{"id":580,"date":"2009-03-26T18:49:00","date_gmt":"2009-03-26T18:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=580"},"modified":"2017-08-24T04:53:37","modified_gmt":"2017-08-24T07:53:37","slug":"as-diferencas-entre-pcb-e-pcdob","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/580","title":{"rendered":"As diferen\u00e7as entre PCB e PCdoB"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/c5LxEo6sf45UQ7dYIBdd-kpsbpDlYe-p6p5kULXzcNI46yLIZsE7QnNOZcZdv3XFuaq-tidDwZGW_znRxDz461J6XJoNWn6IZR_NvtkC4_HnRiIn2p-tGxgDPi0lPtc_WqtBPL_7-ppQ3VRxMeC61K0zRHs0mbLI2_uCphfb9uBW2Gjw9JWuV9dtEFd2CRkDd6YrHAVdE3Hh5gxa3ReEUXSg93oQpQO4aVfbn498eeRRZR5z1HN0yfKHidRXuMqeAKQtmWAPMxwHZ35gXTksIo4iPOKUV2OGQh41lerdGtM3jun4CbXtQTLJq0z3aBeNAhY_KViAdXeAegunR_9CCJAetaGFEz8Hi-OKtbvL8RPk2YdXaFN8tSbKW1OLlw8F_cBK_P55ChU7FGgiQNzDTfSH7O-X9APnls8kKcGRCPCbKYZSaexcBTKBhpgbwU_1P9ZimGlRW835nsihQfEKnDh6vYtRR31ZFhtDTbdwgZ0s0sDNayYT1OecvwwaDZiPJnGYAEZuZYfblt-M4cpPvo4ddEB0XKWxJDelriu8KulrkL_X5J5lar0ZzYgTbgFMK4N5VBvK2YCC5b89GfMcIOIczwY3CiRTU05Kqy67SGz5gJ_DcnTnTOxj0NKyn0Q7FMPAQ-xNJGhUEdsDtGH1N730vMahku34xRXFvs7bmkpB_Q=w1512-h921-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Parte I <\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1 As Condi\u00e7\u00f5es Hist\u00f3ricas<\/strong><\/p>\n<p>1) Primeiro, \u00e9 necess\u00e1rio enfatizar o car\u00e1ter hist\u00f3rico desta quest\u00e3o. O PCB (Partido Comunista Brasileiro) \u00e9 o partido hist\u00f3rico dos comunistas brasileiros, reconhecido pela <em>Internacional Comunista<\/em> e pelos partidos comunistas que se alinhavam com a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Fundado em 1922, com o nome de Partido Comunista do Brasil e a sigla PCB, no in\u00edcio dos anos 60, em fun\u00e7\u00e3o da possibilidade de legaliza\u00e7\u00e3o e para evitar provoca\u00e7\u00f5es da direita, que afirmava ser o PCB apenas uma sucursal da Internacional Comunista, o partido trocou o nome de Partido Comunista <em>do Brasil<\/em> para Partido Comunista <em>Brasileiro<\/em>, de forma a enfatizar o car\u00e1ter nacional do Partido. Essa foi uma decis\u00e3o da absoluta maioria do partido visando a sua legaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2) A partir de relat\u00f3rio do XX Congresso do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (PC URSS), que denunciava os desvios \u00e0 legalidade socialista e o culto \u00e0 personalidade nos tempos de Stalin, ocorreu uma grande discuss\u00e3o no interior Partido, na \u00e9poca uma organiza\u00e7\u00e3o com cerca de 50 mil militantes em todo o Pa\u00eds. Um pequeno grupo de companheiros, inconformados com o apoio do partido ao <em>Relat\u00f3rio Kruschov<\/em> e com o documento conhecido como <em>Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o<\/em>, de 1958, no qual o partido adequava sua pol\u00edtica \u00e0s novas circunst\u00e2ncias, resolveu abandonar o PCB e criar outra legenda.<\/p>\n<p>3) Liderados por Mauricio Grabois, Jo\u00e3o Amazonas e Pedro Pomar lan\u00e7am a <em>Carta dos Cem<\/em> (<em>Em defesa do Partido<\/em>, assinada por cem militantes, em quatro Estados do Pa\u00eds) e iniciam a forma\u00e7\u00e3o de um outro partido. Vale ressaltar que esses companheiros foram derrotados no V Congresso do PCB, realizado em 1960, por ampl\u00edssima maioria. No entanto, ap\u00f3s a derrota, esses companheiros se apropriaram do nome anterior do PCB (Partido Comunista do Brasil), e colocaram no novo partido a sigla <em>PC do B<\/em>, que aparece pela primeira vez na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira \u2013 <em>isso em 1962<\/em>.<\/p>\n<p>4) Antes do golpe militar, em 1963, os dirigentes do novo PC do B tentaram o reconhecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas n\u00e3o obtiveram \u00eaxito. Da mesma forma, tentaram aproxima\u00e7\u00e3o com Cuba, tanto que foi exatamente Maur\u00edcio Grabois, o principal l\u00edder dos dissidentes, quem traduziu para o portugu\u00eas o cl\u00e1ssico <em>Guerra de Guerrilhas,<\/em> de Ernesto Che Guevara. Mesmo assim, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiram o apoio dos cubanos. Talvez seja por isso que em 1965 o PC do B tenha publicado um documento chamado <em>Resposta a Fidel,<\/em> acusando o l\u00edder cubano de aderir ao revisionismo sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p><strong>1.2 O golpe militar e o posicionamento dos partidos<\/strong><\/p>\n<p>5) Ap\u00f3s o golpe militar, esse pequeno grupo dissidente passou a alinhar-se \u00e0s teses do <em>Partido Comunista Chin\u00eas<\/em> e \u00e0 forma de luta com a qual os chineses derrotaram as for\u00e7as conservadoras naquele Pa\u00eds \u2013 <em>a guerra popular prolongada<\/em>, na qual o campo deveria cercar as cidades, sob a dire\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito popular de base camponesa. Foi baseado nestas teses que a dire\u00e7\u00e3o do PC do B desenvolveu a estrat\u00e9gia da guerrilha rural para o Brasil, mais conhecida como <em>Guerrilha do Araguaia.<\/em><\/p>\n<p>6) Esta nova pol\u00edtica foi sintetizada, em 1969, no documento <em>Guerra Popular \u2013 Caminho da Luta Armada no Brasil<\/em>, no qual afirmava a superioridade de sua estrat\u00e9gia sobre o foquismo ent\u00e3o vigente na maioria das organiza\u00e7\u00f5es que o praticavam na Am\u00e9rica Latina e previa a guerrilha e a cria\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio livre no interior do Brasil, a partir do qual faria a guerra popular prolongada contra a ditadura militar. Surpreendentemente, recente colet\u00e2nea publicada com os documentos do PC do B, de 1960 a 2000 (<em>Em Defesa dos Trabalhadores e do Povo Brasileiro)<\/em>, os editores do PC do B omitiram este documento, talvez por temerem que seu posicionamento do passado pudesse atrapalhar sua linha pol\u00edtica atual.<\/p>\n<p>7) Ainda na primeira metade da d\u00e9cada de 60, a dire\u00e7\u00e3o do PC do B enviou quadros para realizar treinamento militar na China e se transformou no representante oficial do maoismo no Brasil. A partir da segunda metade dos anos 60, deslocou os primeiros militantes para a regi\u00e3o do Bico do Papagaio, no Sul do Par\u00e1, (uma \u00e1rea de conflitos e luta pela terra) para organizar a futura guerra de guerrilhas na regi\u00e3o, colocando em pr\u00e1tica sua nova linha pol\u00edtica.