{"id":5847,"date":"2014-01-30T15:53:25","date_gmt":"2014-01-30T15:53:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5847"},"modified":"2014-01-30T15:53:25","modified_gmt":"2014-01-30T15:53:25","slug":"arabia-sauditauma-retrograda-ditadura-rentista-e-terrorismo-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5847","title":{"rendered":"Ar\u00e1bia Saudita:Uma retr\u00f3grada ditadura rentista e terrorismo global"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A Ar\u00e1bia Saudita tem todos os v\u00edcios e nenhuma das virtudes de um estado rico em petr\u00f3leo como a Venezuela. O pa\u00eds \u00e9 governado por uma ditadura familiar que n\u00e3o tolera qualquer oposi\u00e7\u00e3o e pune severamente os defensores dos direitos humanos e os dissidentes pol\u00edticos. Centenas de milhares de milh\u00f5es de receitas do petr\u00f3leo s\u00e3o controlados pelo despotismo real e alimentam investimentos especulativos no mundo inteiro.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A elite dirigente confia na compra de armas ocidentais e nas bases militares dos EUA para sua protec\u00e7\u00e3o. A riqueza de na\u00e7\u00f5es produtivas \u00e9 sugada para enriquecer o consumo not\u00f3rio da fam\u00edlia saudita governante. A elite dirigente financia a vers\u00e3o mais fan\u00e1tica, retr\u00f3grada e mis\u00f3gina do Isl\u00e3o, o &#8220;waaabismo&#8221;, uma seita do Isl\u00e3o sunita.<\/p>\n<p>Confrontada com a dissid\u00eancia interna de s\u00fabditos reprimidos e de minorias religiosas, a ditadura saudita v\u00ea amea\u00e7as e perigos por todos os lados: no exterior, governos xiitas seculares nacionalistas; internamente, sunitas moderados, nacionalistas democratas e feministas; no seio das cliques realistas, tradicionalistas e modernizadores. Como resposta, virou-se para o financiamento, treino e armamento de uma rede internacional de terroristas isl\u00e2micos que t\u00eam como objectivo atacar, invadir e destruir regimes que se op\u00f5em ao regime clerical-ditatorial saudita.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro da rede terrorista saudita \u00e9 Bandar bin Sultan, que h\u00e1 muito tem liga\u00e7\u00f5es profundas a altos funcion\u00e1rios pol\u00edticos, militares e de informa\u00e7\u00f5es dos EUA. Bandar foi treinado e catequizado na Base da For\u00e7a A\u00e9rea Maxwell e na Universidade Johns Hopkins e foi embaixador saudita nos EUA durante duas d\u00e9cadas (1983-2005). Entre 2005 e 2011 foi secret\u00e1rio do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional e em 2012 foi nomeado director-geral da ag\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es saudita. Desde muito cedo Bandar mergulhou profundamente nas opera\u00e7\u00f5es terroristas clandestinas que funcionavam em liga\u00e7\u00e3o com a CIA. Entre as in\u00fameras &#8220;opera\u00e7\u00f5es sujas&#8221; com a CIA durante os anos 80, Bandar canalizou 32 milh\u00f5es de d\u00f3lares para os Contra da Nicar\u00e1gua envolvidos numa campanha terrorista para derrubar o governo revolucion\u00e1rio sandinista na Nicar\u00e1gua. Durante o seu mandato enquanto embaixador envolveu-se activamente na protec\u00e7\u00e3o da realeza saudita com liga\u00e7\u00f5es ao ataque terrorista \u00e0s tr\u00eas Torres e ao Pent\u00e1gono em 11\/Set\/2001. A suspeita de que Bandar e os seus aliados na fam\u00edlia real tinham conhecimento pr\u00e9vio do ataque por terroristas sauditas (11 em 19) \u00e9 sugerida pela s\u00fabita fuga da realeza saudita na sequ\u00eancia do acto terrorista. Documentos das informa\u00e7\u00f5es americanas relativas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o saudita-Bandar est\u00e3o a ser analisados pelo Congresso.