{"id":581,"date":"2010-06-21T17:10:55","date_gmt":"2010-06-21T17:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=581"},"modified":"2010-06-21T17:10:55","modified_gmt":"2010-06-21T17:10:55","slug":"orania-e-a-mare-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/581","title":{"rendered":"Orania e a mar\u00e9 negra"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o fosse a Copa e Orania seria um rodap\u00e9 duma p\u00e1gina obscura. Com as vuvuzelas azucrinando o ju\u00edzo e as patriotadas em alta, algu\u00e9m desenterrou a hist\u00f3ria de um gueto racista que sobrevive no pa\u00eds que derrotou o apartheid.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1991, pouco depois do fim do regime de segrega\u00e7\u00e3o racial que vigorou na \u00c1frica do Sul por d\u00e9cadas, uma empresa adquiriu uma cidade abandonada, \u00e0 beira do rio Oranje. Cerca de 50 fam\u00edlias, todas brancas, se mudaram para l\u00e1 e come\u00e7aram a construir um \u201cpara\u00edso afric\u00e2ner\u201d, desafiando o processo de integra\u00e7\u00e3o pelo qual lutaram o CNA e Nelson Mandela.<\/p>\n<p>O que pretendem os \u201cpuristas\u201d ? Preservar nossos valores, cultura, l\u00edngua, religi\u00e3o, responde Lyda Strydom, uma das l\u00edderes da comunidade. Queremos educar nossos filhos dentro da cultura afric\u00e2ner, completa Lyda.<\/p>\n<p>Essa gente recusa o r\u00f3tulo de segregacionismo, mas, ao recha\u00e7ar a conviv\u00eancia com outras etnias e culturas e separar-se, fisicamente, dos demais sul-africanos, s\u00f3 faz reafirmar o conte\u00fado racista de seu estilo de vida. Comportam-se como se o contato com os negros e suas m\u00faltiplas culturas representasse uma contamina\u00e7\u00e3o. Este ideal de pureza tem tristes e sangrentos antecedentes.<\/p>\n<p>A muitos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia dali, no dia 17 de junho, uma mar\u00e9 negra serpenteava pelas ruas de Jerusal\u00e9m. Mais de 100 mil haredim (judeus ultra-ortodoxos) manifestavam-se, indignados, pela &#8230;. manuten\u00e7\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o ! Na col\u00f4nia de Emanuel, enclave na Cisjord\u00e2nia ocupada, pais de alunas de uma escola ultra-ortodoxa de ashquenazim (judeus origin\u00e1rios, principalmente da Europa Oriental e Central) proibiram suas filhas de irem \u00e0s aulas caso fossem aceitas estudantes sefaradim (judeus origin\u00e1rios, principalmente, da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica). A alega\u00e7\u00e3o ? As sefaradim n\u00e3o seriam suficientemente religiosas &#8230; Conversa mole. Curioso \u00e9 que os ashquenazim insistem que seu gesto n\u00e3o \u00e9 racista. \u201cApenas\u201d querem garantir uma segrega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o mude os crit\u00e9rios de pureza. O discurso, como se v\u00ea, tem claras coincid\u00eancias com os oranianos (separa\u00e7\u00e3o\/pureza\/medo).<\/p>\n<p>Os haredim, que representam cerca de 10% dos judeus israelenses (devem chegar a 20% em 2020, segundo o dem\u00f3grafo Arnon Sofer), n\u00e3o assistem televis\u00e3o, nem filmes. S\u00e3o proibidos de ler jornais seculares e usar a internet, se n\u00e3o existir uma finalidade profissional. Recentemente, um jornal haredi modificou, digitalmente, fotografias do ent\u00e3o rec\u00e9m-empossado gabinete israelense, substituindo as duas mulheres ministras por imagens masculinas. S\u00e3o uma for\u00e7a obscurantista, que, entretanto, se fortalece na medida em que, em Israel, estado e religi\u00e3o vivem em promiscuidade.<\/p>\n<p>Intoler\u00e2ncia tem muitos rostos, mas a m\u00e1scara est\u00e1 sempre rasgada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: \u00c1frica\n\n\n\n\n\n\n\n\nJacques Gruman\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/581\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9n","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}