{"id":5864,"date":"2014-02-06T01:14:05","date_gmt":"2014-02-06T01:14:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5864"},"modified":"2014-02-06T01:14:05","modified_gmt":"2014-02-06T01:14:05","slug":"a-ucrania-como-realmente-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5864","title":{"rendered":"A Ucr\u00e2nia como realmente \u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p>entrevistado por Jean Pestieau Quais s\u00e3o os problemas econ\u00f3micos enfrentados pelo povo ucraniano, principalmente os trabalhadores, pequenos agricultores e desempregados ?<\/p>\n<p>Jean-Marie Chauvier: Desde o desmembramento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, a Ucr\u00e2nia passou de 51,4 para 45 milh\u00f5es de habitantes. Esta diminui\u00e7\u00e3o deveu-se a uma baixa da natalidade, um aumento da mortalidade, em parte devido ao desmantelamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade. A emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito forte. Cerca de 6,6 milh\u00f5es de ucranianos vivem hoje no exterior. Muitas pessoas no leste da Ucr\u00e2nia foram trabalhar para a R\u00fassia, onde os sal\u00e1rios s\u00e3o sensivelmente mais elevados, enquanto os do oeste s\u00e3o mais dirigidos para a Europa Ocidental, por exemplo, em estufas de Andaluzia ou no sector da constru\u00e7\u00e3o em Portugal. A emigra\u00e7\u00e3o faz entrar por ano na Ucr\u00e2nia, 3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Enquanto o desemprego \u00e9 oficialmente de 8% na Ucr\u00e2nia, uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha de pobreza: 25%, de acordo com o Governo, at\u00e9 80 % de acordo com outras estimativas. A pobreza extrema, acompanhada de desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 estimada entre 2 e 3 % at\u00e9 16%. O sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de 332 d\u00f3lares por m\u00eas, um dos mais baixos da Europa. As regi\u00f5es mais pobres s\u00e3o as \u00e1reas rurais no oeste. As ofertas de emprego s\u00e3o baixas e limitadas no tempo.<\/p>\n<p>Os problemas mais prementes s\u00e3o agravados pelos riscos de assinar um acordo de livre com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia e a implementa\u00e7\u00e3o das medidas recomendadas pelo FMI. Existe, portanto, a perspectiva de encerramento de empresas industriais, especialmente no Leste, ou a recupera\u00e7\u00e3o, reestrutura\u00e7\u00e3o e desmantelamento pelas multinacionais. No que diz respeito \u00e0 terra f\u00e9rtil e \u00e0 agricultura, est\u00e1 no horizonte a ru\u00edna da produ\u00e7\u00e3o local que \u00e9 atualmente assegurada pelos pequenos agricultores e sociedades por a\u00e7\u00f5es, herdeiros dos colcozes e com a chegada em grande das multinacionais agro-alimentares. A compra massiva de terra rica vai acelerar-se. Assim Landkom, um grupo brit\u00e2nico, comprou 100 mil hectares e o\u00a0<em>hedge fund <\/em>russo Renaissance comprou 300 mil hectares.<\/p>\n<p>Para as multinacionais h\u00e1, portanto, bons nacos a apanhar: algumas ind\u00fastrias, oleodutos, terra f\u00e9rtil, m\u00e3o-de-obra qualificada.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as vantagens e desvantagens de uma aproxima\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia?<\/p>\n<p>JMC: Os ucranianos \u2013 em primeiro lugar a juventude \u2013 t\u00eam o sonho da UE, a liberdade de viajar, as ilus\u00f5es de conforto, bons sal\u00e1rios, prosperidade, etc. Sonhos com os quais os governos ocidentais contam. Mas, na realidade, n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 UE. