{"id":579,"date":"2010-06-19T18:05:12","date_gmt":"2010-06-19T18:05:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=579"},"modified":"2010-06-19T18:05:12","modified_gmt":"2010-06-19T18:05:12","slug":"o-acordo-militar-entre-brasil-e-estados-unidos-significa-um-novo-avanco-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/579","title":{"rendered":"O ACORDO MILITAR ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS SIGNIFICA UM NOVO AVAN\u00c7O IMPERIAL"},"content":{"rendered":"\n<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe s\u00e3o as regi\u00f5es subcontinentais mais pac\u00edficas do mundo. Os conflitos b\u00e9licos ocorridos nos s\u00e9culos XIX e XX entre na\u00e7\u00f5es irm\u00e3s, foram parar no museu da hist\u00f3ria triste e disparatada. As guerras da independ\u00eancia foram guerras necess\u00e1rias, assim como s\u00e3o e ser\u00e3o necess\u00e1rias as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Ent\u00e3o, por que o Brasil, uma pot\u00eancia latino-americana, se lan\u00e7a numa carreira armamentista desenfreada, com um gasto superior aos 21 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares? Onde est\u00e3o os Estados inimigos do Brasil? Contra quem se arma? E o que \u00e9 mais grave e escandaloso, com que inten\u00e7\u00f5es firmou,\u00a0 em 12 de abril passado, um pacto de coopera\u00e7\u00e3o militar destinado a \u201caprofundar a coopera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como contatos t\u00e9cnicos, treinamento, investiga\u00e7\u00e3o e iniciativas comerciais relacionadas com seguran\u00e7a\u201d?<\/p>\n<p>Luiz In\u00e1cio \u201cLula\u201d da Silva, o Presidente da pot\u00eancia sul-americana, ao finalizar seu mandato, decidiu dar uma patada em seu pr\u00f3prio ventre, em seus pr\u00f3prios princ\u00edpios e em suas reiteradas cr\u00edticas ao imp\u00e9rio, por seus af\u00e3s de penetra\u00e7\u00e3o neocolonial em nossa Am\u00e9rica Latina e Caribe. Ordenou ao seu Ministro de Defesa, Nelson Jobim, que viajasse para Washington para firmar o \u201cConv\u00eanio de Coopera\u00e7\u00e3o Militar\u201d com seu\u00a0 par, o representante da Defesa norte-americana, Robert Gates.<\/p>\n<p>Atritando as m\u00e3os e lambendo os l\u00e1bios como gato que acaba de comer um rato, Robert Gates, Chefe do Pent\u00e1gono do governo do presidente Obama, por certo Pr\u00eamio Nobel da Paz, em uma roda de imprensa conjunta com seu parceiro brasileiro, declarava: &#8220;O acordo \u00e9 o reconhecimento formal dos muitos interesses e valores que compartilhamos, sendo as duas maiores democracias das Am\u00e9ricas&#8221;. De qu\u00ea vale que o Ministro de Defesa do Brasil, Nelson Jobim,\u00a0 explique que o conv\u00eanio n\u00e3o implica autoriza\u00e7\u00e3o do uso de bases ou a cess\u00e3o de direitos de passe ao pessoal norte-americano, algo que o diferenciaria do acordo firmado entre os Estados Unidos e a Col\u00f4mbia recentemente, que gerou fortes cr\u00edticas na regi\u00e3o, entre elas do mesmo governo brasileiro? Onde est\u00e1 a armadilha imperial?<\/p>\n<p>Aparentemente, Obama, ordenaria uma mudan\u00e7a radical da pol\u00edtica de conten\u00e7\u00e3o ao narcotr\u00e1fico. Reconheceria que os Estados Unidos possuem um grave problema de consumo e, portanto, o combate natural ao narcotr\u00e1fico iniciaria dentro de suas fronteiras, em campanhas de preven\u00e7\u00e3o e mediante o desenvolvimento de programas de sa\u00fade destinados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de seus 60 milh\u00f5es de drogados.