{"id":5911,"date":"2014-02-25T02:14:09","date_gmt":"2014-02-25T02:14:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5911"},"modified":"2014-02-25T02:14:09","modified_gmt":"2014-02-25T02:14:09","slug":"desocupacao-truculenta-na-comunidade-alto-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5911","title":{"rendered":"Desocupa\u00e7\u00e3o truculenta na comunidade Alto da Paz"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Acabou, Acabou! Ningu\u00e9m mais tira nada!\u201d. Essa ordem foi dada por um homem, o qual n\u00e3o foi identificado, que estava coordenando a desapropria\u00e7\u00e3o de casas na Comunidade Alto da Paz, em Fortaleza, nordeste do Brasil.<\/p>\n<p>Nessa hora, v\u00e1rias pessoas, em meio \u00e0 fuma\u00e7a e tratores, tentavam, desesperadamente, retirar seus pertences que ainda estavam dentro das casas que estavam sendo destru\u00eddas. Muitas delas perderam seus bens.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea, que estava sendo ocupada desde setembro de 2012, moravam cerca de 376 fam\u00edlias. De acordo com a prefeitura de Fortaleza, essa \u00e1rea, agora desocupada, vai receber cerca de 1472 casas populares que v\u00e3o alojar pessoas de dois bairros da capital cearense. O despejo ocorreu depois de v\u00e1rias tentativas frustradas da prefeitura em negociar a sa\u00edda dessas pessoas.<\/p>\n<p>O Coletivo Nig\u00e9ria acompanhou todo o processo e ouviu os moradores que alegavam que a prefeitura estava oferecendo cerca de 100 reais como ajuda de custo para que eles sa\u00edssem de suas casas. Valor considerado por eles, insuficiente, e que, ainda assim, n\u00e3o foi pago.<\/p>\n<p>Confus\u00e3o e trucul\u00eancia<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o de despejo teve in\u00edcio \u00e0s 6 da manh\u00e3 do dia 20 de fevereiro, quando funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), juntamente com 150 policiais do batalh\u00e3o de choque chegaram para expulsar as pessoas. &#8220;Nosso caf\u00e9 da manh\u00e3 foi ser expulsos de nossas casas\u201d, desabafou Ana C\u00e9lia Queiroz.<\/p>\n<p>Os moradores fizeram uma barricada para tentar impedir o avan\u00e7o das m\u00e1quinas, mas foram repreendidos pelos policiais, que usaram balas de borracha e bombas de g\u00e1s para dispersar as pessoas que estavam tentando proteger suas casas.<\/p>\n<p>Pessoas, inclusive crian\u00e7as, sendo alvejadas por balas de borracha; pris\u00e3o arbitr\u00e1ria, sem motivo aparente; moradores tentando salvar o que podiam, inclusive as telhas das casas, antes que os tratores chegassem para derrubar tudo; toda essa confus\u00e3o foi registrada nas imagens, gravadas pelo Coletivo Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>De acordo com as reportagens da m\u00eddia independente que estava no local, v\u00e1rias pessoas foram feridas durante a desocupa\u00e7\u00e3o, dentre elas estava Girlane Queiroz. Gr\u00e1vida de oito meses, ela recebeu um chute em sua barriga de um policial. Sua m\u00e3e, ao chegar em casa, se deparou com a filha no ch\u00e3o e gritando de dor. &#8220;Na hora da correria, come\u00e7ou o tiroteio de bala de borracha, a\u00ed eu corri e nessa hora um policial deu um chute na minha barriga&#8221;, disse ela. Gislane ainda informou que as ambul\u00e2ncias que estavam no local acompanhando a a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fizeram nada, pois estavam ali apenas para atender aos policiais. &#8220;Eles disseram que, se eu passasse mais mal, eu deveria pegar um carro e ir sozinha para um hospital\u201d.<\/p>\n<p>Retrato da desocupa\u00e7\u00e3o*<\/p>\n<p>Seu Francisco, de 70 anos, desceu a rua Ismael Pordeus arrastando no cal\u00e7amento o assoalho met\u00e1lico de seu carrinho de catar material reciclado. Desceu r\u00e1pido como se j\u00e1 soubesse pra onde ir. Cruzou no caminho com uma forma\u00e7\u00e3o da cavalaria que subia a ladeira rumo \u00e0 entrada da comunidade. Estancou dois quarteir\u00f5es depois da barreira policial para descansar um pouco. Carregava sacolas com roupas, a televis\u00e3o de 14 polegadas, um fog\u00e3o, o buj\u00e3o de g\u00e1s, panelas e o que sobrou da despensa. &#8220;N\u00e3o \u00e9 pra levar, n\u00e3o?&#8221;, assustou-se quando chegamos pra entrevist\u00e1-lo. Desconfiou que n\u00e3o poderia se tirar nada da casa. Depois mostrou a marca na batata da perna do que deve ter sido uma bala de borracha. Natural de Canind\u00e9, chegou a Fortaleza em 1970. Morou a vida toda nas redondezas da Praia do Futuro, sustentando-se da coleta de sucata e material reciclado. Disse que voltaria agora para um quartinho alugado. E quando ia retomar a marcha, espantou-se num pulo com as m\u00e3os na cabe\u00e7a: &#8220;Ih! Olha! Lembrei agora da minha cama&#8230; A cama novinha&#8230; Ser\u00e1 que d\u00e1 pra buscar ainda?&#8221;<\/p>\n<p>Texto do Coletivo Nig\u00e9ria*<\/p>\n<p>http:\/\/site.adital.com.br\/site\/noticia.php?boletim=1&#038;lang=PT&#038;cod=79544<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nAdital\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5911\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-5911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c101-criminalizacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1xl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}