{"id":59,"date":"2010-01-03T07:18:11","date_gmt":"2010-01-03T07:18:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=59"},"modified":"2010-01-03T07:18:11","modified_gmt":"2010-01-03T07:18:11","slug":"51-anos-de-revolucao-cubana-socialismo-e-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/59","title":{"rendered":"51 anos de Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: socialismo \u00e9 humanidade"},"content":{"rendered":"\n<p>A cada novo ano de resist\u00eancia socialista, o processo cubano nos enche de esperan\u00e7a revolucion\u00e1ria, com inquestion\u00e1vel exemplo de que os povos oprimidos do mundo podem escolher um caminho alternativo ao dom\u00ednio imperialista e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do capitalismo. Essa esperan\u00e7a torna-se ainda mais concreta se buscamos compreender a hist\u00f3ria deste processo, real e presente, que se forjou em um movimento de gera\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Fa\u00e7amos assim, um breve resgate hist\u00f3rico, que al\u00e9m de uma singela homenagem ao povo cubano \u00e9 tamb\u00e9m um legado para o nosso pr\u00f3prio caminho revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Recordemos que Cuba constituiu-se como col\u00f4nia espanhola no s\u00e9culo XVI e, desde ent\u00e3o, sua economia foi baseada no trabalho do escravo negro e na produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira. A partir de meados do s\u00e9culo XIX acentuaram-se as contradi\u00e7\u00f5es entre a metr\u00f3pole e as elites crioulas locais, em virtude das crises econ\u00f4micas mundiais de 1857 e 1866, da baixa nos pre\u00e7os do a\u00e7\u00facar e da decad\u00eancia do imp\u00e9rio espanhol. Tais contradi\u00e7\u00f5es culminaram nas guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional: a \u201cGuerra dos 10 anos\u201d (1868-1878), liderada por Carlos Manuel de C\u00e9spedes, e a Guerra de Independ\u00eancia (1895-1898), na qual surge o l\u00edder Jos\u00e9 Mart\u00ed, um homem muito \u00e0 frente de sua \u00e9poca, cujas id\u00e9ias patriotas e humanistas, somadas a sua exemplar pr\u00e1tica como revolucion\u00e1rio, o consagraram <em>her\u00f3i nacional de Cuba<\/em>. Desde a guerra de independ\u00eancia Mart\u00ed j\u00e1 alertava o perigo que vinha da Am\u00e9rica do Norte, em um chamado ao povo cubano pela sua real liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante esse processo, o incipiente movimento das massas de trabalhadores, ainda com prec\u00e1rias formas de organiza\u00e7\u00e3o e politicamente pouco ativas, n\u00e3o pode fazer contraponto \u00e0 for\u00e7a das classes senhoriais. Os chamados <em>criollos<\/em> n\u00e3o conduziram as lutas de liberta\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio espanhol para uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra ordem existente, temendo que o controle pol\u00edtico militar do movimento se deslocasse para os grupos sociais identificados com a press\u00e3o popular por revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Assim, as for\u00e7as do movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional foram canalizadas para uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o dentro da ordem\u201d que, assegurando a perman\u00eancia das oligarquias, estabeleceu entre elas e os EUA um pacto que permitiu ir at\u00e9 o fundo a \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o indireta\u201d, atrav\u00e9s da incorpora\u00e7\u00e3o financeira e comercial de Cuba aos EUA. Em 10 de dezembro de 1898, com a assinatura do Tratado de Paris entre EUA e Espanha, Cuba deixou de ser col\u00f4nia espanhola para estar subordinada ao imperialismo ianque. Em 1o de janeiro de 1899 foi oficializada a ocupa\u00e7\u00e3o militar estadunidense em Cuba. No ano de 1901, a Emenda Platt foi adicionada \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o cubana, permitindo a interven\u00e7\u00e3o estadunidense em caso de seguran\u00e7a nacional. Foi atrav\u00e9s de tal emenda, que os EUA criaram a base militar de Guantanamo, existente at\u00e9 hoje, mesmo com a aboli\u00e7\u00e3o da Emenda Platt em 1934. Dessa maneira a burguesia internacional fincou suas garras em Cuba, realizando em 1902 a expropria\u00e7\u00e3o de terras dos camponeses por empresas como <em>American Tobacco Company, Cuban American Sugar e a United Fruit Company<\/em>.