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos devem combater suas m\u00e1fias narcotraficantes, os neg\u00f3cios da CIA e DEA, o neg\u00f3cio de muitas de suas tropas, incluindo avi\u00f5es e naves de guerra que transportam drogas ilegais de qualquer parte do mundo e, em especial, do Afeganist\u00e3o e Am\u00e9rica Latina. Em consequ\u00eancia, deve cessar sua pol\u00edtica militarista e agressiva contra nossos povos e abandonar, para sempre, as bases militares que mant\u00e9m na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Ao mesmo tempo, deve findar todos os tratados e conv\u00eanios de coopera\u00e7\u00e3o militar que governos entreguistas e vendedores de p\u00e1trias v\u00eam firmando com o imp\u00e9rio, com o reticente pretexto da luta contra o narcotr\u00e1fico e o terrorismo internacional.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos deve ser entendida como o velho sistema de penetra\u00e7\u00e3o neocolonial por meio das armas. Ao longo da hist\u00f3ria, o imp\u00e9rio desatou guerras de agress\u00e3o contra nossas p\u00e1trias, imp\u00f4s as mais cru\u00e9is e sanguin\u00e1rias ditaduras, instalou bases militares e organizou dezenas de \u201cmanobras militares conjuntas\u201d, com a finalidade de treinar e domesticar as for\u00e7as armadas locais nas guerras de contra-insurg\u00eancia, na ideologiza\u00e7\u00e3o para que defendam os interesses geopol\u00edticos norte-americanos, em cursos de especializa\u00e7\u00e3o em torturas e todo o tipo de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e, por meio da CIA, vem derrotando governos leg\u00edtimos, cometendo genoc\u00eddios e atentados, desparecendo com milhares de pessoas. N\u00e3o h\u00e1 crime que n\u00e3o tenha sido cometido pelo imp\u00e9rio contra nossos povos.<\/p>\n<p>Para qu\u00ea\u00a0 o Brasil firma um conv\u00eanio de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o militar\u201d com os Estado Unidos, o primeiro ap\u00f3s 30 anos de f\u00e9rrea defesa pela soberania?<\/p>\n<p>Claudia Zilla, polit\u00f3loga especializada em Am\u00e9rica Latina e investigadora da Funda\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia Pol\u00edtica (SWP), de Berlim, pensa que ainda \u00e9 muito cedo para poder avaliar adequadamente quais ser\u00e3o os benef\u00edcios concretos para ambas as partes.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, trata-se, em princ\u00edpio, de um \u201cacordo gen\u00e9rico, um grande guarda-chuva\u201d. Ou seja, um acordo mais relacionado com aspira\u00e7\u00f5es futuras do que com conte\u00fados definidos na atualidade. No contexto latino-americano, isto implica uma maior vincula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dos Estados Unidos com a Am\u00e9rica do Sul, assegura Claudia Zilla. Em sua opini\u00e3o, \u201cos EUA j\u00e1 gozam de uma forte presen\u00e7a na Col\u00f4mbia e com este acordo, estariam enviando um sinal de interesse ao Brasil e de preocupa\u00e7\u00e3o pela regi\u00e3o\u201d. Como seria positivo se o imp\u00e9rio deixasse de \u201cpreocupar-se\u201d com a Am\u00e9rica Latina e o Caribe&#8230;<\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o conv\u00eanio militar Estados Unidos-Brasil, deve ser entendido como um novo posicionamento do imp\u00e9rio no subcontinente ao pretender refor\u00e7ar a sua presen\u00e7a diminu\u00edda durante a administra\u00e7\u00e3o Bush.<\/p>\n<p>O estranho do acordo Brasil-Estados Unidos est\u00e1 em, justamente, ser firmado quando o Presidente do Brasil questiona as bases militares cedidas aos Estados Unidos pela Col\u00f4mbia. Al\u00e9m disso, Lula criticou a mobiliza\u00e7\u00e3o da IV Frota e as diferentes estrat\u00e9gias imperiais em nossa Am\u00e9rica Latina. Assegurou que a IV Frota jamais chegaria aos portos brasileiros e agora, com o conv\u00eanio, os navios de guerra da IV Frota e seus avi\u00f5es de combate poder\u00e3o entrar nos portos e aeroportos, naturalmente, com a \u201cpermiss\u00e3o\u201d do Brasil.