{"id":5788,"date":"2014-01-06T16:14:20","date_gmt":"2014-01-06T19:14:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5788"},"modified":"2017-08-24T23:59:33","modified_gmt":"2017-08-25T02:59:33","slug":"nossa-america-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5788","title":{"rendered":"Nossa Am\u00e9rica hoje"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste come\u00e7o do ano de 2014, diversos anivers\u00e1rios convergem. Os 55 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana se sobressaem aos 20 anos da Rebeli\u00e3o Zapatista. A primeira aparece nas p\u00e1ginas mais gloriosas da hist\u00f3ria da luta continental (e mundial), inaugurando na regi\u00e3o a transi\u00e7\u00e3o para o socialismo e derrotando o imperialismo em sua tentativa de invas\u00e3o militar e bloqueio econ\u00f4mico. A segunda, de menor profundidade pol\u00edtica, por\u00e9m n\u00e3o de menor import\u00e2ncia simb\u00f3lica e cultural, proporcionou uma bofetada no neoliberalismo apenas cinco anos depois da queda do muro de Berlim e quatro anos ap\u00f3s a derrota sandinista.<\/p>\n<p>Nenhuma destas duas rebeli\u00f5es foi esmagada definitivamente pelos poderosos da Terra.<\/p>\n<p>O imperialismo norte-americano, hoje mais agressivo que nunca, mais desesperado que nunca, de seu modo, mais enfraquecido que nunca, n\u00e3o conseguiu colocar fim ao exemplo cubano. Tampouco, conseguiu apagar a rebeli\u00e3o ind\u00edgena de Chiapas. Mais uma vez, rumina sua impot\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Junto \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e \u00e0 Rebeli\u00e3o Zapatista, uma terceira estrela de rebeldia mant\u00e9m seu brilho em meio \u00e0 tormenta, a persist\u00eancia hist\u00f3rica da insurg\u00eancia colombiana. Este ano comemoram-se 50 anos da epopeia de Marquetalia. Meio s\u00e9culo depois, esta rebeldia n\u00e3o foi derrotada. Apesar do Estado colombiano receber a maior \u201cajuda\u201d (investimento) econ\u00f4mica militar do planeta, atr\u00e1s apenas de Israel e Egito, um ex\u00e9rcito incr\u00edvel de espi\u00f5es, mercen\u00e1rios, empres\u00e1rios e assessores estadunidenses, n\u00e3o consegue desarticular a insurg\u00eancia colombiana.<\/p>\n<p>Na Venezuela, morto (assassinado?) o comandante Hugo Ch\u00e1vez, as ag\u00eancias norte-americanas USAID, NED, Ford e outras similares, n\u00e3o conseguem desarmar o processo bolivariano que, mais uma vez, contra todo o progn\u00f3stico midi\u00e1tico, volta a vencer as elei\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas. Ainda que sem contar com o carisma de Ch\u00e1vez, a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana n\u00e3o foi detida nem interrompida.<\/p>\n<p>Nos quatro pa\u00edses (Cuba, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Venezuela) o Estado norte-americano e seus aparatos de contrainsurg\u00eancia investem milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares para esmagar a rebeldia. Mas n\u00e3o conseguem. Por tr\u00e1s de suas bravatas de cowboys, seus filmes triunfalistas que nunca se concretizam na vida real e seus programas milion\u00e1rios de contrarrevolu\u00e7\u00e3o, que apenas servem para continuar endividando at\u00e9 o infinito o povo estadunidense, os generais do Pent\u00e1gono e seus financistas do complexo militar industrial continuam, como Pen\u00e9lope, tecendo e esperando em v\u00e3o.<\/p>\n<p>Fidel n\u00e3o morreu e o povo de Cuba permanece de p\u00e9 (a cada primeiro de maio Havana se pinta de povo). Os ind\u00edgenas zapatistas de Chiapas continuam intactos em seus gestos de rebeldia (suas juntas de bom governo se mant\u00eam ali, teimosas e obstinadas). Os rebeldes bolivarianos da Col\u00f4mbia n\u00e3o deixam de ganhar e aumentar o apoio popular (n\u00e3o tanto pela p\u00f3lvora, mas principalmente pela mobiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a do povo humilde e trabalhador). O povo bolivariano da Venezuela reafirma nas urnas e na rua que a pobreza n\u00e3o \u00e9 alternativa de nada (as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es voltaram a mostrar a superioridade do projeto de Ch\u00e1vez).<\/p>\n<p>Apesar de suas \u201cestrat\u00e9gias\u201d, o imperialismo rumina e n\u00e3o tem mais rem\u00e9dio que tragar essa qu\u00e1drupla derrota em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Para tentar remedi\u00e1-la e neutraliz\u00e1-la, a geopol\u00edtica estadunidense idealizou a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico. Uma tentativa tardia de voltar a implantar a vassalagem econ\u00f4mica monroista j\u00e1 fracassada com a ALCA. Essa \u00e9 hoje sua principal aposta em escala continental. Em paralelo, o Vaticano, eterno aliado fiel das administra\u00e7\u00f5es da Casa Branca, destaca um quadro pol\u00edtico populista como Bergoglio para disputar os processos sociais da regi\u00e3o, o consenso das massas populares e a hegemonia sobre a sociedade civil.<\/p>\n<p>Os programas de contrainsurg\u00eancia e \u201cseguran\u00e7a democr\u00e1tica\u201d, no plano pol\u00edtico militar, as alian\u00e7as comerciais no \u00e2mbito econ\u00f4mico e o conservadorismo populista da pr\u00e9dica papal no terreno ideol\u00f3gico, constituem uma tripla opera\u00e7\u00e3o de pin\u00e7as que amea\u00e7a o movimento popular de nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Nessa dif\u00edcil conjuntura se abre o ano de 2014. Nosso tempo \u00e9 um tempo de disputa, de pulso, de medi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre um projeto bolivariano continental de unidade das for\u00e7as populares e uma tentativa imperial e contrarrevolucion\u00e1ria de frear as transforma\u00e7\u00f5es latino-americanas.<\/p>\n<p>O futuro est\u00e1 aberto entre a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Ganhar\u00e1 quem conseguir articular maior hegemonia em escala continental. Estamos nessa batalha. Bol\u00edvar n\u00e3o semeou no mar.<\/p>\n<p>N\u00e9stor Kohan, membro da presid\u00eancia coletiva do Movimento Continental Bolivariano (MCB)<\/p>\n<p>Fonte:http:\/\/www.abpnoticias.org\/index.php\/hidden-editorial\/458-nuestra-america-hoy<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nEditorial ABP \u2013 2014\nN\u00e9stor Kohan\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5788\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-5788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1vm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}