{"id":5833,"date":"2014-01-22T12:42:08","date_gmt":"2014-01-22T12:42:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5833"},"modified":"2014-01-22T12:42:08","modified_gmt":"2014-01-22T12:42:08","slug":"90-anos-depois-lenin-e-a-heranca-da-luta-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5833","title":{"rendered":"90 anos depois: L\u00eanin e a heran\u00e7a da luta revolucion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste 21 de janeiro de 2014, completam-se 90 anos da morte de Vladimir Ilyitch Ulianov, codinome L\u00eanin, sem d\u00favida a maior figura hist\u00f3rica do s\u00e9culo XX, por ter sido a principal lideran\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de 1917 na R\u00fassia,<\/p>\n<p>o acontecimento hist\u00f3rico de maior import\u00e2ncia do s\u00e9culo passado. A Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique abalou as estruturas da sociedade capitalista, ao inaugurar a primeira grande experi\u00eancia socialista da hist\u00f3ria e passar a assombrar as mentes burguesas como um fantasma, lembrando sempre que a vit\u00f3ria dos trabalhadores contra o Estado capitalista havia se transformado numa realidade num pa\u00eds e numa possibilidade amea\u00e7adora no resto do mundo. Era o exemplo que faltava aos trabalhadores de todos os pa\u00edses, para animar as lutas contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista e em favor da alternativa socialista. Se, no processo de constru\u00e7\u00e3o do Estado sovi\u00e9tico, foram vivenciadas in\u00fameras dificuldades, muitos erros foram cometidos e, devido \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o de variados fatores, esta experi\u00eancia acabou derrotada ao final do s\u00e9culo XX, fica para a Hist\u00f3ria a heran\u00e7a dos muitos acertos na tentativa de edifica\u00e7\u00e3o de um poder genuinamente oper\u00e1rio e, acima de tudo, fica a heran\u00e7a do pensamento e das a\u00e7\u00f5es de L\u00eanin, cuja obra te\u00f3rica e pol\u00edtica tem muito a nos dizer nos dias atuais.<\/p>\n<p>Um dos grandes legados de L\u00eanin foi sua f\u00e9rrea batalha contra o reformismo, o economicismo e o oportunismo de direita e de esquerda no movimento oper\u00e1rio. Resgatou o pensamento revolucion\u00e1rio de Marx e Engels, numa \u00e9poca em que predominava, no interior do movimento socialista internacional, a perspectiva reformista de Bernstein e outros revisionistas do marxismo, que criticavam a caracter\u00edstica \u201cpartid\u00e1ria e tendenciosa\u201d dos fundadores do materialismo hist\u00f3rico e buscavam transformar o socialismo cient\u00edfico numa ci\u00eancia imparcial e neutra, a querer comprovar que a evolu\u00e7\u00e3o humana, submetida a \u201cleis estabelecidas e confirmadas pela ci\u00eancia social positiva\u201d, levaria invariavelmente ao socialismo, fase \u201cnatural e espont\u00e2nea, portanto inevit\u00e1vel e irrevog\u00e1vel\u201d do desenvolvimento social<sup><sup>i<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Na II Internacional, fazia-se uma leitura positivista de Marx e Engels, na verdade uma domestica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de suas ideias, pois toda a teoria da luta de classes e da necessidade da revolu\u00e7\u00e3o para ultrapassar o capitalismo fora esquecida. As teses de Bernstein contaminavam os c\u00edrculos socialistas com a an\u00e1lise de que o avan\u00e7o do capitalismo, na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX, trazia como caracter\u00edsticas a capacidade do sistema de resistir \u00e0s crises peri\u00f3dicas, o crescimento das camadas m\u00e9dias (na contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia de pauperiza\u00e7\u00e3o da sociedade, apontada por Marx) e as transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no sentido da democratiza\u00e7\u00e3o, com a conquista do sufr\u00e1gio universal. Tais mudan\u00e7as desmentiriam as teses cl\u00e1ssicas de luta pelo poder centradas na insurrei\u00e7\u00e3o e na revolu\u00e7\u00e3o violenta. A transi\u00e7\u00e3o para o socialismo viria do pr\u00f3prio desenvolvimento econ\u00f4mico e social capitalista, com seus reflexos na amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os pol\u00edticos (elei\u00e7\u00f5es e parlamento), desde que os socialistas soubessem utilizar de forma inteligente estes espa\u00e7os.