{"id":5861,"date":"2014-02-04T17:47:02","date_gmt":"2014-02-04T17:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5861"},"modified":"2014-02-04T17:47:02","modified_gmt":"2014-02-04T17:47:02","slug":"a-participacao-dos-partidos-comunistas-no-governo-uma-forma-de-sair-da-crise-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5861","title":{"rendered":"A participa\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas no governo: uma forma de sair da crise capitalista?"},"content":{"rendered":"\n<p>(Hervig Lerouge \u00e9 membro do Comit\u00ea Central do Partido do Trabalho da B\u00e9lgica e respons\u00e1vel pela edi\u00e7\u00e3o da revista \u201cEtudes Marxistes\u201d)<\/p>\n<p>No transcurso dos \u00faltimos anos, a possibilidade que t\u00eam certos partidos comunistas (ou ex-comunistas) de participar no governo est\u00e1 na ordem do dia. Na Alemanha, o Die Linke participou em certos governos regionais e, com certeza, segue participando. O partido discutiu a possibilidade de participar do governo federal. Na Gr\u00e9cia e nos Pa\u00edses Baixos, a coaliz\u00e3o de esquerda Syriza e o Partido Socialista anunciaram claramente sua vontade de entrar no governo. A maioria suficiente do Partido Socialista Franc\u00eas, durante as recentes elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 2012, eliminou a d\u00favida sobre uma nova participa\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Franc\u00eas no governo. O PCF e, na It\u00e1lia, a Refunda\u00e7\u00e3o Comunista e o Partido dos Comunistas Italianos, participaram em muitos governos no transcurso das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em 2008, o \u00eaxito eleitoral de alguns destes partidos levou a revista brit\u00e2nica de esquerda, <em>The New Statesman<\/em>, a concluir: \u201cO socialismo, o socialismo puro, inalterado, uma ideologia considerada morta pelos capitalistas liberais, regressa com for\u00e7a. Por todo o continente, assistimos a tend\u00eancia de que partidos de centro esquerda estabelecidos por muito tempo s\u00e3o desafiados por partidos indubitavelmente socialistas. Estes defendem um sistema econ\u00f4mico no qual os interesses dos simples trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o subordinados aos do capital <sup>1<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>Desgra\u00e7adamente, estas vis\u00f5es sobre um brilhante futuro socialista para a Europa foram ultrapassadas pelos \u00faltimos resultados eleitorais, e, fato mais importante ainda, pela evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica destes partidos.<\/p>\n<p><strong>A trag\u00e9dia italiana<\/strong><\/p>\n<p>A maioria destes partidos foram criados depois da contrarrevolu\u00e7\u00e3o de veludo de Gorbatchov. Na It\u00e1lia, durante seu congresso em Rimini, em 1991, o Partido Comunista Italiano hist\u00f3rico (PCI) se transformou em um partido social-democrata ordin\u00e1rio. No mesmo ano, os comunistas italianos fundaram o <em>Partito da Rifondazione Comunista<\/em> (Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista). No seio da <em>Rifondazione<\/em>, o debate sobre o curso estrat\u00e9gico do partido ficou aberto por muito tempo\u2026 Uma vez que Bertinotti ascendeu \u00e0 presid\u00eancia o debate se acelerou. Durante o 5\u00ba Congresso da <em>Rifondazione<\/em>, em fevereiro de 2002, Bertinotti apresenta suas 63 teses como uma cole\u00e7\u00e3o de \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d. Descobre uma \u201cnova classe oper\u00e1ria\u201d nascida em G\u00eanova em 2001; um \u201cconceito de partido novo\u201d. Recha\u00e7a o partido de vanguarda tornado \u201cobsoleto\u201d, e o substitui pelo partido concebido como uma composi\u00e7\u00e3o de \u201cmovimento de movimentos\u201d. Igualmente, descobre uma \u201cnova defini\u00e7\u00e3o do imperialismo\u201d, segundo a qual o mundo j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 dividido entre blocos capitalistas rivais e a guerra j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um meio de repart\u00ed-lo periodicamente. O antigo centralismo democr\u00e1tico \u00e9 substitu\u00eddo pelo \u201cdireito de tend\u00eancia&#8221; <sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>Depois de 36 meses de inova\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o da <em>Rifondazione Comunista<\/em> se declara apta para participar no governo, em companhia dos democratas crist\u00e3os de Romano Prodi e da social-democracia de D\u2019Alema. Durante o 6\u00ba Congresso do PRC, em mar\u00e7o de 2005, Bertinotti afirmou que seu partido deve ser a for\u00e7a motriz de um processo de reforma. E a participa\u00e7\u00e3o no governo se tornou um passo necess\u00e1rio nesta dire\u00e7\u00e3o. No discurso de fechamento do Congresso disse: \u201cO governo, inclusive o melhor, n\u00e3o \u00e9 mais que um passo, um passo de compromisso. O partido deve colocar-se em uma posi\u00e7\u00e3o tal que possa fazer ver sua estrat\u00e9gia, a fim de mostrar que quer ir mais longe [\u2026] <sup>3<\/sup>\u201d. Para prevenir cr\u00edticas contra o PRC, que entra em uma coaliz\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 Uni\u00e3o Europeia com o antigo presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Romano Prodi, Bertinotti n\u00e3o encontra melhor justificativa que o velho malabarismo da social-democracia: \u201cDevemos difundir a ideia de que os movimentos e o partido devem guardar sua autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao governo. O partido n\u00e3o deve ser identificado com o governo. Deve guardar sua pr\u00f3pria linha e uma estrat\u00e9gia ativa separada deste<sup>4<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>O muito conhecido membro do grupo Bildelberg, Romano Prodi, estava presente no Congresso e percebeu muito bem o giro do dirigente da Refunda\u00e7\u00e3o: \u201cH\u00e1 aqui um partido socialista de esquerda que aceita o desafio do governo<sup>5<\/sup>\u201c.<\/p>\n<p>Em menos de 10 anos, Bertinotti conseguiu colocar um importante potencial revolucion\u00e1rio sob o controle do sistema. Em 2007, o PRC se somava \u00e0 coaliz\u00e3o do \u201cOlivo\u201d. Sem uma clara oposi\u00e7\u00e3o de esquerda anticapitalista \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra no Afeganist\u00e3o e \u00e0s medidas de austeridade do governo de Prodi, a direita ocupou o vazio pol\u00edtico e Berlusconi chegou ao poder. O PRC perdeu toda sua representa\u00e7\u00e3o parlamentar na d\u00e9b\u00e2cle da esquerda eleitoral. Trata-se da experi\u00eancia mais recente dos estragos que o revisionismo pode ocasionar. Atualmente, o movimento comunista italiano atravessa uma crise profunda.