{"id":5857,"date":"2014-02-02T04:16:27","date_gmt":"2014-02-02T04:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5857"},"modified":"2014-02-02T04:16:27","modified_gmt":"2014-02-02T04:16:27","slug":"junho-e-a-materializacao-do-bloco-revolucionario-do-proletariado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5857","title":{"rendered":"Junho \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o do Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado"},"content":{"rendered":"\n<p>Mauro Iasi al\u00e9m de membro do Comit\u00ea Central do PCB \u00e9 professor da Escola de Servi\u00e7o Social da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com diversos livros e trabalhos acad\u00eamicos publicados, sendo que foi presidente do sindicato dos docentes dessa mesma institui\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo 2011-2013.<\/p>\n<p>Em longa entrevista exclusiva ao Di\u00e1rio Liberdade Iasi abordou sua pr\u00e9-candidatura; a forma\u00e7\u00e3o de uma Frente de esquerda com PSOL, PSTU e movimentos sociais; a reconstru\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro depois do fim da URSS; a constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular como alternativa de ruptura com a ordem burguesa; as Jornadas de Junho como materializa\u00e7\u00e3o do Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado e a constitui\u00e7\u00e3o de uma Frente anticapitalista e anti-imperialista a n\u00edvel nacional e internacional. Tamb\u00e9m falou sobre os 10 anos de governos do PT e do rompimento do seu partido com o governo Lula em 2005.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, salientou que o Brasil j\u00e1 realizou sua revolu\u00e7\u00e3o burguesa, n\u00e3o cl\u00e1ssica, parecida com que L\u00eanin chamou de via prussiana e Gramsci de revolu\u00e7\u00e3o passiva. Ou seja, pela fala do professor n\u00e3o resta d\u00favida que a tarefa do proletariado como classe no Brasil \u00e9 fazer a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Mas nossa conversa com o cientista social n\u00e3o parou por a\u00ed. Ainda conversamos sobre a conjuntura latino-americana, a crise do capitalismo, o fim da URSS e a transi\u00e7\u00e3o socialista no mundo.<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1rio Liberdade (DL): O PCB j\u00e1 definiu seu nome como pr\u00e9-candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica para as elei\u00e7\u00f5es de 2014 no Brasil. Isso significa que a frente de esquerda eleitoral, como houve em 2006, est\u00e1 descartada desde j\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mauro Iasi (MI):<\/strong> Para o PCB, a Frente de esquerda n\u00e3o \u00e9, ou n\u00e3o deveria ser, uma frente eleitoral, mas representar a unidade na luta daqueles que se op\u00f5em ao atual rumo pol\u00edtico no Brasil imposto pelos governos petistas e o bloco conservador, espa\u00e7o no qual temos nos encontrado n\u00e3o apenas com o PSOL e o PSTU, mas com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais.<\/p>\n<p>Eleitoralmente, nem sempre, \u00e9 poss\u00edvel marcharmos juntos uma vez que uma constru\u00e7\u00e3o program\u00e1tica e pol\u00edtica n\u00e3o pode ser feita em cima da hora e por conveni\u00eancias eleitorais, at\u00e9 porque falamos de partidos de esquerda que prezam suas convic\u00e7\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>DL: O PSOL definiu em seu 4\u00ba Congresso o nome do senador Randolfe Rodrigues como pr\u00e9-candidato do partido a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Esse fato dificulta as alian\u00e7as do PCB com o PSOL nas elei\u00e7\u00f5es de 2014?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Respeitamos as inst\u00e2ncias internas dos partidos amigos. A decis\u00e3o sobre o melhor nome para represent\u00e1-los no pleito de 2014 cabe aos militantes do PSOL.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, n\u00e3o \u00e9 um nome de candidato (seja qual for) que ajuda ou atrapalha a unidade, mas a aus\u00eancia de uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tal como propusemos em 2010 quando afirmamos que uma verdadeira op\u00e7\u00e3o de esquerda aos governos petistas deveria partir de um amplo debate com os partidos, movimentos sociais e entidades dos trabalhadores que chegando a pontos program\u00e1ticos m\u00ednimos se dispusessem a construir uma alternativa de poder de car\u00e1ter socialista no m\u00e9dio e longo prazo em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Infelizmente, motivos de natureza mais imediata acabaram inviabilizando esta proposta e n\u00f3s, desde o encerramento das elei\u00e7\u00f5es de 2006, avisamos que n\u00e3o far\u00edamos alian\u00e7as meramente eleitorais.