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria pol\u00edtica de L\u00eanin \u00e9 a de uma precoce identifica\u00e7\u00e3o com a vis\u00e3o revolucion\u00e1ria de mundo, impulsionada pelas violentas contradi\u00e7\u00f5es da sociedade russa de seu tempo de juventude. Logo cedo (aos 17 anos, em 1887), entrou em contato com as obras de Marx e Engels. Antes disso, j\u00e1 participava das lutas contra a autocracia czarista na R\u00fassia, desde o enforcamento de seu irm\u00e3o mais velho, Alexandre Ulianov, por conspira\u00e7\u00e3o em um atentado terrorista contra o Czar, mesmo per\u00edodo em que tomou conhecimento das obras do marxista russo Plekhanov. Em 1892, traduziu o Manifesto do Partido Comunista para o russo. Tr\u00eas anos depois, em S\u00e3o Petersburgo, ajudava a criar a Liga da Luta pela Emancipa\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria e, depois, foi preso e exilado na Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p>Ao final do ex\u00edlio, foi viver em Munique (1900-1902), onde, ao lado de Martov, fundou o jornal <em>Iskra<\/em>, publica\u00e7\u00e3o do Partido Oper\u00e1rio Social Democrata Russo (POSDR), na qual passou a usar o pseud\u00f4nimo de L\u00eanin para assinar seus artigos. Morando em Londres (1902-1903), participou do 2\u00ba Congresso do POSDR, no qual liderou a ala bolchevique (&#8220;maioria&#8221; em russo) contra os mencheviques (&#8220;minoria&#8221;), antecipando a ruptura entre revolucion\u00e1rios e reformistas que ocorreria nos partidos socialdemocratas no momento de eclos\u00e3o da Grande Guerra de 1914. Neste per\u00edodo produziu o livro <em><strong>Que Fazer? A organiza\u00e7\u00e3o como sujeito pol\u00edtico<\/strong><\/em>, texto publicado inicialmente no <em>Iskra<\/em> para o combate militante \u00e0s posi\u00e7\u00f5es reformistas e revisionistas dominantes na II Internacional, debate este que mobilizou outros revolucion\u00e1rios na \u00e9poca, como Rosa Luxemburgo, autora do c\u00e9lebre <em>Reforma ou Revolu\u00e7\u00e3o?<\/em> O livro de L\u00eanin tamb\u00e9m cumpriu o objetivo de responder ao desafio colocado aos comunistas russos de como construir o instrumento pol\u00edtico (o partido) necess\u00e1rio para realizar o projeto revolucion\u00e1rio no pa\u00eds dos czares.<\/p>\n<p>Nesta obra, L\u00eanin atacou o culto \u00e0s a\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, asseverando que \u201ca consci\u00eancia socialista n\u00e3o brota espontaneamente das lutas do proletariado\u201d. Somente uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, formada por militantes profissionais e quadros de vanguarda forjados nas lutas oper\u00e1rias, poderia promover a a\u00e7\u00e3o consequente contra o regime do Czar e a ordem capitalista. O partido revolucion\u00e1rio devia assumir o papel de propagandista, agitador e organizador da luta prolet\u00e1ria, assim como de educador, expondo a todos os trabalhadores e demais camadas populares os objetivos gerais do programa socialista. Criticou os m\u00e9todos artesanais, a improvisa\u00e7\u00e3o e a desorganiza\u00e7\u00e3o que grassavam entre os oposicionistas russos e, partindo do pressuposto segundo o qual a luta pol\u00edtica, pelo seu grau de amplitude e complexidade, requer um trabalho diferenciado da luta sindical e das batalhas voltadas \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, defendeu uma organiza\u00e7\u00e3o formada por \u201chomens cuja profiss\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d. Em fun\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es extremamente adversas para a luta pol\u00edtica na R\u00fassia daqueles anos, que impunha aos revolucion\u00e1rios a clandestinidade, era necess\u00e1rio um alto grau de centraliza\u00e7\u00e3o organizativa, com o cuidado de que os militantes n\u00e3o se afastassem das massas, nem que se abandonassem os princ\u00edpios democr\u00e1ticos na condu\u00e7\u00e3o dos debates internos. Por fim, L\u00eanin