<\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a: comunistas no governo (1981, 1987)<\/strong><\/p>\n<p>O s\u00e9culo 20 j\u00e1 provou o fracasso dos que pretendem modificar o equil\u00edbrio de poder em favor da classe oper\u00e1ria por maiorias no seio do parlamento burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Na euforia da vit\u00f3ria eleitoral de Miterrand em 1981, o secret\u00e1rio geral do PCF, George Marchais, enviou quatro comunistas ao governo para modificar \u201co equil\u00edbrio de poder\u201d. O dirigente do PCF, Roland Leroy, explica: \u201cNossa presen\u00e7a concorda bem com nossa miss\u00e3o e nossa estrat\u00e9gia: utilizar cada oportunidade, inclusive o menor passo adiante, para construir um socialismo original mediante os meios democr\u00e1ticos<sup>6<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>Em lugar de obter um socialismo original, a classe oper\u00e1ria francesa teve que suportar um C\u00f3digo de trabalho desregulado, uma seguridade social reduzida e sal\u00e1rios defasados em rela\u00e7\u00e3o ao \u00edndice de pre\u00e7os. Seis anos mais tarde, em julho de 1997, a dire\u00e7\u00e3o do PCF voltou a fazer o mesmo. Tr\u00eas ministros comunistas se aliam ao governo da \u201cesquerda plural\u201d (PS-PCF-Verdes-MDC) que chegou ao poder depois das grandes lutas de 1995. O resultado? Houve mais privatiza\u00e7\u00f5es sob esse governo que sob as administra\u00e7\u00f5es de direita de Jupp\u00e9 e Balladur juntas. A privatiza\u00e7\u00e3o da Air France foi supervisionada pelo ministro comunista de Transporte, Jean-Claude Gayssot. Air France, France Telecom, as companhias de seguros GAN e CIC, a Sociedade Marselhesa de cr\u00e9dito, CNP, Aeroespacial, todas elas foram \u201cabertas ao capital\u201d. A dire\u00e7\u00e3o do PCF continuava no governo de \u201cJospin-a guerra\u201d quando, em 1999, a Fran\u00e7a apoiou o bombardeio da Yugosl\u00e1via pela OTAN.<\/p>\n<p>Por suposi\u00e7\u00e3o, certas concess\u00f5es foram feitas \u00e0s exig\u00eancias sindicais, mas, como foi o caso em 1936 com o governo da Frente Popular, foram o resultado principalmente de grandes lutas que precederam ou acompanharam a vit\u00f3ria eleitoral da esquerda.<\/p>\n<p>Pretender modificar na c\u00e2mara parlamentar o equil\u00edbrio de poder a favor do povo trabalhador \u00e9 absurdo aos olhos de todos aqueles que observam o circo eleitoral, que v\u00eam os milhares de grupos de press\u00e3o e outras comiss\u00f5es de <em>experts<\/em> financiados pelos grupos de neg\u00f3cios com o fim de influir diretamente nas decis\u00f5es pol\u00edticas. \u00c9 como \u201ca riqueza exerce seu poder indiretamente, mas com maior efic\u00e1cia\u201d (para retomar os termos de Engels) n\u00e3o h\u00e1 melhor lugar para mostr\u00e1-lo que os Estados Unidos. Em 2000, os 429 candidatos cujas campanhas foram mais bem financiadas ocuparam os 429 primeiros lugares no Congresso estadunidense. S\u00f3 os lugares de 430 a 469 foram dados a candidatos com menos \u201cfortuna\u201d <sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 somente uma vantagem de toda a saga do neoliberalismo, \u00e9 esta: a evid\u00eancia de que a influ\u00eancia dos grupos mais poderosos do capital sobre os Estados-na\u00e7\u00f5es, as institui\u00e7\u00f5es europeias e as organiza\u00e7\u00f5es financeiras internacionais n\u00e3o foi nunca t\u00e3o aberta e descarada. As decis\u00f5es reais s\u00e3o a prerrogativa do executivo desde h\u00e1 numerosas d\u00e9cadas e o Parlamento n\u00e3o \u00e9 mais que uma m\u00e1quina para ratificar as decis\u00f5es j\u00e1 tomadas ao n\u00edvel do governo. Cada vez mais, as leis s\u00e3o preparadas por gabinetes ministeriais e, inclusive atualmente, por grupos de press\u00e3o de marcas importantes. Uma paz duradoura e o progresso social requerem uma sociedade socialista e uma transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade. A via parlamentar at\u00e9 o socialismo repousa na ilus\u00e3o de que o grande capital vai aceitar recuar e que vai ceder sem sua m\u00e1quina de Estado \u00e0 classe oper\u00e1ria quando esta esteja suficientemente representada no Parlamento.<\/p>\n<p>Naturalmente, devemos ser conscientes de que a maioria da popula\u00e7\u00e3o na Europa atualmente reconhece a ordem social atual como a \u00fanica poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Um processo revolucion\u00e1rio requer flexibilidade t\u00e1tica, uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade pol\u00edtica, uma avalia\u00e7\u00e3o adequada do objetivo de cada batalha, um conhecimento exato das contradi\u00e7\u00f5es de classe e das rela\u00e7\u00f5es de poder, e de grandes alian\u00e7as.<\/p>\n<p>Lutamos por reformas, lutamos para refor\u00e7ar a for\u00e7a pol\u00edtica e organizacional dos trabalhadores. \u00c0 popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe dizemos: \u201cVamos resolver isto por voc\u00eas\u201d, mas lhe dizemos: \u201cTomai v\u00f3s mesmos seu destino em vossas m\u00e3os\u201d. Na batalha, os trabalhadores adquirem experi\u00eancia e nosso dever \u00e9 introduzir a perspectiva socialista no horizonte. Inclusive para as reformas, n\u00e3o \u00e9 o Parlamento ou as elei\u00e7\u00f5es os que s\u00e3o decisivos, mas as lutas. Todo o que o movimento oper\u00e1rio obteve resultou de um combate organizado, de fazer campanha e de criar rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as nas ruas.<\/p>\n<p><strong>A Esquerda europeia<\/strong><\/p>\n<p>Em 8 e 9 de maio de 2004, os 2 partidos j\u00e1 mencionados, o PRC e o PCF, foram parte dos fundadores do Partido da Esquerda Europeia. Bertinotti chegou a ser o presidente.<\/p>\n<p>O Partido da Esquerda Europeia \u00e9 um salto qualitativo da revolu\u00e7\u00e3o ao reformismo (de esquerda), declarou um de seus fundadores, o presidente do Partido do Socialismo Democr\u00e1tico (PDS), Lothar Bisky. Em uma entrevista realizada pela revista <em>Freitag<\/em>, explica: \u201cPara as for\u00e7as pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia que t\u00eam como origem o movimento oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio, o Partido da Esquerda Europeia significa um novo passo qualitativo no processo de adapta\u00e7\u00e3o do socialismo de esquerda<sup>8<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>Nem no <em>Manifesto da Esquerda Europeia<\/em> nem em seus estatutos, \u00e9 feita refer\u00eancia \u00e0 propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, as crises econ\u00f4micas inerentes ao sistema, \u00e0 concorr\u00eancia assassina travada nas sociedades monopolistas, ou a reparti\u00e7\u00e3o do mundo pelas principais pot\u00eancias imperialistas. O Partido da Esquerda Europeia promete \u201cuma alternativa progressista\u201d, a \u201cpaz\u201d, a \u201cjusti\u00e7a social\u201d, um \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d e outras belezas que ningu\u00e9m rejeitaria<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Tudo acaba vago e inteiramente dentro dos limites do sistema e de suas rela\u00e7\u00f5es de propriedade. \u00c9 em v\u00e3o a busca pela menor refer\u00eancia a uma estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o social. Pelo contr\u00e1rio, o Partido se concentra completamente na \u201creforma profunda\u201d das institui\u00e7\u00f5es do sistema. \u201cQueremos fazer com que as institui\u00e7\u00f5es eleitas \u2013 o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais &#8211; tenham mais poder e possibilidades de controle<sup>10<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Die Linke<\/strong><\/em><strong> [A Esquerda]<\/strong><\/p>\n<p>Um partido importante no seio da Esquerda Europeia \u00e9 o partido alem\u00e3o de esquerda, Die Linke. Resulta da unifica\u00e7\u00e3o, em 2007, do Partido do Socialismo Democr\u00e1tico (PDS, o partido que sucedeu o principal partido na RDA, o SED) e o WASG (os social-democratas de esquerda desiludidos, sindicalistas e grupos trotskistas da Alemanha Oriental).