{"id":5910,"date":"2014-02-25T02:06:12","date_gmt":"2014-02-25T02:06:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5910"},"modified":"2014-02-25T02:06:12","modified_gmt":"2014-02-25T02:06:12","slug":"o-que-houve-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5910","title":{"rendered":"O QUE HOUVE NA UCR\u00c2NIA?"},"content":{"rendered":"\n<p>Na Ucr\u00e2nia houve de tudo, menos uma revolu\u00e7\u00e3o popular. Tr\u00eas grandes jogadores est\u00e3o assentados neste terreno: a R\u00fassia, a Uni\u00e3o Europeia e os EUA.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia houve de tudo, menos uma revolu\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Aguiar<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00e3o empilhadas umas sobre as outras: uma juventude ansiosa por se identificar com a Uni\u00e3o Europeia, uma classe m\u00e9dia cansada pelas sucessivas vagas de corrup\u00e7\u00e3o dos sucessivos governos, uma insatisfa\u00e7\u00e3o com o autoritarismo e o fechamento do governo de Viktor Yanukovitch, o desejo de maior ascend\u00eancia de grupos do oeste do pa\u00eds em detrimento de grupos do leste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o que o governo desencadeou abriu caminho para uma intensifica\u00e7\u00e3o do descontentamento, a\u00e7ulado pelos partidos de oposi\u00e7\u00e3o representados no Parlamento e pelo encorajamento internacional \u2013 da Uni\u00e3o Europeia a pol\u00edticos norte-americanos, republicanos e democratas. De todos o mais animado foi o senador republicano John McCain, em dezembro, gritando na pra\u00e7a da Independ\u00eancia (Maidan), foco e espa\u00e7o das concentra\u00e7\u00f5es: \u201cO mundo livre est\u00e1 com voc\u00eas! A Am\u00e9rica est\u00e1 com voc\u00eas!\u201d Melhor lembran\u00e7a da Guerra Fria e do dito \u201cA Am\u00e9rica para os [norte-]americanos\u201d seriam imposs\u00edvel. Como nos velhos \u201cbons\u201d tempos, o alvo continua sendo a R\u00fassia.<\/p>\n<p>No pano de fundo destas confronta\u00e7\u00f5es est\u00e3o as desigualdades do pa\u00eds. O leste e o sul \u2013 junto \u00e0 R\u00fassia e ao Mar Negro s\u00e3o mais desenvolvidos e industrializados do que o oeste, mais pobre. O leste, de um modo geral, tem seu foco econ\u00f4mico voltado para a vizinha R\u00fassia, de que depende o abastecimento de g\u00e1s do pa\u00eds, vital para a ind\u00fastria e para o aquecimento durante o rigoroso inverno. Se a R\u00fassia endurecer a quest\u00e3o do fornecimento de g\u00e1s, cortando-o ou simplesmente cobrando o pre\u00e7o de mercado, a Ucr\u00e2nia literalmente congela \u2013 em todos os sentidos. Entretanto para o oeste, mais pr\u00f3ximo da Uni\u00e3o Europeia, a aproxima\u00e7\u00e3o com esta significaria em tese uma maior autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao governo central e \u00e0s demais regi\u00f5es do pa\u00eds, al\u00e9m de mais oportunidades de colher investimentos. Pelo menos em tese.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o do hist\u00f3rico rep\u00fadio aos russos, maior no oeste, um rep\u00fadio cujas \u00faltimas e tr\u00e1gicas edi\u00e7\u00f5es foram uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua \u2013 para dizer o m\u00ednimo \u2013 de movimentos nacionalistas ucranianos com o regime nazista da Alemanha, e um conflito sangrento e frequentemente descrito como \u201cin\u00fatil\u201d com o regime sovi\u00e9tico. No leste h\u00e1 tamb\u00e9m um fator \u00e9tnico: o n\u00famero de habitantes russos \u00e9 muito grande, o que mexe com os brios dos movimentos nacionalistas. E \u00e9 bom lembrar que na Europa, ao contr\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina, nacionalismo \u00e9 sempre coisa de direita.<\/p>\n<p>Se este \u00e9 o pano de fundo , deve-se levar em conta o que acontece nos bastidores e tamb\u00e9m no palco da pol\u00edtica ucraniana. Nos bastidores pairam as sombras dos grupos econ\u00f4micos \u2013 assim como na R\u00fassia liderados pelos chamados \u201coligarcas\u201d \u2013 que se formaram depois do desmanche da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, dos processos de privatiza\u00e7\u00e3o de tudo, feitos a toque de caixa, e da independ\u00eancia. Estes grupos de oligarquias \u00e9 que d\u00e3o as cartas \u2013 o poder do dinheiro \u2013 para os que est\u00e3o no palco, os pol\u00edticos e seus partidos.