<\/p>\n<p>O acordo n\u00e3o pode ser interpretado a partir da \u00f3tica de interesses comerciais entre Estados Unidos e Brasil para a compra e venda de armas, e sim como o desenvolvimento de objetivos estrat\u00e9gicos para a domina\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de Roselaine Wandscheer e Cristina Papaleo \u00e9 sustentado o que Claudia Zilla afirma, onde, sob o Governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, o Brasil, principal s\u00f3cio dos Estados Unidos na regi\u00e3o, embarcou na diversifica\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es exteriores (China, Ir\u00e3, R\u00fassia) e de sua coopera\u00e7\u00e3o militar. Em consequ\u00eancia, haveria uma esp\u00e9cie de troca no jogo de interesses armamentistas e geopol\u00edticos ou uma recomposi\u00e7\u00e3o dos interesses do Brasil na regi\u00e3o e nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, j\u00e1 que aspira ocupar um posto no Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Talvez por isso, destaca Zilla, o acordo implica uma inten\u00e7\u00e3o de cercamento por parte de Washington. Nesse contexto, a especialista recorda os interesses dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina e a intencionalidade de interferir na participa\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a na licita\u00e7\u00e3o brasileira para a compra de avi\u00f5es militares. Em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses vizinhos, a especialista considera importante evitar conflitos como os ocorridos com a instala\u00e7\u00e3o de bases militares norte-americanas na Col\u00f4mbia. A analista tem raz\u00e3o ao destacar que o acordo militar significa um passo adiante de Washington em seu interesse de recompor as\u00a0 desgastadas rela\u00e7\u00f5es com o \u201cp\u00e1tio traseiro\u201d, para alcan\u00e7ar, sem maiores problemas, seus objetivos de domina\u00e7\u00e3o neocolonial.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o Brasil deixou claro que o conv\u00eanio n\u00e3o implica uma autoriza\u00e7\u00e3o de uso de bases ou cess\u00e3o de direitos de passe ao pessoal norte-americano. No entanto, o Conv\u00eanio seria a reafirma\u00e7\u00e3o do pacto preexistente, confirmado por Jobim ao dizer: \u201cN\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos uma esp\u00e9cie de diplomacia militar com os Estados Unidos, por\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos um entendimento direto entre ambos os minist\u00e9rios de defesa\u201d. Agora, o Brasil j\u00e1 tem um \u201centendimento direto\u201d, porque o acordo promover\u00e1 a colabora\u00e7\u00e3o na investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento no campo militar, o apoio log\u00edstico de ambas for\u00e7as armadas, o treinamento e a organiza\u00e7\u00e3o de manobras conjuntas, assim como a facilita\u00e7\u00e3o de projetos comerciais. No artigo tr\u00eas do conv\u00eanio, sobre as \u201cgarantias\u201d, se diz que \u201cas partes se comprometem a respeitar os princ\u00edpios e prop\u00f3sitos b\u00e1sicos da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a Carta da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos\u201d, incluindo \u201cos de igualdade soberana dos Estados, integridade e inviolabilidade territorial e a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o em assuntos internos de outros Estados\u201d. \u00c9 uma reda\u00e7\u00e3o com a qual se espera apaziguar inquietudes expressas pela Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sul, UNASUR, que pediu uma \u201cexplica\u00e7\u00e3o\u201d ao Brasil. \u201cN\u00e3o creio que v\u00e1 representar uma mudan\u00e7a muito grande\u201d disse \u00e0 BBC Adam Isacson, diretor do Programa de Seguran\u00e7a Latino-Americana do Centro para a Pol\u00edtica Internacional, instituto de estudos internacionais situado em Washington. Para Isacson \u201co impacto ser\u00e1 mais t\u00e9cnico\u201d, pois \u201cpode facilitar a coordena\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es administrativas, como no caso dos exerc\u00edcios militares conjuntos\u201d. Em outras palavras, se abre o caminho para uma maior e melhor t\u00e9cnica de penetra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as?