<\/p>\n<p>O WASG nasceu em 2005, pelos protestos suscitados pelo governo de Gehrard Schr\u00f6der e foi composto pelo Partido Social-Democrata (SPD) e pelos Verdes. Sua reforma Hartz IV, que tirava dos desempregados seus subs\u00eddios ao cabo de um ano e os colocava em um sistema de assist\u00eancia social, criou um enorme setor de sal\u00e1rios baixos. As consequ\u00eancias da reforma Hartz IV foram desastrosas. Um relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas<sup>11<\/sup> sobre a situa\u00e7\u00e3o social na Alemanha mostra que na atualidade 13% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo do n\u00edvel de pobreza e que 1,3 milh\u00f5es de pessoas, mesmo tendo um trabalho, necessitam de uma ajuda suplementar pois seus sal\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o suficientes para sua subsist\u00eancia. A pobreza infantil afeta a 2,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as. Estudos mostram que 25% dos estudantes v\u00e3o para a escola sem ter comido.<\/p>\n<p>Somos testemunhas da pobreza em ascens\u00e3o entre as pessoas de idade devido a pens\u00f5es modestas e que diminuem pela redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio. Atualmente, 8,2 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam empregos tempor\u00e1rios ou \u201cmini-trabalhos\u201d \u2013 de menos de 400 euros por m\u00eas. Dos novos empregos, 75% s\u00e3o prec\u00e1rios. Tudo isso \u00e9 um caldo gordo para os super-ricos. Na Alemanha, em 2010, havia 924 mil milion\u00e1rios, ou seja um aumento de 7,2% em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Esta \u201creforma\u201d dividiu o Partido Social-Democrata e obrigou o antigo ministro social-democrata Lafontaine a abandonar o partido. Foi seguido por se\u00e7\u00f5es inteiras do movimento sindical alem\u00e3o. Estes tr\u00e2nsfugas criariam o WASG. O partido unificado WASG-PDS se converteu no \u201cDie Linke\u201d e em 2009 obteve 11,9% dos votos nas elei\u00e7\u00f5es federais, ganhando 78 assentos. Seu n\u00famero de membros estava em torno de 80 mil.<\/p>\n<p>Mas tr\u00eas anos mais tarde, segundo as sondagens mais recentes, o Die Linke tem problemas para ultrapassar o limite antidemocr\u00e1tico de 5% que se aplica a todas as elei\u00e7\u00f5es, tanto nacionais como regionais. Em maio de 2012, perdeu seus assentos nos dois Parlamentos federais alem\u00e3es de Schleswig-Holstein (de 6%, os votos ca\u00edram para 2,2%) e da Ren\u00e2nia do Norte-Westfalia (de 5,6% foi para 2,5%). O n\u00famero de membros diminuiu a menos de 70 mil.<\/p>\n<p><strong>A nova social-democracia<\/strong><\/p>\n<p>Die Linke adotou um programa durante seu congresso em Erfurt, no ano de 2011. Apresenta-se como uma s\u00edntese entre as tend\u00eancias marxistas e os realistas muito reformistas<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>\u201cDie Linke, como partido socialista, opta por alternativas, por um futuro melhor\u201d (p. 4). Este futuro engloba, justamente, \u201cuma exist\u00eancia com seguridade social, com um sal\u00e1rio m\u00ednimo assegurado, isento de san\u00e7\u00f5es e protegido da pobreza, assim como uma prote\u00e7\u00e3o total contra a depend\u00eancia, com uma pens\u00e3o estatut\u00e1ria para todos, apoiando-se na solidariedade, protegida da pobreza, com seguridade de sa\u00fade e cuidado para todos os cidad\u00e3os baseada na solidariedade, com educa\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel, gratuita, acess\u00edvel para todos, com diversidade cultural e participa\u00e7\u00e3o de todos na riqueza cultural da sociedade, com um sistema justo de impostos que reduza as cargas [tribut\u00e1rias] impostas aos sal\u00e1rios baixos e m\u00e9dios, mas que as aumente aos altos sal\u00e1rios, apontando substancialmente \u00e0s grandes fortunas para realizar a democracia e fazer valer a lei contra o poder exorbitante das grandes companhias, com a aboli\u00e7\u00e3o de toda forma de discrimina\u00e7\u00e3o baseada no sexo, idade, status social, filosofia, religi\u00e3o, origem \u00e9tnica, orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade, ou baseada em incapacidades de todos os g\u00eaneros\u201d.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se sabe com certeza se estas boas inten\u00e7\u00f5es ser\u00e3o concretizadas neste sistema capitalista ou se este sistema deve ser abolido. Em um ponto se pode ler: \u201cNecessitamos de um sistema econ\u00f4mico e social diferente: o socialismo democr\u00e1tico\u201d (p. 4). A \u201ceconomia social de mercado\u201d \u00e9 criticada como \u201cum compromisso entre o trabalho assalariado e o capital que nunca eliminou a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da natureza nem as rela\u00e7\u00f5es patriarcais nas esferas p\u00fablicas e privadas\u201d. Em outros trechos, o problema n\u00e3o \u00e9 o sistema mas o \u201ccapitalismo sem restri\u00e7\u00f5es\u201d (p. 58), o \u201cmodelo pol\u00edtico neoliberal\u201d (p. 56) e os \u201cmercados financeiros desregulados\u201d (p. 15).<\/p>\n<p>O texto evoca um \u201cgrande processo de emancipa\u00e7\u00e3o no qual o dom\u00ednio do capital \u00e9 substitu\u00eddo pelo vi\u00e9s das for\u00e7as democr\u00e1ticas, sociais e ecol\u00f3gicas\u201d, levando a uma \u201csociedade de socialismo democr\u00e1tico\u201d (p. 5). Por um lado, o problema definitivo da mudan\u00e7a social \u00e9 a quest\u00e3o da propriedade. \u201cEnquanto as decis\u00f5es tomadas pelas grandes companhias forem orientadas para os rendimentos mais desejados que o bem p\u00fablico, a pol\u00edtica estar\u00e1 sujeita a chantagens e a democracia ser\u00e1 minada\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u201ca propriedade p\u00fablica\u201d est\u00e1 limitada \u201caos servi\u00e7os de interesse geral de infraestrutura social, \u00e0s ind\u00fastrias do setor energ\u00e9tico e ao setor financeiro\u201d (p. 5). E o programa copia a velha tese social-democrata de \u201ca democracia que se estende \u00e0 tomada de decis\u00f5es econ\u00f4micas e submete todas as formas de propriedade a normas emancipadoras, sociais e ideol\u00f3gicas. Sem a democracia na economia, a democracia permanece imperfeita [\u2026]\u201d. Assim, esta \u201cordem econ\u00f4mica e democr\u00e1tica diferente\u201d ser\u00e1 uma economia de mercado regulada. \u201cSubmeteremos a regula\u00e7\u00e3o do mercado, da produ\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o a um enquadramento e a um controle democr\u00e1tico, social e ecol\u00f3gico\u201d. \u201cO mundo dos neg\u00f3cios deve estar submetido a um severo controle da compet\u00eancia\u201d (p. 5).<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria n\u00e3o tem nenhum papel na conquista do poder pol\u00edtico. \u00c9 quest\u00e3o de \u201cmaiorias vencedoras\u201d (p. 20) e o \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d poder\u00e1 ser realizado no seio de estruturas \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d da constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e de um \u201cestado social de direito\u201d.