<\/p>\n<p>Entretanto na Ucr\u00e2nia n\u00e3o houve, pelo menos at\u00e9 o momento, um Vladimir Putin que, na R\u00fassia, digamos, \u201cbotou a casa em ordem\u201d, oferecendo aos oligarcas a manuten\u00e7\u00e3o de suas fortunas rec\u00e9m feitas (sobretudo durante o governo de Boris Yeltsin) desde que n\u00e3o se metessem em pol\u00edtica. Enfiando os principais desobedientes na cadeia ou mandando-os para o ex\u00edlio \u2013 confort\u00e1vel, na verdade \u2013 Putin e seu neoczarismo disfar\u00e7ado de rep\u00fablica impuseram uma esp\u00e9cie de \u201cpax romana\u201d em seu territ\u00f3rio. Na Ucr\u00e2nia n\u00e3o houve este Putin, mas uma guerra de grupos ora antang\u00f4nicos, ora aliados, pelas benesses dos oligarcas e pelos espa\u00e7os de poder, o que conduziu todos a uma pol\u00edtica onde alian\u00e7as ocasionais s\u00e3o apenas passos para uma ideal tomada total do poder, no melhor estilo do \u201cpara mim e os meus tudo, para os demais os rigores da lei\u201d. Este foi o conflito que se estabeleceu entre o atualmente j\u00e1 ex-presidente Viktor Yanukovitch e sua maior rival, Yulia Tymoschenko, que j\u00e1 fora primeira-ministra por duas vezes, l\u00edder do partido chamado de Uni\u00e3o de Toda a Ucr\u00e2nia \u2013 P\u00e1tria M\u00e3e, dir\u00edamos em portugu\u00eas, embora em ucraniano seja \u201cP\u00e1tria Pai\u201d.<\/p>\n<p>Yanukovitch, chegando \u00e0 presid\u00eancia em 2010, ensaiou e p\u00f4s em pr\u00e1tica uma reforma consitucional para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de poderes em torno da presid\u00eancia, alijando os demais partidos \u2013 inclusive o do Tymoschenko \u2013 at\u00e9 mesmo das suas franjas. E atrav\u00e9s de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e de um julgamento carregado de suspeitas botou Yulia na cadeia. Aqui pode-se ter uma ideia das complica\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica ucraniana. Yanukovitch \u00e9 visto em geral como pr\u00f3ximo da R\u00fassia e Tymoschenko como aliada da Uni\u00e3o Europeia. Pois o primeiro processo aberto contra ela acusava a ex-primeira ministra de abuso de poder e super-faturamento no contrato de fornecimento de g\u00e1s para Gazprom, a principal empresa russa do setor e uma das maiores do mundo que, como a Petrobr\u00e1s, re\u00fane capitais privados mas tem seu controle acion\u00e1rio e de fundos nas m\u00e3os do Estado.<\/p>\n<p>Entrementes, o pr\u00f3-R\u00fassia Yanukovitch se aproximava da Uni\u00e3o Europeia e aprestava-se a assinar um acordo de livre-comercio com ela. Nesta altura, Moscou acendeu a luz vermelha. Para se entender isto precisamos sair do teatro da pol\u00edtica ucraniana e olhar o terreno em volta onde ele est\u00e1 localizado. Tr\u00eas grandes jogadores est\u00e3o assentados neste terreno, como os bispos de um jogo de xadrez, mais um cavalo que joga com dois deles, contra o terceiro. Os jogadores s\u00e3o a R\u00fassia, a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos, e o cavalo \u00e9 a OTAN, a alian\u00e7a militar que teve como principal inimiga a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e que agora, al\u00e9m de policiar o norte da \u00c1frica e \u00e1reas pr\u00f3ximas, continua, nem que seja por for\u00e7a do h\u00e1bito, a cercar seu advers\u00e1rio hist\u00f3rico, atraindo para si os ex-sat\u00e9lites deste.<\/p>\n<p>Os interesses dos Estados Unidos e da UE n\u00e3o s\u00e3o coincidentes na regi\u00e3o, pois na atual conjuntura interna de Washington n\u00e3o interessa ati\u00e7ar o confronto \u2013 a n\u00e3o ser na ret\u00f3rica \u2013 com a R\u00fassia, devido \u00e0s necessidades de acertos na S\u00edria, no Ir\u00e3, etc. J\u00e1 a UE tem interesse em desembarcar seus avatares dentro do teatro ucraniano, ampliando sua \u00e1rea de influ\u00eancia econ\u00f4mica, seu mercado e suas \u2018reformas de austeridade\u2019. Outro fator que complica este movimento \u00e9 o temor hist\u00f3rico dos EUA de que, mesmo com rivalidades marcantes, a proximidade entre Alemanha e R\u00fassia termine por forjar uma alian\u00e7a est\u00e1vel e poderosa que desenvolva um outro n\u00facleo regional de poder. Na base de um movimento destes estaria novamente o g\u00e1s russo, de que a Alemanha j\u00e1 depende e vai depender mais quando \u2013 e se \u2013 cumprir a promessa de desativar suas usinas nucleares.