{"id":5797,"date":"2014-01-09T21:08:39","date_gmt":"2014-01-09T21:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5797"},"modified":"2014-01-09T21:08:39","modified_gmt":"2014-01-09T21:08:39","slug":"as-amarras-da-ue-dos-monopolios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5797","title":{"rendered":"As amarras da UE dos monop\u00f3lios"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por Vladimir Nesterov<a href=\"http:\/\/resistir.info\/europa\/sem_futuro_29dez13_p.html#asterisco\" target=\"_blank\">*<\/a><\/strong><\/p>\n<p>No passado Ver\u00e3o o bom humor prevaleceu em Bruxelas. Quando o Eurostat publicou o seu relat\u00f3rio estat\u00edstico para o segundo trimestre, ficou-se a saber que a economia da zona euro tinha crescido, apesar das expectativas pessimistas de alguns especialistas. Nada de significativo, claro \u2013 em 0,3% e mesmo isso, gra\u00e7as principalmente a uma certa recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica na Alemanha e em Fran\u00e7a. O crescimento das maiores economias da Europa foi equivalente a 0,7% e a 0,5%, respectivamente, em termos anuais. Foi previsto que o PIB da Alemanha iria crescer mais 0,5% no final do ano. Evidentemente o PIB da zona euro, que baixou por causa dos &#8220;pa\u00edses problem\u00e1ticos&#8221; do Sul da Europa, tamb\u00e9m iria descer nos mesmos 0,5%.<\/p>\n<p>De qualquer modo, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, apressou-se a anunciar que &#8220;se ultrapassara o ponto baixo da crise financeira na Europa&#8221; e o presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Jos\u00e9 Manuel Barroso, proclamou que &#8220;a UE est\u00e1 a passar de uma pol\u00edtica de crise para uma pol\u00edtica de crescimento&#8221;. E tudo isto foi acontecendo enquanto os especialistas continuavam a dizer que \u00e9 demasiado cedo para come\u00e7armos a regozijar-nos quanto ao &#8220;crescimento&#8221;. Por exemplo, Guntram Wolff, director do centro anal\u00edtico Bruegel, afirmou nessa altura, &#8220;Os n\u00fameros do crescimento em toda a Europa ainda s\u00e3o demasiado baixos para permitir inverter a situa\u00e7\u00e3o no mercado do emprego. As taxas de desemprego v\u00e3o continuar a manter-se altas no Sul da Europa no pr\u00f3ximo ano. Vai demorar algum tempo antes de assistirmos a um al\u00edvio nessa \u00e1rea\u2026 Penso que o investimento p\u00fablico \u00e9 especialmente importante na Alemanha, que tem uma das quotas mais baixas na UE. \u00c9 surpreendente que num pa\u00eds onde o dinheiro dos empr\u00e9stimos contra\u00eddos \u00e9 t\u00e3o barato, os investimentos sejam t\u00e3o baixos. Na Alemanha em especial h\u00e1 algum d\u00e9fice no que se refere a infra-estruturas p\u00fablicas. Nalgumas regi\u00f5es, como a do Ruhr, \u00e9 evidente que os investimentos p\u00fablicos est\u00e3o a ficar para tr\u00e1s&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, nem Berlim nem Bruxelas est\u00e3o preparados para esta mudan\u00e7a dos acontecimentos. Claro, o BCE tentou tomar algumas medidas, por exemplo, baixando a taxa de desconto para 0,25%. Mas a Alemanha, que tem a economia mais forte da Europa, n\u00e3o aumentou os investimentos de acordo com a iniciativa do BCE. Submetendo-se \u00e0 vontade de Berlim, houve outros pa\u00edses que fizeram a mesma coisa.<\/p>\n<p>Vendo a pol\u00edtica financeira dos seus governos, os empres\u00e1rios tamb\u00e9m aderiram ao jogo do &#8220;dinheiro barato&#8221;. Come\u00e7aram a investir, mas em imobili\u00e1rio, e n\u00e3o no sector real. Isso aconteceu em Fran\u00e7a, na Alemanha e noutros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Um Novembro s\u00f3brio <\/strong><\/p>\n<p>O optimismo do Ver\u00e3o dos funcion\u00e1rios de Bruxelas evaporou-se em Novembro passado. No final do terceiro trimestre, o crescimento econ\u00f3mico da zona euro revelou-se ilus\u00f3rio \u2013 foi apenas de 0,1% (!). Ou seja, a crise n\u00e3o tinha