<\/p>\n<p>O despertar cubano, ainda que sob a frustra\u00e7\u00e3o do sonho patri\u00f3tico, serviu como experi\u00eancia para as lutas que se travariam nas d\u00e9cadas seguintes, sendo agora o crescente imperialismo dos EUA o principal inimigo, assim como j\u00e1 deixava claro Jos\u00e9 Mart\u00ed.<\/p>\n<p>No inicio do s\u00e9culo XX se organiza o movimento oper\u00e1rio em Cuba, bem como o movimento estudantil, influenciados pelas conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, a Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana, e as reformas universit\u00e1rias ocorridas em diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica (como Argentina, Chile e Peru). S\u00e3o constantes greves obreiras e estudantis no pa\u00eds. Em 1904, Carlos Bali\u00f1o (que fundou junto com Marti o Partido Revolucion\u00e1rio Cubano), fundou o Partido Socialista Obreiro, que se converteu em Partido Socialista de Cuba. Em 1923 foi fundada a Federa\u00e7\u00e3o Estudantil Universit\u00e1ria, por Julio Antonio Mella, que em 1925, junto a Bali\u00f1o, fundou o Partido Socialista Popular (equivalente ao primeiro Partido Comunista de Cuba). Em 1939 foi fundada a Confedera\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Cubanos.<\/p>\n<p>A necessidade da luta antiimperialista volta com vigor no processo revolucion\u00e1rio iniciado em 1933, desencadeado pelos efeitos da crise do capital de 1929. A organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos de massa, especialmente do movimento oper\u00e1rio e estudantil, culminou com a derrocada do ditador Geraldo Machado e a institui\u00e7\u00e3o do chamado \u201cGoverno dos 100 dias\u201d que foi duramente reprimido pelas for\u00e7as Ianques. Tal movimento evidenciou o papel contra revolucion\u00e1rio da burguesia nacional e dos latifundi\u00e1rios, dependentes e associados aos interesses do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>No contexto p\u00f3s II Guerra Mundial acirraram-se as contradi\u00e7\u00f5es e a mis\u00e9ria no pa\u00eds, configurando marcadamente fortes condi\u00e7\u00f5es objetivas para a retomada do processo revolucion\u00e1rio. Diante do crescimento do movimento de massas e da possibilidade de uma vit\u00f3ria eleitoral do partido ortodoxo (com ideais patri\u00f3ticos e democr\u00e1ticos), em 1952 Fulgencio Batista aplicou um golpe de Estado, novamente com amplo apoio das for\u00e7as militares do norte.<\/p>\n<p>As massas populares se opuseram \u00e0 ditadura e sua atividade cresceu na mesma propor\u00e7\u00e3o ao agravamento da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O movimento oper\u00e1rio foi ilegalizado, sendo a luta contra a ditadura organizada dentro dos sindicatos clandestinos, com orienta\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Popular.<\/p>\n<p>Nesse processo desempenhou um papel determinante a vanguarda revolucion\u00e1ria que dirigiria as atividades das massas no sentido de terminar as tarefas iniciadas nas lutas contra o colonialismo espanhol e nos combates da gera\u00e7\u00e3o de 1930. Fidel e Ra\u00fal Castro, Melba Hernandez, Hayde\u00e9 e Abel Santamar\u00eda, junto a outros 117 jovens m\u00e1rtires, organizaram os corajosos ataques ao Quartel Moncada e ao Quartel Carlos Manuel de C\u00e9spedes, inaugurando uma nova fase na luta revolucion\u00e1ria cubana, em que a guerra civil oculta passava a ser aberta e a luta armada a forma fundamental de enfrentamento ao regime.