<\/p>\n<p>Com a abund\u00e2ncia de experi\u00eancia e treino em dirigir opera\u00e7\u00f5es terroristas clandestinas, proveniente das duas d\u00e9cadas de colabora\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os secretos americanos, Bandar estava em posi\u00e7\u00e3o de organizar a sua rede terrorista global em defesa da desp\u00f3tica monarquia saudita, isolada, retr\u00f3grada e vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>A rede terrorista de Bandar <\/strong><\/p>\n<p>Bandar bin Sultan transformou a Ar\u00e1bia Saudita de um regime virado para dentro, com base tribal, totalmente dependente do poder militar dos EUA para a sua sobreviv\u00eancia, num importante centro regional duma vasta rede terrorista, apoiante financeiro activo de ditaduras militares de direita (Egipto), de regimes clientelistas (I\u00e9men) e de regimes que interv\u00eam militarmente na regi\u00e3o do Golfo (Bahrain). Bandar financiou e armou uma vasta s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es terroristas clandestinas, utilizando afiliados isl\u00e2micos da Al Qaeda, a seita waabita controlada pelos sauditas, assim como muitos outros grupos armados sunitas. Bandar \u00e9 um operador terrorista &#8220;pragm\u00e1tico&#8221;: reprime os advers\u00e1rios da Al Qaeda na Ar\u00e1bia Saudita e financia os terroristas da Al Qaeda no Iraque, na S\u00edria, no Afeganist\u00e3o e noutros locais. Embora Bandar tenha sido um trunfo a longo prazo dos servi\u00e7os secretos dos EUA, mais recentemente assumiu um &#8216;percurso independente&#8217; em que os interesses regionais do estado d\u00e9spota divergem dos interesses dos EUA. Na mesma linha, embora a Ar\u00e1bia Saudita tenha uma inimizade antiga com Israel, Bandar desenvolveu um &#8220;entendimento secreto&#8221; e uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho com o regime de Netanyahu, em torno da sua inimizade comum para com o Ir\u00e3o e, mais especificamente, em oposi\u00e7\u00e3o ao acordo provis\u00f3rio entre os regimes Obama-Rohani.<\/p>\n<p>Bandar interveio, directamente ou atrav\u00e9s de amigos, para reformular alinhamentos pol\u00edticos, desestabilizando advers\u00e1rios e refor\u00e7ando e expandindo o alcance pol\u00edtico da ditadura saudita desde o norte de \u00c1frica at\u00e9 ao sul da \u00c1sia, desde o C\u00e1ucaso russo at\u00e9 ao Corno de \u00c1frica, por vezes em concerta\u00e7\u00e3o com o imperialismo ocidental, outras vezes projectando as aspira\u00e7\u00f5es hegem\u00f3nicas sauditas.<\/p>\n<p><strong>Norte de \u00c1frica: Tun\u00edsia, Marrocos, L\u00edbia e Egipto <\/strong><\/p>\n<p>Bandar injectou milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares para refor\u00e7ar os regimes pr\u00f3-isl\u00e2micos de direita na Tun\u00edsia e em Marrocos, assegurando que os movimentos de massas pr\u00f3-democracia seriam reprimidos, marginalizados e desmobilizados. Os extremistas isl\u00e2micos que receberam apoio financeiro saudita s\u00e3o encorajados a apoiar os islamitas &#8220;moderados&#8221; no governo, assassinando l\u00edderes seculares e l\u00edderes sindicalistas socialistas da oposi\u00e7\u00e3o. As pol\u00edticas de Bandar coincidem amplamente com as dos EUA e da Fran\u00e7a na Tun\u00edsia e em Marrocos, mas n\u00e3o na L\u00edbia e no Egipto.