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia dever\u00e3o ser abolidos, mas um \u201ccontrole democr\u00e1tico\u201d do ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia ser\u00e1 suficiente para transform\u00e1-los em ferramentas do socialismo.<\/p>\n<p><strong>A participa\u00e7\u00e3o no governo<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o programa, a participa\u00e7\u00e3o no governo n\u00e3o tem sentido sem o apoio ao \u201crecha\u00e7o ao modelo neoliberal da pol\u00edtica\u201d, se sup\u00f5e uma mudan\u00e7a \u201cs\u00f3cio-ecol\u00f3gica\u201d e se pode melhorar o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o. Se tal \u00e9 o caso, \u201co poder pol\u00edtico de Die Linke e os movimentos sociais podem ser refor\u00e7ados\u201d e \u201co sentimento de impot\u00eancia pol\u00edtica que existe entre numerosas pessoas pode ser eliminado\u201d (p. 56).<\/p>\n<p>Questiona-se como esta posi\u00e7\u00e3o pode ser adotada pouco depois da d\u00e9b\u00e2cle do que todavia se encontrava presente como um exemplo de vanguarda da estrat\u00e9gia do partido: o desastre de Berlim. Em agosto de 2010, Die Linke afundou nas elei\u00e7\u00f5es do Senado de Berlim. Em 10 anos de participa\u00e7\u00e3o no governo, o partido caiu, passando de 22,3% para 11,5%.<\/p>\n<p>Durante 10 longos anos, uma coaliz\u00e3o governamental SPD-Die Linke governou a capital alem\u00e3. Fechou numerosas creches, cortou as indeniza\u00e7\u00f5es sociais e privatizou 122 mil apartamentos sociais. O Die Linke votou pela privatiza\u00e7\u00e3o parcial do sistema berlin\u00eas de bondes el\u00e9tricos, fez campanha contra a paridade nacional de sal\u00e1rios dos trabalhadores do setor p\u00fablico (que todavia ganham consideravelmente menos no Leste) e se expressou contra os esfor\u00e7os para devolver \u00e0 propriedade p\u00fablica a sociedade provedora de \u00e1gua em Berlim. Contribuiu igualmente para privatizar uma parte do principal hospital de Berlim \u2013 o que se traduziria em uma degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e uma diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mathias Behnis, cientista pol\u00edtico e porta-voz da frente de resist\u00eancia contra a privatiza\u00e7\u00e3o da sociedade berlinesa de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, e Benedict Ugarte Chac\u00f3n, cientista pol\u00edtica e porta-voz da iniciativa berlinesa contra o esc\u00e2ndalo banc\u00e1rio, fizeram um balan\u00e7o particularmente negro no peri\u00f3dico <em>Junge Welt<\/em> de 20 de agosto de 2011<sup>13<\/sup>. A coaliz\u00e3o SPD-PDS (nesse momento se tratava todavia do PDS; que mais tarde participaria da cria\u00e7\u00e3o do Die Linke) fez saber claramente desde o in\u00edcio de 2002 qual rumo tomaria ao aprovar uma garantia de risco para a Bankgesellschaft Berlim. Ficou com os riscos dos fundos imobili\u00e1rios criados pelo setor banc\u00e1rio com montante de 21,6 bilh\u00f5es de euros. Desde ent\u00e3o, a Regi\u00e3o de Berlim administra as perdas anuais do setor banc\u00e1rio. O PDS esteve de acordo em garantir os lucros dos acionistas destes fundos, com a ajuda do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dirigiu uma pol\u00edtica monet\u00e1ria estrita em detrimento, por exemplo, dos subs\u00eddios aos cegos no ano de 2003, ou das passagens sociais para o transporte p\u00fablico urbano em 2004, depois de que os governos federais suprimiram os subs\u00eddios. Foram necess\u00e1rios enormes protestos sociais para reintroduzir estes bilhetes, mas a um custo muito mais elevado.<\/p>\n<p>As creches e as universidades j\u00e1 n\u00e3o foram subsidiadas. Isto fez explodir veementes protestos entre estudantes e o congresso do partido do PDS, em 6 de dezembro de 2003, no luxuoso hotel Maritim, localizado no centro de Berlim, teve que ser protegido dos estudantes pela pol\u00edcia anti-motim, que evacuou a rua com brutalidade.<\/p>\n<p>Em maio de 2003, os pais foram obrigados a pagar at\u00e9 100 euros na compra de manuais escolares.<\/p>\n<p>O Die Linke em Berlim \u00e9 igualmente respons\u00e1vel pela deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de milhares de inquilinos. Em maio de 2004, o governo regional de Berlim vendeu 65.700 casas da sociedade p\u00fablica de alojamento GSW por um pre\u00e7o vantajoso de 405 milh\u00f5es de euros a um cons\u00f3rcio ao qual pertence o Whitehall-Fund do banco de investimento Goldman Sachs e a sociedade de investimento Cerberus. Em 2010 permitiu a estas sociedades entrar na Bolsa e transformar milhares de alojamentos berlinenses em objetos de especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Suprimiu igualmente os subs\u00eddios aos propriet\u00e1rios que alugavam sua casa a um aluguel social, sem a menor preocupa\u00e7\u00e3o com o que ocorreria aos inquilinos. Nos antigos apartamentos anteriormente muito baratos, ocupados sobretudo por trabalhadores com baixos sal\u00e1rios e por desempregados, os alugu\u00e9is aumentaram em 17%.<\/p>\n<p><strong>A \u00e1gua transformada em mercadoria<\/strong><\/p>\n<p>Em 1999, o antigo governo vendeu 49,9% da antiga sociedade de distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua berlinense \u00e0 RWE e \u00e0 Vivendi (Veolia). O PDS ocupou o posto de ministro de economia em 2002, mas n\u00e3o fez nenhuma mudan\u00e7a. O pre\u00e7o da \u00e1gua aumentou em 33%. Sob o antigo governo, o PDS fez campanha contra a privatiza\u00e7\u00e3o parcial da \u00e1gua. Mas o ministro do PDS, Wolf, fez exatamente aquilo contra o que combatia: garantir os benef\u00edcios dos acionistas privados e beneficiar os mesmos com pre\u00e7os elevados da \u00e1gua.<\/p>\n<p>No acordo de coaliz\u00e3o de 2006, o Die Linke e o SPD falaram de se comprometerem com o retorno da sociedade de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e0 autoridade municipal. Mas nada foi feito. Pior, fizeram oposi\u00e7\u00e3o por todos os meios poss\u00edveis a um grande movimento extraparlament\u00e1rio a favor da publica\u00e7\u00e3o do acordo secreto de privatiza\u00e7\u00e3o da sociedade de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Mais de 666 mil pessoas reclamaram para que o acordo fosse objeto de um referendo. A coaliz\u00e3o fez campanha contra essa a\u00e7\u00e3o. O referendo obtido for\u00e7osamente foi aceito, mas seguem se opondo a toda iniciativa legal da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que podem dizer em sua defesa \u00e9 a eterna zombaria dos social-democratas: \u201cSem n\u00f3s, teria sido pior\u201d. N\u00e3o, seria exatamente parecido, ou at\u00e9 melhor, pois sua participa\u00e7\u00e3o paralisou uma parte do potencial de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de haver sido eliminados nas elei\u00e7\u00f5es, se queixaram de n\u00e3o haverem tido a possibilidade de impor seus pontos de vista no SPD. Houve \u201crestri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade do movimento\u201d, disse o dirigente do partido Klaus Lederer. Naturalmente quando promete entrar em um governo para mudar as coisas, n\u00e3o deve se surpreender se as pessoas perguntam por que voc\u00ea mudou, afinal de contas.