{"id":578,"date":"2010-06-19T18:00:54","date_gmt":"2010-06-19T18:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=578"},"modified":"2010-06-19T18:00:54","modified_gmt":"2010-06-19T18:00:54","slug":"instrucoes-para-um-intercambio-sobre-o-conflito-colombiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/578","title":{"rendered":"Instru\u00e7\u00f5es para um interc\u00e2mbio sobre o conflito colombiano"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Primeira Parte:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiro: <\/strong>N\u00f3s sempre acreditamos numa sa\u00edda pol\u00edtica para o conflito. Mesmo antes da agress\u00e3o \u00e0 Marquetalia e durante estes 46 anos, n\u00f3s temos expressado esse posicionamento, reiterado e lutado por ele.<\/p>\n<p><strong>Segundo: <\/strong>N\u00f3s n\u00e3o somos instigadores da guerra, nem lutamos por vingan\u00e7as pessoais. N\u00e3o temos patrim\u00f4nios materiais nem privil\u00e9gios para defender. Somos revolucion\u00e1rios compremetidos com a consci\u00eancia e, sempre, com a busca de uma sociedade justa e soberana. Somos profundamente humanistas, desprovidos de qualquer interesse pessoal e mesquinho. Amamos nossa p\u00e1tria acima de tudo e somos obrigados a continuar a guerra contra uma classe dirigente que se ajoelha aos p\u00e9s do imp\u00e9rio. Uma classe que utiliza, sistematicamente, a viol\u00eancia e o atentado pessoal como arma pol\u00edtica para sustentar-se no poder. Isso ocorre desde quando tentou assassinar o Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar, at\u00e9 os dias de hoje, em que pratica o Terrorismo de Estado para manter seu status quo.<\/p>\n<p><strong>Terceiro: <\/strong>A maior dificuldade que a Col\u00f4mbia vem enfrentando para alcan\u00e7ar a reconcilia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do di\u00e1logo e dos acordos, \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o de paz olig\u00e1rquica defendida pelo regime. Tal concep\u00e7\u00e3o s\u00f3 aceita a paz se existir a submiss\u00e3o absoluta da insurg\u00eancia \u00e0 chamada \u201cordem estabelecida\u201d ou, como alternativa, \u00e0 \u201cpaz dos cemit\u00e9rios\u201d.<\/p>\n<p><strong>Quatro: <\/strong>N\u00e3o lutamos a vida toda contra um regime excludente e violento, corrupto, injusto e anti-patriota, para agora, sem mudan\u00e7as em sua estrutura, retornar a ele.<\/p>\n<p><strong>Cinco: <\/strong>Na Col\u00f4mbia, muitas pessoas boas e capazes, que queriam um pa\u00eds melhor e lutaram pelas vias pac\u00edficas, como Jaime Pardo Leal, Bernardo Jaramillo, Manuel Cepeda e outros, foram assassinadas de forma premeditada, vil e impune pelos servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Estado em alian\u00e7a com os paramilitares e as m\u00e1fias. Foram assassinados por inimigos do povo, em um genoc\u00eddio sem precedentes, que liquidou fisicamente todo um movimento pol\u00edtico din\u00e2mico e em pleno crescimento: a UNI\u00c3O PATRI\u00d3TICA<\/p>\n<p>Por conta dessa estrat\u00e9gia do Terrorismo de Estado, as buscas por solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas fracassaram nos governos de Uribe, Belisario Betancur e Virgilio Barco e, em Caracas e M\u00e9xico, durante o governo de C\u00e9sar Gaviria.<\/p>\n<p><strong>Sexto: <\/strong>Em El Cagu\u00e1n, como foi reconhecido em seu livro e nas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do presidente Pastrana, o regime s\u00f3 buscava ganhar tempo para recompor a desanimada for\u00e7a militar do estado com um cronograma, diretrizes, instru\u00e7\u00f5es e financiamento da Casa Branca. Tudo isso integrado no Plano Col\u00f4mbia e imposto pela administra\u00e7\u00e3o de Bill Clinton, com o objetivo de abortar uma sa\u00edda pol\u00edtica e democr\u00e1tica ao conflito colombiano, dando in\u00edcio a sua campanha para reverter as mudan\u00e7as progressistas que avan\u00e7avam no continente. O satanizado processo de Cagu\u00e1n, estava condenado ao fracasso antes mesmo de come\u00e7ar. A afirmativa foi corroborada pelo ex-presidente Pastrana, pois seu governo jamais buscou render-se ao caminho da paz, fortalecendo e refinando seu aparato de domina\u00e7\u00e3o, dando continuidade \u00e0 guerra.