<\/p>\n<p>8) Vale ressaltar que nesse per\u00edodo o Brasil era um Pa\u00eds industrial, o \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d estava come\u00e7ando, a classe oper\u00e1ria aumentando exponencialmente, o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o acelerando-se com a intensa migra\u00e7\u00e3o do campo para a cidade e a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o vivia nas grandes metr\u00f3poles. Enquanto isso, os companheiros do PC do B tinham uma avalia\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds inteiramente diferente, na verdade um profundo desconhecimento da realidade brasileira.<\/p>\n<p>9) Em sua resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de 1967 afirmavam o seguinte: \u201c<em>A t\u00e1tica do partido exige que sua atividade se realize fundamentalmente no interior do Pa\u00eds. Isso \u00e9 determinante n\u00e3o s\u00f3 pelo fato de que os homens do campo constituem a for\u00e7a b\u00e1sica da revolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque o interior \u00e9 o cen\u00e1rio mais favor\u00e1vel \u00e0 luta armada (\u2026) Nele reside o maior potencial revolucion\u00e1rio do Pa\u00eds. A quase totalidade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre e vive em condi\u00e7\u00f5es dific\u00edlimas. Esta sofrida e vasta popula\u00e7\u00e3o do interior \u00e9 que constitui a mola real da revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>10) No mesmo documento o PC do B procurava diferenciar suas posi\u00e7\u00f5es da linha pol\u00edtica do PCB<em>. \u201cA frente \u00fanica defendida pelo partido reformista (se referia ao PCB) \u00e9 tipicamente reformista. Decorre da concep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel libertar o Pa\u00eds gradualmente pelo caminho pac\u00edfico (\u2026) O partido reformista trata de alcan\u00e7ar algumas liberdades democr\u00e1ticas, elei\u00e7\u00f5es diretas, etc. Ao contr\u00e1rio, a frente \u00fanica preconizada pelo PC do B deriva da concep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se pode livrar o Pa\u00eds do imperialismo e da rea\u00e7\u00e3o sem a derrubada violenta do poder das atuais classes dominantes\u201d. <\/em><\/p>\n<p>11) Ressalte-se que o Brasil conquistou a democracia pela via pac\u00edfica, atrav\u00e9s da Frente Democr\u00e1tica, com os limites e debilidades pr\u00f3prios da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na sociedade brasileira, a guerrilha do Araguaia foi aniquilada e quase todos os seus her\u00f3icos integrantes (quase todos jovens estudantes) foram massacrados pelas For\u00e7as Armadas, muitos dos quais assassinados ap\u00f3s serem capturados vivos. No entanto, surpreendentemente, o PC do B n\u00e3o realizou no per\u00edodo qualquer balan\u00e7o cr\u00edtico ou autocr\u00edtico dessa estrat\u00e9gia de luta.<\/p>\n<p><strong>1.3 A<\/strong> <strong>fus\u00e3o com a A\u00e7\u00e3o Popular (AP)<\/strong><\/p>\n<p>12) A partir do final da d\u00e9cada de 60 o PC do B come\u00e7ou as primeiras discuss\u00f5es com um grupo pol\u00edtico de origem crist\u00e3, a <em>A\u00e7\u00e3o Popular (AP),<\/em> que tamb\u00e9m na \u00e9poca estava muito influenciado pelas teses de Mao-Tse-Tung. Essa aproxima\u00e7\u00e3o posteriormente iria mudar radicalmente o destino do PC do B. Oriundo da esquerda cat\u00f3lica, com forte influ\u00eancia no movimento estudantil universit\u00e1rio e secundarista e com trabalho pol\u00edtico no movimento campon\u00eas, em fun\u00e7\u00e3o de suas liga\u00e7\u00f5es com a igreja cat\u00f3lica, a <em>A\u00e7\u00e3o Popular<\/em> tamb\u00e9m simpatizava com as teses maoistas de Guerra Popular Prolongada. Ao abandonar o cristianismo, a AP encontrou no mao\u00edsmo a nova bandeira para preencher seu vazio ideol\u00f3gico e no PC do B o irm\u00e3o mais velho que realizava a caminhada segura rumo \u00e0 luta armada.<\/p>\n<p>13) \u00c9 importante frisar que a <em>A\u00e7\u00e3o Popular<\/em> era um agrupamento pol\u00edtico muito maior que o PC do B, com uma base social na cidade e no campo que o PC do B n\u00e3o possu\u00eda. A simpatia pelo mao\u00edsmo serviu para aprofundar as discuss\u00f5es, aparar arestas e buscar identidades. Esse processo culminou com a decis\u00e3o da maioria AP de se incorporar ao PC do B em 1973. Ressalte-se que inicialmente a dire\u00e7\u00e3o do PC do B manifestou resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fus\u00e3o com a <em><strong>A\u00e7\u00e3o Popular<\/strong><\/em> porque considerava esta organiza\u00e7\u00e3o pequeno burguesa e inconseq\u00fcente do ponto de vista da luta armada. Esta avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 no documento <em>(Acerca da Proposta da AP) <\/em>&#8211; tamb\u00e9m surpreendentemente omitido na citada colet\u00e2nea de documento do PC do B &#8211;<em>,<\/em> onde se avaliava que a estrat\u00e9gia das duas organiza\u00e7\u00f5es era diferente: o PC do B tinha uma estrat\u00e9gia etapista (nacional libertadora), enquanto a AP tinha como estrat\u00e9gia a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>14) Por influ\u00eancia dos chineses, que queriam um partido com maior influ\u00eancia pol\u00edtica e num\u00e9rica para se contrapor aos partidos de linha sovi\u00e9tica, a <em><strong>A\u00e7\u00e3o Popular<\/strong><\/em> rebaixou a sua estrat\u00e9gia, reconheceu o PC do B como leg\u00edtimo partido do proletariado brasileiro e incorporou no PC do B toda a sua estrutura nacional de organiza\u00e7\u00e3o, indicando ainda seus principais quadros para o Comit\u00ea Central do PC do B, o que prontamente foi aceito. Naquele momento os oriundos da AP equivaliam a um ter\u00e7o do Comit\u00ea Central do PC do B.<\/p>\n<p>15) Essa uni\u00e3o iria mudar os rumos do PC do B, especialmente ap\u00f3s a derrota da <em>Guerrilha do Araguaia. <\/em>Ali\u00e1s, a trag\u00e9dia da guerrilha foi dram\u00e1tica para os quadros hist\u00f3ricos do PC do B: o comandante militar da guerrilha, Mauricio Grabois, a principal lideran\u00e7a te\u00f3rica e pol\u00edtica do PC do B, morreu em combate. Posteriormente, em 1976, foram assassinados outros dois dirigentes hist\u00f3ricos, Pedro Pomar e \u00c2ngelo Arroyo, no epis\u00f3dio que ficou conhecido como <em>O Massacre da Lapa<\/em>. A derrota no Araguaia, as quedas de 1972, e as mortes na Lapa praticamente dizimaram a dire\u00e7\u00e3o mais experiente e hist\u00f3rica e com tradi\u00e7\u00e3o comunista do PC do B: para se ter uma id\u00e9ia, entre 1972 e 1976 o PC do B perdeu seus melhores quadros: Carlos <em>Danielli, Lincoln Oest, Luis Guilardini<\/em>, <em>Maur\u00edcio Grabois, Pedro Pomar, Armando Teixeira Frutuoso, \u00c2ngelo Arroyo, <\/em>todos assassinados pela repress\u00e3o, inclusive os quadro mais jovens do Comit\u00ea Central, como Jos\u00e9 Humberto Bronca e Paulo Rodrigues, morto no Araguaia e Lincoln Roque, assassinado pela repress\u00e3o em 1972.