<\/p>\n<p>Nos governos regionais de Mecklemburgo-Pomerania Ocidental e de Brandemburgo, assim como em Berlim, o partido participou nas restri\u00e7\u00f5es e nos fechamentos.<\/p>\n<p>Contudo, o Congresso de Erfurt concluiu que a participa\u00e7\u00e3o no governo tem sentido.<\/p>\n<p>Apenas que se p\u00f5e [retoricamente] a discuss\u00e3o no seio do partido sobre a participa\u00e7\u00e3o em governos locais e inclusive federais. A ala direita da dire\u00e7\u00e3o inclusive aproveitou os resultados ruins recentes para reclamar que o partido renuncie a seu \u201cdesejo de permanecer na oposi\u00e7\u00e3o\u201d. Deve declarar abertamente sua inten\u00e7\u00e3o de buscar participar em todos os n\u00edveis de governo, particularmente com seu \u201ccompanheiro natural de coaliz\u00e3o\u201d, o SPD. Dietmar Bartsch, um de seus principais porta-vozes, \u00e9 apoiado pelo partido na totalidade das cinco prov\u00edncias do Leste, onde a organiza\u00e7\u00e3o tem muito mais membros. No Leste, a participa\u00e7\u00e3o no governo virou norma.<\/p>\n<p>Oskar Lafontaine, considerado como representante da esquerda do partido, nunca se op\u00f4s ao embarque do partido nas coaliz\u00f5es de poder \u2013 pelo contr\u00e1rio. \u00c9 um keynesiano e sonha com um tipo de Estado provid\u00eancia socialmente limitado a n\u00edvel nacional. O regresso aos anos 70. Ele e seus comparsas n\u00e3o deixam de formular os \u201cprinc\u00edpios\u201d ou as \u201ccondi\u00e7\u00f5es\u201d que deveriam ser seguidos para participar no governo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos deixar o SPD e os Verdes governar sozinhos. O social s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel conosco\u201d, tal era o t\u00edtulo do principal texto da dire\u00e7\u00e3o do partido durante seu congresso em Rostock, em 2010. \u201cO Die Linke pode governar, inclusive melhor que os demais. E n\u00f3s, no Estado federal de Mecklemburgo-Pomerania Ocidental temos ideias muito claras sobre o que se deve melhorar e como faz\u00ea-lo\u201d, declarou Steffen Bockhahn, presidente regional do Die Linke em Mecklenburgo-Pomerania Ocidental no congresso<sup>14<\/sup>. \u201cDevemos ter alternativas \u00e0 coaliz\u00e3o CDU-FDP\u201d, dizem os dirigentes do partido. Como se o SPD e os Verdes n\u00e3o estivessem de acordo em fazer os trabalhadores pagarem a crise! J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 cr\u00edtica dura contra estes partidos.<\/p>\n<p>Die Linke afirma que combina os protestos sociais e pol\u00edticos, elaborando alternativas poss\u00edveis e realiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no marco do governo. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o h\u00e1 atualmente rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a que tornem poss\u00edvel exercer sobre os governos uma press\u00e3o tal que sejam for\u00e7ados a realizar importantes reformas em favor do povo. A \u00fanica consequ\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o governamental \u00e9 que paralisa os movimentos de massas e os integra ao sistema, como j\u00e1 vimos em Berlim.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias da participa\u00e7\u00e3o comunista nos governos europeus provaram que esta participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o det\u00e9m as privatiza\u00e7\u00f5es, a regress\u00e3o social, muito menos a participa\u00e7\u00e3o em guerras imperialistas. Estas experi\u00eancias estremeceram a confian\u00e7a nos partidos que participaram nesses governos e mostraram que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a com nenhum outro partido. A participa\u00e7\u00e3o em um governo burgu\u00eas, no qual os monop\u00f3lios capitalistas dominam, debilita as for\u00e7as anticapitalistas.<\/p>\n<p><strong>Na Gr\u00e9cia<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, certos partidos recha\u00e7am aprender as li\u00e7\u00f5es de tais experi\u00eancias. Provam que se transformaram em verdadeiros partidos social-democratas, prontos para substituir os antigos, hoje desacreditados.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, mesmo com mais possibilidade do que uma vit\u00f3ria eleitoral real, a se\u00e7\u00e3o local do Partido da Esquerda Europeia, o Syriza, deixou seu programa aceit\u00e1vel para a dire\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia e para a burguesia grega. Seu programa governamental<sup>15<\/sup> foi apresentado como um \u201cplano para por fim \u00e0 crise\u201d. \u201cO prop\u00f3sito \u00e9 unir o povo em torno do programa governamental Syriza com o fim de liberar a Gr\u00e9cia da crise, da pobreza e de sua m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o\u201d. Em nenhum momento o sistema capitalista \u00e9 mencionado como a causa da crise: esta n\u00e3o seria mais que o resultado da gest\u00e3o \u201cneoliberal\u201d. O programa se apresenta como social e fiscalmente equitativo.<\/p>\n<p>Promete a anula\u00e7\u00e3o das medidas mais insuport\u00e1veis e antissociais, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a restaura\u00e7\u00e3o do antigo n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o contra o desemprego e as enfermidades. Promete suprimir os impostos especiais para os sal\u00e1rios baixos e m\u00e9dios. Mas este plano s\u00f3 conclama a \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o dos gastos b\u00e1sicos em torno de 43% do PIB, contra 36% do memorando, e de um m\u00e1ximo de 46% do PIB\u201d. Isso far\u00e1 a Gr\u00e9cia voltar \u201c\u00e0 atual m\u00e9dia no seio da zona do Euro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um programa que n\u00e3o vai al\u00e9m do marco capitalista. \u201cOrganizaremos o relan\u00e7amento da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com importantes impulsos para apoiar o desenvolvimento de ind\u00fastrias competitivas\u201d. N\u00e3o promete mais que congelar a privatiza\u00e7\u00e3o de entidades p\u00fablicas de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica que ainda eram p\u00fablicas em 2010, quando a crise estourou. Sobre a quest\u00e3o da d\u00edvida, o programa busca um compromisso com a burguesia no poder da Uni\u00e3o Europeia. Est\u00e1 muito por baixo do programa de 10 pontos do Syriza para as elei\u00e7\u00f5es de 6 de maio, que conclamava \u201cuma morat\u00f3ria no servi\u00e7o da d\u00edvida, negocia\u00e7\u00f5es para anular certas d\u00edvidas (n\u00e3o a d\u00edvida, como o KKE demandava) e a regula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida restante para incluir provis\u00f5es para o desenvolvimento econ\u00f4mico e o emprego<sup>16<\/sup>\u201d. Em 8 de maio, depois das primeiras elei\u00e7\u00f5es, Alexis Tsipras, o dirigente do Syriza, apresentou um programa de cinco pontos como base para a forma\u00e7\u00e3o de um \u201cgoverno de esquerda\u201d. Neste n\u00e3o encontramos mais que \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de auditoria internacional para investigar as causas do d\u00e9ficit na Gr\u00e9cia, com uma morat\u00f3ria no servi\u00e7o da d\u00edvida em espera da publica\u00e7\u00e3o dos resultados da auditoria<sup>17<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>Antes