desaparecido; mantivera-se apenas em baixo a fim de voltar a rebentar com nova for\u00e7a. O terceiro trimestre desmentiu a no\u00e7\u00e3o generalizada de uma &#8220;Europa a duas velocidades&#8221;, segundo a qual, enquanto no Sul da Europa n\u00e3o h\u00e1 crescimento, ele existe sem sombra de d\u00favida no Norte. Nada pode estar mais longe da verdade; nenhum pa\u00eds na zona do euro pode actualmente gabar-se de um crescimento significativo. Mesmo na Alemanha, o crescimento do PIB foi ridiculamente modesto \u2013 0,3%, ou 1,3% em termos anuais. E possivelmente nem v\u00e3o acabar com estes 1,3%. A verdade \u00e9 que em Setembro a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ara a diminuir. E o quarto trimestre come\u00e7ou de modo extremamente fraco; em Outubro o volume da produ\u00e7\u00e3o industrial da Alemanha foi 1,2% mais baixo do que em Setembro. A produ\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o baixou em 1,1%, a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital diminuiu em 3% e o fabrico de bens consum\u00edveis duradouros diminuiu em 4,5%.<\/p>\n<p>&#8220;A economia alem\u00e3 n\u00e3o conseguiu fazer um bom arranque no quarto trimestre. Os neg\u00f3cios ainda est\u00e3o emperrados por falta de investimento. Isso indica uma posi\u00e7\u00e3o bastante cautelosa para a actividade de investimento nos pr\u00f3ximos meses&#8221;, disse o economista do Commerzbank, Ralph Solveen, comentando os recentes acontecimentos.<\/p>\n<p>Afinal, tudo tem a ver com o reduzido poder de compra na Europa e no resto do mundo, provocado pela crise. Para a economia alem\u00e3, que se centra na exporta\u00e7\u00e3o, os tempos s\u00e3o dif\u00edceis. Vale a pena observar que em Novembro na cimeira China-UE em Beijing, nem os alem\u00e3es nem os outros europeus, que est\u00e3o habituados a criticar o governo chin\u00eas por &#8220;viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos&#8221;, disseram uma \u00fanica palavra sobre este t\u00f3pico. E \u00e9 compreens\u00edvel: quer os alem\u00e3es gostem ou n\u00e3o da forma como os chineses fazem as coisas, n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro consumidor dos seus produtos t\u00e3o grande como a China, e dificilmente aparecer\u00e1 outro.<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o correm melhor nos pa\u00edses mais pequenos da zona do euro. A \u00c1ustria conseguiu regressar a um insignificante crescimento de 0,2%. A Holanda compensou uma queda na primeira metade do ano, apresentando um crescimento de 0,3%. A Finl\u00e2ndia atingiu um crescimento de 0,4%. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve altera\u00e7\u00f5es significativas para melhor no &#8220;problema&#8221; do Sul da Europa. O crescimento em Espanha \u00e9 microsc\u00f3pico; a It\u00e1lia ainda n\u00e3o est\u00e1 a crescer e desde o in\u00edcio da crise o seu PIB reduziu-se em 25% (!). Na Gr\u00e9cia o decl\u00ednio continua como habitualmente, apesar de n\u00e3o t\u00e3o rapidamente como anteriormente.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Fran\u00e7a, as pessoas pensam agora que o &#8220;doente cr\u00f3nico&#8221; da Europa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a Gr\u00e9cia, mas o seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Uma redu\u00e7\u00e3o de 0.1% no PIB provocou uma esp\u00e9cie de stress nacional. Afinal, tanto o gaullista Nicolas Sarkozy como o socialista Fran\u00e7ois Hollande reduziram continuamente as despesas sociais, aumentaram os impostos existentes e introduziram outros. Em consequ\u00eancia, o desemprego aumentou no terceiro trimestre deste ano; entre os jovens, segundo dados para Setembro, manteve-se ao n\u00edvel dos 25%.