<\/p>\n<p>16) Os quadros hist\u00f3ricos mais experientes do Comit\u00ea Central foram morrendo posteriormente ou se afastando do partido. Em 1978, Jover Telles foi expulso do PC do B por ser considerado traidor da organiza\u00e7\u00e3o. Di\u00f3genes de Arruda C\u00e2mara, que esteve exilado em Portugal, morreu naturalmente logo ap\u00f3s ter voltado para o Brasil em 1979. Dessa forma, em 1979, a dire\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do PC do B j\u00e1 tinha praticamente desaparecido, restando apenas Jo\u00e3o Amazonas, Elza Monerat, Din\u00e9as Aguiar e Jos\u00e9 Duarte, este \u00faltimo afastado do PC do B pelo Comit\u00ea Central em 1987 por diverg\u00eancias com a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>17)A partir da\u00ed, os militantes oriundos da <em>A\u00e7\u00e3o Popular<\/em> passaram a controlar os principais postos de dire\u00e7\u00e3o no PC do B, a sua pol\u00edtica e sua concep\u00e7\u00e3o de partido. Progressivamente, os antigos militantes do PC do B foram morrendo ou se afastando da organiza\u00e7\u00e3o por divergir dos rumos pol\u00edticos tomados pelo PC do B sob nova dire\u00e7\u00e3o, tanto que hoje resta apenas um dirigente no Comit\u00ea Central oriundo do antigo PC do B de 1962. Em outras palavras, <em>o PC do B virou a AP e a AP virou o PC do B<\/em>.<\/p>\n<p>18) Se mesmo com os quadros hist\u00f3ricos ainda vivos, o PC do B teve uma avalia\u00e7\u00e3o equivocada da realidade, com a emerg\u00eancia da <em>A\u00e7\u00e3o Popular<\/em> \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PC do B, o comportamento dessa organiza\u00e7\u00e3o se tornou err\u00e1tico. Em 1978, o PC do B reformulou profundamente sua linha pol\u00edtica, mas sem sequer uma palavra autocr\u00edtica sobre as posi\u00e7\u00f5es do passado. Em sua confer\u00eancia de 1978, passou a ter como centro da t\u00e1tica a luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e a constru\u00e7\u00e3o de uma ampla frente democr\u00e1tica para derrubar o regime militar, mas ainda mantinha resqu\u00edcios do passado, quando avaliavam no mesmo documento que se estava \u201cgestando uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no Pa\u00eds\u201d<\/p>\n<p>19) Ou seja, mais de 10 anos depois da linha tra\u00e7ada pelo <em>Partido Comunista Brasileiro (PCB),<\/em> no VI Congresso, de 1967, o PC do B conseguiu chegar a conclus\u00f5es semelhantes. Mas, para se manter fiel \u00e0s suas oscila\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a partir de 1978 o PC do B come\u00e7ou o rompimento com o <em>Partido Comunista Chin\u00eas<\/em>, sem sequer uma linha de autocr\u00edtica. Como \u00e9 de costume, os companheiros procuraram rapidamente apagar da mem\u00f3ria os tempos em que considerava o PC Chin\u00eas a vanguarda do proletariado mundial. Rapidamente, o PC do B se alinhou ao <em>Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia, <\/em>do l\u00edder Enver Hoxha, e passou considerar a Alb\u00e2nia o \u201cfarol do socialismo\u201d da mesma forma que considerava anteriormente Mao Tse Tung o maior marxista da humanidade.<\/p>\n<p><strong>1.4 A rela\u00e7\u00e3o com partido alban\u00eas<\/strong><\/p>\n<p><em>20) <\/em>Vale ressaltar que a alian\u00e7a com o <em>Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia<\/em> foi a mais longeva do PC do B: este partido se manteve fie ao regime alban\u00eas at\u00e9 a sua queda, em 1991. Em 1988, por exemplo, o PC do B em seu <em>VII<\/em> <em>Congresso, <\/em>ainda afirmava categoricamente: \u201c<em>N\u00e3o obstante os esfor\u00e7os da burguesia reacion\u00e1ria, com prop\u00f3sito de negar o socialismo, este vive e floresce na Alb\u00e2nia, que resiste firmemente \u00e0 press\u00e3o imperialista-revisionista (\u2026) Sob a dire\u00e7\u00e3o do camarada Ramiz Alia, que ocupa com destemor o posto deixado pelo saudoso camarada Enver Hoxha, o partido dos comunistas albaneses, o PTA, projeta e realiza \u00e0 frente do proletariado e do povo a gigantesca obra da edifica\u00e7\u00e3o socialista, que estimula, pelo exemplo, a luta revolucion\u00e1ria de todos os povos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>21) Um epis\u00f3dio interessante sobre a coer\u00eancia do PC do B em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas pode ser medido pelo seguinte fato: o <em>Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia <\/em>antes chamava-se <em>Partido Comunista da Alb\u00e2nia<\/em>, mas por sugest\u00e3o de Stalin mudou de nome, sob a justificativa de que a maioria dos componentes do partido era de origem camponesa. Quer dizer, o Partido Comunista Alban\u00eas pode mudar de nome para Partido do Trabalho e n\u00e3o \u00e9 considerado revisionista ou traidor do socialismo, mas no Brasil o crit\u00e9rio do PC do B \u00e9 muito diferente.<\/p>\n<p>22) A rela\u00e7\u00e3o com o partido alban\u00eas era t\u00e3o forte que os militantes do PC do B aprofundaram o culto a Stalin. Em sua confer\u00eancia de 1978, decidiu que o partido comemoraria 1979 como \u201cO Ano Stalin\u201d. A pequena, camponesa e atrasada economicamente Alb\u00e2nia passou a ser considerada pelos dirigentes e militantes do PC do B \u201co farol da humanidade\u201d. Muitos dirigentes do PC do B passaram a morar em <em>Tirana,<\/em> capital albanesa, de onde diariamente transmitiam informa\u00e7\u00f5es sobre o Brasil atrav\u00e9s da r\u00e1dio Tirana.