<\/p>\n<p>De um modo ou de outro, o fato \u00e9 que a R\u00fassia colocou um sinal de \u201cPare!\u201d nos movimentos de Yanukovitch: prometeu 15 bilh\u00f5es de euros em empr\u00e9stimos quase a fundo perdido \u2013 coisa que a UE, \u00e0s voltas com suas pr\u00f3prias quebradeiras, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de oferecer \u00e0 quebrada Ucr\u00e2nia \u2013 baixou ainda mais o pre\u00e7o do g\u00e1s e p\u00f4s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um acordo de livre-com\u00e9rcio consigo mesma, mais outros pa\u00edses da regi\u00e3o, ex-rep\u00fablicas, como a Ucr\u00e2nia, da antiga URSS. Yanukovitch, que j\u00e1 estava com a caneta na m\u00e3o e embarcando para Bruxelas, tampou aquela e desceu do avi\u00e3o. Junto aos projetos de novos capitalistas e da classe m\u00e9dia do oeste ucraniano (onde o desemprego tamb\u00e9m \u00e9 grande entre os jovens), que j\u00e1 sentiam o doce odor dos euros ao alcance da m\u00e3o, este recuo foi a gota d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Voltando ao cen\u00e1rio pol\u00edtico, a g\u00f4ta d\u2019\u00e1gua acabou se transformando num mar de sangue. \u00c9 verdade que as manifesta\u00e7\u00f5es foram reprimidas duramente pela pol\u00edcia. Mas rapidamente sua linha de frente e tamb\u00e9m seu espa\u00e7o foram ocupados por movimentos de extrema-direita, nacionalistas xen\u00f3fobos, antirrussos, anti-direitos humanos, anti-imigrantes, antissemitas, anti-etc., tradicionais na Ucr\u00e2nia. S\u00e3o grupos de combate, armados, que fizeram frente a uma pol\u00edcia que progressivamente foi se tornando ca\u00f3tica e desorganizada. Estes grupos s\u00e3o ligados, mas n\u00e3o necessariamente subordinados, ao Partido Svoboda, de extrema-direita, que tem representa\u00e7\u00e3o no Parlamento. Na \u00faltima semana os confrontos chegaram ao paroxismo.<\/p>\n<p>Na frente de negocia\u00e7\u00e3o assentaram-se \u00e0 mesa tr\u00eas ministros de Rela\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia (Alemanha, Fran\u00e7a e Pol\u00f4nia), Yanukovitch, tr\u00eas partidos de oposi\u00e7\u00e3o e mais um representante da R\u00fassia. Enquanto isto, na pra\u00e7a em frente, o conflito de agudizou, com armas de fogo de parte a parte, e franco-atiradores que provavelmente eram de ambos os lados, embora a pol\u00edcia tivesse ainda maior poder de fogo. O resultado foi de centenas de feridos e muitas dezenas de mortos; as cifras destes \u00faltimos variavam entre cerca de 50 a mais de 70, com pelo menos 11 policiais. A certa altura o notici\u00e1rio chegou a informar que 70 policiais tinham sido \u201csequestrados\u201d pelos \u201cmanifestantes\u201d.<\/p>\n<p>Coloquei \u201cmanifestantes\u201d agora, logo acima, entre aspas, porque houve um movimento constante por parte da m\u00eddia do Ocidente de idealizar o que ocorria na pra\u00e7a principal de Kiev, apresentando os acontecimentos como um confronto desproporcional entre a brutal repress\u00e3o do governo e os \u201camantes da liberdade\u201d.<\/p>\n<p>Apesar desta cortina de fuma\u00e7a, logo come\u00e7aram a vazar as informa\u00e7\u00f5es de que estes \u00faltimos eram na maioria e na verdadeira verdadeiras gangues neo-fascistas que n\u00e3o aceitavam nenhuma negocia\u00e7\u00e3o nem nada , a n\u00e3o ser a queda de Yanukokovitch e o afastamento da arqui-inimiga R\u00fassia.