<\/p>\n<p><strong>DL: O PCB tem chamado a forma\u00e7\u00e3o de frentes (anticapitalista e anti-imperialista) e a constru\u00e7\u00e3o de um Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado, al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es. Como que anda as iniciativas, esfor\u00e7os e conversas do PCB, de outros partidos da esquerda e dos movimentos sociais sobre esta quest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Acreditamos que houve uma inflex\u00e3o na conjuntura brasileira desde junho de 2013 com as manifesta\u00e7\u00f5es de massa que expressam as grandes contradi\u00e7\u00f5es que amadureciam em nossa sociedade.<\/p>\n<p>A luta contra o aumento das passagens dos transportes urbanos, rapidamente generalizada por uma pauta que inclu\u00eda educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, a luta contra os gastos com os grandes eventos esportivos e suas conseq\u00fc\u00eancias como as remo\u00e7\u00f5es, assim como contra a viol\u00eancia policial, s\u00e3o, para o PCB, a materializa\u00e7\u00e3o daquilo que chamamos de Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado, porque ele n\u00e3o \u00e9 um movimento ou uma institui\u00e7\u00e3o, mas sim a capacidade da classe trabalhadora atrav\u00e9s de sua a\u00e7\u00e3o e identidade pol\u00edtica independente se contrapor ao bloco conservador que hegemoniza a pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Procuramos atuar decisivamente neste campo, junto aos movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda, mas tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es e coletivos que tem tido papel importante na manuten\u00e7\u00e3o das lutas de rua.<\/p>\n<p><strong>DL: Em 1992 a \u201cse\u00e7\u00e3o brasileira\u201d da III Internacional comunista dividiu-se em duas: PPS e PCB. Voc\u00ea pode explicar para nossos leitores, principalmente galegos e portugueses, com se deu o fato descrito acima?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Em verdade, n\u00e3o se tratava da se\u00e7\u00e3o brasileira da III Internacional, h\u00e1 muito j\u00e1 inativa. A diverg\u00eancia baseava-se na leitura sobre a crise que levou ao desmoronamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Houve uma tentativa de liquidar o PCB em 1992 que faz parte de um processo mais amplo de crise dos PCs em todo o mundo. Aqui havia o discurso que o PCB estava antiquado e deveria se \u201crenovar\u201d, apresentar um perfil democr\u00e1tico distanciando-se da meta socialista e anticapitalista que sempre caracterizou sua hist\u00f3ria para ter espa\u00e7o na pol\u00edtica brasileira. Aqueles que assim pensavam formaram o PPS que, desgra\u00e7adamente, acabou se tornando uma linha auxiliar da direita em nosso pa\u00eds, ao lado do PSDB e do DEM.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 resist\u00eancia de v\u00e1rios camaradas o PCB sobreviveu, resistiu e empreendeu um dif\u00edcil caminho de reconstru\u00e7\u00e3o, mantendo seus princ\u00edpios e convic\u00e7\u00f5es socialistas e revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>DL: O PCB participou do bloco pol\u00edtico que elegeu Lula em 2002. Em 2005 rompeu com o governo. Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> A elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002 significava o culminar de um longo processo de luta e resist\u00eancia contra a alternativa chamada de neoliberal apontando para reformas de car\u00e1ter popular e democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Entretanto, o governo Lula optou por um tipo de governabilidade que os jogou em alian\u00e7as ao centro e depois \u00e0 direita com legendas como o PMDB de Sarney, o PP de Paulo Maluf, o PTB de Roberto Jefferson. Manteve todos os elementos de uma macroeconomia que visava garantir as condi\u00e7\u00f5es para a acumula\u00e7\u00e3o de capitais, como a pol\u00edtica fiscal e monet\u00e1ria, o controle da infla\u00e7\u00e3o, o