<\/p>\n<p>N\u00e3o se esquecer que \u201cBras\u00edlia e Washington vem tendo s\u00e9rias diferen\u00e7as recentemente no terreno das compras militares e no da estrat\u00e9gia geopol\u00edtica\u201d. Por um lado, o Brasil parece disposto a favorecer a empresa francesa Dassault, com o contrato de aquisi\u00e7\u00e3o dos novos ca\u00e7as para sua for\u00e7a a\u00e9rea, deixando de fora o F18 Super Hornet da norte-americana Boeing. Por outro lado, a Chancelaria brasileira segue sem se comprometer a votar a favor de novas san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3 no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, do qual o Brasil \u00e9, atualmente, membro rotativo.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a posi\u00e7\u00e3o expressa pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 que o impasse atual entre boa parte da comunidade internacional e o governo iraniano, no que diz respeito ao seu programa nuclear, pode ser \u201cresolvido mediante o di\u00e1logo\u201d, informava a BBC Mundo. Por\u00e9m, por isso mesmo, \u00e9 altamente suspeito que tenha firmado um acordo de coopera\u00e7\u00e3o militar, pese as diferen\u00e7as e por conta das decis\u00f5es e posturas internacionais da UNASUR.<\/p>\n<p>Claudia Zilla, ao se referir a outras \u201craz\u00f5es\u201d para que se tenha firmado o Conv\u00eanio, sublinha que a regi\u00e3o n\u00e3o abriga grupos terroristas que atuem globalmente de forma sistem\u00e1tica. Segundo ela, as amea\u00e7as transnacionais existentes na Am\u00e9rica Larina que irradiam efeitos ao resto do mundo, radicam bem mais no crime organizado, sobretudo, no relacionamento com o narcotr\u00e1fico. Poderia este acordo causar irrita\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses? Claudia Zilla pensa que n\u00e3o, j\u00e1 que \u201cnem a R\u00fassia, nem a China, nem o Ir\u00e3 possuem um &#8216;contrato de exclusividade com o Brasil&#8217;\u201d. Em consequ\u00eancia, o acordo de coopera\u00e7\u00e3o militar, ao ter objetivos de luta contra o narcotr\u00e1fico e o terrorismo internacional, necessariamente se deve concluir que esses dois fatores s\u00e3o o pretexto permanente e absoluto do imp\u00e9rio para penetrar em nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O mencionado pacto sustenta que respeitar\u00e1 a \u201cintegridade e inviolabilidade territorial\u201d e, eventualmente, poderia facilitar a venda de avi\u00f5es brasileiros aos Estados Unidos, que vem expressando a inten\u00e7\u00e3o de adquirir 200 avi\u00f5es de combate, tipo Tucano, fabricado pela empresa Embraer, do Brasil.<\/p>\n<p>Ao comentar sobre a assinatura do Conv\u00eanio de Coopera\u00e7\u00e3o Militar Brasil-Estados Unidos, o ministro do Com\u00e9rcio da Col\u00f4mbia, Luis Guillermo Plata, com uma alta dose de sarcasmo e, quem sabe, assumindo atribui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o lhe correspondam, disse o que muitos estavam pensando: \u201cAgora que o Brasil tem um acordo de defesa com os Estados Unidos, imagino que fechar\u00e1 o TLC com Brasil\u201d. O ministro, supostamente, se referia \u00e0 tormenta diplom\u00e1tica que se desatou no ano passado quando os Estados Unidos e a Col\u00f4mbia anunciaram um acordo similar, provocando reuni\u00f5es de emerg\u00eancia da UNASUR, declara\u00e7\u00f5es agressivas de v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o e, inclusive, o congelamento das rela\u00e7\u00f5es da Col\u00f4mbia com a Venezuela e a suspens\u00e3o do interc\u00e2mbio comercial.