postulava que, no Partido revolucion\u00e1rio, deveria desaparecer por completo toda distin\u00e7\u00e3o entre oper\u00e1rios e intelectuais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s estadia em Genebra (1903-1905), L\u00eanin retornou \u00e0 R\u00fassia para participar da Revolu\u00e7\u00e3o de 1905. Foi um ano f\u00e9rtil na produ\u00e7\u00e3o de textos que aprofundavam a vertente revolucion\u00e1ria e o combate ao reformismo, como <em><strong>Duas T\u00e1ticas da Socialdemocracia na Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica<\/strong><\/em>. No pr\u00f3logo deste documento, L\u00eanin apontava para a necessidade de fazer com que o \u201ctrabalho habitual, regular, corrente de todas as organiza\u00e7\u00f5es e grupos do nosso partido, o trabalho de propaganda, agita\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o\u201d estivesse orientado no sentido de \u201cfortalecer e ampliar a liga\u00e7\u00e3o com as massas\u201d. O sucesso da revolu\u00e7\u00e3o dependia, para al\u00e9m da correta avalia\u00e7\u00e3o do momento pol\u00edtico e da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no pa\u00eds, que fossem \u201cjustas as palavras de ordem t\u00e1ticas\u201d \u2013 a fim de que se apoiassem na for\u00e7a real das massas \u2013 e que se desenvolvesse todo um esfor\u00e7o para \u201ceducar e organizar a classe oper\u00e1ria\u201d. Neste livro, L\u00eanin travou intenso debate pol\u00edtico com os mencheviques, para quem a hegemonia do processo deveria ficar com a burguesia liberal e n\u00e3o com a vanguarda prolet\u00e1ria, pois a \u201cdire\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica do proletariado\u201d afastariam os representantes burgueses da luta contra o Czar, diminuindo a \u201camplitude da revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Contrapondo-se a esta vis\u00e3o reformista, L\u00eanin afirmava que somente o proletariado tinha condi\u00e7\u00f5es de atrair o apoio da massa camponesa e, assim, esmagar pela for\u00e7a a resist\u00eancia da autocracia, ao mesmo tempo em que paralisaria a instabilidade da burguesia, marcada pela postura inconsequente no combate ao regime czarista. O ataque frontal \u00e0 autocracia russa somente seria vitorioso, portanto, caso o proletariado assumisse o papel de dirigente da revolu\u00e7\u00e3o popular e n\u00e3o de for\u00e7a auxiliar da burguesia no interior da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Mesmo reconhecendo que a derrubada do poder autocr\u00e1tico representaria, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o fortalecimento da domina\u00e7\u00e3o burguesa, L\u00eanin entendia a import\u00e2ncia da conquista da rep\u00fablica democr\u00e1tica para que o proletariado e as organiza\u00e7\u00f5es de vanguarda pudessem agir com um m\u00ednimo de liberdade e, com isso, iniciar a luta pela transi\u00e7\u00e3o socialista. O movimento seguinte seria \u201clevar a cabo a revolu\u00e7\u00e3o socialista, atraindo a si a massa dos elementos semiprolet\u00e1rios da popula\u00e7\u00e3o, a fim de quebrar pela for\u00e7a a resist\u00eancia da burguesia e paralisar a instabilidade do campesinato e da pequena burguesia\u201d<sup><sup>ii<\/sup><\/sup>.<\/p>\n<p>Mas a classe oper\u00e1ria n\u00e3o conquistou a hegemonia do processo de lutas e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em 1905 ainda era extremamente desfavor\u00e1vel \u00e0s massas populares, apesar de ter representado uma rica experi\u00eancia de lutas e das quais o maior saldo, para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, foi a cria\u00e7\u00e3o dos Sovietes, os quais desempenhariam papel preponderante na Revolu\u00e7\u00e3o de 1917. Ap\u00f3s a derrota da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, L\u00eanin foi eleito presidente do POSDR, em 1906, mas foi novamente obrigado a se exilar por conta do massacre e da persegui\u00e7\u00e3o desenfreada aos militantes e organiza\u00e7\u00f5es que se opunham ao governo do Czar. Somente em 1917 L\u00eanin voltaria \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>Durante esse longo ex\u00edlio, fez o balan\u00e7o da Revolu\u00e7\u00e3o