saneamento financeiro do Estado, a forma\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios, etc; ao mesmo tempo em que impunha contra-reformas, como o desmonte da previd\u00eancia p\u00fablica, n\u00e3o fez a reforma agr\u00e1ria necess\u00e1ria, deu continuidade as privatiza\u00e7\u00f5es diretas ou indiretas atrav\u00e9s das parcerias p\u00fablico privadas e aprofundou a flexibiliza\u00e7\u00e3o e perda de direitos para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Isso nos levou ainda em 2005, portanto, antes dos esc\u00e2ndalos do chamado \u201cmensal\u00e3o\u201d que envolveu o desvio de recursos para comparar a base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo, a romper com o governo petista.<\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 1.3em;\">DL: Como o partido, em resumo, explica o projeto do desenvolvimentismo lulista, em curso desde 2002, no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> O PT caminhou para uma alternativa de pacto social com a grande burguesia monopolista, fundado na id\u00e9ia que a base para um chamado desenvolvimento social \u00e9 o crescimento da economia capitalista, do mercado e da ordem institucional burguesa. Procura diferenciar-se da alternativa neoliberal, que apregoa a prioridade do mercado, afirmando a necessidade do Estado no apoio e subs\u00eddio \u00e0 economia de mercado, numa aparente oscila\u00e7\u00e3o entre neoliberalismo e um tipo de neodesenvolvimentismo.<\/p>\n<p>Sabemos que esta \u00e9 uma disjuntiva falsa. O capitalismo sempre exigiu em seu sociometabolismo a presen\u00e7a do mercado e do Estado, trata-se da \u00eanfase em um ou outro p\u00f3lo que s\u00e3o os dois elementos essenciais para a acumula\u00e7\u00e3o de capital. Mais mercado, ou mais Estado para garantir o bom funcionamento da economia capitalista.<\/p>\n<p>Neste caminho a prioridade \u00e9 dada \u00e0s a\u00e7\u00f5es que garantam o crescimento da economia capitalista, seja atrav\u00e9s de subs\u00eddios e transfer\u00eancias vultuosas \u00e0 economia privada, seja atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es indiretas como as pol\u00edticas de controle financeiro e inflacion\u00e1rio. O que sobra \u00e9 destinado ao combate \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es mais gritantes da pobreza absoluta, numa pol\u00edtica fragmentada e focalizada sob os moldes do Banco Mundial.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 que se h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da pobreza absoluta, com os 20% mais pobres que viviam com menos de U$ 1,00 \/dia, passando a viver com algo perto de U$2,00 \/dia, ou seja, com renda que varia entre R$ 90,00 e R$ 200,00 (no m\u00e1ximo um ter\u00e7o do sal\u00e1rio m\u00ednimo real); os 10% mais ricos que em 1990 acumula\u00e7\u00e3o 53% da riqueza nacional, hoje abocanham 74,2% desta riqueza.<\/p>\n<p>O desenvolvimento gerou enorme acumula\u00e7\u00e3o de propriedades e riquezas no agroneg\u00f3cio e estagnou a reforma agr\u00e1ria para os assentamentos e pequenos camponeses; gerou milh\u00f5es para bancos, grandes monop\u00f3lios industriais, comerciais, de constru\u00e7\u00e3o, transporte e outros, ao mesmo tempo precarizou as condi\u00e7\u00f5es de trabalho retirando ou flexibilizando direitos dos trabalhadores, sucateou os servi\u00e7os p\u00fablicos como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, saneamento e outros agravando a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 explosiva dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p><strong>DL: O PCB tem defendido que temos condi\u00e7\u00f5es objetivas para a revolu\u00e7\u00e3o socialista e que a fase de etapas da revolu\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 superada. Isso significa que o Brasil j\u00e1 fez sua revolu\u00e7\u00e3o burguesa (anterior a socialista)? E se fez, quando foi? Ou a leitura que o PCB faz do processo hist\u00f3rico brasileiro \u00e9 guiada por conceitos gramscianos (revolu\u00e7\u00e3o passiva, transformismo conservador, etc.)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> A Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa no Brasil j\u00e1 se realizou de maneira n\u00e3o cl\u00e1ssica consolidando uma ordem burguesa moderna e inserida de forma dependente na ordem do capital imperialista mundial. Temos hoje um capitalismo completo, isto \u00e9, que possui todos os elementos necess\u00e1rios para proceder \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de capitais, um Estado Burgu\u00eas consolidado e uma sociedade civil burguesa s\u00f3lida.