{"id":586,"date":"2010-06-23T15:31:20","date_gmt":"2010-06-23T15:31:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=586"},"modified":"2010-06-23T15:31:20","modified_gmt":"2010-06-23T15:31:20","slug":"vasco-goncalves-o-general-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/586","title":{"rendered":"Vasco Gon\u00e7alves, O General do Povo"},"content":{"rendered":"\n<p>Vasco Gon\u00e7alves faleceu a 11 de Junho de 2005. A direita portuguesa \u2013 incluindo a direc\u00e7\u00e3o do Partido Socialista \u2013 esfor\u00e7ou-se nos cinco anos transcorridos desde o seu desaparecimento f\u00edsico por lhe apagar o nome da Hist\u00f3ria. Porqu\u00ea? Precisamente porque o general Vasco Gon\u00e7alves deixou marcas profundas na Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, sabotada e destru\u00edda pelas for\u00e7as da reac\u00e7\u00e3o, com a cumplicidade activa do Partido Socialista.<\/p>\n<p>Encastelada no poder, a burguesia n\u00e3o esqueceu que o general, na sua breve passagem pelo Governo, apenas 15 meses, contribuiu decisivamente para que o povo portugu\u00eas constru\u00edsse Hist\u00f3ria profunda, realizando como sujeito conquistas revolucion\u00e1rias que impuseram o Pa\u00eds ao respeito da humanidade progressista. \u00c9 portanto natural que o mesmo governo que decretou luto nacional pela morte de uma vidente de F\u00e1tima tenha ignorado a do soldado revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foi indecorosa a atitude de S\u00f3crates e sua gente. Mas n\u00e3o atingiu o objectivo. Vasco Gon\u00e7alves n\u00e3o foi esquecido; permanece no cora\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>O general e o MFA<\/strong><\/p>\n<p>No livro-entrevista \u00abVasco Gon\u00e7alves \u2013 um general na Revolu\u00e7\u00e3o\u00bb, Manuela Cruzeiro evoca o sentimento de felicidade do soldado de 52 anos quando ruiu o fascismo.<\/p>\n<p>\u00abQuando aderi ao Movimento dos oficiais \u2013 esclarece \u2013 acreditei que poderia vir a desempenhar um papel destacado\u00bb.<\/p>\n<p>O sentimento do colectivo, enraizado num patriotismo pouco comum, facilita a compreens\u00e3o de comportamentos assumidos por este militar at\u00edpico ao longo do processo revolucion\u00e1rio, atitudes muitas vezes mal interpretadas, n\u00e3o obstante elas reflectirem uma coer\u00eancia exemplar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo comunista tinha adquirido um conhecimento dos cl\u00e1ssicos do marxismo que lhe proporcionou uma compreens\u00e3o cient\u00edfica da Hist\u00f3ria que, na pr\u00e1tica da vida militar, se traduzia numa consci\u00eancia da necessidade de formar \u00abhomens respons\u00e1veis\u00bb e paralelamente num sentimento de solidariedade com o seu povo, v\u00edtima como os das col\u00f3nias de um sistema monstruoso.<\/p>\n<p>Admito que somente as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es, com o distanciamento temporal, de situar sem paix\u00e3o na Hist\u00f3ria o papel que o cidad\u00e3o, o soldado, o intelectual e o estadista cumpriram na Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa.<\/p>\n<p>Vasco Gon\u00e7alves cedo aprendeu a avaliar o significado e as limita\u00e7\u00f5es da interven\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo na Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 transparente a sua amargura ao meditar sobre a mesquinhez, a mediocridade, a ambi\u00e7\u00e3o, a deslealdade, o medo do povo que em instantes decisivos contribu\u00edram para inflectir o rumo da Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cedo tomou consci\u00eancia de evid\u00eancias que a milh\u00f5es de portugueses passaram despercebidas. Um exemplo: \u00abO MFA \u2013 sublinha na entrevista a Manuela Cruzeiro \u2013 n\u00e3o era um movimento revolucion\u00e1rio (\u2026) n\u00e3o tinha ao princ\u00edpio, no seu horizonte, uma revolu\u00e7\u00e3o social\u00bb.