<\/p>\n<p>O ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, teria como objetivo obter armas, dar a conhecer o movimento revolucion\u00e1rio que surgia e incorporar as grandes massas populares. O fracasso militar do assalto levou os revolucion\u00e1rios sobreviventes \u00e0 pris\u00e3o e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do Movimento 26 de Julho (M-26-7). Na cadeia, os revolucion\u00e1rios trataram de preparar-se teoricamente, ao mesmo tempo em que conduziam a organiza\u00e7\u00e3o e fortalecimento do movimento atrav\u00e9s da campanha de anistia. \u00c9 neste contexto que Fidel escreve sua magistral defesa que anunciava os princ\u00edpios norteadores da revolu\u00e7\u00e3o cubana: \u201cA historia me absolver\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua sa\u00edda da pris\u00e3o, em 1955 os revolucion\u00e1rios s\u00e3o perseguidos e amea\u00e7ados. Fidel se exila no M\u00e9xico e desde a\u00ed busca nos exilados cubanos o financiamento para o preparo militar do M-26-7, que seguiu se articulando e crescendo na ilha, com grande inser\u00e7\u00e3o no meio estudantil e oper\u00e1rio. No M\u00e9xico, Fidel conhece Ernesto Guevara, que passa a ser conhecido como Che. Em 2 de dezembro de 1956, desembarcam 82 revolucion\u00e1rios em Cuba, depois de uma longa viagem desde o M\u00e9xico a bordo do Iate Granma, entre eles Fidel, Ra\u00fal y Che. Esses, apoiados pelo forte movimento constru\u00eddo em solo cubano, iniciam o bra\u00e7o armado guerrilheiro na Sierra Maestra.<\/p>\n<p>O M-26-7 unificou os combatentes do Diret\u00f3rio Revolucion\u00e1rio 13 de mar\u00e7o, de Jos\u00e9 Antonio Echeverr\u00eda, e o Partido Socialista Popular, de Blas Roca, em torno da estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria de liberta\u00e7\u00e3o nacional, cuja luta antiimperialista constituiu um elemento central. O objetivo foi buscar, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o nacional, a instaura\u00e7\u00e3o da democracia, da soberania popular e um desenvolvimento independente. Palavras de ordem que de in\u00edcio serviam tanto ao proletariado como a setores da burguesia nacional, mas que forjaram as bases para um direcionamento socialista da revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que a organiza\u00e7\u00e3o das classes oprimidas ganhou espa\u00e7o. Da unidade entre o M-26-7, o Diret\u00f3rio Revolucion\u00e1rio e o PSP surgiu o equivalente social e pol\u00edtico do partido revolucion\u00e1rio, que abriu o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o das massas exploradas.<\/p>\n<p>Com o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o em 1o de janeiro de 1959 os representantes das oligarquias e o imperialismo foram varridos do governo revolucion\u00e1rio rec\u00e9m instaurado. A radicaliza\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio cubano significou n\u00e3o apenas a cria\u00e7\u00e3o do primeiro Estado socialista da Am\u00e9rica Latina, mas tamb\u00e9m a esperan\u00e7a e o exemplo dos povos oprimidos deste continente.<\/p>\n<p>O dia 1o de janeiro foi apenas o inicio das vit\u00f3rias contra o imperialismo e explora\u00e7\u00e3o do povo cubano. Neste mesmo ano, o governo revolucion\u00e1rio iniciou a nacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas pertencentes ao grande capital internacional, entre estas 36 ind\u00fastrias a\u00e7ucareiras, que dominavam 40% da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar do pa\u00eds. Realizou-se tamb\u00e9m a primeira Reforma Agr\u00e1ria, que distribuiu 50% das terras cubanas a cerca de 600 mil fam\u00edlias. Nacionalizaram-se a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Em 22 de dezembro de 1961, gra\u00e7as ao trabalho de mais de 100 mil jovens, professores e trabalhadores, Cuba se tornou o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica livre de analfabetismo. Nesse mesmo ano Fidel Castro profere seu inesquec\u00edvel discurso declarando a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana de car\u00e1ter socialista.