<\/p>\n<p>Este processo se estendeu no tempo, desde o per\u00edodo Vargas, entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1950, com a inser\u00e7\u00e3o dependente em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo no per\u00edodo Juscelino Kubitschek (1955-1960), com a ditadura burguesa estabelecida com o golpe de 1964 e consolidado com o atual processo de Democracia burguesa.<\/p>\n<p>Estamos diante de uma via n\u00e3o cl\u00e1ssica, mas \u00e9 mais que isso, quero dizer, uma forma particular de express\u00e3o daquilo que L\u00eanin chamava de Via Prussiana e Gramsci de revolu\u00e7\u00e3o passiva. N\u00e3o temos d\u00favida de que neste processo o PT expressa um claro exemplo de transformismo, ou seja, \u201cabsor\u00e7\u00e3o gradual, mas cont\u00ednua, e obtida com m\u00e9todos de variada efic\u00e1cia, dos elementos ativos surgidos dos grupos aliados e mesmo dos advers\u00e1rios e que pareciam irreconcili\u00e1veis inimigos\u201d, nas palavras de Gramsci.<\/p>\n<p><strong>DL: Quais grandes marxistas brasileiros influenciam teoricamente o PCB hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Estamos vivendo um rico processo de florescimento do pensamento marxista no Brasil, mas isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque houve uma gera\u00e7\u00e3o de marxistas que resistiram ao canto de sereia da p\u00f3s-modernidade e souberam manter, em tempos muito dif\u00edceis, os princ\u00edpios e a clareza te\u00f3rica que nos caracteriza. S\u00e3o muitos os intelectuais marxistas brasileiros que contribuem para nossas atuais reflex\u00f5es, sejam aqueles que hoje s\u00e3o quase cl\u00e1ssicos entre n\u00f3s, como de uma nova gera\u00e7\u00e3o que apresentado produ\u00e7\u00f5es de alt\u00edssima qualidade<\/p>\n<p>Procuramos utilizar todos, tendo ou n\u00e3o vinculo org\u00e2nico com o PCB e independente de suas prefer\u00eancias pol\u00edticas, desde que contribua qualitativamente em nossas reflex\u00f5es. O PCB hoje n\u00e3o define nenhuma linha como doutrina oficial. Somos marxistas.<\/p>\n<p><strong>DL: Parece que o PCB tem procurado usar contribui\u00e7\u00f5es de marxistas cl\u00e1ssicos al\u00e9m do marxismo-leninismo (Luck\u00e1cs, Luxemburgo e Gramsci) para sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E Trotsky n\u00e3o contribui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Para n\u00f3s o caminho dos cl\u00e1ssicos sempre \u00e9 o caminho mais correto, sem um fundamento consistente nas obras de Marx, Engels e L\u00eanin, nenhum estudo do marxismo pode frutificar. Mas o marxismo, ou os marxismos, hoje se tornaram um rico e complexo campo, plural e m\u00faltiplo, enriquecido com as obras e reflex\u00f5es que v\u00e3o desde Luk\u00e1cs \u00e0 Gramsci, passando por Trotsky, Mao, Che, Fidel, Rosa, Kollontai e de todos os revolucion\u00e1rios e pensadores do s\u00e9culo XX, como Mariategui, Amilcar Cabral, \u00c1lvaro Cunhal e tantos outros.<\/p>\n<p>Leon Trotsky foi um grande revolucion\u00e1rio e tem contribui\u00e7\u00f5es inestim\u00e1veis ao pensamento marxista, seria um erro desconsiderar suas contribui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 preciso ser trotskista para utilizar Trotsky, da mesma forma que ser trotskista n\u00e3o \u00e9 garantia que o utilize corretamente.<\/p>\n<p>O PCB se considera, hoje, um partido marxista e se a identidade marxista-leninista persiste se d\u00e1 pela nossa convic\u00e7\u00e3o nas formas de organiza\u00e7\u00e3o e princ\u00edpios pol\u00edticos que da\u00ed derivam e n\u00e3o como c\u00e2none indiscut\u00edvel que funciona como crit\u00e9rio de valida\u00e7\u00e3o de verdades te\u00f3ricas. Como dizia Fidel, o marxismo n\u00e3o \u00e9 uma propriedade privada registrada em cart\u00f3rio, \u00e9 uma teoria revolucion\u00e1ria, feita por revolucion\u00e1rios, desenvolvida por revolucion\u00e1rios e para revolucion\u00e1rios; aqueles que forem capazes de dar interpreta\u00e7\u00f5es corretas da realidade triunfar\u00e3o os que n\u00e3o conseguirem ser\u00e3o suplantados. Pensamos ser este nosso