<\/p>\n<p>Foi a irrup\u00e7\u00e3o torrencial das massas, tomando as ruas, na jornada do 25 de Abril, que abriu as portas \u00e0 alian\u00e7a Povo-MFA, imprimindo ao processo um rumo n\u00e3o previsto. E lembra que \u00abno pr\u00f3prio dia 25 de Abril, o MFA ainda se dirigiu ao Tom\u00e1s como Sua Excel\u00eancia o Presidente da Rep\u00fablica e ao Marcelo como Sua Excel\u00eancia o Presidente do Conselho\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 muito negativa a opini\u00e3o que transmite de M\u00e1rio Soares, como homem e pol\u00edtico. Quase sem recorrer a adjectivos, esbo\u00e7a o perfil de um pol\u00edtico ambicioso, sem princ\u00edpios nem convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Comentando o papel que o ex-presidente da Rep\u00fablica desempenhou como ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Vasco Gon\u00e7alves conclui que ele \u00abn\u00e3o deu uma imagem fiel do MFA (\u2026) e, nas suas frequentes viagens ao estrangeiro, aproveitava para desenvolver ac\u00e7\u00f5es coordenadas com a social-democracia internacional, as quais, quanto a mim \u2013 sublinha \u2013 nunca eram \u00fateis, no m\u00ednimo \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio\u00bb (p\u00e1gs. 147 e 148).<\/p>\n<p>Mas que se poderia esperar de um pol\u00edtico que, recentemente, enalteceu a contribui\u00e7\u00e3o de Frank Carlucci \u2013 o ex director da CIA \u2013 para \u00aba instaura\u00e7\u00e3o da democracia em Portugal\u00bb (p\u00e1g. 267).<\/p>\n<p>A serenidade e eticismo de Vasco Gon\u00e7alves est\u00e3o ali\u00e1s omnipresentes nas atitudes que assumiu sempre no seu relacionamento com os seus camaradas do MFA no per\u00edodo revolucion\u00e1rio e posteriormente quando, transcorridos anos, foi chamado a pronunciar-se sobre acontecimentos cujo dramatismo reflectiu a ruptura da unidade do Movimento que tornara poss\u00edvel o 25 de Abril.<\/p>\n<p> Citarei apenas um exemplo. Esse eticismo transparece de maneira l\u00edmpida nas p\u00e1ginas dedicadas \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter conspirativo que desembocaram no Documento dos Nove. N\u00e3o guardou rancores, mas nas opini\u00f5es que, j\u00e1 no s\u00e9culo XXI, emitiu sobre Melo Antunes, o camarada do MFA que mais admirava, n\u00e3o transparece o mais leve vest\u00edgio de animosidade pessoal.<\/p>\n<p>\u00abO Melo Antunes, sublinha no seu depoimento, era sem d\u00favida entre os meus camaradas o militar com maiores conhecimentos pol\u00edticos, mais leituras, mais reflex\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Convidado a pronunciar-se sobre a actua\u00e7\u00e3o dele antes e ap\u00f3s o 25 de Novembro, d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 coer\u00eancia do l\u00edder dos Nove:<\/p>\n<p> \u00abEle n\u00e3o mudou de ideias ou de posi\u00e7\u00e3o, no fundamental, entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Era um homem sinceramente de esquerda (\u00e0 esquerda do PS), era um patriota, um anticolonialista convicto\u00bb.<\/p>\n<p>Mas vis\u00f5es diferentes da Hist\u00f3ria teriam, inexoravelmente, de os distanciar.<\/p>\n<p>\u00abMelo Antunes \u2013 s\u00e3o palavras suas \u2013 pretendia caminhar como que por uma terceira via, mas a experi\u00eancia tem demonstrado que essa via \u00e9 o caminho da social-democracia para a direita\u00bb.