<\/p>\n<p><strong>Do triunfo revolucion\u00e1rio aos dias atuais <\/strong><\/p>\n<p>A medida que avan\u00e7avam as conquistas do her\u00f3ico povo cubano, crescia tamb\u00e9m a contra-ofensiva do imp\u00e9rio. Ainda em 1961 a CIA financia e organiza o ataque de 1200 mercen\u00e1rios a Playa Gir\u00f3n, derrotados pelo povo combatente. Foi ent\u00e3o que para organizar o povo cubano e defender suas conquistas foram criados os Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 CDR, possibilitando a constru\u00e7\u00e3o do socialismo e da democracia popular em cada bairro. Depois desse, vieram muitos outros ataques, como a explos\u00e3o de uma avi\u00e3o em 1976 que matou 73 pessoas, cujo autor, Juan Posadas Carrilles, segue livre sob prote\u00e7\u00e3o ianque.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ataques terroristas, em 1962 EUA expulsam Cuba da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, OEA, e declara o bloqueio econ\u00f4mico \u00e0 Ilha, buscando impedir que outros pa\u00edses comercializem ou desenvolvam qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o com este pa\u00eds. Com o bloqueio genocida, Cuba estreita suas rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, atrav\u00e9s de acordos comerciais, militares e de solidariedade. Tamb\u00e9m nesse per\u00edodo, em 1965, concluiu-se o processo de unifica\u00e7\u00e3o dos grupos revolucion\u00e1rios em um \u00fanico partido. Dessa forma se constituiu o Partido Comunista de Cuba, de car\u00e1ter marxista-leninista, com Fidel Castro como Secret\u00e1rio Geral.<\/p>\n<p>Os feitos da revolu\u00e7\u00e3o cubana seguiram impressionando nos anos seguintes. Em poucos anos Cuba desenvolve-se como pot\u00eancia cient\u00edfica em diversas \u00e1reas, como a medicina e a farmacologia. Torna-se o pa\u00eds com maior expectativa de vida e menor mortalidade infantil das Am\u00e9ricas, n\u00fameros compar\u00e1veis aos mais desenvolvidos pa\u00edses europeus. Desenvolve-se no \u00e2mbito dos esportes e cultural, sendo, por exemplo, o pa\u00eds de todo mundo com o maior percentual de escritores per capita, mostra do n\u00edvel intelectual alcan\u00e7ado pelo povo durante o socialismo. Nas artes pl\u00e1sticas, na dan\u00e7a, na m\u00fasica, no cinema e no teatro a revolu\u00e7\u00e3o deixou tamb\u00e9m sua marca: um povo culto \u00e9 um povo livre, parafraseando Jos\u00e9 Mart\u00ed.<\/p>\n<p>O socialismo cubano tamb\u00e9m n\u00e3o acabou em si mesmo. Os cubanos deixaram marcas de emancipa\u00e7\u00e3o em diversos pa\u00edses. Na \u00c1frica, para exemplificar, contribu\u00edram com os esfor\u00e7os para a liberta\u00e7\u00e3o nacional de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, como Angola, Eti\u00f3pia, Congo e Mo\u00e7ambique, sendo sua participa\u00e7\u00e3o fundamental para o fim do regime <em>Apartheid<\/em> na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80, os acordos com o campo socialista passaram a responder por 85% do interc\u00e2mbio de mercadorias realizado por Cuba. Na d\u00e9cada de 90, com a desintegra\u00e7\u00e3o da URSS e do socialismo no leste europeu, teve inicio uma das \u00e9pocas mais dif\u00edceis da hist\u00f3ria do aguerrido povo cubano: o per\u00edodo especial.<\/p>\n<p>No primeiro ano ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o do campo socialista do leste europeu e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o produto interno bruto decaiu 33%. A quest\u00e3o energ\u00e9tica foi uma das mais prejudicadas, colapsando o transporte. Um exemplo do caos gerado foram as muitas safras de alimentos que apodreceram no campo, j\u00e1 que sem combust\u00edvel para o transporte n\u00e3o podiam ser deslocadas \u00e0s cidades. Faltavam alimentos, rem\u00e9dios e outros produtos essenciais. Nesse contexto, o cruel bloqueio imperialista tornou-se ainda mais perverso.