crit\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>DL: Na Europa, tamb\u00e9m em Portugal, Galiza e no Estado Espanhol se t\u00eam a imagem que os governos Latino-americanos que subiram ao aparelho de estado de seus pa\u00edses a partir, entre outras coisas, da crise neoliberal s\u00e3o todos de esquerda. Voc\u00eas t\u00eam diferenciado seus projetos em duas categorias. Teria os progressistas &#8211; de esquerda &#8211; (Venezuela, Equador e Bol\u00edvia) e os conservadores \u2013 de centro e at\u00e9 de direita &#8211; (Chile, Peru, Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina). Quais elementos os progressistas t\u00eam para serem classificados em uma categoria em separado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> N\u00f3s prezamos muito o termo esquerda para utiliz\u00e1-lo sem crit\u00e9rios mais precisos. Para n\u00f3s o compromisso e a posi\u00e7\u00e3o de esquerda, ainda mais em um mundo como o nosso, se justifica pelo claro posicionamento ao lado da classe trabalhadora contra a barb\u00e1rie do capital. Existem setores de esquerda, ainda que n\u00e3o marxistas ou mesmo revolucion\u00e1rios, isto \u00e9 do campo do reformismo, assim como existem posi\u00e7\u00f5es que, ainda que tendo origem neste campo, se distanciaram e hoje, infelizmente, assumem uma posi\u00e7\u00e3o de centro-direita que favorece os interesses do capital contra os trabalhadores, como foi classicamente o desenvolvimento da socialdemocracia europ\u00e9ia.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, procuramos diferenciar processos que, mesmo n\u00e3o sendo imediatamente socialistas, levam \u00e0 frente reformas que tencionam a ordem do capital, dinamizam a luta de classes e ajudam a formar um bloco de for\u00e7as populares contra os ataques do capital e do imperialismo. Parecem-nos claramente os casos da Venezuela e Bol\u00edvia e em menor medida do Equador.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos caracterizar desta forma o Brasil ou o Chile sob o governo de Bachelet. Ficaram aqu\u00e9m das reformas e optaram por governabilidades que viabilizam a continuidade dos governos, mas n\u00e3o o avan\u00e7o das demandas populares; pelo contr\u00e1rio, tornaram-se o meio pelo qual a ordem burguesa legitima suas contrarreformas.<\/p>\n<p><strong>DL: Qual a rela\u00e7\u00e3o do partido com Cuba e sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas que est\u00e3o acontecendo na ilha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> N\u00f3s temos uma hist\u00f3ria e um compromisso de solidariedade com Cuba e prezamos muito sua autodetermina\u00e7\u00e3o. Nossa solidariedade \u00e9 incondicional, mas nos resguardamos o direito de afirmar que isso n\u00e3o implica em alinhamento pol\u00edtico incondicional.<\/p>\n<p>Vemos com certa preocupa\u00e7\u00e3o os rumos da revolu\u00e7\u00e3o cubana e as reformas em curso, ainda que compreendamos a grave situa\u00e7\u00e3o na qual aquele pa\u00eds se encontra, por conta do brutal bloqueio imperialista, que j\u00e1 dura meio s\u00e9culo. Mas confiamos que n\u00e3o haver\u00e1 retrocesso no processo socialista em Cuba, em que decis\u00f5es complexas s\u00e3o tomadas ap\u00f3s amplo debate popular. Como disse Silvio Rodriguez em uma de suas composi\u00e7\u00f5es mais recentes:\u00a0<em>\u201cA desencanto, op\u00f3ngase deseo. Superen la erre de revoluci\u00f3n. Restauren lo decr\u00e9pito que veo, pero d\u00e9jenme el brazo de Maceo y para conducirlo, su raz\u00f3n.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong style=\"line-height: 1.3em;\">DL: Qual \u00e9 o balan\u00e7o que o senhor e PCB fazem das experi\u00eancias socialistas do s\u00e9culo XX, com destaque para o do Leste Europeu e da URSS?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Antes de tudo consideramos a experi\u00eancia de transi\u00e7\u00e3o socialista do s\u00e9culo XX, inaugurada pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917, nosso patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e o principal fato da hist\u00f3ria recente da humanidade que iniciou nossa constru\u00e7\u00e3o do futuro emancipado do g\u00eanero humano. Com suas vit\u00f3rias e com suas derrotas, com acertos e erros, \u00e9 nossa hist\u00f3ria. E consideramos que o saldo foi positivo.