{"id":5912,"date":"2014-02-25T02:23:26","date_gmt":"2014-02-25T02:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=5912"},"modified":"2014-02-25T02:23:26","modified_gmt":"2014-02-25T02:23:26","slug":"luta-do-mst-de-hoje-e-contra-o-modelo-do-capital-na-agricultura-e-necessita-de-toda-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5912","title":{"rendered":"\u2018Luta do MST de hoje \u00e9 contra o modelo do capital na agricultura e necessita de toda a sociedade\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>A semana come\u00e7a com um marco hist\u00f3rico da luta social brasileira: o VI Congresso do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), no exato momento em que celebra seus 30 anos. Como anunciado, trata-se de um momento de autocr\u00edtica e reflex\u00e3o, de um movimento que marcou \u00e9poca em sua luta por justi\u00e7a no campo e agora se v\u00ea cercado pelos dilemas de um novo momento, entre eles, o abandono da reforma agr\u00e1ria \u2013 inclusive pelos pr\u00f3prios governos que sempre se identificaram com a luta pela terra.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Correio da Cidadania, Gilmar Mauro, dirigente nacional do MST, faz um apanhado hist\u00f3rico, ressalta a trajet\u00f3ria do movimento, mas reconhece a urg\u00eancia de se estabelecerem novas pautas diante da sociedade, atualizando os conceitos sobre a necessidade da reforma agr\u00e1ria no atual contexto pol\u00edtico da agricultura brasileira.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de fazer uma reforma agr\u00e1ria que apenas distribua a terra, para disputar mercado com o agroneg\u00f3cio na base do produtivismo burro. Trata-se de mudar o modelo agr\u00edcola, os paradigmas tecnol\u00f3gicos de produ\u00e7\u00e3o e, claro, de um reordenamento fundi\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 distribui\u00e7\u00e3o de terra, mas \u00e9 tamb\u00e9m assentar um novo modelo agr\u00edcola\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A respeito do desempenho dos governos recentes, apenas desengano, refletido n\u00e3o s\u00f3 em n\u00fameros de desapropria\u00e7\u00f5es e assentamentos, mas tamb\u00e9m em um fato emblem\u00e1tico: \u201cN\u00e3o tivemos nenhuma reuni\u00e3o com a presidente Dilma, pra se ter ideia. N\u00e3o que reuni\u00e3o resolva problemas, mas at\u00e9 com FHC tivemos v\u00e1rias reuni\u00f5es. E com a Dilma, nenhuma. Em termos de desapropria\u00e7\u00e3o, \u00e9 vergonhoso, n\u00e3o tem nada\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>A entrevista completa com Gilmar Mauro pode ser lida a seguir.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: Inicialmente, que balan\u00e7o voc\u00ea faz dos trinta anos de hist\u00f3ria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: H\u00e1 v\u00e1rias coisas importantes nos 30 anos do movimento. A primeira \u00e9 que o MST \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e1 na hist\u00f3ria da luta pela terra e pela reforma agr\u00e1ria no nosso pa\u00eds. Um herdeiro, continuador de tais lutas. Tamb\u00e9m porque \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es camponesas de maior tempo de vida. Outras duraram muito menos, foram reprimidas etc. E, nesses 30 anos, como fruto do aprendizado hist\u00f3rico nas lutas do Brasil, desenvolvemos v\u00e1rias quest\u00f5es que, a meu ver, s\u00e3o importantes:<\/p>\n<p>1) estabelecemos com clareza um rumo a ser seguido, qual seja, lutar pela terra e pela transforma\u00e7\u00e3o social;<\/p>\n<p>2) estabelecemos que isso ser\u00e1 alcan\u00e7ado por meio da luta social, sem outra alternativa. N\u00e3o porque gostamos ou achamos bonito, mas por ser uma condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da classe trabalhadora e porque a luta \u00e9 um processo