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas. A UE oferece poucas coisas, apenas o desenvolvimento do com\u00e9rcio livre, a importa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de produtos ocidentais, a imposi\u00e7\u00e3o de normas europeias nos produtos que podem ser exportados para a UE, o que levanta barreiras formid\u00e1veis para a exporta\u00e7\u00e3o ucraniana. A R\u00fassia, por sua vez \u2013 em caso de acordo com a UE \u2013 amea\u00e7a fechar o seu mercado a produtos ucranianos. Moscovo ofereceu compensa\u00e7\u00f5es tais como a baixa de um ter\u00e7o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, uma ajuda de 15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, a uni\u00e3o aduaneira com ela pr\u00f3pria, o Cazaquist\u00e3o, a Arm\u00e9nia&#8230; Putin tem um projecto eurasi\u00e1tico que abrange a maior parte do antigo espa\u00e7o sovi\u00e9tico (excepto os pa\u00edses b\u00e1lticos), fortalecendo os v\u00ednculos com um projecto de coopera\u00e7\u00e3o industrial com a Ucr\u00e2nia, a integra\u00e7\u00e3o de tecnologias que a Ucr\u00e2nia estava realizando no tempo da URSS: aeron\u00e1utica, sat\u00e9lites, armamento, constru\u00e7\u00e3o naval, etc, modernizando os complexos industriais. \u00c9, obviamente, o leste da Ucr\u00e2nia que est\u00e1 mais interessado nesta perspectiva.<\/p>\n<p>Pode explicar as diferen\u00e7as regionais na Ucr\u00e2nia?<\/p>\n<p>JMC: N\u00e3o h\u00e1 Estado-na\u00e7\u00e3o homogeneo na Ucr\u00e2nia. H\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es entre as regi\u00f5es. H\u00e1 diferen\u00e7as hist\u00f3ricas. A R\u00fassia, Bielorussia e Ucr\u00e2nia tiveram um ber\u00e7o comum: o Estado dos Eslavos Orientais (s\u00e9culo IX a XI ), a capital Kiev, foi chamada de &#8220;Rous&#8221;, &#8220;R\u00fassia&#8221; ou &#8220;Ruth\u00e9nia&#8221;. Mais tarde, os seus caminhos diferenciaram-se: l\u00ednguas, religi\u00f5es, filia\u00e7\u00f5es estatais. O Oeste esteve muito tempo ligado ao Gr\u00e3o-Ducado da Litu\u00e2nia, aos reinos polacos, ao Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917 e a Guerra Civil, nasceu a primeira forma\u00e7\u00e3o nacional chamada &#8221; Ucr\u00e2nia&#8221;, co-fundadora, em 1922, da URSS. A parte ocidental anexada, em particular, pela Pol\u00f4nia, foi &#8220;recuperada&#8221; em 1939 e 1945, em seguida, o actual territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia ampliou-se para a Crim\u00e9ia, em 1954.<\/p>\n<p>O leste da Ucr\u00e2nia \u00e9 mais industrializado, mais oper\u00e1rio, mais russ\u00f3fono, enquanto o oeste \u00e9 mais rural, de l\u00edngua ucraniana. O leste \u00e9 Ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Moscovo, enquanto o Ocidente \u00e9 tanto cat\u00f3lico grego (&#8220;Uniata&#8221;) e ortodoxo, ligado ao Patriarcado de Kiev desde a independ\u00eancia em 1991. A Igreja Uniata Cat\u00f3lica, em particular no Oeste em Galicia, tem sido tradicionalmente german\u00f3fila, muitas vezes em conflito com a Igreja Cat\u00f3lica da Pol\u00f3nia. O centro da Ucr\u00e2nia, com Kiev, \u00e9 uma mistura de correntes Leste e Oeste. Kiev \u00e9 esmagadoramente de l\u00edngua russa, as suas elites s\u00e3o pr\u00f3-oposi\u00e7\u00e3o e intimamente ligadas aos ultra-liberais de Moscovo.<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia \u00e9 pois partilhada \u2013 hist\u00f3rica, cultural, politicamente \u2013 entre o Oriente e o Ocidente, e n\u00e3o faz nenhum sentido lan\u00e7ar uma contra a outra, a n\u00e3o ser para se colocar um cen\u00e1rio do in\u00edcio da guerra civil, o que \u00e9, provavelmente, a inten\u00e7\u00e3o de alguns. \u00c0 for\u00e7a de impor a divis\u00e3o, como est\u00e3o a fazer os ocidentais e seus pequenos soldados no local, pode vir o tempo em que a UE e a OTAN poder\u00e3o ter o seu &#8220;peda\u00e7o&#8221;, mas onde tamb\u00e9m a R\u00fassia tomar\u00e1 o seu! N\u00e3o seria o primeiro pa\u00eds que se faria deliberadamente explodir. Todos devem estar cientes de que a op\u00e7\u00e3o europeia tamb\u00e9m ser\u00e1 militar: a OTAN vir\u00e1 a seguir e em breve se vai levantar a quest\u00e3o da base russa em Sebastopol na Crimeia, maioritariamente da R\u00fassia e estrategicamente crucial para a presen\u00e7a militar no Mar Negro. Pode-se imaginar que Moscovo n\u00e3o vai deixar instalar uma base dos EUA naquele lugar!