<\/p>\n<p>O apoio financeiro saudita a terroristas islamitas e a afiliados da Al Qaeda contra o presidente l\u00edbio Kadhafi, estiveram em linha com a guerra a\u00e9rea da NATO. Mas surgiram diverg\u00eancias no p\u00f3s-guerra: a NATO apoiava um regime cliente feito de neoliberais e de expatriados contra os sauditas que apoiavam a Al Qaeda e grupos terroristas islamitas e pistoleiros e salteadores sortidos. Os extremistas isl\u00e2micos na L\u00edbia financiados por Bandar foram financiados para alargar as suas opera\u00e7\u00f5es militares \u00e0 S\u00edria, onde o regime saudita estava a organizar uma ampla opera\u00e7\u00e3o militar para derrubar o regime de Assad. O conflito ruinoso entre a NATO e os grupos sauditas armados na L\u00edbia transbordou e levou ao assass\u00ednio islamita do embaixador dos EUA e de operacionais da CIA em Bengasi. Depois de derrubar Khadafi, Bandar abandonou praticamente o interesse no subsequente banho de sangue e caos provocado pelos seus homens armados. Estes, por sua vez, auto-financiaram-se \u2013 roubando bancos, surripiando petr\u00f3leo e esvaziando tesourarias locais \u2013 relativamente &#8220;independentes&#8221; do controlo de Bandar.<\/p>\n<p>No Egipto, Bandar desenvolveu, em coordena\u00e7\u00e3o com Israel (mas por diferentes raz\u00f5es), uma estrat\u00e9gia para sabotar o regime da Irmandade Mu\u00e7ulmana, relativamente independente, democraticamente eleito, de Mohammed Morsi. Bandar e a ditadura saudita apoiaram financeiramente o golpe militar e a ditadura do general Sisi. A estrat\u00e9gia dos EUA de um acordo de partilha do poder entre a Irmandade Mu\u00e7ulmana e o regime militar, aliando a legitimidade eleitoral popular e as for\u00e7as militares pr\u00f3-Israel e pr\u00f3-NATO, foi sabotada. Com um pacote de assist\u00eancia de 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e promessas de mais no futuro, Bandar proporcionou \u00e0s for\u00e7as militares eg\u00edpcias sobreviv\u00eancia e imunidade econ\u00f3mica a quaisquer repres\u00e1lias financeiras internacionais. N\u00e3o houve quaisquer consequ\u00eancias. Os militares esmagaram a Irmandade, prenderam e amea\u00e7aram executar os seus l\u00edderes eleitos. Ilegalizaram sectores da oposi\u00e7\u00e3o da esquerda liberal que tinham sido usados como carne para canh\u00e3o para justificar a sua tomada do poder. Apoiando o golpe militar, Bandar eliminou um regime isl\u00e2mico rival, democraticamente eleito, que contrastava com o despotismo saudita. Assegurou um regime ditatorial semelhante ao seu num pa\u00eds \u00e1rabe fulcral, apesar de os dirigentes militares serem mais seculares, pr\u00f3-ocidentais, pr\u00f3-Israel e menos anti Assad que o regime da Irmandade. O \u00eaxito de Bandar em olear as rodas para o golpe eg\u00edpcio assegurou um aliado pol\u00edtico mas enfrenta um futuro incerto.<\/p>\n<p>O renascimento de um novo movimento de massas anti ditatorial tamb\u00e9m atingir\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o saudita. Al\u00e9m disso, Bandar rompeu e enfraqueceu a unidade dos estados do Golfo: o Qatar financiou o regime Morsi e ficou sem 5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares que tinha disponibilizado ao regime anterior.<\/p>\n<p>A rede terrorista de Bandar \u00e9 sobretudo evidente no financiamento, armamento, treino e transporte de dezenas de milhares de &#8220;volunt\u00e1rios&#8221; terroristas isl\u00e2micos dos EUA, da Europa, do M\u00e9dio Oriente, do C\u00e1ucaso, do Norte de \u00c1frica e doutros locais, uma opera\u00e7\u00e3o numa escala de longo prazo. Os terroristas da Al Qaeda na Ar\u00e1bia Saudita tornaram-se &#8220;m\u00e1rtires do Isl\u00e3o&#8221; na S\u00edria. Dezenas de grupos isl\u00e2micos armados na S\u00edria competiram por causa de armas e fundos sauditas. Bases de treino com instrutores americanos e europeus e financiamento saudita instalaram-se na Jord\u00e2nia, no Paquist\u00e3o e na Turquia. Bandar financiou o importante grupo armado terrorista isl\u00e2mico &#8216;rebelde&#8217;, o Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante, para opera\u00e7\u00f5es fronteiri\u00e7as.