<\/p>\n<p>Na mesa de negocia\u00e7\u00e3o chegou-se a um acordo, envolvendo um recuo nas reformas constitucionais promovidas pelo presidente, elei\u00e7\u00f5es em dezembro deste ano e a forma\u00e7\u00e3o de um governo provis\u00f3rio de coaliz\u00e3o. Mas na pra\u00e7a a for\u00e7a policial vinha recuando cada vez mais diante dos \u201cmanifestantes\u201d, a tal ponto que estes ampliaram os espa\u00e7o sob seu controle, chegando inclusive a tomar as entradas do pal\u00e1cio presidencial. Sentindo-se sem condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, Yanukovitch deixou a capital em dire\u00e7\u00e3o ao nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Seguiu-se nesta altura um verdadeiro golpe de estado no novo estilo \u201clegalizado\u201d corrente em v\u00e1rias ocasi\u00f5es neste s\u00e9culo XXI (Honduras, Paraguai, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia&#8230;): o Parlamento declarou que Yanukovitch \u201cabandonara o cargo\u201d e destituiu-o da presid\u00eancia, com v\u00e1rios ex-membros de seu partido bandeando-se para o lado da oposi\u00e7\u00e3o, antecipando as elei\u00e7\u00f5es para maio e libertando Tymoschenko, que j\u00e1 declarou-se candidata.<\/p>\n<p>Que acontecer\u00e1 no futuro? \u00c9 uma boa pergunta. Antes de conjeturar, um par\u00eantese: e as For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia? Trata-se mesmo de um par\u00eantese. Depois da independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, as FFAA abriram m\u00e3o do arsenal nuclear que estava acantonado em seu territ\u00f3rio, passando-o \u00e0 nova R\u00fassia emergente, e diminuiram seu contingente de quase 800 mil para pouco mais de 300 mil homens. Est\u00e3o entre a cruz e a caldeirinha, realizando manobras tanto com a R\u00fassia quanto com a OTAN, que j\u00e1 se declarou de bra\u00e7os abertos para receber este novo aliado quando ele quiser aderir. O namoro est\u00e1 no ar, e s\u00f3 n\u00e3o se concretizou por causa da vigil\u00e2ncia do ch\u00e1-de-pera R\u00fassia. At\u00e9 o momento, pelo menos, as FFAA ucranianas parecem estar olhando para o lado \u2013 pois nem mesmo a seguran\u00e7a do presidente foram capazes de garantir.<\/p>\n<p>A este caldo complicado junta-se a amea\u00e7a do pa\u00eds rachar em dois (pelo menos): a Crim\u00e9ia j\u00e1 manifestou desejos de se separar do restante do pa\u00eds e pedir sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia. E no oeste tamb\u00e9m h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es de separatismo e aproxima\u00e7\u00e3o com a UE, \u00e0 revelia das outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>O que vai acontecer vai depender das mensagens que estar\u00e3o neste momento sendo trocadas entre Moscou, Washington, Bruxelas, Berlim, Paris e em menor grau outras capitais europeias, como Londres e Vars\u00f3via. Qual ser\u00e1 o novo arranjo entre os partidos pol\u00edticos ucranianos? \u00c9 uma boa pergunta. Tymoschenko vai mesmo recuperar seu antigo espa\u00e7o na oposi\u00e7\u00e3o que liderava, hoje ocupado por Vitali Klitschko, do Partido Democr\u00e1tico Alian\u00e7a pela Reforma? O Svoboda vai aumentar seu poder de fogo? O que far\u00e1 Yanukovitch? Os movimentos de trabalhadores, sobretudo no leste, ainda se mantinham a seu favor, embora no momento, com seu enfraquecimento, isto n\u00e3o tenha significado muito no tabuleiro enxadr\u00edstico ucraniano. E o que far\u00e3o os grupos neofascistas que mant\u00e9m Kiev sob seu controle?<\/p>\n<p>O que estes far\u00e3o ainda n\u00e3o se sabe. Mas j\u00e1 se sabe o que est\u00e3o fazendo. No domingo pela manh\u00e3 (23), enquanto eu redigia estas notas, corria a not\u00edcia \u2013 em tom discreto, ao lado da retumb\u00e2ncia triunfal dada ao discurso de Yulia Tymoschenko na pra\u00e7a da Independ\u00eancia \u2013 de que a Embaixada de Israel na Ucr\u00e2nia emitira um comunicado pedindo que todos os judeus se abstivessem de sair \u00e0s ruas de Kiev ou at\u00e9 mesmo deixassem a capital, se pudessem, diante dos ataques contra eles que vem se sucedendo e intensificando nas ruas, com espancamentos, persegui\u00e7\u00f5es e outras coisas deste tipo.<\/p>\n<p>Como em velhos mas nada bons tempos, brinca-se com fogo por aqui.<\/p>\n<p>Fonte: Carta Maior<\/p>\n<p>(*) Publicado originalmente no Blog do Velho Mundo, na Rede Brasil Atual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5910\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1xk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5910\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}