<\/p>\n<p>Uma certeza me ficou de muitas horas de conversa com Vasco Gon\u00e7alves sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa. Ningu\u00e9m como ele conseguiu at\u00e9 hoje descer t\u00e3o fundo na an\u00e1lise do comportamento e das motiva\u00e7\u00f5es da parcela do corpo de oficiais do MFA, o movimento heterog\u00e9neo que concebeu e organizou o golpe militar do 25 de Abril, espoleta da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa.<\/p>\n<p><strong>O apaixonado pela Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Tive o privil\u00e9gio de manter uma rela\u00e7\u00e3o de s\u00f3lida amizade com Vasco Gon\u00e7alves durante tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo comunista, n\u00e3o ocultava a sua ades\u00e3o ao materialismo hist\u00f3rico. Recordo que um dia, na viragem do mil\u00e9nio, me chamou a aten\u00e7\u00e3o para trabalhos de Rosa Luxemburgo por os considerar \u00fateis para a compreens\u00e3o do oportunismo dos falsos renovadores do marxismo, herdeiros das bolorentas teses de Edward Bernstein e Kautsky.<\/p>\n<p>N\u00e3o se limitara a folhear \u00abO Capital\u00bb como a maioria dos intelectuais de esquerda. Estudara a obra de Marx, de Engels, de Mao Tse, de Gramsci, lera marxistas latino-americanos como Mariategui, Caio Prado J\u00fanior, Che Guevara.<\/p>\n<p>Em Serpa, no I Encontro Civiliza\u00e7\u00e3o ou Barb\u00e1rie, conheceu o h\u00fangaro Istvan Meszaros e o franc\u00eas Georges Labica e recordo que a sua comunica\u00e7\u00e3o naquele evento mereceu palavras de grande apre\u00e7o desses fil\u00f3sofos de prest\u00edgio mundial.<\/p>\n<p>Militar, engenheiro, revolucion\u00e1rio, Vasco Gon\u00e7alves tinha paix\u00e3o pela Hist\u00f3ria que, tal como Lucien Febvre, considerava a m\u00e3e das ci\u00eancias.<\/p>\n<p>O interesse que manifestava em conhecer revolucion\u00e1rios e intelectuais que de algum modo tinham sido protagonistas de acontecimentos hist\u00f3ricos inseria-se na sua perspectiva hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Fidel Castro admirava-o e atribuiu-lhe a mais alta condecora\u00e7\u00e3o cubana, a Ordem de Jos\u00e9 Mart\u00ed. Raul Castro foi seu amigo pessoal. Pedro Pires, companheiro de Am\u00edlcar e actual Presidente da Rep\u00fablica de Cabo Verde, convidou-o, quando primeiro-ministro, a pronunciar confer\u00eancias na Cidade da Praia.<\/p>\n<p>Recordo conversas de Vasco Gon\u00e7alves com o historiador brit\u00e2nico Basil Davidson, com o dirigente comunista boliviano Simon Reyes, e com Darcy Ribeiro, o fundador da Universidade de Bras\u00edlia, quando os recebeu em sua casa.<\/p>\n<p>No final do encontro com o primeiro, o general procurou na estante um livro do autor de Old Africa Rediscovered, pediu-lhe que o autografasse e na despedida fez uma confid\u00eancia: \u00abA sua visita \u00e9 uma honra para mim. N\u00e3o era f\u00e1cil durante o fascismo obter os seus livros. Mas consegui e aprendi muito lendo o que escrevia sobre o colonialismo\u00bb.<\/p>\n<p>Sim\u00f3n Reyes, que na v\u00e9spera o saudara num com\u00edcio, na Voz do Oper\u00e1rio, como \u00abGeneral del Pueblo\u00bb, informou que um livro do general de cr\u00edtica \u00e0 Doutrina de Seguran\u00e7a Militar dos EUA aplicada nas For\u00e7as Armadas Portuguesas fora traduzido na Bol\u00edvia pelo Partido Comunista e circulara durante uma campanha eleitoral.