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9timo: <\/strong>Estes antecedentes n\u00e3o invalidam as possibilidades de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao conflito colombiano. Ao contr\u00e1rio. Evidenciam a quase nula inten\u00e7\u00e3o da classe dirigente colombiana de ceder em sua trucul\u00eancia e intoler\u00e2ncia, frente \u00e0s outras correntes ou op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de oposi\u00e7\u00e3o que questionam seu regime pol\u00edtico e seu alinhamento internacional incondicional a favor dos interesses imperialistas dos Estados Unidos, quebrando a nossa soberania e contrariando os mais caros e sentidos interesses da na\u00e7\u00e3o e da p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Sua concep\u00e7\u00e3o sobre o exerc\u00edcio do poder est\u00e1 assinada e sustentada pela viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o e a expolia\u00e7\u00e3o. Isso torna muito dif\u00edcil uma sa\u00edda pac\u00edfica que, de todas as maneiras, continuar\u00e1 sendo bandeira das FARC-EP e, seguramente, dos amplos setores do povo que sentem os efeitos da hegemonia olig\u00e1rquica.<\/p>\n<p><strong>Oitavo: <\/strong>Os interesses dos distintos setores sociais est\u00e3o se confrontando permanentemente. Em ocasi\u00f5es e por per\u00edodos definidos, a oligarquia exerce sua ditadura a fundo, sem respostas contundentes sobre a pris\u00e3o, repress\u00e3o, guerra suja e desqualifica\u00e7\u00e3o que se desenvolve a partir do Estado de diferentes maneiras. Em outros momentos, as respostas s\u00e3o importantes, por\u00e9m n\u00e3o suficientes. No entanto, ao longo de uma acumula\u00e7\u00e3o de fatores sociais excessivos, a resposta popular \u00e9 contundente. Entendemos que os interesses dos diferentes setores em uma sociedade com a nossa, est\u00e3o em permanente choque e movimento, nunca paralisados. Por isso, falar na Col\u00f4mbia de hoje, do p\u00f3s-conflito, \u00e9 propaganda.<\/p>\n<p><strong>Nono: <\/strong>Esta reflex\u00e3o \u00e9 pertinente, posto que as causas geradoras do levante armado em nosso pa\u00eds existem mais vivas e pujantes que h\u00e1 46 anos. Dessa forma, se queremos construir um futuro certo de conviv\u00eancia democr\u00e1tica, isso exige maiores esfor\u00e7os, desprendimento, compromisso, generosidade e imagina\u00e7\u00e3o realista para atacar a ra\u00edz dos problemas e n\u00e3o as consequ\u00eancias dos mesmos.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9cimo: <\/strong>Ao longo de 12 anos de ofensiva total contra as FARC-EP, por parte do governo dos Estados Unidos e do Estado colombiano, os assassinatos oficiais, verdadeiros crimes de lesa humanidade (falsos positivos), o terror crescente da nova m\u00e1scara do narco-paramilitarismo (denominada fac\u00e7\u00f5es criminosas), a asquerosa trucul\u00eancia do presidente em manter-se no poder com farsas, a invenc\u00edvel corrup\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o e da empresa privada que, em troca dessa mesma corrup\u00e7\u00e3o e de milhon\u00e1rios tributos, apoia o governo, a absurda invas\u00e3o do ex\u00e9rcito estrangeiro \u00e0 Col\u00f4mbia e o aumento da injusti\u00e7a social com alto desemprego, sem sa\u00fade para as maiorias, com um alt\u00edssimo \u00edndice de desalojamentos internos, com um rid\u00edculo sal\u00e1rio m\u00ednimo em oposi\u00e7\u00e3o aos enormes lucros de banqueiros, fazendeiros e empresas multinacionais, que seguem castrando com uma reforma trabalhista as conquistas salariais mais antigas dos trabalhadores do campo e das cidades, tudo o que conseguiram foi enriquecer ainda mais o terreno para o crescimento da insurg\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Segunda Parte:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1. <\/strong>O conflito armado colombiano possui profundas ra\u00edzes hist\u00f3ricas, sociais e pol\u00edticas. N\u00e3o foi inven\u00e7\u00e3o de nenhum demagogo, produto de \u00e2nimos sect\u00e1rios, nem consequ\u00eancia de alguma especula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Foi o resultado e a resposta \u00e0s formas de domina\u00e7\u00e3o espec\u00edficas, impostas pelas classes governantes desde as origens do Estado \u2013 na\u00e7\u00e3o cujo fundamento vem sendo a sistem\u00e1tica viol\u00eancia terrorista e anti-popular, propiciada pelo estado ao longo dos \u00faltimos 60 anos.<\/p>\n<p><strong>2. <\/strong>Super\u00e1-lo, pelas vias pac\u00edficas, sup\u00f5e que, preliminarmente, exista total disposi\u00e7\u00e3o para abordar os temas do poder e do regime pol\u00edtico, j\u00e1 que a decis\u00e3o \u00e9 encontrar solu\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e perdur\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>3. <\/strong>Expomos a necessidade de conversar, a princ\u00edpio, para alcan\u00e7ar acordos de troca, o que permitir\u00e1 n\u00e3o somente a liberdade de prisioneiros de guerra de ambos os lados, mas tamb\u00e9m avan\u00e7ar na humaniza\u00e7\u00e3o do conflito e, seguramente, fortalecer o caminho para os acordos definitivos.