pelo qual os trabalhadores se tornam sujeitos e protagonistas da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Al\u00e9m das conquistas, \u00e9 atrav\u00e9s disso que se d\u00e1 um processo de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>3) a partir desses dois grandes ingredientes, constru\u00edmos uma organiza\u00e7\u00e3o interna para al\u00e9m das demandas da reforma agr\u00e1ria, pura e simplesmente. Tem-se um movimento que trabalha na educa\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, na alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, mas tamb\u00e9m em parcerias, no sentido de que nosso povo, trabalhador, possa ter acesso ao ensino superior, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o etc. Desenvolvemos pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o, de comunica\u00e7\u00e3o, temos uma escola pr\u00f3pria&#8230; Enfim, para al\u00e9m da luta pela reforma agr\u00e1ria, desenvolvemos modos de produ\u00e7\u00e3o nos assentamentos, a agroind\u00fastria, e assim por diante, com organicidade;<\/p>\n<p>4) constru\u00edmos um movimento com unidade interna. Cheio de contradi\u00e7\u00f5es, como a vida \u00e9, mas unidade em torno de um projeto e de a\u00e7\u00f5es, o que nos permitiu fazer muitas lutas pelo Brasil;<\/p>\n<p>5) constru\u00edmos um movimento com articula\u00e7\u00e3o internacional. A pr\u00f3pria Via Campesina \u00e9 fruto desse processo que ajudamos a construir. Entendemos que as mudan\u00e7as no Brasil s\u00e3o parte de mudan\u00e7as estruturais em todo o planeta. E mesmo com outras contradi\u00e7\u00f5es do movimento campon\u00eas, h\u00e1 pontos e projetos em comum. E ousaria dizer que, na atualidade, esta \u00e9 uma das poucas organiza\u00e7\u00f5es com funcionamento de escala planet\u00e1ria;<\/p>\n<p>6) constru\u00edmos um movimento que, al\u00e9m de colocar quest\u00f5es imediatas, coloca quest\u00f5es pol\u00edticas, em busca de di\u00e1logo entre a luta econ\u00f4mica e a luta pol\u00edtica. Buscamos trazer ao presente o que se quer no futuro. Exemplo: vamos a um congresso cuja metade do tempo ser\u00e1 dedicada \u00e0 autocr\u00edtica, pois \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o, uma tarefa pol\u00edtica. Vamos discutir a participa\u00e7\u00e3o das mulheres e todos os problemas que ainda temos. \u00c9 um dos movimentos que, de fato, conseguem fazer tal exerc\u00edcio. \u00c9 aquilo que a agricultura nos ensina: se quisermos colher abacate, temos que plantar abacateiro. Vamos tratar da abertura da participa\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, da forma\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de novos militantes etc.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 a quest\u00e3o da dignidade e da auto-estima de uma categoria que, no Brasil, sempre foi relegada ao terceiro escal\u00e3o, no caso, os sem terras. Portanto, atrav\u00e9s da luta e organiza\u00e7\u00e3o, exaltamos a dignidade humana das pessoas, ao mesmo tempo em que lhe damos um sentido pol\u00edtico. O MST \u00e9 um interlocutor e agente pol\u00edtico no Brasil, fruto de seu processo de 30 anos.<\/p>\n<p>Tem reforma agr\u00e1ria? Ainda n\u00e3o. Temos pol\u00edtica de assentamentos, como fruto de muitas lutas e mortes.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: Qual \u00e9, mais especificamente, a nova leitura do movimento para a reforma agr\u00e1ria no atual momento, face \u00e0 citada hegemonia do agroneg\u00f3cio e \u00e0 predomin\u00e2ncia de um modelo agr\u00edcola fortemente hegemonizado por grandes oligop\u00f3lios?