<\/p>\n<p>Mesmo com tamanhas dificuldades, em pleno per\u00edodo especial, o povo cubano ratifica sua vontade de seguir construindo o socialismo em plebiscito nacional, com mais de 90% dos votos e uma participa\u00e7\u00e3o de quase 100% da popula\u00e7\u00e3o. Talvez, por t\u00e3o her\u00f3ica resist\u00eancia e convic\u00e7\u00e3o do rumo escolhido, que Fidel considera o Per\u00edodo Especial \u201co mais glorioso dos 50 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana\u201d. Nessa etapa as id\u00e9ias criativas para superar as dificuldades foram muitas, como o desenvolvimento de um efetivo programa de agricultura urbana, refer\u00eancia mundial, que hoje emprega cerca de 400 mil cubanos e produz alimentos para milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em contraponto, o per\u00edodo especial gerou tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de novas contradi\u00e7\u00f5es cujas solu\u00e7\u00f5es tornaram-se, atualmente, os principais desafios para o avan\u00e7o do socialismo em Cuba. Para reverter o processo de car\u00eancia e depend\u00eancia econ\u00f4mica criaram-se diversas empresas mistas (parcerias entre o Estado &#8211; s\u00f3cio majorit\u00e1rio \u2013 e empresas capitalistas), com a finalidade de aumentar e diversificar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial. Para incrementar a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado, Cuba foi obrigada a abrir-se ao predat\u00f3rio turismo internacional.<\/p>\n<p>Com tais medidas, Cuba p\u00f4de evitar a ofensiva da contra-revolu\u00e7\u00e3o capitalista e manter as mais importantes conquistas da revolu\u00e7\u00e3o. No entanto, este longo per\u00edodo de dificuldades materiais foi bastante marcante na determina\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia social. Um grande contingente de cubanos deixou o pa\u00eds durante os anos do per\u00edodo especial, e problemas como a prostitui\u00e7\u00e3o, o mercado negro e a corrup\u00e7\u00e3o, tornaram-se presentes. As desigualdades internas foram intensificadas, especialmente quanto \u00e0 valora\u00e7\u00e3o do trabalho: um trabalhador do turismo, um taxista particular, algu\u00e9m que recebe dinheiro de um familiar no exterior ou que aluga um quarto para estrangeiros t\u00eam maiores possibilidades de consumo que um exemplar oper\u00e1rio, um m\u00e9dico ou um reconhecido professor universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es t\u00eam sido os maiores desafios do Estado cubano, do Partido Comunista e das organiza\u00e7\u00f5es de massa do povo. A fim de avan\u00e7ar na supera\u00e7\u00e3o delas, o governo revolucion\u00e1rio tem proposto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o uma s\u00e9rie de reformas &#8211; cabe ressaltar que elas t\u00eam um car\u00e1ter absolutamente distinto das contra-reformas que vem sendo aplicadas no Brasil. Uma delas trata da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e objetiva aumentar a produtividade industrial e a agilidade dos servi\u00e7os, por meio de incentivos materiais aos trabalhadores mais dedicados e comprometidos com a revolu\u00e7\u00e3o. Tal medida vem no sentido de reafirmar o principio socialista de \u201creceber de acordo com seu pr\u00f3prio trabalho e esfor\u00e7o\u201d, rumando assim no sentido de diminuir a burocratiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e a corrup\u00e7\u00e3o, que estagnam a produ\u00e7\u00e3o. Outra importante medida adotada recentemente \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o das terras ociosas do Estado aos pequenos agricultores e a garantia de condi\u00e7\u00f5es para produzir, com o objetivo de aproximar Cuba da soberania alimentar.