das novas elei\u00e7\u00f5es de 17 de junho, seu \u201cprograma de governo\u201d se limitou a denunciar os empr\u00e9stimos (negociados com a Troika) para trocar suas condi\u00e7\u00f5es por \u201coutras que n\u00e3o colocar\u00e3o em d\u00favida a soberania nacional da Gr\u00e9cia e a sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica de nosso pa\u00eds. Condi\u00e7\u00f5es tais que a prioridade no reembolso de empr\u00e9stimos ou o embargo da propriedade do Estado, acordada com os credores pelo memorando, n\u00e3o ser\u00e3o aceitas sem condi\u00e7\u00f5es\u2026\u201d N\u00e3o h\u00e1 reivindica\u00e7\u00f5es radicais que busquem fazer pagar pela crise seus respons\u00e1veis (os burgueses gregos e europeus e outros bancos\u2026), nem meios de impor suas medidas. Tudo ser\u00e1 negociado. O programa n\u00e3o espera impor \u201ca anula\u00e7\u00e3o do regime fiscal duro para os armadores e para a Igreja\u201d, sen\u00e3o que \u201cbuscar um acordo\u201d com o setor da ind\u00fastria mar\u00edtima para suprimir as 58 exce\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se diz nada sobre a cria\u00e7\u00e3o de um governo capaz de impor suas pr\u00f3prias medidas. Quer \u201clevar o n\u00edvel de impostos ao n\u00edvel do resto da Uni\u00e3o Europeia\u201d, onde a totalidade da carga recai nas costas da classe trabalhadora. Em nenhuma parte est\u00e1 a quest\u00e3o do controle da administra\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico pelos trabalhadores. Quem vai controlar os patr\u00f5es e os banqueiros? Nada sobre a pol\u00edcia e o ex\u00e9rcito. O Syriza est\u00e1 nas m\u00e3os da OTAN e da UE.<\/p>\n<p><strong>As duras li\u00e7\u00f5es do passado<\/strong><\/p>\n<p>As experi\u00eancias confirmam as posi\u00e7\u00f5es de Marx, de L\u00eanin e da Terceira Internacional a este respeito. Recha\u00e7am toda a participa\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es nas quais o fascismo constitua uma real amea\u00e7a, em caso de uma situa\u00e7\u00e3o que d\u00ea lugar a uma transi\u00e7\u00e3o a um governo realmente revolucion\u00e1rio, isto \u00e9 em situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias com lutas de classe muito importantes e um equil\u00edbrio de poder favor\u00e1vel (como no Chile em princ\u00edpios dos anos 1970, Portugal em 1975,\u2026). Nestas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel selar alian\u00e7as com for\u00e7as que representam camadas n\u00e3o prolet\u00e1rias, mas que s\u00e3o igualmente oprimidas pelos monop\u00f3lios ou amea\u00e7adas pelo fascismo ou beliger\u00e2ncias exteriores. Mas isto unicamente com a condi\u00e7\u00e3o de que este poder evolua ou deseje evoluir at\u00e9 a democracia popular e o socialismo, at\u00e9 um Estado diferente controlado pelos trabalhadores. N\u00e3o foi o caso do Chile, onde a rea\u00e7\u00e3o massacrou socialistas e comunistas metendo-os no mesmo saco.<\/p>\n<p>O governo dos trabalhadores, tal como prop\u00f4s a Terceira Internacional, se entende como \u201ca frente \u00fanica de todos os trabalhadores e uma coaliz\u00e3o de todos os partidos de trabalhadores, tanto na arena econ\u00f4mica como na pol\u00edtica, para lutar contra o poder da burguesia e, finalmente, para derrub\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p>Tal governo de trabalhadores s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se nasce das lutas de massas e se \u00e9 apoiado pelas organiza\u00e7\u00f5es militantes de trabalhadores<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>Dimitrov alertava contra o fato de que, \u201cmanter uma frente popular na Fran\u00e7a n\u00e3o significa que a classe oper\u00e1ria v\u00e1 apoiar o atual governo<sup>19<\/sup> a todo custo [\u2026]. Se, por uma raz\u00e3o ou outra, o governo existente se mostra incapaz de fazer passar o programa da Frente Popular, adota a linha da retirada diante o inimigo, de seu pa\u00eds e do estrangeiro, se sua pol\u00edtica debilita a resist\u00eancia \u00e0 ofensiva fascista, ent\u00e3o a classe oper\u00e1ria, com o prop\u00f3sito de reassegurar os la\u00e7os da Frente Popular, provocar\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o do atual governo por outro<sup>20<\/sup> [\u2026]\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 o que ocorreu e o PCF levou muito tempo para compreend\u00ea-lo. Em 1936, depois de uma vit\u00f3ria eleitoral dos partidos de esquerda, o governo Blum dos socialistas e dos radicais se formou, apoiado desde o exterior pelo PCF. Uma enorme onda de greves exerceu uma press\u00e3o sobre o governo para for\u00e7\u00e1-lo a satisfazer as reivindica\u00e7\u00f5es que se encontravam no programa da Frente Popular. Mas, para retomar os termos de seu chefe, este governo fixou como objetivo encontrar uma maneira de \u201cprocurar um al\u00edvio suficiente \u00e0queles que sofrem\u201d no marco da sociedade de ent\u00e3o. Para Blum, a miss\u00e3o da Frente Popular consistiu em \u201cmoderar a sociedade burguesa\u201d e extrair \u201cum m\u00e1ximo de ordem, de bem-estar, de seguridade e de justi\u00e7a\u201d. Nestas condi\u00e7\u00f5es, o impacto negativo da participa\u00e7\u00e3o no governo aumentou consideravelmente. As administra\u00e7\u00f5es \u201cde esquerda\u201d presidindo sistemas capitalistas tem historicamente desmoralizado e desmobilizado a classe oper\u00e1ria, e aberto a via a partidos e governos conservadores e inclusive de extrema direita.<\/p>\n<p>O governo de Blum foi posto abaixo dois anos depois e bastaram dois anos mais para que os capitalistas franceses fizessem uma revanche e recuperassem as concess\u00f5es que haviam feito. A iniciativa do Partido Socialista, o governo dirigido pelo l\u00edder do Partido Radical, Daladier, declarou o PC ilegal em 21 de novembro de 1939 e os representantes deste foram julgados. Em 7 de julho de 1940 os mesmos representantes radicais e socialistas deram sua confian\u00e7a no voto ao governo traidor de P\u00e9tain.<\/p>\n<p>Inclusive nos per\u00edodos em que uma participa\u00e7\u00e3o no governo pode levar \u00e0 fase da luta aberta pelo socialismo, a maior vigil\u00e2ncia \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em setembro de 1947, durante uma reuni\u00e3o na qual estavam presentes membros do novo \u00f3rg\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas depois da Segunda Guerra Mundial \u2013 o Kominform<sup>21<\/sup> \u2013 os participantes criticaram a linha oportunista do PCF e do PCI em sua pol\u00edtica de frente \u00fanica durante a ocupa\u00e7\u00e3o e sua participa\u00e7\u00e3o subsequente no governo.<\/p>\n<p>Estava dentro dos interesses da burguesia cooperar com os comunistas durante e depois da guerra porque era d\u00e9bil. Os comunistas deveriam ter aproveitado esta situa\u00e7\u00e3o para ocupar postos chaves, mas n\u00e3o o fizeram. No lugar de conquistar um apoio das massas para tomar o poder, desarmaram as massas e plantaram ilus\u00f5es sobre a democracia burguesa e o parlamentarismo.