<\/p>\n<p>23) A partir de Tirana, o PC do B realizou um intenso trabalho de constru\u00e7\u00e3o de partidos comunistas \u201cmarxistas-leninistas\u201d (os chamados MLs) na Am\u00e9rica Latina e na Europa, agora sob a orienta\u00e7\u00e3o do <em>Partido do Trabalho da Alb\u00e2nia<\/em>, cuja atividade principal era denunciar o \u201cimperialismo sovi\u00e9tico\u201d, o \u201crevisionismo\u201d dos PCs tradicionais aliados a URSS e a trai\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria sovi\u00e9tica aos ideais do socialismo. At\u00e9 mesmo em Portugal o dirigente exilado do PC do B, Di\u00f3genes de Arruda C\u00e2mara, ajudou a construir um outro partido comunista, uma vez que para o PC do B o Partido Comunista Portugu\u00eas era revisionista e traidor dos trabalhadores. Nem mesmo o Partido Comunista Cubano escapou do crit\u00e9rio exclusivista do PC do B: o comandante Fidel Castro era um revisionista, \u201cvassalo e mercen\u00e1rio do social-imperialismo sovi\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>24) Portanto, a metamorfose atual dos companheiros do PC do B \u00e9 t\u00edpica do revolucionarismo pequeno-burgu\u00eas, que se agravou a partir de meados dos anos 70 com a incorpora\u00e7\u00e3o da AP ao PC do B: ora \u00e9 \u201cesquerdista\u201d em fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias, ora segue as diretrizes de um Pa\u00eds campon\u00eas e um l\u00edder defasado no tempo, ora \u00e9 \u201cdireitista\u201d para se aproveitar das benesses da conjuntura pol\u00edtica. Esse comportamento err\u00e1tico \u00e9 oriundo tamb\u00e9m da falta de tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, da aus\u00eancia de uma cultura comunista, que foi apropriada apenas superficialmente pelos militantes da AP.<\/p>\n<p>25) Esse \u00e9 o principal fator que explica a trajet\u00f3ria do PC do B: no in\u00edcio Mao Tse Tung era \u201co maior marxista-leninista da atualidade\u201d, depois virou renegado e traidor dos ideais da causa socialista; todos os Partidos Comunistas do mundo que se alinhavam com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, inclusive o PC Cubano, eram revisionistas e traidores do socialismo. Agora o PC do B se orgulha de estar inserido no movimento comunista internacional. Mas o estranho \u00e9 que essa pirotecnia pol\u00edtica foi realizada sem uma palavra de autocr\u00edtica sobre o passado.<\/p>\n<p><strong>1.5 Balan\u00e7o da linha pol\u00edtica do PCB e do PC do B<\/strong><\/p>\n<p>26) Do ponto de vista da conjuntura nacional ap\u00f3s a ditadura, vejamos como se comportaram politicamente os dois partidos: enquanto o PC do B se definia pela luta armada no campo, o PCB constru\u00eda uma outra linha pol\u00edtica no seu VI Congresso, realizado em 1967. Nessas resolu\u00e7\u00f5es o PCB identificou a ditadura como um governo de longa dura\u00e7\u00e3o e prop\u00f4s a forma\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de uma ampla <em>Frente Democr\u00e1tica<\/em>, com o objetivo de reunir todas as for\u00e7as sociais e pol\u00edticas que estivessem dispostas a organizar um amplo movimento nacional, para acumular for\u00e7as at\u00e9 a derrota da ditadura. O PCB preconizava a entrada de todos aqueles que estivessem contra a ditadura no <em>Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro<\/em> (MDB), ao mesmo tempo em que buscava acumular for\u00e7a nos movimentos oper\u00e1rio e juvenil.<\/p>\n<p>27) Enquanto isso, o PC do B estava organizando um pequeno grupo guerrilheiro, na sua grande maioria composto por jovens estudantes, para realizar guerra popular prolongada no interior do Brasil, na ilus\u00e3o de que o campo brasileiro iria cercar as cidades, mediante a forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito campon\u00eas, derrotaria a burguesia e faria a revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil. Tratou-se, como a pr\u00f3pria conjuntura demonstrou, n\u00e3o s\u00f3 de uma miragem, mas de uma an\u00e1lise da realidade profundamente equivocada, cujos resultados foram dram\u00e1ticos para aqueles her\u00f3icos camaradas.<\/p>\n<p>28) Ap\u00f3s a derrota da luta armada no campo e na cidade (muitos grupos oriundos do PCB tamb\u00e9m aderiram \u00e0 guerrilha urbana), quase todas as for\u00e7as de esquerda fizeram autocr\u00edtica do militarismo e terminaram aderindo ao MDB, inclusive muitos dos que participaram da luta armada nas organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras urbanas. A vida demonstrou que a linha pol\u00edtica desenvolvida pelo PCB no Congresso de 1967 fora vitoriosa, uma vez que foi exatamente o movimento democr\u00e1tico amplo que p\u00f4s fim aos 21 anos de ditadura militar no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>29) No entanto, o PC do B foi a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fez autocr\u00edtica da guerrilha do Araguaia, apesar de praticamente todos os seus participantes terem sido mortos naquela regi\u00e3o. Essa posi\u00e7\u00e3o causou profundas diverg\u00eancias na dire\u00e7\u00e3o central do PC do B. Quando foi marcada uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central para um balan\u00e7o da guerrilha, em 1976, na qual a maioria dos dirigentes j\u00e1 tinha votado uma resolu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao movimento guerrilheiro, por ampla maioria, a reuni\u00e3o foi invadida pela pol\u00edcia pol\u00edtica e todos os dirigentes foram presos, sendo que Pedro Pomar e Angelo Arroyo foram assassinados no pr\u00f3prio local e Jo\u00e3o Batista Drummond nas torturas no DOI-CODI.<\/p>\n<p>30) O documento de Pomar sobre o Araguaia era bastante cr\u00edtico, mas n\u00e3o p\u00f4de ser difundido como resolu\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da queda da reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central do PC do B. Vejamos o que dizia Pomar em seu documento para a reuni\u00e3o onde ocorreu o <em>Massacre da Lapa<\/em>: \u201c<em>N\u00e3o h\u00e1 como fugir \u00e0 amarga constata\u00e7\u00e3o de que a guerrilha sofreu uma derrota completa e n\u00e3o tempor\u00e1ria. Infelizmente o Comit\u00ea Central tem que aceitar a dura verdade de que o resultado fundamental e mais geral da batalha her\u00f3ica travada por nossos camaradas foi o rev\u00e9s\u201d<\/em>, diz o documento.<\/p>\n<p>31) No entanto, o documento que se tornou oficial foi o que definiu a guerrilha do Araguaia, como \u201c<em>uma gloriosa jornada de lutas\u201d.<\/em> Neste epis\u00f3dio se revela com clareza a heran\u00e7a crist\u00e3 dos atuais companheiros do PC do B atual: ao glorificar a guerrilha massacrada, sem analis\u00e1-la em bases objetivas, se comportam como os crist\u00e3os primitivos, que faziam do sofrimento uma gl\u00f3ria para alcan\u00e7ar o reino dos c\u00e9us. A apologia do sofrimento e do sacrif\u00edcio substituem, no caso, a an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta, mitifica o problema e, dessa forma, foge-se da quest\u00e3o central, que \u00e9 o balan\u00e7o do trabalho de dire\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, os erros ou acertos da decis\u00e3o pol\u00edtica de se montar a guerrilha.