de 1905 em artigos como <em><strong>As Li\u00e7\u00f5es da Insurrei\u00e7\u00e3o de Moscou<\/strong><\/em> (agosto de 1906), no qual retrucava a posi\u00e7\u00e3o de Plekh\u00e1nov (que responsabilizara a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento pela derrota, afirmando que \u201cn\u00e3o se devia ter pegado em armas\u201d) com a avalia\u00e7\u00e3o de que uma das grandes conquistas da revolta popular \u2013 \u00e0 custa de enormes sacrif\u00edcios \u2013 havia sido a passagem da greve pol\u00edtica geral \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o, elevando o movimento a um n\u00edvel superior de consci\u00eancia. No momento de refluxo do movimento oper\u00e1rio russo, o texto <em><strong>No Caminho <\/strong><\/em>(janeiro de 1909) refor\u00e7ava a necessidade de um \u201ctrabalho prolongado de prepara\u00e7\u00e3o de massas mais amplas\u201d, com a cria\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do partido \u201cem todas as esferas de atividade\u201d, de comit\u00eas oper\u00e1rios bolcheviques em cada empresa industrial, buscando sempre \u201cum estreito contato com as massas\u201d. Cada medida de organiza\u00e7\u00e3o deveria contribuir para a coes\u00e3o da classe e para que o partido conquistasse, com a sua \u201cinflu\u00eancia ideol\u00f3gica\u201d, o papel dirigente nas organiza\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias.<\/p>\n<p>No per\u00edodo, outros trabalhos de relevo foram publicados: <em><strong>Materialismo e Empiriocriticismo<\/strong><\/em> (1909), cr\u00edtica a uma variante de idealismo, e <em><strong>Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo<\/strong><\/em> (escrito em 1916), obra fundamental para a conceitua\u00e7\u00e3o do capitalismo em sua fase monopolista e de dom\u00ednio do capital financeiro, marcada pela exporta\u00e7\u00e3o de capitais e pela partilha do planeta entre as na\u00e7\u00f5es de capitalismo avan\u00e7ado. Assim, era poss\u00edvel caracterizar a Primeira Guerra Mundial como express\u00e3o das disputas interimperialistas e como uma a\u00e7\u00e3o totalmente reacion\u00e1ria, contra a qual era preciso se posicionar firmemente, do ponto de vista do internacionalismo prolet\u00e1rio e da revolu\u00e7\u00e3o. Da an\u00e1lise acerca do car\u00e1ter internacional da guerra imperialista era ainda poss\u00edvel deduzir que o capitalismo mundial havia alcan\u00e7ado o n\u00edvel de amadurecimento necess\u00e1rio para a revolu\u00e7\u00e3o socialista, ou seja, as condi\u00e7\u00f5es objetivas estavam dadas. Era preciso fazer avan\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es subjetivas.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na Grande Guerra provocou o acirramento das contradi\u00e7\u00f5es no interior da sociedade, trazendo \u00e0 tona novamente o movimento oper\u00e1rio e campon\u00eas, com maior protagonismo dos Sovietes. Em fevereiro de 1917, as manifesta\u00e7\u00f5es populares promoveram a queda do czar Nicolau II e tinha in\u00edcio o per\u00edodo do Governo Provis\u00f3rio, dirigido pela burguesia liberal, com apoio dos mencheviques e socialistas revolucion\u00e1rios (SRs ou \u201cesseristas\u201d), correntes reformistas que hegemonizavam os sovietes. L\u00eanin consegue voltar \u00e0 R\u00fassia e anuncia que, derrubada a autocracia czarista e conquistada a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa, estava aberta a fase da luta pela conquista do Estado prolet\u00e1rio, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Em <em><strong>Sobre as tarefas do proletariado na presente revolu\u00e7\u00e3o (Teses de Abril)<\/strong><\/em>, texto publicado no <em>Pravda<\/em> em 07 de abril de 1917, L\u00eanin percebeu a oportunidade hist\u00f3rica de deflagra\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o popular em curso, mas provocou a rea\u00e7\u00e3o de incredulidade de parte dos militantes socialistas russos, quando afirmou que a peculiaridade daquele momento consistia na transi\u00e7\u00e3o da primeira etapa da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cque deu poder \u00e0 burguesia por faltar ao proletariado o grau necess\u00e1rio de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 para a segunda etapa, que deveria colocar o poder nas m\u00e3os do proletariado e das camadas pobres do campesinato. L\u00eanin partia da avalia\u00e7\u00e3o de que, na maior parte dos sovietes, os bolcheviques estavam em minoria, o que exigia um paciente e firme trabalho de cr\u00edtica ao governo e de esclarecimento junto \u00e0s massas acerca da necessidade de que o poder passasse \u00e0s m\u00e3os dos sovietes.