<\/p>\n<p>Foi um momento no qual os trabalhadores de todo o mundo puderam contar com uma retaguarda pol\u00edtica e um equil\u00edbrio de for\u00e7as que produziu, inclusive, vit\u00f3rias e conquistas na Europa, nos EUA e em todos os povos, at\u00e9 como concess\u00f5es para evitar a ruptura revolucion\u00e1ria que o bloco socialista representava. Para aqueles que viviam nestes pa\u00edses o in\u00edcio de uma transi\u00e7\u00e3o socialista, tamb\u00e9m, tivemos inegavelmente uma altera\u00e7\u00e3o qualitativa quanto \u00e0 vida e suas possibilidades fora do mercado e do dom\u00ednio do capital.<\/p>\n<p>Em seu XIV Congresso, o PCB debateu o tema da transi\u00e7\u00e3o socialista e chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o cabe a um partido resolver na forma de uma resolu\u00e7\u00e3o um debate hist\u00f3rico com tantas implica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de dizer apenas se era ou n\u00e3o socialismo, de aceitar passivamente as formas que ali se expressaram de maneira a justificar todas suas conseq\u00fc\u00eancias. Trata-se de uma pol\u00eamica pol\u00edtica e te\u00f3rica em aberto, para qual o PCB oferece textos e reflex\u00f5es, mas n\u00e3o resolu\u00e7\u00f5es a serem burocraticamente repetidas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de transi\u00e7\u00e3o socialista ocorrida na URSS e no leste europeu, assim como na \u00c1sia e em Cuba, para n\u00f3s confirma, ainda que tragicamente, as previs\u00f5es te\u00f3ricas de Marx, tanto quanto \u00e0 potencialidade da revolu\u00e7\u00e3o, a necessidade da ruptura revolucion\u00e1ria, da destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas e constitui\u00e7\u00e3o de um Estado Prolet\u00e1rio, a necessidade de socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o com o fim da propriedade privada e da apropria\u00e7\u00e3o privada da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, confirma-se tragicamente, que apenas isso, ainda que essencial, n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 necess\u00e1ria a supera\u00e7\u00e3o da escravizante subordina\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo \u00e0 divis\u00e3o do trabalho, a supera\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o entre trabalho manual e intelectual, superar o trabalho como mero meio de vida e permitir o desenvolvimento dos indiv\u00edduos sociais em todas as dimens\u00f5es at\u00e9 que cada um possa trabalhar de acordo com a capacidade e receber de acordo com a necessidade. Estes aspectos que Marx enuncia em sua Critica ao Programa de Gotha, s\u00e3o a natureza mesma da transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que vimos nas experi\u00eancias do s\u00e9culo XX foi o in\u00edcio desta transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se completou, ficando, por assim dizer, no meio do caminho. Ocorre que estes elementos n\u00e3o superados permitiram que, atrav\u00e9s de uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia fosse interrompida e restabelecida a ordem do capital com todos os efeitos tr\u00e1gicos que hoje presenciamos entre aqueles povos. A contradi\u00e7\u00e3o entre a ousadia da mudan\u00e7a pol\u00edtica e as condi\u00e7\u00f5es objetivas em que se deram produziram como efeito o processo de burocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Houve, portanto, uma combina\u00e7\u00e3o de fatores objetivos (grau de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundiais, etc.) e fatores pol\u00edticos pr\u00f3prios da condu\u00e7\u00e3o do processo; a resultante foi uma derrota, n\u00e3o definitiva, das for\u00e7as socialistas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria destas forma\u00e7\u00f5es sociais e o pr\u00f3prio desfecho das experi\u00eancias socialistas e a atual crise do capitalismo, nos autorizam a afirmar a validade e, mais que isso, a necessidade de uma alternativa socialista para o mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p><strong>DL: Seja na m\u00eddia, seja na academia, divulga-se que a crise econ\u00f4mica que vivemos \u00e9 mais uma crise c\u00edclica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Por\u00e9m autores como Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros vem falando em crise estrutural do capital. Como voc\u00ea entende o processo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Concordamos com M\u00e9sz\u00e1ros que vivemos algo muito distinto de uma mera crise conjuntural do capitalismo e que o capital, em suas palavras, ativou os limites estruturais de suas contradi\u00e7\u00f5es. No entanto, a caracter\u00edstica da crise c\u00edclica apontada por Marx persiste, isto \u00e9, como o pr\u00f3prio M\u00e9sz\u00e1ros indica, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir o car\u00e1ter estrutural da crise de seu \u201cdesfecho \u00faltimo\u201d, como se o capital n\u00e3o tivesse mais sa\u00edda.