<\/p>\n<p>O que acha da forma como o atual conflito \u00e9 apresentado em nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>JMC: \u00c9 um western! H\u00e1 os &#8220;pr\u00f3-europeus&#8221; bons e os maus &#8220;pr\u00f3-russos&#8221;. \u00c9 manique\u00edsta, parcial, ignorante da realidade da Ucr\u00e2nia. Na maioria das vezes, os jornalistas v\u00e3o ter com pessoas que pensam como eles, que dizem o que os ocidentais querem ouvir, que falam Ingl\u00eas e outras l\u00ednguas ocidentais. E depois, h\u00e1 as mentiras por omiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo de inicio h\u00e1 uma not\u00e1vel aus\u00eancia: o povo ucraniano, os trabalhadores, os camponeses, submetidos a um capitalismo de choque, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de todas as suas conquistas sociais, aos poderes das m\u00e1fias de todos os lados.<\/p>\n<p>Depois, h\u00e1 a oculta\u00e7\u00e3o ou minimiza\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno que \u00e9 conhecido como &#8220;nacionalista&#8221; e que \u00e9, na verdade, neo-fascista ou mesmo claramente nazi. \u00c9 principalmente (mas n\u00e3o exclusivamente), localizado no partido Svoboda, seu l\u00edder Oleg Tiagnibog e a regi\u00e3o ocidental que corresponde \u00e0 antiga &#8220;Galicia oriental&#8221; polaca. Quantas vezes tenho visto, ouvido, lido na Comunica\u00e7\u00e3o Social, cita\u00e7\u00f5es do partido e seu chefe como &#8220;opositores &#8221; e sem outra qualifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Estamos a falar de jovens simp\u00e1ticos &#8220;volunt\u00e1rios de auto-defesa&#8221;, vindos de Lviv (Lwow, Lemberg) para Kiev, mas trata-se de comandos levados pela extrema-direita para esta regi\u00e3o (Galicia), que \u00e9 o seu basti\u00e3o. Pesada \u00e9 a responsabilidade daqueles \u2013 pol\u00edticos, jornalistas \u2013 que jogam este jogo, a favor de tend\u00eancias xen\u00f3fobas, anti-R\u00fassia, anti-semitas, racistas, celebrando a mem\u00f3ria do colaboracionismo nazi e da Waffen SS e de que a Galicia (e n\u00e3o toda a Ucr\u00e2nia!) foi a terra natal.<\/p>\n<p>Finalmente, os meios de comunica\u00e7\u00e3o passam em sil\u00eancio as v\u00e1rias redes financiadas pelo Ocidente (EUA, UE, Alemanha) para a desestabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a interven\u00e7\u00e3o direta de pol\u00edticos ocidentais. Imagine-se a \u00e1rea neutra de Bruxelas ocupada durante dois meses por dezenas de milhares de manifestantes exigindo a ren\u00fancia do rei e do governo, atacando o Pal\u00e1cio Real e aclamando na tribuna ministros russos, chineses ou iranianos! Pode-se imaginar isto em Paris ou Washington? Mas \u00e9 o que acontece em Kiev.<\/p>\n<p>O meu espanto cresce dia a dia observando a diferen\u00e7a entre &#8220;as informa\u00e7\u00f5es&#8221; emitidas pela nossa Comunica\u00e7\u00e3o Social e aquelas que posso colher nos meios de comunica\u00e7\u00e3o ucranianos e russos. As viol\u00eancias neonazis, as agress\u00f5es anti-semitas, as tomadas de assalto das administra\u00e7\u00f5es regionais: nos nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nada disso! S\u00f3 temos um \u00fanico ponto de vista: o dos opositores de Maidan (Pra\u00e7a de Kiev, onde os pr\u00f3-europeus se re\u00fanem (Nota do Editor). Na Comunica\u00e7\u00e3o Social, o resto da Ucr\u00e2nia n\u00e3o existe!<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os principais atores em presen\u00e7a?