<\/p>\n<p>Nos meses anteriores \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, L\u00eanin travou uma dura batalha ideol\u00f3gica contra os oportunistas e reformistas russos, representados centralmente pelos mencheviques e socialistas revolucion\u00e1rios, que recusavam a op\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista e contentavam-se em ocupar cargos e minist\u00e9rios no governo provis\u00f3rio dominado pela burguesia, latifundi\u00e1rios e imperialistas. L\u00eanin, principalmente no m\u00eas de setembro, produziu textos de combate \u00e0s vacila\u00e7\u00f5es e trai\u00e7\u00f5es dos reformistas, mas tamb\u00e9m dirigidos a convencer parte do Partido Bolchevique, n\u00e3o totalmente crente das possibilidades objetivas da vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria do proletariado. Nos textos publicados no per\u00edodo, tais como <em><strong>Uma das Quest\u00f5es Fundamentais da Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, <em><strong>Os Bolcheviques devem tomar o poder<\/strong><\/em> e <em><strong>Marxismo e Insurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><sup><sup>iii<\/sup><\/sup>, L\u00eanin deixava claro que o poder sovi\u00e9tico significaria uma mudan\u00e7a radical no exerc\u00edcio do poder de Estado. N\u00e3o bastava tomar o poder de assalto, algo que de fato foi facilitado pela degrada\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas em 1917, desgastado pol\u00edtica e socialmente ao manter o pa\u00eds na guerra a qualquer pre\u00e7o, preferindo atender \u00e0s necessidades dos imperialistas ingleses e franceses a fazer valer a vontade popular. O poder dos sovietes representaria a destrui\u00e7\u00e3o de todo o velho aparato de Estado, com a sua consequente substitui\u00e7\u00e3o por um aparelho novo e popular, verdadeiramente democr\u00e1tico, a ser controlado pela maioria organizada e armada do povo, dos oper\u00e1rios, soldados e camponeses.<\/p>\n<p>Entre maio e setembro de 1917, os acontecimentos e as lutas na R\u00fassia haviam revertido o momento anterior de inferioridade bolchevique no interior dos sovietes das capitais, os quais passavam a pender para o lado dos revolucion\u00e1rios. Baseando-se ainda em escrito de Engels sobre a \u201carte da insurrei\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Revolu\u00e7\u00e3o e Contrarrevolu\u00e7\u00e3o na Alemanha<\/em>, que, assinado por Marx, foi publicado no <em>New York Daily Tribune<\/em> em 1851 e 1852), L\u00eanin afirmava categoricamente que a revolu\u00e7\u00e3o estava na ordem do dia, pois, a partir dos eventos de julho e agosto de 1917, estavam dadas as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas para o sucesso da empreitada revolucion\u00e1ria. L\u00eanin referia-se \u00e0s jornadas de julho e \u00e0 \u201ckornilovada\u201d. As manifesta\u00e7\u00f5es de julho foram desencadeadas por um movimento de soldados, marinheiros e oper\u00e1rios, enfurecidos contra o governo provis\u00f3rio e suas ordens militares, notoriamente infrut\u00edferas e irrespons\u00e1veis. As demonstra\u00e7\u00f5es de massa ocorreram em Petrogrado, e os manifestantes gritaram as palavras de ordem dos bolcheviques, como \u201ctodo o poder aos Sovietes\u201d, exigindo que a dire\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos Sovietes assumisse o poder, o que foi negado pelo Comit\u00ea Executivo Central, dominado por socialistas revolucion\u00e1rios e mencheviques. O movimento foi massacrado pelo governo provis\u00f3rio, que atacou o Partido Bolchevique, empastelando seus jornais e gr\u00e1ficas e mandando prender as lideran\u00e7as oper\u00e1rias. No epis\u00f3dio da a\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria liderada pelo general czarista Kornilov, em agosto de 1917, o governo provis\u00f3rio, sob comando de Kerenski, adotou postura amb\u00edgua, ao insuflar inicialmente a revolta, para se ver livre dos bolcheviques. Mas foram estes que enfrentaram decisivamente a tentativa de golpe de Kornilov e continuaram a denunciar o governo provis\u00f3rio e seus c\u00famplices socialistas revolucion\u00e1rios e mencheviques. A kornilovada foi liquidada pelos oper\u00e1rios e camponeses liderados pelo Partido Bolchevique.