{"id":5818,"date":"2014-01-15T22:50:48","date_gmt":"2014-01-15T22:50:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5818"},"modified":"2014-01-15T22:50:48","modified_gmt":"2014-01-15T22:50:48","slug":"nao-a-falsificacao-historica-sobre-os-palestinos-na-novela-da-globo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5818","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre os palestinos na novela da Globo"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00f3s, organiza\u00e7\u00f5es reunidas na Frente em Defesa do Povo Palestino-SP, nos comit\u00eas de outros estados, bem como demais entidades abaixo-assinadas, repudiamos veementemente a forma como os palestinos s\u00e3o representados na novela \u201cAmor \u00e0 Vida\u201d, da TV Globo. Sua resist\u00eancia leg\u00edtima \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o e apartheid israelenses que j\u00e1 duram 66 anos \u00e9 retratada como terrorismo contra v\u00edtimas inocentes nos di\u00e1logos entre um personagem palestino, P\u00e9rsio (Mouhamed Hartouch), e uma judia (Paula Braun). Todas as vezes em que \u00e9 feita refer\u00eancia \u00e0 Palestina, fala-se em guerra, o que pressup\u00f5e dois lados iguais disputando um territ\u00f3rio. Na verdade, \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o da realidade: tem-se um opressor e ocupante (Israel) e um oprimido (palestinos). Em nenhum momento, a novela faz refer\u00eancia ao muro do apartheid, aos in\u00fameros postos de controle a que est\u00e3o submetidos os palestinos, bem como \u00e0s leis racistas que lhes\u00a0s\u00e3o impostas e \u00e0 limpeza \u00e9tnica e ataques cont\u00ednuos contra eles.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo que inaugura essa farsa \u00e9 permeado por desinforma\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o da verdade. Rebeca chega a afirmar que h\u00e1 muitos casais judeus e palestinos em Israel, como conviria a qualquer\u00a0Estado democr\u00e1tico. A verdade \u00e9 que Israel foi criado em 1948 como um\u00a0Estado exclusivamente judeu, um entrave \u00e0 democracia, j\u00e1 que esses t\u00eam tratamento diferenciado. Desde ent\u00e3o, a pr\u00f3pria conviv\u00eancia est\u00e1 comprometida. O apartheid imposto aos palestinos impede at\u00e9 que vivam no mesmo bairro. Os palestinos que vivem onde hoje \u00e9 Israel (territ\u00f3rio palestino at\u00e9 1948, ano da cria\u00e7\u00e3o desse\u00a0Estado exclusivamente\u00a0judeu) s\u00e3o considerados cidad\u00e3os de segunda ou terceira categoria, discriminados cotidianamente, e as leis que valem para eles n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que valem \u2013 e privilegiam \u2013 os judeus. O apartheid \u00e9 expl\u00edcito e amparado por uma legisla\u00e7\u00e3o que fere o direito internacional.<\/p>\n<p>Em 1948, ano que na mem\u00f3ria coletiva \u00e1rabe \u00e9 conhecido como \u201cnakba\u201d, a cat\u00e1strofe, foram expulsos de suas terras e propriedades cerca de 800 mil palestinos e aproximadamente 500 aldeias palestinas\u00a0foram destru\u00eddas para dar lugar a Israel. Massacres cometidos por grupos paramilitares sionistas, contra agricultores palestinos desarmados e sem treino militar,\u00a0s\u00e3o hoje comprovados. Os palestinos t\u00eam sido desumanizados desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o de suas terras. Essa contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tamb\u00e9m ficou fora da telinha.<\/p>\n<p>O autor de \u201cAmor \u00e0 vida\u201d, Walcyr Carrasco, refor\u00e7ou, assim, mitos que s\u00e3o denunciados por v\u00e1rios historiadores, inclusive israelenses, como\u00a0Ilan Pappe, em seu artigo \u201cOs dez mitos de Israel\u201d. Entre eles, o mito\u00a0de que a luta palestina n\u00e3o tem outro objetivo que n\u00e3o o terror e que Israel \u00e9 \u201cfor\u00e7ado\u201d a responder \u00e0 viol\u00eancia. Segundo ele, a hist\u00f3ria distorcida serve \u00e0 opress\u00e3o, \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cA ampla aceita\u00e7\u00e3o mundial da narrativa sionista \u00e9 baseada em um conjunto de mitos que, ao final, lan\u00e7am d\u00favidas sobre o direito moral palestino, o comportamento \u00e9tico e as chances de qualquer paz justa no futuro. A raz\u00e3o \u00e9 que esses mitos s\u00e3o aceitos pela grande m\u00eddia no Ocidente e pelas elites pol\u00edticas como verdade.