<\/p>\n<p>Uma coisa que aprendemos \u00e9 que o capital sempre encontra uma sa\u00edda se n\u00e3o for derrotado politicamente pelos trabalhadores e estes forem capazes de contrapor \u00e0 sociedade do capital uma alternativa socialista. A crise torna poss\u00edvel a mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria, mas n\u00e3o inevit\u00e1vel; esta depende da capacidade pol\u00edtica das classes revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>DL: O capitalismo no mundo \u00e9 global, nesse sentido \u00e9 mais do que necess\u00e1rio uma revolu\u00e7\u00e3o mundial. Assim como defendeu Hugo Ch\u00e1vez, o PCB defende a constru\u00e7\u00e3o de uma V Internacional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Apontamos para isso em nossa concep\u00e7\u00e3o de uma Frente anticapitalista e anti-imperialista. Hoje, qualquer luta por m\u00ednima que seja se choca com a ordem do capital monopolista e esta est\u00e1 incontornavelmente associada ao capital imperialismo. Lutar contra as formas que impedem a vida em nossos pa\u00edses \u00e9 lutar contra o capitalismo e lutar contra o capitalismo \u00e9 lutar contra a ordem internacional na qual ele opera a acumula\u00e7\u00e3o, ou seja, a ordem imperialista.<\/p>\n<p>Este quadro nos obriga a pensar a revolu\u00e7\u00e3o como revolu\u00e7\u00e3o mundial e cremos que estamos j\u00e1 operando nesta situa\u00e7\u00e3o, ainda que o grau de consci\u00eancia, organiza\u00e7\u00e3o e unidade das for\u00e7as revolucion\u00e1rias em marcha seja muito incipiente. Neste sentido toda forma de tentar dar um car\u00e1ter internacional \u00e0 luta seria muito importante. N\u00e3o sabemos se na forma de uma Internacional nos moldes com as experi\u00eancias ate ent\u00e3o realizadas se deram, mas de alguma forma temos que dar um salto organizativo rumo a uma forma universal contra o capital que se tornou um entrave universal \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p><strong>DL: Se o PCB ainda considera socialismo como etapa transit\u00f3ria ao comunismo \u2013 sociedade de trabalhadores associados e livres \u2013 o que seria realmente o est\u00e1gio socialismo no Brasil e no mundo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MI:<\/strong> Mais que nunca nossa meta comunista est\u00e1 atualizada. N\u00e3o se trata de transforma\u00e7\u00f5es que tornem poss\u00edvel a vida no Brasil, mas at\u00e9 pelo que dissemos antes, ao lutar contra o capitalismo no Brasil estamos enfrentando o capitalismo mundial e as condi\u00e7\u00f5es para uma verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 pode vir dos esfor\u00e7os e recursos combinados de todo o planeta.<\/p>\n<p>O segundo elemento de nosso prop\u00f3sito comunista \u00e9 o fim do Estado. \u00c9 preciso hoje ressaltar este aspecto diante do moderno culto ao Estado como forma insuper\u00e1vel da sociabilidade humana. A destrui\u00e7\u00e3o do Estado Burgu\u00eas n\u00e3o cria as condi\u00e7\u00f5es imediatas para tanto, mas deve cri\u00e1-las no processo de transi\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio, podemos cair no impasse das transi\u00e7\u00f5es ocorridas no s\u00e9culo XX. Temos que resgatar alguns elementos pertinentes do alerta que o pensamento anarquista j\u00e1 formulava h\u00e1 muito tempo sobre este risco.<\/p>\n<p>O socialismo no Brasil \u00e9 uma alternativa e uma necessidade. Ele \u00e9 uma alternativa perfeitamente vi\u00e1vel. Um dos mitos que alimentam o reformismo rebaixado e o oportunismo de toda esp\u00e9cie \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o que o socialismo se tornou invi\u00e1vel, seja pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, seja pelo poder militar e ideol\u00f3gico da burguesia.