<\/p>\n<p>Mesmo com tantas dificuldades, Cuba segue sendo vanguarda no que se refere \u00e0 solidariedade internacional. Atualmente estudam em Cuba cerca de 50 mil estrangeiros, dos mais diversos cursos universit\u00e1rias, sendo a maioria medicina. Al\u00e9m disso, s\u00e3o bastante conhecidas as miss\u00f5es cubanas de solidariedade na \u00e1rea de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, hoje presentes em mais de 70 pa\u00edses, em especial nos que est\u00e3o em guerra ou que sofrem de cat\u00e1strofes naturais. Somente na Venezuela s\u00e3o mais de 35 mil cubanos, entre m\u00e9dicos, profissionais da sa\u00fade e educadores. Outro relevante exemplo do internacionalismo do socialismo cubano \u00e9 o projeto Escola Latino Americana de Medicina &#8211; ELAM, idealizado pelo Comandante Fidel Castro em um momento em que toda a Am\u00e9rica Central havia sido assolada por tr\u00eas furac\u00f5es. Este ano o projeto comemorou 10 anos de exist\u00eancia, com uma grande quantidade de m\u00e9dicos atuando em toda a Am\u00e9rica Latina, incluindo, por exemplo, a funda\u00e7\u00e3o de hospitais populares. Atualmente, cerca de mil brasileiros estudam em Cuba.<\/p>\n<p>Ainda assim os ataques imperialistas n\u00e3o cessam. O assassino bloqueio segue vigente, mesmo com as sucessivas vota\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias nas assembl\u00e9ias da ONU, em que apenas 3 na\u00e7\u00f5es do mundo se mant\u00eam favor\u00e1veis a sua continuidade. Os preju\u00edzos para Cuba s\u00e3o incalcul\u00e1veis: em apenas 8 horas de bloqueio o governo cubano poderia reparar cerca de 40 creches ou em 1 dia comprar 139 \u00f4nibus de transporte urbano. O caso dos cinco her\u00f3is cubanos \u00e9 outro exemplo da desumanidade que imp\u00f5e o monstro do norte &#8211; como definia Simon Bol\u00edvar \u2013 presos por lutar contra o terrorismo dos EUA.<\/p>\n<p>Muitos insistem em deturpar o caminho escolhido pelo povo cubano, mas os fatos n\u00e3o escondem a verdade: em 51 anos o socialismo humanizou a sociedade cubana. Cuba \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds das Am\u00e9ricas em que a viol\u00eancia, t\u00e3o crescente no Brasil, \u00e9 insignificante. Havana, uma capital com quase 3 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 t\u00e3o tranq\u00fcila quanto uma pacata cidade do interior, em que assassinatos e seq\u00fcestros ficam restritos aos romances policiais. Cuba \u00e9 um pa\u00eds que trabalha cotidianamente para superar a desigualdade de direitos entre os g\u00eaneros, para superar o racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o e tantas formas de opress\u00e3o, t\u00e3o enraizadas em nossas sociedades. Outros n\u00e3o cansam de afirmar que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \u00e9 coisa do passado e que o socialismo morreu junto com a URSS. Para esses respondemos que n\u00e3o somente \u00e9 presente o socialismo em Cuba, mas que vem fortalecendo seus princ\u00edpios e ideais \u00e0 medida que avan\u00e7am os processos revolucion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina. Em contrapartida, processos como o venezuelano e o boliviano, sem a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana provavelmente n\u00e3o existiriam e o caminho da barb\u00e1rie a que conduz o capitalismo aparentaria ser a \u00fanica via para a humanidade. Cuba e o socialismo nos permitem seguir sonhando com a utopia de um mundo humano, no mesmo sentido em que dedicaram suas vidas tantos m\u00e1rtires nesses 51 anos de revolu\u00e7\u00e3o. Por eles e pelas gera\u00e7\u00f5es futuras o povo cubano jamais abandonar\u00e1 as trincheiras conquistadas.<\/p>\n<p>*Base do PCB em Cuba.<\/p>\n<p>La Habana, 31 de dezembro de 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Cubadebate\n\n\n\n\n*Base do PCB em Cuba (estudantes brasileiros)\nO primeiro dia de cada novo ano \u00e9 muito mais que o reveillon para um rebelde povo. Foi num dia como este, h\u00e1 51 anos, que o her\u00f3ico povo cubano livrou-se definitivamente das garras da grande \u00e1guia do norte e iniciou seu pr\u00f3prio caminho de soberania, liberdade e justi\u00e7a. O triunfo da revolu\u00e7\u00e3o cubana \u00e9 o culminar de quase 100 anos de incans\u00e1veis batalhas e sacrif\u00edcios das massas e seus verdadeiros her\u00f3is.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/59\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-59","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-X","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}