<\/p>\n<p>Quando Sim\u00f3n, ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral da Central Obrera Boliviana, expressou a sua satisfa\u00e7\u00e3o por o ter conhecido, o general interrompeu-o:<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o diga isso. O senhor \u00e9 um her\u00f3i da Am\u00e9rica Latina. Pode ser um civil, mas combateu de armas na m\u00e3o \u00e0 frente dos mineiros do seu pa\u00eds. Sinto-me pequeno junto de si\u2026\u00bb<\/p>\n<p>Henri Alleg e Vasco Gon\u00e7alves tinham um pelo outro um apre\u00e7o que se transformou em amizade. Sempre que o autor de \u00abA Quest\u00e3o\u00bb vinha a Portugal, o general reunia em sua casa um grupo de amigos, a maioria militares de Abril, e durante horas, no seu apartamento da Avenida dos EUA, a conversa tinha como tema o \u00faltimo livro do escritor.<\/p>\n<p><strong>O intelectual militante<\/strong><\/p>\n<p>Vasco Gon\u00e7alves tinha horror da pequena pol\u00edtica. Mas ao deixar o Governo e passar \u00e0 Reserva como militar, e depois \u00e0 Reforma, n\u00e3o abandonou a pol\u00edtica, tal como a concebia ao servi\u00e7o da ideia da revolu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Grande tribuno, desenvolveu uma orat\u00f3ria inconfund\u00edvel, um estilo de comunica\u00e7\u00e3o com a massa que empolgava os audit\u00f3rios. Esclarecendo, emocionava e comovia pela autenticidade. Os portugueses progressistas sentiam que Vasco Gon\u00e7alves mantinha intacta a sua fidelidade aos princ\u00edpios que defendera no Governo, ao projecto de sociedade inviabilizado pela contra-revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caluniado pelos partidos da burguesia e pelo imperialismo, o Companheiro Vasco \u2013 como lhe chamavam \u2013 foi at\u00e9 ao fim o revolucion\u00e1rio que contribuiu decisivamente para a cria\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, para as nacionaliza\u00e7\u00f5es, a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que permitiram conquistas como o 13.\u00ba e o 14.\u00ba sal\u00e1rios, o defensor da Reforma Agr\u00e1ria, o soldado que soube responder com dignidade a todas as press\u00f5es e amea\u00e7as do imperialismo.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento, na sede da Associa\u00e7\u00e3o 25 Abril, da Comiss\u00e3o Nacional de Solidariedade com o povo da Venezuela Bolivariana ter\u00e1 sido uma das suas \u00faltimas interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Foi ent\u00e3o o orador principal e a sua comunica\u00e7\u00e3o a melhor e a mais aplaudida.<\/p>\n<p>Antes do chamado Referendo Revogat\u00f3rio enviou a Hugo Chavez um DVD com uma mensagem de apoio \u2013 um pequeno filme que foi exibido em Caracas.<\/p>\n<p><strong>O patriota <\/strong><\/p>\n<p>A defesa da soberania nacional foi uma constante na pol\u00edtica externa de Vasco Gon\u00e7alves quando primeiro-ministro.<\/p>\n<p>\u00c9 do dom\u00ednio p\u00fablico a atitude digna que o general assumiu quando o presidente Gerald Ford, com arrog\u00e2ncia, se lhe dirigiu em termos inaceit\u00e1veis, exibindo um anticomunismo prim\u00e1rio. Anos depois foram divulgadas nos EUA declara\u00e7\u00f5es de Henry Kissinger, reproduzidas pelo Di\u00e1rio de Not\u00edcias, nas quais o ex-secret\u00e1rio de Estado reconhece a firmeza de car\u00e1cter do ent\u00e3o primeiro-ministro portugu\u00eas, por ele definido como interlocutor muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, j\u00e1 afastado do governo, Vasco Gon\u00e7alves demonstrou permanentemente o seu patriotismo. Em actos p\u00fablicos realizados em Portugal e no estrangeiro e em ensaios e artigos que obtiveram ampla divulga\u00e7\u00e3o, combateu com firmeza o esp\u00edrito de vassalagem do PS e do PSD nas rela\u00e7\u00f5es com os EUA e com as estruturas de poder da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Mais de uma vez o ouvi comentar com indigna\u00e7\u00e3o a tend\u00eancia desses governos para minimizar o significado de datas ligadas a grandes acontecimentos da nossa Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O feriado do 1.