<\/p>\n<p><strong>1.6 A aproxima\u00e7\u00e3o com o movimento comunista<\/strong><\/p>\n<p>32) Ali\u00e1s, como se pode notar, o PC do B tem uma enorme dificuldade em realizar uma autocr\u00edtica. Quando o socialismo alban\u00eas, \u201co mais puro entre os socialismos\u201d, \u201co farol da humanidade\u201d se desagregou na esteira da crise do Leste Europeu, o PC do B n\u00e3o realizou nenhuma autocr\u00edtica sobre sua linha pol\u00edtica anterior. Fez de conta que n\u00e3o tinha nada a ver com a Alb\u00e2nia e seu modelo de socialismo, sequer fez um documento interno analisando sua trajet\u00f3ria comum com os albaneses.<\/p>\n<p>33) A partir da\u00ed, passou a se aproximar de todos os partidos que h\u00e1 pouco tempo chamava de reformistas e traidores do socialismo. Como n\u00e3o foi golpeado org\u00e2nica e financeiramente como os PCs tradicionais, aliados \u00e0 antiga URSS, porque n\u00e3o tinha nada a ver com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ou o Movimento Comunista Internacional e j\u00e1 estava reorganizado a partir de meados da d\u00e9cada de 80, puderam participar das iniciativas internacionais dos partidos comunistas nos anos 90 como se fosse um deles.<\/p>\n<p>34) Aproveitando-se das dificuldades pol\u00edticas e org\u00e2nicas do PCB, que sofreu um golpe profundo ap\u00f3s a queda da URSS e pela sa\u00edda da maioria dos dirigentes para formar um outro partido (Partido Popular Socialista (PPS), hoje aliado \u00e0 direita, o PC do B informava aos camaradas nos encontros internacionais que o PCB praticamente desaparecera, ficando apenas um pequeno grupo remanescente, e que o PC do B era o representante dos comunistas brasileiros. S\u00f3 alguns anos depois, com o PCB reorganizado nacionalmente e em condi\u00e7\u00f5es de reatar seus v\u00ednculos com o Movimento Comunista Internacional, \u00e9 que essa informa\u00e7\u00e3o foi corrigida.<\/p>\n<p><strong>1.7 O PC do B n\u00e3o \u00e9 o PCB<\/strong><\/p>\n<p>35) Ali\u00e1s, os companheiros do PC do B t\u00eam um costume bastante grave de falsear a hist\u00f3ria, possivelmente em fun\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias origens. Um dos maiores problemas do PC do B \u00e9 o fato de n\u00e3o ser o partido hist\u00f3rico dos comunistas brasileiros. Mesmo que em seus documentos eles afirmem na cara dura que o PC do B foi fundado em 1922, reorganizado em 1962 e reestruturado em 1985, esse malabarismo hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio por ningu\u00e9m. Nenhum historiador, nenhum militante esclarecido, nem mesmo sua milit\u00e2ncia, acredita nessa lenda. Muitos militantes que sa\u00edram dessa organiza\u00e7\u00e3o e vieram para o PCB nos informaram que esse \u00e9 um problema psicol\u00f3gico que atormenta cotidianamente o PC do B e sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>36) Realmente, este \u00e9 um problema de dif\u00edcil resolu\u00e7\u00e3o para do PC do B: por mais que n\u00e3o lhes agrade essa realidade, na verdade o PC do B \u00e9 uma dissid\u00eancia do PCB, fundado em 1962. Al\u00e9m disso, n\u00e3o podem deixar de constatar a dura verdade: <em>O PC do B<\/em> <em>n\u00e3o \u00e9 o PCB!<\/em> Nem \u00e9 o Partido hist\u00f3rico da classe oper\u00e1ria brasileira. N\u00e3o \u00e9 o Partido de Astrojildo Pereira, de Octavio Brand\u00e3o, de Minervino de Oliveira, de Luis Carlos Prestes, de Olga Ben\u00e1rio, de Pagu, de Osvald de Andrade, C\u00e2ndido Portinari, Di Cavalcanti, de Gregorio Bezerra, David Capistrano, de Edson Carneiro, de Nelson Werneck Sodr\u00e9, de Caio Prado Jr, de Rui Fac\u00f3, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Solano Trindade, de Milton Caires de Brito, de Paulo Cavalcanti, de Elisa Branco, de Jo\u00e3o Saldanha, de Jos\u00e9 Maria Crispim, de Osvaldo Pacheco, de Lindolpho Silva, Mario Schenberg, Samuel Pessoa, de Stanislau Ponte Preta, de Vianinha, Dias Gomes, de Paulo da Portela e Paulo Pontes, de Vladimir Herzog, de Manoel Fiel Filho, de Horacio Macedo, de Ana Montenegro, de Niemayer.<\/p>\n<p>37) Com esses militantes hist\u00f3ricos, o PCB esteve presente nas principais batalhas dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o brasileira, nos campos da cultura, das artes e da ci\u00eancia. Pode-se dizer mesmo que, em fun\u00e7\u00e3o dessas circunst\u00e2ncias, o PCB produziu, ao longo do s\u00e9culo XX, a maior parte dos her\u00f3is do povo brasileiro em todos os campos do conhecimento.<\/p>\n<p>38) Al\u00e9m disso, o PCB n\u00e3o se envergonha de sua hist\u00f3ria e n\u00e3o precisa omitir documentos com o objetivo de maquiar sua trajet\u00f3ria para parecer diferente. Contamos nossa hist\u00f3ria por inteiro. Uma hist\u00f3ria cheia de hero\u00edsmo, acertos e tamb\u00e9m de muitos erros, mas uma hist\u00f3ria que podemos contar integralmente, sem medo de comprometer nossa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em qualquer conjuntura. Por isso, nesses 87 anos de lutas assumimos globalmente nosso passado e dele nos orgulhamos porque faz parte da hist\u00f3ria de cada um de nossos camaradas.<\/p>\n<p><strong>Parte II<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.1 As diverg\u00eancias estrat\u00e9gicas e t\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p><em>39) Mas as diverg\u00eancias entre o PCB e o PC do B n\u00e3o se resumem apenas ao campo da hist\u00f3ria, um problema j\u00e1 resolvido e bem documentado. As diverg\u00eancias maiores est\u00e3o exatamente nas quest\u00f5es da atualidade, envolvendo a estrat\u00e9gia e a t\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, a concep\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do partido revolucion\u00e1rio, um balan\u00e7o sobre o socialismo real, e a pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao governo Lula. Independentemente dos problemas hist\u00f3ricos, se nestas quest\u00f5es houvesse converg\u00eancias, n\u00e3o teria sentido a exist\u00eancia de dois partidos comunistas no Pa\u00eds. O problema \u00e9 que as diverg\u00eancias nestas quest\u00f5es entre os dois partidos s\u00e3o t\u00e3o profundas quanto os problemas j\u00e1 resolvidos pela hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>40) <\/em>No que se refere \u00e0 estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, as diferen\u00e7as