<\/p>\n<p>JMC: A oligarquia industrial e financeira, benefici\u00e1ria das privatiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 compartilhada entre a R\u00fassia e o Ocidente. Viktor Yanukovich e seu Partido das Regi\u00f5es representam os cl\u00e3s (e a maior parte da popula\u00e7\u00e3o) no leste e sul. O Partido das Regi\u00f5es venceu as elei\u00e7\u00f5es, tanto presidenciais como parlamentares, no Outono de 2013. Ele tamb\u00e9m tem bases s\u00f3lidas a Oeste, na Transcarp\u00e1cia (tamb\u00e9m conhecida como Ucr\u00e2nia sub-carp\u00e1tica), uma regi\u00e3o multi\u00e9tnica que resiste ao nacionalismo. Mas a crise atual, as hesita\u00e7\u00f5es e fraquezas do presidente podem custar-lhe muito caro e desacreditar o seu partido&#8230;<\/p>\n<p>O poder \u00e9 largamente respons\u00e1vel pela crise social que beneficia a extrema-direita e as enganosas sereias da UE e da OTAN. O poder no terreno \u00e9 impotente, de facto, e defende uma parte da oligarquia. Ele favoreceu a dissemina\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o e das pr\u00e1ticas mafiosas.<\/p>\n<p>Perante ele, h\u00e1 tr\u00eas partidos pol\u00edticos que se baseiam especialmente no Ocidente e tamb\u00e9m no centro da Ucr\u00e2nia. Batkivschina (&#8220;A P\u00e1tria&#8221;), cujo l\u00edder \u00e9 Arseniy Yatsenyuk. Ele sucedeu a Yulia Tymoshenko, doente e presa. Em seguida, o partido Oudar (Partido democr\u00e1tico das reformas), cujo l\u00edder e fundador \u00e9 o ex-boxeur Vitali Klitschko. \u00c9 o querido de Angela Merkel e da UE. Os quadros do seu partido s\u00e3o formados pela Funda\u00e7\u00e3o Adenauer. Finalmente, a Svoboda (&#8220;Liberdade&#8221;), partido neo-fascista liderado por Oleg Tiagnibog.<\/p>\n<p>Svoboda \u00e9 um filiado direto da Organiza\u00e7\u00e3o dos Nacionalistas Ucranianos (OUN ) \u2013 fascista, sob o modelo de Mussolini \u2013 fundada em 1929 no leste da Galicia sob o dom\u00ednio polaco. Com a chegada de Adolf Hitler em 1933, o contacto \u00e9 feito com o slogan &#8220;vamos usar a Alemanha para avan\u00e7ar com as nossas reivindica\u00e7\u00f5es&#8221;. As rela\u00e7\u00f5es com os nazis s\u00e3o por vezes tumultuosas \u2013 porque Hitler n\u00e3o queria uma Ucr\u00e2nia independente \u2013 mas todos est\u00e3o firmemente unidos no seu objectivo comum de eliminar comunistas e judeus e escravizar os russos. Os fascistas ucranianos op\u00f5em a natureza &#8220;europeia&#8221; da Ucr\u00e2nia \u00e0 &#8220;asi\u00e1tica&#8221; da R\u00fassia. Em 1939, Andriy Melnik \u00e9 o chefe da OUN, com Andriy Cheptytskyi, Metropolita (Bispo, Nota do Editor) da Igreja greco-cat\u00f3lica (Uniata) german\u00f3fila, &#8220;l\u00edder espiritual&#8221; da Galicia, passada em 1939, para o regime sovi\u00e9tico. Em 1940, o radical Stepan Bandera cria uma dissid\u00eancia: o seu OUN-b forma dois batalh\u00f5es da Wehrmacht, Nachtigall e Roland, para participar na agress\u00e3o pela Alemanha e seus aliados contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 22 de Junho de 1941. Imediatamente cria uma onda de<em>progroms. <\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rias elei\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Laranja&#8221; de 2004, a influ\u00eancia de Svoboda cresceu na Galicia e em toda a Ucr\u00e2nia ocidental, inclusive nas grandes cidades, com 20 a 30% dos votos. No conjunto da Ucr\u00e2nia, Svoboda tem 10 % dos votos. Svoboda \u00e9 &#8220;dominado&#8221; por grupos neo-nazis ainda mais radicais do que ele.