<\/p>\n<p>Com o Hezbollah a apoiar Assad, Bandar canalizou dinheiro e armas para as Brigadas Abdullah Azzam no L\u00edbano para bombardear o sul de Beirute, a embaixada iraniana e Tr\u00edpoli. Bandar canalizou 3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares para os militares libaneses na inten\u00e7\u00e3o de fomentar uma nova guerra civil entre eles e o Hezbollah. Em coordena\u00e7\u00e3o com a Fran\u00e7a e os EUA, mas com muito maior financiamento e maior latitude para recrutar terroristas isl\u00e2micos, Bandar assumiu o papel de lideran\u00e7a e tornou-se o director de princ\u00edpios duma ofensiva militar e diplom\u00e1tica em tr\u00eas frentes contra a S\u00edria, o Hezbollah e o Ir\u00e3o. Para Bandar, a conquista isl\u00e2mica na S\u00edria levaria a uma invas\u00e3o s\u00edria isl\u00e2mica em apoio da Al Qaeda no L\u00edbano para derrotar o Hezbollah na esperan\u00e7a de isolar o Ir\u00e3o. Teer\u00e3o tornar-se-ia assim o alvo duma ofensiva saudita-Israel-EUA. A estrat\u00e9gia de Bandar \u00e9 mais fantasia do que realidade.<\/p>\n<p><strong>Bandar diverge de Washington: a ofensiva no Iraque e no Ir\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>A Ar\u00e1bia Saudita tem sido extremamente \u00fatil mas, por vezes, escapa ao controlo de cliente de Washington. \u00c9 o que acontece especialmente desde que Bandar se assumiu como chefe dos servi\u00e7os secretos: um activo de longa data da CIA, por vezes tamb\u00e9m assumiu a liberdade de exigir &#8220;favores&#8221; em troca dos seus servi\u00e7os, especialmente quando esses &#8220;favores&#8221; refor\u00e7avam a sua subida no seio da estrutura do poder saudita. Assim, por exemplo, a sua capacidade de garantir os AWAC\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/petras\/petras_10jan14_p.html#notas\" target=\"_blank\">[1]<\/a> , apesar da oposi\u00e7\u00e3o da AIPAC\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/petras\/petras_10jan14_p.html#notaa\" target=\"_blank\">[2]<\/a> , fizeram-lhe ganhar alguns pontos de m\u00e9rito. Tal como aconteceu com a capacidade de Bandar para assegurar a sa\u00edda de v\u00e1rias centenas de &#8216;realezas&#8217; sauditas com liga\u00e7\u00e3o aos ataques de 11\/Set, apesar do bloqueio nacional de seguran\u00e7a a alto n\u00edvel na sequ\u00eancia desses ataques.<\/p>\n<p>Embora tenha havido transgress\u00f5es epis\u00f3dicas no passado, Bandar avan\u00e7ou para diverg\u00eancias mais graves em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica dos EUA. Seguiu em frente, construindo a sua rede terrorista, no intuito de maximizar a hegemonia saudita \u2013 mesmo quando entrava em conflito com os amigos, clientes e operacionais clandestinos americanos.<\/p>\n<p>Enquanto os EUA est\u00e3o empenhados em apoiar o regime de direita de Malicki no Iraque, Bandar est\u00e1 a fornecer apoio pol\u00edtico, militar e financeiro ao &#8220;Estado Isl\u00e2mico do Iraque e da S\u00edria&#8221; terrorista sunita. Enquanto os EUA negociavam o &#8220;acordo provis\u00f3rio&#8221; com o Ir\u00e3o, Bandar exprimiu a sua oposi\u00e7\u00e3o e &#8220;comprou&#8221; apoio. Os sauditas assinaram um acordo de armas de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares durante a visita do presidente franc\u00eas Hollande, em troca de maiores san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3o. Bandar tamb\u00e9m expressou o seu apoio \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o por Israel da configura\u00e7\u00e3o do poder sionista para influenciar o Congresso, a fim de sabotar as negocia\u00e7\u00f5es dos EUA com o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Bandar