s\u00e3o grandes. O PCB definiu, em seu <em>XIII<\/em> <em>Congresso, <\/em>de 2005<em>,<\/em> que a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 socialista, porque o capitalismo brasileiro \u00e9 maduro, atingiu a fase monopolista e a burguesia est\u00e1 associada e subordinada ao capital estrangeiro e ao imperialismo. Portanto, esta burguesia n\u00e3o pode desempenhar nenhum papel num processo de transforma\u00e7\u00f5es sociais. Com esta resolu\u00e7\u00e3o o PCB rompeu com o etapismo e a chamada revolu\u00e7\u00e3o nacional-democr\u00e1tica, na qual seria necess\u00e1ria inicialmente uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa e, no bojo dessa revolu\u00e7\u00e3o, a classe oper\u00e1ria se fortaleceria e passaria a hegemonizar o processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>41) <\/em>Diz a resolu\u00e7\u00e3o do PCB: \u201c<em>A estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o brasileira aponta para a conquista da hegemonia socialista e do poder pol\u00edtico por meio de um amplo movimento de massas, constru\u00eddo com base e sob a hegemonia do bloco formado pelos oper\u00e1rios e demais trabalhadores da cidade e do campo, pelos assalariados das camadas m\u00e9dias, pelos servidores p\u00fablicos, pelos trabalhadores aut\u00f4nomos, precarizados e desempregados e pela pequena burguesia (\u2026) A consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos estrat\u00e9gicos do PCB implica a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder, representativa da classe oper\u00e1ria e dos setores populares. Uma alternativa de poder que se apresente como uma contraposi\u00e7\u00e3o ao poder burgu\u00eas, mobilizando as classes exploradas com um programa capaz de produzir uma ruptura na ordem capitalista. Esta contraposi\u00e7\u00e3o se materializa no Poder Popular, que possui um car\u00e1ter estrat\u00e9gico, ao se consubstanciar em futuro n\u00facleo de poder, e um car\u00e1ter t\u00e1tico, ao dar suporte \u00e0s lutas unificadoras do movimento popular\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>42) <\/em>Com a resolu\u00e7\u00e3o do <em>XIII Congresso, <\/em>o PCB rompeu com um dos elementos te\u00f3ricos que mais atrasava a formula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do Partido e com uma concep\u00e7\u00e3o equivocada da realidade brasileira. Ao caracterizar a revolu\u00e7\u00e3o brasileira como socialista, em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es objetivas do capitalismo brasileiro e da globaliza\u00e7\u00e3o, e se definir pela constru\u00e7\u00e3o do bloco hist\u00f3rico do proletariado, o Partido atualizou sua estrat\u00e9gia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contemporaneidade do capitalismo brasileiro e mundial e desatou as amarras que o prendiam a uma formula\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 50, quando o capitalismo brasileiro tinha outra configura\u00e7\u00e3o. Ao definir claramente o bloco de for\u00e7as sociais da revolu\u00e7\u00e3o, o PCB rompeu com as ilus\u00f5es terceiro-mundistas e nacionais-democr\u00e1ticas que foram caracter\u00edsticas da esquerda no passado, e definiu claramente que a burguesia nacional n\u00e3o pode desempenhar nenhum papel em qualquer transforma\u00e7\u00e3o social no Pa\u00eds.<\/p>\n<p><em>43) <\/em>Nesta quest\u00e3o estrat\u00e9gica, os companheiros do PC do B se definiam no passado por uma revolu\u00e7\u00e3o nacional-democr\u00e1tica, num arco de alian\u00e7as envolvendo inclusive setores da burguesia nacional. Gradativamente, o PC do B foi abandonando qualquer refer\u00eancia sobre a estrat\u00e9gica da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. A \u00faltima refer\u00eancia sobre os caminhos da revolu\u00e7\u00e3o foi no VI Congresso, em 1983, quando propunha uma democracia popular rumo ao socialismo. A partir do IX Congresso ocorreu a grande virada para a direita: sua pol\u00edtica a partir de ent\u00e3o \u00e9 marcada pelo <em>taticismo permanente,<\/em> onde todas as alian\u00e7as s\u00e3o poss\u00edveis e justific\u00e1veis, tanto no movimento sindical, quando na pol\u00edtica eleitoral, inclusive realizando alian\u00e7as com os partidos abertamente de direita. Ou seja, a pol\u00edtica de alian\u00e7a do PC do B \u00e9 policlassistas, inclui desde os trabalhadores da at\u00e9 setores da burguesia nacional e do agro-neg\u00f3cio. A estrat\u00e9gia nacional-democr\u00e1tica do passado agora \u00e9 substitu\u00edda pelo discurso nacional-desenvolvimentista.<\/p>\n<p><strong>2.2 As diverg\u00eancias no terreno t\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>44) As diferen\u00e7as estrat\u00e9gicas parecem diferen\u00e7as sutis, \u00e0s vezes mesmo picuinhas entre a esquerda, mas quando essas posi\u00e7\u00f5es se desdobram para o terreno t\u00e1tico \u00e9 que se pode ver realmente as diverg\u00eancias. No terreno t\u00e1tico o PC do B se transformou num partido da ordem, semelhante aos outros partidos, perdeu inteiramente seu car\u00e1ter de classe, sua ideologia prolet\u00e1ria, sua concep\u00e7\u00e3o org\u00e2nica leninista. Se institucionalizou de tal forma que hoje sua independ\u00eancia pol\u00edtica foi erodida. Pratica um pragmatismo pol\u00edtico t\u00e3o escancarado que hoje de comunista o PC do B parece s\u00f3 ter mesmo o nome.<\/p>\n<p>45) O PCB rompeu com o governo Lula antes dos esc\u00e2ndalos de 2005, entregou os cargos que possu\u00eda no governo, e se colocou na oposi\u00e7\u00e3o a este governo. Realiza uma pol\u00edtica de alian\u00e7as eleitorais e nos movimentos sociais com a esquerda e na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o presidencial foi parte constitutiva da <em>Frente de Esquerda<\/em>, cuja candidata era a senadora Heloisa Helena. No segundo mandato, continuou em oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula, muito embora tenha recomendado o voto cr\u00edtico em Lula no segundo turno, para evitar uma vit\u00f3ria da extrema-direita. A oposi\u00e7\u00e3o a este governo ocorre em fun\u00e7\u00e3o do fato de que Lula faz um governo para os banqueiros, para o grande capital e o agro-neg\u00f3cio, traindo os trabalhadores e deixando para estes apenas algumas migalhas do festim neoliberal, como o Bolsa Fam\u00edlia. Em sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica o PCB s\u00f3 faz alian\u00e7a com a esquerda, quer nas elei\u00e7\u00f5es, quer no movimento sindical, juvenil ou social.