{"id":5908,"date":"2014-02-24T00:31:42","date_gmt":"2014-02-24T00:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5908"},"modified":"2014-02-24T00:31:42","modified_gmt":"2014-02-24T00:31:42","slug":"a-ameaca-fascista-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5908","title":{"rendered":"A amea\u00e7a fascista na Venezuela"},"content":{"rendered":"\n<p>A escalada desestabilizadora atualmente sofrida pela Venezuela bolivariana possui um objetivo inquestion\u00e1vel: a derrota do governo de Nicol\u00e1s Maduro. N\u00e3o existe nenhuma outra interpreta\u00e7\u00e3o de quem escreve esta afirma\u00e7\u00e3o. Foi expressa em reiteradas ocasi\u00f5es n\u00e3o apenas por manifestantes da direita nas ruas, mas por seus principais l\u00edderes e instigadores locais: Leopoldo L\u00f3pez (ex-prefeito do munic\u00edpio de Chacao, em Caracas, e chefe do Partido Voluntad Popular) e Mar\u00eda Corina Machado, deputada pelo S\u00famate na Assembleia Nacional da Venezuela. Em mais de uma ocasi\u00e3o referiram-se \u00e0s inten\u00e7\u00f5es ansiadas em seus protestos, utilizando uma express\u00e3o em que, regularmente, apelam ao Departamento de Estado: &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221;, forma am\u00e1vel e eufem\u00edstica que substitui o desprestigiado termo &#8220;golpe de estado&#8221;. O que se busca \u00e9 precisamente isso: um &#8220;golpe de estado&#8221; que ponha um ponto final na experi\u00eancia chavista. A invas\u00e3o \u00e0 L\u00edbia e a derrocada e linchamento de Muammar El Gadafi s\u00e3o exemplos de &#8220;mudan\u00e7as de regime&#8221;. H\u00e1 meio s\u00e9culo os Estados Unidos prop\u00f5em, sem \u00eaxito, algo similar em Cuba. Agora o est\u00e3o tentando, com todas as suas for\u00e7as, na Venezuela.<\/p>\n<p>Esta feroz campanha contra o governo bolivariano &#8211; na realidade, um processo de fascistiza\u00e7\u00e3o de longa data &#8211; tem ra\u00edzes internas e externas, intimamente ligadas e solid\u00e1rias num objetivo comum: acabar com o pesadelo instaurado pelo Comandante Hugo Ch\u00e1vez desde que assumira a presid\u00eancia em 1999. Para os Estados Unidos, a autodetermina\u00e7\u00e3o venezuelana afirmada sobre as maiores reservas comprovadas de petr\u00f3leo do mundo, a derrota da ALCA e dos avan\u00e7os dos processos de integra\u00e7\u00e3o e unidade na Am\u00e9rica Latina e no Caribe \u2013 a UNASUL \u2013, o Mercosul ampliado, a CELAC, Petrocaribe, entre outros, impulsionados como nunca antes pelo l\u00edder bolivariano, s\u00e3o desafios intoler\u00e1veis e inadmiss\u00edveis, merecedores de um castigo exemplar. Para a oposi\u00e7\u00e3o interna, o chavismo significou o fim das regalias e negocia\u00e7\u00f5es que obtinha por sua colabora\u00e7\u00e3o com o governo dos Estados Unidos e as empresas norte-americanas no saque e pilhagem da receita petrol\u00edfera, e que encontrou nos l\u00edderes e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da Quarta Rep\u00fablica seus s\u00f3cios menores e imprescind\u00edveis operadores locais. Tanto Washington quanto seus pe\u00f5es estavam certos de que o chavismo n\u00e3o sobreviveria ao desaparecimento f\u00edsico de seu fundador. Por\u00e9m, com as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 14 de abril de 2013, suas esperan\u00e7as se esfuma\u00e7aram: Nicol\u00e1s Maduro venceu Henrique Capriles por uma porcentagem muito pequena, mas suficiente e indiscut\u00edvel, de votos. A resposta destes oligarcas travestidos em not\u00e1veis figuras da rep\u00fablica foi, primeiro, desconhecer o veredito das urnas e, depois, desencadear violentos protestos que tiraram a vida de mais de uma dezena de jovens bolivarianos, deixando cerca de cem feridos, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de numerosos edif\u00edcios e propriedades p\u00fablicas. Cabe lembrar que at\u00e9 o dia de hoje, dez meses ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, Washington n\u00e3o reconheceu formalmente a vit\u00f3ria de Nicol\u00e1s Maduro. Em contrapartida, o inveross\u00edmil Pr\u00eamio Nobel da Paz demorou poucas horas para reconhecer como vencedor das elei\u00e7\u00f5es presidenciais hondurenhas de 24 de novembro passado \u2013 viciadas at\u00e9 o indiz\u00edvel e fraudulentas como poucas \u2013 o candidato da &#8220;embaixada&#8221;, Juan O. Hern\u00e1ndez. O imperialismo n\u00e3o erra ao eleger seus inimigos: os Castro, Ch\u00e1vez, agora Maduro, Correa, Morales. Contrariamente ao que alguns ingenuamente defendem, n\u00e3o existe uma direita que seja &#8220;oposi\u00e7\u00e3o leal&#8221; a um governo genuinamente de esquerda. Menos ainda quando se trata de uma direita manipulada por controle remoto pela Casa Branca. Caso