitadas e sem especificidade. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 alternativa imperial ou tend\u00eancia moderna anti imperial para j\u00e1. Enquanto \u00e9 certo que o capitalismo ocidental est\u00e1 em crise, o capitalismo asi\u00e1tico emergente da China e da \u00cdndia enfrenta uma crise diferente resultante da sua explora\u00e7\u00e3o de classes selvagem e da suas mort\u00edferas rela\u00e7\u00f5es de casta. Se as condi\u00e7\u00f5es objectivas estiverem \u00abmaduras para o socialismo\u00bb, os socialistas, pelo menos os que t\u00eam presen\u00e7a pol\u00edtica est\u00e3o confortavelmente inseridos nos seus respectivos regimes imperiais. Os socialistas e marxistas no Egipto uniram-se aos militares para derrubar um regime isl\u00e2mico conservador eleito, levando \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do clientismo imperialista no Cairo. Os \u00abmarxistas\u00bb franceses e ingleses apoiaram a destrui\u00e7\u00e3o da L\u00edbia e da S\u00edria pela NATO. Numerosos progressistas e socialistas, na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, apoiaram os senhores da guerra de Israel e\/ou permaneceram silenciosos perante o poder dos sionistas nos ramos executivos e legislaturas.<\/p>\n<p>Se o imperialismo est\u00e1 a declinar, tamb\u00e9m o anti-imperialismo est\u00e1. Se o capitalismo est\u00e1 em crise, os anticapitalistas tamb\u00e9m est\u00e3o. Se os capitalistas procuram novos rostos e ideologias para refor\u00e7ar as suas fortunas, n\u00e3o estar\u00e1 na hora de os anti-imperialistas e os anticapitalistas fazerem o mesmo?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=3120\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=3120<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nJames Petras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5766\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5766","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1v0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5766","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5766"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5766\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}