<\/p>\n<p><strong>4. <\/strong>Conversar, buscar conjuntamente solu\u00e7\u00f5es aos grandes problemas do pa\u00eds, n\u00e3o deve ser considerado como concess\u00e3o de ningu\u00e9m, mas sim como um cen\u00e1rio realista e poss\u00edvel para tentar, mais uma vez, deter a guerra entre os colombianos a partir da civilidade dos di\u00e1logos.<\/p>\n<p><strong>5. <\/strong>Reunir-se para conversar sobre as trocas e solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sup\u00f5e plenas garantias para faz\u00ea-lo livres de toda press\u00e3o. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio compreender que quem as pode outorgar \u00e9, exclusivamente, o governo em exerc\u00edcio, caso possua a vontade de encontrar caminhos de di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>6. <\/strong>Nossa hist\u00f3rica e permanente disposi\u00e7\u00e3o para encontrar cen\u00e1rios de conflu\u00eancia atrav\u00e9s do di\u00e1logo e a busca coletiva de acordos de conviv\u00eancia democr\u00e1tica n\u00e3o dependem de uma conjuntura especial ou da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas. \u00c9 simplesmente parte de nosso programa pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>7. <\/strong>Durante os \u00faltimos 45 anos temos sido objeto de toda a sorte de ofensivas pol\u00edticas, propagand\u00edsticas, militares, com presen\u00e7a aberta ou escamoteada do Pent\u00e1gono. Com toda sorte de ultimatos e amea\u00e7as de autoridades civis e militares, vivemos sob uma permanente agress\u00e3o terrorista sobre a popula\u00e7\u00e3o civil das \u00e1reas onde operamos. Tais a\u00e7\u00f5es n\u00e3o enfraqueceram nem um pouco nossa decis\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o de lutar, atrav\u00e9s dos meios que nos sobram, por uma Col\u00f4mbia soberana, democr\u00e1tica e com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p><strong>8. <\/strong>Compreendemos os di\u00e1logos pela busca de caminhos para a paz, n\u00e3o como uma negocia\u00e7\u00e3o. Trata-se de um enorme esfor\u00e7o coletivo para chegar a acordos que possibilitem atacar as ra\u00edzes que originam o conflito colombiano.<\/p>\n<p><strong>Terceira Parte:<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, as FARC, somos uma resposta \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 injusti\u00e7a do Estado. Nossa insurg\u00eancia \u00e9 um ato leg\u00edtimo, um exerc\u00edcio do direito universal que assiste a todos os povos do mundo de rebelar-se contra a opress\u00e3o. Com nossos libertadores, aprendemos que \u201cquando o poder \u00e9 opressor, a virtude tem direito de anul\u00e1-lo\u201d, e que, \u201co homem social pode conspirar contra toda lei positiva que tenha encurvada sua cervical\u201d.<\/p>\n<p>Tal como proclama o Programa Agr\u00e1rio dos Guerrilheiros, as FARC \u201cs\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar que defende as bandeiras bolivarianas e as tradicionais bandeiras libert\u00e1rias de nosso povo para lutar pelo poder, levar a Col\u00f4mbia ao exerc\u00edcio pleno de sua soberania nacional e fazer vigente a soberania popular. Lutamos pelo estabelecimento de um regime democr\u00e1tico que garanta a paz com justi\u00e7a social, o respeito dos direitos humanos e um desenvolvimento econ\u00f4mico com bem-estar para todos que vivem na Col\u00f4mbia\u201d.<\/p>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o com estes objetivos, que busca a concretiza\u00e7\u00e3o do projeto pol\u00edtico e social do pai da Rep\u00fablica, o Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar, irradia em sua t\u00e1tica e estrat\u00e9gia um car\u00e1ter eminentemente pol\u00edtico, imposs\u00edvel de refutar. Somente o governo de Bogot\u00e1, que atua como col\u00f4nia de Washington, nega o car\u00e1ter pol\u00edtico do conflito. O faz dentro do marco de sua estrat\u00e9gia de guerra sem fim para negar a sa\u00edda pol\u00edtica que \u00e9 exigida por mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o. Com isso, pretende imp\u00f4r uma anti-patri\u00f3tica concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a inversionista, idealizada pelos estrategistas do Comando Sul do ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, que relega a plano secund\u00e1rio a dignidade da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o governo de Uribe, na Col\u00f4mbia n\u00e3o existe um conflito pol\u00edtico-social, mas sim uma guerra do Estado contra o terrorismo. Com esse pressuposto, complementado com a mais intensa manipula\u00e7\u00e3o informativa, cria-se uma justificativa para desatar seu terrorismo de Estado contra a popula\u00e7\u00e3o, negando a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o direito \u00e0 paz.