<\/p>\n<p>Entre os problemas econ\u00f3micos na Europa, a pobreza est\u00e1 a avan\u00e7ar rapidamente. Segundo soci\u00f3logos do Eurostat, em 2012 havia 124,5 milh\u00f5es de pessoas no limiar da pobreza. A pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 na Bulg\u00e1ria, onde a pobreza e o isolamento social amea\u00e7am a metade (!) da popula\u00e7\u00e3o. Logo a seguir \u00e0 Bulg\u00e1ria v\u00eam a Rom\u00e9nia e a Let\u00f3nia, onde 42% e 37% dos residentes, respectivamente, est\u00e3o em risco de pobreza. Na Litu\u00e2nia, a pobreza amea\u00e7a 33% da popula\u00e7\u00e3o, na Pol\u00f3nia 27,2% e na Est\u00f3nia 23,1%. Tamb\u00e9m temos de mencionar a It\u00e1lia entre esses pa\u00edses; embora a percentagem de pessoas pobres n\u00e3o seja t\u00e3o grande (29,2%), em termos absolutos, chegam aos 18,2 milh\u00f5es de pessoas. Os italianos formam a maior massa de pobres na Europa.<\/p>\n<p><strong>Do eurocepticismo ao pessimismo total <\/strong><\/p>\n<p>A crise da d\u00edvida que j\u00e1 vai no quinto ano na Europa e as severas medidas de austeridade que tiveram que ser introduzidas em todos os pa\u00edses europeus est\u00e3o a provocar o aumento do euroceptismo, n\u00e3o s\u00f3 na periferia da Europa, mas em pa\u00edses relativamente pr\u00f3speros como a Alemanha e a \u00c1ustria.<\/p>\n<p>Os resultados de uma sondagem realizada no final de Agosto \u2013 in\u00edcio de Setembro de 2013 pela firma francesa de marketing IFOP mostram um aumento abrupto no n\u00famero de euroc\u00e9pticos nas quatro economias de topo da zona euro: Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Espanha. A principal pergunta que foi feita a alem\u00e3es, franceses, italianos e espanh\u00f3is foi se eles achavam que ser membro da Uni\u00e3o Europeia lhes era vantajoso. 37% dos residentes al\u00e9m Piren\u00e9us acham que ser membro da UE s\u00f3 traz problemas a Espanha (um ano antes s\u00f3 26% em Espanha eram euroc\u00e9pticos). Em Fran\u00e7a o n\u00famero dos que est\u00e3o descontentes com o facto de o seu pa\u00eds ser membro da Uni\u00e3o Europeia aumentou de 38% em 2012 para 43% neste momento. Na Alemanha, 44% da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o contra ser membro duma Europa unida (h\u00e1 um ano os euroc\u00e9pticos na Alemanha eram 36%). O maior n\u00famero de euroc\u00e9pticos est\u00e1 na It\u00e1lia, onde 45% dos cidad\u00e3os n\u00e3o v\u00eaem quaisquer benef\u00edcios em fazer parte da Uni\u00e3o Europeia\u2026<\/p>\n<p>Juntamente com o eurocepticismo, as almas dos residentes do Velho Mundo est\u00e3o cada vez mais pessimistas. As pessoas est\u00e3o a perder a esperan\u00e7a e a f\u00e9 no futuro. Segundo dados do Centro Americano de Investiga\u00e7\u00e3o Pew, que efectuou um estudo sobre este t\u00f3pico na Primavera de 2013, apenas 28% dos alem\u00e3es, 17% dos brit\u00e2nicos, 14% dos italianos e 9% dos franceses acreditam que os seus filhos v\u00e3o viver melhor do que as gera\u00e7\u00f5es anteriores. O que ainda \u00e9 mais interessante \u00e9 que o pessimismo no ocidente contrasta profundamente com o optimismo nos pa\u00edses em desenvolvimento; 82% dos chineses, 59% dos indianos e 65% dos nigerianos acreditam num futuro melhor.<\/p>\n<p>Obviamente, os especialistas que acreditam que a Europa est\u00e1 a perder a sua antiga posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a como locomotiva de progresso, t\u00eam raz\u00e3o. Chegou a \u00e9poca de novas civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>29\/Dezembro\/2013<\/p>\n<p><strong>*Economista. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.strategic-culture.org\/news\/2013\/12\/29\/a-europe-without-a-future.html\" target=\"_blank\">www.strategic-culture.org\/news\/2013\/12\/29\/a-europe-without-a-future.html<\/a> .<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nUma Europa sem futuro\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5797\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5797","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1vv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5797\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}