afastou-se da sua submiss\u00e3o inicial aos treinadores dos servi\u00e7os secretos americanos. As suas estreitas liga\u00e7\u00f5es com presidentes e pol\u00edticos influentes dos EUA e da UE, passados e presentes, encorajaram-no a meter-se em &#8220;aventuras do Grande Poder&#8221;. Encontrou-se com o presidente russo Putin para o convencer a abandonar o seu apoio \u00e0 S\u00edria, propondo-lhe uma cenoura ou um chicote: uma venda de armas de muitos milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares se acedesse, ou a amea\u00e7a de enviar terroristas chechenos para sabotar os Jogos Ol\u00edmpicos em Sochi. Virou Erdogan de aliado incondicional da NATO que apoiava os opositores armados &#8216;moderados&#8217; a Bashar Assad, para abra\u00e7ar o &#8216;Estado Isl\u00e2mico do Iraque e da S\u00edria&#8217; apoiado pelos sauditas, um estado filiado na Al Qaeda terrorista. Bandar &#8220;ignorou&#8221; os esfor\u00e7os &#8220;oportunistas&#8221; de Erdogan para assinar acordos de petr\u00f3leo com o Ir\u00e3o e o Iraque, os seus continuados acordos militares com a NATO e o seu anterior apoio ao defunto regime de Morsi no Egipto, a fim de assegurar o apoio de Erdogan para a passagem f\u00e1cil de grande n\u00famero de terroristas treinados na Ar\u00e1bia Saudita para a S\u00edria e provavelmente para o L\u00edbano.<\/p>\n<p>Bandar refor\u00e7ou la\u00e7os com os talib\u00e3s armados no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o, armando e financiando a sua resist\u00eancia armada contra os EUA, assim como propondo aos EUA um local para uma &#8216;retirada negociada&#8217;.<\/p>\n<p>Bandar provavelmente est\u00e1 a apoiar e a armar terroristas mu\u00e7ulmanos uigures na China ocidental e terroristas isl\u00e2micos chechenos e caucasianos na R\u00fassia, enquanto os sauditas alargam os seus acordos petrol\u00edferos com a China e cooperam com a Gazprom da R\u00fassia.<\/p>\n<p>A \u00fanica regi\u00e3o em que os sauditas t\u00eam exercido uma interven\u00e7\u00e3o militar directa \u00e9 no mini-estado do Golfo, Bahrain, onde as tropas sauditas esmagaram o movimento pr\u00f3-democracia que contestava o d\u00e9spota local.<\/p>\n<p><strong>Bandar: Terrorismo global em duvidosos fundamentos internos <\/strong><\/p>\n<p>Bandar envolveu-se numa transforma\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria da pol\u00edtica externa saudita e refor\u00e7ou a sua influ\u00eancia global. S\u00f3 que para pior. Tal como Israel, quando um governante reaccion\u00e1rio chega ao poder e derruba a ordem democr\u00e1tica, entram em cena os sauditas com sacas de d\u00f3lares para estimular o regime. Sempre que aparece uma rede terrorista isl\u00e2mica para subverter um regime nacionalista, secular ou xiita, pode contar com fundos e armas sauditas. Aquilo que alguns escribas ocidentais descrevem eufemisticamente como um &#8220;t\u00e9nue esfor\u00e7o para liberalizar e modernizar&#8221; o retr\u00f3grado regime saudita, \u00e9 na verdade uma renova\u00e7\u00e3o militar da sua actividade terrorista no exterior. Bandar usa t\u00e9cnicas modernas de terrorismo para impor o modelo de governo reaccion\u00e1rio saudita aos regimes vizinhos e distantes com popula\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que as opera\u00e7\u00f5es externas &#8220;aventureiras&#8221; de grande escala de Bandar entram em conflito com o estilo de governo &#8220;introspectivo&#8221; de algumas pessoas da fam\u00edlia real reinante. Querem que os deixem em paz para acrescentar centenas de milhares de milh\u00f5es \u00e0s rendas do petr\u00f3leo cobradas, para investir em propriedades de alta qualidade em todo o mundo, e para