\u201d<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Na contram\u00e3o da campanha global por boicotes ao apartheid israelense, o governo federal se tornou nos \u00faltimos anos o segundo maior importador de tecnologias militares da pot\u00eancia que ocupa a Palestina e porta de entrada dessa ind\u00fastria \u00e0 Am\u00e9rica Latina. E sua cumplicidade com a opress\u00e3o,\u00a0a\u00a0ocupa\u00e7\u00e3o e\u00a0o\u00a0<em>apartheid<\/em> a que est\u00e3o submetidos os palestinos \u00e9 justificada a milhares de espectadores desavisados da novela da Globo, atrav\u00e9s de um discurso que reproduz a vers\u00e3o falsificada da hist\u00f3ria e se fortalece perante a representa\u00e7\u00e3o orientalista \u2013 em que os \u00e1rabes seriam \u201corientais\u201d b\u00e1rbaros e atrasados, ante cidad\u00e3os\u00a0\u201cpac\u00edficos e civilizados\u201d.<\/p>\n<p>Como detentora de concess\u00e3o p\u00fablica (o espa\u00e7o eletromagn\u00e9tico est\u00e1 na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, como um bem do povo) e ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a refor\u00e7ar preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es, a Globo comete erros hist\u00f3ricos graves, injusti\u00e7as ao povo palestino em particular e aos \u00e1rabes em geral e um desrespeito ao seu p\u00fablico ao desinform\u00e1-lo. Denunciamos\u00a0publicamente essas distor\u00e7\u00f5es e exigimos que a Globo se retrate nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos de \u201cAmor \u00e0 Vida\u201d, programa de maior audi\u00eancia da TV brasileira.<\/p>\n<p>Frente em Defesa do Povo Palestino-SP \/ BDS Brasil<\/p>\n<p>Centro Brasileiro de Estudos do Oriente M\u00e9dio<\/p>\n<p>Comit\u00ea Brasileiro de Defesa dos Direitos do Povo Palestino<\/p>\n<p>Comit\u00ea de Solidariedade \u00e0 Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Centro Cultural Palestino do Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>Comit\u00ea Ga\u00facho de Solidariedade ao Povo Palestino<\/p>\n<p>Sociedade \u00c1rabe Palestino Brasileira de Corumb\u00e1<\/p>\n<p>Comit\u00ea Democr\u00e1tico Palestino \u2013 Brasil<\/p>\n<p>Comit\u00ea Pr\u00f3-Haiti<\/p>\n<p>Tribunal Popular<\/p>\n<p>GTNM-SP \u2013 Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Ciranda Internacional de Comunica\u00e7\u00e3o Compartilhada<\/p>\n<p>Rede Mulher e M\u00eddia<\/p>\n<p>Intervozes \u2013 Coletivo Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>UNI \u2013 Uni\u00e3o Nacional das Entidades Isl\u00e2micas<\/p>\n<p>ICArabe &#8211; Instituto da Cultura \u00c1rabe<\/p>\n<p>FST-SP \u2013 F\u00f3rum Sindical dos Trabalhadores-SP<\/p>\n<p>CSP-Conlutas \u2013 Central Sindical e Popular<\/p>\n<p>Anel \u2013 Assembleia Nacional dos Estudantes Livre<\/p>\n<p>UJC \u2013 Uni\u00e3o da Juventude Comunista<\/p>\n<p>PCB \u2013 Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n<p>PSOL-SP \u2013 Partido Socialismo e Liberdade<\/p>\n<p>PSTU \u2013 Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado<\/p>\n<p>MST \u2013 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra<\/p>\n<p>Mopat \u2013 Movimento Palestina para Tod@s<\/p>\n<p>Coletivo Periferia, Nossa Faixa de Gaza<\/p>\n<p>Coletivo de Mulheres Ana Montenegro<\/p>\n<p>Uni\u00e3o da Juventude Comunista &#8211; Brasil<\/p>\n<p>Marcha Mundial de Mulheres<\/p>\n<p>Movimento Mulheres em Luta<\/p>\n<p>Movimento Nacional Quilombo Ra\u00e7a e Classe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5818\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-5818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1vQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5818\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}