<\/p>\n<p>Para mais ironia, o an\u00fancio do acordo Estados Unidos-Brasil coincidiu com uma nova reuni\u00e3o da UNASUR, no Equador, sobre a luta contra as drogas. Por\u00e9m, como se esperava, o debate sobre o conv\u00eanio colombo-norte-americano foi retomado. Segundo o jornalista Sergio G\u00f3mez, tr\u00eas aspectos diferenciam o acordo com o Brasil do colombiano: n\u00e3o h\u00e1 acesso dos Estados Unidos \u00e0s bases brasileiras, tampouco se prev\u00ea a presen\u00e7a permanente de pessoal militar deste pa\u00eds e n\u00e3o se negociou uma cl\u00e1usula de imunidade para proteger da justi\u00e7a local os militares que tenham cometido delitos.<\/p>\n<p>Com o objetivo de debilitar a posi\u00e7\u00e3o da UNASUR a respeito dos fins pac\u00edficos da organiza\u00e7\u00e3o e de sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de bases estrangeiras, este Conv\u00eanio \u00e9 um golpe baixo para pa\u00edses como a Venezuela, Bol\u00edvia, Equador ou Nicar\u00e1gua, que n\u00e3o se cansam de denunciar o \u201cintervencionismo ianque\u201d na regi\u00e3o e que enxergam neste tipo de acordo, planos de domina\u00e7\u00e3o imperial. Como expressou uma fonte do Pent\u00e1gono ao di\u00e1rio El Tiempo, trata-se de \u201calgo enorme\u201d, sem compara\u00e7\u00e3o com nada visto nas \u00faltimas tr\u00eas de d\u00e9cadas. De fato, \u00e9 o primeiro acordo formal que realizam desde 1977, manifestava G\u00f3mez Masseri dessa publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra fonte do Departamento de Estado argumentava que era algo que os Estados Unidos vinham buscando \u201ch\u00e1 anos\u201d e que estreitar\u00e1 como nunca antes as rela\u00e7\u00f5es militares. S\u00f3 precisamos lembrar para entender porqu\u00ea. Ainda que os norte-americanos advirtam que se trata de um acordo \u201cmenor\u201d em seu alcance, se o comparamos com o colombiano, trata-se tamb\u00e9m de um DCA (Defense Cooperation Agreement), que \u00e9 similar em seu esp\u00edrito e natureza \u00e0 dezenas de conv\u00eanios que os Estados Unidos v\u00eam firmando com outros pa\u00edses no mundo, com a pretens\u00e3o de estender por toda a terra seu dom\u00ednio militar.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio insistir que a ess\u00eancia desse Conv\u00eanio \u00e9 outra ponta da lan\u00e7a imperial na Am\u00e9rica do Sul. N\u00e3o \u00e9 segredo que Washington busca apropriar-se dos recursos naturais da Amaz\u00f4nia e, em especial, das maiores reservas de \u00e1gua doce do mundo, oxig\u00eanio e biodiversidade. O \u201cgrande guarda-chuva gen\u00e9rico\u201d, como disse o Brasil, busca \u201caperfei\u00e7oar a coopera\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente e futura em visitas de delega\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel, contatos t\u00e9cnicos, encontros de institui\u00e7\u00f5es, interc\u00e2mbios estudantis e pessoal de treinamento, visitas de navios e eventos desportivos e culturais\u201d. Assim mesmo, contemplar\u00e1 \u201ciniciativas comerciais relacionadas \u00e0 defesa\u201d e \u201cprogramas e projetos de tecnologia de defesa\u201d. Deve-se compreender que esse \u201cgrande guarda-chuva\u201d serve aos Estados Unidos para ocultar suas \u00e2nsias neocoloniais. O Brasil facilita o imp\u00e9rio com esse acordo e Lula vem traindo a si mesmo ao permitir que a IV Frota, com todo seu poderio b\u00e9lico, ingresse em seus portos e aeroportos.<\/p>\n<p>&#8220;Este acordo \u2013 disse o subsecret\u00e1rio de Estado para o Hemisf\u00e9rio Ocidental, Roger Noriega \u2013 \u00e9 excepcional e era esperado h\u00e1 muitos anos. N\u00e3o \u00e9 a resposta a uma amea\u00e7a espec\u00edfica, mas sim o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o institucional\u201d. Segundo Noriega, o mais importante \u00e9 que demonstra que estes tipos de acordos \u201cs\u00e3o normais\u201d e que o Brasil entende que a coopera\u00e7\u00e3o em defesa com os Estados Unidos, \u00e9 natural e beneficente, pois serve aos seus interesses de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o acredito que o Brasil tenha temor algum de uma rea\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez. A mensagem central \u00e9 que cada pa\u00eds se reserva o direito de estabelecer as rela\u00e7\u00f5es que mais convierem em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a\u201d, disse Noriega. Os Estados Unidos, como sempre, colocam em pr\u00e1tica o velho princ\u00edpio de todos os imp\u00e9rios: Divida e reinar\u00e1s.