<\/p>\n<p>No lugar de criar uma unidade antifascista a partir das bases, com a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos emanados das massas, reunindo todas as tend\u00eancias que estavam realmente prontas a seguir a via de luta por um poder revolucion\u00e1rio, os dirigentes do PCF e do PCI cometeram o erro de construir uma frente na c\u00fapula, sob a base de uma representa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria dos diferentes partidos, quando o objetivo dos partidos burgueses era evitar a transforma\u00e7\u00e3o real do pa\u00eds. Para colocar em pr\u00e1tica esta pol\u00edtica, os dirigentes do PCF e do PCI alegaram que toda reivindica\u00e7\u00e3o diferente da liberta\u00e7\u00e3o nacional, toda reivindica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as democr\u00e1ticas radicais e revolucion\u00e1rias, retirariam do lado da frente antifascista certo n\u00famero de grupos sociais e de for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o criticou o PCF por haver permitido e at\u00e9 facilitado o desarmamento e a dissolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da Resist\u00eancia com o pretexto de que a guerra havia terminado e que uma a\u00e7\u00e3o contra a pol\u00edtica de De Gaulle terminaria em uma confronta\u00e7\u00e3o com os Aliados. Esta concep\u00e7\u00e3o facilitou a tarefa dos imperialistas preocupados por reconquistar suas posi\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 guerra. Isto criou ilus\u00f5es sobre a \u201cdemocracia\u201d dos imperialistas e de sua capacidade de ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o, sem outros objetivos, das na\u00e7\u00f5es que foram liberadas do fascismo.<\/p>\n<p>Globalmente, os delegados da Confer\u00eancia os reprovaram por persistir nas ilus\u00f5es de uma via parlamentar at\u00e9 o socialismo e dissemin\u00e1-las entre as massas no lugar de mobiliz\u00e1-las contra a pol\u00edtica pr\u00f3-estadunidense de seus governos e por uma alternativa verdadeiramente revolucion\u00e1ria<sup>22<\/sup>.<\/p>\n<p><strong>Antes tarde do que nunca<\/strong><\/p>\n<p>A primeira pergunta permanece sendo: Qual \u00e9 o car\u00e1ter da sociedade na qual um partido comunista quer participar no governo? \u00c9 um Estado capitalista. Sua base econ\u00f4mica \u00e9 o capitalismo e sua tarefa \u00e9, por conseguinte, administrar o capitalismo, proteger e criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o \u00eaxito de seu desenvolvimento. Este Estado adotou uma constitui\u00e7\u00e3o e leis, regras e regulamenta\u00e7\u00f5es as quais t\u00eam como objetivo garantir a ordem constitucional, criar as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento do capital e para evitar conflitos no seio da sociedade.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica hostil com os trabalhadores nestes Estados n\u00e3o revela pol\u00edticos malvados nem partidos maus com maliciosos programas. Enquanto a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o reina, as empresas devem competir para sobreviver, elas devem acumular, aumentar seus lucros, reduzir os sal\u00e1rios e negar as reivindica\u00e7\u00f5es sociais. A esta lei n\u00e3o se podem opor os \u201cbons\u201d pol\u00edticos no governo com ideias e programas \u201ccorretos\u201d.<\/p>\n<p>O capitalismo atual j\u00e1 n\u00e3o pode, como o espera Lafontaine, voltar \u00e0 \u00e9poca do que chamamos \u201ca economia social de mercado\u201d com coopera\u00e7\u00e3o social. Este foi um epis\u00f3dio que deve ser substitu\u00eddo pelo contexto da rivalidade ideol\u00f3gica entre o socialismo e o capitalismo, da for\u00e7a dos partidos comunistas depois do per\u00edodo da Resist\u00eancia, quando as reivindica\u00e7\u00f5es podiam ser levadas em considera\u00e7\u00e3o a partir dos lucros da fase de reconstru\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e por muito j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria na l\u00f3gica capitalista. Os 25 milh\u00f5es de desempregados oficiais na Uni\u00e3o Europeia que atualmente exercem uma press\u00e3o sobre os sal\u00e1rios e os mercados de emprego mundialmente acess\u00edveis reduzem o pre\u00e7o da m\u00e3o de obra. O custo do desemprego duplica o pressuposto social: os sal\u00e1rios em baixa fazem aportar menos renda nas caixas de seguridade social enquanto que h\u00e1 mais benefici\u00e1rios para serem atendidos por estes fundos. A fal\u00eancia do sistema de seguridade social n\u00e3o \u00e9 mais que uma quest\u00e3o de tempo se n\u00e3o h\u00e1 um grande combate para fazer o capital pagar impostos. Ademais, os rendimentos dos impostos em benef\u00edcio das empresas est\u00e3o em baixa, apesar dos lucros em alta: s\u00e3o necess\u00e1rias redu\u00e7\u00f5es suplementares dos impostos para refor\u00e7ar os capitalistas nacionais nos mercados internacionais.<\/p>\n<p>O Estado capitalista est\u00e1 a\u00ed para criar as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o crescimento da rentabilidade das empresas, para criar para elas novos mercados gra\u00e7as \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o e a redistribui\u00e7\u00e3o da renda nacional a favor dos detentores do capital. Est\u00e1 a\u00ed para calar e reprimir a classe oper\u00e1ria nacional e para garantir os interesses do capital em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, a participa\u00e7\u00e3o em governos em tais condi\u00e7\u00f5es significa unicamente a participa\u00e7\u00e3o na regress\u00e3o social, inclusive se esta se encontra um pouco freada. Significa desarmar a resist\u00eancia e dar falsas esperan\u00e7as ao movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Antigos partidos comunistas escolheram participar do poder, sabendo em detalhes que isso significa governar sob os interesses do capital e formar parte da destrui\u00e7\u00e3o dos ganhos sociais conquistados depois de lutas por parte do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o no governo contribuiu para desmobilizar a resist\u00eancia t\u00e3o necess\u00e1ria e o desenvolvimento de um contra-poder. Atualmente, para modificar o equil\u00edbrio das for\u00e7as de classe, devemos nos unir para uma s\u00e9rie de combates defensivos contra a regress\u00e3o social, a fim de criar um movimento pol\u00edtico independente de trabalhadores e daqueles que s\u00e3o impedidos de trabalhar e difundir uma consci\u00eancia anticapitalista crescente no seio do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A debilidade dos comunistas e dos sindicatos com uma clara orienta\u00e7\u00e3o anticapitalista \u00e9 a principal causa do dom\u00ednio agressivo do capital na maior parte dos pa\u00edses capitalistas.<\/p>\n<p>Necessitamos de um programa pol\u00edtico alternativo e devemos lutar por ele. Que compreenda reivindica\u00e7\u00f5es imediatas mas tamb\u00e9m o objetivo da aboli\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de propriedade. Estas reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser dirigidas a s\u00f3cios potenciais no seio de um governo de esquerda (que n\u00e3o existe), sen\u00e3o a um movimento oper\u00e1rio organizado e a outras camadas exploradas da sociedade. Devem ser dirigidas aos sindicatos, a todo tipo de organiza\u00e7\u00f5es populares ativas em todos os dom\u00ednios da luta social, democr\u00e1tica, anti-imperialista e cultural.