<\/p>\n<p>Vamos por partes. O socialismo \u00e9 uma necessidade porque o capitalismo amea\u00e7a a vida da humanidade com a forma mercadoria, a produ\u00e7\u00e3o destrutiva e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio que passemos a produzir valores de uso que satisfar\u00e3o necessidades e que possam ser acessados sem a intermedia\u00e7\u00e3o do mercado. Ora, n\u00e3o h\u00e1 nenhum empecilho de ordem material ou tecnol\u00f3gica para atingirmos este fim, o que impede isso \u00e9 a forma mercadoria, a propriedade privada e as rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o burguesas. N\u00f3s podemos mudar estes aspectos e as revolu\u00e7\u00f5es provam isso.<\/p>\n<p>Com a natureza dispon\u00edvel se bem cuidada, a quantidade e qualidade da for\u00e7a de trabalho existente e o n\u00edvel de desenvolvimento tecnol\u00f3gico existente e em potencial, poder\u00edamos satisfazer o conjunto das necessidades da popula\u00e7\u00e3o do Brasil (e no conjunto da humanidade do planeta). O problema s\u00e3o as atuais rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o de tipo burguesa, a acumula\u00e7\u00e3o privada da riqueza socialmente produzida.<\/p>\n<p>Devemos come\u00e7ar por garantir o car\u00e1ter n\u00e3o mercantil e radicalmente p\u00fablico de todos os bens e servi\u00e7os necess\u00e1rios \u00e0 vida como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia e previd\u00eancia, energia, transporte, \u00e1gua, etc. Para tanto \u00e9 fundamental que nenhum recurso p\u00fablico seja destinado a fins privados e o Estado dos trabalhadores tenha os instrumentos para iniciar a constitui\u00e7\u00e3o das bases de uma economia socializada o que \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de uma radical reforma agr\u00e1ria que d\u00ea condi\u00e7\u00f5es para os pequenos camponeses e assentamentos, ao mesmo tempo que desenvolva iniciativas para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mat\u00e9rias primas essenciais e outros produtos, controle o subsolo e as riquezas minerais, estatize o sistema financeiro e revertam as privatiza\u00e7\u00f5es fraudulentas de empresas essenciais como mineradoras companhias hidroel\u00e9tricas, telecomunica\u00e7\u00f5es, estradas, ferrovias, portos e aeroportos.<\/p>\n<p>Evidente que isso exige uma ruptura com a domina\u00e7\u00e3o e os privil\u00e9gios hoje existentes. Por isso, a precondi\u00e7\u00e3o para tanto n\u00e3o \u00e9 uma mera vit\u00f3ria eleitoral, mas a constitui\u00e7\u00e3o de um Poder Popular forte o capaz de resistir, enfrentar e derrotar os poderosos instrumentos de poder das classes dominantes. Isso implica, em grande medida, uma batalha quanto aos valores, id\u00e9ias e concep\u00e7\u00f5es de mundo pr\u00f3prias desta ordem e que a legitima e naturaliza, implicando um grande trabalho pol\u00edtico e cultural.<\/p>\n<p>Esta ruptura que pode ou n\u00e3o se combinar com vit\u00f3rias eleitorais, mas certamente vai muito al\u00e9m delas, se choca com o poder dos aparatos repressivos do Estado e do imperialismo. N\u00e3o desconhecemos esta correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel, no entanto, n\u00e3o a mitificamos. N\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a que detenha os processos hist\u00f3ricos porque ele \u00e9 fruto das contradi\u00e7\u00f5es que esta pr\u00f3pria ordem gera. Saberemos desenvolver os meios para que o poder popular seja uma alternativa real de poder em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>Aqui e no mundo o projeto socialista est\u00e1 na fase de uma radical nega\u00e7\u00e3o da ordem capitalista em defesa da vida humana e precisamos reafirmar que n\u00f3s, comunistas e revolucion\u00e1rios, temos uma alternativa, que n\u00e3o fazemos parte desta corja de oportunistas que bateu em retirada para o conforto das incertezas p\u00f3s-modernas ou para as experi\u00eancias reformistas de baixa intensidade que acabam por garantir a ordem burguesa. Como disse certa vez: \u201cl\u00e1 no passado t\u00ednhamos um futuro; l\u00e1 no futuro temos um presente pronto para nascer&#8230; s\u00f3 esperando voc\u00ea se decidir\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5857\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-5857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c29-organizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1wt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}