{"id":5815,"date":"2014-01-14T21:46:59","date_gmt":"2014-01-14T21:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5815"},"modified":"2014-01-14T21:46:59","modified_gmt":"2014-01-14T21:46:59","slug":"nova-palestina-quem-sao-os-sem-teto-que-protestam-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5815","title":{"rendered":"Nova Palestina: quem s\u00e3o os sem-teto que protestam em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/140110-NovaPalestina-e1389359342752.jpeg?w=747\" border=\"0\" \/><em>Acampamento de 8 mil fam\u00edlias na Zona Sul revela que programas oficiais n\u00e3o resolveram d\u00e9ficit habitacional. Assembleias di\u00e1rias re\u00fanem 4 mil pessoas<\/em><\/p>\n<p><strong>Camila Maciel<\/strong>, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.agenciabrasil.gov.br\/\" target=\"_blank\"><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/a><\/p>\n<p><em>Programas como o \u201cMinha Casa Minha Vida\u201d s\u00e3o suficientes para assegurar o Direito \u00e0 Habita\u00e7\u00e3o no Brasil? Ao interromperem o tr\u00e1fego da Marginal Pinheiros \u2014 uma das principais vias r\u00e1pidas de S\u00e3o Paulo \u2014 milhares de pessoas ofereceram, esta madrugada, uma resposta sonora \u00e0 pergunta. Elas s\u00e3o parte de um elemento novo na paisagem da metr\u00f3pole. Na regi\u00e3o do Jardim \u00c2ngela, a 25 quil\u00f4metros do Centro, uma \u00e1rea urbana imensa (um quil\u00f4metro quadrado, ou cem campos de futebol) foi ocupada em outubro, por fam\u00edlias participantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto \u2014 MTST. A novidade alastrou-se rapidamente. Hoje, 8 mil fam\u00edlias j\u00e1 habitam o que chamam de \u201clatif\u00fandio urbano\u201d e h\u00e1 mais 2,5 mil inscritas. Formam uma comunidade mais populosa que milhares de munic\u00edpios brasileiros. Deram, ao lugar em que agora moram, o nome significativo de Nova Palestina.<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e3o em \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, pr\u00f3xima \u00e0 represa de Guarapiranga. O prefeito Fernando Haddad, acossado pela m\u00eddia e atingido por decis\u00f5es judiciais que reduziram o or\u00e7amento do munic\u00edpio, afirma que n\u00e3o tem recursos para desapropriar a \u00e1rea \u2014 mas n\u00e3o oferece alternativas. Por isso, o protesto de hoje. Na reportagem abaixo, a jornalista\u00a0<strong>Camila Maciel <\/strong>descreve a \u00e1rea e a not\u00e1vel mobiliza\u00e7\u00e3o de seus ocupantes, que realizam assembleias di\u00e1rias com 4 mil pessoas. Organizam-se em 21 grupos de trabalho e cuidam, por si mesmas, de tarefas como alimenta\u00e7\u00e3o coletiva, limpeza e seguran\u00e7a.\u00a0<strong>(A.M.)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em um terreno de aproximadamente 1 milh\u00e3o de metros quadrados, na zona sul da capital paulista, quase 8 mil fam\u00edlias acampam em barracas de lona, desde o dia 29 de novembro, para reivindicar o direito \u00e0 moradia digna. A ocupa\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, com cerca de 2 mil fam\u00edlias, j\u00e1 quadruplicou. Al\u00e9m disso, cerca de 2,5 mil fam\u00edlias aguardam vaga em uma lista de espera, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).<\/p>\n<p>Para os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o r\u00e1pido crescimento da comunidade, batizada de Nova Palestina, mostra como \u00e9 grande o d\u00e9ficit habitacional da regi\u00e3o. \u201cAs pessoas que est\u00e3o aqui n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar aluguel, algumas moravam na rua, outras na casa de parentes. Aqui, eles t\u00eam a esperan\u00e7a de conseguir um teto. \u00c9 uma regi\u00e3o muito carente\u201d, explicou Helena Santos, coordenadora estadual do MTST. Ela, que \u00e9 militante h\u00e1 cinco anos, conta que nunca viu uma procura t\u00e3o grande por vaga em uma ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cJ\u00e1 participei de outras e essa \u00e9 a maior\u201d, disse. A ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida em 21 grupos, cada um com coordena\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Cada \u00e1rea possui uma cozinha comunit\u00e1ria e dois banheiros, sendo um masculino e um feminino.