apadrinhar discretamente raparigas acompanhantes de gama alta em Washington, Londres e Beirute \u2013 enquanto se apresentam como piedosos guardi\u00f5es de Medina, de Meca e dos lugares santos. At\u00e9 aqui Bandar n\u00e3o tem sido contestado, porque tem tido o cuidado de prestar homenagem ao monarca dirigente e ao seu c\u00edrculo interno. Comprou e levou primeiros-ministros, presidentes e outras figuras not\u00e1veis ocidentais e orientais para Riade para assinar acordos e apresentar cumprimentos para deleite do d\u00e9spota reinante. Mas o seu comportamento sol\u00edcito para com as opera\u00e7\u00f5es da Al Qaeda no estrangeiro, o seu encorajamento aos extremistas sauditas para irem para o estrangeiro e se envolverem em guerras terroristas, perturba os c\u00edrculos mon\u00e1rquicos. T\u00eam receio que terroristas sauditas treinados, armados e bem informados \u2013 conhecidos por &#8220;guerreiros sagrados&#8221; \u2013 possam regressar da S\u00edria, da R\u00fassia e do Iraque para bombardear os pal\u00e1cios do rei. Al\u00e9m disso, os regimes estrangeiros visados pela rede terrorista de Bandar podem exercer retalia\u00e7\u00e3o: a R\u00fassia ou o Ir\u00e3o, os s\u00edrios, os eg\u00edpcios, os paquistaneses, os iraquianos podem patrocinar os seus instrumentos de retalia\u00e7\u00e3o. Apesar das centenas de milhares de milh\u00f5es gastos na compra de armas, o regime saudita \u00e9 muito vulner\u00e1vel a todos os n\u00edveis. Para al\u00e9m das legi\u00f5es tribais, a elite multimilion\u00e1ria tem pouco apoio popular e ainda menos legitimidade. Depende do trabalho migrante externo, de &#8220;especialistas&#8221; estrangeiros e das for\u00e7as militares dos EUA. A elite saudita tamb\u00e9m \u00e9 desprezada pelos mais religiosos do clero waabi por permitir &#8220;infi\u00e9is&#8221; em terreno sagrado. Enquanto Bandar alarga o poder saudita no exterior, as bases internas do governo est\u00e3o a estreitar. Enquanto ele desafia os pol\u00edticos americanos na S\u00edria, no Ir\u00e3o e no Afeganist\u00e3o, o regime depende da For\u00e7a A\u00e9rea e da S\u00e9tima Armada americanas para o proteger duma s\u00e9rie crescente de regimes advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Bandar, com o seu ego inchado, pode julgar que \u00e9 um &#8220;Saladino&#8221; a construir um novo imp\u00e9rio isl\u00e2mico mas, na realidade, s\u00f3 com o levantar de um dedo, o monarca seu patrono pode provocar a sua r\u00e1pida demiss\u00e3o. Uns bombardeamentos civis demasiado provocadores dos seus benefici\u00e1rios terroristas isl\u00e2micos podem levar a uma crise internacional que tornem a Ar\u00e1bia Saudita num alvo do opr\u00f3brio mundial.<\/p>\n<p>Na realidade, Bandar bin Sultan \u00e9 o protegido e o sucessor de Bin Laden: aprofundou e sistematizou o terrorismo global. A rede terrorista de Bandar tem assassinado muito mais v\u00edtimas inocentes do que Bin Laden. Claro que isso era de esperar; afinal, ele tem milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares do tesouro saudita, o treino da CIA e o aperto de m\u00e3o de Netanyahu!<\/p>\n<p>[1] AWAC: Airborne Warning and Control<\/p>\n<p>[2] AIPAC: American Israeli Political Activity Committee<\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/petras.lahaine.org\/?p=1969\" target=\"_blank\">petras.lahaine.org\/?p=1969<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira.<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nJames Petras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5847\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1wj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5847\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}