<\/p>\n<p>46) Enquanto isso, os companheiros do PC do B fazem parte do governo Lula, contam com minist\u00e9rios e cargos em v\u00e1rios escal\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica em todo o Pa\u00eds, inclusive a presid\u00eancia da <em>Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP), <\/em>uma ag\u00eancia governamental que se rendeu completamente aos interesses anti-nacionais, sendo hoje odiada por todas as for\u00e7as nacionalistas e de esquerda. Por sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o no governo, os companheiros do PC do B s\u00e3o obrigados a defender Lula junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e a milit\u00e2ncia. Al\u00e9m disso, por sua estrat\u00e9gia policlassista, desenvolve uma t\u00e1tica pol\u00edtica onde \u00e9 permitido praticamente tudo: alian\u00e7as com partidos de direita em v\u00e1rios Estados, inclusive com partidos de extrema-direita como o PFL (Partido da Frente Liberal \u2013 atual DEM) e com a fam\u00edlia Sarney (um cacique pol\u00edtico de direita) no Maranh\u00e3o ao longo de v\u00e1rios anos. Tudo isso para, pragmaticamente, conseguir um cargo administrativo aqui, um vereador ali, um deputado acol\u00e1.<\/p>\n<p>47) Por pragmatismo, o PC do B amarrou seu destino ao destino da pol\u00edtica do governo Lula e do PT. Defende a pol\u00edtica desse governo, no plano nacional e internacional, \u00e0s vezes com mais veem\u00eancia que o pr\u00f3prio Partido dos Trabalhadores, mesmo ap\u00f3s os esc\u00e2ndalos que envergonharam o Pa\u00eds. Para salvar as apar\u00eancias, \u00e0s vezes esbo\u00e7a alguma cr\u00edtica a aspectos espec\u00edficos da pol\u00edtica governamental, mas na pr\u00e1tica est\u00e1 umbilicalmente agarrado ao governo e nunca contesta os problemas de fundo, como por exemplo, o envio de tropas brasileiras para o Haiti, porque pode perder os cargos no governo.<\/p>\n<p>48) Essa \u00e9 a chamada \u201c<em>t\u00e1tica audaciosa<\/em>\u201d que os companheiros do PC do B formularam em documento recente. Uma t\u00e1tica que n\u00e3o guarda nenhuma rela\u00e7\u00e3o com uma pol\u00edtica de classe e que se amolda convenientemente ao jogo das classes dominantes e subordina a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 l\u00f3gica eleitoral: ampliar o partido a qualquer custo, inclusive sacrificando a quest\u00e3o ideol\u00f3gica; filiando aderentes sem qualquer crit\u00e9rio; aceitando egressos de todos os partidos de direita, inclusive v\u00e1rios vereadores e prefeitos, com o objetivo \u00fanico de dar amostra de que tem densidade institucional. Um dos motes para a filia\u00e7\u00e3o \u00e9 a promessa de que o parlamentar ou o prefeito, caso se filie ao PC do B, come\u00e7a a participar da base do governo e, portanto, passa a ter melhores condi\u00e7\u00f5es para receber as verbas e os benef\u00edcios governamentais.<\/p>\n<p>49) Como conseq\u00fc\u00eancia, os novos aderentes adquirem grande influ\u00eancia nos organismos de dire\u00e7\u00e3o e na elabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em v\u00e1rias regi\u00f5es, muito mais do que os militantes tradicionais e ideol\u00f3gicos do Partido. Muitas vezes, quando os militantes n\u00e3o aceitam certas filia\u00e7\u00f5es comprometedoras s\u00e3o exclu\u00eddos dos organismos de dire\u00e7\u00e3o e at\u00e9 do Partido. Como exemplo dessa t\u00e1tica, \u00e9 importante citar um conhecido epis\u00f3dio ocorrido no primeiro mandato do governo Lula: o PC do B filiou um conhecido senador de um partido de direita, Leomar Quintanilha, do Estado de Tocantins, e ainda se orgulhava nos seus \u00f3rg\u00e3os de imprensa do seu \u201csenador comunista\u201d. Quintanilha foi para o PC do B porque teve interesses contrariados no seu Estado. Usou o PC do B como legenda de conveni\u00eancia, pois quando a situa\u00e7\u00e3o no Estado se normalizou, Quintanilha saiu do PC do B sem dar qualquer satisfa\u00e7\u00e3o. Mas os companheiros do PC do B sequer fizeram uma nota de autocr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a este epis\u00f3dio fisiol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>2.3 As diverg\u00eancias nas concep\u00e7\u00f5es de partido <\/strong><\/p>\n<p>50) Do ponto de vista da concep\u00e7\u00e3o de partido, as diferen\u00e7as entre PCB e PC do B tamb\u00e9m s\u00e3o acentuadas. O PCB se definiu por um partido de militantes. Portanto, n\u00e3o nos interessam filiados, n\u00e3o nos interessa inchar o partido com pessoas sem o m\u00ednimo compromisso ideol\u00f3gico apenas para parecer um partido de massas. N\u00f3s s\u00f3 recrutamos militantes pol\u00edticos, camaradas que despertaram para a luta ou que compreenderam a necessidade da luta ou ainda que est\u00e3o na luta em qualquer \u00e1rea social ou pol\u00edtica. Nosso partido prioriza a organiza\u00e7\u00e3o por c\u00e9lulas nos espa\u00e7os comuns de lutas, locais de trabalho, moradia, estudo e lazer, e procurar combinar a luta institucional com a luta n\u00e3o institucional, acreditando ser a luta diretas das massas um instrumento importante para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e a revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>51) J\u00e1 os companheiros do PC do B resolveram apostar todas as suas fichas na quest\u00e3o institucional e, dentro desta, na quest\u00e3o eleitoral. Abandonaram a organiza\u00e7\u00e3o leninista por c\u00e9lulas. Priorizaram o trabalho parlamentar e o jogo eleitoral, mesmo sendo obrigado a fazer concess\u00f5es que ir\u00e3o lhe custar um alto pre\u00e7o pol\u00edtico no futuro. Nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2008, por exemplo, a propaganda de sua candidata a prefeito do Rio de Janeiro n\u00e3o teve mais bandeiras vermelhas, nem o nome PC do B, nem foice e martelo para n\u00e3o assustar o eleitorado, mas apenas <em>o n\u00famero 65,<\/em> que \u00e9 o n\u00famero eleitoral do PC do B. No Rio Grande do Sul a cor da campanha do PC do B n\u00e3o foi vermelha, mas roxa (\u201croxo \u00e9 um vermelho com azul dentro, justificava a candidata,\u201d), fato at\u00e9 destacado com sarcasmo pela imprensa.