<\/p>\n<p>Agora que a Col\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds formalmente invadido, ocupado militarmente por tropas norte-americanas, essa absurda percep\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fortalecida, provocando a agudiza\u00e7\u00e3o do conflito.Uribe n\u00e3o est\u00e1 instru\u00eddo por seus senhores de Washington nem para a troca humanit\u00e1ria nem para a paz.<\/p>\n<p>O presidente da Col\u00f4mbia cria fantasmas para justificar sua imobilidade frente ao tema da troca de prisioneiros. Afirma que o acordo implica um reconhecimento do car\u00e1ter de for\u00e7a beligerante do advers\u00e1rio e que a libera\u00e7\u00e3o de guerrilheiros provocaria maior desmoraliza\u00e7\u00e3o das tropas&#8230; Essa \u00e9 a sua forma de compreender o assunto. Esta intransig\u00eancia desnecess\u00e1ria do governo vem sendo a causa fundamental do prolongamento do cativeiro dos prisioneiros de ambas as partes. Quando Bol\u00edvar firmou o armist\u00edcio com Morillo, em novembro de 1820, prop\u00f4s ao general espanhol aproveitar a vontade de entendimento reinante para acordar um tratado de regulariza\u00e7\u00e3o da guerra, \u201cconforme as leis da na\u00e7\u00f5es cultas e aos pric\u00edpios liberais e filantr\u00f3picos\u201d. Sua iniciativa foi aceita, ocorrendo a troca de prisioneiros, a recupera\u00e7\u00e3o dos corpos dos ca\u00eddos em combate, e o respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o combatente. Qu\u00e3o distante est\u00e1 Uribe destes imperativos \u00e9ticos de humanidade&#8230;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, Uribe associa a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito com o fracasso e a inutilidade de sua Doutrina de Seguran\u00e7a Nacional e com o fim melanc\u00f3lico de sua condu\u00e7\u00e3o guerrerista de esmagar mediante as armas, a crescente inconforma\u00e7\u00e3o social. Parece um soldado japon\u00eas da Segunda Guerra Mundial perdido numa ilha, disparando contra inimigos imagin\u00e1rios em meio a sua loucura.<\/p>\n<p>Aos participantes deste debate sobre o conflito colombiano, reiteramos o exposto recentemente aos presidentes da UNASUR e da ALBA:<\/p>\n<p>\u201c\u2026Com um Uribe imbu\u00eddo no frenesi da guerra e fortalecido com as bases norte-americanas, n\u00e3o haver\u00e1 paz na Col\u00f4mbia nem estabilidade na regi\u00e3o. Se n\u00e3o se freia o guerrerismo \u2013 agora repotenciado \u2013, se aumentar\u00e1 em propor\u00e7\u00e3o dantesca o drama humanit\u00e1rio da Col\u00f4mbia. \u00c9 agora que Nossa Am\u00e9rica e o mundo voltam seus olhos sobre este pa\u00eds violentado pelo poder. N\u00e3o se pode condenar eternamente a Col\u00f4mbia a ser o pa\u00eds dos &#8216;falsos positivos&#8217;, do assassinato de milhares de civis n\u00e3o combatentes pela For\u00e7a P\u00fablica, dos cemit\u00e9rios clandestinos, do despojo de terras, da expuls\u00e3o de milhares de camponeses de suas terras, das pris\u00f5es em massa de cidad\u00e3os, da tirania e da impunidade dos criminosos amparados pelo Estado\u201d.<\/p>\n<p>Solicitamos aos assistentes deste evento interceder, atrav\u00e9s de seus bons of\u00edcios, promovendo, como um princ\u00edpio de solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do conflito, o reconhecimento do status de for\u00e7a beligerante \u00e0s FARC. Seria o come\u00e7o da marcha da Col\u00f4mbia para a paz. Se vamos falar de paz, as tropas norte-americanas devem sair do pa\u00eds e o senhor Uribe abandonar sua campanha goebbeliana de qualificar de terrorista as FARC. De nossa parte, estamos prontos para assumir a discuss\u00e3o em torno da organiza\u00e7\u00e3o do Estado, da economia, da pol\u00edtica social e da doutrina que h\u00e1 de guiar as novas For\u00e7as Armadas da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atenciosamente, compatriotas, Secretariado do Estado Maior Central das FARC.<\/p>\n<p>Monta\u00f1as de Colombia<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nEscrito por FARC-EP \nJunho de 2010\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/578\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-578","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9k","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/578\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}