<\/p>\n<p>Diariamente, cerca de 4 mil pessoas participam de uma assembleia no acampamento, na qual s\u00e3o repassadas informa\u00e7\u00f5es sobre as negocia\u00e7\u00f5es por moradias definitivas, dentre outras decis\u00f5es. O estatuto da ocupa\u00e7\u00e3o, por exemplo, foi aprovado em assembleia. Entre os pontos acordados, est\u00e1 a proibi\u00e7\u00e3o do consumo de bebida alco\u00f3lica, de drogas e tamb\u00e9m agress\u00f5es. \u201cCaso ocorra algum problema, n\u00f3s conversamos e, caso continue, a pessoa pode ser convidada a se retirar\u201d, \u00a0destacou.<\/p>\n<p>Tauana Oliveira da Silva, de 18 anos, vive em um barraco com o marido e os tr\u00eas filhos \u2013 o mais novo de apenas 3 meses. \u201c\u00c9 a primeira vez que participo de uma coisa assim. Foi meu marido que trouxe a gente. Foi a \u00fanica forma que a gente viu de ter uma casa\u201d, relatou. Marx William, 24 anos, tamb\u00e9m trouxe os poucos pertences que tem para viver com a m\u00e3e e os filhos na ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cA gente pagava R$ 450 de aluguel, sendo que nossa renda \u00e9 R$ 800. Ficava faltando [dinheiro] para as outras coisas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Helena explica que estruturas de alvenaria n\u00e3o s\u00e3o permitidas e que o objetivo \u00e9 conseguir moradias dignas para os que participam da mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cNossa primeira ideia \u00e9 construir as casas aqui. Se a prefeitura disser que vai fazer, sa\u00edmos. Tamb\u00e9m pedimos aux\u00edlio-aluguel, mas j\u00e1 disseram que n\u00e3o tem verba\u201d, disse.<\/p>\n<p>A destina\u00e7\u00e3o do terreno \u00e9 objeto de conflito com a prefeitura, pois um decreto municipal estabelece que a \u00e1rea deve ser transformada em um parque p\u00fablico. \u201cA maior parte n\u00e3o pode ser usada para edificar moradias, porque \u00e9 uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e o propriet\u00e1rio tinha, sob pena inclusive de responder por crime ambiental, que cuidar para que n\u00e3o fosse invadido\u201d, declarou o prefeito Fernando Haddad. Ele destacou que, neste momento, n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o cab\u00edvel ao governo municipal, por se tratar de \u00e1rea privada. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 recursos para o processo de desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O movimento, por sua vez, questiona a posi\u00e7\u00e3o da prefeitura, pois a classifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea como Zona de Prote\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ZPDS) permite edifica\u00e7\u00f5es em 10% do total, o que corresponderia a mil moradias. \u201cAgora, inclusive, n\u00f3s estamos ocupando somente a \u00e1rea permitida. N\u00e3o houve nenhum desmatamento para colocar as barracas\u201d, disse Helena. O MTST prop\u00f5e, ainda, que o terreno seja transformado em Zona Especial de Interesse Social 4, o que permitiria a constru\u00e7\u00e3o de edifica\u00e7\u00f5es em 30% da \u00e1rea. Diante do impasse, o movimento planeja um protesto para esta sexta-feira (10), ainda sem hor\u00e1rio e local divulgados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Outras Palavras &#8211; 10\/01\/2014 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5815\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-5815","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1vN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}