<\/p>\n<p>L\u00eanin, ent\u00e3o, percebia que, ap\u00f3s estes dois grandes acontecimentos hist\u00f3ricos, as massas haviam vivenciado experi\u00eancias decisivas no enfrentamento aos seus inimigos de classe, e era cada vez mais evidente o desmascaramento dos reformistas e oportunistas, que, ocupando minist\u00e9rios no governo provis\u00f3rio, assumiam na pr\u00e1tica a defesa dos interesses burgueses. L\u00eanin enfatizava que, por tudo isso, a batalha pela hegemonia no interior dos Sovietes estava sendo ganha pelos bolcheviques. E dizia que, naquele exato momento hist\u00f3rico, existiam as condi\u00e7\u00f5es objetivas e subjetivas para a tomada do poder, pois \u201ctemos a nosso favor a maioria da classe que \u00e9 a vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o, a vanguarda do povo, capaz de arrastar as massas\u201d. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, por meio da leitura desses textos, podemos concluir que, para L\u00eanin, uma das quest\u00f5es centrais na luta e conquista do poder na R\u00fassia foi a batalha ideol\u00f3gica travada no interior do Sovietes, para tirar da influ\u00eancia nefasta de mencheviques e esseristas as mais valorosas lideran\u00e7as oper\u00e1rias e camponesas, as quais, sob a firme dire\u00e7\u00e3o dos bolcheviques, comandaram a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Portanto, a quest\u00e3o da hegemonia foi um aspecto central da vit\u00f3ria bolchevique em 1917, fato que, com certeza, se verificaria tamb\u00e9m nas demais revolu\u00e7\u00f5es socialistas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 dessa fase imediatamente anterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro o livro <em><strong>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, escrito em agosto e setembro de 1917. Com base nos textos de Marx sobre as lutas de classes na Fran\u00e7a do s\u00e9culo XIX e, em especial, sobre a Comuna de Paris, L\u00eanin sistematizou as ideias do fundadores do materialismo hist\u00f3rico acerca do Estado capitalista e da ditadura do proletariado, reafirmando o car\u00e1ter de classe do Estado e desmistificando o pensamento burgu\u00eas segundo o qual a democracia pol\u00edtica seria inerente \u00e0 ordem fundada pelos liberais. Buscou atualizar os princ\u00edpios te\u00f3ricos marxistas sobre a quest\u00e3o do poder para aplic\u00e1-los na luta pol\u00edtica em tempos de capitalismo monopolista e de imperialismo. Segundo seus progn\u00f3sticos \u00e0 \u00e9poca, estavam colocadas as condi\u00e7\u00f5es para a revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial, pois o imperialismo, identificado por ele como \u201ccapitalismo parasit\u00e1rio ou em estado de decomposi\u00e7\u00e3o\u201d, um \u201ccapitalismo agonizante\u201d, teria aberto a \u201cera das revolu\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias\u201d. A consolida\u00e7\u00e3o do capitalismo monopolista e do imperialismo havia representado, ainda, um retrocesso nas pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas conquistadas em v\u00e1rios pa\u00edses gra\u00e7as \u00e0s intensas lutas oper\u00e1rias travadas ao longo do s\u00e9culo XIX. Na perspectiva do l\u00edder bolchevique, o Estado convertia-se, ent\u00e3o, num instrumento direto a servi\u00e7o do grande capital, conforme aponta Jos\u00e9 Paulo Netto no texto <em>L\u00eanin e a instrumentalidade do Estado<\/em><sup><sup>iv<\/sup><\/sup>, an\u00e1lise esta que antecipava a apreens\u00e3o sobre a tend\u00eancia \u2013 hoje muito evidente \u2013 da completa incompatibilidade entre a ordem capitalista e a