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: \u00c9 um debate que voc\u00eas, da chamada \u201cm\u00eddia alternativa\u201d, ter\u00e3o de nos ajudar a travar com a sociedade. Temos de colocar quest\u00f5es do tipo: que uso a humanidade, particularmente os brasileiros, quer dar \u00e0 terra, \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 biodiversidade, aos recursos naturais em geral? Se for o uso atual, de hegemonia do capital, n\u00e3o precisa de reforma agr\u00e1ria. Que tipo de comida queremos consumir? Se for o atual, talvez tampouco precise de reforma agr\u00e1ria. E que paradigmas tecnol\u00f3gicos de produ\u00e7\u00e3o usaremos no pr\u00f3ximo per\u00edodo?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o envolve o conjunto da sociedade. Se quisermos dar outro uso aos recursos naturais, com outro tipo de alimenta\u00e7\u00e3o, se quisermos produzir de forma mais sustent\u00e1vel, com menos impacto ao meio ambiente, e, principalmente, colocando os trabalhadores no centro, diminuindo a penosidade do trabalho agr\u00edcola e, ao mesmo tempo, garantindo produtividade, a reforma agr\u00e1ria \u00e9 uma das coisas mais modernas que existem.<\/p>\n<p>No nosso modo de ver, esse \u00e9 um debate necess\u00e1rio, pois n\u00e3o se trata de fazer uma reforma agr\u00e1ria que apenas distribua a terra, para disputar mercado com o agroneg\u00f3cio na base do produtivismo burro.<\/p>\n<p>Trata-se de mudar o modelo agr\u00edcola, os paradigmas tecnol\u00f3gicos de produ\u00e7\u00e3o e, claro, de um reordenamento fundi\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 distribui\u00e7\u00e3o de terra, mas \u00e9 tamb\u00e9m assentar um novo modelo agr\u00edcola. O debate de reforma agr\u00e1ria vai girar em torno disso no pr\u00f3ximo per\u00edodo. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de muita luta e mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: O que pensa sobre essa nova postura e como voc\u00ea tem enxergado, nesse sentido, o movimento neste atual momento hist\u00f3rico?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: Houve mudan\u00e7as. Diria at\u00e9 que, nos anos 2000, vivemos uma ascens\u00e3o muito grande, com muitas lutas, havia muita gente acampando. Mas a pr\u00f3pria mudan\u00e7a do pa\u00eds, com situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego relativo (emprego prec\u00e1rio, evidentemente, mas com trabalho), faz com que, apesar de o sonho da reforma agr\u00e1ria continuar presente em milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas, a situa\u00e7\u00e3o seja diferente daquela da d\u00e9cada de 90, pois a maioria das fam\u00edlias n\u00e3o fica no acampamento o tempo todo. Porque est\u00e1 trabalhando, se sustentando. A\u00ed, vem pros acampamentos nos finais de semana, nas assembleias, mas n\u00e3o tem aquela mesma disponibilidade que tinha nos grandes acampamentos que fizemos na d\u00e9cada de 90. Lev\u00e1vamos gente pra participar de mobiliza\u00e7\u00f5es urbanas, cursos de forma\u00e7\u00e3o&#8230; Hoje, tem menos gente morando nos acampamentos, o que n\u00e3o significa ter diminu\u00eddo a necessidade e vontade de luta dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora, na atual fase do capitalismo, n\u00e3o vive no campo, vive trabalhando fora. Ali\u00e1s, \u00e9 a \u00fanica alternativa. Ou vende o que os outros produziram, ou produz e vende, ou vende a for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Os momentos de luta da classe trabalhadora s\u00e3o sazonais, uma greve aqui, outra acol\u00e1, assim por diante. No nosso caso, n\u00e3o \u00e9 diferente. Digo tudo isso pelo seguinte: a partir de 1995, quando o movimento sindical de certa forma entrou em refluxo, pela derrota da greve dos petroleiros, nos colocamos em posi\u00e7\u00e3o de certa arrog\u00e2ncia. E continuamos avan\u00e7ando. A partir da d\u00e9cada de 2000, por volta de 2002, 2005, vimos uma reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva no campo que nos colocou numa outra condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Penso que o MST faz uma releitura n\u00e3o para diminuir e parar de fazer luta, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 para buscar um salto de qualidade. No entanto, h\u00e1 outro ponto que gostaria de colocar aqui: embora existam cr\u00edticas ao MST, vejo-o como um dos maiores movimentos sociais da atualidade, sem d\u00favidas. Vamos botar 15, 16 mil pessoas no nosso congresso, fazer uma autocr\u00edtica interna e jogar pra frente, junto com nossa categoria. Uma organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o responde \u00e0s necessidades de sua categoria, que n\u00e3o faz lutas, n\u00e3o tem sentido de existir. Prefiro errar coletivamente do que acertar sozinho.<\/p>\n<p>E acredito que daremos o salto de qualidade no pr\u00f3ximo per\u00edodo, tanto no debate da reforma agr\u00e1ria, como no processo de organiza\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria categoria, al\u00e9m da legitima\u00e7\u00e3o do movimento, ao lado de outros setores da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: Como voc\u00ea descreve o atual quadro de disputa pela terra no nosso pa\u00eds, inclusive em termos de aquisi\u00e7\u00e3o de terras por parte de grupos estrangeiros?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: Esse \u00e9 o grande n\u00f3 que enfrentamos. Na d\u00e9cada de 90, est\u00e1vamos em ascens\u00e3o e enfrent\u00e1vamos o latif\u00fandio atrasado. Hoje, com maiores dificuldades de mobiliza\u00e7\u00e3o, por se tratar de outra classe trabalhadora, enfrentamos um latif\u00fandio mais moderno, do capital financeiro. Al\u00e9m da alian\u00e7a do agroneg\u00f3cio com os meios de comunica\u00e7\u00e3o, o aparelho da grande m\u00eddia, uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Do ponto de vista macroecon\u00f4mico, tanto no governo FHC, como no governo Lula e na campanha de Dilma, esse mesmo modelo foi utilizado como forma de equilibrar o balan\u00e7o de pagamentos. Ou seja, o Brasil tem um d\u00e9ficit muito grande nos chamados servi\u00e7os \u2013 em fun\u00e7\u00e3o do pagamento de juros, da remessa anual de lucros das empresas etc. \u2013 e busca se equilibrar produzindo commodities. Produtos prim\u00e1rios para exporta\u00e7\u00e3o. Assim, o campo brasileiro passou a ser utilizado de forma predat\u00f3ria pelo grande capital, que, em tempos de crise, inclusive na Europa, se utiliza de processos de extra\u00e7\u00e3o de minerais, dom\u00ednio e controle de terras.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 a grande briga, contra o grande capital, que por sua vez investe em agricultura, por ser mais um espa\u00e7o de valoriza\u00e7\u00e3o e ganho de dinheiro. O problema \u00e9 o modelo, e os governos recentes o adotaram, em busca de algum equil\u00edbrio no balan\u00e7o de pagamentos. Em detrimento de n\u00e3o se fazer a reforma agr\u00e1ria, em detrimento do solo, da \u00e1gua, com as monoculturas e assim por diante.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o grande desafio nosso do momento, porque n\u00e3o \u00e9 uma luta s\u00f3 dos sem terras. Teremos de nos articular com o conjunto da sociedade brasileira, inclusive discutindo a ess\u00eancia do problema. Fazer o debate a respeito, como dito, de que uso queremos dar aos recursos naturais, o que queremos de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Ser\u00e1 exigido um processo de forma\u00e7\u00e3o e debates com a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>E digo com a maior tranquilidade: ningu\u00e9m luta contra aquilo que n\u00e3o conhece, ningu\u00e9m luta sem saber por qu\u00ea. De modo que temos de convocar intelectuais, pedagogos, pra fazer o debate. Se a sociedade n\u00e3o fizer uma cr\u00edtica e n\u00e3o entender qual a l\u00f3gica do capital, e suas consequ\u00eancias \u00e0 pr\u00f3pria sociedade, ningu\u00e9m vai lutar. Sem esse entendimento, dificilmente conseguiremos uma luta por outro projeto, um projeto socialista.