<\/p>\n<p>Por um acaso o Brasil tem problemas de seguran\u00e7a nacional? De que amea\u00e7a a seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos fala? Algum pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma amea\u00e7a para a seguran\u00e7a do imp\u00e9rio? N\u00e3o existe nenhuma amea\u00e7a aos Estados Unidos na regi\u00e3o, a n\u00e3o ser o desejo intr\u00ednseco dos povos da Am\u00e9rica Latina de livrar-se das garras imperiais. Lula sabe perfeitamente que esse Conv\u00eanio s\u00f3 servir\u00e1 aos interesses geopol\u00edticos dos Estados Unidos e, sem d\u00favida, se submeteu ao imp\u00e9rio. Assim, se converteu em outro l\u00edder subjugado, caindo, com estranha mansid\u00e3o, numa das tantas armadilhas da Casa Branca.<\/p>\n<p>Lula deixou sem ch\u00e3o o empenho da UNASUR, em particular, da Venezuela, Nicar\u00e1gua, Equador, Bol\u00edvia, Argentina, em sua firme posi\u00e7\u00e3o contra a penetra\u00e7\u00e3o militar norte-americana na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>O acordo vai, pouco a pouco, permitir o treinamento conjunto de ambos ex\u00e9rcitos, centrando-se na luta contra o narcotr\u00e1fico, em projetos compartilhados relacionados com a tecnologia da defesa, em interc\u00e2mbios de estudantes e visitas de delega\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel. Al\u00e9m disso, este acordo permitir\u00e1 um melhor posicionamento da empresa brasileira Embraer na licita\u00e7\u00e3o que o Pent\u00e1gono abriu para comprar uns 200 avi\u00f5es de guerra. Assim mesmo, este pacto promove maiores oportunidades aos Estados Unidos de vender insumos militares, \u00e0 frente de seu maior competidor, a Fran\u00e7a, que em outubro passado acordou com o Brasil uma milion\u00e1ria venda de armamento, defende Maximiliano Sbarbi Osuna, na AP.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que existem diferen\u00e7as com o tratado colombiano, por\u00e9m por que o atual subsecret\u00e1rio norte-americano, Arturo Valenzuela, manifestou que o tratado assinado por Washington com o Brasil \u00e9 similar ao colombiano, j\u00e1 que em ambos casos aponta a modernizar a capacidade militar destes dois pa\u00edses sul-americanos? Al\u00e9m disso, acrescentou que sim, existe uma amea\u00e7a espec\u00edfica enfrentada pelo Brasil: o crescimento do narcotr\u00e1fico. Por isso, os Estados Unidos estar\u00e3o ali \u201cpara ajudar a erradic\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>Estas frases foram as que levantaram as suspeitas de que o acordo vai mais al\u00e9m do que o governo brasileiro anunciou. Contudo, se diferencia da inger\u00eancia direta que se promove na Col\u00f4mbia. Talvez o motivo mais importante do tratado seja a poss\u00edvel aquisi\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es Boeing por 4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por parte da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira.<\/p>\n<p>Durante 2009, Washington e Bras\u00edlia tiveram importantes atritos, como por exemplo, o golpe em Honduras, o acordo militar com a Col\u00f4mbia, a postura frente o programa nuclear iraniano e, no in\u00edcio deste ano, por conta da a\u00e7\u00e3o das tropas norte-americanas no Haiti.