democracia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Esse tema seria revisitado quando da pol\u00eamica com Kautsky em 1918, em resposta a uma brochura do socialista austr\u00edaco intitulada <em>Ditadura do Proletariado<\/em>. Em <em><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria e o Renegado Kautsky<\/strong><\/em>, L\u00eanin atacou frontalmente as ideias revisionistas daquele que, desde o per\u00edodo da Grande Guerra, havia migrado para posi\u00e7\u00f5es reformistas, deturpando v\u00e1rios princ\u00edpios te\u00f3ricos do marxismo e tentando transformar Marx num \u201cvulgar liberal\u201d. L\u00eanin refutava a mistifica\u00e7\u00e3o de Kautsky em torno da democracia burguesa, ao falar de \u201cdemocracia pura\u201d na sociedade marcada pelo antagonismo de classe. Lembrando que mesmo a democracia burguesa mais avan\u00e7ada jamais deixar\u00e1 de lan\u00e7ar m\u00e3o de seu aparato repressivo quando a burguesia se sente amea\u00e7ada pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, escrevia:<\/p>\n<p><em>N\u00e3o h\u00e1 Estado, nem mesmo o mais democr\u00e1tico, onde n\u00e3o haja escapat\u00f3rias ou reservas nas constitui\u00e7\u00f5es que assegurem \u00e0 burguesia a possibilidade de lan\u00e7ar as tropas contra os oper\u00e1rios, declarar o estado de guerra, etc, \u00abem caso de viola\u00e7\u00e3o da ordem\u00bb, de fato em caso de \u00abviola\u00e7\u00e3o\u00bb pela classe explorada da sua situa\u00e7\u00e3o de escrava e de tentativas de n\u00e3o se comportar como escrava. Kautsky embeleza desavergonhadamente a democracia burguesa, nada dizendo, por exemplo, daquilo que fazem os burgueses mais democr\u00e1ticos e republicanos na Am\u00e9rica ou na Su\u00ed\u00e7a contra os oper\u00e1rios em greve<\/em>.<sup><sup>v<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Conclu\u00edda a revolu\u00e7\u00e3o socialista em outubro de 1917, L\u00eanin liderou o governo bolchevique no enfrentamento \u00e0 guerra civil incensada pelas for\u00e7as reacion\u00e1rias russas, apoiadas pelas na\u00e7\u00f5es imperialistas, at\u00e9 1921. Em mar\u00e7o de 1919 em Moscou, esteve \u00e0 frente da funda\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista, criada na perspectiva de se tornar uma \u201cUni\u00e3o Mundial das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas\u201d e de promover em todo o mundo a luta pela afirma\u00e7\u00e3o da ditadura do proletariado no lugar da democracia burguesa. Ultrapassado o per\u00edodo que ficou conhecido como \u201ccomunismo de guerra\u201d, com a vit\u00f3ria das for\u00e7as prolet\u00e1rias, L\u00eanin comandou a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da R\u00fassia, implantando a NEP (Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica), atrav\u00e9s da qual medidas capitalistas foram utilizadas para suplantar o enorme atraso estrutural em que se encontrava o pa\u00eds e para estabelecer as bases necess\u00e1rias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade socialista.<\/p>\n<p>No III Congresso da IC, realizado em 1921, com base em seu texto <em><strong>Esquerdismo, doen\u00e7a infantil do comunismo<\/strong><\/em>, L\u00eanin passava a reconhecer que a onda revolucion\u00e1ria havia regredido, centralmente na Europa, da\u00ed a necessidade de um trabalho dos comunistas no interior dos sindicatos dominados por dire\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es institu\u00eddas pelo calend\u00e1rio pol\u00edtico democr\u00e1tico-burgu\u00eas, tendo em vista a conquista de cadeiras, pelo movimento oper\u00e1rio, nos parlamentos dos pa\u00edses capitalistas. L\u00eanin percebia que os partidos comunistas fora da R\u00fassia Sovi\u00e9tica tinham pequena inser\u00e7\u00e3o junto \u00e0s massas e insistiam em adotar t\u00e1ticas revolucion\u00e1rias calcadas na experi\u00eancia dos bolcheviques, as quais n\u00e3o demonstravam ser adequadas \u00e0 realidade social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica do ocidente capitalista. Lembrava L\u00eanin que os bolcheviques necessitaram de quinze anos para se preparar como uma for\u00e7a pol\u00edtica organizada para a conquista do poder na