<\/p>\n<p>As tr\u00eas forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas Batkivschina, Oudar e Svoboda, apoiadas pelo Ocidente, reclamam h\u00e1 dois meses o derrube do governo e do Presidente da Rep\u00fablica. Eles exigem novas elei\u00e7\u00f5es. Svoboda vai ainda mais longe, organizando um golpe de Estado localmente. L\u00e1, onde ele governa com o seu reinado de terror, Svoboda pro\u00edbe o Partido das Regi\u00f5es e o Partido Comunista da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O PC da Ucr\u00e2nia apela \u00e0 raz\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rias semanas. Ele recolheu mais de tr\u00eas milh\u00f5es de assinaturas pedindo um referendo que deve decidir se a Ucr\u00e2nia quer um acordo de associa\u00e7\u00e3o com a UE ou uma uni\u00e3o aduaneira com a R\u00fassia. A situa\u00e7\u00e3o insurrecional deve-se, n\u00e3o s\u00f3 aos tr\u00eas partidos da oposi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao poder, que ofereceu o pa\u00eds e o povo &#8220;de bandeja&#8221; aos l\u00edderes da pseudo oposi\u00e7\u00e3o, aos grupos de extrema direita neo-nazis, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas violentas, aos pol\u00edticos estrangeiros que apelam \u00e0s pessoas a &#8220;radicalizar os protestos&#8221; e &#8220;lutar at\u00e9 ao fim&#8221;. O PC destaca os problemas sociais. Ele tem a posi\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica entre os partidos pol\u00edticos. Mas sua influ\u00eancia \u00e9 limitada \u00e0 Ucr\u00e2nia oriental e meridional.<\/p>\n<p>Qual o jogo das grandes pot\u00eancias (EUA, UE, R\u00fassia) no confronto atual?<\/p>\n<p>JMC: Zbigniew Brzezinski, influente geostratega, cidad\u00e3o dos EUA de origem polaca, tra\u00e7ou na d\u00e9cada de 1990, a estrat\u00e9gia dos EUA para controlar a Eur\u00e1sia e instalar permanentemente a hegemonia do seu pa\u00eds, com a Ucr\u00e2nia como elo essencial. Para ele, havia uns &#8220;Balc\u00e3s mundiais&#8221;, de um lado a Eur\u00e1sia, do outro o grande M\u00e9dio Oriente. Esta estrat\u00e9gia deu os seus frutos na Ucr\u00e2nia com a &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Laranja&#8221; de 2004. Instalou uma rede tentacular de funda\u00e7\u00f5es norte-americanas \u2013 como Soros e a reaganiana National Endowment for Democracy (NED) \u2013 que pagam a milhares de pessoas para &#8220;fazer progredir a democracia&#8221;. Em 2013-2014, a estrat\u00e9gia \u00e9 diferente. \u00c9 especialmente a Alemanha de Angela Merkel e a Uni\u00e3o Europeia que est\u00e3o no comando, ajudados por pol\u00edticos americanos como John McCain. Arengam \u00e0s multid\u00f5es na Maidan e em outros lugares com grande irresponsabilidade: para atingir facilmente a meta de fazer balan\u00e7ar a Ucr\u00e2nia para o campo euro-atl\u00e2ntico, incluindo a OTAN, eles contam com os elementos mais antidemocr\u00e1ticos da sociedade ucraniana. Mas esse objectivo \u00e9 inating\u00edvel sem partir a Ucr\u00e2nia entre o Oriente e o Ocidente e com a Crimeia que se tornar\u00e1 a juntar \u00e1 R\u00fassia como o seu povo deseja. O parlamento da Crimeia declarou: &#8220;Nunca viveremos sob um regime fascista&#8221;. E para Svoboda e os outros fascistas, esta \u00e9 a vingan\u00e7a de 1945, que eles vivem. De qualquer forma acho que a grande maioria dos ucranianos n\u00e3o quer esta nova guerra civil ou a dissolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Mas a sociedade est\u00e1 em reconstru\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es: Jean-Marie Chauvier, <a href=\"http:\/\/www.mondialisation.ca\/euromaidan-ou-la-bataille-dukraine\/5366185\" target=\"_blank\">Euroma\u00efdan ou a batalha da Ucr\u00e2nia<\/a> , 25\/Janeiro\/2014; <a href=\"http:\/\/www.mondialisation.ca\/ukraine-quelle-position\/5361486\" target=\"_blank\">Ucr\u00e2nia: &#8220;que posi\u00e7\u00e3o&#8221;?