<\/p>\n<p>52) O PC do B tamb\u00e9m n\u00e3o possui crit\u00e9rios de alian\u00e7as no movimento no movimento sindical: ora participa em chapas com a For\u00e7a Sindical, uma organiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 a servi\u00e7o dos patr\u00f5es, inclusive foi formada com dinheiro de organiza\u00e7\u00f5es empresariais; ora com a Central \u00danica Trabalhadores (CUT). Recentemente rompeu com a CUT porque se sentia discriminado naquela Central Sindical, mas esse rompimento tamb\u00e9m teve algo de pragm\u00e1tico: com a reforma sindical recentemente aprovada pelo governo Lula, as centrais sindicais legalizadas t\u00eam direito a expressivos fundos financeiros e, por isso, o PC do B formou a sua central, afinal n\u00e3o iria deixar que esse dinheiro fosse para os cofres da CUT.<\/p>\n<p>53) O PCB desenvolve esfor\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o da <em>Intersindical,<\/em> uma articula\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista, que trabalha no sentido de organizar pela base os trabalhadores e realizar um <em>Encontro Nacional das Classes Trabalhadoras,<\/em> que re\u00fana todo o sindicalismo classista num grande movimento para a constru\u00e7\u00e3o de uma central sindical independente do governo, dos patr\u00f5es, do capital e dos partidos e que possa desenvolver uma pol\u00edtica de classe independente.<\/p>\n<p>54) No movimento estudantil, a pol\u00edtica imobilista e de apoio ao governo Lula do PC do B na Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) vem desmoralizando a entidade hist\u00f3rica dos estudantes, abrindo espa\u00e7o para que movimentos trotskistas possam desenvolver uma pol\u00edtica divisionista propondo a forma\u00e7\u00e3o de uma outra entidade dos estudantes. O n\u00edvel de desmoraliza\u00e7\u00e3o chega a tal ponto que nas recentes lutas que resultaram em ocupa\u00e7\u00f5es das universidades pelos estudantes, os representantes da UNE sequer conseguiram falar nas assembl\u00e9ias. Nos congressos estudantis, o PC do B, para manter a hegemonia na entidade, faz alian\u00e7as com a juventude do PSDB (partido neoliberal) e do DEM (juventude de direita). Mesmo reconhecendo a pol\u00edtica equivocada desenvolvida pelo PC do B na UNE, o PCB \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 divis\u00e3o da entidade e luta pelo seu fortalecimento e para que esta resgate suas tradi\u00e7\u00f5es de luta no movimento estudantil.<\/p>\n<p>55) Por tudo isso, acreditados que as diverg\u00eancias entre o PCB e o PC do B s\u00e3o grandes e tender\u00e3o a se aprofundar ainda mais com o acirramento da luta de classe no Pa\u00eds, pois enquanto o PCB optou por uma estrat\u00e9gia de longo prazo para a constru\u00e7\u00e3o das bases da revolu\u00e7\u00e3o brasileira, combinando a luta institucional com a luta n\u00e3o institucional, o PC do B se transformou num partido da ordem e se institucionalizou completamente. Como tudo na luta pol\u00edtica, s\u00f3 o futuro dir\u00e1 quem est\u00e1 com a raz\u00e3o, muito embora a experi\u00eancia mostre que resultaram em grande fracasso a pol\u00edtica dos partidos comunistas que optaram pelo caminho da institucionalidade.<\/p>\n<p>56) \u00c9 com estas pondera\u00e7\u00f5es que costumamos afirmar que lugar de comunista \u00e9 no PCB. A vida est\u00e1 provando que \u00e9 uma ilus\u00e3o querer construir uma vanguarda revolucion\u00e1ria descasada ideologicamente do marxismo-leninismo e de suas concep\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, t\u00e1ticas e org\u00e2nicas. Na conjuntura de reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda e dos comunistas no Pa\u00eds, ap\u00f3s a crise que tirou do <em>Partido dos Trabalhadores<\/em> a condi\u00e7\u00e3o de agente das transforma\u00e7\u00f5es sociais, esperamos que todos os militantes que reivindicam o legado da Comuna de Paris, da revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique de 1917 e da funda\u00e7\u00e3o do PCB em 1922 se incorporem \u00e0s fileiras do PCB, de forma a que possamos construir um Partido Comunista forte, coeso, disciplinado e disposto a lutar pela conquista do poder pol\u00edtico no Pa\u00eds e pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo em nossa p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Viva o Partido Comunista Brasileiro!<\/p>\n<p>Viva o Socialismo!<\/p>\n<p>Viva o Comunismo!<\/p>\n<p><em><strong>Edmilson Costa, <\/strong><\/em>\u00e9 doutor em economia pela Unicamp, com p\u00f3s-doutorado no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da mesma institui\u00e7\u00e3o, autor de v\u00e1rios livros sobre economia e de v\u00e1rios artigos publicados no Brasil e no exterior. \u00c9 membro do Comit\u00ea Central do PCB, da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional e Secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do PCB.<\/p>\n<p><em><strong>Igor Grabois<\/strong><\/em> \u00e9 economista, professor universit\u00e1rio, membro do Comit\u00ea Central do PCB e da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional e respons\u00e1vel pela Secretaria Nacional Sindical do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nAs principais diferen\u00e7as entre o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista do Brasil (PC do B)\nIgor Grabois e Edmilson Costa \n(S\u00e3o Paulo \u2013 2009)\nGeralmente, grande parte das pessoas n\u00e3o compreende a exist\u00eancia de dois Partidos Comunistas no Brasil. Muitos at\u00e9 confundem as duas organiza\u00e7\u00f5es como se fossem a mesma coisa. At\u00e9 mesmo parte dos militantes tamb\u00e9m acha que a diferen\u00e7a entre PCB e o PC do B \u00e9 apenas t\u00e1tica, afinal os dois partidos se reivindicam comunistas. No campo internacional, h\u00e1 tamb\u00e9m certa confus\u00e3o sobre a exist\u00eancia de dois Partidos Comunistas no Pa\u00eds, afinal j\u00e1 n\u00e3o existe mais a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, nem o mao\u00edsmo do Livro Vermelho ou o albanismo de Enver Hoxha. Para esclarecer essa aparente confus\u00e3o, decidimos colocar claramente, tanto para as pessoas pouco familiarizadas com as sutilezas da esquerda, quanto para os militantes em geral, as principais diferen\u00e7as hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas, t\u00e1ticas e de concep\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria entre o PCB e o PC do B, de forma a reduzir a confus\u00e3o e deixar claro essas diferen\u00e7as.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/580\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c29-organizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9m","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}