R\u00fassia, afirmando que a vit\u00f3ria sobre a burguesia seria imposs\u00edvel sem uma \u201cguerra prolongada, tenaz, desesperada, de vida ou de morte; uma guerra que exige tenacidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e unidade de vontade\u201d. Afinal, tratava-se de enfrentar um poder que n\u00e3o residia apenas na for\u00e7a do capital e na solidez das suas rela\u00e7\u00f5es internacionais, mas igualmente na \u201c<em>for\u00e7a do costume<\/em>, na for\u00e7a da <em>pequena produ\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<sup><sup>vi<\/sup><\/sup>. O dirigente bolchevique indicava a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o que fosse tamb\u00e9m capaz de promover transforma\u00e7\u00f5es de ordem moral e cultural para vencer a ideologia do capitalismo.<\/p>\n<p>Morto aos 53 anos, em 21 de janeiro de 1924, ap\u00f3s acidentes vasculares decorrentes de uma sa\u00fade debilitada por v\u00e1rios anos de intensa dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho revolucion\u00e1rio, L\u00eanin deixou um legado pol\u00edtico que provocou a rea\u00e7\u00e3o raivosa da burguesia e da socialdemocracia, que sempre buscaram demoniz\u00e1-lo e tudo o que ele representa. Em contrapartida, para os revolucion\u00e1rios e trabalhadores conscientes da necessidade de substituir a ordem capitalista e pelo socialismo, h\u00e1 a certeza de que seu pensamento mant\u00e9m-se como um guia indispens\u00e1vel para a a\u00e7\u00e3o transformadora. Nos dias de hoje, em que ficam cada vez mais evidentes a incompatibilidade do capitalismo com a democracia (fato particularmente vis\u00edvel no Brasil de janeiro de 2014, quando o governo democr\u00e1tico petista acaba de baixar uma portaria em defesa da Lei e da Ordem, pela qual deixa claro que o aparato repressivo do Estado ser\u00e1 usado contra as manifesta\u00e7\u00f5es populares) e a impossibilidade de realizar qualquer reforma no interior do sistema que n\u00e3o seja em favor da pr\u00f3pria burguesia, os trabalhadores continuar\u00e3o encontrando no marxismo revolucion\u00e1rio de L\u00eanin o indicativo preciso da uni\u00e3o da teoria com a pr\u00e1tica, para a organiza\u00e7\u00e3o das lutas de resist\u00eancia e enfrentamento aos imperativos do capital, com vistas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da alternativa socialista, no rumo do comunismo.<\/p>\n<p>i Conferir o texto de Michael L\u00f6wy \u201cMarxismo e Positivismo no pensamento da Segunda Internacional\u201d em <em>As Aventuras de Karl Marx contra o Bar\u00e3o de M\u00fcnchhausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento<\/em>, Cortez Editora, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 117.<\/p>\n<p>ii V. I. L\u00eanin \u2013 <em>Duas T\u00e1ticas da Socialdemocracia na Revolu\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica<\/em>, Lisboa, Editorial Avante!, 1978, p. 98.<\/p>\n<p>iii Estes textos foram reunidos por Slavoj Zizek no livro <em>\u00c0s Portas da Revolu\u00e7\u00e3o: escritos de L\u00eanin de 1917<\/em>, S\u00e3o Paulo, Boitempo Editorial, 2005. Tamb\u00e9m encontram-se dispon\u00edveis na p\u00e1gina da Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis (http:\/\/pcb.org.br\/fdr), em Biblioteca Comunista.<\/p>\n<p>iv Ver Netto, Jos\u00e9 Paulo \u2013 <em>Marxismo Impenitente: contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria das ideias marxistas<\/em>, S\u00e3o Paulo, Cortez Editora, 2004, pp. 109-138.<\/p>\n<p>v L\u00eanin \u2013 <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria e o Renegado Kautsky<\/em> em http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1918\/renegado\/cap02.htm.<\/p>\n<p>vi ____ &#8211; <em>Esquerdismo, Doen\u00e7a Infantil do Comunismo<\/em> em http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1920\/esquerdismo\/index.htm.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ricardo Costa, membro do Comit\u00ea Central do PCB\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5833\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-5833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1w5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}