\u00ba de Dezembro, por exemplo, incomoda essa gente. Foi um ex\u00e9rcito improvisado, sa\u00eddo do povo, que durante 28 anos defendeu as fronteiras portuguesas das ofensivas da Espanha que era ent\u00e3o, com a Fran\u00e7a, a primeira pot\u00eancia militar da Europa e expulsou do Brasil a Holanda, ao tempo a primeira pot\u00eancia naval e financeira do mundo.<\/p>\n<p>Vasco Gon\u00e7alves tinha consci\u00eancia de que o universal parte do particular, como dizia Andr\u00e9 Gide, e costuma recordar Fidel Castro. O general sabia que o internacionalismo n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a defesa dos valores nacionais e que n\u00e3o \u00acpode abdicar deles sem se desvirtuar. A preserva\u00e7\u00e3o das culturas \u00e9 insepar\u00e1vel do progresso da humanidade, n\u00e3o pode ser confundida com o nacionalismo obscurantista de raiz fascista.<\/p>\n<p>Nestes dias em que intelectuais portugueses desfraldam mais uma vez a esfarrapada bandeira do iberismo e n\u00e3o hesitam em sugerir a transforma\u00e7\u00e3o de Portugal numa esp\u00e9cie de regi\u00e3o aut\u00f3noma da Espanha, \u00e9 oportuno recordar que Vasco Gon\u00e7alves identificou sempre na Revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e nacional de 1383-85 um acontecimento maravilhoso da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Um dos mais belos trabalhos de Vasco Gon\u00e7alves \u00e9 na minha opini\u00e3o o ensaio que escreveu sobre Aljubarrota \u2013 estudo sobre a forma\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito popular que nos campos de Aljubarrota garantiu a continuidade de Portugal ao derrotar a cavalaria feudal espanhola e a grande nobreza de Portugal aliada a D. Jo\u00e3o de Castela (tal como o alto clero) garantindo a continuidade de Portugal \u2013 e foi publicado num Suplemento de o di\u00e1rio e posteriormente reproduzido pelo seman\u00e1rio Di\u00e1rio do Alentejo, e divulgado por revistas Web da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Repito: \u00e9 compreens\u00edvel a hostilidade da burguesia portuguesa a Vasco Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Ele foi, com \u00c1lvaro Cunhal, um dos grandes portugueses do s\u00e9culo XX. A sua interven\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria ficou assinalada por mudan\u00e7as revolucion\u00e1rias que deixaram marcas indel\u00e9veis.<\/p>\n<p>As for\u00e7as do grande capital n\u00e3o podem perdoar-lhe a tenacidade com que \u2013 segundo as suas palavras \u2013 levou \u00e0 pr\u00e1tica ideias que tinha abra\u00e7ado ao longo de toda a vida. Ideias que respondem a aspira\u00e7\u00f5es eternas do homem e que, por isso mesmo, n\u00e3o podem ser destru\u00eddas. Sufocadas pelos inimigos do progresso, elas voltar\u00e3o a germinar.<\/p>\n<p><em>Este texto foi publicado em Avante n\u00ba 1.907 de 17 de Junho de 2010.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=1641\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=1641<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/586\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-586","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-9s","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/586\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}