se comporte com lealdade \u00e9 porque esse governo j\u00e1 foi colonizado pelo capital. Em que pese a viol\u00eancia dos militantes da Mesa de Unidad Democr\u00e1tica, que defendia a candidatura de Capriles, o governo conseguiu restabelecer a ordem nas ruas. Contribu\u00edram para isso a clara e en\u00e9rgica resposta governamental e, al\u00e9m disso, a certeza que tinha a dire\u00e7\u00e3o do MUD de que as elei\u00e7\u00f5es municipais de 8 de dezembro \u2013 que a direita caracterizou como um plebiscito \u2013 permitiriam derrotar o chavismo para depois exigir a imediata ren\u00fancia de Maduro ou, no pior dos casos, convocar um referendo revocat\u00f3rio antecipado, sem ter que esperar at\u00e9 meados de 2016, tal como estabelece a Constitui\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a jogada acabou mal, porque foram amplamente derrotados por quase um milh\u00e3o de votos e nove pontos percentuais de diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00f4nitos ante o resultado inesperado que, pela primeira vez, oferecia ao governo bolivariano a possibilidade de gerir durante dois anos os assuntos p\u00fablicos e administrar a economia sem ter que envolver-se em campanhas eleitorais agressivas e com o objetivo de distrair, os antichavistas peregrinaram a Washington para redefinir sua estrat\u00e9gia em fun\u00e7\u00e3o das necessidades geopol\u00edticas do imp\u00e9rio e receber ordens, dinheiro e ajudas de todo tipo para sustentar seu projeto desestabilizador. Derrotados nas urnas, agora a prioridade imediata era, como fez Richard Nixon no Chile de Salvador Allende, em 1970, \u201cfazer ranger a economia\u201d. Da\u00ed as sabotagens, as campanhas de desabastecimentos programados e a especula\u00e7\u00e3o cambial desenfreada (segundo recomenda em seu manual de opera\u00e7\u00f5es o especialista da CIA, Eugene Sharp), os ataques na imprensa, onde as mentiras e o terrorismo midi\u00e1tico n\u00e3o conhecem limite ou escr\u00fapulo moral algum e, depois, como conclus\u00e3o, \u201cesquentar a rua\u201d buscando criar uma situa\u00e7\u00e3o similar \u00e0 da cidade de Bengasi, na L\u00edbia, capaz de desbaratar por completo a economia e desatar uma grav\u00edssima crise de governabilidade que torna inevit\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o de alguma pot\u00eancia amiga, que j\u00e1 sabemos quem \u00e9, para que acuda em aux\u00edlio dos venezuelanos para restaurar a ordem quebrada.<\/p>\n<p>Uma ap\u00f3s outra, todas estas iniciativas terminaram em fracasso, por\u00e9m nem por isso a direita abandonar\u00e1 seus prop\u00f3sitos sediciosos. Leopoldo L\u00f3pez acaba de se entregar a justi\u00e7a e \u00e9 de se esperar que esta fa\u00e7a cair sobre ele e sobre sua copincha, Mar\u00eda Corina Machado, todo o peso da lei, j\u00e1 que carregam v\u00e1rias mortes em suas mochilas. O pior que poderia acontecer com a Venezuela seria o governo ou a justi\u00e7a n\u00e3o perceber o que est\u00e1 escondido dentro do ovo da serpente. Em situa\u00e7\u00f5es como estas, e diante de inimigos como estes, qualquer tentativa de \u201creconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d ou de \u201clinha branda\u201d \u00e9 o caminho seguro para a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o. Os fascistas e o imperialismo s\u00f3 entendem a linguagem da for\u00e7a. L\u00f3pez e Machado dever\u00e3o receber um castigo exemplar, sempre dentro do marco da legalidade vigente. N\u00e3o se devem descartar violentas manifesta\u00e7\u00f5es para sua imediata liberta\u00e7\u00e3o e, tampouco, se devem descartar a hip\u00f3tese de que, em seu desespero, a direita possa apelar a qualquer custo, por mais absurdo que seja. Por\u00e9m, o julgamento e castigo dos instigadores de tanto derramamento de sangue n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para evitar o risco de uma brutal derrocada do governo bolivariano. A \u00fanica garantia est\u00e1 na ativa mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das massas chavistas para sustentar \u201csua revolu\u00e7\u00e3o\u201d, com seus muitos acertos e, tamb\u00e9m, seus erros. Apenas isso permitir\u00e1 evitar o perigo de um assalto fascista ao poder que colocaria um sangrento fim \u00e0 gest\u00e3o bolivariana, desencadeando uma onda reacion\u00e1ria que repercutiria por todo o continente. Assim, o que est\u00e1 em jogo nestas horas n\u00e3o \u00e9 somente o futuro da Venezuela, mas o de toda Nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Fonte:http:\/\/www.atilioboron.com.ar\/2014\/02\/la-amenaza-fascista-en-venezuela.html<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAtilio A. 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