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a principal controv\u00e9rsia \u00e9 a disparidade comercial, devido ao fato de que Washington subsidia ind\u00fastrias que elaboram os mesmos produtos que o Brasil vende aos Estados Unidos, em clara viola\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>O algod\u00e3o, o a\u00e7\u00facar e a carne brasileiras s\u00e3o prejudicados. Por isso, o Brasil \u201canunciou que vai tomar medidas de repres\u00e1lia ao subir as taxas alfandeg\u00e1rias aos produtos procedentes dos Estados Unidos\u201d. O tratado militar poder\u00e1, eventualmente, diminuir as tens\u00f5es diplom\u00e1ticas e, se o Brasil firmou esse conv\u00eanio para melhorar as rela\u00e7\u00f5es comerciais, uma vez mais, o fator d\u00f3lar estaria por cima da soberania nacional.<\/p>\n<p>Talvez seja isso, j\u00e1 que o minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brasileiro divulgou um comunicado para explicar alguns dos aspectos do conv\u00eanio, que \u201cpermitir\u00e1 fortalecer o di\u00e1logo e abrir novas perspectivas de coopera\u00e7\u00e3o, sobre bases equilibradas e mutuamente ben\u00e9ficas\u201d. A nota acrescentou que se trata de \u201caperfei\u00e7oar a coopera\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente e futura, em \u00e1reas como visitas de delega\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel, contatos t\u00e9cnicos, encontros de institui\u00e7\u00f5es, interc\u00e2mbio de estudantes e pessoal de treinamento, visitas de navios e eventos desportivos e culturais\u201d.<\/p>\n<p>O novo acordo \u00e9 \u201cmais uma iniciativa do Brasil\u201d, \u201cmais inocente\u201d e \u201cmuito mais limitado\u201d, assinalou \u00e0 AFP o presidente do Centro de Estudos Di\u00e1logo Interamericamo, Michael Shifter. Segundo a mesma ag\u00eancia de imprensa, \u201co Brasil foi muito mais cuidadoso em evitar alguns dos elementos mais provocadores do acordo colombiano, como aceitar soldados norte-americanos ou eximi-los da jurisdi\u00e7\u00e3o da Corte Penal Internacional\u201d, expressou Evan Ellis, professor do Centro de Estudos de Defesa Hemisf\u00e9ricos. O texto que se firmou em 12 de abril passado, aparentemente, se concentra em \u201cassuntos pragm\u00e1ticos que facilitam o Brasil a fazer projetos com os Estados Unidos, onde decida e, de nenhuma maneira, constitui um compromisso a uma &#8216;alian\u00e7a&#8217; militar ou pol\u00edtica\u201d, apontou Ellis. A verdade \u00e9 que, at\u00e9 agora, n\u00e3o se sabe nada sobre o verdadeiro alcance do acordo assinado entre Brasil e Estados Unidos. Por\u00e9m, \u00e9 l\u00f3gico prever que esse conv\u00eanio s\u00f3 servir\u00e1 ao interesse imperial.<\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o acordo, mesmo que seja ben\u00e9fico para o Brasil, se constitui em outra amea\u00e7a para a paz, a estabilidade e o progresso soberano e independente da Am\u00e9rica Latina. Por acaso, o Brasil por ter se\u00a0 convertido em l\u00edder regional e em uma voz terceiro-mundista, \u00e9 imune \u00e0s cr\u00edticas regionais ou aos af\u00e3s colonizadores dos Estados Unidos?<\/p>\n<p>Qualquer base militar norte-americana na Am\u00e9rica Latina e o Caribe ou qualquer acordo de \u201ccoopera\u00e7\u00e3o militar\u201d \u00e9 uma espada de D\u00e2mocles, com peso espec\u00edfico sobre a cabe\u00e7a de nossos povos. \u00c9 raz\u00e3o suficiente para opor resist\u00eancia e ostensivo recha\u00e7o por parte de todos os povos, na\u00e7\u00f5es livres e democr\u00e1ticas que n\u00e3o merecem atitudes claudicantes como as que acaba de exemplificar e manter o governo de Luiz In\u00e1cio \u201cLula\u201d da Silva, \u00e0s costas do heroico povo do Brasil.<\/p>\n<p>Correio eletr\u00f4nico: tribunalpazecuador@yahoo.com<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.estadao.com.br\n\n\n\n\n\n\n\n\nQuarta-feira, 7 de junho de 2010 por CEPRID\nTRIBUNAL DIGNIDADE, SOBERANIA, PAZ CONTRA A GUERRA\nCEPRID\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/579\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9l","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}