<\/a> , 13\/Dezembro\/2013, publicado pela revista\u00a0<em>Pol\u00edtica <\/em>(Bruxelas) e reproduzido em<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/\" target=\"_blank\">www.globalresearch.ca<\/a>; OUN e a Alemanha nazi: refer\u00eancias, ver <a href=\"http:\/\/www.monde-diplomatique.fr\/2007\/08\/CHAUVIER\/15050\" target=\"_blank\"><em>Le Monde Diplomatique<\/em><\/a> , Agosto\/2007 .<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\" width=\"100%\" bgcolor=\"#c0c0c0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Pol\u00edtica anti-social da oposi\u00e7\u00e3o revelada por WikiLeaks <\/p>\n<p>Viktor Pynzenyk, ex-ministro das Finan\u00e7as e, agora, membro do partido da oposi\u00e7\u00e3o Oudar, de Vitali Klitschko, em 2010 explicou ao embaixador dos EUA o que queria para a Ucr\u00e2nia:<\/p>\n<ul>\n<li>O aumento da idade de aposentadoria em dois anos a tr\u00eas anos <\/li>\n<li>A elimina\u00e7\u00e3o de reforma antecipada <\/li>\n<li>A restri\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es para os aposentados que trabalham <\/li>\n<li>A triplica\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do g\u00e1s para as fam\u00edlias <\/li>\n<li>O aumento dos pre\u00e7os da electricidade em 40% <\/li>\n<li>O cancelamento da Resolu\u00e7\u00e3o do Governo que exige o consentimento dos sindicatos para elevar os pre\u00e7os do g\u00e1s <\/li>\n<li>O cancelamento da disposi\u00e7\u00e3o legal que pro\u00edbe os fornecedores municipais de cortar o fornecimento ou multar os consumidores em caso de n\u00e3o pagamento de servi\u00e7os municipais <\/li>\n<li>A privatiza\u00e7\u00e3o de todas as minas de carv\u00e3o <\/li>\n<li>O aumento dos pre\u00e7os dos transportes, o cancelamento de todos os benef\u00edcios <\/li>\n<li>A aboli\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios do governo para nascimentos, refei\u00e7\u00f5es gratuitas e livros escolares (est\u00e1 escrito: &#8220;As fam\u00edlias devem pagar &#8220;) <\/li>\n<li>Cancelamento de isen\u00e7\u00f5es de IVA para produtos farmac\u00eauticos <\/li>\n<li>Aumento dos impostos sobre a gasolina e aumento de 50% nos impostos sobre ve\u00edculos <\/li>\n<li>O pagamento dos subs\u00eddios de desemprego, s\u00f3 ap\u00f3s um per\u00edodo m\u00ednimo de seis meses de trabalho <\/li>\n<li>O pagamento de benef\u00edcios de licen\u00e7a m\u00e9dica s\u00f3 a partir do terceiro dia de folga <\/li>\n<li>O n\u00e3o aumento do ordenado m\u00ednimo vital (embora introduzindo op\u00e7\u00f5es de pagamento adicionais para os necessitados).\n<p>Fonte: 10KYIV278 telegrama diplom\u00e1tico revelado pelo Wikileaks<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cablegatesearch.net\/cable.php?id=10KYIV278&amp;q=elections+ukraine\" target=\"_blank\">www.cablegatesearch.net\/cable.php?id=10KYIV278&amp;q=elections+ukraine<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>27\/Janeiro\/2014<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p><a name=\"14403fa76e2ae8d4_144016ddb469583d_143f907245706503_asterisco\">[*]<\/a> Jornalista e ensa\u00edsta belga, especialista na Ucr\u00e2nia e na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Conhece estes pa\u00edses e a l\u00edngua russa, colabora em\u00a0<em>Le Monde Diplomatique <\/em>e outros jornais e s\u00edtios da internet.<\/p>\n<p>O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.ptb.be\/nieuws\/artikel\/ukraine-la-tres-grande-majorite-des-ukrainiens-ne-veut-pas-de-cette-nouvelle-guerre-civile.html\" target=\"_blank\">www.ptb.be\/&#8230;<\/a> . Tradu\u00e7\u00e3o de GAC.<\/p>\n<p>Esta entrevista encontra-se em <a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\npor Jean -Marie Chauvier\u00a0[*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5864\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5864","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1wA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5864\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}