<\/p>\n<p>A verdadeira pergunta \u00e9 saber como os partidos comunistas se preparar\u00e3o para as batalhas que vir\u00e3o, como se organizar\u00e3o para dar envergadura e assumir eficazmente a carga das novas lutas da classe oper\u00e1ria e do povo trabalhador em sentido amplo. A crise obriga \u00e0s grandes camadas de trabalhadores a dar suas costas \u00e0 social-democracia. N\u00e3o devemos oferecer-lhes uma renovada social-democracia. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 um partido revolucion\u00e1rio que leve em conta o atual n\u00edvel de conscientiza\u00e7\u00e3o, que fa\u00e7a seus os problemas do povo, que fale em uma linguagem acess\u00edvel, que busque a unidade com o maior grupo poss\u00edvel na luta. Mas que n\u00e3o anule seus princ\u00edpios, que mantenha o rumo \u00e0 sociedade onde n\u00e3o haver\u00e1 explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, uma sociedade sem propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, uma sociedade na qual os trabalhadores ser\u00e3o realmente livres e com um Estado que proteger\u00e1 a liberdade da vasta maioria contra a opress\u00e3o da minoria.<\/p>\n<p><em>Fonte: Revista Comunista Internacional (n\u00ba 4)<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/em><\/p>\n<p>1 \u00ab\u00a0Socialism\u2019s comeback\u00a0\u00bb, <em>New Statesman<\/em>, dezembro de 2008,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.newstatesman.com\/europe\/2008\/12\/socialist-party-socialism?page=5\" target=\"_blank\">http:\/\/www.newstatesman.com\/europe\/2008\/12\/socialist-party-socialism?page=5<\/a>.<\/p>\n<p>2 Fausto Bertinotti e.a., <em>Tesi maggioranza<\/em> (tese da maioria), V Congresso Nazionale, 2002, Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista.Todas as cita\u00e7\u00f5es sobre o PRCI prov\u00eam da obra \u201cA classe oper\u00e1ria na era das multinacionais\u201c, de Peter Mertens:<a href=\"http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7<\/a>.(As teses em italiano\u00a0: <a href=\"http:\/\/www.d-meeus.be\/marxisme\/modernes\/Bertinotti63Tesi.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.d-meeus.be\/marxisme\/modernes\/Bertinotti63Tesi.html<\/a>).<\/p>\n<p>3 Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista. VI Congresso Nacional. Rela\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do secret\u00e1rio Fausto Bertinotti.<\/p>\n<p>4 Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista. VI Congresso Nacional. Rela\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do secret\u00e1rio Fausto Bertinotti.<\/p>\n<p>5 <em>La Stampa<\/em>, 4\u00a0de mar\u00e7o de 2005, p.\u00a07,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.archiviolastampa.it\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.archiviolastampa.it\/<\/a>.<\/p>\n<p>6 <em>Le Nouvel Observateur<\/em>, 10\u00a0de fevereiro de 1984.<\/p>\n<p>7 Michael Scherer, Amy Paris e.a., \u201cCampaign inflation\u201d, em <em>The Mother Jones<\/em> 400, mar\u00e7o de 2001,<a href=\"http:\/\/www.motherjones.com\/news\/special_reports\/mojo_400\/index.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.motherjones.com\/news\/special_reports\/mojo_400\/index.html<\/a>.<\/p>\n<p lang=\"en-GB\">\u00a0<\/p>\n<p>8 <em>Junge Welt<\/em>, 8 de abril de 2004,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jungewelt.de\/2004\/04-08\/004.php\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jungewelt.de\/2004\/04-08\/004.php<\/a>.<\/p>\n<p>9 Partido da Esquerda Europeia, \u00ab\u00a0Manifesto do Partido da Esquerda Europeia\u00bb, 10\u00a0de maio de 2004.<\/p>\n<p>10 Ibidem.<\/p>\n<p>11 Conselho Econ\u00f4mico e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 20 de maio de 2011. Observa\u00e7\u00f5es Conclusivas do Comit\u00ea sobre Direitos Econ\u00f4micos, Sociais e Culturais. Alemanha,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ag-friedensforschung.de\/themen\/Menschenrechte\/deutsch-un.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ag-friedensforschung.de\/themen\/Menschenrechte\/deutsch-un.pdf<\/a><\/p>\n<p>12 Programa do partido Die Linke.\u00a0<a href=\"http:\/\/en.die-linke.de\/fileadmin\/download\/english_pages\/programme_of_the_die_linke_party_2011\/programme_of_the_die_linke_party_2011.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/en.die-linke.de\/fileadmin\/download\/english_pages\/programme_of_the_die_linke_party_2011\/programme_of_the_die_linke_party_2011.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>13 Mathias Behnis e Benedict Ugarte Chac\u00f3n, \u201cDie \u00dcberfl\u00fcssigen\u00a0: Hintergrund. Harmlos, farblos und immer treu zur SPD. Zehn Jahre Regierungsbeteiligung der Linkspartei in Berlin \u2014\u00a0eine unvollst\u00e4ndige Bilanz des Scheiterns\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jungewelt.de\/loginFailed.php?ref=\/2011\/08-20\/024.php\" target=\"_blank\">https:\/\/www.jungewelt.de\/loginFailed.php?ref=\/2011\/08-20\/024.php<\/a>.<\/p>\n<p>14 <em>Disput<\/em>, junho de 2010.<\/p>\n<p>15 <a href=\"http:\/\/transform-network.net\/de\/blog\/blog-2012\/news\/detail\/Blog\/a-road-map-for-the-new-greece.html\" target=\"_blank\">http:\/\/transform-network.net\/de\/blog\/blog-2012\/news\/detail\/Blog\/a-road-map-for-the-new-greece.html<\/a><\/p>\n<p>16 <a href=\"http:\/\/hellenicantidote.blogspot.be\/2012\/05\/oh-my-god-syrizas-10-point-plan-to-save.html\" target=\"_blank\">http:\/\/hellenicantidote.blogspot.be\/2012\/05\/oh-my-god-syrizas-10-point-plan-to-save.html<\/a><\/p>\n<p>17 <a href=\"http:\/\/www.ekathimerini.com\/4dcgi\/_w_articles_wsite1_1_08\/05\/2012_441181\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ekathimerini.com\/4dcgi\/_w_articles_wsite1_1_08\/05\/2012_441181<\/a><\/p>\n<p>18 <a href=\"http:\/\/www.marxists.org\/francais\/inter_com\/1922\/ic4_01.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.marxists.org\/francais\/inter_com\/1922\/ic4_01.htm<\/a><\/p>\n<p>19 O governo da Frente Popular de socialistas e radicais dirigido por L\u00e9on Blum, ver mais adiante.<\/p>\n<p>20 Georgi Dimitrov, \u0152uvres choisies, t. 2, p. 160, Sofia Presse<\/p>\n<p>21 Em 1943 foi dissolvida a Terceira Internacional. Ap\u00f3s a derrota do fascismo, foi restaurada com o nome de Kominform. Esta se reuniu somente tr\u00eas vezes. Durante suas sess\u00f5es que ocorreram de 23 a 26 de setembro de 1947, se discutiu em detalhe a situa\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>22 Interven\u00e7\u00e3o de Djilas em 25 de setembro de 1947. Giuliano Procacci (red.), <em>The Cominform\u00a0: Minutes of the Three Conferences 1947\/1948\/1949<\/em>, Mil\u00e3o, Fondazione Giangiacomo Feltrinelli &amp; Russian Centre of Conservation and Study of Records for Modern History (RTsKhIDNI), 1994, pp\u00a0255-257. Citado em Peter Mertens, \u00ab\u00a0A classe oper\u00e1ria na era das multinacionais\u00a0\u00bb\u00a0:<a href=\"http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nPartido do Trabalho da B\u00e9lgica\nHerwig Lerouge\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5861\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-5861","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1wx","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5861\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}