<\/p>\n<p>Vejo as coisas assim, essa \u00e9 a forma de evitar transformar a luta, mesmo com car\u00e1ter de esquerda, numa esp\u00e9cie de massa de manobra. Portanto, \u00e9 preciso desenvolver o processo de forma\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o acredito em mudan\u00e7as sem tal trabalho. Mudan\u00e7as profundas ir\u00e3o ocorrer no dia em que a classe trabalhadora assumir seu protagonismo nas lutas e na pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: Como avalia o governo Dilma frente a essas discuss\u00f5es e, especificamente, no que se refere ao seu posicionamento face ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o no processo de reforma agr\u00e1ria?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: Um dos piores em termos de reforma agr\u00e1ria, compar\u00e1vel ao per\u00edodo Collor. N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida. N\u00e3o tivemos nenhuma reuni\u00e3o com a presidente Dilma, pra se ter ideia. N\u00e3o que reuni\u00e3o resolva problemas, mas at\u00e9 com FHC tivemos v\u00e1rias reuni\u00f5es. E com a Dilma, nenhuma.<\/p>\n<p>J\u00e1 em termos de desapropria\u00e7\u00e3o, \u00e9 vergonhoso, n\u00e3o tem nada. A grande pol\u00edtica da Dilma para o campo \u00e9 um pouco mais de cr\u00e9dito e a inser\u00e7\u00e3o de parte da pequena agricultura dentro do mercado. Mas eu diria que o projeto \u00e9 buscar inserir alguns assentados, alguns agricultores, e transform\u00e1-los em \u201cagronegocinhos\u201d. E o restante da popula\u00e7\u00e3o fica com pol\u00edtica de compensa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Reforma agr\u00e1ria zero. No final do ano, desapropriaram-se umas \u00e1reas e, se nada der errado, ser\u00e3o assentadas umas 4 mil fam\u00edlias. \u00c9 evidente nosso descontentamento, de todos os camponeses em geral, com a pol\u00edtica de governo, principalmente nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Correio da Cidadania: Qual ser\u00e1 a postura do movimento neste ano eleitoral, com diversos interesses pol\u00edtico-econ\u00f4micos desde j\u00e1 pressionando o governo por grandes concess\u00f5es?<\/p>\n<p>Gilmar Mauro: Pra ser bem honesto, o per\u00edodo eleitoral \u00e9 bem dif\u00edcil para n\u00f3s. Respeitamos, a popula\u00e7\u00e3o participa&#8230; Mas s\u00e3o processos t\u00e3o viciados que \u00e9 dif\u00edcil assumi-lo como possibilidade t\u00e1tica de grandes mudan\u00e7as. Principalmente porque as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito marcadas e dadas. Portanto, ser\u00e1 um ano dif\u00edcil para n\u00f3s, sem d\u00favida, ainda mais com a Copa do Mundo.<\/p>\n<p>Normalmente, n\u00e3o nos envolvemos t\u00e3o diretamente nas elei\u00e7\u00f5es. Atrapalha. N\u00e3o temos debate algum e n\u00e3o queremos antecipar o assunto. Tanto que no nosso congresso n\u00e3o h\u00e1 programa\u00e7\u00e3o para falar de elei\u00e7\u00e3o. Os temas ser\u00e3o reforma agr\u00e1ria, participa\u00e7\u00e3o das mulheres, desafios da classe trabalhadora, desafios internos. Discutiremos quest\u00f5es internas e a luta pol\u00edtica que faremos no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Gabriel Brito \u00e9 jornalista; Val\u00e9ria Nader, jornalista e economista, \u00e9 editora do Correio da Cidadania.<\/p>\n<p>http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=9324<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/5912\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-5912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-1xm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}